quinta-feira, 26 de maio de 2016

O lado cultural da cultura

Todos temos vários lados. Quando o poeta fala mais alto do que o constitucionalista, damos um passo atrás; ou – quem sabe – à frente.

Eu não me espantei quando o “presidente em exercício” voltou atrás. Não vou especular, mas não ficaria assustado se o seu lado poeta invertesse as coisas, criando um baita Ministério da Cultura e um minúsculo ministério da educação.

A cultura lida como “civilização”, adorno, bom gosto, vanguarda, sofisticação e identidade burguesa, individualista e revolucionária, como o centro englobador da dimensão pedagógica; e a educação lida apenas como instrução burocratizadora, que oferece direitos e disciplinas, como o lado “oficial” da vida profissional – o lado que ensinaria chatices como o Hino Nacional, a Constituição, a honestidade cívica, que demanda obedecer aos sinais e o juramento à bandeira, mais matemática, português, história e geográfica – tem sido pouco discutido na vida republicana nacional. Tudo aquilo que um brasileiro comum deveria aprender, para conviver de modo igualitário um cotidiano justo, ainda está para ser debatido no Brasil. Os aristocratas, sem saber, querem mercado com reserva; outros preferem o populismo que louva a antieducação; e alguns querem talento e mercado com um mínimo de igualdade e competição. No ramo da cultura entendida como arte e talento, os poderosos, os riquinhos e os burocratas não têm lugar.


Cauby Peixoto sublimou esplendidamente os terríveis preconceitos contra a sua sexualidade, pelo canto. Ele jamais precisou de um ministério para aquilo que surge de um dom aproveitado com afinco: o seu canto, a sua arte. O fato é que fazemos um contraste equivocado entre educação e cultura. Na cultura, predominaria a visão eurocentrada da “civilização”. Este seria o ministério dos artistas – os demiurgos da cultura investida como literatura, poesia, música, artes plásticas e cênicas. Esse conjunto que estaria do “lado esquerdo” e seria parte da dimensão criativa e carismática do conjunto total de valores, técnicas e sabedorias que todos nós – independentemente dos nossos posicionamentos políticos, assumiríamos como denominadores comuns a quem nasce ou assume a identidade de “brasileiro” com todas as suas vantagens e desvantagens. Tal lado carismático, criativo, artístico, mágico e quase sempre surpreendente, pois não pode ser previsto ou programado com precisão, não seria subordinado nem oposto, mas complemento educacional. Ambos pertencem à sociedade. O Estado é um suplemento.

A “educação” seria o lado careta e constitucionalista do mundo, pois essa é a dimensão do aprender explícito. A dimensão que se faz na “sala de aula” com professores e programas, e não de modo informal, como a que ocorre quando nascemos e se faz em casa, num “aprender” inconsciente com os pais e familiares, com os amigos e vizinhos na varanda, na rua, no bar, na igreja, na praia e nas festas onde não existem programas, provas, formaturas e certificados.

Já a “cultura” se produz e reproduz na “escola da vida”. Essa vertente inconsciente dos elos coletivos. Aqui, há mestres e mentores mais do que professores e instrutores.

Num plano geral, entretanto, educação e cultura constituem a cultura de um coletivo que vai da tribo ao Estado nacional; que vai da família a um povo ou país. Seu denominador comum é uma língua comum; seu segundo determinante é um espaço ou território inquestionável ou soberano, no qual se exercem práticas e valores.

Estou dizendo que o governo Temer está certo? Não! Estou dizendo que ele está errado? Também não. O que estou dizendo é que nos falta um entendimento da “cultura” como um conjunto que engloba as nossas vidas, dando-lhes um sentimento compartilhado.

Como, então, seria cultural esse muito barulho por nada? Por dois motivos. Primeiro, porque é preciso encontrar um motivo para ser contra o governo; segundo, porque o governo, tendo muita acuidade para com a economia política, se esqueceu que, no Brasil, tudo tem um dono. E os donos da “cultura brasileira” são os artistas e intelectuais que se definem como uma classe trabalhadora pobre, destituída e, mesmo em Paris, frequentemente espoliada.

A sagacidade do constitucionalista cegou o poeta, deixando passar a ideia de que o tecido brasileiro é apenas feito de ritos legais quando, na realidade, ele tem muitas dimensões. A simbólica ou a cultural – que é, de fato, o que define o humano – é uma fronteira crítica. Nela, estão grandes artistas a dizer que não se governa sem a direita; mas também não se administra sem a “esquerda” dessa criativa “cultura” igualmente brasileira.

Contrato de risco

Michel Temer fez um contrato de risco na composição de seu governo. Sabia que estava sujeito a trovoadas e tempestades ao ceder espaços a políticos e parlamentares arrolados – e enrolados - nas investigações da Lava-Jato.

Apesar dos alertas sobre o perigo de nomear homens-bomba para o primeiro escalão, falou mais alto a necessidade do novo presidente de construir maioria confortável no Congresso Nacional para aprovar medidas de ajustes econômicos e as reformas imprescindíveis para a retomada do crescimento e a geração de empregos.

O governo Temer assenta-se em dois pilares: um moderno e renovador representado pelo núcleo central da equipe econômica, José Serra e o novo Itamaraty, os quadros técnicos do segundo escalão como Maria Helena Guimarães no MEC e presidentes de estatais como Pedro Parente, para dar alguns exemplos. E outro arcaico, constituído por partidos e políticos tradicionais acostumados a práticas patrimonialistas e não republicanas.

Esta coabitação ficou evidente no episódio da queda do ministro Romero Jucá. As gravações flagradas mostraram mais uma vez a face atrasada, grotesca e pusilânime da política brasileira.


Perpetuar o contrato de risco é ficar de costas para a demanda da sociedade. É expor-se a uma sucessão de crises políticas, a uma sangria permanente, que pode levar ao fim precoce de um governo que mal começou; ou que começou mal em matéria de rígida observância de critérios éticos na montagem do Ministério.

O resgate da credibilidade da instituição governo, duramente corroída pelos escândalos patrocinados pelo lulopetismo ao longo dos últimos 13 anos, está na razão direta da capacidade de Temer entender o recado dado pelas ruas, nas jornadas recentes. Não há retorno, não há recuo, na Lava-Jato. Isso não passa na sociedade. Jucá que o diga.

Se há alguma lição a tirar do caso Jucá é que ninguém, por mais poderoso que seja, tem a possibilidade de interromper as investigações. Não há pacto possível para pôr fim à Lava-Jato, até porque ninguém vai conseguir deter a ação republicana da Polícia Federal, do Ministério Público, da Justiça Federal, para não falar do Supremo Tribunal Federal.

Transações tenebrosas, quando vêm à luz do dia, têm exatamente o efeito contrário ao que se propõem. Tornam mais irreversíveis as investigações e mais fortes as instituições republicanas de Estado. Assim foi o caso Delcídio, assim foi quando a nação tomou conhecimento das incursões de Lula para monitorar as investigações, e assim está acontecendo no affair Romero Jucá.

Pode-se arguir, com boa dose de razão, que nem tudo está como dantes no quartel de Abrantes. Por uma questão de justiça, reconheça-se que Jucá não foi blindado: Temer foi rápido no gatilho, ninguém ficou resmungando contra “vazamentos seletivos” e muito menos a imprensa foi acusada de conspiração.

É uma diferença e tanto com relação aos tempos de Lula e Dilma. Isto só não basta. Se não houver novos procedimentos de governança, novos critérios na escolha dos quadros governamentais, novas crises estão contratadas desde já.

É toda uma cultura a ser deixada para trás.

Por que não generalizar o que está acontecendo agora na Petrobrás, onde a confirmação de Pedro Parente como presidente da empresa se dará após a realização de um “teste de integridade” pelo conselho de administração da estatal?

Isto que parece ser uma enorme novidade é algo corriqueiro nos Estados Unidos e em outros países de administração moderna.

De volta aos pilares do governo Temer. Não se exige do novo presidente a ruptura do contrato com os partidos e políticos tradicionais. Goste-se ou não, a aprovação das medidas que podem tirar o país do atoleiro passa pelo Congresso Nacional, onde essas forças são majoritárias.

Não pode, porém, dar as costas ao que a sociedade reclama: combate à corrupção e continuidade da Lava-Jato.

É nessa corda fina que Michel Temer tem de se equilibrar.

A opção pela baderna

Desde sua fundação, há mais de três décadas, o PT nunca perdeu uma chance para demonstrar menosprezo pela democracia e suas instituições. Assim, não surpreende o comportamento lamentável, próprio de arruaceiros, que alguns parlamentares do PT exibiram no instante em que o presidente em exercício Michel Temer foi ao Congresso, na segunda-feira passada, para encaminhar a revisão da meta fiscal. O incidente demonstra de maneira cabal que o PT confunde oposição firme, legítima em qualquer democracia, com baderna, que é própria de quem não conhece outra forma de fazer prevalecer suas vontades que não seja no grito e na marra.


Em pleno Senado, três deputados petistas, Paulo Pimenta, Helder Salomão e Moema Gramacho, acompanhados de servidores por eles arregimentados, vaiaram e hostilizaram Temer. Aproveitando-se do mal-estar gerado por uma gravação clandestina que comprometeu o senador Romero Jucá – custando-lhe o cargo de ministro do Planejamento por sugerir que ele ajudou a articular o impeachment da presidente Dilma Rousseff com a intenção de frear a Lava Jato –, receberam o presidente em exercício aos gritos de “golpista”.

O menor dos absurdos desse episódio é o uso inapropriado de servidores públicos para funções estranhas a seu trabalho, mormente a participação em protestos políticos. É preciso lembrar que os funcionários do Legislativo, mesmo os que servem nos gabinetes, são pagos pelo Estado, e não é sua função compor claques.

O mais grave, contudo, é a incapacidade dos petistas de entender como funciona uma democracia representativa e seus rituais – entre os quais se encontra o respeito solene ao decoro. A atitude truculenta dos deputados petistas, típica do gangsterismo sindical do partido, infringiu diversos pontos do Código de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara.

No artigo 3.º, lê-se que é dever fundamental dos deputados “zelar pelo prestígio, aprimoramento e valorização das instituições democráticas e representativas e pelas prerrogativas do Poder Legislativo”. O artigo 5.º afirma que atenta contra o decoro parlamentar “praticar atos que infrinjam as regras de boa conduta nas dependências da Casa” e “praticar ofensas físicas ou morais” contra colegas, servidores e autoridades. Ao chamar de “golpista” o presidente em exercício, que está no cargo por decisão soberana do Congresso, há não apenas uma ofensa às regras de boa conduta, mas uma clara ação que desprestigia e desvaloriza o Legislativo.

As exigências de decoro não são um capricho. Ao exigir que os parlamentares tenham comportamento civilizado, o código parlamentar procura preservar a essência da democracia, que é limitar o confronto de ideias ao terreno da política – em que prevalece o debate e a negociação. Por maiores que sejam as diferenças de opinião entre os diversos grupos representados no Parlamento, deve-se observar, sempre, o respeito aos oponentes – que, afinal, lá estão também porque receberam votos. É assim que funciona em democracias maduras.

Mas o PT nunca demonstrou tal maturidade. Ao contrário: a democracia, para a tigrada, sempre foi mero instrumento para tomar o Estado de assalto e acabar com a alternância de poder. Para lastrear esse projeto de força, mais do que de poder, a máquina de propaganda petista criou o mito segundo o qual o único movimento político verdadeiramente democrático no Brasil era o PT; logo, qualquer derrota do PT é tratada como derrota da própria democracia.

Foi esse espírito que presidiu a manifestação desrespeitosa dos deputados petistas contra Temer. Não importa que o afastamento da presidente Dilma tenha sido decidido pelo Congresso conforme o estabelecido pela Constituição, tampouco interessa se o País precisa urgentemente de um esforço coletivo para superar a imensa crise que a inépcia de Dilma e a corrupção lulopetista criaram. A única coisa que importa é causar confusão e, por meio da acusação fajuta de “golpe”, impedir que o governo tenha condições de consertar as lambanças de Dilma e, assim, expor a todos o mal que o PT causou ao País.

Um terço da força de trabalho federal tem cargo comissionado

Um em cada três funcionários públicos federais dos três poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário – ocupa algum cargo ou função comissionada, segundo levantamento inédito que será analisado pelo TCU (Tribunal de Contas da União). O país fechou 2015 com 60,7 mil cargos comissionados “puros”, ou seja, ocupados por funcionários que não prestaram concurso público para ingressar em uma das esferas da União – Executivo, Legislativo ou Judiciário. São os mais suscetíveis a indicações políticas.

Há ainda outras 285,8 mil funções comissionadas – gratificações extras dadas a quem já é funcionário público e exerce alguma posição de confiança. No total, portanto, são 346,5 mil servidores com algum tipo de comissionamento, num universo de 1,12 milhão de funcionários federais –ou seja, 30,9% do total.

Quantos não existem por aí?

De Getúlio a Temer, para os pessimistas, tudo é lucro

Acompanho a política em nosso país e fora dele, e incluo aqui a política estudantil (da qual participei), ocasião em que nos dividíamos entre a União Democrática Universitária (UDU) e a Frente Acadêmica Renovadora (FAR), desde os bancos da Faculdade de Direito da então UMG, hoje UFMG, quando mal entrara na casa dos 19 anos.

Vejo passar agora, pela retina de meus olhos, figuras realmente de escol, tanto nas cadeiras da velha Casa de Afonso Pena quanto na política, na magistratura, na literatura, no jornalismo, no humanismo, na ciência, no empreendedorismo. Enfim, nas mais variadas atividades humanas, que não devem em nada a alguns dos maiores que integram hoje essas mesmas classes ou, no dizer atual, categorias.

Antes, ainda adolescente, eu já era leitor de livros, que buscava na biblioteca de meu pai ou na de algum de meus irmãos mais velhos. Lia, também, excelentes articulistas da época. Como meios de comunicação social, dispúnhamos do rádio e de muitos jornais. Vários deles integravam o condomínio constituído pela figura polêmica de Assis Chateaubriand, que chegou a comandar 34 jornais, 36 emissoras de rádio, 18 estações de televisão, uma agência de notícias, uma revista semanal, uma mensal, a editora O Cruzeiro e várias revistas infantis.

Em 1959, pelo rádio, e já recém-bacharel em direito, ouvi, entusiasmado, o discurso de Fidel Castro, logo depois de descer da Sierra Maestra, botando para correr um ditador sanguinário. Depois de Getúlio Vargas – ditador no Brasil durante 15 anos, deposto em 1945, mas eleito pelo voto em 1952, para tisnar ainda mais a República –, esta talvez tenha sido a segunda grande decepção daquele jovem cheio de sonhos. Ao lado do irmão, alçado ao poder por ele, ambos já velhos, e ao longo desses últimos 57 anos, vem cometendo um pequeno deslize – o de não devolver ao bom povo cubano a decisão sobre seu próprio destino.

No dia 24 de agosto de 1954, antes de terminar a primeira aula na velha e saudosa Casa de Afonso Pena, antes mesmo das 8h e já cientes do suicídio do presidente Getúlio Vargas, rumamos – com vários colegas – para a praça Sete e nos postamos em frente ao antigo Cine Glória. Ali, entre as árvores que formavam um garboso batalhão, abatidas, afinal, pelo prefeito Jorge Carone Filho, ouvimos, atentos e emocionados, pelo alto-falante, a carta-testamento do velho ditador. Em especial, doeu-me muito aquele episódio. Ao lado de alguns colegas, dias antes, por ocasião da inauguração da siderúrgica Mannesmann, promovemos seu enterro simbólico, em desfile pela avenida Afonso Pena, sob os protestos do professor (e nosso diretor) Antônio Vilas Boas.

Vieram depois Café Filho, Carlos Luz, Nereu Ramos, JK, Jânio Quadros, Ranieri Mazzilli, Jango, Castelo Branco, Costa e Silva, Junta Militar, Médici, Geisel, Figueiredo, Tancredo, Sarney, Collor, Itamar, FHC (duas vezes), 13 anos e pico de Dilma/Lula e, agora, Michel Temer. Não posso dizer mais nada (os caracteres!), talvez só concordar com Carlos Heitor Cony: “Não tenho a obrigação de ser otimista, que no fundo é apenas um mal-informado. Sendo pessimista, tudo para mim é lucro”.
Sou, quem sabe, como Cony, um otimista às avessas.

Ou seja: insisto em ter esperança. Não admito – como Arnaldo Jabor – que nosso destino seja realmente o brejo. Mas calou-me fundo o final de sua coluna de anteontem: “E minha vida vai passando… Ainda bem que vou morrer um dia e não vou ver mais essa m…”.

Distante do povo

O vaivém do MinC expôs o distanciamento de artistas em relação ao povo. Em 2014, os servidores do Iphan pararam as atividades dos museus por justa luta salarial. O Masp completou, em 2007, 60 anos com dívidas astronômicas e visitas decaindo; no mesmo ano, 76 instituições fecharam as portas temporariamente. O Masp só começou a ter solução ao fim de 2014, sem intermédio do MinC. Pouco se fez pela valorização do museu. O ano de 2015 foi ameaçador para o Museu Nacional. Recentemente, O GLOBO publicou fotos dos graves problemas estruturais na Biblioteca Nacional, onde está a memória do Brasil desde o Império.


Os investimentos dos últimos 13 anos se basearam nos artistas, e não no público. O MinC se restringiu a editais para produção de filmes, shows e peças de teatro, mas as bilheterias dos filmes nacionais são ínfimas, e essa produção só rodou festivais vistos por cineastas. Pergunte nas ruas o nome do último filme nacional a que assistiram. As salas de rua somem, e os blockbusters dominam o cardápio cinematográfico, deixando às produções locais tempo suficiente para apenas parentes e amigos assistirem. As temporadas teatrais são curtíssimas.

O Ibope divulgou que nenhum escritor da nova geração é lembrado em sua recente pesquisa, os contemporâneos na boca do povo se limitam a Paulo Coelho e Padre Marcelo Rossi. Cadê as livrarias de rua, que aproximam os autores dos leitores? O que foi feito das bibliotecas públicas?

Pontos de cultura, política pública de aproximação entre arte e público, têm sofrido para sobreviver. Artistas se fecharam em eventos, a sociedade os vê como vagabundos usurpadores do dinheiro público. Enquanto o impune crime da Samarco sufocava pessoas, vidas, patrimônios, artistas desfilavam no Planalto ao som de “Alegria alegria”. Após o governador baiano aplaudir uma chacina na periferia, o mais famoso ator brasileiro vinha de Los Angeles abraçá-lo e pedir dez milhões do Erário para um filme sobre Marighella. Em Salvador, ocuparam a sede do MinC ignorando que ele se localiza no abandonado Centro Histórico da primeira capital do país. Colocar-se dentro de um vestido chique e desfilar por Cannes com placas “Golpe no Brasil” não pega bem para 11 milhões de desempregados.

Esse distanciamento produziu uma profunda ignorância da sociedade a respeito do trabalho de fazer arte e da importância econômica e social desta indústria limpa e transformou os frequentadores palacianos, calados diante da dilapidação da Petrobras — principal empresa fomentadora de produções artísticas — em inimigos dos que morriam de bala e de falta de leito.

O governo interino fez lambanças como convidar medalhões nada a ver com a política para acalmar os ânimos; o desafio de Temer agora é criar um nobre ministério e dar espaço para Marcelo Calero, acabando o aparelhamento e fomento ideológico.

Não dá para abraçar um projeto de poder criminoso e sentir-se incompreendido pela população que pouco se beneficiou do Ministério da Cultura.

Thiago Mourão 

quarta-feira, 25 de maio de 2016

A inércia da Casa do Povo

A corrupção é uma regra nos negócios públicos. Por outro lado, num mesmo cenário calamitoso como esse, o que vemos é uma inércia do Congresso Nacional na aprovação de medidas legislativas que possam reverter esse quadro. Um sistema político e jurídico que deveria estar numa CTI, mas que não há iniciativas legislativas nesse sentido.
O Congresso pode escolher ser uma casa de reabilitação e cura para esse sistema corrupto ou ser uma casa que aceite a corrupção como regra.
Roberson Pozzobon, procurador da República

E se os mais ricos ajudassem a pagar o rombo nas contas públicas?

O Governo interino de Michel Temer anunciou nesta terça-feira linhas gerais de suas estratégia para reequilibrar as contas públicas. O eixo principal é criar uma regra para congelar o gasto público, incluindo limitar gastos com saúde e educação modificando a Constituição. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou, em coincidência com empresários, que a carga tributária é alta e que, neste momento, não se contempla aumento de impostos. Especialistas ouvidos pelo EL PAÍS, no entanto, afirmam que há espaço para aumentar a tributação das camadas mais ricas da sociedade, distribuindo a "fatura" do ajuste imediato e de longo prazo de forma mais justa entre ricos e pobres. Defendem, como prioridade, a volta do imposto de 15% sobre lucro e dividendos recebidos por donos e acionistas de empresas.

Caso a cobrança desse tributo, que foi extinto em 1995, no Governo Fernando Henrique Cardoso, voltasse a ser cobrado, o Governo poderia arrecadar mais de 43 bilhões de reais por ano, segundo estudo feito pelos pesquisadores Rodrigo Orair e Sérgio Gobetti, do Instituto de Pesquisa Aplicada (Ipea). O montante representa, por exemplo, um ¼ do rombo esperado nas contas públicas de 2016, estimado na semana passada em 170,5 milhões de reais. A regra não foi alterada nos anos Lula e Dilma. Em 2015, o senador Lindebergh Farias apresentou projeto de lei para modificá-la, mas ele está parado no Senado.

"Hoje, grande parte do que os empresários ricos ganham não é tributada. Um trabalhador com salário de 8.000 reais paga um imposto de renda de 27,5%. Já um dono de uma grande empresa que fatura mais de 500 mil reais a título de lucros e dividendos pode não pagar nada como pessoa física", explica Orair, que ressalta que o Brasil é um dos poucos países que ainda isentam esse imposto. O sistema clássico de tributação prevê imposto na pessoa jurídica e, posteriormente, havendo distribuição de dividendos aos acionistas, também na pessoa física. Dos 34 países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que reúne economias desenvolvidas e algumas em desenvolvimento, apenas um, a Estônia, não cobra esse tributo. Alguns tributam mais na pessoa física, outros na pessoa física, mas em média, de acordo com Orair, a parcela de lucros tributada pelo Estado é mais alta do que a do Brasil.

Ainda segundo o pesquisador, só após essa mudança, a progressividade das alíquotas do Imposto de Renda, outra mudança defendida por especialistas, seria efetiva, já que ela só incide sobre os salários. A volta da cobrança desse imposto seria inclusive mais interessante que a polêmica recriação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), na opinião do especialista. "É mais fácil argumentar sobre uma medida que vai afetar o topo da cadeia de um país tão desigual que falar na CPMF, que é um imposto regressivo (afeta de maneira proporcionalmente igual ricos e pobres)", explica.

Segundo dados do Ministério da Fazenda, 2,1 milhões de pessoas no Brasil eram acionistas ou donos de empresas em 2013. O grupo, no entanto, é diverso, já que vai desde um microempresário a um acionista de uma grande companhia. "Por isso, defendo que poderíamos pensar também em uma volta do imposto progressiva, mais justa, com valores diferentes para diferentes faturamentos", explica Orair. O projeto de lei atualmente no Senado (PLS) 588/2015 prevê o imposto sobre a distribuição de lucros e dividendos, mas sugere que a isenção seja mantida apenas para empresários inscritos no Simples Nacional, com receita bruta anual de até 3,6 milhões de reais.

Nara Cristina Taga, coordenadora de Direito Tributário Aplicado da FGV, explica que, quando o tributo sobre lucros e dividendos deixou de ser cobrado em 1995, o país vivia um momento de desenvolvimento em que houve um esforço de criar mecanismos de incentivo para o setor empresarial. "O país queria aquecer a economia criando incentivos, mas essa isenção não contribui tanto para o crescimento. Então, porque manteríamos isso?", questiona.

De lá pra cá, também houve uma revisão dos estudos de distribuição de renda e de tributação. Um dos trabalhos que ganhou maior projeção foi o do economista Thomas Piketty, autor do best-seller "Capital no século XXI". "Economistas como ele revisaram essa ideia de que não era papel da tributação distribuir renda, que ela deveria ser neutra. Essa visão não era realista, não nos levou ao crescimento e sim a concentração de renda", explica Orair.

"Não é questão de aumentar ou diminuir a carga, mas redistribuir a carga tributária brasileira. Isso implica aumentar a tributação na renda", já defendeu Marcelo Medeiros, pesquisador da UnB e do IPEA que ao lado de outros pesquisadores aplica metodologia de Piketty no Brasil.

O fim da Bolsa-Empresário aconteceu mesmo?

Dentre a série de medidas de impacto apresentadas na tarde de hoje pelo Governo Temer na área econômica, nenhuma pareceu tão impactante, dentro de uma agenda positiva, quanto o fim do maldito bolsa-empresário.

Recapitulando o que é o bolsa-empresário:
“A ideia era relativamente simples: o governo obrigava o BNDES a emprestar dinheiro para empresários a juros que variavam de 6,5% a 11% ao ano, enquanto, para custear esse programa, captava recursos no mercado financeiro através de títulos da dívida pública que raramente eram vendidos abaixo da taxa de 12% ao ano. Como a captação do dinheiro era mais cara que o seu empréstimo, a conta desse prejuízo ficava, como sempre, para o pobre pagador de impostos.
Não por coincidência, apenas 1% dos empresários beneficiados (…) recebeu o equivalente a 56% dos empréstimos baratos concedidos. Certamente também não é coincidência que grande parte desses empresários investiu grandes quantias de recursos em campanhas de candidatos ligados ao governo federal nos últimos anos.”

O principal programa de bolsa-empresário, o PSI, havia sido fechado em janeiro deste ano por absoluta falta de verbas, pois como é sabido, o país quebrou. O problema é que os valores repassados pelo Governo ao BNDES para a finalidade de custeio desse programa nunca foram quitados.

Em suma, o Governo captou dinheiro a juros altos e repassou ao BNDES para emprestar para empresários a juros baixos, arcando com a diferença, mas esperando que pelo menos o repasse fosse quitado um dia, e isso não aconteceu, pois não se sabe exatamente A TAXA DE INADIMPLÊNCIA DO DINHEIRO EMPRESTADO COM SUBSÍDIOS.

É absolutamente plausível pensar que esse dinheiro emprestado com subsídio de juros pelo Governo via BNDES esteja com altíssima taxa de inadimplência. Dentre os clientes preferenciais desse dinheiro estão a Friboi, o Grupo X de Eike Batista e os negócios de Bumlai.

Estando esse dinheiro com alta taxa de inadimplência, o banco passa a ter prejuízo, bem como o Governo ao tentar reaver parte desse dinheiro.

Os valores apresentados pelo Presidente Temer são assustadores. De acordo com ele, o PT repassou para o BNDES cerca de 500 bilhões de reais nos últimos anos, sendo tudo destinado ao alto empresariado amigo do PT. O retorno de 100 bilhões de reais para os cofres do Governo, ou seja, 20% do valor total repassado, apenas ameniza parte do prejuízo, mas fica a dúvida: o BNDES terá condições de, no longo prazo, quitar toda essa dívida?

Parece que não.

Com o BNDES desalavancado, fica claro que agora o banco não terá mais instrumentos financeiros para manter a política de bolsa-empresário. Mesmo com o fim do programa PSI, a existência desse dinheiro no caixa do BNDES mantinha a sobra do retorno desse programa de transferência de renda de pobres para ricos, o Robin Hood às avessas. Tanto é que Dilma chegou a ameaçar o retorno dessa prática em março. Agora essa ameaça chega ao fim.

Essa medida, embora positiva para fins de responsabilidade fiscal, restaurando o caixa do Governo e impedindo o fluxo de dinheiro público para investidores do PT, traz um outro problema, que é o estrangulamento do crédito para investimentos, afinal, o BNDES acabou se tornando o motor propulsor desse tipo de gasto “produtivo”, ainda que elitizado para quem tinha influência no planalto.

A solução para liberação de crédito para investimentos privados passa por um difícil dilema.

Em tempos onde a União Federal apresenta déficit primário de 170 bilhões de reais, rodando financeiramente somente com largas quantias de recursos obtidos através do lançamento de títulos da dívida pública no mercado, títulos esses que basicamente secam a poupança nacional, para que o Governo pare de tomar essa poupança de assalto e libere parte dela para o investimento produtivo, precisará promover cortes radicais na despesa pública, em termos de onze dígitos (bilhões), caso contrário o país não terá como aumentar sua produtividade para superar a crise de maneira sustentável, travando em um círculo vicioso de subconsumo. Espero que o Governo tenha força de vontade para conseguir completar esse desafio.

A conta da farra petista chegou, e essas medidas são essenciais para começar a pagá-la.

Bernardo Santoro

Por qual TV lutamos?

Poucos dias antes da votação do impeachment, a presidente Dilma Rousseff nomeou um novo presidente da EBC, o jornalista Ricardo Melo, com mandato até 2020. É bizarro que um governo com menos de uma semana pela proa faça nomeações importantes com mandato dessa extensão. Ao assumir, Michel Temer naturalmente exonerou o candidato de sua antecessora e nomeou o também jornalista Laerte Rimoli. Ricardo Melo entrou com uma ação no STF, e as duas partes reclamam o direito de ter feito o que lhes parecia o correto.

O caso não teria implicações maiores, não fosse a EBC uma empresa constituída com o fim de criar a TV Brasil, conhecida na intimidade por TV Lula. Disfarçada de televisão pública, a TV Brasil tem sido até agora uma televisão estatal. Não apenas integrava a máquina publicitária do governo petista, como praticava ilícito maior, aparelhando-se de forma análoga a outras empresas do governo.


Tratando-se de empresa de comunicação — ironicamente Empresa Brasil de Comunicação — e controladora de uma rede nacional, o caso ganha maior gravidade. Ela absorveu emissoras estatais — NBR, Radiobrás — e, misturando-as à antiga TVE, procurou passar a impressão de que tudo era a mesma coisa. Não era. A EBC abriu os cofres do Estado prometendo construir uma televisão pública — o que seria nobre e necessário — para, na verdade, criar uma máquina de propaganda governamental cara, ineficiente e ilegítima.

Alguns dos mais ousados e bem-sucedidos modelos de excelência em televisão são públicos, a começar pela BBC. Públicos, mas não estatais. A televisão desconhece inovações que tenham nascido em berços do Estado. Desde que a TV Lula foi implantada, surgiu a possibilidade que, numa cultura televisiva bastante sólida como a brasileira, e em meio a um cenário de bom desempenho financeiro mas alto engessamento das emissoras privadas, a televisão pública pudesse se impor como fiadora do gosto popular, do trabalho com a expressão, da construção mínima de uma televisão brasileira não comprometida com o desempenho meramente comercial.

Mas, nos seus nove anos de existência, a TV Brasil não investiu um centavo no que deveria ser sua obrigação: renovação de linguagens, desenvolvimento de formatos, geração de talentos, ousadia formal e vanguarda tecnológica. Agora, quando se discute quem tem o direito de nomear sua direção, isso é prioritário e urgente. Já perdemos tempo demais investindo o dinheiro da população brasileira para lhes devolver novelas angolanas e pregações populistas, onde deveria estar o refinamento de soluções televisivas.

O Brasil tem uma sólida estrutura de TV privada. São emissoras amadas pelo público, mas que muitas vezes não podem investir no novo, sob pena de perder posições de mercado. Cabe ao Estado ousar, apostar no inusitado, criar outros modelos de televisão, montar uma TV que esteja à frente de seu tempo, e não a reboque do velho, do ineficiente e do arcaico.

A ferramenta que dispõe para isso hoje é a EBC. Ele só tem então duas opções: ou exerce o seu direito de, com o dinheiro da população, criar novos paradigmas de televisão, ou tranca a porta, joga fora a chave e vai gastar o dinheiro do povo em outro lugar.

Nelson Hoineff

terça-feira, 24 de maio de 2016

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Sapiens x Abelhas

Quando estava na minha primeira faculdade, passamos por uma longa greve de estudantes. No início, ia às assembleias discutir a razão de achar aquela greve inútil. Entre elas, a mais evidente era: estudantes de uma universidade pública (ou não) em greve nada importam para o dia a dia da cidade, por isso podem ficar 30 anos em greve. O único dano é aos colegas que querem avançar na vida.

Mas o que mais chamava minha atenção era como alguns colegas em bloco esvaziavam a assembleia até que só eles estivessem nela e votassem pela continuidade da greve. Golpe? Isso sim é golpe.

Entretanto, outra coisa também me chamava atenção: como gritavam frases feitas como se fossem um coral furioso. Hoje sabemos o que aquilo era: o nascimento dessa nova moda e praga chamada "coletivo". Não me refiro a transporte coletivo, como quando se diz "aí vem o coletivo". Refiro-me a um conjunto de estudantes (mas pode também ser de artistas ou similares) que se autodenominam "coletivo".


A ideia é que formam um coletivo no qual todos são iguais. Pensam em coletivo, falam em coletivo, agem em coletivo, assinam em coletivo. Recentemente, um professor de uma importante universidade brasileira teve dificuldade de se comunicar com um "aluno" (vai saber o que ele ou ela era de fato) porque ele ou ela se recusava a se identificar na comunicação escrita, já que ele –ou ela– não era uma "pessoa", mas um coletivo.

Imagino que, em cem anos, essa modinha será incluída no conjunto de psicopatologias da virada do século 20 para o 21, época que será vista pela sociologia do futuro como uma era de ressentidos e mimados: a mania por coletivos será classificada como ódio patológico à individualidade, suas responsabilidades e contradições.

Freud classificaria como um estágio da pulsão de morte, seguramente. Para o criador da psicanálise, a pulsão busca sempre uma posição regressiva. No caso da pulsão de morte, ela busca o "repouso na pedra". Na matéria inorgânica.

No caso dos coletivos, ela busca o repouso na destruição do "eu". Na dissolução do "eu" na manada.

Elias Canetti, intelectual judeu búlgaro que estudou as multidões (além do próprio Freud, claro), já apontava a dissolução do "eu" na manada, na "mancha" disforme da multidão. Há um prazer mórbido em se sentir parte de um coletivo: a morte do sujeito moderno, esse atormentado.

O fenômeno dos coletivos é um traço regressivo no embate com a solidão do homem moderno. É uma tentativa, canhestra e primitiva, de "voltar ao útero materno" para ver se o ruído insuportável da realidade disforme do mundo se dissolve porque grito palavras de ordem ou faço coisas pelas quais eu mesmo não sou responsabilizado, mas o "coletivo", essa "pessoa" indiferenciada que não existe.

A indiferenciação num todo sempre foi uma forma de gozo regressivo, de algum modo. As políticas utópicas socialistas históricas carregaram essa marca nelas. Além do mesmo ódio pelo indivíduo, que tentaram matar a todo custo. No fenômeno místico, visto pelos olhos do "sentimento oceânico", como cita Freud, há também um gozo, que pode desaguar em terroristas islâmicos ou dervixes sufis maravilhosos.

O filósofo inglês do século 20 Michael Oakeshott escreveu sobre como ser indivíduo ("projeto" burguês que deu errado) é quase impossível para a maioria das pessoas, justamente pela sua solidão intrínseca e pelas suas contradições.

Oakeshott descreveu inclusive o surgimento de movimentos "anti-indivíduos", que seriam marcados por totens. Esses totens poderiam ser pessoas carismáticas ou ideias que reuniriam massas de pessoas indiferenciadas e furiosas contra os indivíduos vistos por elas como egoístas, sujos, metidos e arrogantes, por serem "contra o coletivo". Acertou em cheio.

Fosse eu escrever um argumento ou roteiro para um curta, escreveria sobre como abelhas evoluíram no seu amor à colmeia, chegando aos coletivos de hoje em dia. E na fúria que caracteriza as abelhas quando você se aproxima da colmeia e da sua rainha, essas abelhas evoluídas odiariam o sapiens, e suas contradições sem fim.

Luiz Felipe Pondé

A desativação do homem-bomba avisa que Temer ouviu a voz das ruas

O balanço da primeira semana de governo informa que o presidente Michel Temer acertou na escolha da equipe econômica, na mudança de rota da política externa e na recriação do Ministério da Cultura, que confiscou das carpideiras do PT o cadáver indispensável. Removido o pretexto para a choradeira, o coro dos cantores federais teve de contentar-se com a lengalenga que finge enxergar um “golpe parlamentar” no impeachment de Dilma Rousseff. Os acertos compensaram amplamente os erros de avaliação política. Dois deles: a ausência de mulheres no ministério e a nomeação de um prontuário ambulante para o posto de líder do governo na Câmara.

Esse saldo assegurado, repita-se, pelos trabalhos de parto do plano econômico reclamado pela crise devastadora e pelo enterro da diplomacia da canalhice estaria reduzido a pó se Romero Jucá fosse dormir ainda ministro. Não porque a turma do quanto pior, melhor conseguiria fôlego para mais algumas horas de gritaria. Esses são um bando de derrotados sem horizontes (e, daqui a pouco, sem emprego nem mesada). O que o afastamento de Jucá impediu foi a reação justificadamente colérica de milhões de brasileiros exaustos de ladroagem, cinismo e sem-vergonhice.

O Brasil decente aprendeu que não pode haver bandido de estimação e que todo corrupto merece cadeia, sejam quais forem o tamanho da conta bancária, o estado civil ou opção sexual. O que já se sabia do senador por Roraima era suficiente para fazer de sua presença no coração do poder uma aposta de altíssimo risco. As conversas telefônicas divulgadas pela Folha confirmaram que Temer teve a seu lado, durante 10 dias, um homem-bomba com teor explosivo capaz de explodir o governo recém-nascido.

O comportamento do presidente no bota-fora de Jucá demarcou outra fronteira que o separa de Dilma e Lula. Em episódios semelhantes, o padrinho e a afilhada sempre tentaram varrer para baixo do tapete a sujeira produzida por bandidos companheiros. Hoje estão todos juntos no mesmo lixão.

O despejo de Jucá eliminou o perigo real e imediato. É preciso agora remover as muitas minas terrestres que continuam espalhadas pela Esplanada dos Ministérios. Pelo visto, Temer ouviu a voz das ruas. E compreendeu que, no Brasil redesenhado pela Lava Jato, não há esperança de salvação para governantes que protetores de delinquentes. Quem não enxergar tal evidência terá o mesmo fim de Dilma e Lula.

A Cultura encontrou seu lugar. Só falta priorizá-la

A questão do Ministério da Cultura está ocupando espaço na imprensa. Há quem defenda a sua permanência no status que ocupou nos últimos anos e também quem a veja, no outro extremo, bem posicionada no Ministério da Educação, como uma secretaria especial. Esta foi a posição em que esteve por muitas décadas, quando o Ministério era conhecido como da Educação e Cultura, o MEC. Confesso que não entendo o objetivo do debate porque, para mim, o principal aspecto a considerar é o da prioridade que será dada a recuperação da cultura brasileira, relegada a um plano secundário nos últimos tempos, vítima do contingenciamento de recursos, do estado de penúria dos museus e das igrejas, patrimônios físicos da história do Brasil, e da incapacidade de alguns dirigentes em dar valor às tradições, representadas por grupos folclóricos, pelo artesanato e por manifestações populares que enriquecem a nossa história e que correm o risco de se perder.

A cultura é um conjunto de características própria de cada região, que englobam, além das artes e das letras, a vida diária, em suas múltiplas facetas, as tradições, os valores locais e as crenças e sincretismos. Todos devem ser preservados, para que as transformações se realizem em harmonia com os hábitos, as vocações e as peculiaridades locais.

É importante compreender que as manifestações culturais assumem uma grande dimensão, que extravasa as atividades realizadas nos grandes centros urbanos. Aparecem, por exemplo, com os ceramistas, os artesãos da madeira e as danças folclóricas, e com a arte indígena. Também são encontradas com os ritmos afro e com o candomblé. Em algumas regiões, são famosos os tapetes, as rendas e as toalhas e até a culinária, pois não conheço quem não goste da moqueca capixaba. Nas Regiões Sul e Sudeste a importante presença dos imigrantes italianos, alemães, poloneses, e japoneses, que há mais de um século são determinantes para o nosso progresso, vem deixando uma grande legado para os valores nacionais. Ao incorporarem as suas próprias culturas às tradições locais, eles deram uma outra cor à história do Brasil.

Este são os grandes desafios na construção de políticas culturais: descentralizar as ações, com o necessário equilíbrio, para que elas cheguem à todas as regiões levando também a geração de emprego e renda; identificar tudo aquilo que deve ser preservado e estimular a continuidade das manifestações e das contribuições artisticas que são carcterizadoras das comunidade, dos municípios e das regiões

Cultura e educação se entrelaçam e se realimentam, pois a construção de ambas dependerá sempre de pessoas bem formadas, com os níveis de escolaridade adequados. Mas a primeira também tem uma ligação estreita com as iniciativas empreendedoras, na medida em que tais manifestações são determinantes para a geração de políticas de emprego e renda, tanto nos setores tradicionais, como por meio da economia criativa, ainda carente de incentivos. Se as políticas culturais dependessem apenas de quem oferece mais recursos, provavelmente deveríamos subordinar a área ao SEBRAE, que tem apoiado concretamente artesãos e o empreendedorismo cultural em todos os Estados. Certamente isto seria um absurdo, pois tais políticas vão muito além do financiamento.

Por isso, considero irrelevante discutir onde ela ficará. Entretanto, enquanto escrevia este artigo, o Presidente da República resolveu dar uma ajuda e decidiu recriar o Ministério da Cultura. Dessa forma, pude, prudentemente, sair do debate até agora em curso e direcioná-lo para aquilo que me parece mais importante. É urgente definir como a cultura vai ser financiada, qual o grau de prioridade no seu processo de articulação com a educação e com outras áreas, bem como com o desenvolvimento local. Também não pode ser esquecida a definição de critérios, mais eficazes, transparentes e justos, a serem adotados na aplicação da Lei Rouanet, este notável mecanismo de renúncia fiscal que viabiliza diversas dessas manifestações culturais.

Dilma é tão despreparada para ser presidente quanto para deixar de ser

Na primeira semana do Governo Temer, fruindo o silêncio melodioso que ecoava da boca fechada e da figura sumida do jeca, também silenciei um pouco. Uma pedra desvitalizou meu texto, aquela que Drummond viu no meio do caminho. Como todo sonho, essa coisa que abre caminho para a realidade, livrar a nação da escória que o desgraçou exige tempo até que se torne um fato.

Um fato não é de direita nem de esquerda: um fato é um fato. A lição básica de discernimento vem de Karl Marx, famoso desconhecido dos esquerdistas com menos de 50 anos. E o fato é que, entre a ternura e o abatimento, não sei se a pedra no meio do caminho apareceu ou reapareceu; se o caminho será retomado; se espero ou se leio outro Drummond.


Outro fato é que Dilma Rousseff, crescentemente detestável de dentro de um apego chulo ao poder, é tão despreparada para ser presidente quanto para deixar de ser. Apoiada por pessoas despreparadas para deixar de orbitar o poder, a mulherzinha faz dos restos de imperceptíveis racionalidade e honradez a saga ordinária de perene delírio que a consolará nos dias vazios e nas noites longas do resto de uma existência que volta à irrelevância da qual foi desgraçadamente desperta pelo jeca. Entre elas, os artistas fascistoides adoradores do PT e do PCdoB e, portanto, da estatização da cultura – como tudo o mais – num MINC aparelhado.

Pretendem-se comissários do povo sem saber do que ele é feito. Assim, pretextando a defesa da cultura e da memória, partem para a truculência na invasão de prédios do MINC apropriando-se de patrimônio que é de todo o povo. Esse ente idealizado entre a Vila Madalena e o Leblon, mas que não está nem lá nem muito menos entre a alucinação fascista de Marilena Chauí e a de Olavo de Carvalho: a maior parte dele está preocupado em ir trabalhar se ainda tiver emprego rezando para que não haja meliantes queimando pneus no meio da rua em defesa do gangsterismo de Estado cuja czarina patética legou um rombo de 170 bilhões de reais e foi gozar a agonia de um golpe imaginário em meio a 120 empregados no Alvorada.

Em razão desse anseio do país por ordem para progredir, é que discordo da crítica de Marco Antonio Villa à escolha do lema da bandeira nacional como slogan de Michel Temer. Ora, ela foi o símbolo onipresente nas marchas pró-impeachment dilatando o sentimento de pertença a uma mesma nação no verdeamarelismo – que, atacado por Marilena Chauí em surto permanente, só pode ser coisa boa – farta do vermelhismo que a cindia para a esbulhar.

Quem é que liga para Augusto Comte e a doutrina positivista? Os brasileiros se reconheceram na bandeira nacional, só isso; e Temer fez bem ao acolher esse reconhecimento. Também por isso deve remover a inadmissível pedra no caminho: André Moura (PSC-SE). Acusado de homicídio e réu num processo no STF, não pode continuar líder do governo na Câmara ou Temer estará ignorando o clamor das manifestações que resultaram no afastamento de Dilma em favor de nossas retinas tão fatigadas de patifarias.

Voltando à discussão sobre o MINC, registre-se que foi ignorada a perspectiva do consumidor de cultura. A classe artística despreza o fato de que, num país com Estado demais onde ele é desnecessário e de menos onde é fundamental, não há ambiente cultural para a cultura – nem para a tal alta cultura enquanto os filhos da elite que estudam em universidades públicas não se lembrarem delas em seus testamentos (José Mindlin uma das poucas exceções) ou Machado de Assis for considerado um autor elitista; nem para a tal cultura popular enquanto o “povo” achar que pode jogar o sofá velho num rio: cultura é educação.

MINC? Que MINC? O povo nunca viu nem comeu e agora só ouve falar. Povo? Que povo? O MINC nunca viu, só o assaltou. Ótimo fundir a Pasta da Cultura ao MEC porque as estruturas são parecidas e, se a economia seria insignificante, a intermitente racionalidade nacional, extinta nos governos lulopetistas, ganharia espaço. O barulho serviu para nos darmos conta de uma coisa boa, só possível com o PT fora: o Brasil voltou a falar de si, mal ou bem; a bandidagem petista ficou em segundo plano até começar a gritaria autoritária em defesa da cultura das divinas tetas e boquinhas.

Mesmo considerando que Temer não deveria ceder a militantes da chantagem que sequer reconhecem a legitimidade do governo interino, não me junto aos que o acusam de “amarelar” recuando da fusão, afinal nem tudo é uma questão de ser contra ou a favor, mas de reflexão: Temer não disseminará a racionalidade por decreto num meio impermeável e, com apenas dois anos para evitar a colisão do país com uma catástrofe maior, deve se concentrar nos embates relevantes futuros em vez de se desgastar com gente a quem não faltam grana fácil e tempo.

Um MINC desaparelhado que resolva isso basta. Os progressistas agora revoltados com a nomeação de um evangélico para o ministério da Ciência e Tecnologia no novo governo nada disseram enquanto aberrações de Mercadante a Celso Pansera passaram pelo ministério deixando como marca a redução drástica de recursos para o CNPq e para a Capes. Os fascistoides-tipo-descolados que defendem o MINC foram incapazes de ajudar Niède Guidon na defesa da Serra da Capivara.

As militantes da representatividade de gênero – só de escrever uma coisa assim já me diverte – deveriam ter queimado todos os sutiãs da presidente quando ela escolheu umas vigaristas para o governo, mas guardaram o discurso patrulheiro contra Temer por não incluir mulheres no ministério. Dilma já o alertou: as mulheres não aceitam ser “fetiche decorativo”! Claro, ou ela não teria se cercado de adornos adequados somente à sala da Família Adams; não, Erenice Guerra, Miriam Belchior e Graça Foster não foram decorativas, mas muito ativas. E fetichista é a relação da mulherzinha com a presidenta, a tal ponto que deixou 50 mil famílias esperando a entrega de unidades prontas do Minha Casa Minha Vida porque não havia espaço na agenda oficial, segundo o novo Ministro das Cidades, Bruno Araújo: é o mesmo povo do MINC que só tem concretude no gozo fetichista de ser presidenta.

Tudo refletindo o fato de que a academia onde pensadores glorificam tiranos, a classe artística que celebra tiranos e a militância que serve a tiranos não enxergam o país imenso, real, heterogêneo e devastado justamente pelo que buscam manter ao rejeitarem o governo legítimo de Temer e, como pastores da tirania viciados nas benesses do Estado, farão o diabo para inviabilizá-lo. Isso é Dilma, a pedra no nosso caminho impedindo que nossas retinas tão fatigadas de cafajestice esqueçam que tinha uma Dilma no meio do caminho. Lembrarão nas próximas eleições, em toda elas. Pelo tamanho do texto, vê-se que decidi buscar outro Drummond: o silêncio não é o companheiro preferido das minhas emoções mais puras. Perdão se me excedi.

Nossa história em quadrinhos

A mão de Marinho embolsa R$ 3.000. Lula e Dilma sujam as mãos de petróleo (em todos os sentidos). A mão de Marinho apontando para o mensalão. Jefferson cantando opera. Jefferson e Dirceu em duelo no Congresso: “Sai, Dirceu”. Lula dá entrevista em Paris sem saber de nada.
Erenice Guerra ri com todos os dentes na Casa Civil. Carlos Lupi, ex-faxinado, beija a mão de Dilma: “Eu te amo, Dilma!”. O olho roxo de Jefferson. Mantega sorrindo: “temos uma nova matriz econômica”. Flash para a frente: 11 milhões de desempregados marcham pelas caatingas e pampas. A refinaria de Pasadena, lata velha enferrujada com dístico: O Petróleo é Nosso (i.e. do PT). A folha de papel que Dilma não leu – preço: US$ 1,2 bilhão. Outras refinarias: Abreu e Lima, (de US$ 8 bilhões para US$ 20 bilhões) sócia do Chavez, que deu calote. Rosto do “cumpanheiro” Chavez no imenso retrato que Maduro deu a Dilma. Passarinho canta no ouvido de Maduro. Um Land Rover novinho com a estrela do PT. O jardim do Alvorada com estrela do PT. O substantivo inventado para o povão entender: presidenta. Joaquim Barbosa dá porradas na tremula figura de Lewandovski. Delubio fazendo o V da vitória. Bolsonaro faz saudação fascista. Andre Vargas, Dirceu, Genoino fazem a saudação comunista. Marco Aurelio Garcia bate as mãos fechadas para a oposição, toc toc toc. A deputada Angela Guadanim do PT dança rock na Camara. A cara de profunda seriedade Delcidio do Amaral na CPI dos Correios. A cara de Delcidio em desespero dentro do banheiro, arrependido, se esbofeteando no espelho. Os cabelos brancos de Delcidio, os negros cabelos de Lobão organizando o Eletrolão, que vem aí. O penteado da Dilma, crista de galo tremula sobre seus olhos luzindo de delirantes certezas absolutas. Dilma emagrecendo sem parar – fome zero? Dilma andando de bicicleta com capacete de frango da Sadia na imensa solidão de Brasília. Lula com chapéu de cangaceiro dançando xaxado, sem saber de nada, nunca. Lula na alegria roceira das festas caipiras obrigatórias, com ministros constrangidos de chapéu de palha. US$ 200 mil rolam de dentro de uma cueca. “Essa cueca não é minha! Só uso zazá!” Rui Falcão e seu triste rosto com saudades dos bons tempos soviéticos. Stédile berrando: “Façam filhos; eles vão conhecer o socialismo!”. MST arrasa agroindústria – a alegria de mulheres de rosto tapado destruindo laboratórios. Foto do passado: mão de petista planta “vassoura-de-bruxa em Ilhéus” e acaba com a “reacionária produção de direita” de cacau. Corpo caído de Celso Daniel que, conforme versão oficial, suicidou-se. Oito testemunhas do suicídio de Daniel mortos um a um. Frase de Trotsky: “Quem disse que a vida humana é sagrada?” Coincidência. As carantonhas de negaças: “Não, não fui eu, mentira indigna, minha honradez, meus filhos, são aleivosias contra minha vida sem mácula, nunca, jamais.” Nunca ninguém assumiu nada. Quando veremos um cara berrar: “Sim, eu sou um canalha!”. Só o herói Jefferson o fez, salvando o Brasil. Brasília é um santuário, deputados pendurados na catedral, junto aos anjinhos de Ceschiatti. O rosto de Dirceu envelhecendo em slowmotion – pena do Dirceu. Rosemary Noronha deita a cabeça no ombro de Lula, que não viu nada – “quem será essa mulher com a cabeça no meu ombro?” Maluf abraçado em Lula passa a mão carinhosamente no rosto de Haddad. Dilma se abraça com Collor. Um Lamborghine amarelo flutua sobre os jardins da Casa da Dinda. A barriga imensa do Ricardo Pessoa da UTC rolando em Brasília, a corrupção estampada na roupa e na barriga, conduzido pelo japa bonzinho.

Os rostos pálidos dos denunciantes, eles mesmos impressionados com a bacanal que promoveram no país. O olho de Cerveró girando em busca de nosso futuro caolho. A progressiva evidencia de que não há inocentes; todos são cúmplices. Políticos de cuecas nas bacanais na casa da mãe Joana, com a cafetina ameaçando: “se algo me acontecer, as agendas serão abertas...”. Os sobrinhos de Lula, os amigos dos filhos de Lula, os pedalinhos de Lula, as escrituras laranjas de Lula. E as pedaladas de bilhões? Grandes propinas seguem a máxima famosa de Quércia: “dez por cento é pra garçom”. O pobre Joaquim Levy, vagando como um padre triste tentando organizar o orçamento. O ousado chiclete na boca de Monica Moura (Santana), sorrindo e mascando com a certeza de que nunca iria em cana. Foi. A foto de Lula no apartamento tríplex, discutindo a decoração com Leo Pinheiro, presidente também da nova ala da empresa: “OAS Casa e Decorações”. Pátios de indústrias fechadas, balcões vazios. Temer a beira de um buraco de R$ 170 bilhões, com o Cunha agarrado no seu pé. As sete vidas de Eduardo Cunha, mandando na Câmara de longe, com sua extraordinária personalidade que é caso para estudos clínicos de psicopatia. Imensas latas de carne enlatada que Cunha vendeu na Suíça, de porta em porta. Cunha e a importância para historiadores do futuro por seu grande mérito: sintetizou, escrita no próprio corpo, a historia da trágica chanchada brasileira. Cunha chegará ao argumento final de defesa: “Eu não sou eu!”. Panelas batendo. A bunda da miss Bumbum sambando no Ministério do Turismo. Será que fazem de propósito para nos escandalizar? E a incrível invasão dos pixulekos, a maior dor para o narcisista Lula, que sempre sonhou com sua ex-imagem futura perfeita e que hoje pode ir em cana.

E os palavrões sonoros nas escutas? E o papelzinho para nomear Lula para a Casa Civil? E a emocionante dedicação, a ardorosa defesa que Jose E. Cardoso fez da presidenta em agonia? E Lula, no discurso da saída de Dilma, ao fundo, imperceptível, quase tapando a cara para não ser visto.

E tudo culmina na imagem de um imenso bigode atrás do qual se pendura um ogro medieval, a patética figura de nossa ignorância secular: o brasileiro real Waldir Maranhão.
Será que dá para salvar alguma coisa, ou nosso destino é realmente o brejo? Que será que vai nos acontecer? Provavelmente, nada.

E minha vida vai passando...Ainda bem que vou morrer um dia e não verei mais essa merda.

Socialismo de quem pode

Tudo depende do Estado, das suas bênçãos, do seu apoio e financiamento. Todos os subprodutos negativos advêm como burocracia, troca de favores e corrupção pura e simples. Vivemos um modelo de capitalismo que não gosta nem de risco nem de competição. Isso não é capitalismo, isso é socialismo para os ricos
Ministro do STF, Luis Roberto Barroso

Chega de atos levianos, impatrióticos e nocivos à imagem do Brasil

Brasileiros de conduta duvidosa têm promovido inaceitáveis manifestações contra o processo de impeachment de Dilma Rousseff, presidente afastada de suas atribuições. Esses tenebrosos “atos públicos” estão repercutindo – em patente desrespeito aos fatos ocorridos – a existência de um “golpe” contra a democracia no Brasil. Ocorre que a propagação no exterior de mentiras sobre o que aqui acontece ocasiona inegáveis prejuízos ao país e à sua imagem, com vultosos danos sobre a economia nacional, já bastante destruída pelo lulopetismo.

Várias ações nocivas desses maus brasileiros ocorreram no interior de organismos internacionais, com a nítida intenção de potencializar a desmoralização do Brasil. Não podemos entender diferente, pois o dolo tem sido inconfundível. Até o Papa já foi submetido a “paparrotices”.
Não tem sido raro ver militantes beneficiários de ajuda financeira oficial agirem com leviano oportunismo em eventos sem o menor vínculo com a política, para tentar contaminar o público presente e os meios de divulgação, com a inconfundível intenção de expandir a contaminação territorial e de consciências com o embuste do “golpe” contra a democracia no País.

Esses protestos – que ocorrem no Brasil e também no exterior – são intencionais e se aproveitam da falta de conhecimento de grande parte do público sobre a verdadeira situação do País, para propagar patranhas sobre o funcionamento de suas instituições. E o fato real é que as instituições estão funcionando no Brasil.

A falácia chata e repetitiva – verdadeiro protesto de uma nota só – é de que está ocorrendo um “golpe” no Brasil, quando todos (menos os mal intencionados) têm plena convicção que não há golpe no país e que, no momento, está em trâmite absolutamente legal um processo de averiguação de fundadas e graves denúncias contra uma presidente da República que parece ter metido os pés pelas mãos no exercício do poder.

A impressão que temos é que parte da “companheirada” que usufruía de fartos recursos públicos sem trabalhar, ou trabalhando pouco, está revoltada com a retirada do PT do poder, o que significa não mais receber recursos públicos sem prestar as devidas contas.

Diante dessa mudança de rumos, esses ex-privilegiados reverberam, irresponsável e impatrioticamente, as mesmas patacoadas em reuniões e manifestações mundo a fora, imitando os discursos da presidenta criadora da “nova matriz macroeconômica” que destruiu o país, com os mesmos argumentos repetidos incansavelmente por ela em seus últimos dias no Palácio do Planalto, transformado indevidamente em “Palanque do Planalto”.