quarta-feira, 21 de janeiro de 2026
Criptomoedas – O novo calcanhar de Aquiles das sanções internacionais?
Drones, sistemas antiaéreos, mísseis, todos disponíveis para venda na página de internet da Mindex, o centro de exportação do Ministério da Defesa do Irão. Como forma de pagamento, são aceites criptomoedas. E assim, sem esforço, se ludibria o sistema de sanções internacionais.
Embora as sanções isoladamente, no caso iraniano e nos demais, não resolvam os problemas subjacentes, são um instrumento importante para assegurar uma ordem mundial mais segura, sem recurso a intervenções armadas. As sanções são hoje dirigidas a pessoas, empresas e setores.
As democracias ocidentais têm utilizado os bancos para implementar o sistema de sanções. A lei impõe que verifiquem a identidade dos titulares de contas e a proveniência dos fundos, devendo bloquear transações e informar as autoridades sempre que detetem operações suspeitas ou haja coincidência com os nomes e atividades elencados nas listas de sanções.
Um sistema fraco permite a criminosos comuns e oligarcas utilizar fundos ilegalmente obtidos para proveito próprio, adquirindo propriedades no Ocidente. Mansões em Londres e na Riviera Francesa, clubes de futebol, obras de arte…
A efetividade do sistema vinha sendo promovida, em grande parte, pelos Estados Unidos da América que, até 2024, multaram, severamente, instituições bancárias sempre que detetaram incumprimento de sanções. O valor elevado das multas – a título de exemplo, em 2014, o BNP Paribas foi multado em nove mil milhões de dólares, por processar transações envolvendo o Irão, Cuba e o Sudão – impulsionou os bancos a investir em sistemas de deteção e a colaborar com as autoridades.
A efetividade do sistema (já stressada pelo allure do lucro fácil) está ora minada pelas stablecoins e pela política pró-crypto da Administração Trump.
As criptomoedas permitem transferir fundos sem recurso ao sistema bancário internacional e de forma anónima. A desregulação – dizem-nos… nada pode parar a inovação das fintech, pois é aí que mora o futuro – veio permitir serviços isentos de deveres de identificação e investigação. É o caso das apps no Telegram que permitem transferir criptomoedas entre wallets e oferecem cartões pré-pagos que permitem levantar fundos em caixas automáticas.
Circulando fundos entre wallets anónimas, é possível esconder a origem dos fundos e dificultar investigações criminais. A conversão em moeda, sobretudo dólares, é agora facilitada pela stablecoins. Criptomoedas, em que o emitente deve aplicar montante equivalente ao valor facial das criptomoedas em contas bancárias em dólares americanos e dívida pública americana. Chamaram à legislação que criou o regime das stablecoins “GENIUS Act”, e, na perspetiva da Administração Trump, é certamente genial, pois permite aumentar exponencialmente os clientes de dívida pública americana, libertando da pressão do “bond market” (mercado onde se transacionam os títulos representativos da dívida pública). Este tem um poder imenso, e perante orçamentos do Estado irracionais, faz disparar o custo da dívida pública. No Reino Unido, o governo de Liz Truss, em 2022, durou apenas 49 dias. Em Portugal, no momento da intervenção da Troika, os juros da dívida pública ultrapassavam os 9%.
A par da desregulação – afinal a Administração Trump está apostada em promover o mundo cripto –, o aliviar da pressão penal. Em 2025, as multas aplicadas pelo governo americano foram 64% inferiores a 2024, sendo que, logo após a tomada de posse de Trump, foram suspensas investigações às plataformas de criptomoedas.
No mundo “pós” – pós-Gaza, pós-Venezuela, pós-… – cabe à Europa, e aos seus cidadãos, liderar e assumir os custos de proteger os pilares de uma ordem mundial que (com as suas falhas) permitiu níveis de desenvolvimento humano nunca antes alcançados. Regular as criptomoedas faz parte dessa liderança.
Sofia Santos Machado
Embora as sanções isoladamente, no caso iraniano e nos demais, não resolvam os problemas subjacentes, são um instrumento importante para assegurar uma ordem mundial mais segura, sem recurso a intervenções armadas. As sanções são hoje dirigidas a pessoas, empresas e setores.
As democracias ocidentais têm utilizado os bancos para implementar o sistema de sanções. A lei impõe que verifiquem a identidade dos titulares de contas e a proveniência dos fundos, devendo bloquear transações e informar as autoridades sempre que detetem operações suspeitas ou haja coincidência com os nomes e atividades elencados nas listas de sanções.
Um sistema fraco permite a criminosos comuns e oligarcas utilizar fundos ilegalmente obtidos para proveito próprio, adquirindo propriedades no Ocidente. Mansões em Londres e na Riviera Francesa, clubes de futebol, obras de arte…
A efetividade do sistema vinha sendo promovida, em grande parte, pelos Estados Unidos da América que, até 2024, multaram, severamente, instituições bancárias sempre que detetaram incumprimento de sanções. O valor elevado das multas – a título de exemplo, em 2014, o BNP Paribas foi multado em nove mil milhões de dólares, por processar transações envolvendo o Irão, Cuba e o Sudão – impulsionou os bancos a investir em sistemas de deteção e a colaborar com as autoridades.
A efetividade do sistema (já stressada pelo allure do lucro fácil) está ora minada pelas stablecoins e pela política pró-crypto da Administração Trump.
As criptomoedas permitem transferir fundos sem recurso ao sistema bancário internacional e de forma anónima. A desregulação – dizem-nos… nada pode parar a inovação das fintech, pois é aí que mora o futuro – veio permitir serviços isentos de deveres de identificação e investigação. É o caso das apps no Telegram que permitem transferir criptomoedas entre wallets e oferecem cartões pré-pagos que permitem levantar fundos em caixas automáticas.
Circulando fundos entre wallets anónimas, é possível esconder a origem dos fundos e dificultar investigações criminais. A conversão em moeda, sobretudo dólares, é agora facilitada pela stablecoins. Criptomoedas, em que o emitente deve aplicar montante equivalente ao valor facial das criptomoedas em contas bancárias em dólares americanos e dívida pública americana. Chamaram à legislação que criou o regime das stablecoins “GENIUS Act”, e, na perspetiva da Administração Trump, é certamente genial, pois permite aumentar exponencialmente os clientes de dívida pública americana, libertando da pressão do “bond market” (mercado onde se transacionam os títulos representativos da dívida pública). Este tem um poder imenso, e perante orçamentos do Estado irracionais, faz disparar o custo da dívida pública. No Reino Unido, o governo de Liz Truss, em 2022, durou apenas 49 dias. Em Portugal, no momento da intervenção da Troika, os juros da dívida pública ultrapassavam os 9%.
A par da desregulação – afinal a Administração Trump está apostada em promover o mundo cripto –, o aliviar da pressão penal. Em 2025, as multas aplicadas pelo governo americano foram 64% inferiores a 2024, sendo que, logo após a tomada de posse de Trump, foram suspensas investigações às plataformas de criptomoedas.
No mundo “pós” – pós-Gaza, pós-Venezuela, pós-… – cabe à Europa, e aos seus cidadãos, liderar e assumir os custos de proteger os pilares de uma ordem mundial que (com as suas falhas) permitiu níveis de desenvolvimento humano nunca antes alcançados. Regular as criptomoedas faz parte dessa liderança.
Sofia Santos Machado
Massacre no Irã deixa lições
O Irã é um país distante, eu sei. No entanto não é tão distante quando se sabe que milhares de pessoas são mortas lutando pela liberdade.
Por coincidência, na semana anterior ao massacre eu tinha dado um livro a minha filha: “Lendo Lolita em Teerã”. Sua autora, Azar Nafisi, é uma de minhas referências na tentativa de entender o país. Professora de inglês, autora de ensaios sobre Vladimir Nabokov, ela escreveu uma autobiografia interessante, “Things I've been silent about” (Coisas sobre as quais silenciei).
O livro revela o panorama intelectual do país antes da Revolução Islâmica. Azar Nafisi tinha uma posição privilegiada, pois sua mãe fora parlamentar e o pai, prefeito de Teerã. No livro, ela se preocupa muito com o futuro das filhas criadas numa atmosfera familiar liberal, que poderiam ter um futuro terrível na ascensão dos aiatolás. Interessante ver ilustrações, ainda em 1980, com fotos de mulheres, inclusive a autora, protestando contra o código de vestimentas muçulmano.
Isso me ajudou a entender o forte movimento de mulheres do Irã que mais tarde, em 2022, sacudiu o país. Não só uma jovem foi morta pelo regime na época, como esse tipo de assassinato prosseguiu nos dois anos posteriores. As mulheres são a principal força de oposição ao regime teocrático.
Mas as revoltas de agora trazem fatos novos. O primeiro é a presença dos jovens, aparentemente a maioria dos mortos pela repressão. Seus corpos eram levados de caminhão à morgue de Kahrizak, no sul de Teerã. São dados obtidos pelo jornal Le Monde por meio de testemunhas dos massacres.
Assim como as mulheres são atingidas por um tipo de repressão específica da visão de mundo dos aiatolás, os jovens agora se rebelam contra a falta de perspectiva dramatizada pela crise econômica.
Há outro fator nas revoltas de agora, algo que ainda não era sentido tanto no tempo em que o pai de Azar Nafisi foi prefeito de Teerã: a crise hídrica. Não há água suficiente na cidade e noutros pontos do país. O assunto é de tal gravidade que se chegou a pensar em transferir a capital para outro ponto do país. Mas como fazer a mudança de 10 milhões de pessoas na capital e mais de 4 milhões na área metropolitana? É um problema insuperável, pois os mananciais já estão esgotados. A falta de água, a crise econômica e a permanente opressão das mulheres, num país pressionado por Israel e pelos Estados Unidos, são o cenário de uma crise permanente, apesar da crueldade do sistema teocrático.
A resposta do governo brasileiro ao massacre foi tímida por causa dos laços políticos e comerciais. Os setores progressistas, feministas inclusive, não se comovem quando a opressão e crueldade acontecem no campo adversário dos Estados Unidos. Essa é uma grande vulnerabilidade do campo de esquerda. A sensibilidade seletiva nos leva a caminhos muito perigosos em termos nacionais.
Considera-se a corrupção nas altas esferas como tema sem importância histórica, com isso a credibilidade das instituições vai para o vinagre, até no Supremo Tribunal Federal. Basta dar uma olhada nos comentários nas redes sociais para ver como não só há indignação, como também desalento em relação ao país, pródigo em escândalos. É o prelúdio de aventuras messiânicas.
Por coincidência, na semana anterior ao massacre eu tinha dado um livro a minha filha: “Lendo Lolita em Teerã”. Sua autora, Azar Nafisi, é uma de minhas referências na tentativa de entender o país. Professora de inglês, autora de ensaios sobre Vladimir Nabokov, ela escreveu uma autobiografia interessante, “Things I've been silent about” (Coisas sobre as quais silenciei).
O livro revela o panorama intelectual do país antes da Revolução Islâmica. Azar Nafisi tinha uma posição privilegiada, pois sua mãe fora parlamentar e o pai, prefeito de Teerã. No livro, ela se preocupa muito com o futuro das filhas criadas numa atmosfera familiar liberal, que poderiam ter um futuro terrível na ascensão dos aiatolás. Interessante ver ilustrações, ainda em 1980, com fotos de mulheres, inclusive a autora, protestando contra o código de vestimentas muçulmano.
Isso me ajudou a entender o forte movimento de mulheres do Irã que mais tarde, em 2022, sacudiu o país. Não só uma jovem foi morta pelo regime na época, como esse tipo de assassinato prosseguiu nos dois anos posteriores. As mulheres são a principal força de oposição ao regime teocrático.
Mas as revoltas de agora trazem fatos novos. O primeiro é a presença dos jovens, aparentemente a maioria dos mortos pela repressão. Seus corpos eram levados de caminhão à morgue de Kahrizak, no sul de Teerã. São dados obtidos pelo jornal Le Monde por meio de testemunhas dos massacres.
Assim como as mulheres são atingidas por um tipo de repressão específica da visão de mundo dos aiatolás, os jovens agora se rebelam contra a falta de perspectiva dramatizada pela crise econômica.
Há outro fator nas revoltas de agora, algo que ainda não era sentido tanto no tempo em que o pai de Azar Nafisi foi prefeito de Teerã: a crise hídrica. Não há água suficiente na cidade e noutros pontos do país. O assunto é de tal gravidade que se chegou a pensar em transferir a capital para outro ponto do país. Mas como fazer a mudança de 10 milhões de pessoas na capital e mais de 4 milhões na área metropolitana? É um problema insuperável, pois os mananciais já estão esgotados. A falta de água, a crise econômica e a permanente opressão das mulheres, num país pressionado por Israel e pelos Estados Unidos, são o cenário de uma crise permanente, apesar da crueldade do sistema teocrático.
A resposta do governo brasileiro ao massacre foi tímida por causa dos laços políticos e comerciais. Os setores progressistas, feministas inclusive, não se comovem quando a opressão e crueldade acontecem no campo adversário dos Estados Unidos. Essa é uma grande vulnerabilidade do campo de esquerda. A sensibilidade seletiva nos leva a caminhos muito perigosos em termos nacionais.
Considera-se a corrupção nas altas esferas como tema sem importância histórica, com isso a credibilidade das instituições vai para o vinagre, até no Supremo Tribunal Federal. Basta dar uma olhada nos comentários nas redes sociais para ver como não só há indignação, como também desalento em relação ao país, pródigo em escândalos. É o prelúdio de aventuras messiânicas.
Como sobreviver em um mundo de ameaça, chantagem e extorsão
Em Aristóteles havia três tipos de falar político. O primeiro era o do político que dizia sempre as coisas pela metade, a quem se chamava "ironista" (em grego, "εἴρων" ou "eíron") num sentido diferente do que "ironia" tem hoje: o "εἴρων" ou "ironista" era aquele que dissimulava ou evitava dizer a verdade inteira.
Quando o povo se fartava disso, vinha o tempo do político "fanfarrão" (em grego "ἀλαζών" ou "alazón"), ou seja, o político que exagera. Não é que ele dizia a verdade; podia até ser um mentiroso contumaz, um charlatão, um impostor. Mas como para dizer uma mentira com eficácia é preciso misturar-lhe qualquer coisa de uma verdade que não costuma ser dita, por pudor ou conveniência, o "ἀλαζών" ou "fanfarrão" passa por ser aquela política de quem "fala muita besteira, mas diz umas verdades".
Vocês sabem de quem eu estou falando. Em 2016, Hillary Clinton era um bom exemplo do primeiro tipo, a política que não diz tudo e, por isso, parece dissimulada, e Trump o fanfarrão hiperbólico que ao povo parece refrescante por dizer coisas que não se costumava ouvir da boca de um político.
Mas como sempre com Aristóteles, é no terceiro tipo que está a virtude. Essa a da parrésia (em grego: "παρρησία") ou "falar franco". O substantivo que se usava para o político que "fala franco" é um palavrão: "παρρησιαστής", que em latim se transcrevia como "parrhesiastes". Esse é aquele que não dissimula nem exagera, antes diz as coisas justas na devida proporção, nada ocultando e não ofuscando, mas iluminando.
E a partir desta terça (20) sabemos quem encaixa nesse modelo: o premiê canadense, Mark Carney. Leiam este excerto do discurso que ele pronunciou em Davos. A citação é longa, mas vale a pena:
"Sabíamos que a história da ordem internacional baseada em regras era parcialmente falsa. Que os mais fortes se isentariam delas quando lhes fosse conveniente. Que as regras do comércio eram aplicadas de forma assimétrica. E sabíamos que o direito internacional era invocado com graus variados de rigor, consoante a identidade do acusado ou da vítima.
Essa ficção foi útil. E a hegemonia americana, em particular, ajudou a fornecer bens públicos: rotas marítimas seguras, um sistema financeiro estável, segurança coletiva e apoio a mecanismos de resolução de disputas.
Por isso, pusemos o letreiro na janela. Participamos dos rituais. E, em grande medida, evitamos apontar as discrepâncias entre a retórica e a realidade.
Este pacto deixou de funcionar."
Sem dissimulação nem fanfarronice, Mark Carney fala franco ao mundo sobre o novo mundo que aí vem — aliás, que já está aí. É um mundo em que as grandes potências, e em particular os EUA, deixaram de fingir ter em mente o interesse comum. Em vez disso, dedicam-se descaradamente à ameaça, à chantagem e à extorsão.
O que fazer perante esse mundo? A receita de Carney é simples e acertada: os países médios têm de se proteger trabalhando em conjunto; devem ter a mesma clareza a denunciar as pressões, venham da China ou dos EUA; e devem manter as suas alianças funcionando com as regras do multilateralismo, sem o poder hegemónico global.
Falou franco. Deveríamos escutar.
Quando o povo se fartava disso, vinha o tempo do político "fanfarrão" (em grego "ἀλαζών" ou "alazón"), ou seja, o político que exagera. Não é que ele dizia a verdade; podia até ser um mentiroso contumaz, um charlatão, um impostor. Mas como para dizer uma mentira com eficácia é preciso misturar-lhe qualquer coisa de uma verdade que não costuma ser dita, por pudor ou conveniência, o "ἀλαζών" ou "fanfarrão" passa por ser aquela política de quem "fala muita besteira, mas diz umas verdades".
Vocês sabem de quem eu estou falando. Em 2016, Hillary Clinton era um bom exemplo do primeiro tipo, a política que não diz tudo e, por isso, parece dissimulada, e Trump o fanfarrão hiperbólico que ao povo parece refrescante por dizer coisas que não se costumava ouvir da boca de um político.
Mas como sempre com Aristóteles, é no terceiro tipo que está a virtude. Essa a da parrésia (em grego: "παρρησία") ou "falar franco". O substantivo que se usava para o político que "fala franco" é um palavrão: "παρρησιαστής", que em latim se transcrevia como "parrhesiastes". Esse é aquele que não dissimula nem exagera, antes diz as coisas justas na devida proporção, nada ocultando e não ofuscando, mas iluminando.
E a partir desta terça (20) sabemos quem encaixa nesse modelo: o premiê canadense, Mark Carney. Leiam este excerto do discurso que ele pronunciou em Davos. A citação é longa, mas vale a pena:
"Sabíamos que a história da ordem internacional baseada em regras era parcialmente falsa. Que os mais fortes se isentariam delas quando lhes fosse conveniente. Que as regras do comércio eram aplicadas de forma assimétrica. E sabíamos que o direito internacional era invocado com graus variados de rigor, consoante a identidade do acusado ou da vítima.
Essa ficção foi útil. E a hegemonia americana, em particular, ajudou a fornecer bens públicos: rotas marítimas seguras, um sistema financeiro estável, segurança coletiva e apoio a mecanismos de resolução de disputas.
Por isso, pusemos o letreiro na janela. Participamos dos rituais. E, em grande medida, evitamos apontar as discrepâncias entre a retórica e a realidade.
Este pacto deixou de funcionar."
Sem dissimulação nem fanfarronice, Mark Carney fala franco ao mundo sobre o novo mundo que aí vem — aliás, que já está aí. É um mundo em que as grandes potências, e em particular os EUA, deixaram de fingir ter em mente o interesse comum. Em vez disso, dedicam-se descaradamente à ameaça, à chantagem e à extorsão.
O que fazer perante esse mundo? A receita de Carney é simples e acertada: os países médios têm de se proteger trabalhando em conjunto; devem ter a mesma clareza a denunciar as pressões, venham da China ou dos EUA; e devem manter as suas alianças funcionando com as regras do multilateralismo, sem o poder hegemónico global.
Falou franco. Deveríamos escutar.
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