domingo, 29 de maio de 2016

Juiz nega ar-condicionado a presos de grife

Para os presos tradicionais, que se contentam com o mínimo, o suficiente já parece um luxo. Para os presidiários de grife, habituados ao máximo, tudo parece um lixo. No Mato Grosso, um grupo de 18 presos ilustres requereu a instalação de aparelhos de ar-condicionado em suas celas. Eles se dispuseram a pagar pelos equipamentos. O juiz Geraldo Fidelis, da Vara de Execuções Penais de Cuiabá, indeferiu a pretensão.

Entre os presos que ambicionam o conforto de celas refrigeradas estão o ex-governador matogrossense Silval Barbosa (PMDB), seu ex-secretário de Fazenda Marcel Cursi e o desembargador afastado do Tribunal de Justiça do Estado Evandro Stábile. Os dois primeiros são acusados de fraudar incentivos fiscais. O terceiro responde por venda de sentenças.

No seu despacho, o magistrado Fidelis reconheceu o óbvio: todo o Brasil sabe que Cuiabá é uma cidade quente. Mas avaliou que o Estado tem outras prioridades: “…Poderíamos falar na necessidade de se implantar condicionadores de ar em prontos-socorros, unidades de saúde pública, salas de aula, creches, órgãos públicos, enfim, em toda demanda social que, infelizmente, não possui tais aparelhos.”

O juiz considerou também que não seria adequado que os detentos pagassem do próprio bolso pelos equipamentos. Sob pena ser repetida em Cuiabá uma experiência ruinosa ocorrida no estrangeiro. Citou o caso de ‘La Catedral’, a cadeia luxuosa que o lendário narcotraficante Pablo Escobar mandou construir na Colômbia, para servir-lhe de abrigo depois que decidiu entregar-se à polícia, no início da década de 1990.

De resto, o juiz Fidelis anotou que o centro prisional onde se encontram os detentos notáveis, com capacidade para 30 pessoas, hospeda no momento apenas 23. Informou que, se houvesse condições financeiras e técnicas, daria preferência à refrigeração das celas da Penitenciária Central do Estado. Ali, há acomodações para 890 presos. Mas amontoam-se atrás das grades 1.200 seres humanos daquele tipo que consideraria um luxo dispor do mínimo necessário.

sábado, 28 de maio de 2016


Passo a passo

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O momento obriga a ir além do simplismo redutor e das palavras de ordem. Força a pensar, tomar consciência do que acontece, tentar examinar causas, imaginar desdobramentos. De certo modo, é como quem sofre de uma doença muito grave e tem de encarar a perspectiva de um tratamento que acena com algumas possibilidades de melhora, mas não garante cura e ainda traz sofrimento e efeitos colaterais devastadores. Nesses casos, as reações individuais variam de uma pessoa para outra. Uns entregam os pontos, outros se rebelam e negam os fatos, outros respiram fundo, tentam ser racionais e seguem em frente. Há quem procure curandeiros, quem vasculhe a internet em busca de informação, quem se coloque confiante nas mãos de especialistas. Talvez a maioria das pessoas alterne essas facetas em momentos diferentes.

Um estudo recente conclui que a capacidade de sentir felicidade ajuda a superar doenças. Até acredito. Mas não deve se tratar de uma capacidade tão cega que evite buscar tratamento. Tão confiante que negue o combate ao mal, em nome da crença de que dias melhores virão sem que façamos nada para construí-los.

Pessoalmente, tenho dificuldade em ver as coisas de modo apenas binário e não gosto de futurologia. Evito fazer previsões, boas ou más. Mas sei que os velhos mitos tinham razão simbólica, e os antigos gregos sabiam o que diziam quando afirmavam que Cronos, o deus do tempo, é também um cuidadoso jardineiro, além de ser o terrível Saturno que os romanos temiam. Devora os próprios filhos, é verdade. Mas também faz a árvore renascer, o jardim florescer, a colheita amadurecer.

Assim, nos dias que vivemos, não consigo estar entre os que celebram o encerramento de um vergonhoso episódio histórico — nem acredito que esteja encerrado. Não estou comemorando a saída de uma crise que, de tão complexa e profunda, exigirá um longo tempo de sacrifício e medidas duras para trazer os tais dias melhores. Tenho apreensões em relação a perigos que possam ameaçar conquistas preciosas das últimas três décadas, um patrimônio de que o país não pode abrir mão — as instituições garantidas pela Constituição de 1988 e pela redemocratização, a estabilização da economia e a responsabilidade fiscal com que os tucanos deram as bases de um crescimento indispensável, os projetos sociais e a diminuição da desigualdade que os petistas puderam desenvolver a partir dessas condições asseguradas por quem os precedeu.

Ao lado da preocupação apreensiva com qualquer ameaça contra esse tripé institucional, econômico e social, vejo também razões de um certo otimismo e fé no futuro, quando faço algumas constatações sobre nosso momento. Os poderosos estão sendo investigados e punidos, como jamais haviam sido — e essa nova conquista não tem preço. Mentiras elaboradamente arquitetadas e maciçamente impostas para enganar a população, durante anos, vão sendo desmascaradas. Os partidos que proliferaram como cogumelos e se igualaram em práticas escusas e clientelistas iludem a cada vez menos gente. Os jovens tendem a não mais lhes prestar obediência cega e a substituí-los por suas redes de contato. Bons sinais.

Ao mesmo tempo, a mídia concentrada em poucas mãos abre espaços para acolher vozes dissonantes, até mesmo porque não dá para ignorar essas vozes que se alastram na internet, em saudável efervescência de pontos de vista que corroem a força de dogmatismos. Nunca se escreveu ou leu tanto sobre política entre nós. É verdade que há na rede uma camada superficial mais visível, carregada de intolerância, ódio, agressão. Mas há outro estrato muito interessante, com ângulos inesperados, pontos de vista diversos, reflexões inteligentes e fecundas. Há mais observadores do que qualquer jornal ou revista comportaria. É claro que nessa grande bagunça há de tudo, inclusive o indesejável e o abjeto. A cada um de nós, a tarefa de filtrar a porcaria que não quer ingerir. E o cuidado de discernir o que visivelmente parte de uma origem única, pretendendo desviar o foco do que importa ou impor uma só forma de pensar e ver. Essa variedade de reflexões soma experiências, desloca certezas, nos enriquece, reforça o sistema imunológico democrata, ajuda a compor uma força coletiva capaz de erguer uma barreira resistente contra retrocessos, de modo a não perdermos as conquistas obtidas. E a ampliá-las, como merecemos e desejamos.

Essa força de opinião pública e apoio popular tem sustentado a Lava-Jato e se arrepia cada vez que parece surgir uma ameaça contra ela, venha de onde vier. Traduziu-se em dois milhões de assinaturas em favor de um projeto de leis anticorrupção, enviado ao Congresso, à espera de entrar em pauta. Congelando-o, parlamentares ficam marcados como coniventes.

O eleitorado passa a perceber a obstrução da Justiça como cúmplice da roubalheira e da mentirada. Começa-se agora a discutir e pressionar por uma reforma político-eleitoral. Que seja o passo seguinte. Logo e na direção certa.

Ana Maria Machado

Puxando a descarga

Era previsível que, em algum momento, a devassa da Lava Jato chegasse ao primeiro escalão do PMDB, coadjuvante do PT ao longo dos últimos 13 anos – no governo e na rapina ao Estado.

Caricata é a euforia do PT diante das gravações, produzidas por Sérgio Machado, como se a descoberta de novos corruptos reabilitasse os anteriores – e como se os de agora não integrassem a mesma quadrilha já interditada. São companheiros de viagem.

Eduardo Cunha, Romero Jucá, Sérgio Machado, Gim Argello, Waldir Maranhão - e outros que ainda virão à tona - são acusados de crimes que, segundo o Ministério Público, tinham PT, Dilma e Lula na chefia. O Petrolão é obra conjunta, mas com claro comando: o PT. Se alguém da oposição agregou-se à quadrilha, será também arrolado.

É, portanto, surrealista a ideia de que Dilma, Lula e PT têm o que ganhar com a revelação de seus cúmplices de segundo escalão.
As gravações mostram a classe política no banheiro com a porta aberta. Lá estão os palavrões de sempre, a visão minúscula da vida pública, a ausência de norte moral – e o odor fétido de tudo isso.

Também aí, PT e PMDB se equivalem. Se alguns viam o impeachment apenas como truque para parar a Lava Jato, sintonizaram com a população pelo avesso, já que, para esta, o impeachment era – e é - medida de higiene moral.

O governo transitório é o que temos, não o que desejávamos. Se não funcionar, não se sabe o que virá, mas com certeza não será mais o PT. O país não quer andar para trás.

A Lava Jato não vai parar. É hoje mais sólida e estável – além de bem mais popular -, que o próprio governo, cujo futuro a ela se submete. Michel Temer, ao que parece, não levou isso em consideração, ao convocar para seu governo gente sob investigação ou com reiteradas citações por parte de delatores.

Romero Jucá, ex-ministro de Lula - e ex-líder do próprio Lula e de Dilma -, era um desses. O fato de ser um bom articulador político não o torna menos vulnerável, nem reduz o peso de seu prontuário. Não foi por falta de aviso que Temer não apenas o convocou como o tornou um integrante do seu assim chamado núcleo duro, cedendo-lhe uma das pastas mais estratégicas, a do Planejamento.

Foi um tiro no pé – e, ao que parece, há mais balas na agulha. O ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves, por exemplo, é outro investigado. E há o novo líder do governo na Câmara, André Moura, acusado não apenas de corrupção, mas até de um crime de morte.

Será que, entre os 367 deputados que votaram pela admissibilidade do impeachment, não havia um único nome menos problemático? Sabe-se que Michel Temer formou um Ministério para garantir não apenas as primeiras medidas econômicas no Congresso, mas também a confirmação do impeachment no Senado.

Escolheu, por isso, gente que jamais caberia no rótulo de notável, como o filho do senador Jáder Barbalho, Hélder Barbalho, para seu ministério. Jáder não votou pela admissibilidade do impeachment. Com o filho na Esplanada, deve fazê-lo agora. Não é um notável; é um notório, como tantos outros.

A pergunta é: vale a pena correr tal risco? As gravações que estão sendo reveladas e as delações premiadas em curso indicam que não. Qual a relação custo-benefício de uma frouxidão ética? Não se sabe o que está por vir, mas o que já se sabe não é pouco – e sugere que os diálogos de latrina estão longe de se esgotar.

Registre-se a favor de Temer a atitude que teve com Jucá. Demitiu-o sumariamente, em contraste com Dilma, que manteve em seu círculo mais íntimo alguns réus e investigados da Lava Jato, gente como Ricardo Berzoini, José Eduardo Cardoso, Aloizio Mercadante, Edinho Silva, além de ter tentado dar abrigo a Lula, nomeando-o ministro para que escapasse de Sérgio Moro.

Pior: teve – e continua tendo – como seus porta-vozes no Senado outra falange de investigados, como Humberto Costa, Lindberg Faria, Gleise Hoffmann e Thelmário Mota (cuja mulher acaba de ser presa). Chega a ser engraçado vê-los indignados com o teor das gravações, em discursos inflamados contra a corrupção.

Dilma avisa que irá usar, em sua tentativa de reverter o impeachment, a gravação em que Jucá diz que, para parar a Lava Jato, só mudando o governo. Ainda bem que ela não usará as demais gravações, sobretudo aquela em que Renan Calheiros diz que ela é corrupta, e a outra, em que Sarney diz que, com a delação de João Santana e sua mulher, ela estará perdida.

Em suma, o país vive um momento sanitário, cuja demanda básica é não interromper o fluxo da descarga, nas mãos da Força Tarefa da Lava Jato e do juiz Sérgio Moro.

Áudios provam o golpe... do PT contra o erário

Os historiadores fascinarão os brasileiros do futuro quando puderem se pronunciar sobre os dias atuais sem se preocupar em saber o que vai sobrar depois que a turma da Odebrecht começar a suar o dedo. O relato sobre o apocalipse do PT no poder encontrará a exatidão no exagero. Buscará paralelos na dramaturgia grega ao relatar como o petismo saiu da História para cair na vida.

No início desta semana, o PT imaginou que poderia reescrever a história a partir da gravação de uma conversa em que Romero Jucá insinua para Sérgio Machado que a queda de Dilma e a ascensão de Temer poderia resultar num “pacto” para “estancar a sangria” da Lava Jato. Está confirmado o golpe, alardearam Dilma e os petistas.

Passaram-se os dias. Sobrevieram as gravações dos diálogos que Machado travou com Renan Calheiros e José Sarney. Veio à luz a delação do ex-deputado Pedro Corrêa, do PP. Antes que pudesse comemorar uma mudança dos ventos, o PT viu-se enredado num redemoinho que o devolveu rapidamente à defensiva.

Numa das conversas colecionadas por Machado, Sarney declarou que a própria Dilma pediu dinheiro à Odebrecht para nutrir a caixa registradora de sua campanha e remunerar o marqueteiro João Santana. Previu que madame será abatida numa confissão da turma da empreiteira, “metralhadora ponto 100”.

Em sua delação, Corrêa iluminou o submundo em que Lula se meteu para comprar apoio congressual com dinheiro roubado da Petrobras. Estilhaçou a retórica do “eu não sabia” ao relatar reuniões em que o morubixaba do PT apartou brigas dos aliados por dinheiro ilegal e ordenou a nomeação de diretores larápios para a estatal petroleira.

Quando puder relatar à posteridade tudo o que sucedeu, a História descreverá uma fantástica sequência de fatos extraordinários acontecidos com pessoas ordinárias —em todos os sentidos. E concluirá que houve, de fato, um golpe no Brasil. Um golpe do PT e da quadrilha que gravitou ao seu redor contra o erário.

Educação e cultura: uma aliança perfeita

A gritaria contra a absorção do Ministério da Cultura pela pasta da Educação, como era até 1985, foi tão intensa que o presidente interino Michel Temer reviu seu projeto de modernização do Estado, contrariando grande parcela da população que está lutando por nova práxis política. Ele cedeu a figurões da música e das artes cênicas, que recebiam apoio ruidoso da mídia e de segmentos da vanguarda brasileira, sob o argumento de que a cultura seria profundamente afetada.

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Essa postura registrou, infelizmente, preconceito em relação à educação como o sistema mais adequado para preparar as novas gerações quanto à formação de habilidades, à assimilação de conhecimento e ao cultivo das artes expressas como música, desenho, dança, modelagem, teatro, pintura, escultura e tecelagem. Isso compunha a escola brasileira até os anos 70, mas foi extinto com reformas curriculares para cortar custos, experimentar novas teorias pedagógicas e introduzir tecnologias de informação. A retomada da aliança poderia permitir, entretanto, que o templo do saber fosse novamente o espaço para a descoberta de talentos, conferindo aos alunos as lições para desenvolver suas potencialidades com supervisão adequada para a profissionalização dos mais talentosos e a formação de espectadores conscientes e leais aos bons artistas. Ou seja, a aglutinação das duas áreas numa pasta ensejaria a recuperação do diálogo, com melhoria significativa do sistema educacional, menosprezado desde a colonização da Terra de Santa Cruz. Foi, então, injustificável que justamente o segmento mais instruído, moderno e celebrado pelo público e pelo Estado tenha ficado insensível aos benefícios inerentes à proximidade das artes com a escola num ministério com alta dotação orçamentária.

A grave crise econômica impõe racionalidade nos gastos públicos e redução de serviços inerentes à cidadania, sacrificando os brasileiros. Fica, então, insustentável que um ministério financie, por renúncia fiscal, eventos que têm bilheteria garantida pelo prestígio dos participantes, em detrimento de outras atribuições, como a proteção/administração do patrimônio cultural (arquitetônico, artístico, literário, sacro e arqueológico), das bibliotecas públicas, dos museus, dos monumentos históricos, de atividades tradicionais e das celebrações populares, buscando promover novos talentos e acessibilidade da população a diferentes formas de lazer. É indispensável pôr na mesma balança a encenação de peças de Nelson Rodrigues, as apresentações da MPB, as cavalhadas de Brejo do Amparo, a Semana Santa de Goiás Velho, o Corpus Christi de Ouro Preto, o bumba meu boi de Parintins, o São João no interior do Nordeste, o congado em Bom Despacho e milhares de outros eventos constantes no calendário dos brasileiros. É preciso também apoiar a cerâmica do Vale do Jequitinhonha, a tecelagem de Resende Costa, as bordadeiras de Alagoas e muitas outras atividades que compõem nossas melhores tradições.

Gilda de Castro

A imbecilidade mais imbecil

Não há ninguém mais bobo do que um esquerdista sincero. Ele não sabe nada. Apenas aceita o que meia dúzia de imbecis lhe dão para dizer
Nelson Rodrigues

O Livro das Perguntas

Pabblo Neruda, prêmio Nobel de literatura em 1971, é autor de um curioso Libro de las Preguntas.Nesse poeta, nascido Ricardo Eliécer Neftali Reys Basoalto, nem tudo é óbvio. E, no livro em que há só perguntas, algumas até poderiam ter ligação com os novos tempos. Como “Achas que o luto antecipa a bandeira de teu destino?”. Ou “Por que fechei os meus caminhos?”. Ou “Devo escolher esta manhã entre o céu e o mar, tudo ou nada?”. Imagino dito Neruda passeando no Brasil de hoje. Que perguntas faria?, por aqui. Entre outras, quem sabe as seguintes:


Fato. A partir de 2013, milhões de brasileiros pediram nas ruas uma política mais limpa. Sem réus da Lava Jato agindo livremente no governo. Muitos com Lula. Hoje presos. Ou sendo processados. Outros muitos com Dilma, no caminho da prisão. 
PERGUNTA. “E como é que o governo Temer, sabendo desse anseio público por limpeza, teve a coragem (ou a insensatez) de nomear tantos investigados (7, em 23) para seu ministério?”

Fato. O cineasta Kleber Mendonça Filho exerce função de confiança (sem concurso público) na Fundação Joaquim Nabuco. Bem remunerada. Em Cannes, se sentiu à vontade para atender pedido de alguns membros do governo Dilma (que o contratou). E fez um estrondoso protesto com o “golpe”. 
PERGUNTA. “O cineasta, que não renunciou a seu emprego, se sente à vontade para exercer um cargo de confiança no governo Temer?”

Fato. O diretor de teatro Aderbal Freire Jr., casado com Marieta Severo, segundo a Folha de São Paulo ganha por mês 91 mil reais na TV Brasil. Vai perder a boquinha, com certeza. E escreveu, na mesma Folha, violentíssimo artigo contra o “golpe”. 
PERGUNTA. “O bom jornalismo não exigiria do diretor, nesse artigo, informar ao leitor (não fez isso) que tinha contrato com o governo Dilma em tão alto montante?”

Fato. O Ministro Romero Jucá já saiu. Nada contra. 
PERGUNTA. “Pensando bem, deveria ter sido nomeado para o cargo?”.

Fato. Com exceção da França, nenhum país importante do mundo tem um ministério só para cuidar da Cultura. 
PERGUNTA. “Não ter um ministério específico para a Cultura seria prova de que o governo, qualquer governo, não quer prestigiar a Cultura?”

Fato. A Petrobrás foi destroçada por decisões gerenciais lamentáveis e uma corrupção mastodôntica. Agora, vai ser presidida por um técnico reconhecidamente competente e correto. Pedro Parente. E os sindicatos petroleiros, que antes mantinham um silêncio cúmplice com tantos desmandos, são contra. 
PERGUNTA. “Onde estavam os sindicatos no tempo em que a Petrobrás foi assaltada? Só agora decidem protestar? E logo contra um homem de bem?”

Fato. Maradona publica foto junto a camisa da seleção brasileira com o número 18 nas costas. 2018, imagina-se. Apoiando Lula e Dilma. 
PERGUNTA. “Depois disso, Lula e Dilma têm salvação?”

E vamos parar por aqui. Faltando só lembrar verso de Neruda em 20 poemas de amor e uma canção desesperada: “É hora de partir, oh abandonado”. O vaticínio já valeu para Dilma, claro. Problema para o novo governo é que, se nada começar a melhorar, pode mais tarde valer também para Temer.

Isolada e esquecida, Dila assiste o tempo passar

Dilma Rousseff não preside, muito menos governa. Apenas assiste o tempo passar, nessa estranha interinidade determinada pelo processo do impeachment a que responde. Raramente pode ser vista pedalando sua bicicleta, em Porto Alegre ou Brasília. Se acompanha ou não as iniciativas de Michel Temer, é segredo. Ninguém garante. A verdade é que não se falam.


Aliás, são raros os telefonemas que Madame dá ou recebe, exceção dos próprios familiares. Mantém-se afastada de todos, a começar pelo Lula e as lideranças do PT. Ignora-se, até, se lê jornais ou escuta rádio. Aguarda-se para as próximas horas a divulgação de sua defesa, a cargo do ex-ministro da Justiça e ex-advogado Geral da União. Omitem-se ou são rejeitados os companheiros do antigo governo.

Há quem suponha, no atual interregno, a disposição da presidenta de mergulhar no esquecimento, indignada pelo abandono em que foi deixada. Existem, porém, os que identificam em sua atual postura a estratégia de contribuir para aumentar o tamanho do fosso existente entre sua presença anterior no governo e as características apresentadas pelo substituto. Ela não perdoa ter sido abandonada pelo antigo vice, ainda que nenhuma iniciativa tenha adotado para evitar o vazio em suas relações anteriores, antes que se caracterizasse o rompimento.

Numa palavra, condenada em definitivo como parece a projeção do processo de seu afastamento, ou por milagre reconduzida ao poder no final de 180 dias, como ainda acreditam alguns petistas, o destino de Dilma é seguir isolada e esquecida. Bem que poderia dedicar-se a escrever suas memórias…

Se o governo Temer não cortar na carne, jamais poderá ter credibilidade

O governo Temer, se quiser colaboração do povo, deve dar exemplos. Se não cortar na própria carne não encontrará boa vontade da população, que está cansada de tantos desmandos e descalabros com o dinheiro público. Ágeis em diminuírem os gastos relativos ao bem-estar da população (educação, saúde e previdência) são verdadeiras lesmas quando as medidas devem ser tomadas entre os Poderes, que se julgam intocáveis, sagrados.

Não haverá governo com a devida e necessária autoridade moral, caso não se debruçar sobre as exageradas despesas com custeio dos três poderes. De nada adiantarão as medidas de contenção de despesas, se gastos que são verdadeiramente imorais se mantiverem intactos.

O governo deve ter com o povo transparência e obrigação em moralizar esta questão, que hoje está absolutamente à vontade com os parlamentares e altos funcionários do Executivo, Legislativo e Judiciário, que se acham mesmo donos do Brasil, e podem fazer do erário público o que bem entendem!

Ou o governo acaba com essas despesas, que são verdadeiros deboches ao trabalhador e à cidadania ou, então, jamais teremos o equilíbrio das contas públicas, por conta exatamente da omissão de quem deveria dar exemplo de austeridade e probidade, e não ao contrário, conforme assistimos passivamente há muito tempo.

Tem sido demasiada a exploração do povo pelos governantes, o descaso com a população, o escárnio com a moralidade e honestidade.

Um exemplo eloquente são os financiamentos do BNDES aos governos da Venezuela e Cuba. Pode-se afirmar que as verbas liberadas foram doações, pois não podem pagar esses empréstimos, simplesmente porque não têm recursos. Cuba, porque praticamente nada produz e, a Venezuela, falida por Chávez e Maduro. São prejuízo de quase dois bilhões de dólares aos cofres do país ou oito bilhões de reais!

Se anteriormente eu escrevia que os roubos contra a Petrobrás bastariam para colocar na cadeia Lula e Dilma, a liberação desses “financiamentos” do BNDES para governos politicamente ligados ao PT deveria condenar a dupla de bandidos à punição máxima, se a Justiça atuasse como isenta e imparcial, principalmente no STF, último esteio dos petistas para se livrarem de condenações e prisões.

O resto dos bilhões de dólares concedidos aos demais países, não sei se receberemos algum trocado de volta, e me causa surpresa e indignação o empréstimo concedido à Bolívia, quase oitocentos milhões de reais!

Gostaria muito de saber se este dinheiro foi liberado antes ou depois que o ladrão Evo Morales logrou o governo brasileiro e a Petrobrás, encampando as nossas refinarias no seu país.

Se isso aconteceu depois da encampação, Lula e Dilma são reles traidores do Brasil, criminosos abjetos. Se ocorreu antes, pergunto: Por que o Planalto não agiu com o rigor esperado em casos de ofensas graves ao povo e dilapidação do patrimônio nacional?

Enfim, urge uma auditoria independente e de fora para analisar o BNDES, e as formas como liberava o dinheiro do povo brasileiro para nações falidas ou comandadas por ditadores, desde que da mesma ideologia petista, de traição ao país.

Código Florestal ainda busca 'raio-X' ambiental

Quatro anos depois de uma votação polêmica marcada por protestos e tensão, o Código Florestal ainda tenta montar o mapa da vegetação nativa que restou nas propriedades privadas do país. Sancionada em 25 de maio de 2012, a lei que reformulou as regras de proteção das florestas em áreas particulares criou uma base de dados ambiental sem precedentes, com informações declaradas por de cerca de 4 milhões de proprietários rurais.

O registro eletrônico, chamado de Cadastro Ambiental Rural (CAR), é obrigatório e ponto de partida para que o Código seja aplicado. Cerca de 82% da área nacional prevista foram declarados dentro do prazo estipulado pela lei, que venceu no último dia 5.


Os que ficaram de fora, segundo o Ministério do Meio Ambiente, seriam produtores familiares que não receberam apoio do estado para fazer o cadastro, a maior parte do semiárido nordestino. Para esse grupo, o governo decidiu estender o prazo até maio de 2017 sem que eles sofram restrições de crédito agrícola.

Criticado à época por retrocessos, como o possível aumento do desmatamento, o código sancionado então por Dilma Rousseff foi visto com ceticismo por muitas organizações. "Tínhamos uma incerteza muito grande se isso iria dar certo, mas o cadastro se tornou uma realidade e está consolidado como política pública", avalia Cristiano Vilardo, da Conservação Internacional e integrante do Observatório do Código Florestal.

Com a inscrição no CAR, o proprietário identifica o imóvel com uma planta e coordenadas geográficas, e informa a localização de áreas protegidas. A partir desse banco de dados, o governo fiscaliza quem está de acordo com a lei. Nos estados da Amazônia Legal, por exemplo, as propriedades são obrigadas a manter 80% da vegetação nativa.

"O desempenho técnico do Ministério do Meio Ambiente para capturar e gerir essas informações e o potencial de uso do cadastro serão reconhecidos internacionalmente e são impressionantes", avalia Anselm Duchrow, diretor de Proteção e Gestão Sustentável das Florestas Tropicais da Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ, na sigla em alemão).

Por outro lado, a qualidade desses dados ainda é questionável. "A verificação e correção dos dados [informados pelos proprietários] pode levar anos", aponta Duchrow.

Raimundo Deusdará, diretor do Serviço Florestal Brasileiro, afirma que o serviço de verificação já começou: "De fato, é um trabalho complexo", reconhece. "Mas temos um sistema robusto, montados pela nossa equipe, que vai verificar os cadastros, um a um."

Automaticamente, no momento do registro, o sistema aponta se há sobreposição de propriedades, ou se ela está dentro de terra indígena, por exemplo. O proprietário é informado na hora quando há conflito de informações. "O próximo passo será o de verificar se a propriedade cumpriu suas obrigações, como manda a lei", explica Deusdará.

Analistas do Serviço Florestal e dos estados vão comparar os dados declarados a imagens de satélites das propriedades adquiridas pelo governo a partir de 2008. Esse é um ano crucial: segundo o Código, quem desmatou além do permitido antes dessa data está perdoado e não será obrigado a repor a vegetação.

"Você tinha um código anterior que não era monitorado, não era visto ou cobrado. Hoje toda a propriedade poderá ser monitorada", rebate Deusdará. Segundo o Serviço Florestal, mais de 1 milhão de nascentes foram declaradas por proprietários no CAR. "Quem é que tinha essa informação antes?", comemora.

Ainda segundo Deusdará, o Serviço Florestal não sabe prever quanto tempo o trabalho de verificação do cadastro levará. "O nosso limite é de pessoal e financeiro. A tecnologia nós já temos."

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Sarney vira símbolo do desespero da oligarquia

José Sarney: “A ditadura da Justiça tá implantada, é a pior de todas!
''
Sérgio Machado: “E eles vão querer tomar o poder. Pra poder acabar o trabalho
.''
A fabulosa epidemia de corrupção revelada pela Lava Jato fez do Brasil um pedaço do mapa onde há a maior possibilidade de surgir um país 100% novo. Caos não falta. O diálogo reproduzido acima revela que essa nação inteiramente outra talvez já tenha começado a existir.

Nascida na periférica comarca de Curitiba, a investigação que deu à luz um Brasil diferente sobrevive a todas as bruxarias e conchavos urdidos por políticos que se habituaram a viver no epicentro do ilícito sem sofrer qualquer tipo de embaraço. A oligarquia corrupta está acuada.

A “ditadura da Justiça” de que fala Sarney é o outro nome de Estado Democrático de Direito. Renan Calheiros responde a uma dúzia de inquéritos. Eduardo Cunha é um réu afastado do mandato pelo STF. Marcelo Odecrechet está preso e negocia uma delação. Pilhados num diálogo vadio, Dilma e Lula foram denunciados no Supremo por tentativa de obstruir a Justiça.

Como se fosse pouco, os cardeais do PMDB —Sarney entre eles— foram gravados pelo amigo Sérgio Machado, subitamente convertido num silvério que, apavorado com a ideia de ser preso por ordem do “tirano” Sérgio Moro, tenta comprar com suor do dedo a proteção judicial que seus correligionários já não conseguem prover.

O autogrampo do ex-presidente da Transpetro pendurou no noticiário, de ponta-cabeça, caciques políticos capazes de tudo, menos de levar à balança meio quilo de explicações que afastem as suspeitas que rondam seus prontuários.

Natural que seres como Sarney sejam tomados de assalto (ops!) pela estranheza. Não estavam habituados a esse tipo de situação. Construíram suas carreiras num Brasil em que, acima de um certo nível de renda e de poder, ninguém devia nada. Muito menos explicações. Esse país em que os ratos colocavam a culpa no queijo e tudo ficava por isso mesmo não existe mais.

Em 21 dezembro de 2014, Sarney havia escalado a tribuna do Senado pela última vez, para pronunciar o que deveria ter sido um discurso de despedida de sua vida pública de seis décadas. O orador somava, então, 84 anos.

Os incautos imaginaram que estivessem diante de um aposentado. Mas se as fitas do companheiro Machado revelam alguma coisa é que Sarney é, por assim dizer,inaposentável. Ele permanece no palco como protagonista da própria imolação. Faz o papel de um Napoleão se descoroando.

No discuso de sua suposta despedida, Sarney reservou um parágrafo à autocrítica (assista abaixo). Declarou: “Precisamos levar a sério o problema da reeleição, que precisa acabar, estabelecendo-se um mandato maior. Até fazendo mea-culpa, de arrependimento, eu penso que é preciso proibir que os ex-presidentes ocupem qualquer cargo público, mesmo que seja cargo eletivo. […] Eu me arrependo, acho que foi um erro que eu fiz ter voltado, depois de presidente, à vida pública.”

O Brasil não poderia prescindir de Sarney nesse momento. Sua aversão à Lava Jato é essencial para provar que o país está no caminho certo. Depois de encher as praças na luta pelas eleições diretas, o brasileiro viu subir ao poder, pela via indireta do Colégio Eleitoral, José Sarney, o vice mais versa da história, grande amigo da ditadura militar até seis meses antes.

Sarney deve sua Presidência a uma conspiração do acaso com as bactérias que invadiram o organismo de Tancredo Neves atrás de encrenca. Foi um gestor temerário. Governou mal tão bem que não teve condições políticas de indicar um nome para sucedê-lo. Vangloria-se de ter completado a transição da ditadura para a primeira eleição direta. Deu em Fernando Collor.

Eleito senador pelo Amapá três vezes, Sarney esmerou-se. Presidiu o Senado quatro vezes. Estrelou o escândalo dos atos secretos. Deu emprego a uma sobrinha de sua mulher que morava em Campo Grande; deu um contracheque a uma sobrinha do genro que residia em Barcelona; alçou à folha um personagem (“Secreta”) que trabalhava como mordomo na casa da filha Roseana Sarney…

Não era o Amapá ou o país que tinha um senador. Era Sarney que possuía o Brasil. Sob FHC, Lula e Dilma, foi aquinhoado com generosos nacos do Estado. Cavalgando a administração pública, Sarney logrou alcançar a prosperidade privada. Seu nome fundiu-se ao patrimonialismo nacional. O desespero de Sarney, o oligarca mais longevo da República, é o melhor símbolo que a Era da Lava Jato poderia arranjar.

O estupro coletivo e os 'avanços sociais' do PT

O PT se gaba de ter promovido grandes avanços sociais. Seus defensores mais cretinos chegam a dizer que Dilma “foi afastada por seus acertos”. Pergunto: Quais? Reproduzindo dados já expostos em artigo anterior, a pobreza aumentou, 33 milhões de brasileiros encontram-se abaixo da linha da pobreza, 39,5% das pessoas aptas a trabalhar não possuem o ensino fundamental, 13 milhões são analfabetos e apenas 5% dos estudantes da rede pública saem do ensino médio com conhecimentos básicos em matemática. Na saúde, foram desativados 23,5 mil leitos do SUS nos últimos 5 anos, o equivalente a 7% do total. O Brasil continua sendo o país mais violento do mundo. Metade da população continua sem acesso a rede de esgoto. Em qualidade de infraestrutura, o Brasil ocupa a 112° posição entre 144 países.

Na economia, basta citar os R$ 170 bilhões de rombo nas contas do governo como resultado do “melhor momento econômico da história”, como dizia Lula.

O fato é que o PT não promoveu nenhum avanço social. O caso do estupro coletivo ocorrido no Rio de Janeiro, dias atrás, nos oferece um novo ângulo da tragédia brasileira.

Ao contrário dos panfletos que se proliferaram no facebook pedindo o “fim da cultura do estupro”, o Brasil não tem essa cultura. Grande parte da Índia, da África e do Oriente Médio têm. O Brasil não. Aqui, estupro é visto por todos como crime. Estupros ocorrem, mas são feitos nas sombras, por indivíduos deslocados, psicopatas. Nenhum estuprador se vangloria publicamente de seus feitos. O que ocorreu no Rio de Janeiro foi uma farra, mais uma típica farra brasileira na qual os personagens não têm noção da gravidade de seus atos, acham graça, sentem orgulho.

O caso: Uma menina de 16 anos de idade se relacionava com um dos estupradores desde os 13 anos. Consumia drogas. Foi até a casa do sujeito por livre e espontânea vontade. Lá, foi dopada e abusada por mais de 30 homens com idade média de 20 anos. Logo em seguida, alguns deles publicaram em seus próprios perfis no facebook o vídeo do crime. Fizeram piada. “Amassaram a mina, intendeu ou não intendeu? Kkk”, foi o título da publicação, destacando-se também pelo erro de português que demonstra o nível de instrução do criminoso − o mais perfeito retrato da sociedade que existe debaixo do tapete mágico do PT.

Três semanas atrás, bandidos também fizeram piada com a menina que eles mataram na Linha Amarela, no Rio de Janeiro. Bastam duas ou três perguntas ao google para termos diante de nós uma longa lista de casos de jovens de periferia que manifestam o quanto se divertem com os crimes que cometem. Quem quiser se aprofundar, pesquise nos sites pornográficos os vídeos que adolescentes publicam com eles mesmos transando em escolas públicas. Quem não quiser ir tão longe, volte ao google e veja a lista dos casos de agressões à professores, de brigas e até assassinatos entre os próprios alunos; e também as orgias nos bailes funks e as adolescentes grávidas que em muitos casos sequer sabem quem são os pais de seus filhos.

Qual a origem disso?

Um governo que optou por uma educação que não cobra responsabilidade dos alunos, que não cobra que os jovens respeitem seus pais, seus professores, seus colegas, o espaço onde estudam e a cidade onde vivem. Uma educação que prega a liberdade sexual para crianças de 10 anos de idade. Uma educação sem formalidades, que ao mesmo tempo em que rejeita o aprendizado de matemática, de línguas e de ciências, permite que as festas das escolas sejam embaladas a funk proibidão, aquele que exalta o sexo e o crime. Uma educação que menospreza a alta cultura valorizada pelas classes mais altas e supervaloriza a “sub-cultura” dos guetos, como já descreveu o psiquiatra Theodore Dalrymple. Uma educação que diz que ojovem pobre e negro tem o direito de fazer ele mesmo as “reparações históricas” que julga necessárias – arrastões, pequenos furtos etc.

A educação brasileira sempre foi uma tragédia, mas nunca antes na história do Brasil a delinquência foi tão estimulada.

Quem não se lembra que ao final do governo FHC a extrema-esquerda brasileira condenou o PSDB por não ter resolvido todos os problemas do Brasil em 8 anos? Eu me lembro.

Quem não se lembra que a própria esquerda sempre fez questão de dizer que educação pública molda as relações sociais? Eu me lembro. Por tanto, nada mais justo do que avaliar os 13 anos de governo petista sob essa ótica.

O que o PT deixa?

Uma sociedade de delinquentes. Uma sociedade onde os pais não se preocupam com os filhos, onde os filhos não respeitam os pais, onde os jovens não respeitam ninguém.

O PT deixou os mais pobres ainda mais distantes dos mais ricos.

O PT incompatível com a democracia

Li, com muita preocupação, a “Resolução sobre a conjuntura” do PT, análise ideológica, com nítido viés bolivariano, sobre os erros cometidos pelo partido por não ter implantado no Brasil uma “democracia cubana”.

Em determinado trecho, lê-se:
“Fomos igualmente descuidados com a necessidade de reformar o Estado, o que implicaria impedir a sabotagem conservadora nas estruturas de mando da Polícia Federal e do Ministério Público Federal; modificar os currículos das academias militares; promover oficiais com compromisso democrático e nacionalista; fortalecer a ala mais avançada do Itamaraty e redimensionar sensivelmente a distribuição de verbas publicitárias para os monopólios da informação”.
De rigor, a ideia do partido era transformar o Estado brasileiro num feudo petista, com reforma do Estado pro domo sua e subordinação a seus interesses e correligionários, as Forças Armadas, o Ministério Público, a Polícia Federal e a imprensa.

O que mais impressiona é que o desventrar da podridão dos porões do governo petista deveu-se, fundamentalmente, às três instituições, ou seja, imprensa, Ministério Público e Polícia Federal, que, por sua autonomia, independência e seriedade, não estão sujeitos ao controle dos detentores do poder. Ao Ministério Público é outorgada total autonomia, pelos artigos 127 a 132 da Lei Suprema, e as polícias funcionam como órgãos de segurança do Estado e não são instrumentos ideológicos, conforme determina o artigo 144, da Carta da República. A Constituição Federal, por outro lado, no artigo 220, garante a absoluta liberdade aos meios de comunicação.

Por fim, as Forças Armadas, como instituição do Estado, e não do governo, só devem intervir, com base do artigo 142 da Constituição, em caso de conflito entre os poderes para restabelecimento da lei e da ordem. É de se lembrar que, tiveram, durante a crise política deflagrada pelo mar de lama que invadiu as estruturas do governo, comportamento exemplar, mantendo-se à distância como observadoras, permitindo o fluir dos instrumentos democráticos para estancarem a desfiguração crescente da República brasileira.

Controlar a Polícia Federal, que descobriu o assalto aos cofres públicos? Manietar o Ministério Público, que tem denunciado os saqueadores do dinheiro dos contribuintes? Calar a imprensa, que permitiu à sociedade conhecer os profundos desmandos do governo por 13 anos? É isto o compromisso “democrático e nacionalista” do PT?

Modificar os currículos das academias militares para formar oficiais com ideologia bolivariana, a fim de servir ao governo, e não ao Estado, seria transformar as Forças Armadas em órgão de repressão, como ocorre com os exércitos de Maduro ou dos Castros.

Embora tenha muitos amigos no PT, sempre divergi das convicções políticas dos governantes ora alijados da Presidência, mas sempre entendi que sua intenção era a de respeitar as regras democráticas. Desiludi-me, profundamente, ao constatar que os maiores defensores da ética, como se apresentavam quando na oposição, protagonizaram o governo mais corrupto da história do mundo.

Pretenderem agora, em mea-culpa, arrependerem-se por não terem transfigurado o Brasil numa Cuba ou numa Venezuela é ter a certeza de que nunca desejaram viver, no país, uma autêntica democracia. Penso mesmo que a presidente Dilma, que foi guerrilheira, como José Dirceu, intentando aqui implantar um regime marxista, durante o regime de exceção dos militares, jamais abandonou o objetivo daquela luta.

Após a leitura da “Resolução da Conjuntura”, minhas dúvidas foram dissipadas. A democracia verdadeira nunca foi um ideal petista.

Ives Gandra da Silva Martins

Pela saúde do Brasil


A primeira coisa que me veio à mente ao ouvir os trechos das conversas entre Sergio Machado e alguns senadores, foi: “será possível?”. Homens experientes, sabichões da política que alimenta Brasília, falar assim livremente ao telefone?

Dos interlocutores de Machado, o que mais me impressionou foi José Sarney. Para quem é tido como ardiloso, Sarney estava com a matraca aberta, não é não?

E mais incrível ainda era a impressão que Sergio Machado estava pescando dados, não estava só batendo papo com os amigos, não, mas cavando informações. Ele chega a fazer perguntas muito óbvias, a tal ponto que surpreende suas “vítimas” não perceberem, e não desligarem logo o telefone.

Apesar de saber que as gravações foram feitas em março, antes da queda de Eduardo Cunha ou do afastamento de Dilma Rousseff, ficou aquela pulga atrás da orelha até ler o Blog do Noblat de ontem, onde Ricardo Noblat revela como Sergio Machado gravou suas conversas.

Parece roteiro de Francis Ford Coppola: o ex-presidente da Transpetro, sabedor que uma delação premiada tem que ser rica em informações, que só repetir o que outros já disseram, ou criar fantasias que logo os investigadores desmontariam, não ia resolver seu caso, ofereceu-se para gravar conversas que ia ter com seus amigos, em Brasília.

Mas nada de telefones. Isso seria muito arriscado, pois ele não ia lidar com ingênuos. O negócio foi bem mais sofisticado.

Copio do artigo do Noblat: “Mas não o fez armado com um celular ou gravador de bolso. Topou ser monitorado em tempo real por agentes federais. Eles o equiparam com aparelhos de escuta. E o seguiram para as tais conversas com uma Van que estacionava a certa distância dos endereços daqueles a serem visitados por Machado. De dentro da Van, escutavam tudo o que Machado falava e ouvia. Como nos filmes”.

Palmas para a PF!

O Globo de ontem publicou alguns trechos das conversas. Um em especial chamou minha atenção. É quando o tal Machado menciona o juiz Sergio Moro e Renan Calheiros retruca com palavra inaudível. Machado completa: “Renan, esse cara é mau, é mau, é mau, é mau“.

Pois graças a Deus o Brasil conta, nestes tempos horrorosos em que estamos vivendo, com o juiz que Sergio Machado qualifica de “mau”. O que seria de nós sem a força do Ministério Público, da Polícia Federal e sem a firmeza do juiz Sergio Moro?

Temos o exemplo da Itália para seguir. O Mani Pulite, que tanto bem fez àquele país, acabou vencido pelo Parlamento que estava nas mãos de políticos interessados em liquidar com os Procuradores italianos e legislar sempre em favor do crime! O que desaguou no Berlusconi.

Nós não podemos deixar o mesmo acontecer com o Brasil. Não podemos mais continuar nessa situação nojenta, quando o presidente interino tem dificuldade em montar sua equipe já que são raros os competentes e corretos que ele pode convocar.

E, sobretudo, pelo amor de Deus, jamais permitir que as notícias vindas de Curitiba sirvam como pretexto para a anulação do processo de impeachment de dona Dilma!

O Brasil está muito doente e cabe a nós, seus cidadãos, zelar para que ele se recupere sob a batuta de um presidente constitucionalista, Michel Temer.

Vão mexer no queijo?

Um personagem de Molière, Monsieur Jourdain, descobriu certa feita, de estalo, que ao longo de toda sua vida falara em prosa sem perceber. Da mesma forma, muitos brasileiros são marxistas sem saber, hobbesianos sem saber, e muitos, sem saber, são responsáveis pelo aumento dos impostos que pagam. De fato, toda vez que alguém atribui a ele, o Estado, o dever de dar um jeito em algo, está pressionando no sentido de que se forme um novo centro de custos, que vai exigir uma nova receita e ela se tornará permanente. Se o custo for criado e a receita não, a conta que surgirá não pode ficar pendurada na parede por um prego.

Estamos todos assistindo, nestes dias, verdadeira aula prática sobre as consequências de se deixar o Estado crescer. Todo mundo sabe que o Brasil precisa reduzir custos. Note-se: quando digo todo mundo estou falando mesmo de uma percepção nacional e mundial. Um déficit de R$ 170 bilhões não se resolve sem dor. O desemprego gerado pelas baixas expectativas e elevados encargos é apenas um dos muitos artefatos instalados nessa sala de tortura em que se transformou o Estado brasileiro. E extinguir um simples centro de custo tem sido uma encrenca dos diabos.

Vou dar um exemplo. Nem o Itamaraty escapou ao laboratório de fracassos que foi o governo da presidente Dilma. José Serra se deparou com um rombo de R$ 3,2 bilhões nas contas da nossa chancelaria. Uma vergonha. Aluguéis atrasados, contas de fornecedores vencidas, compromissos regulares referentes à participação em órgãos internacionais não pagos, e por aí vai. Mais de três bi. Solução? Fechar alguns centros de custo, certo? Serra propôs fechar cinco embaixadas na África. Legal, mas não tem jeito, ao que parece. Não dá para fechar nem Serra Leoa e Libéria.

E isso vale para tudo. No setor público todos concordam com a necessidade de reduzir despesas, contanto que os cortes ocorram noutro lugar, bem longe de onde cada um esteja atuando. Na original história de Spencer Johnson – Quem mexeu no meu queijo? – falta um terceiro ratinho que represente os que, no Brasil, passam a vida gritando “No meu queijo ninguém mexe!”. Esses são os mais onerosos. A começar pelos poderes de Estado, onde o Judiciário cuida do seu lado e de qualquer um que alegue direitos sobre seu queijo federal, estadual ou municipal.

Se essa mentalidade não for superada, se a gritaria que está se formando encontrar respaldo político, se nada for feito para reduzir o custo do Brasil sobre os brasileiros, caminhamos para uma situação hobbesiana, uma guerra de todos contra todos em que todos perdem. Quem ganha o quê, quando o dinheiro acaba?

Os pândegos da cretinice

A cultura é mais um meio de preservar e melhorar a saúde do povo, de denunciar os problemas de saúde pública, de contribuir para o desenvolvimento intelectual dos profissionais da saúde
Aderbal Freire-Filho (R$ 70 mil por mês na EBC)

Cartões de Dilma torraram R$ 32,5 mil por dia só este ano


Somente em 2016, até ser afastada pelo Congresso, Dilma conseguiu estabelecer a impressionante marca de R$ 4 milhões gastos usando cartões corporativos, pagos pelo contribuinte brasileiro. Isso significa que cartões corporativos do Planalto gastaram, em média, mais de R$ 32,5 mil por dia, incluindo os feriados e fins de semana. Em 123 dias, este ano, seu governo torrou R$ 13,7 milhões utilizando cartões. 

O descontrole de Dilma beneficiou servidores e até pessoas estranhas ao governo, que receberam R$104,7 milhões em “diárias”, só este ano.

O contribuinte não pode saber detalhes sobre 90% dos gastos usando cartões corporativos. Lula impôs “segredo” desde o primeiro escândalo.

O uso abusivo de cartões corporativos inclui cabeleireiro, hotéis de luxo, restaurantes, aluguel de carrões, passagens etc.

A Presidência detalha apenas gastos de quatro portadores de cartões, também pagos por nós: seguranças dos ex-presidentes FHC e Lula.

Entenda como o PT inventou declaração do Papa contra o 'golpe' no Brasil

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O site espanhol “Religión Digital”, que nada tem a ver com o Vaticano nem com o Celam (Conselho Episcopal Latino-Americano), publicou uma reportagem sobre a reunião que o Papa Francisco manteve com a direção do Celam no último dia 19, e o texto impreciso deixa margem a interpretações de que o líder da Igreja Católica teria afirmado que pode estar ocorrendo “um golpe de estado branco” em alguns países da América do Sul.

O texto não tem autor, é assinado pela “Redação” do site e traz uma longa lista das preocupações sociais do Papa:
La preocupación del Papa por América
El Santo Padre mostró su preocupación por los problemas sociales que se están viviendo en América en general. Le preocupan las elecciones en Estados Unidos por la falta de una atención más viva a la situación social de los más pobres y excluidos. Le preocupan los conflictos sociales, económicos y políticos de Venezuela, Brasil, Bolivia y Argentina… De pronto se puede estar pasando a un “golpe de estado blanco” en algunos países. Le preocupan las carencias del pueblo haitiano y la falta de diálogo de las autoridades de los países que comparten la isla, Haití y República Dominicana, a fin de encontrar una solución legal a los migrantes y desplazados. Le preocupa la manera de entender lo que es un estado laico y el papel de la libertad religiosa por parte de algunas autoridades mexicanas.
Nota-se que se trata de uma lista de “le preocupan”, mas em meio ao texto que registra as preocupações do Papa, surge apenas uma frase solta, que destacamos em negrito: De pronto se puede estar pasando a un “golpe de estado blanco” en algunos países. Fica claro que esta frase foi inserida como um comentário da Redação, entremeado à lista das preocupações do Papa.

O texto do site “Religión Digital” foi traduzido por Robson Sávio Reis Souza, professor da PUC-MG e colunista do site petista Brasil247, onde foi republicado com grande estardalhaço, sob o título “Papa alerta para “golpe suave” na América Latina”.

Nessa tradução do professor da PUC-MG, o texto original em espanhol é claramente adulterado, para atribuir ao Papa Francisco uma afirmação que ele não fez: “Atualmente, segundo o Papa, pode estar ocorrendo um “golpe de estado suave” em alguns países”.

Ou seja o tradutor (ou o editor do site 247) fraudou o texto para sugerir que o Papa teria denunciado o “golpe” no Brasil, o único país onde se fala nisso, pois na Venezuela o golpe está sendo aplicado pelo próprio presidente Maduro e não há nenhum golpe na Bolívia nem na Argentina.

Agora, vamos conferir como foi publicada a notícia sobre o Papa Francisco, na versão oficial do Conselho Episcopal Latino-Americano:

“Incansable en su misión pastoral, Francisco, el pontífice de las “periferias”, clama por la paz y el diálogo, por la justicia y la dignidad. Así lo ha hecho en sus viajes apostólicos a América, Asia, África y Europa. Así lo refirió en su discurso al recibir el premio Carlomagno 2016. Y así lo ha expresado, también, a la presidencia del Celam, en su reciente encuentro, al comunicar su preocupación por los pueblos latinoamericanos que atraviesan complejas coyunturas sociales, políticas y económicas.”

Não há, nem jamais houve, nenhuma referência do Papa a um “golpe de estado suave” no Brasil.

O Papa Francisco é o maior líder religioso do planeta, comporta-se sempre como um diplomata conciliador, não interfere nem opina sobre assuntos políticos dos países e jamais o faria em relação à maior nação católica do mundo. Na verdade, o Papa deve ser considerado o maior diplomata da atualidade, é o embaixador da paz e está empenhado hoje na conciliação de todas religiões, uma atuação ecumênica que merece apoio de todas as pessoas de boa vontade.

É absolutamente inacreditável a ousadia dos “comunicadores” do PT. No desespero pelo afastamento da presidente Dilma Rousseff e pela inevitabilidade do impeachment, os petistas não se envergonham de espalhar notícias falsas, atribuindo ao Papa Francisco uma declaração de que estaria ocorrendo um “golpe branco” no Brasil. Como todos sabem, assim como não se deve usar o santo nome de Deus em vão, não se pode também usar a palavra do Papa para defesa de causas meramente políticas, que ele tanto abomina. Mas por aqui não faltam pecadores.