quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Tá tudo de férias


O uso da máquina pública à exaustão para assegurar o continuísmo não só é criminoso em deixar o país à deriva. Faz ainda pior, concedendo “férias” para campanha. Mais três ministros tiveram as férias oficializadas por Dilma para se dedicarem à campanha eleitoral: Gilberto Carvalho, da Secretária-Geral da Presidência, Edison Lobão, de Minas e Energia, e Manoel Dias, do Trabalho. Dos 39 ministros, apenas 15 cumpriram agenda (concedendo pacotes de bondades eleitoreiras) em Brasília na última semana, o ministro de Relações Institucionais, Ricardo Berzoini, mesmo a trabalho, participou do ato de campanha “Caminhada com Dilma”.


A reeleição, essa cafajeste protetora dos canalhas, está produzindo enorme prejuízo moral e econômico. Desde 1º de agosto, Dilma compareceu ao seu local oficial de trabalho apenas cinco vezes e usa impunemente, com dinheiro público, o avião presidencial para se deslocar – embora o comitê de campanha pague o combustível da aeronave –, e, a cada lugar que visita, a estrutura de segurança da Presidência a acompanha. Tudo pago não pelo partido, coisa que só idiota pode acreditar, mas pelos impostos escorchantes aos mais pobres.

Na maior cara de pau, Dilma diz que graças à tecnologia consegue governar longe do palácio e que mantém contato frequente com seus ministros, inclusive os que estão de férias. É uma cafajestada que já mereceu a crítica do presidente do Tribunal Superior Eleitoral, José Dias Toffoli, que saiu das próprias hostes petistas: “O país não deveria ficar parado durante seis meses a cada quatro anos".

PT conseguiu ressuscitar a direita no Brasil



O petismo remanescente deixa um grande saldo de mistificação e rancor.  Tem sido recorrente nesta campanha eleitoral o apelo de partidários do PT à indulgência à corrupção no governo em nome de programas sociais e o repúdio às críticas à presidente Dilma em nome de seu passado na resistência à ditadura.

Talvez algumas pessoas se surpreendam ao saber que participei da luta contra a ditadura, fui preso e torturado no DOI-CODI. Procuro ser discreto em relação a isso, embora não me envergonhe nem me arrependa de minhas posições e ações políticas.

O fato de ter sido preso, torturado, vigiado e perseguido na ditadura não me torna melhor que ninguém nem me dá nenhuma autoridade.
Mas essa experiência me ensinou que não se deve tratar adversários políticos como inimigos nem usar técnicas goebbelslianas contra opositores, repetindo milhões de vezes mentiras com o propósito de transformá-las em verdades.

ASSALTO AO ESTADO

Pela mesma razão, considero vergonhoso o uso de slogans e discursos de justiça social para justificar o assalto ao estado e ao povo, das bilionárias transações na Petrobras aos desvios de dinheiro da merenda das crianças e do remédio dos hospitais.

Seja qual for o resultado desta eleição, a indigência argumentativa do petismo remanescente deixa um grande saldo de mistificação e rancor. É o resultado da divisão da sociedade em “nós e eles”, da desmoralização da política, da mercenarização da militância, da domesticação do movimento social, da transformação da corrupção em política de governo, da demonização dos adversários e desse projeto de “Reich de mil anos”, entre tantas outras perversões e contrafações.

Ainda vai ser feito um inventário do estrago que estes 12 anos de PT causou à democracia brasileira. Consertar isso vai ser uma tarefa para gerações. E ainda não conseguimos superar a herança da ditadura.

DEBANDADA

Muitos petistas se aborreceram com isso e deixaram o partido, a exemplo de Marina Silva, Fernando Gabeira, Hélio Bicudo, Cristovam Buarque e Vladimir Palmeira.

Os petistas remanescentes estão em companhia de Fernando Collor, José Sarney, Garotinho, Jader Barbalho, Paulo Maluf, Katia Abreu, Eike Batista e Fernando Cavendish.


Mesmo assim se consideram de esquerda e chamam os opositores de direitistas. Se refletissem um pouco, perceberiam que o PT perverteu a esquerda e ressuscitou a direita no Brasil.

'Espero que o PT seja tirado do governo'

Eleito pela Academia Brasileira de Letras e o maior candidato do país ao Nobel de Literatura, Ferreira Gullar já não se espanta com nada, mas quer mudança

 Eu espero que o Aécio ganhe. Que o PT seja tirado do Governo, porque é um desastre. É oportunismo, é a falsa esquerda, compreende? Com as devidas diferenças, é o Hugo Chávez, o bolivarianismo. O falso comunismo não é comunista, ajuda os capitalistas, negocia e finge que é de esquerda. Então começa a dar Bolsa Família pra nunca mais sair do poder. E leva a economia como a Dilma está levando. Em vez de investir no estudo, na formação profissional, na tecnologia, nas coisas que vão gerar riqueza e, consequentemente, emprego e trabalho, você investe em Bolsa Família, em casa para as pessoas... Ela diz: “Construímos 20.000 casas”. Só na favela da Rocinha, tem 90.000 pessoas morando em barracos. Isso não é solução, é demagogia. O que você tem que fazer é criar condições para essas pessoas comprarem suas casas, viverem com seu dinheiro, seu trabalho.
Leia a entrevista

O PT se perdeu



“No dia 26 vamos dar uma derrota em regra nos tucanos. Não vamos deixar nenhuma pena de tucano presa por aí. Vamos deixar elas espalhadas"
Dilma Rousseff

"De vez em quando, parece que estão agredindo a gente como os nazistas agrediam no tempo da Segunda Guerra Mundial"
Lula


Certo de que dar cacete é o melhor método para se conquistar votos, o PT errou a mão. Foi com tanta sede ao pote que se perdeu. Se enredou nas próprias pernas. Saiu disposto a só mostrar as mazelas dos outros. Esqueceu que está até o pescoço afundado em bosta.

A arregimentação de todos seus peões ministros aumentou a confusão. Com todos de “férias” para integrar o bonde da campanha – e o país desgovernado até com ministro demitido no cargo, o bate cabeça é geral. Cada uma “defesa” é um fogo amigo.

Um dos tiros da vez foi do eternizado Marco Aurélio Garcia, assessor presidencial há 12 anos. Em palestra, garantiu que Aécio Neves é igual a Hugo Chávez. Não caia na gargalhada, que o ministro falou sério e com convicção. Guarde o acesso de risada para o que nobre assessor desferiu depois: Ambos seriam controladores da mídia.

Garcia usou Chávez, o sempre amigo de Lula e Dilma, como um bicho papão? Com a campanha quente, apela-se para todos os santos. Ainda mais esse que virou passarinho, mas na Terra acertou com Lula a tramoia da refinaria Abreu e Lima, deixando a batata quente com a Petrobras. Belo exemplo de comparação. No mínimo, ridícula, coisa de gagá.

Deveria Garcia, com o fervor de puxa-saco, usar como exemplo algumas prefeituras petistas, exploradas pela pelegada, onde a mídia é controlada, comprada pelo governo do povo.

Mais estranho ainda na declaração é que quem vem falar de controle da mídia por Aécio e o PSDB é justamente o grande defensor lulista do marco regulatório da mídia, controle exercido pelos muy amigos governos Chavez-Maduro e Kirchner, que por sinal já revelaram seu medo de uma derrota de Dilma. Por que será?

Marco Aurélio entende muito do assunto defendido também por Franklin Martins e Ruy Falcão com unhas e dentes. Seria (ou será) o silenciamento da imprensa tão ao gosto do PT, que gestões municipais do partido já puseram em prática há seis anos, mesmo sem o projeto estar concluído no Congresso.

Municípios aplicam a lei do silêncio com retirada do ar de blogues “adversários”, financiamento de jornais digitais oficiosos, processos de calúnia contra jornalistas por expressarem opinião, criação de agremiações jornalísticas “oficiosas”, e até apelam para a pancadaria, como aconteceu recentemente quando um prefeito comandou pancadaria em jornalista que fazia a cobertura de evento petista.

O PT, por mais que critique os outros, aponte erros, não pode ficar incensado num altar, como uma vestal. É santo do pau oco. Se faz de bonzinho para poder aprontar. Político brasileiro tem que aprender que a única saída para o desenvolvimento será mais comprometimento com o país do que com os interesses partidários.

Há que se ficar atento, pois as pegadinhas que os governistas estão aprontando para cima da população não são mais do que balões de ensaio para que, se colarem, sejam eternizadas e eles entronizados de vez.   


terça-feira, 21 de outubro de 2014

É preciso cuidado


O Brasil de Dilma e o Brasil de Aécio


O país que está sendo desenhado para o futuro talvez não coincida com o resultado das eleições
A impressão é que estavam se dirigindo a dois países diferentes. E é verdade que nestas eleições, mais que em todas as anteriores desde a democratização, os brasileiros se apresentam divididos em duas metades praticamente iguais entre os que se dispõem a votar no Brasil de Dilma e os que preferem o Brasil de Aécio.

Como são esses dois Brasis apresentados pelos candidatos com vocação para governar o país? Ou se trata de uma divisão artificial criada pelos assessores de imagem dos candidatos já que, na realidade, existe um único Brasil? Quem e como foi dividido o país entre os que temem perder o que têm e os que desejam conseguir mais do que já foi conquistado, que é o que exigia o clamor da rua em 2013?

A candidata Rousseff em suas palavras finais no debate deixou claro que existe um projeto em curso que fez o país avançar com novas conquistas, como maior inclusão social, que não existia antes, e outro que seria o espelho de um passado que criou desemprego e salários baixos.

O candidato Neves, ao contrário, fez alusão a outros dois projetos diferentes: o que continua comparando o Brasil de hoje com o Brasil do passado, que seria o do PT, e o que desejaria mudar o país em tudo aquilo que hoje significa retrocesso para oferecer novas possibilidades, que seria o seu, o da mudança. Seria um choque entre o passado e o futuro. As duas posições têm força eleitoral quase igual.

É, no entanto, interessante analisar melhor quais brasileiros, por idade, estudos e posição social apoiam cada um desses projetos.

Pelo que revelaram até agora as pesquisas do Datafolha, fica bastante claro que o Brasil que poderíamos chamar de “do medo”, o que teme perder o já conquistado, se concentra principalmente entre os eleitores de idade mais avançada, de menor escolaridade e de menor posição econômica, localizado nas regiões menos ricas do país e nas menores cidades do interior.

Ao contrário, o chamado Brasil “da mudança”, se divide entre os mais jovens, os mais escolarizados e os de maior renda, que vivem nos Estados mais prósperos e nas grandes cidades.

Isso significa alguma coisa? Talvez signifique. Poderia indicar, segundo os sociólogos, que a tendência do Brasil para o futuro, independente de quem ganhar a eleição, será a de colocar mais foco no presente e no futuro do que no passado. São os jovens, que não conheceram o passado, que continuarão apoiando mais a política de mudança que a do medo, já que está mais próxima a seus pais. São os que mais estudaram e estão mais bem preparados para fazer uma análise completa da situação do Brasil que apresentarão, daqui para a frente, menos medo de mudar.
Leia mais o artigo de Juan Arias

Enigma que nos devora


A corrupção e a estagnação são filhas do dirigismo econômico e da concentração de poder político.
Os negócios de grandes grupos de interesse econômico com partidos políticos desidratados a serviço de um desenvolvimentismo estatizante são o nosso passado recente sob o regime militar. Ali foi moldado este aparelho de Estado dirigido por uma tecnoburocracia administrativa centralizada, este Leviatã alimentado por uma aliança entre autoritarismo político e oportunismo econômico.

A associação histórica entre enormes estruturas burocráticas de administração centralizada e a degeneração de regimes políticos é bem documentada. Tocqueville registrou a tradição dirigista francesa de centralização burocrática como um eixo de autoritarismo atravessando os tempos dos monarquistas, dos revolucionários e dos bonapartistas.

O despotismo absolutista, o Terror e as guerras napoleônicas resultaram dessa engrenagem dirigista. O mesmo dirigismo burocrático prussiano arquitetado por Bismarck, da máquina militarista imperial aos correios, às ferrovias e à previdência social, foi muito além do Antigo Regime.

Prosperou em meio à avalanche social-democrata da República de Weimar e atingiu seu clímax com o capitalismo de Estado sob o regime do Partido Nacional-Socialista na Alemanha de Hitler.

Das vítimas do stalinismo aos dissidentes na China contemporânea e aos não bolivarianos hoje perseguidos, a questão política não pode ser apenas como chegar ao poder, mas essencialmente em que grau se exerce tal poder. Como nunca se sabe quem será o próximo a controlar a máquina de moer adversários, é fundamental limitar seu grau de arbítrio.

O caminho para asfixiar a corrupção e recuperar a dinâmica de crescimento é acelerar as reformas de modernização. “A economia perdeu sua vitalidade. Acumulam-se os problemas. Instalaram-se a deterioração e a estagnação”, diagnosticava Mikhail Gorbachev em “Perestroika” (1987).

Haja voto do dinheiro


Ou você tem o voto ideológico ou você tem o voto do dinheiro. Se você gastar R$ 5 milhões, é difícil perder eleição
Deputado federal Stepan Nercessian (PPS) derrotado no Rio


Se com tantos milhões é difícil perder, então com R$ 10 milhões, por cabeça, dá para garantir duas cadeiras, na Alerj e na Câmara, em Brasília. Certo, Quaquá?

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Monólogo petista


Pegando fogo - literalmente


Flechas incendiárias são desferidas pelos candidatos sem qualquer escrúpulo e respeito à verdade. Campanha fica mais ‘venenosa’ com empate na reta final
Arde o circo eleitoral montado pelos televisores, flechas incendiárias são desferidas pelos candidatos sem qualquer escrúpulo e respeito à verdade, a civilidade foi para o brejo e o brejo secou.

A pior estiagem de todos os tempos provoca perigosas queimadas na Mata Atlântica (teoricamente húmida), no cerrado, nos canaviais recém-colhidos e pastagens ressecadas por um inverno rigoroso.

São Paulo, a maior metrópole da América Latina, está calcinada, acalorada, suada, reservatórios no limite, indignação, idem, o calor prestes a completar um ano e a lata d’agua na cabeça convertida em ícone do retrocesso.

Desidratados, sufocados pela poluição, abatidos pelas previsões meteorológicas e conjunturais, olhamos súplices para Brasília e Brasília está “fora de área”, encoberta pela poeira e cinzas. Tuitamos para a presidência da República, ninguém atende, estão todos na rua batalhando por votos. Nem o vice candidato a vice - sempre pronto para participar de eventos chatos - está disponível.

Algumas regiões estão em estado de calamidade, mas não há ninguém para garantir que as providências estão sendo tomadas, mesmo que se contentem em colocar São Pedro no banco dos réus. O governo parece prestes a desmaiar, aparentemente solidário com a crise hipoglicêmica que acometeu a presidente da República ao fim do debate no SBT. Pior: todos aqueles capazes de dar murros na mesa em defesa da população foram convocados para esmurrar a oposição.

Esta é a grande calamidade para a qual candidatos, seus parceiros e mentores não estão dedicando a necessária atenção: uma democracia prestes a completar trinta anos – idade que Balzac considerava ideal para a mulher – mostra-se incapaz de manter um mínimo de estabilidade e governabilidade enquanto se envolve com gosto e prazer numa campanha belicosa, vitriólica, em níveis jamais vistos.

Leia mais o artigo de Alberto Dines

Máximo da cretinice


“E o que a gente está vendo? É o mesmo comportamento. A imprensa brasileira, possivelmente na mão da elite, não admite nenhum governante que olhe para os mais pobres”
Lula, aos gritos, em discurso em Belo Horizonte, comparando Aécio Neves a Collor, logicamente sem mencionar que esse é fiel “cumpanheiro” da trupe de Dilma. E ainda tem desfaçatez de usar Covas, Brizola e Ulysses, como gente de bem, de quem em outras vezes já falou bem mal.

Uma tremenda molecagem


Uma das chaves do sucesso de Lula é a coragem de dizer o que lhe apetece – às favas a verdade.

Qual Lula é o verdadeiro?

O bem educado que aparece no programa de propaganda eleitoral de Dilma na televisão, defende os 12 anos de governos do PT e, ao cabo, sorridente, pede votos para reeleger sua sucessora?

Ou o moleque de rua que pontifica em comícios país a fora, sugerindo, sem ter coragem de afirmar diretamente, que Aécio é capaz, sim, de dirigir embriagado, agredir mulheres e se drogar?

O segundo é o mais próximo do verdadeiro Lula. Digo por que o conheço desde quando era líder sindical. Lula é uma metamorfose ambulante. Não foi ninguém quem o disse, foi ele quem se rotulou assim.

A esquerda tudo perdoaria a Lula desde que chegasse ao poder. Chegou, cavalgando-o. Uma vez lá, se corrompeu. Quanto a ele... Não sabia de nada. Nunca soube.

Justiça seja feita a Lula: por desconhecimento de causa e preguiça, ele jamais compartilhou as ideias da esquerda. Assim como ela se aproveitou dele, Lula se aproveitou dela. Um casamento não por amor, mas por interesse.

Na primeira reunião ministerial do seu governo em 2003, Lula se irritou com um ministro e desabafou: “Toda vez que me guiei pela esquerda me dei mal”.

Retifico: ele não disse que se deu mal. Usou um palavrão. Nada demais para o sujeito desbocado que nunca pesou o que diz. Grossura nada tem a ver com infância pobre.

Lula é um sucesso do jeito que é. Mudar, por quê? Todos admiram sua astúcia. Muitos se curvam à sua sabedoria. E outros tantos temem ser apontados como desafetos do retirante nordestino que se deu bem.
Leia mais artigo de Ricardo Noblat

domingo, 19 de outubro de 2014

Dilma admite desvio de dinheiro


O porteiro, a empregada, o cabelereiro


Cada um vota de um jeito. Todos querem qualidade de vida e o fim da “roubalheira”
Eles não acham que “é dando que se recebe”. O povo trabalhador, que sobrevive de salário com carteira assinada ou na informalidade, parece ser bem mais crítico do Bolsa Família que eu. É curioso. Pobre que trabalha desconfia de pobre que vive de benefício do Estado.

Entre os que se esfolam para fazer o dinheiro chegar ao fim do mês e dar instrução aos filhos, há a crença de que só o trabalho, duro e honesto, enobrece. Um dos momentos de lazer sagrados, além da ida ao culto ou à missa, é o churrasco com a família. Só que o secretário de Política Econômica de Dilma sugeriu comer frango e ovo, em vez da carne, que subiu mais de 3%. É preciso dizer ao PT que mexer no churrasco de domingo tira votos.

Os pobres também detestam a corja de políticos que roubam. A promiscuidade entre partidos e empreiteiras, o lamaçal que transborda da estatal Petrobras equivalem a assaltar, na surdina, quem se esforça, se espreme em ônibus ou morre na fila da cirurgia. Roubar de quem tem pouco é pecado. Se esse pessoal que desvia bilhões não pagar em vida, não escapará da justiça divina.

Por que falar dos pobres? A maioria da população não é beneficiária do Bolsa Família. A maioria batalha e tem medo da carestia atual, nos alimentos e nas contas, mesmo sem entender o que significam “espiral inflacionária”,  “centro da meta”,  “câmbio flutuante” ou “superavit primário”.

DNA dos petistas e aliados


Professora no Distrito Federal e candidata derrotada a deputada distrital pelo Partido Comunista Brasileiro, Sandra Teixeira Leite armou o maior barraco em Brasília. Defensora ferrenha de Dilma, mostrou a que ponto e com que falta de educação a turma coligada do PT pretende manter o poder.

A ameaça dos salafrários

Com o costumeiro fedor a coturno, a militância petista insiste em ameaçar o país com o “Retrocesso”, uma figura que fazem pairar sobre a cabeça do brasileiro, como uma Parca a cortar benefícios, a reduzir salários, a jogar enfim o país novamente em ditadura. Ou vota em “nóis”, ou se segura com o demônio do passado, que vamos botar pra quebrar.

Isso é chantagem deslavada de governo populista, que não preza a democracia conquistada. Prefere amedrontar, em particular os mesmos mais pobres, a quem dá suas dádivas, para se garantir como o anjo da bondade.

Como o diabo não olha para o próprio rabo, ficam sem ver o quanto são retrocesso na política. Alguém quer mais retrocesso do que um partido que se aliou de primeira com Zé Sarney, o Imperador do Maranhão, feudo fundado na ditadura? E aí não param as mostras de retrocesso do PT, em conluio com Collor, Renan e companhia, sem falar no aed eternum PMDB. Todo um passado que se perpetua graças ao tão revolucionário PT, que veio para mudar e não só roubou, arrombou.

As ameaças e o uso indiscriminado de acusações – bate primeiro e depois se finge de vítima – são constantes. Esquecem do próprio passado nefasto no governo, onde atropelaram as iniciativas que não interessavam a eles, mas seriam boas para o país. Apostaram sempre no projeto que faz vista, doa a quem doer, provoque o prejuízo que for. Vale a imagem como a do porto do Açu, da Abreu e Lima – em parceria com Hugo Chávez, o Comperj.

Alguém ainda se lembrará do Programa Amazônia Sustentável, de Marina Silva, jogado no lixo, com o soco da chefe do Gabinete Civil, Dilma Rousseff, em troca das grandes construções de empreiteiras, hoje acusadas de suborno?

Nunca procuraram unir, mas seguem a máxima de se governar (ou dominar) melhor um país dividido. Para isso só fazem levar com a barriga as reformas, principalmente política e econômica. Uma porque não interessa em nada mudar o que está aí, e lhe serve bem; a outra poder pode levar a descaminhos que lhe tirem as boquinhas das propinas.

São os donos da verdade, mesmo que essa leve tudo de roldão para a latrina. Porque, se acontecer, no bolso do colete, já estão com o cartão vermelho para culpar o retrocesso dos “outros”. Pintam que, se perderem a mamata, vão continuar a fazer o diabo, a encher a paciência de todo mundo com seus motes, insuflar os pobres, mostrar as micagens de sempre. Enfim, fazer o que sempre fizeram só que no caso sem poderem mais fazer o mal como fizeram quando dominavam tudo através do Comando Vermelho da Capital.

sábado, 18 de outubro de 2014

A saída social

"Acredito que o melhor programa social é um emprego" 
Ex-presidente norte-americano Ronald Reagan (1911-2004)

Ovos, galinhas e ladrões


Quem chegou antes: empresários achacados por agentes públicos sob ameaças de grandes prejuízos ou os que subornaram para assaltar o Estado?

Com a explosão do escândalo da Petrobras e os depoimentos dos delatores premiados, tudo indica que, como nunca na História deste país, não veremos só políticos e banqueiros, mas os mais poderosos empreiteiros do Brasil, no banco dos réus, e talvez na cadeia. E o desmoronamento de uma organização criminosa formada por um cartel de empreiteiras numa ponta e partidos políticos na outra, com montanhas de dinheiro público no meio. Uma tsunami que provocará uma inevitável reforma política e eleitoral.

A extorsão e o suborno são o ovo e a galinha da corrupção brasileira. Quem chegou primeiro: os empresários achacados por agentes públicos sob ameaças de grandes prejuízos ou os que subornaram políticos e funcionários para assaltar o Estado? Além de eventuais prisões ou multas, se essas dez empreiteiras do cartel forem excluídas de concorrências públicas, que é o minimo que se pode esperar, o país vai parar. A coisa está feia para eles, mas principalmente para nós, que vamos pagar a conta que já estávamos pagando sem saber. O governo não sabia de nada.

O circo da empulhação

Não faltaram bancadas camelô para atrair os vauches de R$ 5 e R$ 10 da garotada
Quando se tem acesso à informação, é quando se vê como é cretina a administração petista em Maricá, onde chovem mentiras, como já se tornou tradição nos baronatos do PT. Bastou terminar a elogiadíssima festa literária municipal para as trombetas soarem como se o governo municipal tivesse parido uma Flip, quando gerou apenas uma traquinagem com dinheiro público.

O evento não passou de mais um espetáculo contratado com uma instituição para promover venda de saldão mais caro do que no Rio, sob o acerto com o dirigente da promotora, correligionário fiel da candidata petista.

O escândalo agora chega à mídia conivente como sucesso por movimentar 50 mil pessoas, numa população que não chega a 150 mil habitantes, durante 15 dias. É só fazer as contas e entender um pouco de matemática que se vê a impossibilidade de tal movimentação de olhômetro. 

Vai aí a diferença do que aconteceu quase na mesma época em Araxá, com pouco mais de 100 mil habitantes, no Triângulo Mineiro. Depois de quatro dias de debates, palestras, oficinas, intervenções artísticas e espetáculos teatrais, o III Festival Literário se encerrou atraindo 12 mil visitantes. O evento ainda promoveu um concurso de redação, que teve mais de três mil alunos inscritos e ainda incluiu a exposição do fotógrafo Daniel Mordzinski, Quartos de escrita – Retratos de Escritores em Hotéis, enfocando 70 grandes autores da literatura mundial clicados em hotéis, pelo mundo afora, que fica até o final do mês.

E não basta de mentira em Maricá, que consegue ainda índices mais fantásticos com as realizações petistas. Segundo a Prefeitura, a população com um PIB que beira R$ 1 mil foi capaz de sair comprando mais de 40 mil títulos. Mais e melhor fizeram em Araxá, onde o PIUB chega a quase R$ 3 mil. Lá foram vendidos os mesmos 40 mil títulos em quatro dias com menor e mais verídico público.

Quaquá e sua gangue novamente atacaram com mentiras a inteligência em Maricá, onde só financiam rabo de égua e caranguejo. Um só cresce para baixo e outro, só anda pra trás. Depois os petistas dizem que isso é a grande revolução no município. Bem, que pode ser, para os idiotas que mamam no Erário.

O pior que poderia acontecer


Após acusações, o perigo é que se monte um cenário que prejudique a governabilidade
E esse é o perigo de chegar às eleições com essa carga de agressividade e insultos mútuos, quer dizer, que o perdedor, seja quem for, monte outro cenário de guerra para impedir a governabilidade em vez de exercer uma oposição democrática e leal. Algo que desta vez seria ainda mais grave, já que aquele que assumir a responsabilidade de governar o país se verá obrigado a talvez tomar decisões impopulares para colocar o barco no rumo certo: não é nenhum segredo que o Brasil passa por uma grave crise econômica e de credibilidade por parte dos mercados.

O melhor para todos seria se o resultado final das eleições pusesse um ponto final na agressividade entre os candidatos, para que o novo responsável em comandar o destino de um país com a importância mundial do Brasil possa governar em paz, com a ajuda de todos, inclusive da oposição, sempre que esta também seja democrática, responsável e com o único objetivo de melhorar a nação.

O contrário seria um presente envenenado que os brasileiros não merecem. Alguns movimentos já teriam anunciado que, se Aécio ganhar, organizarão uma manifestação nas ruas todos os dias.

Difícil acreditar que seja verdade. Se for, seria injusto com um país que está lutando, com trabalho e esforço, para ser moderno, que está recuperando sua autoestima e que a única coisa que deseja é poder viver em paz e preparar para seus filhos um futuro de prosperidade que eles nunca puderam desfrutar.