quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Crime, agora, é inocência


Os Correios, em Minas, entregaram propaganda de Dilma de forma irregular. Os Correios no Mato Grosso e Santa Catarina divulgaram cartas dos seus diretores pedindo aos funcionários votos para a turma petista, de deputado estadual a presidente. E o Ministério Público pede explicações sobre os crimes em 30 dias.


Logicamente o PT não tem nada com isso, é claro. Em qualquer crime, é sempre inocente, os culpados são sempre as vítimas. Ainda por cima conta com um longo prazo de investigação. Resta perguntar se, em 30 dias, caso Dilma seja eleita, haverá alguma punição ao governo que abusou da máquina pública. E a resposta já se sabe antecipadamente, será inocentado, lógico. A inocência do criminoso partido é inquestionável.  

Um soco na onipotência



O lulopetismo está convencido (como ocorre com todo radical) que o Brasil e o mundo começam com eles

Todo mundo deve saber que a onipotência é o poder infinito e esmagador de um deus ou de uma figura dotada de capacidades titânicas para o bem ou para o mal.

No Brasil, os onipotentes que chegam ao poder são idolatrados porque nossa cultura tem como base e modelo a gradação e a hierarquia e ambas têm uma extraordinária afinidade com o puxa-saquismo, com a bajulação, com a hipocrisia e com o bater em cavalo morto. É fácil torcer para o Brasil quando ele é pentacampeão e é mais fácil ainda negá-lo mil vezes, como fez São Pedro com Cristo, quando o Brasil perde de 7 a 1 para a Alemanha. Essa Alemanha que voltou a ocupar o lugar de superior em tudo — disciplina, coerência, treinamento e — quem sabe — a velha pureza racial que nós ainda lamentamos em certas situações.

Com essas eleições, iremos controlar os personalismos lulistas de índole malandra e neofascista. Todos os resultados pedem mais honestidade e seriedade com o governo da coisa pública. Tenho a esperança de liquidar com esses donos espúrios de um Brasil que é de todos nós. Esse é o pleito que nocauteou a onipotência e, com ela, a demagogia, a roubalheira, o aparelhamento do estado pelo governo, a corrupção deslavada, os dois pesos duas medidas no plano jurídico e econômico e, por último, mas não por fim, a autoridade absoluta de um partido cujo objetivo era muito mais o de trabalhar para um projeto de poder do que para o poder do Brasil.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

A era de um mentiroso


Cultura só para eleger 'cumpanheirada'


Quando Quaquá gasta milhões em promoção alcunhada de “incentivo à cultura”, a biblioteca municipal se encontra com acervo desatualizado e enfurnada sob paredes mofadas, descascadas e sujeita a goteiras, quando cai um temporal.

Em plena campanha eleitoral para fortalecer no município a candidatura da sua companheira à Alerj, Quaquá, presidente regional do PT e prefeito de Maricá, usou de todas as artimanhas às custas do Erário.

Repetiu inclusive antecipadamente a festa literária que custa os olhos da cara sob a legenda de que a companheira lutará na Câmara pela educação e cultura. O objetivo era angariar votos com um custo superior a R$ 2 milhões – R$ 1,2 milhão só para a promotora do evento sem contar os gastos com vauches a estudantes, professores e comissionados, os mais altos do país, cinco tendas enormes etc.

Para esquentar a panela de votos, antecipou o período de evento, que seria na segunda quinzena de outubro. Isso provocou inclusive que a feira contasse com menos expositores, que estavam ainda na feira do Largo da Carioca. Como resultado, a oferta de diferentes opções foi reduzida e acabou por provocar o curioso e inédito de o presidente da promotora contar com 10 estandes. Mais ainda, os preços oferecidos no município foram maiores do que no Rio sem que houvesse qualquer oferta de saldão, mas um número sem conta de livrinhos infantis que nada estimulam a leitura, a partir de R$ 5 e R$ 10, fazendo ir para o ralo os vauches dos estudantes.

Sempre pronto a contar lorotas, anunciou o grande mentiroso que aqui estariam as grandes editoras do país. Outra balela. Nenhuma aceitou ou aceitaria vir para essa “festa”. O que veio mesmo foram pequenas distribuidoras e livreiros de sebos, que hoje formam os associados da promotora.

Para se ter uma ideia do que é a mentira caiçara do PT, não se deve esquecer que Maricá já sediou três bienais – a última em 2014. Não gastaram sequer um décimo da fortuna atual de Quaquá, ainda mais porque ainda não jorravam então os poços de royalties. No entanto, as tendas foram abrigadas na quadra coberta do clube local e tiveram a presença de todos os livreiros da região. O prefeito preferiu esquecer, mais uma vez, o comércio local e gastar com os empresários de fora, pagando fortunas. Mas valia tudo para eleger a primeira dona do município, já que o dinheiro é do povo.

Das frases cretinas


Ao completar 200 anos, Maricá fez festa literária ajudando a erradicar o mal que existia há dois séculos. Hoje lutamos contra a dominação de outros monstros com a dependência da tv, dos computadores e dos games.

(De vice-prefeito, alcunhado Grilo Falante, o mais “fantasma” dos políticos locais, promotor da famosa farta distribuição de notebooks para um município onde não há internet gratuita)  

Fora do PT ...


Fora do PT não há salvação. É o que o PT imagina!
Se o PT estivesse certo, ficaria dispensada a realização de eleições com regularidade.

Curioso o PT. Curioso, não: esquisito. Arrogante. Dono da verdade.
No primeiro turno, patrulhou os adversários por não admitir que eles pudessem discordar de suas posições.

Bolsa Família?
Ai daquele que não se comprometesse com a continuação do programa.

Minha Casa, Minha Vida?
Como se julgar capaz de encontrar melhor solução para a falta de moradias?

Mais Médicos?
Está para ser inventado algo superior ao que o governo do PT inventou.

O país cresce pouco?
Culpa da crise da economia internacional.

A inflação aumentou?
Culpa da crise da economia internacional.

O Brasil é campeão dos juros altos?
Idem.

Em resumo: fora do ideário do PT não existe solução. Jamais existirá.


Se o PT estivesse certo, ficaria dispensada a realização de eleições com regularidade. Eleições para quê? Para o país correr o risco de ir para o brejo?

terça-feira, 7 de outubro de 2014

A maldição do segundo mandato


Se afinal Dilma Rousseff se mantiver mais quatro anos no poder, deverá responder a uma pergunta: Para quê?
 Franklin D. Roosevelt, o homem que impôs, graças a seus êxitos e às circunstâncias, a recuperação do espírito da Constituição dos Estados Unidos, limitando a dois os mandatos presidenciais, pôde e teve tempo, além de ajuda e uma guerra mundial, de cumprir seus programas. Desde então, os segundos mandatos são, quase sempre, uma esperança frustrada e frustrante.

Se afinal Dilma Rousseff se mantiver mais quatro anos no poder, deverá responder uma pergunta: Para quê? Depois de sua segunda vitória, Barack Obama consolidaria sua célebre reforma do sistema de saúde e empreender a reforma da imigração. A primeira fracassou por incompetência. A segunda não foi adiante porque o grande orador nunca soube que, em política, o importante é a capacidade de fazer acordos, embora seja com o Tea Party.

O previsível segundo mandato de Dilma não é o do êxito da igualdade de oportunidades do operário metalúrgico convertido em homem de Estado, mas o da governante que deverá – sem sequer propor um pacto com as novas realidades –, administrar as hipotecas de uma forma de fazer política baseada na corrupção e o clientelismo.

A vida imita a charge


Resta a Dilma ser humilde

Ricardo Noblat comenta o possível comportamento de Dilma no segundo turno

Prefeito ganhou, o povo perdeu


Nós não falamos para dizer alguma coisa, mas para obter um certo efeito
Joseph Goebbels

Eleito para revolucionar o município nada fazia em nome de estar arrumando a casa. Anunciava, no entanto, uma chuva torrencial de verbas parlamentares para alavancar inúmeros projetos. Não choveu na horta como esperava, os projetos mofaram nas gavetas. Colocava aloprados por todo canto e aí esperando engordar o caixa, tentando colocar a mulher na Alerj. Não deu.

Para a reeleição prometeu, com a casa arrumada, mundo e fundos. Ficou no fundo. Traria desenvolvimento e mais melhorias (sic) que nunca surgiam. Com os royalties jorrando grosso, perambulou pelo mundo: Itália, Cauba, França, Espanha, Bahia, Maranhão, chegou até a China! E com ele um bonde a tiracolo.

Passou “asfalso” em entrada de ruas, cantou loas a empreendimentos que não saíram do papel, fez o Erário abrir as bicas para promoção de um governo de descalabro. Criou até empresa de ônibus com veículos há mais de seis meses estacionados em pátio de aeroporto interditado.

A demagogia não parou. Muito menos o tanque de promessas que sempre tem de estar cheio para levar no gogó os incautos e os comissionados. Fez o diabo a gosto dos petistas e de sua cambada de bem pagos. Levou todos na mentira como é do seu gosto.    

Em campanha pela mulher e pelo presidente da Câmara aos legislativos estadual e federal, manteve a lenga-lenga. “Já foi feito muito e precisamos fazer mais. A mudança não pode parar”. Às custas do dinheiro público de Maricá, sustentou campanhas dos dois pela Baixada e Rio de Janeiro. Prometeu que agora chegarão os tão esperados recursos que prometia há seis anos só por colocar enfim gente dele nas Câmaras.

A mudança realmente não parou, vai continuar com a mesma demagogia de coronel dono de um curral de eleitores, ainda fiéis acreditando que enfim virão recursos das Câmaras. Mas o quanto virão se ainda resta pagar aos eleitores da Baixada? Ou esses não serão gratificados?


Maricá pagou com o dinheiro dos royalties, que seria para saúde, saneamento e educação, a campanha milionária. No jargão da bandidagem, o prefeito agora pode dizer: “Perdeu”. E o povo vai sustentar mais um bonde e pagar caro a campanha de 2016, porque está sustentando um monopólio político dos mais corruptos do país.   

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

O pecado

O pecado é um homem pisar brutalmente na vida de outro homem e não levar absolutamente em conta as feridas que deixou atrás de si
Shusaku Endo 

O novo governo terá de usar o gogó


O modelo simplista de expansão da demanda de consumo que vem sendo adotado desde 2003 está esgotado. A estagnação da produção industrial e da taxa de investimento, e, por último, a queda da taxa de crescimento potencial do PIB brasileiro de cerca de 4,5% ao ano, para algo entre 0 e 1% ao ano, são os principais sinais de que o modelo precisa mudar radicalmente. Agora, é preciso o País se voltar completamente para o crescimento do investimento,  especialmente em infraestrutura e especialmente privado (pois o setor público, além de ineficiente, está virtualmente quebrado), o que levaria ainda ao aumento da produtividade geral da economia, seja qual for o próximo governo.
Não adianta o governo dizer que a taxa de desemprego é baixa. Nas difíceis condições atuais, para o desemprego começar a aumentar seguidamente, é só um passo.

Outro problema ignorado pelo governo é a iminente crise fiscal em que suas políticas nos colocaram, depois de termos conquistado vários degraus de credibilidade nessa área, sem falar na inflação descontrolada. Como no Brasil o gasto público é muito rígido e sua expansão é parte fundamental do modelo econômico atual, tudo depende do que acontece com a receita.

Que campanha feia


A campanha eleitoral do primeiro turno chega ao final deixando a sensação de que a máxima de Shakespeare, por meio da fala de Marco Antônio no túmulo de Júlio Cesar, vítima de traição dos senadores romanos, fustigará por bom tempo a consciência dos nossos atores políticos: “A maldade que os homens são capazes de fazer sobrevivem a eles, e as coisas boas são muitas vezes enterradas com seus ossos”. Os resíduos de sangue que respingam da contenda entre candidatos deixarão marcas indeléveis nos muros da política, devendo ganhar dimensão histórica. Estarão coladas à história dos personagens. Já vimos situações mais degradantes, como o bombástico depoimento de Miriam Cordeiro, em 1989, que dizia ter se separado de Lula, em 1974, após este tomar conhecimento de sua gravidez e ter sugerido um aborto. Fernando Collor acabou ganhando a campanha. Mas a disputa em curso não deixa a desejar em matéria de vulgaridade, mesmo sabendo que o “negócio” em que se transformou a política é um dos mais afeitos aos jogos desleais.

Não se pode dizer que a campanha se dedicou exclusivamente ao exercício de tiro ao alvo. Não. Viram-se ideias, programas, propostas e feitos de candidatos, tanto na esfera federal quanto no âmbito de Estados. E, também, perorações genéricas, cheias de boa intenção. Mas pouco ficou da substância dos programas eleitorais, particularmente em áreas de alta prioridade como saúde, segurança pública, educação e reformas fundamentais (política, fiscal-tributária, previdenciária, trabalhista etc). Menção rápida sobre esses assuntos não foi suficiente para a devida compreensão pela maioria do eleitorado, agravada pela modelagem de autoglorificação das mensagens televisivas. Pergunte-se ao cidadão comum se consegue distinguir diferenças de pontos de vista entre as três principais candidaturas sobre questões sociais, por exemplo. O que teria sobrado, então, da verborragia eleitoreira? Infelizmente, os aspectos negativos prevaleceram sobre os pontos positivos.

Leia mais o artigo de Gaudêncio Torquato

'A pobreza me incomoda'


É lógico que não estou me referindo à pobreza dos desvalidos, dos desafortunados e dos desassistidos. Falo dessa pobreza elevada ao estado de arte, cacarejada em prosa e verso por um bando de encostados na grande teta pública e defendida por uma ideologia rombuda e decapitada, que insiste em eternizar suas causas e efeitos na sociedade escorchada de sempre. Para aqueles que pensam, a charada do discurso de campanha proferido no plenário errado em si só já é espantosa. Dona Dilma não vê limites no uso do público, da privada e de outras louças diversas para fazer seus proselitismos e adular sua corja de militantes antiimperialistas pagos em mortadela. E já passou em muito dos limites de ser enquadrada pela lei, não é mesmo?

Aqui ninguém chia. A confraria de pilantras finge que não vê o que está acontecendo. Os confrades de sempre não conseguem olhar além da cartilha picareta do socialismo rastaquera para ver que a decência conspurcada por aqui gera nossos próprios decapitadores. O Estado Islâmico não é muito longe daqui, meus caros. Já há uma primeira filial dele no Complexo de Pedrinhas, com extensões diversas pelo Jardim Ângela e adjacências. É o resultado de doze anos de militantismo rombudo sobre nosso capitalismo infame e infante. O resultado de vinte anos trilhando o caminho errado sob o aplauso de uma galera que ainda tenta ver no socialismo assistencialista a fórmula do sucesso.

domingo, 5 de outubro de 2014

Vamos lá!

Nani Humor

É preciso mudar.Pelo voto


Não é só pelos 20 centavos. Não é só pela Petrobras. Quem vive um dia normal sabe do que o Brasil precisa
 Não basta ajoelhar, tem de rezar. Não basta se alfabetizar, tem de ler até o fim. Não basta ler, tem de analisar. Não basta analisar, tem de lembrar. Não basta papaguear slogans, tem de criticar. Não basta crer em marketing, tem de construir um pensamento crítico. Não basta votar, tem de cobrar.

Falta educação política ao eleitor brasileiro. Faltam consciência, razão, atitude. O programa partidário na televisão, que de gratuito não tem nada, é uma idiossincrasia de país subdesenvolvido. Beneficia quem está por cima. É nocivo, antidemocrático e enganador por dar mais tempo na televisão a qualquer partido que esteja no poder. É um bombardeio de telenovelas eleitorais com efeitos especiais e personagens montados.

Às vésperas do voto de 5 de outubro, o eleitor no Brasil parece suscetível à influência das máquinas partidárias, das mentiras e da hipocrisia de candidatos a todos os cargos. É só observar as tendências do mapa nacional com as múmias e os ladrões, vivinhos e populares.

Exterminadores da razão


O desejo de mudança se transformou na liderança folgada dos situacionistas Dilma (PT), Alckmin (PSDB) e Pezão (PMDB). Vai entender.

No Brasil, como ensina o professor Pedro Malan, até o passado é incerto. Há três meses, 75% dos brasileiros se diziam insatisfeitos com o país e exigiam mudanças urgentes, mas hoje, quando todos os indicadores econômicos, que já eram ruins, pioraram ainda mais, o desejo de mudança se transformou na liderança folgada dos situacionistas Dilma (PT), Alckmin (PSDB) e Pezão (PMDB). Vai entender. Será que eles mentiram aos pesquisadores? Ou eram felizes e não sabiam? Ou gostavam de sofrer? Ou o medo do desconhecido é maior que a esperança no futuro?

Mas como mudar, se nenhum governante municipal, estadual ou federal jamais reconhece seus erros, atribuindo-os sempre a outros, a conspirações políticas ou a circunstâncias adversas? Sem reconhecê-los, como corrigi-los?

Quem está na chuva é para se queimar, dizia o folclórico presidente corintiano Vicente Matheus, mas na fogueira eleitoral, além de sonhos e reputações, a razão é a primeira a arder. Mentiras, golpes baixos e jogo sujo são o motor das campanhas, um vale-tudo sem limites na luta pelo poder que deve envergonhar a todos que não acreditam, como Lula, que vergonha é perder eleição.
Leia mais o artigo de Nelson Motta 

Em quem voto e por quê

 Poucas vezes o refrão de estarmos em uma encruzilhada terá sido tão verdadeiro. Neste domingo os eleitores carregam para a votação o peso de uma responsabilidade histórica. E o mais grave é que, dadas as condições do debate eleitoral e as formas prevalecentes de manipulação da opinião pública, boa parte do eleitorado nem atina qual seja a bifurcação diante da qual o país está.

Em uma das mais mistificadoras campanhas dos últimos tempos, a máquina publicitária e corruptora do PT e aliados espalhou boatos de que Aécio acabaria com os programas sociais (em grande parte criados pelo próprio PSDB!) e Marina seria a expressão dos interesses dos banqueiros, tendo nas mãos, com a independência do Banco Central, a bomba atômica para devastar os interesses populares. Por mais ridículas, falsas e primárias que sejam as imagens criadas (também eram simplificadoras as imagens do regime nazista ou do estalinista para definir os “inimigos”), elas fizeram estragos no campo opositor.

A guerra de acusações descabidas escondeu o tempo todo o que a candidata à reeleição deixou claro nos últimos dias: suas distorções ideológicas. Fugindo aos scripts dos marqueteiros, que a pintam como uma risonha e bonachona mãe de família, e do PAC, a presidenta vem reafirmando arrogantemente que tudo que fez foi certo; se algo deu errado foi, como diria Brizola, por conta das “perdas internacionais”. Mais ainda, disse com convicção espantosa ser melhor dialogar com os degoladores de cabeças inocentes do que fazer-lhes a guerra, coisa que só os “bárbaros” ocidentais pensam ser necessária.

E o que é isso: socialismo? populismo? Não: capitalismo de estado, sob controle de um partido (ou do chefe do Estado). Um governo regulamentador, soberbo diante da sociedade, descrente do papel da opinião pública (“não é função da imprensa investigar”, outra pérola dita recentemente por Dilma), com apetite para cooptar o que seja necessário, desde empresários “campeões nacionais” até partidos sedentos de um lugar no coração do governo. Algo parecido com o que o lema do velho PRI mexicano expressava: fora do orçamento, não há salvação; nem para as empresas, nem para os partidos, nem para os sindicatos, para ninguém. Crony capitalism, dizem os americanos. Capitalismo para a companheirada, diríamos nós.

Pega na (enésima) mentira

Ônibus da empresa municipal que virou autarquia estão acautelados
para não serem usados neste domingo gratuitamente para levar eleitores
Em discurso de campanha para eleger a mulher e o companheiro presidente da Câmara, Quaquá apelou para nova mentira a fim de enganar e aparecer como o grande administrador coisa que nunca foi nem será. O prefeito de Maricá em mais uma farofada anunciou que o município será o primeiro do país a contar com transporte gratuito nos ônibus, através da autarquia de transportes que criou e 13 veículos estacionados e mofando no aeroporto interditado.

Como é um costumeiro mentiroso, sempre se passando por melhor prefeito, quando lidera a lista do mais desastrado e corrupto, esqueceu que a lista de cidades brasileiras com transporte gratuito já existe desde 2011, entre elas, Silva Jardim, Mount Carmel, Potirendaba, Paulínia, Muzambinho, Pitanga e Ivaiporã.

Águas de São Pedro, em São Paulo, com o segundo IDH do país, é uma estância hidromineral, que não recebe um pingo de royalties, mas vivendo apenas do turismo consegue índices fabulosos, inclusive com transporte gratuito.


Porto Real, no Rio de Janeiro, não apenas aboliu a tarifa de R$ 0,50 por trajeto, em 2011, como aumentou as linhas de ônibus que atendem o município. Outra cidade brasileira a adotar o sistema é Agudos, no interior de São Paulo, próxima a Bauru. A gratuidade também foi implantada em 2011, quando se extinguiu a tarifa de R$ 2,40 e, desde então, o uso dos ônibus aumentou em mais de 60%.

Os brasileiros,entre a esperança e o medo


Basta sair por estes dias na rua e falar com as pessoas –algo muito simples entre os brasileiros, sempre dispostos a contar sua vida– para perceber que o Brasil se movimenta nestas eleições entre dois sentimentos contrapostos: a esperança e o medo. Esperança de melhorar a vida, como ficou claro na última pesquisa do Datafolha, que revela que 74% dos brasileiros desejam que as coisas mudem. Não se conformam com o que têm.

Esse sentimento traz implícito um forte desejo de melhoria em todos os níveis, não só material, mas, por exemplo, também a ampliação da democracia. É como se dissessem que "é possível melhorar nossa qualidade de vida". Significa também que os brasileiros se tornaram mais exigentes com seus governantes. Já não aceitam tudo passivamente, como no passado, aprisionados por uma atávica resignação, triste herança da escravidão.

A esse sentimento, a esse grito por melhorias e de esperança em um futuro imediato –que os pais de milhões de brasileiros desejam para os filhos– se opõe uma sensação de amargura e desencanto, como se perguntassem: "Quem nos oferece hoje essa esperança de algo melhor?" Ou o terrível e não verdadeiro "todos são iguais".

Até agora o debate eleitoral estava mais centrado justamente no que os brasileiros não queriam: a briga entre os candidatos; aquilo do "e você é mais" (ou seja, mais corrupto, mais mentiroso), que dava uma sensação mais de medo do que de esperança.


Não é nenhum segredo que os brasileiros –incluindo os milhões de famílias que saíram da miséria e não só não passam mais fome, mas têm até televisão de plasma– estão insatisfeitos com seus governantes. Não que sejam ingratos, que não reconheçam que o Brasil melhorou nos últimos 20 anos, mas não são bobos e sabem que neste país rico se desperdiçam bilhões que são diluídos nos rios sujos da corrupção; que as pessoas ganham mais do que ontem, mas que a inflação galopante chegou até elas como um autêntico assaltante que lhes exige voltar a repensar a compra ao ir ao mercado; que lhes dá medo de pedir um novo empréstimo por medo dos juros, que estão entre os mais altos do mundo e que já endividaram 50% das famílias.