sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

PT e PSDB: verso e reverso da mesma medalha

Afinal, depois de muito ler e refletir, consigo perceber onde me enganei nesses anos todos. Há muito escrevo e comento que PT e PSDB deveriam se unir para auxiliar o país a sair das crises em que tem se metido. E supunha que ambos poderiam juntos – guardadas as devidas diferenças – fugir ao destino de serem no governo reféns dos PMDBs e siglas fisiológicas em geral.

Não vão conseguir. Afinal, na sexta-feira, dia 20, Dilma Rousseff reapareceu em público, como se ainda estivesse no palanque, e atacou o PSDB, acusando o adversário de ser o verdadeiro pai da operação Lava Jato. Prontamente, tanto FHC quanto Aécio retrucaram, o primeiro mais incisivo: se Barusco (ex-gerente da Petrobras, agora delator premiado) diz que usufruía de propinas desde 1997, afirmo que só o PT tornou essa prática institucionalizada, isto é, fez da empresa um canal de corrupção como jamais existiu neste país. (Não ponho entre aspas porque só registrei pela televisão.)

Acontece que os dois partidos são o verso e o reverso de uma mesma medalha, que suga o trabalhador, organizado ou não, e patrocina uma espoliação igual às que agora vemos acontecerem mundo afora.

O PT faz com o PMDB o repeteco do nacional-desenvolvimentismo, que sempre viveu de corrupção e que, em sua versão moderna, tenta criar um capitalismo financiado pelo Estado, via BNDES, com seus “campeões nacionais”. Estes são beneficiados com dinheiro do FAT ou do Tesouro e engendram conglomerados como o Friboi, que suga duplamente o povão: no preço, neste caso da commodity “carne”, ou na elevação da dívida pública, levada à estratosfera.

Aí entra Joaquim Levy, ligado ao outro lado, para pôr ordem na casa, fazendo com que todos os que vivem de salário paguem o pato pela tunga dos de cima. No caso do PT, há um respeito litúrgico pelos movimentos sociais e sindicais organizados, que vivem de benesses estatais e que, cooptados, não representam os trabalhadores, mas ficam esperneando sem sucesso. Aliás, desde Lula, a CLT varguista continua em vigor e até consegue ser piorada, com a concessão de 10% da contribuição sindical para as centrais sindicais. Assim, os movimentos organizados se calam, enquanto os desorganizados, quando saem às ruas, ou são assassinados (como Amarildos), ou são chamados de vândalos.

No caso do PSDB, o esquema é outro: o capital financeiro reina soberano – daí o Proer com que FHC salvou os bancos da quebradeira – ou entra no mercado brasileiro, como agora esclarece o escândalo do HSBC. Ao tempo desses, o pau come sobre os trabalhadores organizados (lembrem-se dos petroleiros em 1995), e nada de sobras de banquete para os pobres (como o Bolsa Família, criado por eles e adotado, com requintes, pelos petistas). Mas ambos trabalham uns para os outros, como fez antes Henrique Meirelles para Lula no Banco Central, e como faz agora Joaquim Levy para Dilma.

Tudo “farinha do mesmo saco”, pois sabem lucrar e mandar a conta para os trabalhadores.

Grande pilantragem.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

A 'autoridade' de um condenado

 


Inelegível por abuso político, e com um prontuário de processos de fazer inveja a muito marginal, o presidente regional do PT e prefeito de Maricá saiu pelas redes sociais cometendo mais um crime na cara da Justiça: incitação à violência. Como sempre valentão, armado de todas as bravatas, porque protegido fisicamente pelo computador e por um destacamento de seguranças pagos com dinheiro público, se vê com a autoridade concedida pelo chefão Lula de também conclamar a porrada como solução para o país, ainda mais que é o único meio de blindar suas “peteroubalheiras” de Maricá a Brasília, passando por todo o resto do Brasil.

Depende...

Quando uma escola de samba tradicional é financiada por uma ditadura estrangeira, chegamos ao fundo do poço

“O Brasil está na idade da tramela!”, dizia um grande intelectual. Tendo estudado nos Estados Unidos e lá, como dizia Monteiro Lobato, fora lapidado, pois jamais rejeitara o seu lado brasileiro (o qual foi, ironicamente, intensificado na convivência por contraste com o que, àquela época, chamava-se de “países adiantados”), ele era capaz de enxergar o que todo mundo simplesmente via como as nossas arqueológicas tramelas.

Quem saiu do Brasil para as “Europa” ou “América” até os anos 60 (como foi o meu caso), ficou espantado com a ausência das “tramelas” e das gigantescas chaves de ferro; esses instrumentos dos superiores que permitiam abrir ou fechar portas, cadeias, porões, dispensas e gavetas. Esses compartimentos que até hoje são vedados a quem continua a ser tratado como “povo”, pois jamais foi lapidado ou visto como cidadão.

Quando visitei os Estados Unidos pela primeira vez, recebi a chave não só do meu modesto escritório mas — eis o susto — a do prédio do famoso Departamento de Relações Sociais de Harvard!

No Brasil, receber essas máquinas “depende”.

O ministro tem a chave de todos os prédios e somente ele abre a sua porta. Nas democracias, todos têm precisamente a chave da porta dos que governam, já que presidentes, ministros, governadores, senadores e deputados servem ao povo. É, pois, do povo a propriedade das chaves!

Não há, nenhum “depende...” a condicionar a transparência. Não existe o famoso, lamentável e onipresente “eu não sabia” ou a divisão permanente entre “público interno e externo”, rotineiros na ditadura militar e no lulopetismo.

O roubo público, o assalto irresponsável em escala bíblica e pornográfica aos bens coletivos e à Petrobras — símbolo de independência econômica que suicidou quem teve honra e foi incestuosamente agredida por quem não sabe o significado dessa palavra — continuam sujeito ao “depende...”

Depende de quem. Se foi do tempo deles vale, se foi nessa nossa década de poder, não vale. Na Alemanha nazista, todos os males eram atribuídos aos judeus vistos como agentes de impureza diante da superioridade indiscutível da raça germânica. Os judeus eram o veneno ao lado dos homossexuais, dos ciganos e dos deficientes. Eles conspurcavam a “raça superior” — emblemática de uma integração perfeita porque seria biológica, entre o indivíduo e a coletividade. Esse problema de todas as nossas antropologias e sociologias que, em geral, leem o individuo como algo separado do grupo quando de, fato, seja nas suas formas mais ativas (como na América sem tramelas) ou brandas, como no Brasil relacional das trancas e frestas, o individuo é a expressão de uma cosmologia ou ideologia. A redução individualista é dominante na vida moderna que, conforme sabem alguns, não é, como o jazz, tão moderna assim.

Sem o “depende” não se entende a hipocrisia política dominante. Ela é a chave que abre ou fecha os baús de escândalos que, de tão rotineiros, chegaram ao carnaval, uma celebração aberta a tudo, mas hoje manchada pelo financiamento questionável.

Leia mais o artigo de Roberto DaMatta

E não estamos?

Ele (Michel Temer) relatou que um ministro da equipe econômica falou que estamos dançando na beira do precipício
Deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), depois de reunião da cúpula do PMDB

Lula se tornou a maior ameaça à democracia

Depois dos 'gorilas' da ditadura, aparecem os 'soldados' petistas 
Desde 1939, quando foi inaugurada no centro do Rio de Janeiro, a revolucionária sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) tem sido palco de um número enorme de eventos em defesa da democracia, dos direitos civis, dos interesses nacionais e da liberdade de imprensa e de expressão.

Na noite de terça-feira, dia 24 de fevereiro, pela primeira vez a sede da histórica e lendária ABI foi palco de um atentado à democracia, praticado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que se julga no direito de conclamar sindicatos, movimentos sociais e estudantis para saírem às ruas e enfrentar todos os que se manifestarem contra a corrupção na Petrobras e contra o governo petista.

É claro que a ABI nada tem a ver com isso, apenas cedeu o auditório para que se realizasse um simples ato público em prol da Petrobras, o que não representa nenhuma novidade, pois desde sua fundação a entidade máxima dos jornalistas tem como um de seus principais objetivos justamente a defesa da exploração do petróleo em benefício dos brasileiros.

O que ninguém esperava é que o ex-presidente Lula, jogando seu passado na lata do lixo da História, tivesse a ousadia de defender posturas absurdamente ditatoriais, em evento realizado justamente no mais tradicional e respeitado palco de defesa da democracia. O pior é que ele fez esse tipo de pronunciamento radical e suicida pouco depois de militantes do PT terem espancado diante da ABI manifestantes que defendiam o impeachment da presidente Dilma Rousseff.

O evento estava marcado para as 18 horas, mas Lula foi avisado de que estava havendo esse confronto e só chegou às 19h20m, escoltado pela Polícia Militar, que fez questão de proteger o ex-presidente, mas esqueceu de oferecer proteção às dezenas de cidadãos e cidadãs que estavam pacificamente exercendo seu direito de expressão e manifestação, ao defenderem a saída de Dilma.

Depois, no auditório, imagine-se o constrangimento de cidadãos como o produtor Luiz Carlos Barreto e sua esposa Lucy, o professor Pinguelli Rosa, a jornalista Hildegard Angel, o ex-ministro Roberto Amaral e outras personalidade de destaque, ao presenciarem o discurso de Lula, que apoplético, fez a seguinte ameaça ao país: “Quero paz e democracia, mas eles não querem. Mas também sabemos brigar. Sobretudo quando o Stédile colocar o exército dele nas ruas!”

Sabia-se que o governo e o PT estavam convocando as centrais, os sindicatos, a UNE e organizações sociais como o MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra), para promoverem manifestações a favor do governo, como a que está sendo organizada para 13 de março. Mas ninguém poderia prever que o radicalismo pregado por Lula chegasse a tanto ponto.

O pior é que o líder do PT não tem freio, não aceita conselhos de ninguém, pensa que é o dono do Brasil e até se comporta dessa forma. Como todos sabem, sonhar ainda não é proibido, mas pode voltar a ser. Portanto, é melhor Lula consultar um terapeuta, porque tem dado mostras de que está fora de si e seu radicalismo ameaça tirar o país dos eixos. E a quem interessa isso?

Para maioria nao há democracia verdadeira na Alemanha

Estudo mostra que um em cada quatro cidadãos acredita que o país está no caminho de uma nova ditadura. Para um terço dos entrevistados, capitalismo inevitavelmente leva à pobreza e à fome.
Mais de 60% dos alemães consideram que não há uma democracia verdadeira na Alemanha. A culpa seria da influência da economia, que teria mais força do que os eleitores. Este é o resultado de uma pesquisa de opinião realizada pelo instituto Infratest Dimap, a pedido da Universidade Livre de Berlim, e publicada na terça-feira.

Segundo o relatório, uma a cada três pessoas está convencida de que o capitalismo inevitavelmente leva à pobreza e à fome. Além disso, 37% dos residentes do lado ocidental da Alemanha e 57% do lado oriental classificam o comunismo e o socialismo como uma boa ideia, mas que, até agora, foi mal executada.

Um quinto da população alemã pede por uma revolução, sob o argumento de que as reformas políticas não melhoraram as condições de vida. Devido ao aumento da vigilância dos cidadãos, a Alemanha estaria no caminho de uma nova ditadura, responderam 27% dos entrevistados.

No entanto, de acordo com os autores do estudo, o resultado mais surpreendente é que apenas 46% dos entrevistados são favoráveis à manutenção do "monopólio de violência" - que reserva ao Estado o uso ou a concessão do emprego da força.

Além disso, o estudo chegou à conclusão de que 14% dos alemães no lado ocidental e 28% dos do lado oriental mantêm uma postura de esquerda radical ou esquerda extremista, somando um total de 17% da população do país.

Avaliados como extremista pelos pesquisadores são aqueles que desejam instaurar comunismo ou "democracia real" em detrimento do pluralismo e da democracia parlamentar. Aproximadamente 1.400 pessoas participaram da pesquisa. O estudo completo foi impresso em um livro.

Apodrecendo no caminho


Trabalhador precisa conquistar novos direitos e não perder

O problema do ajuste fiscal está na falta de ajustes sociais que substituam direitos velhos por novos direitos estruturais, assegurando bem-estar social permanente aos cidadãos. Ao longo dos últimos anos, o Brasil optou por uma verdadeira folia de gastos públicos, consumismo exacerbado, baixo nível de poupança e investimento, irresponsabilidade fiscal, preços administrados, contabilidade criativa escondendo a realidade, e desonerações fiscais em dimensões escandalosas. Ignorando os alertas, os partidos no governo comemoravam euforicamente os benefícios de curto prazo. De tanto repetirem a própria publicidade, as lideranças fizeram o povo acreditar nas ilusões: o pré-sal resolveria tudo, empresas como o grupo X colocariam o país no cenário mundial, o BNDES construiria a nação emergente mais dinâmica do século XXI.

A realidade desfez as ilusões, os alertas se mostraram proféticos, mas a eleição não permitia que se admitisse a crise. A folia econômica que se esgotava chegou à política, e as ilusões foram ampliadas pelo marketing. Os eleitores passaram a acreditar que nunca o Brasil fora tão rico, dinâmico e sem pobreza e que o país daria passos para trás se não reelegesse o grupo no poder.

O resultado é que a economia brasileira chegou a 2014 em uma situação de crise de proporções catastróficas: déficit em transações correntes de 4,2%, déficit nominal de 6,7% e dívida pública bruta de 6,3% (em relação ao PIB); além de inflação persistente acima da meta.

Agora, passadas as eleições, o governo faz tudo que acusava seus opositores de pretenderem fazer contra o povo e o país: elevação da taxa de juros, controle de gastos, redução de direitos e realismo nos preços passaram a ser defendidos como ajustes necessários. A fala do novo ministro da Fazenda, carregada de medidas antifolia, passou a ser aceita pelos que as criticavam, enquanto outros que antes se beneficiavam da folia começam a criticar os ajustes.

O problema das últimas medidas não está na fala do ministro Levy, controlando ou eliminando direitos trabalhistas, mas na falta de falas ousadas dos demais ministros, como os do Trabalho, da Educação e da Saúde, oferecendo novos direitos. Alguns ajustes nos chamados “benefícios sociais” são necessários para corrigir os desastres criados pela folia fiscal, mas, em vez de repudiá-los ou de se conformar a eles, é preciso atualizá-los e fazê-los avançar. Alguns dos antigos direitos trabalhistas não têm como ser mantidos, mas novos direitos devem ser implementados.

Alguns dos atuais direitos precisarão ser moralizados, modificados e substituídos por direitos contemporâneos, como direito do filho do trabalhador à mesma escola de qualidade do filho do patrão; licenças periódicas para efetiva capacitação; direito do trabalhador à licença para ir à escola do filho e para cuidar preventivamente de sua saúde. 

Agressividade o grande pecado

A falha humana que eu mais gostaria de corrigir é a agressividade. Ela pode ter sido uma vantagem na época dos homens das cavernas, para que eles pudessem obter mais comida, território ou uma parceira com quem se reproduzir, mas, agora, ela ameaça destruir todos nós.

O líder se protege do povo


“Quero paz e democracia, mas eles não querem. Mas também sabemos brigar. Sobretudo quando o Stédile colocar o exército dele nas ruas!”
 (incitação à violência é crime, Lula)

O convescote promovido pelo PT e entidades afiliadas, na sede da Associação Brasileira de Imprensa, na noite de terça-feira, no Rio, num ato em defesa da Petrobras, fez Lula sentir que não é o mesmo Cara de outros tempos.

O que deveria ser uma demonstração de força política e popular se mostrou apenas uma tímida reunião para o chefão falar suas costumeiras banalidades. A plateia, composta pela velha turma de descarados, aplaudiu certamente o espetáculo de um ex-presidente envilecido, que não passa de um pelego.

Nem as lideranças fluminenses afiliadas foram lá prestar suas condolências por um carismático líder sindical que hoje parece aqueles ditadores das antigas republiquetas.

Nas ruas, o que se viu foi a militância petista partindo para o pau, como ordenou o chefão que disse também saber brigar. E não é a primeira vez que o partido mostra suas tendências "militares" .

O velho líder, abrigado em carro blindado, com escolta policial, para não ter que se sujar com a manifestação na rua, talvez tenha tido tempo suficiente para pensar sobre o destino que deu à própria biografia. Dentro do blindado, talvez pensasse que não é mesmo aquele que comandava as massas. Hoje se protege do povo como aqueles tiranos latinos. Sem tirar nem por, é um fantasma de caudilho. 

Talvez agora pense melhor na herança que vai deixar, a mesma que aqueles deixaram: o desprezo pelos descendentes. Uma punição eterna nas páginas da História como criminoso.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Psicopetismo

Quero me ater aos vícios mentais que assolam essa gente, para além da roubalheira.

Finalmente vimos a cara verdadeira da Dilma, carregada de ódio, acusando o governo anterior do FH, porque lá teria havido também corrupção. Claro que sempre houve; corrupção existe desde a fundação da cidade de Salvador, desde 1550, quando Tomé de Souza, primeiro governador do Brasil criou o “bahião”, roubando tanto que quase quebrou Portugal. Dilma tenta responsabilizar outros governos, esquecendo-se de que estão no poder há 13 anos e só fizeram m... ah, “malfeitos”.

Os mais espantosos escândalos do planeta foram provocados por uma corrupção diferente das tradicionais: com o PT no governo, a corrupção foi usada como ferramenta de trabalho, quando o nefasto Lula chamou a turminha dos ladrões aliados e disse: “Podem roubar o que quiserem, desde que me apoiem e votem comigo”. Mas, neste artigo não quero mais bater no governo, pois tudo já está dito, tudo provado, tudo batido.

Quero me ater aos vícios mentais que assolam essa gente, para além da roubalheira.

Como se forma a cabeça de um sujeito como Dirceu, Vaccari, a cabeça do petismo, esse filho bastardo do velho socialismo dos anos 1950?

Havia antigamente uma forte motivação romântica nos jovens que conheci. Era ingênuo, talvez, mas era bonito.

A desgraça dos pobres nos doía como um problema existencial nosso, embora a miséria fosse deles. Era difícil fazer uma revolução? Deixávamos esses “detalhes mixurucas” para os militantes tarefeiros, que considerávamos inferiores “peões” de Lênin ou (mais absurdo ainda) delegávamos o dever da revolução ao presidente da Republica, na melhor tradição de dependência ao Estado, como hoje.

Quando o PT subiu ao poder, eu achava que havia um substrato generoso de amor, uma crença na “revolução”, que era a mão na roda para justificar tudo, qualquer desejo político. Nada disso. Só vimos uma “tomada do poder”, como se os sindicalistas estivessem invadindo o palácio de inverno em São Petersburgo.

Seus vícios mentais eram muito mais óbvios e rasteiros do que esperávamos. Foi minha grande decepção; em vez da “justiça social”, o que houve parecia uma porcada magra invadindo o batatal.

E aí, me bateu: como é a cabeça do petista típico?

Em primeiro lugar, eles são inocentes, mesmo antes de pecar. Estão perdoados de tudo, pois qualquer fim justifica seus meios, vagamente considerados “nobres” no futuro.

Para eles não existe presente — tudo será “um dia”. Não sabem bem o quê, mas algo virá no futuro.

Eles têm a ideia assombrosa de que o partido pode se servir do Estado como se fosse sua propriedade; assim, podem assaltar a Petrobras, fundos de pensão, outras estatais com a consciência limpa, porque se a Petrobras é do povo, é deles. Não é roubo, em sua limitada linguagem de slogans — é “desapropriação”.

Aliás, e o silêncio dos intelectuais simpatizantes diante dos crimes óbvios? Está tudo caladinho...

Outra coisa: o petista legítimo, “escocês” (como o Blue Label 30 anos, único que o Lula toma), acha que “complexidade” é frescura e que a verdade é simplista, um reducionismo dualista. Para eles, o mundo se explica por opressores e oprimidos, tudo, claro, culpa do “capitalismo”, tratado como uma pessoa, com crises de humor: “Ih, o capitalismo está muito agressivo ultimamente”.

Para eles, na melhor tradição stalinista, deve-se ocultar da população questões internas do governo, pois não confiam na sociedade, esse aglomerado de indivíduos alienados e sem rumo.

Podem mentir em paz, sem dar satisfações a ninguém. Eles têm ausência de culpa ou arrependimento, têm o cinismo perfeito de quem se sente uma vítima inocente no instante mesmo em que se esmeram na mentira.

Na prática têm as mesmas motivações do velho stalinismo ou do fascismo: controle de um sobre todos e o manejo da Historia como uma carroça em direção ao “socialismo” imaginário em que creem ou fingem crer.

Ser esquerdo-petista é uma boa desculpa para a própria ignorância (como o são!) — “não preciso pensar muito ou estudar, pois já sou um militante do futuro!” Entrar no partido é sentir-se vitorioso, escondendo o fracasso de suas vidas pessoais, por despreparo ou incompetência.

Nunca vi gente tão incompetente quanto a velha esquerda. São as mesmas besteiras de pessoas que ainda pensam como nos anos 1940. Não precisam estudar nada profundamente, por serem “a favor” do bem e da justiça — a “boa consciência”, último refugio dos boçais.

Aliás, vão além: criticam a competência como porta aberta para a direita; competência é coisa de neoliberal, ideia que subjaz por exemplo na indicação de Joaquim Levy — “neoliberal sabe fazer contas”, pensam. Se não der certo, por causa de suas sabotagens, a culpa é dos social-democratas. Como não têm projeto algum, acham que os meios são seus fins.

A mente dos petistas é uma barafunda de certezas e resume as emoções e ações humanas a meia dúzia de sintomas, de defeitos: “sectários, obreiristas, alienados, vacilantes, massa atrasada e massa adiantada, elite branca” e ignoram outros recortes de personalidade como narcisistas, invejosos, vingativos e como sempre os indefectíveis filhos da puta. Como hoje, os idiotas continuam com as mesmas palavras, se bem que aprenderam a roubar e mentir como “burgueses”.

Obstinam-se com teimosia nos erros, pois consideram suas cagadas “contradições negativas” que se resolverão por novos acertos que não chegam nunca. Há anos vi na TV um debate entre o grande intelectual José Guilherme Merquior e dois marxistas que lamentavam erros passados: derrota em 1935, 56 na Hungria, 68 na Tchecoslováquia, 68 no Brasil, erros sem fim que iriam “superar.” Mas nada dava certo. Merquior não se conteve e replicou com ironia: “Por que vocês não desistem”?

Não pode haver dúvida da loucura contida nisso tudo. Só uma agenda irracional defenderia uma destruição sistemática dos fundamentos que garantem a liberdade organizada. Apenas um homem irracional iria desejar o Estado decidindo sua vida por ele. Muitos são psicopatas, mas a maioria é de burros mesmo.

Arnaldo Jabor

Não vai dar certo

Como pode dar certo um governo cuja base está dividida e se assemelha a uma Torre de Babel?
A cabeça da presidente deve estar azucrinada de tantos conselhos. O que não faltam nos círculos petistas são engenheiros de obras prontas, com soluções mágicas e contraditórias.

Wladimir Pomar, por exemplo, coordenador da primeira campanha presidencial de Lula, escreveu um alentado artigo sobre o “desafio da retirada estratégica”.

Sem papas nas línguas, o autor diz que os dirigentes envolvidos em caso de corrupção, deveriam pedir desculpas ao povo brasileiro e à militância, ”ao invés de viverem reiterando sua inocência, ou levantando o punho em sinal de luta”.

Dilma, claro, não deu atenção às palavras de Pomar ou não leu o seu artigo. Preferiu seguir o conselho de seu marqueteiro e jogou, com a maior desfaçatez, a responsabilidade da corrupção na Petrobrás para as costas do presidente Fernando Henrique Cardoso.

A tática do punguista que grita pega o ladrão denunciada por FHC não vai dar certo. Não resistirá à lógica implacável dos fatos. Tanto que já virou motivo de piada.

Para manter sua versão o palácio do Planalto depende do mutismo dos diretores de construtoras presos na Polícia Federal. Um deles, Ricardo Pessoa, presidente da UTC, já sinalizou o tamanho do estrago que poderá causar.

O problema do governo Dilma não é de marketing, é de credibilidade. É da falta de um discurso consistente com respostas para a crise ética, econômica e política.

Leia mais o artigo de Hubert Alquéres

Legenda de caminhão


Beijando ditador

O recente triunfo da Beija-Flor ilustra bem esta visão seletiva, e a seletiva falsificação da realidade. Assistindo ao desfile da Beija-Flor, há quem só tenha visto a riqueza dos trajes, as cores das plumas, a profusão de máscaras africanas, a ala dos ancestrais celebrando as tradições de um pequeno país africano. Porém, olhando melhor, não há como não ver o cinto do caubói. No caso, o rosto crispado de um dos mais terríveis e corruptos ditadores do nosso tempo: Teodoro Obiang.
“O dinheiro não tem cor” — argumentam alguns: “o importante é que a festa foi bonita.”
Errado. Uma coisa é aceitar apoio financeiro de Cabo Verde, Botswana ou Namíbia, para citar apenas três países africanos com democracias sólidas, outra é vender a alma ao diabo. Obiang está comprando consciências. O ditador da Guiné-Equatorial já conseguiu que o seu regime fosse aceito na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, CPLP, generosa ideia do embaixador José Aparecido de Oliveira, entretanto muito aviltada. Agora quer mais. Hoje paga a festa, amanhã irá cobrar.
“Posso convidá-lo para jantá-lo?” — pergunta o lobo ao cordeiro. E o cordeiro vai.Leia mais o artigo de José Eduardo Agualusa 

O que o Brasil pode aprender com a Itália com o Petrolão

O que a abertura da fatal caixa de Pandora das investigações pode causar ao mundo político brasileiro ainda é uma incógnita
O Brasil está à espera para saber os nomes de políticos e partidos escondidos na caixa de Pandora do Petrolão. Na mitologia grega, essa caixa, que era na verdade uma ânfora de barro, guardava “os males que afligem a humanidade”.

Pandora era a mulher que Zeus havia criado “para introduzir os males na vida dos homens”. Como a antecessora de Eva, Pandora era a que carregava todos os problemas do mundo.

Hoje a sociedade moderna redimiu a mulher do estigma de ser a grande sedutora e a origem de todas as desgraças. A política é um substantivo feminino e sua finalidade é a de criar bem-estar e felicidade aos cidadãos.

O possível resultado político dos males que a abertura da fatal caixa de Pandora pode causar ao Brasil ainda é uma incógnita. Há quem já fale de escorregões no abismo e quem prefira ver nessa atitude de coragem de juízes, promotores e policiais um sinal de ressurreição de um novo modelo de política, um modelo que rompa com os velhos esquemas do passado para dar vida a um novo rumo histórico.



 Que o Brasil seja capaz de esvaziar a velha caixa de Pandora da mitologia grega para enchê-la de novas esperanças. Que nela possam entrar, depois da tragédia do Petrolão, novas forças, políticos mais conectados com a voz das ruas, menos preocupados em enriquecer, e que ressuscitem esse país da crise à qual foram arrastados pela mitológica e trágica grega Pandora
Neste momento é, no entanto, imprescindível olhar para a Itália de 1992, onde houve uma abertura da caixa de Pandora mais parecida com a brasileira. Foi quando, depois de um período de decadência da política tradicional, o promotor Antonio Di Pietro lançou a operação Mani Pulite ou Tangentopoli, na qual a nata dos políticos dos partidos mais importantes acabou na prisão, ao lado de dezenas de grandes empresários cúmplices por terem enriquecido ilegalmente, e também seus partidos.

O juiz Sergio Moro, protagonista da Tangentopoli brasileira, a Lava Jato, já havia lembrado, há dez anos, que o Brasil caminhava para algo parecido ao vivido na época pela Itália.

E também é possível que aqui, juntos, políticos e empresários acabem condenados e que os grandes partidos que até agora governaram o Brasil possam ser duramente punidos nas urnas, como aconteceu na Itália, onde a Tangentopoli abriu caminho para novas legendas nascidas do nada.

Leia mais o artigo de Juan Arias

Titanic brasileiro leva Oscar


Dinheiro na mão

Com US$ 550 milhões do BNDES, Dilma renova fôlego da Odebrecht na crise, que expõe empreiteiras atropeladas pela ganância em negócios com a Petrobras
A decisão do governo Dilma Rousseff de financiar a construção de térmicas a carvão na República Dominicana levou alegria ao Palácio Nacional, em Santo Domingo, e à sede da Odebrecht, na Praia de Botafogo, no Rio. Os seis mil quilômetros que separam os edifícios foram abstraídos no mapa de interesses dos governos e da empreiteira brasileira.

Dilma ajudou a revigorar a campanha do presidente dominicano Danilo Medina em sua batalha doméstica para mudar a Constituição, para poder disputar novo mandato em 2016.

E renovou o fôlego da Odebrecht em plena crise, detonada pelas investigações sobre corrupção na Petrobras, que expõe as construtoras em indigência de caixa e de crédito.

O empréstimo de US$ 550 milhões do BNDES Social à República Dominicana foi autorizado na terça-feira, 30 de dezembro. Negócio regular, mas peculiar. Em valor ultrapassa a soma do apoio dado pelo BNDES nos últimos 17 anos às exportações para países vizinhos como o Chile. Equivale à metade dos financiamentos do banco à Venezuela durante os governos Hugo Chávez e Nicolás Maduro, até setembro.

É pouco mais de meio bilhão de dólares para duas usinas térmicas a carvão. Créditos a esse tipo de indústria, altamente poluidora, estão praticamente banidos do cardápio de instituições internacionais, como o Banco Mundial
.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

A 'maçã' e a Justiça

A política da "maçã podre" é danosa para o combate e a prevenção à corrupção. (...) A corrupção não decorre só de fatores individuais, mas também organizacionais. Não queremos só medidas em relação aos indivíduos, mas também às empresas, a aparatos organizados que contribuíram para que isso acontecesse
Deltan Dallagnol

No Oscar do Brasil

Filme B


Neste faroeste do cerrado, bandido que se presa sai (e às vezes cai) atirando. Tenta convencer que sempre foi assim. Que é tudo igual. Que todos são o mesmo

Engana-se quem pensa que é pesadelo. Sonhos ruins duram pouco. Desaparecem com despertar sobressaltado, agitado, cheio de ansiedade. Tem vida curta e deixam poucos resíduos.

Também se engana quem já viu este filme. Não é filme antigo. Não se trata de reexibirão. O que não quer dizer que a historia seja original. O filme de hoje é refilmagem sem versão original.

Espécie de filme b que agride olhos; perfura ouvidos; ofende inteligências. Enfim, mesmo que tenha sobrado orçamento na produção da historia, falta qualidade a narrativa. Talento é coisa difícil de ser comprada.

Já faz tempo que o roteirista de dispensou da obrigação de produzir narrativas sem sentido. E, pior ainda, repete, em ciclos, a mesma sequencia narrativa. Nos primeiros momentos, esconde a realidade e vende castelos nas nuvens, contos de fada, ou historias desconectadas de qualquer sentido ou materialidade.

Baixada a poeira, a ilusão não mais se sustenta. E nosso roteirista abraça a negação. Faz de conta que o elefante não esta na sala. E diz que não existe, não viu, não sabe, ou não é com ele. Finge. Finge tão completamente que chega a se convencer de sua própria mentira.

Nem sempre a repetição da mentira parece verdade. Na maior parte dos casos, parece mentira velha mesmo. Diante disso, o dedo indicador parece começar a funcionar. Fabricar culpados é tarefa simples. Basta distender o indicador. Não precisa imaginação, talento, ou arte. Embora a falta de escrúpulos ajude muito, a falta de familiaridade com o idioma compromete.

O problema, neste caso, é que a eficácia do dedo indicador é diretamente proporcional a credibilidade de seu dono. E credibilidade é coisa rara neste ajuntamento de cérebros baldios. Na impossibilidade de culpar exclusivamente ao outro, as opções diminuem.

Neste faroeste do cerrado, bandido que se presa sai (e às vezes cai) atirando. No que vê e no que não vê. Invariavelmente acerta o próprio pé. Mas sempre espalha a lama. Pinta todos com a mesma cor. Tenta convencer que sempre foi assim. Que é tudo igual. Que todos são o mesmo.

Incapaz de levantar o nível investe em rebaixar o teto.

Pobre pobre

Amado seja aquele que tem percevejos,
o que anda sob a chuva com sapatos furados
o que vela o cadáver de um pão com dois fósforos,
o que prende um dedo numa porta,
o que não tem aniversário,
o que perdeu sua sombra num incêndio,
o animal, o que parece um papagaio,
o que parece um homem, o pobre rico,
o puro miserável, o pobre pobre! 
Cesar Vallejo 

Vamos educar!

A educação também precisa de educadores. Precisamos de educadores para educar os educadores. Sinto que precisamos de dimensão moral. Por exemplo, faculdades de medicina, de engenharia, arquitetura, jornalismo. De algum modo, faltam conceitos morais, éticos. Acho que deve ser obrigatório o estudo da ética. É a principal coisa. Ao mesmo tempo devemos celebrar a vida. Eu disse antes que, no nazismo, havia o culto da morte. Devemos celebrar a vida. Eu digo, como escritor, que se pegarmos todos os livros do mundo que tratam da vida, e os colocarmos em um prato da balança e, no outro, uma vida humana, qualquer uma, essa vida humana é mais importante, pesa mais que todos os livros sobre a vida. E é isso que devemos ensinar aos nossos filhos, alunos, adultos, médicos, arquitetos. Não tenho o direito de denegrir a vida. Se eu fizer isso, é uma ofensa a Deus e a sua criação.
Elie Wiesel 

O melhor silêncio

Em certos momentos tudo parece ser inconsolável, mas consolo há. Sempre. Como os faiscantes brilhos tingem a água de ouro, chegará o momento em que a luz mais tênue dará cor e profundidade ao oceano. Debaixo do espelho aparecerá um mundo de cores e de seres fantásticos que ignoram o que está acima. Os manacás no jardim hoje cheiram como nunca, mais ainda ao entardecer, e chamam atenção pela “inteligência” que neles se encontra. As potestades divinas que os sustentam, que brincam com eles como um músico brinca com seu instrumento, fornecem o testemunho da incalculável inteligência que melhora a natureza.

Em cada centímetro quadrado desse mundo se esconde o universo, e se aprendermos a notar o que tudo liga e interliga, inclusive os homens uns aos outros, poderemos ler o céu, as cartas e a palma da mão, poderemos ter explicação dos eventos, ler o passado, entender o presente e pressentir o futuro.

Quando as pessoas começam a usar enganos como facilitações e os criam em benefício próprio, estão perto de se perder. Os enganos enganam em todos os sentidos, a começar por quem os cria.Nunca revele, dizem os sábios, mais do que o necessário a um despreparado, a um estulto que por vias tortas quer chegar à afirmação de si. Esse, se chegar, não terá proveito, deixará oca sua lembrança, ou ela ficará marcada de negatividade.

É temerário dizer ao porco, que naturalmente gosta de seu semelhante, que existe maior beleza em outras raças, ainda explicar-lhe que o porco fede e chafurda em fezes. Ele se sentirá ofendido. Explicará, em seguida, aos outros porcos que todos eles são porcos e desagradáveis para o resto da humanidade. Nenhum deles entenderá, e todos juntos se armarão.

Portanto, nunca explique a ele o que faz dele um animal de pouca estima, não diga que sua prole é desafortunada em relação a outra. Pois o porco se invocará. Ele ainda atiçará na raça o sentido de injustiçado, que é absolutamente enganador. Porco é porco, apenas não pode ser lembrado de ser porco.

Este tem que ser mantido onde ele pode chafurdar, excluído de ambiente mais urbano. Pois vale o ditado de que “quem com porco anda farelo come”.

Também não explique a quem cometeu erros que esses fazem parte de sua derrota. Considerará a amigável e correta observação como fosse uma afronta.

Não fale mais que o necessário e deixe o silêncio executar inexoravelmente o que apenas a ele cabe. Do silêncio nascemos e no silêncio acabaremos. Findam-se ciclos, e outros nascem das ruínas.

Assim como quem perde uma luta e encontra a “principal” culpa nos outros, sem considerar a axiomática verdade de que cada um é artífice da sua sorte, não vale a pena informá-lo de seus erros. Muitas vezes, em vez de agradecer pela crítica, quem é estulto resvala na vingança contra quem lhe revelou o caminho certo.

Existem pessoas que fundamentalmente desconfiam de serem inferiores, não se resignam a esse papel, querem fraudar a realidade e vivem abatendo e capinando o que está em volta para se sobressaírem. Isso é o que mais acontece com a humanidade, e os resultados estão nesse incrível desconforto moral e social em que precipitamos.

Vittorio Medioli

Começou o ano

Revolta do cidadão não é golpe

O pedido nos cartazes é o mesmo, só mudou o nome a quem se apela
O golpismo tão propalado por Dilma, Lula e Companhia Ilimitada certamente não está na Oposição, a quem atribuem essa sensação térmica no ar. Com sua costumeira assepsia de não entrar em briga para não sujar as mãos, e com a turminha que tem, está mais do que encolhida, restrita a piparotes. Não tem jeito de dar golpe nem de ar. Por ela, tudo seria como dantes no quartel de Abrantes numa briguinha eterna com o PT e sua gangue. É como numa frase de Eduardo Galeano: “Na luta entre o bem e o mal, quem morre é o pobre”. Que se dane esse!

O “golpe” da Oposição, como insistem as hordas petralhas, não passa de uma insistente revolta com os desmandos, a roubalheira e os arrochos que vêm aí. O que está se convencionando chamar de golpismo, por interessar muito à propaganda nazi-petista - dá um tremendo ibope na massa de imbecis - é a pura e simples saudável revolta. Essa mesma que saiu às ruas e foi apagada por um contragolpe, que alcunhou de vez manifestantes como black-blocks, esquecendo-se de que em 1968 foram estudantes fazendo o mesmo estardalhaço e quebra-quebra. Eram revolucionários, subversivos, poderiam derrubar o país com paus, pedras e bolas de gude.

Preferível, para afugentar gente das ruas, dar um novo nome, mais sugestivo e assustador, deixar o pau comer solto e muito holofote de câmera em cima para amedrontar a quem se atrever. Faz parte do jogo de cena da manutenção do poder. Sem tirar nem por, assim fizeram os militares. Até taxarem estudantes que se manifestavam de bandidos, dando aos “cabeças” até direito de foto em cartaz de Procura-se.

A tentativa é calar a boca de quem reclama para melhor e tranquilamente continuar com as práticas de se implantar de vez, no trono da República Petista do Brasil, um reino de assalto ordenado a uma população escravizada para pagar o comissariado, os banqueiros, os empresários e logicamente os políticos.
Com o manifestos contra o golpismo, divulgado e assinado pelos mesmos conhecidos correligionários ou simpatizantes dos desmandos, o objetivo é livrar muita gente da Justiça e em particular blindar as estelares Dilma e Lula de caírem em desgraça definitiva. Querem salvar a própria pele e o Partido dos Trabalhadores de ficarem estigmatizados como os maiores ladrões que já roubaram um país, porque até agora o recorde de empresa mais assaltada por um governo pertence à Petrobras.

Da tragédia à farsa

A presidente tem agora a oportunidade de reafirmar seu compromisso com as apurações dos malfeitos “doa a quem doer”. Pode até mesmo repreender seu ministro da Justiça
“Hegel observou que todos os fatos e personagens de grande importância na História universal acabam por se repetir. E esqueceu-se de acrescentar: ocorrem a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa”, registrava Karl Marx em “O 18 Brumário de Luís Bonaparte” (1852).

Pois bem, socialistas bolivarianos e peronistas do século XXI insistem em praticar como farsa os mesmos experimentos que causaram tragédias no século XX. O poder político é conquistado essencialmente pela promessa do Paraíso na Terra.

Os pobres, deserdados pela insensibilidade dos liberais e pelo oportunismo dos conservadores, tornam-se então presas fáceis da secular seita socialista que arrancou das grandes religiões a bandeira da solidariedade.

Instalados no poder os socialistas, de sua ignorância em assuntos econômicos resulta inexorável desorganização da base produtiva. Segue-se o caos social e dispara-se finalmente a busca de bodes expiatórios. Assistimos depois aos sucessivos episódios de desonestidade intelectual, irresponsabilidade moral e truculência política como passos inevitáveis de uma desesperada tentativa de manutenção do poder.

Precisamos defender nossas instituições dessa grotesca e recorrente farsa histórica que já tragou nossos vizinhos. Estaremos nos próximos meses testando e aperfeiçoando nossas instituições. Veremos claramente quem são os inimigos de uma sociedade aberta no Brasil.

Joaquim Barbosa e Sergio Moro, cujas contribuições demarcaram a independência do Poder Judiciário, advertem-nos para a atuação do próprio ministro da Justiça, Eduardo Cardozo, que estaria tentando evitar a delação premiada do coordenador de um cartel de empreiteiras para fraudar licitações na Petrobras.

A presidente Dilma tem agora a oportunidade de reafirmar seu compromisso com as apurações dos malfeitos “doa a quem doer”. Pode até mesmo repreender seu ministro da Justiça. Teori Zavascki poderá demonstrar, com impecável desempenho futuro, que não evitava a delação premiada de Renato Duque quando o soltou, mas apenas cumpria o devido rito processual.

Seria o Mensalão a tragédia e o Petrolão a farsa? Tempos interessantes, pois pede-se moralidade até mesmo em patrocínios de nossa amoral festa pagã. Escola carnavalesca patrocinada por ditadura não deveria ser campeã.

Paulo Guedes

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

O Oscar é nosso!!!

Chega de descaso na saúde pública e privada

Meu nome é Leandro Farias, tenho 25 anos, e há cinco meses enterrei minha jovem mulher, Ana Carolina Domingos Cassino, 23. Ela foi mais uma vítima de descaso neste país: morreu por causa de uma apendicite – em pleno século 21 – após esperar 28 horas por essa simples cirurgia em um hospital particular da Barra da Tijuca, no Rio.

Ana Carolina, como outros 50 milhões de brasileiros, tinha um plano de saúde na falsa certeza de que quando precisasse teria um atendimento digno e humanizado.

A grande mídia detona a saúde pública em seus noticiários e, em seguida, nos empurra goela abaixo propagandas de planos privados, buscando nos fazer acreditar que essa é a solução para todos os nossos problemas. Ledo engano. O governo, por sua vez, incentiva ainda mais a adesão aos planos de saúde – seja por meio de isenções e incentivos fiscais, seja através de uma agência reguladora (ANS).

Essa agência sempre deixou bem claro que tem por objetivo defender os interesses dos grandes empresários da saúde. Basta observar a composição da sua diretoria, formada a partir de indicações do governo, com aprovação do Senado, ocupada por diretores de hospitais particulares, administradoras de benefícios (Qualicorp, por exemplo), entre outros. Sem contar a falta de fiscalização em relação à modalidade dos planos coletivos por adesão.

Os órgãos e instituições públicas da saúde estão contaminados pelos interesses dos grandes empresários. Ministério da Saúde, ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), Conselho Regional de Medicina, Vigilância Sanitária, entre outros, não cumprem com o seu papel e, com isso, cabe ao Judiciário fazer valer o direito à saúde, como consta do artigo 196 da Constituição Federal.

A Justiça fica, com isso, sobrecarregada por demandas que poderiam ser facilmente resolvidas. Faça uma visita ao plantão judiciário de sua região e entenderá do que estou falando. A judicialização da saúde demonstra sua importância, porém não é a única solução. Apenas punir exemplarmente os responsáveis por praticar crimes é enxugar o gelo.

Precisamos conscientizar a sociedade e saber que todos nós temos direitos e deveres. Nesse sentido surgiu o movimento Chega de Descaso  organização da sociedade civil que visa estimular a consciência crítica na sociedade, de maneira a retomarmos a vertente da participação social que vem diminuindo desde a construção do SUS (Sistema Único de Saúde).

Queremos promover um grande debate e uma maior interação entre profissionais de saúde e usuários. Acreditamos que a solução para o problema da saúde está em um SUS público, 100% estatal, universal e de qualidade. Precisamos valorizar a defesa do direito à saúde por meio do fortalecimento das lutas contra a mercantilização desta.

Sabemos que saúde se produz com acesso a recursos, mas para que haja desenvolvimento econômico precisamos de uma população saudável e com qualidade de vida. Nesse cenário, o movimento Chega de Descaso se apresenta como um novo movimento sanitário e convidamos a todos a fazerem parte dessa luta.

Leandro Farias, 25 anos, farmacêutico da Fiocruz é um dos integrantes do movimento Chega de Descaso.

Armas de San Francisco contra a seca

Crédito: BBC Brasil
Com o custo de R$ 578 milhões, o prédio da Comissão de Serviços Públicos, de 13 andares, é equipado com painéis solares, turbinas eólicas e um sistema de reciclagem de água. Ali a água que escorre nos ralos ou descargas é tratada no próprio edifício e reaproveitada para irrigar jardins no entorno.
Grave seca que atinge San Francisco há três anos obriga moradores a se adaptar

Em San Francisco, na Califórnia, os restaurantes deixaram de servir água aos clientes automaticamente, e agora só recebe um copo quem o pede ao garçom. Nos subúrbios da cidade, moradores começam a trocar seus gramados por plantas nativas que dispensem irrigação ou até por grama artificial.

As duas mudanças de comportamento são os efeitos mais visíveis em San Francisco da grave seca que há três anos atinge o mais populoso Estado americano.

Entre os san-franciscanos, porém, a falta de chuvas parece preocupar bem menos do que entre os paulistanos. Afinal, com o reservatório que abastece a cidade com 56% de sua capacidade, San Francisco lida com a seca numa posição muito mais confortável que São Paulo, onde o sistema Cantareira opera na reserva técnica desde maio de 2014.

O relativo conforto foi conquistado à custa de um esforço após graves estiagens nas décadas de 1980 e 1990, quando San Francisco enfrentou racionamentos e teve de remodelar a gestão de suas águas. Os episódios alertaram autoridades e moradores sobre a importância de poupar o recurso e puseram o tema na agenda das escolas da cidade.

Nos últimos 20 anos, o consumo médio de água por pessoa em San Francisco caiu 12% e hoje é o mais baixo da Califórnia.

Mesmo assim, quando em 2013 a seca se agravou e o prefeito Ed Lee pediu aos moradores que reduzissem o uso de água em 10%, a cidade foi além e baixou seu consumo em 14%. A meta só era obrigatória para quem usava água para irrigação; entre os demais consumidores, a redução foi voluntária.

Não houve até agora racionamentos e, como voltou a chover nos últimos meses, acredita-se que a medida será evitada também neste ano.

"Pode parecer simples demais, mas nossa estratégia principal tem sido poupar a água", diz à BBC Brasil Tyrone Jue, diretor de comunicação da Comissão de Serviços Públicos de San Francisco, responsável pelo abastecimento de 2,3 milhões de moradores na região.

Entre as principais medidas adotadas pela comissão nos últimos anos, Jue cita a exigência de que donos de imóveis troquem vasos sanitários e chuveiros por modelos mais econômicos como condição para que possam vender os bens. Os bons resultados dessa política estimularam o governo da Califórnia a adotá-la em 2014.

San Francisco também passou a conceder descontos para os consumidores que substituíssem chuveiros, máquinas de lavar e privadas por equipamentos mais eficientes. E passou a investir na diversificação de suas fontes de água, até então restritas a uma represa no Parque Nacional Yosemite, no leste da Califórnia.

Hoje alguns parques, clubes e campos de golfe da cidade são irrigados com água de esgoto reciclada. San Francisco também começou a explorar um aquífero, que até 2016 deverá fornecer 15% da água potável distribuída aos consumidores.

Lula e os Castros


Minha capacidade de indignação política atenua-se um pouco nos meses do ano que passo na Europa. Suponho que a razão disso seja o fato de que, lá, vivo em países democráticos nos quais, independentemente dos problemas de que padecem, há uma ampla margem de liberdade para a crítica, e a imprensa, os partidos, as instituições e os indivíduos costumam protestar de maneira íntegra e com estardalhaço quando ocorrem episódios ultrajantes e desprezíveis, principalmente no campo político.

Entretanto, na América Latina, onde costumo passar de três a quatro meses ao ano, esta capacidade de indignação volta sempre, com a fúria da minha juventude, e me faz viver sempre temeroso, alerta, desassossegado, esperando (e perguntando-me de onde virá desta vez) o fato execrável que, provavelmente, passará despercebido para a maioria, ou merecerá o beneplácito ou a indiferença geral.
     
Na semana passada experimentei mais uma vez esta sensação de asco e de ira, ao ver o risonho presidente Lula do Brasil abraçando carinhosamente Fidel e Raúl Castro, no mesmo momento em que os esbirros da ditadura cubana perseguiam os dissidentes e os sepultavam nos calabouços para impedir que assistissem ao enterro de Orlando Zapata Tamayo, o pedreiro pacifista da oposição, de 42 anos, pertencente ao Grupo dos 75, que os algozes castristas deixaram morrer de inanição — depois de submetê-lo em vida a confinamento, torturas e condená-lo com pretextos a mais de 30 anos de cárcere — depois de 85 dias de greve de fome.

     Qualquer pessoa que não tenha perdido a decência e tenha um mínimo de informação sobre o que acontece em Cuba espera do regime castrista que aja como sempre fez. Há uma absoluta coerência entre a condição de ditadura totalitária de Cuba e uma política terrorista de perseguição a toda forma de dissidência e de crítica, a violação sistemática dos mais elementares direitos humanos, de falsos processos para sepultar os opositores em prisões imundas e submetê-los a vexames até enlouquecê-los, matá-los ou impeli-los ao suicídio. Os irmãos Castro exercem há 51 anos esta política, e somente os idiotas poderiam esperar deles um comportamento diferente.
Mas de Luiz Inácio Lula da Silva, governante eleito em eleições legítimas, presidente constitucional de um país democrático como o Brasil, seria de esperar, pelo menos, uma atitude um pouco mais digna e coerente com a cultura democrática que teoricamente ele representa, e não o descaramento indecente de exibir-se, risonho e cúmplice, com os assassinos virtuais de um dissidente democrático, legitimando com sua presença e seu proceder a caçada de opositores desencadeada pelo regime no mesmo instante em que ele era fotografado abraçando os algozes de Zapata.

O presidente Lula sabia perfeitamente o que estava fazendo. Antes de viajar para Cuba, 50 dissidentes lhe haviam pedido uma audiência durante sua estadia em Havana para que intercedesse perante as autoridades da ilha pela libertação dos presos políticos martirizados, como Zapata, nos calabouços cubanos. Ele se negou a ambas as coisas.

Não os recebeu nem defendeu sua causa em suas duas visitas anteriores à ilha, cujo regime liberticida sempre elogiou sem o menor eufemismo.

Além disso, este comportamento do presidente brasileiro caracterizou todo o seu mandato. Há anos que, em sua política exterior, ele desmente de maneira sistemática sua política interna, na qual respeita as regras do estado de direito, e, em matéria econômica, em vez das receitas marxistas que propunha quando era sindicalista e candidato — dirigismo econômico, estatizações, repúdio dos investimentos estrangeiros, etc. —, promove uma economia de mercado e da livre iniciativa como qualquer estadista social-democrata europeu.

Mas, quando se trata do exterior, o presidente Lula se despe de suas vestimentas democráticas e abraça o comandante Chávez, Evo Morales, o comandante Ortega, ou seja, com a escória da América Latina, e não tem o menor escrúpulo em abrir as portas diplomáticas e econômicas do Brasil aos sátrapas teocráticos integristas do Irã.

O que significa esta duplicidade? Que Lula nunca mudou de verdade? Que é um simples mascarado, capaz de todas as piruetas ideológicas, um político medíocre sem espinha dorsal cívica e moral? Segundo alguns, os desígnios geopolíticos para o Brasil do presidente Lula estão acima de questiúnculas como Cuba, ou a Coreia do Norte, uma das ditaduras onde se cometem as piores violações dos direitos humanos e onde há mais presos políticos.

O importante para ele são coisas mais transcendentes como o Porto de Mariel, que o Brasil está financiando com US$ 300 milhões, ou a próxima construção pela Petrobrás de uma fábrica de lubrificantes em Havana. Diante de realizações deste porte, o que poderia importar ao "estadista" brasileiro que um pedreiro cubano qualquer, e ainda por cima negro e pobre, morresse de fome clamando por ninharias como a liberdade? Na verdade, tudo isto significa, infelizmente, que Lula é um típico mandatário "democrático" latino-americano.

Quase todos eles são do mesmo feitio, e quase todos, uns mais, outros menos, embora — quando não têm mais remédio — praticam a democracia no seio dos seus próprios países, mas, no exterior, não têm nenhuma vergonha, como Lula, em cortejar ditadores e demagogos, porque acham, coitados, que desta maneira os tapinhas amistosos lhes proporcionarão uma credencial de "progressistas" que os livrará de greves, revoluções e de campanhas internacionais acusando-os de violar os direitos humanos.

Como lembra o analista peruano Fernando Rospigliosi, em um artigo admirável: "Enquanto Zapata morria lentamente, os presidentes da América Latina — entre eles o algoz cubano — reuniam-se no México para criar uma organização (mais uma!) regional. Nem uma palavra saiu dali para exigir a liberdade ou um melhor tratamento para os mais de 200 presos políticos cubanos." O único que se atreveu a protestar — um justo entre os fariseus — foi o presidente eleito do Chile, Sebastián Piñera.

De modo que a cara de qualquer um destes chefes de Estado poderia substituir a de Luiz Inácio Lula da Silva, abraçando os irmãos Castro, na foto que me revoltou o estômago ao ver os jornais da manhã.

Estas caras não representam a liberdade, a limpeza moral, o civismo, a legalidade e a coerência na América Latina. Estes valores estão encarnados em pessoas como Orlando Zapata Tamayo, nas Damas de Branco, Oswaldo Payá, Elizardo Sánchez, a blogueira Yoani Sánchez, e em outros cubanos e cubanas que, sem se deixarem intimidar pelas pressões, as agressões e humilhações cotidianas de que são vítimas, continuam enfrentando a tirania castrista. E se encarnam ainda, em primeiro lugar, nas centenas de prisioneiros políticos e, sobretudo, no jornalista independente Guillermo Fariñas, que, enquanto escrevo este artigo, há oito dias está em greve de fome em Cuba para protestar pela morte de Zapata e exigir a libertação dos presos políticos.

O curioso e terrível paradoxo é que no interior de um dos mais desumanos e cruéis regimes que o continente conheceu se encontrem hoje os mais dignos e respeitáveis políticos da América Latina.
Mario Vargas Llosa (Publicado pelo jornal O Estado de São Paulo, em 07/03/2010)


Falta capacidade de planejamento


Não é incompetência, é burocracia. Os sistemas de água no Brasil, como muitas outras coisas, são altamente burocráticos e é muito difícil que absorvam inovações. A Sabesp tem abastecido água com qualidade, mas faltou planejamento a longo prazo e isso não é problema da Sabesp, é do Brasil que não tem capacidade de planejamento

José Galizia Tundisi, presidente do Instituto Internacional de Ecologia e membro da Academia de Ciências, é aos 77 anos um dos maiores especialistas em gerenciamento de recursos hídricos no Brasil. Tundisi foi convidado a visitar mais de 40 países que sofreram problemas de desabastecimento para ajudar a encontrar soluções. O pesquisador acredita que o problema de planejamento nesta crise hídrica em São Paulo não pode ser jogado só nos ombros da Sabesp, mas que se trata de um problema derivado da burocracia do país. Adverte, porém, que tempos difíceis virão e que as autoridades precisam ser "brutalmente" transparentes com a população para colocá-la do seu lado pois, de modo contrário, "a resposta será muito agressiva". Leia mais a entrevista

A receita para quebrar o Brasil


Em novembro, a doutora Dilma sancionou um projeto refinanciando as dívidas de estados e municípios. Coisa de R$ 500 bilhões, que deveriam ser pagos até 2039. Governadores e prefeitos que herdaram o espeto mexeram-se para mudar as condições de pagamento.

No carro-chefe ficou o comissário de São Paulo Fernando Haddad. Argumentava que a cidade tinha perdido a capacidade de investimento. Mudando-se o sistema, sua divida cairia de R$ 62 bilhões para R$ 36 bilhões. Como dinheiro não nasce em árvore, a Viúva perderá receita. Neste ano, seria uma mixórdia, apenas R$ 1 bilhão. Quem pagou tudo direitinho ferrou-se.

Esse assunto não tinha personagens satanizáveis, nem podia ser tratado como um escândalo. Teve até o apoio do PSDB. Virou uma coisa boa.

Quatro anos antes, o mesmo Fernando Haddad estava no Ministério da Educação e mudou as regras do Fundo de Financiamento Estudantil, o Fies.

Vivendo na ponta que distribui dinheiro, baixou os juros para 3,4% ao ano, ampliou os prazos de pagamento para três vezes o tempo de duração do curso e relaxou as exigências para os fiadores.

Criou-se a fiança solidária, bastando juntar três colegas da faculdade. De onde sairá o dinheiro emprestado a juros subsidiados e em condições imprevisíveis de retorno? Um palpite: da bolsa da Viúva.

Aquilo que poderia ser uma boa iniciativa virou uma estatização do risco do financiamento das universidades privadas. Esse tipo de crédito é socialmente necessário, desde que seja matematicamente sustentável.

Faculdades estimularam seus alunos a migrar para o Fies e, com isso, o número de bolsistas passou de 150 mil em 2010 para 4,4 milhões em 2014. Os financiamentos pularam de R$ 1,1 bilhão para R$ 13,4 bilhões.

Há faculdades onde os alunos que pagam as mensalidades tornaram-se uma raridade. Formaram-se conglomerados universitários, com ações na Bolsa.

O repórter José Roberto Toledo mostrou que, entre 2012 e novembro de 2014, enquanto o Ibovespa caiu 18%, as ações do grupo Kroton, com um milhão de alunos, valorizaram-se em 500% (Em 2014 o grupo recebeu R$ 2 bilhões do Fies, cifra inédita até para a Odebrecht).

O ministro Cid Gomes quis colocar método na maluquice, exigindo padrões de desempenho acadêmico às escolas, notas melhores dos alunos para o acesso ao programa e associou parte do desembolso à formatura do jovem.

Prenunciou-se uma “catástrofe”. Ou, nas palavras de Gabriel Mario Rodrigues, presidente da guilda das escolas privadas, “o governo fez uma cagada”, “o ministro não é do ramo” e “fala demais”.

Com toda a razão, ele diz que “não podemos confiar no governo”. Nem eles nem a torcida do Flamengo. Com a ajuda de parlamentares e de “gente trabalhando nas altas esferas” (em quem confiam), as empresas se articulam para desossar as medidas.

Ganha um fim de semana na Guiné Equatorial quem acredita que esses financiamentos dados com critérios frouxos e fianças capengas fecharão a conta na bolsa da Viúva. Vem por aí outro rombo. Como aconteceu com a dívida de estados e municípios, certamente será renegociado, noutros governos. É assim que se quebra um país.

Três letras que incomodam o PT

Que nunca faltem três letras
Nas lamúrias do PT
Embora haja vinte e seis
Pra quem aprendeu a ler.
Refiro-me concretamente
A apenas três: FHC.

São três letras que abreviam
Fernando Henrique Cardoso.
É o pesadelo de Lula,
Um político mafioso
Que usa o adversário
No sofrimento e no gozo.

Em dois mandatos seguidos,
Lula nunca apurou
Os erros de FHC
Que tanto denunciou.
Houve momentos em que
Ele até o elogiou.

Dizer que FHC
Arruinou a Petrobras
Num tempo já tão distante
(Quase quinze anos atrás)
Não deixa de ser bizarro
E duvidoso demais.

Durante seus dois mandatos
Lula não soube de nada
Ou então guardou silêncio
De forma premeditada,
Como quem quisesse andar
Tranquilo na mesma estrada.

Agora que está perdido,
Vendo o caminho estreitar,
Lula não faz um discurso
Sem as três letras citar:
É FHC aqui,
É FHC acolá.

Até uma CPI
Voltada pro Petrolão
Teria que retroagir
No tempo e na vastidão
De forma a intimidar
O grosso da oposição.

De repente FHC,
Por Lula sempre citado,
Teria que reviver
Todo o seu longo passado
Devendo então responder
Pelo que estivesse errado?

Impeachment para o PT
Seria golpe de estado.
Mas o de Collor não foi,
Eis que por ele pregado.
Só a Dilma é que não pode
Ter seu mandato cassado?

A petezada defende
Respeito ao eleitor,
Mas finge que não entende
O que Dilma aprontou,
Praticando tudo aquilo
Que em campanha condenou.

Ameaça retirar
Do pobre trabalhador
Aquilo que a duras penas
O coitado conquistou,
Coisa que nenhum governo
Algum dia imaginou.

Maltrata o aposentado
Como se fosse o demônio,
Fitando com desagrado
Seu suado patrimônio
Qualquer que seja a fortuna
Fruto de um longo sonho.

Aumenta o custo de vida
Nas alturas do avião,
Encarecendo a comida
Desde o arroz com feijão
Sem aumentar os salários
Na devida proporção.

Foi o PT que ensinou
Malandro a se rebelar,
Invadir propriedade
Quebrar tudo, espraguejar
E depois cair no mundo
Sem a despesa pagar.

Quem está na oposição
Jamais deve protestar:
É acusado de golpe.
Tem que sofrer e calar.
Caso contrário é golpista
Do regime militar.

Liberdade de expressão,
Para o PT, é golpismo.
Pensa em controlar a mídia
Como faz o comunismo
E não quer que as pessoas
Tenham medo desse abismo.

Manda dinheiro pra Cuba
E deixa faltar no Brasil.
Sobe o litro de gasolina
Sem que aumente o barril
E mente todos os dias
Como em primeiro de abril.

O PT que tanto prega
A igualdade social
Vende ilusão e entrega
Ruína descomunal.
Nivela tudo por baixo,
Maldizendo o capital.

Enquanto ataca a elite,
Igualada à burguesia,
O petista não consegue
Abrir mão da regalia.
Acumula patrimônio
Vinte e quatro horas por dia.

O exemplo de pobreza
Era o Lula operário.
Vivendo na esperteza,
Ludibriando o otário,
Hoje vive na riqueza
Como um grande milionário.

O fato é que neste mundo
O diabo tem os seus.
O PT segue à risca
A doutrina de Mateus,
Enquanto o povo humilhado
Entrega tudo pra Deus.

Mas chegará o momento
Em que o povo, maltratado,
Usará de um instrumento
Até hoje mal usado:
O voto como castigo
A quem o tem enganado.

Talvez tenha sido bom
Que o PT governasse,
Para que o povo entendesse
Como a maldade nasce
E assim sobrevivesse
Ao fanatismo de classe.

Se em tantos anos de mando
O PT só se queixou
Dos ricos e da elite
Que a ela se juntou,
Em ninguém mais mete medo:
Seu mundo desmoronou.

Raimundo Cazé