segunda-feira, 16 de junho de 2014

Pergunta indiscreta


Política cultural do atraso

O atraso de uma cidade não se mede apenas pelo que falta. A medida também pode ser feita pelos projetos, na maioria, em desuso por outras administrações e até não conformes com o politicamente correto. O abuso constante das populações através de obras e ações nada mais do que demagógicas e eleitoreiras entram no cálculo desse atraso que assola a maioria das administrações municipais pelo país afora.
Embora sejam uma maravilha nos folhetos de propaganda, nas matérias pagas dos jornais, na boca dos correligionários cooptados pelo dinheiro, em discursos babosos, os municípios assim administrados estão mais do que atrasados. Estão mesmo enfiados num lodaçal de canalhocracia, pois a calhordice virou mel na boca de muitos.
Com a ignorância que lhes é peculiar, os governantes e seus asseclas disparam loas a projetos de meia pataca como se fossem as mais revolucionárias realizações. Não só por serem canastrões de marca inferior como ainda por cima desclassificados para os cargos comissionados que ocupam. A ignorância entre eles é crassa de modo que transferem essa carga miasmática de burrice aos propalados projetos.
Exemplo recente está com um secretário, ou secretino, como já se convencionou chamar a canalha governamental em Maricá. Desqualificado de carteirinha, fala de uma “política cultural que aposta na oferta de atrações gratuitas para todos”, que nada mais é do que a gastança de dinheiro público para apresentação de shows como se os artistas da arraia miúda fossem a única opção de cultura para o município acima da literatura, das artes plásticas, da música erudita e popular de qualidade. E tudo oferecido com a velha e desgastada chancela de gratuidade, que não passa de um engodo, mais um, quando se sabe que o dinheiro para os shows comerciais são tirados de setores importantes para a sociedade como saúde e educação.



"Continuamos a ser um dos poucos povos do mundo que acreditam na existência de alguma coisa gratuita. E talvez o único em que o governo chancela, com dinheiro do cidadão, o aviltamento de marcos essenciais ao autorrespeito cultural e à identidade da nação, ao tempo em que incentiva o empobrecimento da língua e a manutenção do atraso e do privilégio"

Reflexão sobre a democracia social


A América do Sul foi, nestes anos, um laboratório político. Alguns países, o Peru entre eles, escolheram um caminho realista para o desenvolvimento econômico e social. Outros repetiram receitas errôneas e hoje devem pagar por seu equívoco. As cifras são contundentes. Segundo as projeções dos organismos mundiais (FMI, Banco Mundial) Peru, Chile e Colômbia podem crescer 5,5%, 4,5% e 4% em 2014, e em 2015 obteriam 5,5%, 4,5% e 4,5%, porque escolheram o caminho da abertura para o mundo, o investimento, a infraestrutura social e a educação como instrumentos da democracia para a redução sustentável da pobreza que, no caso do Peru, baixou de 48% para 28% em cinco anos, graças a um crescimento anual de 8%.
Outros, como a Venezuela, a Argentina e o Brasil optaram, em maior ou menor medida, pela regulação extrema ou o estatismo, o protecionismo, a distribuição de subsídios e o discurso confrontacional. Mas seu crescimento em 2014 será de 1,5%, -0,5% e 1,8% respectivamente, e em 2015 ficará em 1%, -1% e 2,7%. Por conseguinte, seus níveis de pobreza e de inflação aumentarão, sua infraestrutura decairá – e as massas brasileiras já denunciam isso –e crescerá seu endividamento público, que nos outros três países diminuiu. Tal é a consequência de dez anos de chavismo ou socialismo do século XXI e de torneios retóricos quase sempre acompanhados de limitações às liberdades democráticas.

Alan García foi presidente do Peru entre 1985-1990 e 2006-2011. Leia mais

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Imagem do Dia


É hora de a Fifa descer do pedestal


Finalmente a Copa vai começar! E, quando a bola rolar, todas as preocupações em torno da organização do espetáculo esportivo no Brasil serão coisa do passado, é o que esperam muitos aficionados pelo futebol. O que interessa são os gols, e o orgulho nacional dos torcedores cresce a cada vitória das suas seleções.
Mas essa expectativa será cumprida apenas em parte. Pois essa Copa mudou o Brasil antes mesmo do apito inicial. E ela também vai mudar a Fifa. A disposição de sediar uma Copa do Mundo dentro do "padrão Fifa" diminuiu muito, em todo o mundo, depois dos protestos no Brasil. Justamente no país do futebol, o padrão Fifa chegou aos seus limites, e é bom que seja assim.
O Brasil questionou o modelo de negócios da Fifa. Como é possível, indagaram muitos dos 200 milhões de brasileiros, que a Constituição e a legislação do país sejam parcialmente suspensas por causa de uma Copa do Mundo? Que uma lei especial aprovada às pressas suspenda a proibição da venda de álcool nos estádios? Como é possível que, para patrocinadores e dirigentes, existam leis diferentes daquelas válidas para a população? E que uma federação esportiva e seus parceiros fechem contratos às custas do bem coletivo e restrinjam a liberdade de circulação de milhões de pessoas?

É o que é


MPT fiscaliza condições em clubes

Sediar uma Copa do Mundo e ter novos estádios não significa que os clubes brasileiros oferecem boas condições em sua formação profissional de base. Foi o que constatou o Ministério Público do Trabalho em 29 inspeções realizadas em 22 clubes de futebol do Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Roraima, Mato Grosso e Minas Gerais, entre eles Flamengo, Corinthians e Atlético Paranaense. Os principais problemas encontrados foram a formalização de contratos firmados com os adolescentes e existência de alojamentos insalubres e degradantes, com instalações sanitárias e vestiários precários.
As irregularidades nos contratos se referem à falta de documentação dos adolescentes e crianças e a autorização dos pais. Em alguns casos, faltam até contratos. Nos alojamentos de atletas adolescentes, há condições degradantes e insalubres, como falta de armários individualizados e condições de higiene inadequadas. Nem todos os clubes contam com estrutura de acompanhamento interno de médico, psicólogo e fisioterapeuta para atendimento dos atletas, por exemplo, em casos de grave lesão. Um dos quesitos que a maioria dos clubes tem de positivo é a alimentação, que segue padrão de higiene e  nutrição balanceada.
Para o procurador do Trabalho Rafael Dias Marques, coordenador nacional de Combate à Exploração do Trabalho da Criança e do Adolescente (Coordinfância) do MPT, o relatório das inspeções demonstra que “a formação profissional de atletas no Brasil, em grande parte, ocorre em desrespeito aos direitos fundamentais da infância, o que deve servir de alerta ao sistema de garantia”. Segundo ele, os clubes serão chamados para ajustar suas condutas ilícitas, podendo, ainda, sofrer ações judiciais para reparação dos danos causados.
Foram inspecionados Botafogo, Fluminense, Flamengo (RJ);  Palmeiras, Nacional, Audax, Corinthians, São Paulo, Botafogo, Comercial, Guariba, Monte Azul, Olé Brasil, Sertãozinho (SP); Mamoré, Nacional de Nova Serrana e Patrocinense (MG); Atlético Paranaense e Centro de Excelência Alexandre Pato (PR); Genus (RO); Brasil Central e Cuiabá (MT).

quinta-feira, 12 de junho de 2014

O país da Copa

 

Alta de bolsas eleva patrimônio privado global

Os ganhos no mercado financeiro, em especial na China, elevaram o patrimônio global das famílias em 14% no ano passado, para um volume recorde de US$ 152 trilhões - o equivalente a cerca de dez vezes o tamanho da economia americana, segundo um relatório da consultoria Boston Consulting Group.
No Brasil, onde o patrimônio das famílias havia crescido 14% em 2012, a alta em 2013 foi menor - 5,6% - por causa do ritmo mais fraco do mercado de ações e títulos no ano passado.
O patrimônio é calculado levando em conta a poupança, depósitos em dinheiro, ações e outros ativos. Imóveis, artigos de luxo e empresas não são contabilizados.
“Pergunto aos economistas políticos, aos moralistas, se já calcularam o número de indivíduos que é forçoso condenar à miséria, ao trabalho desproporcionado à desmoralização, à infância, à ignorância crapulosa, à desgraça invencível, à penúria absoluta, para produzir um rico?”
Almeida Garret

Brasil de outros tempos

Estrada do Mundo Novo com Pão de Açúcar ao fundo, Abigail de Andrade (1864/1890)

Perigosos

“Nunca ataco os escritores; os políticos são bons alvos porque são perigosos”
Gore Vidal, escritor norte-americano (1925 -2012)

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Algo de podre no ar


Os dissidentes distribuíram dois documentos críticos ao governo federal na convenção. “A Petrobras foi totalmente aparelhada. Deixou de ser um orgulho nacional para se transformar em um balcão de negócios destinado a tenebrosas transações. Seu valor de mercado caiu pela metade e sua dívida duplicou nos últimos três anos”,
Trecho de um dos documentos dos dissidentes (41%) na convenção nacional do PMDB. Se o partido de base do governo diz isso, mesmo indicando diretores da Petrobras nos governos Lula e Dilma, é que a coisa está feia. Aliado de 12 anos agora vem revelar os podres?

Dica pra Copa


Abismo na educação entre Brasil e países ricos


O brasileiro trabalha mais do que a média dos habitantes dos países ricos, mas é mais pobre do que todos.
A explicação:o brasileiro trabalha, trabalha e no final produz pouco, pois é pouco instruído. Ou seja, seu suor não agrega muito à economia.
Um novo estudo da OCDE, espécie de clube dos países ricos, mostra que, apesar do zunzunzum "Brasil potência” da última década, o Brasil ainda tem muito chão a percorrer antes de comparar-se ao primeiro mundo.
Aqui, apenas 43% dos adultos entre 25 e 64 anos possuem o equivalente ao diploma de ensino médio. É muito menos do que a média da OCDE (75%) e bem menos do que o nosso vizinho Chile (72%).

Conta outra, presidenta


É piada pra rir ou lamentar, presidenta? De repente, não mais do que de repente, a senhora descobre a pólvora. com ares doutorais, com beca e capelo, estabelece que a distribuição de renda será estratégica na educação. Eureka! Eureka! E sai ela da banheira do Planalto em altos brados como uma Arquimedes em véspera de eleição, quando todas as bobagens são permitidas para arrancar um votinho do eleitor panaca. Com um dos piores índices de educação no mundo, a inteligência governamental descobre que aí está a saída para o progresso. Seria mais uma bobagem se não fosse tão calhorda a afirmação da presidenta. Não precisa ter os dotes presidenciais para se saber muito bem que a educação é estratégica para a distribuição de renda, em suma, para a economia.

Apesar das demagógicas medidas anunciadas, de um destrambelhada administração da dupla aloprada, Mercadante e Haddad, incapazes de qualquer medida realmente educacional no país, o tema está novamente em foco. Mas que foco será esse que continua a ser uma piada educacional? Qualquer néscio em educação sabe que a mínima medida adotada hoje no setor só terá resultados em 20 anos! E as erradas, eleitoreiras medidas, não têm qualquer sentido, ainda prorrogando indefinidamente o prazo para maiores conquistas no setor. O Brasil está rendido para mais três décadas, no mínimo, de falta de educação com o que os petistas organizaram o setor. E ainda fazem de tudo para aparecer bem na foto até inaugurando iniciativas privadas, alegando parceria entre empreendedores e universidades, como se isso fosse ação de governo.

terça-feira, 10 de junho de 2014

Protesto das ruas






"Não importa o quão bem-sucedido seja o evento, e quão mágica será a atmosfera entre 12 de junho e 13 de julho, duas crenças básicas provavelmente não serão abaladas: uma significante parcela da população brasileira seguirá com a opinião de que a Copa do Mundo custou demais, e deu muito pouco retorno."
 Tim Vickery em O 'clima' de Copa está chegando, mas e os protestos?

Países sem excelências e mordomias



A série de reportagens para a televisão feitas por Cláudia Wallin agora se torna livro. "Um país sem excelências e mordomias" foi lançado pela Geração Editorial


segunda-feira, 9 de junho de 2014

Cobrança

"Depois da Copa, a gente volta a cobrar os políticos"
Daniel Alves, lateral direito da Seleção Brasileira

Governo nega projeto 'marxista'

Um projeto de pesquisa envolvendo três universidades públicas foi negado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), ligada ao Ministério da Educação (MEC), por utilizar o marxismo “cuja contribuição à ciência brasileira parece duvidosa” como metodologia, segundo parecer da instituição.
O projeto intitulado “Crise do Capital e Fundo Público: Implicações para o Trabalho, os Direitos e as Políticas Sociais” foi apresentado para um edital da Capes por 19 professores universitários, 9 doutorandos, 15 mestrandos e 27 graduados da Universidade de Brasília (Unb), da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) e da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).
 "As ciências humanas vêm perdendo espaços nas agências de fomento em função da predominância da técnica em detrimento da crítica. O problema é ideológico. Ao negar o marxismo, estão negando pesquisadores como Florestan Fernandes, Octavio Ianni e Marilena Chauí"
  Elaine Behring, uma das coordenadoras

Leia mais Governo nega projeto por ser marxista e revolta pesquisadores da UnB, Uerj e UFRN

sábado, 7 de junho de 2014

O mito caiu







"Quando Lula trouxe a Copa para o Brasil, seria o coroamento de um ciclo dourado do governo Lula, mas o eleitor está percebendo agora que foi o fim de um mito, que o mito ruiu."