quinta-feira, 29 de outubro de 2026

A fuga do amarelão

Qual você prefere? Amarelão, covarde, medroso, pusilânime, frangote, maricas, desertor, foragido, poltrão, peidão, pipoqueiro, frouxo, trêmulo, borrão, arregão? Ou, numa palavra, cagão — digo, fujão? Se você for um dos meus fiéis leitores bolsonaristas ou um dos 59.826.041 eleitores que cravaram o número de Flávio Bolsonaro na urna neste domingo, a escolha é farta. Todas definem o caráter do homem que, não fosse por outros 64.256.232 brasileiros, poderia ser agora o presidente da República. Derrotado e sujeito a investigação e processo por uma quantidade de acusações — a escolha também é farta —, preferiu escafeder-se a enfrentar a Justiça. Onde está o machão que ele fingia ser?


Menos de 12 horas depois de produzir um vídeo em que bateu no peito e desmentiu a possibilidade de fugir do país —ao contrário, entregaria os passaportes e ficaria para liderar a oposição, retomar o Brasil e fazer e acontecer—, meteu-se na escuridão, tomou um avião na moita ou atravessou de cócoras a fronteira e foi se esconder sob a gravata vermelha de seu chefe, Donald Trump.

Como ficaram seus seguidores que assistiram ao vídeo e acreditaram nele? Como passaram a vê-lo depois desta? Se quiserem, aqui vão sugestões: falso, embusteiro, fingido, enganador, trapaceiro, mendaz, pérfido, perjuro, desleal, simulado, charlatão, cascateiro, impostor, xavequeiro, patureba, trambiqueiro. Ou, também, em uma palavra, mentiroso.

É uma atitude decepcionante para alguém que, assim como seus adeptos, fala grosso, faz arminha, ronca motocicletas e exibe braços musculosos sob as camisetas amarelas, mas é incapaz de enfrentar uma Justiça armada apenas com fatos, números e provas. A contrapô-los com seus próprios fatos, números e provas, escolheu vazar, escapar, ciscar, dar o pira, cair fora, dar no pé, picar a mula. Em resumo, fugir.

Ao abandonar seus eleitores —na verdade, traí-los—, Flávio Bolsonaro apenas repetiu o que levou toda a campanha fazendo: mentir para eles, iludi-los, ludibriá-los, fazê-los de otários.

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