sábado, 21 de fevereiro de 2015

Alalaô, ô, ô, ô, ô

Não é a primeira vez, e nem será a última, que o carnaval do Rio de Janeiro, um dos espetáculos de maior visibilidade do mundo, serve de vitrine para tentar melhorar a imagem de países corruptos. Em 2006 e 2012, a estatal de petróleo da Venezuela e o governo de Angola, respectivamente, patrocinaram a escola de samba Unidos de Vila Isabel: os dois países disputam, segundo a Transparência Internacional, o sétimo lugar entre as nações mais corruptas – conseguem se situar abaixo da Guiné Equatorial... Mazelas do terceiro mundo, comentará o leitor esclarecido, dando de ombros. O que eu tenho com isso, perguntará a maioria, enfadada, preparando-se para finalmente começar o ano de 2015 nesta terra abençoada por Deus e bonita por natureza.
Leia mais o artigo de Luiz Ruffato, "Alalaô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô!"
PS: Também não é a primeira, nem a última que governos estaduais e municipais promoverão descaradamente as escolas de samba para promover com recursos públicos as "belezas" de sua região. Dois exemplos: Maranhão dos Sarneys e Maricá (RJ) de Quaquá 

O jugo e o julgo


Aqueles que acompanham de perto os desfechos do maior espetáculo da terra sabem o que faz um décimo a mais ou a menos na contagem final dos pontos das grandes escolas de samba cariocas. A elite no reinado de Momo se parece com todas as elites – suas disputas estão em um nível tão alto que, se fosse turfe, todos os páreos seriam decididos no fotochart. Porém, diferentemente dos critérios objetivos do esporte, a arte está sempre submetida ao caráter subjetivo. E, no pantanoso terreno da subjetividade, interesses alheios à técnica podem ganhar um salvo conduto muito perigoso. Considero este ponto importantíssimo para analisar a vitória da Beija-Flor de Nilópolis no Carnaval 2015.

Do mesmo modo como são da área os que julgam artes plásticas, música e dança (ou cinema, teatro, literatura…), igualmente na Sapucaí todos estão inter pares: carnavalescos julgando carnavalescos. E, por triste que seja, existe entre eles simpatias e desafetos, inveja e admiração, submissão e revolta, honestidade e corrupção. A humanidade em todas suas nuances se impõe para municiar o julgamento, abrindo uma indesejável fenda por onde pode ser contaminada a imparcialidade. As preferências dependem tanto do humor de quem julga quanto de sua bagagem teórica. A única saída para desarmar a contaminação desta “sala aberta” chamada júri é tornar o sentimento secundário diante da razão. E assumir as consequências.

Paciência: enquanto os mais românticos lamentam uma vencedora obter recursos de um governo ditatorial para louvar um país de povo miserável – no caso, a Guiné Equatorial –, sempre haverá quem recorde ser este certame uma competição para premiar a melhor, não a mais criativa, impactante ou politicamente correta passagem pela avenida. Todo o esforço da comunidade de uma escola de samba precisa se concentrar na competência. E quando, desde o princípio, o julgador sabe da inutilidade de uma perseguição pessoal ou política para impor vitórias e derrotas na contagem final (relembrando, a nota mais baixa é descartada), a chance de premiar o mérito artístico sobe muitos pontos.

Mas se você está entre os que consideraram um verdadeiro absurdo a agremiação de Nilópolis ser parcialmente financiada por um homem como Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, proponho outro olhar: a vitória da Beija-Flor, por vias tortas, mais denuncia do que absolve o regime totalitário que mantém sob seu domínio a riqueza de uma população humilde. Ou fazia parte de seu repertório detalhes sobre a Guiné Equatorial antes do desfile? Honestamente, você conhecia Teodoro? Sabia que ele e o filho, Teodorin, são fãs de futebol, samba e enriquecimento ilícito (três das grandes instituições brasileiras)? Ah, pois é…

País e cultura, cedo ou tarde (pacífica ou dolorosamente) expurgam governos – o que não significa que o poder simplesmente troque de mãos, num círculo vicioso típico da miséria humana e muito comum no Terceiro Mundo. Porém, na avenida, o que está em julgamento é a qualidade do espetáculo. Aliás, Teodoro não inventou moda: Venezuela e Angola (antes da Guiné); prefeitos e governadores já fizeram de seus interesses enredos com dinheiro que poderia ser melhor aplicado, na minha opinião. Mas nem mesmo este desonroso patrocínio pode contaminar o júri, sob risco de o Carnaval acabar submetido à censura prévia de grupos que detém o poder no momento. O que parece remédio pode facilmente virar veneno.

Conspurcar o título da Beija-Flor é quase como macular a vitória da Seleção Brasileira de 1970. Em ambos os casos, contra o senso comum, eu ainda opto por separar o jugo do julgo.

PS: mangueirense por simpatia, este ano estava torcendo para a Portela ganhar.

Rubem Penz

Escassez de água no Brasil e sua distribuição no mundo

Nenhuma questão hoje é mais importante do que a da água. Dela depende a sobrevivência de toda a cadeia da vida e, consequentemente, de nosso próprio futuro. Especialistas e grupos humanistas já sugeriram um pacto social mundial ao redor daquilo que é vital para todos: a água.

Independentemente das discussões que cercam o tema da água, podemos fazer uma afirmação segura e indiscutível: a água é um bem natural, vital, insubstituível e comum. Nenhum ser vivo pode viver sem a água.

Consideremos rapidamente os dados básicos sobre a água no planeta Terra: ela já existe há 500 milhões de anos; somente 2,5% da água disponível no mundo é doce. Mais de 2/3 dessas águas doces encontram-se nas calotas polares e geleiras e no cume das montanhas (68,9%); quase todo o restante (29,9%) é de águas subterrâneas. Sobram 0,9% nos pântanos e apenas 0,3% nos rios e lagos. Desses, 70% se destinam à irrigação na agricultura, 20% à indústria, e sobram apenas 10% para uso humano e dessedentação dos animais.

Existe no planeta cerca de 1,36 bilhão de km³ de água. Se tomássemos toda a água de oceanos, lagos, rios, aquíferos e calotas polares e a distribuíssemos equitativamente sobre a superfície terrestre, a Terra ficaria mergulhada debaixo da água a 3 km de profundidade.

A renovação das águas é da ordem de 43 mil km³ por ano, enquanto o consumo total é estimado em 6.000 km³ por ano. Portanto, não há falta de água.

O problema é que se encontra desigualmente distribuída: 60% em apenas nove países, enquanto 80 outros enfrentam escassez. Pouco menos de 1 bilhão de pessoas consomem 86% da água existente, enquanto para 1,4 bilhão é insuficiente e para 2 bilhões não é tratada, o que gera 85% das doenças, segundo a OMS.

O Brasil é a potência natural das águas, com 12% de toda água doce do planeta, mas ela é desigualmente distribuída: 72% na região amazônica, 16% no Centro-Oeste, 8% no Sul e no Sudeste e 4% no Nordeste. Apesar da abundância, não sabemos usar a água, pois 37% da tratada é desperdiçada, o que daria para abastecer toda a França, a Bélgica, a Suíça e o norte da Itália. É urgente, portanto, um novo padrão cultural em relação a esse bem tão essencial.

Há uma corrida mundial para a privatização da água. Criou-se um mercado das águas que envolve mais de US$ 100 bilhões.

Mas há também fortes reações populares, como ocorreu no ano 2000 em Cochabamba, na Bolívia. A empresa norte-americana Bechtel comprou as águas e elevou os preços a 35%. A reação organizada da população botou a empresa para correr do país.

O grande debate hoje se trava nestes termos: a água é fonte de vida ou de lucro? É um bem natural vital ou um bem econômico? Ambas as dimensões não se excluem, mas devem ser retamente relacionadas. Fundamentalmente, a água pertence ao direito à vida. Nesse sentido, a água de beber, para uso na alimentação e para higiene pessoal e dessedentação dos animais deve ser gratuita.

Como, porém, ela é escassa e demanda uma complexa estrutura de captação, conservação, tratamento e distribuição, implica uma inegável dimensão econômica, que, entretanto, não deve prevalecer sobre a outra.

Uma fome zero mundial, prevista pelas Metas do Milênio da ONU, deve incluir a sede zero, pois não há alimento que possa existir e ser consumido sem água. Água é vida, um dos símbolos mais poderosos da natureza. Sem ela, não viveríamos.
Leonardo Boff

Em busca da governabilidade perdida

Caso não aja uma correção de rumo, o envelhecimento precoce do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff seguirá de forma inexorável

A agressividade dos tempos eleitorais recentes inviabilizou o diálogo do governo com a oposição. No pós-eleitoral, quando uma mão estendida seria o mais adequado, não houve comportamento adequado. O governo precisa então entender que ganhar eleição é uma coisa; já governar é outra completamente diferente.

Agora, o governo está sendo cozido dentro de uma panela de pressão. Por vontade própria, colocou-se dentro da panela e, gradualmente, foi aumentando a temperatura. No campo econômico, a solução implementada pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, vive em meio a dois desafios: resolver as questões econômicas e lidar, simultaneamente, com o fogo amigo.

No campo político, foram meses – já que o novo governo começou, de fato, após o segundo turno, em outubro passado – de confusão e desentendimento. Tal conjuntura demoliu a popularidade do governo e agregou mais pressão.

Onde vai parar tudo isso? Caso não aja uma correção de rumo, o envelhecimento precoce do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff seguirá de forma inexorável. Não é, obviamente, o que ela deseja. O que fazer?

Leia mais o artigo de Murillo de Aragão

Outra vez tropeçou na própria 'defesa'

A própria presidente entrou na campanha de propaganda defensiva, aceitando a tática infamante da velha anedota do punguista que mete a mão no bolso da vitima, rouba e sai gritando “pega ladrão”!
Fernando Henrique Cardoso

Brasil corre risco de sofrer confronto popular?

Analistas começam a se preocupar com a possibilidade de que o país entre num círculo de conflito que o deixe parecido com a Argentina ou Venezuela
O Brasil, em vez de se dividir, sempre se uniu no passado para defender as grandes batalhas democráticas. Foi assim nas manifestações de massa das “Diretas Já”, para pedir a volta do direito ao voto popular, e quando, juntos, os brasileiros saíram às ruas, vestidos de preto, para exigir o impeachment do então presidente Fernando Collor de Mello. O país nunca teve comichão pelo confronto popular.

O Carnaval deste ano está sendo outra prova desse gosto dos brasileiros pela aglomeração na rua, tanto nos momentos de dor quanto nos de alegria e prazer. Milhões de pessoas de todas as classes sociais, de Norte a Sul do país, desfilaram pacificamente em milhares de blocos de todas as idades e ideias políticas para se divertir em paz.


A História ensina o quão perigosa é a força desses excluídos quando descobrem que estão sendo enganados ou manipulados pelos malabarismos do poder.
Mas pela primeira vez os analistas começam a se preocupar com a possibilidade de que o país entre, por motivos políticos e para reagir à corrupção e à crise econômica e de desencanto com a política, num círculo de confronto popular que pode deixá-lo mais parecido com a Argentina ou com a Venezuela que com sua própria história.

No Brasil começam a ressoar dois gritos preocupantes: o de impeachment da presidenta Dilma Rousseff, recém-eleita nas urnas, e o de uma possível guerra civil, não sangrenta, mas de consequências difíceis de medir, em que os cidadãos poderiam acabar se enfrentando nas ruas, pela primeira vez não unidos em defesa de uma causa comum, mas com ruídos de “guerra”.

Já foi explicado pelos especialistas em direito que o pedido de impeachment não é nenhum golpe contra a democracia, já que está previsto na Constituição e pode ser solicitado por qualquer cidadão que acredite que haja motivos para isso.

Difícil saber o eco popular que poderão ter as manifestações convocadas em caráter nacional para 15 de março, para pedir a saída do Governo da presidenta Dilma Rousseff. O que é indiscutível é que, diante da corrupção e da crise econômica, cresce o descontentamento popular, até nas pessoas menos favorecidas, as da classe C, que até ontem eram o fiel baluarte do governo do PT e hoje começam a se distanciar dele, como se depreende da última pesquisa do Datafolha.

Depor de seu cargo um presidente, ainda que isso carregue sempre um certo drama, supõe passar pelos procedimentos jurídicos previstos na Constituição, com severo controle pelo Congresso: o impeachment precisa ter dois terços dos votos na Câmara e no Senado.

Tal pedido, inclusive bradado nas ruas pelos brasileiros descontentes com o governo, como um dia fez o PT ao pedir, na oposição, a saída do então presidente Fernando Henrique Cardoso, não deveria ser motivo de preocupação em termos democráticos.

O que hoje começa a dar medo é que algumas forças políticas, tentadas pelo demônio da perpetuação no poder a qualquer preço, em vez de buscar meios de sair da crise, possam acabar dividindo o país, como já acontece na Argentina e na Venezuela, com impulsos, como naqueles países, de amordaçar a informação livre.

Um pedido de impeachment pressupõe um exercício democrático, no qual os eleitores acreditem que o governante vitorioso e democraticamente eleito nas urnas tenha se tornado indigno de continuar no poder. Nada mais.

Ao contrário, um confronto que dividisse o país em dois grupos irreconciliáveis, já sem distinguir quem fosse governo ou oposição, poderia criar a tentação à violência, que não se sabe ao que poderia levar.

Esse tipo de confronto civil, que torna irreconciliáveis as duas partes em conflito e acaba dividindo salomonicamente um país, dificulta desde seu nascimento qualquer solução democrática, porque em vez de diálogo e racionalidade, reina a paixão, cultivada mais com o fígado que com o cérebro.

Nada pior neste momento, por exemplo, que uma parte do partido do Governo querer empurrar as ruas usando seus sindicatos e movimento sociais contra as medidas de austeridades defendidas por seu próprio Governo para tirar o país da crise.

Leia mais o artigo de Juan Arias

Alemanha tem maior nível de pobreza desde Reunificação


Cerca de 12,5 milhões de alemães, ou 15,5% da população, são considerados pobres, aponta estudo. Trata-se do pior índice registrado desde 1990. Situação é particularmente grave entre os aposentados
A pobreza e o abismo entre os estados ricos e pobres da Alemanha estão aumentando, alertou a Associação alemã do bem-estar Social (Paritätischer Wohlfahrtsverband) nesta quinta-feira (19/02). Em 2013, o índice de pobreza no país chegou a 15,5%, o que equivale a cerca de 12,5 milhões de pessoas.

"A pobreza nunca foi tão grande e a disparidade regional nunca foi tão profunda" afirmou Ulrich Schneider, diretor da associação, se referindo aos 25 anos que se passaram desde a Reunificação da Alemanha, em 1990.

A associação define como "pobres" as famílias que têm renda 60% menor do que a média do país. Em 2012, 15% da população estavam nessa faixa.

Segundo o relatório divulgado nesta quinta-feira, os estados mais afetados pela pobreza são Bremen, Berlim e Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental. Na outra ponta, estão Baden-Württemberg e a Baviera, os estados mais ricos com base no PIB. As únicas unidades federativas em que se verificou um leve declínio nos índices de pobreza foram Saxônia-Anhalt e Brandemburgo.

"De modo geral, o ranking dos estados mostra uma república esfarrapada", disse Schneider. Para combater a crescente pobreza, seria necessária uma grande expansão do emprego público, entre outras medidas, afirmou.

A ministra alemã do Trabalho, Andrea Nahles, anunciou no mês passado a criação de milhares de empregos para os desfavorecidos no país até 2020. Para isso, seriam utilizados 2,7 bilhões de euros do Fundo Social Europeu, além de 4,3 bilhões de euros da Alemanha.

Quase 40% das verbas deverão ser investidas na "promoção da integração social e na luta contra a pobreza", afirmou a ministra.

Os grupos sociais mais ameaçados pela pobreza são os desempregados, as mães solteiras e as pessoas com baixo nível educacional. Schneider alertou que a pobreza também está aumentando significativamente entre os aposentados, grupo cuja renda mais diminuiu desde 2006.

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Reflexões sobre país que virou de cabeça para baixo


Este é o país da impunidade, da inversão de valores, onde quem infringe a lei é chamado de esperto e quem trabalha direito é taxado de otário, um burro de carga predestinado a carregar os outros. Neste país, o exemplo a ser seguido pelo jovem que quer vencer na vida é dado pelos bandidos de todas as classes sociais e de todos os tipos de crimes. Para estes, o trabalho de adquirir um simples carro ou um lugar para morar será infinitamente mais curto e menos trabalhoso do que o trabalho enfrentado por quem busca uma vida digna.

Se em uma rua estiverem duas crianças, uma vendendo balinha e outra assaltando, o Estado dará nutricionista, seis refeições diárias, psicólogo, quadra de futebol e piscina para a criança assaltante e deixará a outra criança se cozinhando no sol e comendo arroz com feijão e ovo…

Se o jovem (seja moça ou rapaz) quiser vencer na vida através do trabalho e do estudo, passará anos e anos andando pendurado em ônibus entre a favela e o seu trabalho, entortará a coluna em cadeiras de madeira e, se enfim conseguir alguma coisa na vida, ao se olhar no espelho verá que terá perdido a juventude nessa luta… Verá que foi um verdadeiro otário.

No Brasil compensa ser criminoso. Aqui, diante da inexistência de Justiça, embora tenhamos o Poder Judiciário mais caro do planeta, a impunidade e a falta de vergonha reinam absolutas.

Para o bandido tudo é mais fácil: belos carrões, farras, namoradas, um emprego de fachada… e uma casa em bairro nobre. Tem até defensores e deputados para lhe garantir que não seja incomodado pela polícia nem precise cumprir a lei. Poderá contar com o socorro até mesmo da Presidência da República e do Itamaraty, caso cometa algum crime no exterior.

Imaginem como seria maravilhosa esta terra se por aqui existisse Justiça. Se um só magistrado, de braços dados com a moralidade e coerente com o importantíssimo cargo que ocupa, está causando todo esse rebuliço, imagine como seria o país e o quanto de dinheiro dos nossos impostos sobraria nos cofres públicos, se pelo menos a metade dos homens do Poder Judiciário cumprissem com honra o seu dever.

Imagine como seria o Poder Judiciário se os seus cargos mais importantes fossem ocupados por pessoas destituídas de conchavos e de acordos espúrios com os coronéis e caciques dos Poderes Executivo e Legislativo. Não seríamos outro país, seríamos outro mundo.

Um país sem Justiça não pode ser considerado uma nação civilizada. E não nos esqueçamos de culpar a ditadura militar por isso também…

Francisco Vieira

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Vitória com sangue


Dilma precisa oferecer algum tipo de esperança

Em momentos de ajuste na economia – de “saco de maldades”, como agora – Dilma precisa oferecer à população algum tipo de esperança. Alguma palavra de conforto. De que o sacrifício de hoje – o aumento de impostos, o reajuste da luz, da gasolina, de juros para casa própria, a restrição de acesso a benefícios como o seguro-desemprego – vai valer a pena mais para frente.

De otimista no Brasil, restou o “mercado” – aquelas instituições financeiras e bancos que lucram com a dívida pública brasileira. O “ajuste” é para isso, para manter a dívida pública administrável.

A pesquisa Datafolha divulgada recentemente apontou que o brasileiro, pela primeira vez em muitos meses, está francamente pessimista: 81% acham que a inflação vai aumentar, 62% acreditam na piora do desemprego, 57% acham que o poder de compra dos salários vai cair e 55% dizem que sua situação econômica pessoal vai piorar.

Todos esses números de pessimismo dispararam do início do ano para cá. De uma hora para outra, o brasileiro sentiu a piora da situação econômica, que já se anunciava há tempos, mas que o “saco de maldades” divulgado pelo governo desde dezembro parece ter tornado palpável. Acompanhado, é claro, de medidas que afetam diretamente o bolso, como o aumento das tarifas de ônibus.

A economia se tornou preocupação crucial para as famílias, o que não era três meses atrás, quando Dilma se reelegeu por um triz e o otimismo ainda prevalecia, segundo as pesquisas.

Seja como for, cabe a Dilma agora, como caberia a qualquer governante, dirigir-se ao país. Não vale aparecer cozinhando na propaganda eleitoral, como se íntima do eleitor fosse, para depois desaparecer da vida das pessoas.

Lula soube falar à população em seu primeiro mandato (2003-2006), quando também promoveu um ajuste forte na economia, mas de algum modo cultivou a esperança (de que o país mudaria, de que a situação melhoraria, em especial para os mais pobres). Lula teve a seu favor, é verdade, a conjuntura econômica internacional, basicamente a valorização nos preços das chamadas commodities, como minério de ferro e soja para exportação. Isso ficou no passado.

Dilma não conta com ventos econômicos favoráveis. Transmitir esperança diante desse horizonte é mais difícil ainda, mas necessário. Talvez a única coisa que Dilma tenha a fazer (e que não pesa no orçamento federal).

Prefeitos testam 'vacinas' contra violência

Crianças em centro recreativo em Cáli, na Colômbia
Três cidades com alta taxa de homicídio aplicam fórmulas que não passam pela linha dura
É uma discussão que se repete nos meios de comunicação e nas campanhas políticas dos países mais afetados pela violência criminosa: é preciso aplicar em maior escala a linha dura, ser mais implacável e até considerar a possibilidade da pena de morte para os casos mais graves.

Mas alguns governantes locais da América Latina estão mostrando em seu território que nem sempre usar a violência para reduzir a violência é a melhor opção. E que às vezes, com medidas simples, práticas e de muito baixo custo, são obtidos resultados positivos.
Durante uma visita à sede do Banco Mundial, em Washington, três prefeitos de cidades consideradas entre as mais violentas da região compartilharam suas fórmulas pouco convencionais para resolver um problema que em muitos países afeta principalmente os jovens e é a principal preocupação da população.
Há muito tempo essa instituição considera a insegurança da população como um dos grandes temas do desenvolvimento no futuro e trabalha junto aos Governos dos países, mas também de Estados e municípios, para apoiar enfoques diferentes e soluções práticas e inovadoras para o tema da violência.
Um exemplo é Rodrigo Guerrero, prefeito de Cali (Colômbia), que em seus dois mandatos como governante local (1992-1994 e 2012-2015) aplicou seus conhecimentos de médico epidemiologista para tratar as altas taxas de homicídios em sua cidade da mesma forma que se faria com uma doença de origem desconhecida.

"É um método que chamo de 'Epidemiologia da Violência' e que já é aplicado em várias cidades da Colômbia e também em outros países."
Essa análise científica da realidade fez com que as autoridades tomassem medidas diferentes em regiões diferentes. Em alguns lugares foi melhorada a iluminação pública, em outros foi proibida a venda de álcool depois de determinado horário, em outros, foi aumentada a presença da polícia.
O desafio para Guerrero, quando aplicou esse método pela primeira vez, há mais de 20 anos, foi demonstrar que isso que ele pretendia tratar como se fosse uma epidemia poderia efetivamente ser erradicado.
"Cali tinha um índice de 126 assassinatos por 100.000 habitantes, quando entrei estava em 83, agora está em 62. É uma taxa de homicídios que ainda consideramos inaceitável, mas continuaremos a baixá-la, porque já sabemos como atacar o problema criteriosamente", diz Guerrero.
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Despacho


O PT não piorou, sempre foi assim

A estratégia, agora, é apresentar o PT que vemos como deturpação do PT de outrora, honrado defensor dos mais elevados valores morais. Que papo mais furado (desculpem a vulgaridade da expressão)! Trata-se de pura mistificação, para transmitir a ideia de que esse partido, no convívio de 35 anos com os demais alinhamentos políticos, descuidou-se e absorveu os maus exemplos que estes lhe transmitiram.

Quem comprar a tese, fica convencido de que o PT, ao contrário das outras siglas, teve um passado límpido, com cheirinho de talco Johnson para bebês, podendo voltar às suas boas raízes, como novo filho pródigo. Os outros estão eternamente condenados. A salvação para o Brasil, portanto, só poderia vir de um PT repaginado, saído do Photoshop. Dá-me forças para viver!

Mais uma vez, erro e falsidade. O PT sempre foi assim, como venho registrando desde 1988, quando comecei a escrever para as páginas grandes do velho Correio do Povo. Desde o início, o partido foi movido por um projeto de poder inspirado nas piores e mais fracassadas teses políticas que a humanidade experimentou no século passado.

Na origem de suas concepções e condutas está, também, a essência da perversão política: a regra de que os fins justificam os meios. Muitos de seus principais dirigentes, antes mesmo de o partido existir, sequestravam aviões, exigiam resgate, recebiam recursos de potências comunistas, viveram décadas às custas do produto de assaltos que praticaram em dezenas de empresas, joalherias e em mais de uma centena de agências bancárias.

Mesmo antes de o PT existir, esses mesmos dirigentes estavam comprometidos com uma visão perversa de Estado. Eram contra a democracia representativa, adversários da economia de mercado, organizavam movimentos fora da lei, que afrontavam a Justiça, a ordem pública e o direito de propriedade. Levaram à Constituinte de 1988 teses com o confessado e documentado objetivo de implantar no Brasil um Estado socialista com enorme ingerência nas atividades econômicas e na vida privada.

Em nenhum momento de sua história, seja como partido oposicionista dedicado a assassinar reputações, seja como condutor do governo, o Partido dos Trabalhadores mostrou qualquer apreço pelas nações democráticas, pelas economias livres, pelos países que prosperaram sob sólidas instituições liberais. 


Todo o apreço do PT fluiu, sempre, para regimes totalitários, arautos do atraso e do subdesenvolvimento. Durante o regime militar, os que deixavam o país buscavam refúgio no Chile comunista de Allende, na Argélia de Boumédiènne, em Cuba de Fidel, e atrás da Cortina de Ferro. Mantiveram e mantêm estreitas relações com os movimentos de guerrilha e terrorismo comunista da América Latina, os quais foram convocados por Lula e Fidel para integrar o Foro de São Paulo. No poder, a atração pelas más companhias se voltou, também, para os piores líderes africanos, corruptos, ditadores e genocidas. Faz e distribui sorrisos a governos fundamentalistas islâmicos e jamais repreendeu um terrorista sequer.

A corrupção que arrasou a Petrobras e fez jorrar dinheiro do Tesouro aos amigos do rei e da rainha através do BNDES reproduz, em escala bilionária, o que acontecia em muitas das primeiras prefeituras do partido nos negócios com coleta de lixo.

Percival Puggina

Democracia não se negocia


O perigo não são os artistas, mas os assassinos, eles é que devem ser encontrados e detidos. Não se negocia com conceitos como a democracia ou a liberdade de expressão. Não podemos deixar que as ameaças nos condicionem e nos levem a duvidar de nossas leis. Não podemos sucumbir. Não podemos mudar nossa ideia de democracia só porque alguns assassinos não gostam dela
Lars Vilks, o desenhista sueco queera alvo do atentado em Copenhague

Escolas de corrupção


É paradoxal que os políticos cometam o crime de alta traição, roubando o povo, e este siga votando neles
Existem termos, como bondade e justiça, que todos aspiramos a atingir, sem conseguir, e outros, como corrupção, que todos queremos combater, também sem conseguir. A corrupção se tornou a enfermidade incurável das democracias e está roendo, no Brasil, no México, na Espanha e em muitos outros países, as bases do sistema de convivência e a credibilidade política.

Ao se analisar sua origem —independentemente de sua justificativa histórica de herança da Espanha a suas colônias—, não é um problema que se esclareça ou se corrija apenas com leis, com iniciativas mais ou menos intermitentes da Justiça ou com grandes campanhas de denúncia na imprensa. Com ela acontece, geneticamente, como com o instinto democrático, o respeito às leis ou à vida: há coisas que não são aprendidas porque a lei obrigue, mas porque são mamadas desde o berço. Pois bem, o mundo latino não mamou o desprezo à corrupção.

Nesse contexto, caso se perguntasse a Lula da Silva por que durante seu mandato foi organizada a maior rede de corrupção da história, num sistema tão prostituído como o brasileiro, o ex-presidente e os membros de seu governo responderiam que o fim justificava os meios. Numa visão tática, a justificativa seria que, em vista de ser a primeira vez que a esquerda governava o Brasil, não se poderia deter o avanço da história em razão de pequenas considerações morais. Dessa maneira nasceu o caso do Mensalão (o escândalo das mensalidades, isso é, a compra de votos pura e simples no Congresso), e dele, o da Petrobras, e dali, a destruição do sistema.

Leia mais o artigo de Antonio Navalón

(...) A corrupção evidencia o que parecem esquecer os populares, de um lado, e os dirigentes, do outro: os políticos vêm do povo que traem, usando a corrupção como uma arma, ainda que aparente, de desenvolvimento social.
Ao final, parece que ninguém escapa da tradição da corrupção nos países latinos. Não é que essa não ocorra nos anglo-saxões, mas eles têm mais instinto de sobrevivência e um sentimento, não sei se de temor ou de convicção, inculcado desde o berço, de que a corrupção não fica impune, embora quando explode seja tão brutal quanto em nossa cultura, na qual nascemos obrigados ao direito de ser corruptos.

Dilma demarcou território com tratamento de 'presidenta'

A criação do Partido dos Trabalhadores (PT), que fez há dias 35 anos de vida, não foi uma tragédia que se abateu sobre o país. No início, suas ideias e sua pregação em favor da ética na política sensibilizaram alguns milhões de brasileiros bem-intencionados. Com sua chegada ao poder, porém, e obcecadas por um projeto autoritário (a cor pouco importa), suas principais lideranças o conspurcaram.

A decepção que manifesto em relação ao PT não é a de um brasileiro (como eu) sem nenhuma importância para o partido. Apenas repito o que já disseram muitos dos seus ex-filiados, imbuídos de belos sonhos e sinceros compromissos, mas que se desligaram dele faz tempo. O partido deixou a ética de lado para se fundir ao que há de pior na política brasileira. E, em relação a seus governos (dois do ex-presidente Lula e um de Dilma), a decepção só não é maior do que o medo causado pelo governo que se iniciou há pouco mais de um mês.

Na realidade, na (soberba) exigência do tratamento de “presidenta”, no início do seu primeiro mandato (uma bobagem, que depressa se transformou em chacota nas redes sociais), Dilma revelou sua personalidade autoritária. Que, aliás, já havia se revelado nas duas vezes em que foi ministra de Estado e, também, na Petrobras, ocasião em que atuou (ou deveria ter atuado), ainda como ministra de Minas e Energia, na condição de presidente do seu Conselho de Administração.

Não houve, naquele instante, um companheiro sequer para lhe dizer ao pé do ouvido que esse tratamento era forçado, inócuo, antipático e reforçava ainda mais o seu ímpeto voluntarista. Ao contrário, os puxa-sacos que a rodeiam não só a aplaudiram como insistiram em manter o tratamento castiço (para eles) do ponto de vista linguístico, pertinente e politicamente “personalizado”. Viu-se aí que Dilma demarcou com clareza seu território. A exigência, antes feita a seus auxiliares mais próximos, estendeu-se imediatamente aos demais, dos mais humildes aos mais graduados. Voluntariosa, governou de maneira autoritária e solitária e, por isso, colhe agora os frutos que semeou.

Depois de uma campanha raivosa, cheia de evasivas e mentiras, a presidente simplesmente se recolheu e desapareceu do mapa, sem dar satisfação, como se não tivesse a ver com o país que preside (preside?) pela segunda vez. O resultado não poderia ser outro: no dia seguinte à celebração dos 35 anos do PT, três meses após sua reeleição, sua popularidade simplesmente despencou, levando-a a córner, quase indefesa, segundo revela recente pesquisa do Datafolha.

O instituto registra, também, que 60% dos brasileiros consideram que ela mentiu na campanha e quase 70% a consideram desonesta. O imbróglio que envolve a presidente se agrava a cada dia. O termo “impeachment” – instrumento legítimo de autodefesa do regime democrático, mas que pode servir aos golpistas de ambos os lados – é feio, e mais feio é seu sentido, como disse Carlos Heitor Cony. Mas quem o acordou foi a presidente, que desdisse o que disse a candidata.

O economista André Lara Resende, no artigo “O choque de realidade”, no “Estadão” de 7.2.2015, propõe “uma coalizão suprapartidária para reconciliar o país, reconstruir o Estado e resgatar a capacidade de formular políticas para enfrentar a crise”. Isso impediria que “caminhemos no sentido da sua radicalização e da sua divisão”.

A outra opção é brincar com fogo, leitor…

Acílio Lara Resende

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Quando caem as máscaras


O 'companheiro' Obiang

PT abriu Planalto para receber ditador amigo
O que Lula foi tratar com o ditador da Guiné Equatorial que bancou a Beija-Flor?

A serviço da Odebrecht, uma das investigadas do Petrolão, o ex-presidente Lula já visitou o país africano duas vezes desde 2011. Numa delas, em missão oficial, pediu para ser acompanhado por um dos suspeitos de pagamento de propina para a Petrobras.

Lula já viajou para aquele país até em missão oficial para a presidente Dilma Rousseff. Desta vez, a controvérsia estava na companhia de Alexandrino Alencar, um diretor da Odebrechet que não constava na lista oficial enviada ao Itamaraty.
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Tanto os grandes veículos quanto as redes sociais não se acanharam em reconhecer que a Guiné Equatorial, país patrocinador do desfile da Beija Flor deste ano, é uma ditadura sangrenta. Teodoro Obiang é o ditador africano mais longevo no exercício do poder, há cerca de 35 anos mandando no país.

Pois esse regime facínora teve sua dívida perdoada por Dilma Rousseff, em 2013, numa anistia que incluiu outros países da África igualmente nada democráticos.
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Falou e disse!


Não se presta o Judiciário para ser o guardião de segredos sombrios,

(...) É a Constituição Federal que determina a publicidade dos processos judiciais e que o segredo de justiça constitui exceção

Juiz Sérgio Moro

Pacote anticorrupção é só fantasia

Nunca antes, na História deste país, um governante (no caso, governanta) torceu tanto como Dilma Rousseff para que Carnaval chegasse logo e em Aratu ela pudesse mergulhar num provisório esquecimento, que lhe desse um mínimo de alívio. Mas acontece que a mídia é como o relógio, nunca deixa de funcionar. E já surgem más notícias sobre o chamado pacote anticorrupção, bolado pelo marqueteiro João Santana, que julga estar num circo e vai tentar convencer o respeitável público de que Dilma Rousseff se tornou a grande guardiã da ética e dos bons costumes, enfrentando até seu próprio partido, o PT.

Santana é um publicitário especializado em factóides. Ou seja, inventa pseudos fatos e os apresenta como se fossem verdadeiros. Assim, o marqueteiro agora quer nos convencer de que lutar contra a corrupção é o forte deste governo, no exato momento em que Dilma é atingida uma enxurrada de acusações de corrupção na Petrobras e nomeia para presidi-la justamente um executivo de notória ficha suja, que dirigiu o Banco do Brasil e fazia poupança no colchão, comprou apartamento em dinheiro vivo, foi denunciado pelo próprio motorista e ainda usou dinheiro público do próprio BB para patrocinar a carreira de uma bela amigona (digamos assim) na televisão.

O tal pacote anticorrupção é bem conhecido, porque já foi anunciado num longo e enfadonho discurso, escrito pelo marqueteiro e que a presidente leu na reunião de seu Ministério. No ardiloso pronunciamento, constaram como de autoria de Dilma Rousseff alguns projetos apresentados há anos ao Congresso por parlamentares de diversos partidos e que estão parados, porque o governo da própria Dilma jamais fez o menor esforço para aprová-los.

Agora, por obra e graça de João Santana, que é uma espécie de Rasputin do Planalto, Dilma Rousseff mais uma vez tentará assumir a autoria dessas propostas de parlamentares, cometendo uma usurpação política jamais vista na História deste país, registre-se.

Ao agir com tamanha deslealdade e falta de ética, tanto Santana quanto Dilma se utilizam de uma estratégia fantasiosa de fazer inveja a quem desfila no Sambódromo. Em seu carnavalesco delírio de Poder, Santana e Dilma agem como se todos os brasileiros estivessem vestidos de palhaços e impedidos de raciocinar. Mas é óbvio que a farsa será facilmente desmentida. Basta que se confiram os projetos e emendas apresentados ao Congresso, e logo surgirão os verdadeiros autores das propostas que Dilma tenta usurpar.

Ao contrário do que dizia Orson Welles em seu documentário filmado no Brasil, “é tudo mentira” no caso de Dilma e seu marqueteiro, incluindo o carro-chefe do pacote anticorrupção – a suposta criação de uma Secretaria de Controle das Empresas Estatais (SEST), que existe desde 1979 e foi substituída em 1990 pelo Departamento de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (DEST), até hoje subordinado ao Ministério do Planejamento.

A única novidade que pode ser atribuída à criatividade de Santana, que tem tido preciosa ajuda do ministro Aloizio Mercadante nesse tipo de tarefa ilusória, é subordinar a nova SEST à Controladoria-Geral da União. Mas acontece que a CGU está à míngua, conforme denunciou recentemente o então ministro Jorge Hage, que se demitiu revelando que a Controladoria não tem recursos para desempenhar suas próprias funções, mas agora passará a suportar ainda mais despesas com falsa criação da SEST.

Do jeito que vai, a CGU se arrisca a ficar como as embaixadas e consulados, sem verbas para pagar nem mesmo as contas de água, energia, telefone e internet. Mas Dilma, Santana e Mercadante não estão nem aí, o único interesse deles é seguir enganando a opinião pública com factóides que propaguem a ilusão de que Dilma Rousseff não tem nada a ver com a corrupção do PT e que, pelo contrário, não faz outra coisa a não ser lutar contra os “malfeitos” do partido e da base aliada.

Para culminar, só falta Dilma nomear para a nova SEST o petista Sérgio Seabra, secretário-adjunto de Controle Interno da CGU. Ligado ao ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, Seabra chegou a ser investigado por vazamento de informações, sua casa foi alvo de um mandado de busca e apreensão em 2013, mas estranhamente a investigadora da Controladoria responsável pelo caso acabou recuando. Segundo o repórter Gabriel Castro, da Veja, Seabra é braço-direito de Francisco Bessa na CGU e está cotado para assumir a SEST.

“Ambos trabalharam com Mercadante quando ele foi ministro da Educação. Bessa ainda esteve ao lado do ministro na Casa Civil. A dupla se junta a Valdir Simão, o ministro-chefe da CGU, outro nome de confiança do ministro. Para quem conhece Mercadante, não chega a ser novidade seu gosto pelo controle”, assinala o jornalista.

E ainda acham que impeachment é golpe?