Sabe-se que, nos séculos XV e XVI, houve várias tentativas de melhor iluminar as ruas das cidades europeias. Um exemplo foi a emissão de decretos cobrando a instalação de lanternas estendidas por uma barra de ferro para reduzir a escuridão das vias públicas. Mas foi só com a iluminação pública, à base de lampiões a óleo, que tudo começou a mudar. Devagar, é certo, mas começou. Se, para nós, habitantes do século XXI, as cidades já eram escuras com os lampiões, imagine sem eles, só com aquelas lanternas…
Nesse quesito, a Grã-Bretanha também foi pioneira: o The Mall, em Londres, em 1807, foi a primeira área urbana a ser iluminada com gás. Entre as décadas de 1870 e 1880, outras capitais europeias instalaram lâmpadas de arco, o primeiro tipo de luz elétrica prático, ao longo de algumas das suas principais ruas comerciais.
No Brasil, o Rio de Janeiro, então Capital Federal, instalou os primeiros lampiões a óleo (de mamona, de peixe ou de baleia), no final do século XVIII. Depois do óleo, gás de hulha e querosene alimentaram os lampiões.
Na segunda metade do século XIX, em 1869, a The San Paulo Gas Company Ltd, fundada em Londres, passou a ser responsável pela exploração dos serviços de iluminação pública a gás, em São Paulo. Em 1870, a Várzea do Carmo, no Brás, foi escolhida como o local ideal para a construção da fábrica de gás de carvão, o Gasômetro. O edifício que se tornaria a Casa das Retortas, típico exemplo da arquitetura fabril inglesa, é hoje tombado pelos órgãos de patrimônio do estado e da cidade. Em tempo, retorta é o nome dos grandes recipientes que recebiam o carvão para a produção de gás.
Para quem não se lembra, a Casa das Retornas foi desativada em 1972, restaurada em 1978, com projeto de Paulo Mendes da Rocha e, durante alguns anos, abrigou o Departamento de Informação e Documentação Artísticas (IDART) e o Departamento de Patrimônio Histórico (DPH) da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo. Mais tarde, uma proposta, do início dos anos 2000, de abrigar o Museu da História de São Paulo acabou não se concretizando e, em 2023, decidiu-se que o local seria um centro gastronômico e de moda. O prazo para conclusão das obras venceu em 2015. E como estará hoje aquele belo exemplo de arquitetura fabril?
Voltando aos lampiões a gás. Eram acesos diariamente ao anoitecer; ao nascer do sol, eram apagados, os vidros eram limpos e as lamparinas, reabastecidas. Quem cuidava desse serviço eram os acendedores de lampiões, conhecidos como “vaga-lumes”. Se você perguntar a uma criança hoje, ela não vai saber o que era um lampião e, muito menos, o que os tais acendedores acendiam. Talvez ela nem saiba o que é um vaga-lume de verdade… E graças aos lampiões e aos denominados “vaga-lumes”, as ruas, até então desertas à noite, passaram a ser utilizadas. Foi uma grande ocasião para as cidades, ainda que, num primeiro momento, só para as maiores.
Depois dos lampiões, só após a famosa invenção (lâmpada elétrica) de Thomas Alva Edison (1847-1931) é que veio a iluminação elétrica. Nova York foi a primeira cidade a ter iluminação pública elétrica, em 1882. No Brasil, Campos dos Goytacazes (RJ), em 1883, e depois o Rio de Janeiro. Mesmo assim, o sistema a gás e o elétrico coexistiram por décadas. Aqui, as primeiras experiências foram feitas no Rio de Janeiro (1879), mas foi só a partir de 1906 que essa tecnologia se expandiu pelas nossas cidades. Os últimos lampiões a gás ainda conviveram com os elétricos até o final da década de 1920, mas foram apagados definitivamente em 1933, no Rio, e em 1938, em São Paulo.
Data dessa época a instalação de diversos modelos de postes na capital paulista, sendo que inúmeros resistem até hoje. A maioria era de ferro fundido, tornando-se uma marca dos novos tempos, a transição entre a cidade provinciana e a modernidade. Esses postes marcaram época e até foram tema para vários poetas, como Oswald de Andrade, com o seu “Postes da Light”.
Aos poucos, a eletricidade substituiu de vez o sistema a gás e, com o tempo, a tecnologia foi mudando na busca por cidades mais claras, mais seguras e com equipamentos de menor impacto ambiental. Depois das incandescentes, surgiram as lâmpadas fluorescentes, as de vapor de mercúrio (brancas), as de sódio (amarelas) e, finalmente, as de LED.
Hoje, como antigamente, o design das luminárias é um elemento essencial no planejamento e no desenho urbanos, mas, convenhamos, o charme dos antigos postes e luminárias é imbatível.pos, a transição entre a cidade provinciana e a modernidade. Esses postes marcaram época e até foram tema para vários poetas, como Oswald de Andrade, com o seu “Postes da Light”.
Aos poucos, a eletricidade substituiu de vez o sistema a gás e, com o tempo, a tecnologia foi mudando na busca por cidades mais claras, mais seguras e com equipamentos de menor impacto ambiental. Depois das incandescentes, surgiram as lâmpadas fluorescentes, as de vapor de mercúrio (brancas), as de sódio (amarelas) e, finalmente, as de LED.
Hoje, como antigamente, o design das luminárias é um elemento essencial no planejamento e no desenho urbanos, mas, convenhamos, o charme dos antigos postes e luminárias é imbatível.

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