Em "Matar ou Morrer" (1952), de Fred Zinnemann, um xerife (Will Kane, interpretado por Gary Cooper) é avisado pelo telégrafo de que um assassino que ele prendeu anos antes foi posto em liberdade e cavalga rumo à cidade, com mais três pistoleiros, para se vingar. Serão quatro contra um. Kane, a quem a cidade devia a paz em que vivia, pede ajuda aos cidadãos e todos têm motivo para recusar. Deixado sozinho, ele encara e mata os quatro (um deles, com a ajuda de sua noiva quaker Grace Kelly), Quando a cidade vai festejá-lo, Kane tira a estrelinha do colete, atira-a ao chão e vai embora.
Em "O Vento Será Tua Herança" (1960), de Stanley Kramer, um advogado (Spencer Tracy) enfrenta uma cidadezinha maciçamente evangélica e criacionista decidida a silenciar um jovem professor adepto da ciência e do evolucionismo. O filme mostra o julgamento, um duelo de argumentos entre Tracy e outro poderoso advogado (Fredric March) sobre Darwin e a Bíblia —o darwinismo era então crime no estado. O professor acaba condenado, mas a uma multa ridícula, que não o impedirá de lecionar.
Eram esses os EUA que, apesar de todas as sujeiras em política internacional, éramos levados a admirar. O país em que, pela bravura e correção, um indivíduo conseguia se impor a uma maioria hostil. Hoje é o contrário: um ferrabrás se impõe pelo poder e hostiliza e esmaga a maioria. Donald Trump parece estar declarando guerra aos próprios EUA.
E os americanos já não têm um Henry Fonda, um Gary Cooper e um Spencer Tracy que os defendam.

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