quarta-feira, 1 de junho de 2022

O eleitor é um detalhe

Ciro Gomes está certo. É uma covardia inominável com o eleitor que Lula e Jair Bolsonaro não participem de debates, seja na TV, na imprensa ou promovidos por entidades, como a Frente Nacional de Prefeitos.

Nunca antes na história o cidadão pagador de impostos foi tão desrespeitado pelos líderes das pesquisas.


O atual presidente é incapaz de oferecer saídas razoáveis para uma das piores crises econômicas da história. E o ex-presidente, que ameaça voltar, debocha da audiência ao dizer que só explicará sua política econômica depois de eleito.

É inaceitável que candidatos a dirigir a nação não prestem contas aos cidadãos que os sustentam, literalmente. A campanha virou briga de torcida, discursos são recheados de platitudes e postagens na internet buscam apenas ‘lacrar’.

Quem oferece algum plano de discussão é ridicularizado por ambos os lados.

A imprensa, sequestrada pela dinâmica do não debate das redes sociais, também é responsável por não cobrar accountability dos candidatos. Na defensiva, o TSE se perdeu no ativismo antibolsonarista e ajuda a aprofundar a polarização.

Para piorar, assistimos brotar por todo lado pesquisas com resultados tão díspares que é impossível concluir que todos estão certos. No mínimo, estão todos errados. Talvez seja o caso também de cobrarmos um debate entre os donos desses institutos.

Nada do que está acontecendo chega mesmo a surpreender, considerando que a política partidária virou uma corrida do ouro pelo botim do fundão eleitoral, até hoje sem regulamentação que garanta financiamento democrático e acesso de novos quadros.

As legendas se tornaram fábricas que consomem bilhões e nada produzem, sejam propostas de políticas públicas, lideranças ou gestores eficientes. Seus dirigentes enriquecem à luz do dia, vendem candidaturas no mercado negro eleitoral e escolhem quais candidatos receberão fundos públicos.

Precisam ser puxadores de votos para garantir a maior bancada e ter acesso a ainda mais recursos. Em 2018, esse sistema proporcional elegeu apenas 5% da Câmara pelo voto direto, distanciando ainda mais Brasília do resto do Brasil.

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