segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

A zica e o zika

Ainda bem que o carnaval esta chegando. Faltam poucos dias. Vai dar para se acabar na folia. Rasgar a fantasia. Ignorar os problemas. Amortecer as desilusões. E, claro, ter uma boa desculpa para continuar convivendo com abusos sem resolvê-los.

Nos dias de hoje, carnaval não é mais celebração. É simplesmente desculpa para esquecer. Esquecer que não deu certo. Que o país tem se especializado em um atoleiro de coisas ruins, desentendimentos, problemas. Enfim, esquecer que deu zica.


O desafio de esquecer que deu zica, entretanto, parece ser o zika. É este vírus que prova o perigo de desejar além das possibilidades. O país do carnaval, sempre quis estar no centro da atenção mundial. Conseguiu. Só se fala no Brasil. Ou melhor, no zika no Brasil. Ou na zica em que ele se meteu.

Saímos da irrelevância para a qual caminhávamos em marcha batida. Saída, infelizmente, pela porta errada. Não foi por falta de tempo para prevenir ou resolver o problema. O tal do mosquito é nosso conhecido. Tao conhecido que poderíamos, faz muito tempo, tê-lo controlado. A zica, portanto, não era inevitável. E o zika não precisava se espalhar.

Não vale a pena flexionar o indicador para achar o culpado. Exceto claro, se o indicador estiver apontando para o espelho. A verdade, é que o zika e a zica são resultados da capacidade do cidadão em aturar abusos. Ou seja, da incapacidade de demandar cidadania. Ou o respeito a ela.

É assim que um país inteiro assistiu deitado ou não em berço esplendido, a festival de desastres e injurias. A editoria policial invadindo o noticiário politico. A economia derrete. O emprego mingua. A lama cobre e mata a natureza. E a população sofre com o Zika. E Com a Zica.

Mas ainda bem que a gente se guarda para quando o carnaval chegar. Não é qualquer povo que consegue dançar a beira do precipício. Muitos não teriam coragem para tanta ousadia. É lugar dinâmico. Que não se abala com a calamidade. Que sempre vira a pagina. Frequentemente para trás.

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