quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Mau presságio

A medirem-se as chances de a reforma da Previdência ser aprovada pelo número de deputados que atenderam ontem à noite ao convite do presidente Michel Temer para jantar no Palácio da Alvorada, adeus reforma. Sequer será posta em votação.

Temer havia convidado o que chama de base aliada do governo. Seus porta-vozes formais e informais adiantaram que o jantar deveria reunir cerca de 300 deputados. Ao fim do regabofe, alguns deles estimaram que pelo menos 200 marcaram presença.

Conversa mole. Deputados saíram de lá dizendo que não havia mais de 170 num cálculo otimista. Aliado de Temer, o vice-presidente da Câmara, Fábio Ramalho (PMDB-MG), não foi. “Iria para quê? Não votarei a favor da reforma”, disse ele a este blog.

Ramalho admite que a reforma é necessária, mas que não será “louco” de ajudar a aprová-la a menos de um ano das próximas eleições”. E garante: “Esse é o sentimento predominante na Câmara hoje. Ninguém, ali, concorda em se suicidar. O povo é contra”.

Para aprovar a reforma na Câmara, o governo precisará de um mínimo de 308 votos de um total de 513. “Se ele tiver 150, 180 votos, que comemore”, aconselha Ramalho. O relator da reforma, deputado Arthur Maia (PPS-BA), não discorda de Ramalho.

“Nada está garantido. Quem dará a palavra final é o plenário da Câmara. Não sou eu que vou garantir a aprovação”, ditou Maia depois do jantar. Se a reforma não for votada na Câmara até o próximo dia 15, Maia acha que ela ficará para o próximo governo.

Temer está fazendo o que lhe cabe fazer. Imagina que se a reforma não passar a culpa não será sua. Mas será dele também. Foi Temer que enfraqueceu Temer por tornar-se alvo de duas denúncias de corrupção.

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