quinta-feira, 20 de agosto de 2015

O governo existe para ser importunado

Charge (Foto: Antonio Lucena )
O negócio é o seguinte, o governo existe para ser importunado. É um direito do cidadão vasculhar os podres das autoridades e fazer campanha de difamação contra quem merece, seja ela chefe de estado ou um burocrata de bigode atrás de um balcão. Está no Manual do Bom Cidadão.
O dia em que não pudermos mais chamar um presidente de cabaço, um ministro de urubu, poderemos atirar a carteirinha de ser humano pela janela do trem.
Ao cidadão horrorizado com a agressividade toda, não há problema, pode trocar as palavras sujas por substitutos apropriados, desde que o faça com os dentes a mostra. No lugar de urubu, bobo, feio ou ladrão picareta. Se a religião não permitir, bolinha de papel amassado já está valendo (o efeito será mais cômico nos parlamentares carecas). O importante é mostrar quem é que manda: você.
A maior vantagem de morar num lugar aquém da civilização é essa, poder descer o cacete no governo e em seus representantes sem o menor sentimento de culpa. O histórico de canalhice é tamanho que não há nada que não justifique mandar qualquer partido político deste país para aquele lugar.
E quem disser o contrário, que um discurso cheio de perdigotos não resolve nada, que deve-se pegar mais leve com esse ou aquele governo - qualquer argumento que não mostre como o governo esfolia o cidadão para o seu projeto de poder é desprezível.
Sim, o governo existe para ser importunado. Sem a pressão popular, ele não vai parar de crescer. Na verdade, esse é o verdadeiro objetivo dele, ficar gigante e nos deixar pequenos - pequenos e em sua dependência.
Enfrentemos o bicho com a dignidade que ainda nos resta. Só assim para não cairmos nos discursos baratos e no populismo de quinta que empesteia os países falidos. E, mais importante, lembraremos que o cidadão não se dobra ao governo - pelo contrário, é o governo que deve nos servir.

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