“A Operação Lava Jato desempenha papel crucial na escalada golpista”, anotou o PT na sua análise de conjuntura. “Alicerçada sobre justo sentimento anticorrupção do povo brasileiro, configurou-se paulatinamente em instrumento político para a guerra de desgaste contra dirigentes e governantes petistas, atuando de forma cada vez mais seletiva quanto a seus alvos, além de marcada por violações ao Estado Democrático de Direito.”
Para Moro, “o mais perturbador em relação a José Dirceu consiste no fato de que recebeu propina inclusive enquanto estava sendo julgada pelo plenário do Supremo Tribunal Federal a Ação Penal 470 [caso do mensalão], havendo registro de recebimentos pelo menos até 13 de novembro de 2013. Nem o julgamento condenatório pela mais Alta Corte do país representou fator inibidor da reiteração criminosa, embora em outro esquema ilícito.''
No seu documento, o PT se absteve de fazer uma defesa aberta de Dirceu. Preferiu nem mencionar os nomes dos seus mártires. Conforme já comentado aqui, o texto apenas lamentou que o partido tenha adquirido o hábito da corrupção por contágio, como quem pega uma gripe: “…Fomos contaminados pelo financiamento empresarial de campanhas, estrutura celular de como as classes dominantes se articulam com o Estado, formando suas próprias bancadas corporativas e controlando governos.”
No caso de Dirceu, a “contaminação” reforçou o patrimônio pessoal do condendo, não as arcas eleitorais da legenda. O companheiro conspurcou os fins e apropriou-se dos meios. Na juventude, sonhou ser uma espécie de Che Guevara brasileiro. Mas, que diabos, além do país Dirceu precisava reformar a mansão de Vinhedo.
Mas nem tudo está perdido. Apesar da sentença de Sérgio Moro, o documento do PT revela uma ótima notícia: não houve nenhum aumento no nível de cinismo do PT. Continua nos mesmos 100%. Com a vantagem de que Dirceu consolidou-se como mártir desse cinismo.
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