quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Fora Estado, de tudo que for possível


O interminável romance de investigação do escândalo da Petrobras, com denúncias que projetam a nação no mais desconfortável estado de comprometimento de nossas referências morais, legais e políticas, ao que parece, está longe de chegar aos seus capítulos finais. De tudo que veio à tona nos últimos meses, muito já se sabia. Documentos comprovam isso, no cipoal que agora elevou para cifras bilionárias o ritual de manobras organizado para emagrecer as reservas da maior empresa brasileira e engordar contas na Suíça, pagar campanhas eleitorais, financiar a compra de apartamentos, carros e amantes de luxo. Qualquer saca-trapo que esteve envolvido na ladroagem surge do nada com a oferta de devolver milhões na Justiça e seguir livre para usufruir do que não devolveu.

Não há um dia, há décadas na vida do Brasil, sem que se tome consciência de uma fraude, um ajuste espúrio, uma transgressão. Essa situação, está mais do que provado, decorre primeiramente do gigantismo do Estado brasileiro, presente em todas as esquinas e recantos onde estejam poder político e dinheiro, independentemente do grau de influência, espaço e volume que se possa operar.

Há interessados para todo tipo de ardil, de má-fé, de mutreta. Frauda-se da merenda escolar à compra de jatos. Depois, contribui decisivamente para que esse quadro se torne uma realidade permanente a certeza da impunidade, porque se dificulta, atrasa, entorpece a ação de quem no próprio Estado está na outra ponta da linha e desejoso de mudar as coisas.


Há funcionários e agentes públicos no Executivo, no Legislativo e no Judiciário que têm formação e compromissos de caráter, com vontade e disposição para combaterem no terreno cada vez mais fértil da corrupção e da criminosa irresponsabilidade que acomete a sociedade brasileira. Com tudo que se perceba na dimensão endêmica da fraude, há cidadãos atingidos na alma por se sentirem incapazes para encabeçar a reação necessária a esse quadro de flagelo moral de nossas instituições públicas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário