domingo, 1 de setembro de 2019

Ruídos de Bolxo x Moro, PF nas queimadas e a morte da lavoura do cacau

Há fogo, ainda, sob as cinzas, em meio a nuvens de fumaça que se diluem aos poucos na região da Amazônia Legal. Enquanto isso, nos desvãos da política , seguem os ruídos sobre a relação, do presidente Jair Bolsonaro com o seu ministro da Justiça e da Segurança, Sérgio Moro, no jogo de poder atual. Vale a pena acompanhar, com olhos bem abertos, o trabalho (e resultados) da PF, na investigação sobre a participação do crime organizado no chamado “Dia do Fogo”, em áreas emblemáticas da floresta. Determinação do Palácio do Planalto, prontamente acatada pelo ministro “patrimônio nacional”, no discurso do presidente, quinta-feira (29).


Indícios e pistas, revelados pela revista Globo Rural, apontam ações típicas de organizações bandidas, na propagação do grande incêndio que, entre outros desastres e prejuízos, municiou o presidente Macron, da França , nos ataques duros ao colega brasileiro e nos palpites sobre a questão ambiental e a soberania do Brasil na região estratégica. Errática tentativa de agradar ruralistas de seu país, e fazer acenos políticos à ruidosa esquerda francesa, que morde seu calcanhar desde a posse.

Isso faz o jornalista recordar outro episódio de “terrorismo ambiental”, originário também da mata amazônica, de conseqüências terríveis para a lavoura e a economia do cacau no sul baiano, com efeitos na política: a grande virada que fez o governo e o poder mudar de mãos na Bahia. A derrubada dos chamados “Barões do Cacau” e do “Carlismo” (de ACM, “o original”, no dizer de Mario Kertész).Tudo (ou quase) foi para as mãos do PT e suas linhas auxiliares.

<p>Era o escândalo da Vassoura de Bruxa. Praga transplantada por mãos criminosas, da Amazônia para a Mata Atlântica, e que matou a rica e histórica lavoura cacaueira, um dos carros-chefes das exportações do agronegócio do país, e força econômica maior e motriz da balança comercial baiana.. O jornalista vale – se da memória, de sua atuação profissional nas redações de A Tarde e sucursais do Jornal do Brasil e da Revista Veja, para alertar desmemoriados.

A Veja produziu, na época, ampla, bem apurada e polêmica reportagem sobre o bioterrorismo na zona do cacau. Investigação jornalística contundente, a partir de confissão de Luiz Henrique Franco Timóteo, então militante do PDT, de ter organizado ações para espalhar a praga nos cacauais sob as sombras das matas no rico sul do estado. Timóteo acusou pessoas e grupos organizados ligados ao PT de terem concebido e levado adiante o plano de disseminação do fungo da vassoura-de-bruxa da Amazônia, onde a praga é endêmica. Mais não conto. Está tudo nos arquivos dos jornais e revistas, nos inquéritos policiais e nos processos na justiça.

Agora a PF apura o que se esconde nas nuvens turvas do chamado “Dia do Fogo”, convocação criminosa, para promover queimadas na Amazônia, através de aplicativos de mensagens usados por agricultores, grileiros e grupos organizados atuando no meio do caos dos desmatamentos.

“A suspeita é de crime organizado, metido em ações violentas, corruptas e, às vezes, em conluio com policiais, políticos e agentes do Estado na região”, assinalou o experiente e bem informado jornalista Alex Ferraz, na Tribuna da Bahia . Bomba de poder destrutivo bem maior que o terrorismo biológico da Vassoura de Bruxa, que devastou a lavoura e a economia do cacau na Bahia. A conferir.

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