domingo, 23 de julho de 2017

A franquia Brasil

É realmente impressionante a habilidade do presidente Temer de se esquivar dos ataques dirigidos contra ele.
Fosse o PT um partido sério, não essa bandinha de bate-bumbos para Lula dançar, estaria todo de bloquinho nas mãos, como residentes em um hospital, anotando as aulas do Dr. Temer sobre como se fazia política no século passado.
Neste século, infelizmente, não se criou nenhum método novo.
A tentativa do PT de inovar retirando dinheiro de estatais e transferindo diretamente aos congressistas se provou completamente ineficiente.
Muito fácil de ser descoberta, além de criar ciumeira e o escambau.
Amadores.
O Mensalão, o Petrolão, o Empreiterão, a JBSona provaram que a falta de método é o problema real do PT e por isso seu projeto de se perenizar no governo não deu certo como deu para o PMDB.
Zé Dirceu que o diga.
Ou Aécio, que esqueceu a habilidade do PSDB e destrambelhadamente saiu pedindo empréstimo.
Deselegante.
Muito mais chique é se encontrar com empresários, deputados e senadores na calada da noite.
Fazer conchavos secretos, que você e eu não seríamos capazes de entender nem se escutássemos numa gravação.
Politicamente correto é trocar apoio por cargos.
E não por dinheiro vivo.
Com Temer, voltamos confortavelmente à velha política.
A política em que as empresas públicas são uma espécie de franchising.
Funciona assim:
O governo do PT entuchou um monte de apadrinhados nas empresas públicas.
Aí, de acordo com a necessidade, foi abrindo as torneirinhas de dinheiro e distribuindo o dito cujo para conseguir o que queria.
Percebe que coisa cafona?
Coisa de novo rico.
Na velha política quatrocentona é diferente.
Você entrega as estatais para serem exploradas pelos partidos.
Como quem não quer nada.
Uma franquia mesmo.
Empresas públicas, que já provaram ser minas de ouro para quem quer surrupiar dinheiro público, precisam ser cuidadas com carinho.
Você dá essa lojinha para o sujeito e explica como fazer para ganhar dinheiro.
Pode indicar parente, pode disfarçar despesa como investimento, pode até mexer no balanço.
Mas com calma, sem muita sede ao pote, para não chamar a atenção.
Se for descoberto, o partido sabe que ninguém vai protegê-lo.
Feito o acordo, o agraciado rapidamente aprende que não se trata de um caixa eletrônico, como nos anos do PT.
Na velha política, tudo funciona mais como um investimento de médio prazo.
Os políticos da velha guarda não dão o peixe. Eles ensinam a pescar.
Quando a relação está madura, é só pedir em troca o que se deseja.
Quem sabe uma aprovação? Um acordo? Um adiamento?
Um quórum aqui, um veredito ali.
Percebe? Sem a grosseira troca de dinheiro.
E só há vantagens, pois é um esquema muito mais difícil de ser investigado.
Outra vantagem é que essa rede de franquias pode ser construída até quando não se tem os cargos principais do Executivo.
Basta estar próximo do poder.
Trocar um ou outro favor por uma estatal e pronto.
O PMDB, por exemplo, está nessa posição há mais de 30 anos, imagine.
A lição é essa. Calma e perseverança.
Diferente de um PT que foi com tanta sede ao pote que deu no que deu.
Perdeu a franquia.

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