Os defeitos e problemas dessa ideia são óbvios. Ter um rendimento garantido pode desestimular o trabalho. Dar uma compensação material para uma pessoa sem que, em troca, tenha produzido algo de valor é uma proposta questionável tanto do ponto de vista econômico quanto do social e ético. Os riscos de corrupção e clientelismo político que iniciativas desse tipo têm são elevados. Finalmente, essa não é uma ideia barata. Tais subsídios podem se tornar um fardo pesado para o Estado e criar enormes e crônicos déficits no orçamento público.
E no entanto... Pode ser uma ideia inevitável.
Para muitos, a resposta é que, enquanto as novas tecnologias destroem indústrias, também criam outras que produzem tantos ou mais empregos do que os que desaparecem. E isso tem acontecido. No entanto, à medida que se acelera a mudança tecnológica e se tornam populares robôs que, a baixo custo, podem fazer muitas das tarefas que hoje desempenha um trabalhador, cresce a preocupação de que novas indústrias e novos postos de trabalho não aparecerão nem na quantidade nem no ritmo necessários para compensar as perdas de empregos e os cortes salariais. Nessa situação, são três as respostas que o mundo apresenta.
1. Mais educação e capacitação para os desempregados. Isso é uma prioridade. Mas a realidade é que, embora existam sucessos ocasionais nesse campo, o resultado de esforços de formação tem sido decepcionante. Na maioria dos países, mesmo nos mais avançados, os recursos dedicados a ajudar os trabalhadores desempregados têm sido pouco generosos, as técnicas de ensino utilizadas são pouco eficazes e as burocracias responsáveis por esses programas costumam ser ineficientes. Mudar isso é urgente.
2. Mais protecionismo. Donald Trump, por exemplo, é apenas um dos políticos que atualmente proliferam no mundo e prometem proteger os empregos reduzindo tanto o número de imigrantes competindo com os trabalhadores locais como o volume de produtos importados, que, sendo mais baratos, substituem a produção nacional. Não é difícil imaginar um desses demagogos prometendo que, se ganhar a eleição, proibirá o uso de robôs e outras tecnologias "mata-empregos". O fato de essas propostas não serem uma solução e, em muitos casos, não poderem nem mesmo ser aplicadas não parece ser obstáculo para que milhões de pessoas se entusiasmem com as promessas dos populistas. Receio que alguns países acabarão adotando essas ideias ruins.
3. Maior renda mínima garantida. É isso. Dar dinheiro em troca de nada. Pode ser uma ideia absurda. Mas um mundo onde nove robôs de baixo custo podem fazer o trabalho de 140 trabalhadores (na China!) é um mundo onde é preciso estar aberto a examinar todas as opções. Mesmo aquelas que podem parecer, ou ser, loucura. Níveis elevados e permanentes de desemprego são inaceitáveis e insustentáveis. Por isso é preciso tentar de tudo, entendendo sempre que governar raramente envolve a escolha entre uma política maravilhosa e outra terrível. O mais comum é que os que governam sejam forçados a escolher entre o ruim e o terrível.
Nenhum comentário:
Postar um comentário