domingo, 11 de outubro de 2026

Esquema bolsonarista define eleição no Rio

No Rio de Janeiro, a política é um negócio de família. O método genealógico –uma tradição na história brasileira, basta lembrar dos Andradas de Minas Gerais, que atuam desde antes da declaração de independência do país – domina as relações de poder na atual sociedade fluminense, aí incluídas as igrejas evangélicas e as milícias.

A partir de 2018 o clã Bolsonaro – em torno do qual gravitam os clãs menores– instalou no estado uma espécie de novo chaguismo, sistema baseado no uso da máquina e no desvio de dinheiro dos cofres públicos para a compra de votos e a obtenção de imbatível vantagem eleitoral.


Depois de Wilson Witzel e de Cláudio Castro, ambos marcados por denúncias de corrupção, a bola da vez para assumir o governo é Douglas Ruas, filho do PM reformado Capitão Nelson, que desde 2021 é prefeito de São Gonçalo, segundo maior colégio eleitoral do estado. Nelson é suspeito de ter comandado um "carro da linguiça", expressão usada no Rio para se referir a veículos clandestinos a serviço de grupos de extermínio que agem em áreas periféricas.

Quatro vezes prefeito da capital, Eduardo Paes, em seu sonho de se tornar governador, tentou neutralizar o esquema bolsonarista nos municípios da Baixada Fluminense – um retrato sem filtro do Rio de Janeiro, com imóveis de alto padrão, onde vivem empresários e caciques eleitorais, a poucos metros de barracos ocupados por famílias sem a sorte e a esperteza de ter entrado para a política ou arranjado os contatos certos.

Paes fez um acordo com o dono de Duque de Caxias. Para vice na chapa, indicou Jane Reis, irmã de Washington Reis, ex-secretário de Castro e o homem que conseguiu o certificado de vacina falso para Bolsonaro. Reis elegeu os dois irmãos, Rosenverg e Gutemberg — o primeiro para a Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro) e o segundo para a Câmara dos Deputados —, mas deu um perdido no aliado. Douglas Ruas teve 50% dos votos válidos em Caxias. Na vizinha Nova Iguaçu, domínio da família Canella, quase 60%.

Para vencer, Ruas não precisava da canetada do Tribunal Superior Eleitoral nem da confusão armada de propósito pelo velho Garotinho.

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