domingo, 29 de março de 2026

No balcão de compra e venda, o que se quer da República é uma fachada conveniente

Há algo de salutar no escândalo do Banco Master, pois toda grande crise (do grego "krinein", descriminar, ver nas fissuras) revela aspectos despercebidos da realidade. No caso do Master, mais do que revelar, trata-se de expor: quando não se conhecem detalhes, ao menos se sente o peso do poder paralelo de entidades corruptivas na dinâmica nacional. Na exposição, incrementada nas redes por mobilização neural, o argumento dá lugar à cenografia, como num conto moral. As massas veem o que sentem de coração.


Desse modo, a visibilidade do fato privilegia palavras e imagens projetivas: festa de noivado na Sicília orçada em R$ 21 milhões, R$ 363 milhões em celebração em Taormina, também na Itália, passeio de R$ 10 milhões em iate, jato transatlântico, champanhe e caviar inesgotáveis, beldades eslavas.

Por trás, o azeitamento corruptivo da máquina do poder em Brasília, efeito da falência da política positiva (homóloga à historicidade da ordem e do progresso), ultrapassada por organizações econômicas (bancos, grupos de finanças, agronegócio), direita e centrão.

Nessa crise, fenômenos e movimentos suscitam interrogações relevantes sobre as relações do poder com a sociedade, mas também com a mutação do sentimento de existência nas classes dirigentes.

São diversos os modos de realização da democracia liberal quando os caminhos sociais se decidem por elites abrigadas em protocolos entre formais e obscuros, à sombra do Estado. É o caso dos estamentos burocráticos que ganham autonomia decisória na debilitação político-institucional. Por exemplo, Judiciário e Legislativo vulneráveis a círculos financeiros e empresariais.

Um sentimento de existência permeável à sua própria exposição pública leva um capo fraudulento como Vorcaro à enunciação de verdades escandalosas: "Esse negócio de banco é uma máfia", "eu sou a anarquia do sistema". E como a mafialização é também evangélica, alega-se parceria com o "Senhor dos Exércitos" em desavenças pessoais. Algo correlato ao vaticínio bíblico sobre os que desprezam a palavra do Santo de Israel: " Por isso, o furor do Senhor se inflama contra seu povo, apodera-se dele e o castiga; os montes tremem, seus cadáveres, como carniça, jazem nas ruas" (Isaías, 5-25). Pequena lagoa de ódio que respalda a milícia particular destinada a agredir a imprensa e ameaçar de morte os dissidentes.

A exposição do escândalo levanta a suspeita de que um outro Brasil tenha nascido e se alojado nas vísceras federais como um chupa-cabra de energias do trabalho produtivo. Dinheiro é o sangue vital, corrupção o modo operatório. Nesse balcão de compra e venda, o que se quer da República é uma fachada conveniente, um "brilho de aluguel" (João Bosco/Aldir Blanc).

Não é fenômeno exclusivo, mas aqui a desigualdade social e o desprezo das elites no poder pelo território dão à fraude estatuto de cataclisma moral e cívico. Por isso, ao sentimento público de justiça pouco satisfazem, expostos, uniforme, chinelão e a cela exígua do mestre corruptor, por mais que bata nas paredes a cabeça tosada. Uma delação verdadeira, essa, sim, mostraria o conteúdo da caixa de Pandora chamada Brasília. Aí então, seria um verdadeiro salve-se quem puder.

A inteligência artificial e a nova fronteira da desigualdade no Brasil

A empresária Natalia Beauty provocou reações ao admitir que utiliza inteligência artificial para estruturar seus artigos publicados na Folha de São Paulo. Questionada após um leitor sugerir que seus textos pareciam “escritos por IA”, ela não negou. Disse que as ideias são suas, mas que usa modelos como o Claude, da Anthropic, para redigir as colunas. Comparou o uso da ferramenta às canetas emagrecedoras: muita gente usa, mas poucos assumem. A reação pública revelou um desconforto com o uso da tecnologia. Mas deixou de expor um fenômeno estrutural: no Brasil, a inteligência artificial pode se tornar um diferencial de classe.

O debate internacional já reconheceu esse fenômeno e lhe deu um nome: AI Divide – ou divisão da inteligência artificial. O conceito descreve uma nova camada de desigualdade baseada não apenas no acesso à tecnologia, mas na capacidade de utilizá-la estrategicamente para ampliar produtividade, renda e poder. Um estudo publicado pela JP Morgan mostra que elites econômicas passaram a incorporar a IA como ferramenta estratégica para ganhar eficiência, antecipar decisões e otimizar processos. A tecnologia aparece não apenas como instrumento de produtividade, mas como forma de converter tempo em vantagem competitiva.


Na mesma direção, estudos da McKinsey & Company sobre consumo e estilo de vida identificam que o bem-estar se tornou um novo luxo e que o activewear é o novo símbolo de status. Para sustentar essa estética de equilíbrio e performance é preciso tempo – e tempo, hoje, virou ativo econômico. A inteligência artificial entra nesse circuito como ferramenta estratégica: acelera tarefas, organiza informações e libera horas que podem ser reinvestidas.

No Brasil, os dados confirmam a concentração. Segundo a TIC Domicílios 2025, 69% da classe A utilizam inteligência artificial generativa, contra apenas 16% nas classes D e E. Entre pessoas com ensino superior, o índice chega a 59%; entre quem tem apenas ensino fundamental, cai para 17%. No total, 32% dos usuários de internet no país já utilizaram IA – mas a média nacional mascara uma desigualdade profunda no acesso qualificado à tecnologia.

Nos ambientes corporativos, a IA é apresentada como estratégia e inovação. Nos territórios vulneráveis, aparece associada a golpes digitais, deepfakes, perda de emprego e desinformação. Os riscos existem. Mas quando a diferença diária de produtividade, acumulada ao longo dos anos, se converte em desigualdade estrutural, limitar o debate apenas às ameaças reforça a exclusão. Ao enfatizar o risco sem oferecer capacitação, a mensagem implícita é clara: essa tecnologia não é para você.

O jornalismo já sente esse efeito. Grandes grupos já integram a IA às suas estratégias de produto e distribuição. Veículos independentes a utilizam de forma pontual, segundo estudo da Thomson Media, muitas vezes restrita a tarefas operacionais. Quando apenas organizações com maior capital incorporam a IA de forma estratégica, a desigualdade no ecossistema informacional se aprofunda.

Parte do debate público ainda tende a moralizar o uso da inteligência artificial, o que frequentemente dificulta uma discussão mais madura sobre sua adoção no Brasil. Utilizar IA seria uma forma de trapaça? Tornaria o trabalho menos legítimo ou o usuário menos inteligente? Ao enquadrar a questão nesses termos, o debate se desloca da discussão sobre infraestrutura, acesso e regulação – justamente os elementos que definem quem realmente se beneficia da tecnologia.

Em texto recente publicado no blog da Mozilla.ai, AI Generated Code Isn’t Cheating: OSS Needs to Talk About It, desenvolvedores defendem que o problema não é utilizar inteligência artificial para gerar código, mas fingir que ela não está presente. Paralelamente, o debate internacional sobre IA tem se deslocado de uma lógica de proibição para uma discussão sobre transparência, responsabilidade e distribuição dos benefícios da tecnologia. O relatório Mind the AI Divide: Shaping a Global Perspective on the Future of Work, publicado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), chama atenção para um aspecto estrutural desse processo: a infraestrutura necessária para desenvolver e operar sistemas avançados de IA – como centros de dados, capacidade computacional e investimento em pesquisa – permanece concentrada em poucos países e empresas globais.

Assim, a disputa de poder na economia da inteligência artificial não se limita ao uso da tecnologia pelos indivíduos, mas envolve também o controle das plataformas, dos dados e da infraestrutura que tornam esses sistemas possíveis. A inteligência artificial não é neutra. Ela amplia estruturas preexistentes. Num país marcado por desigualdades históricas, o resultado tende a ser previsível.

Sem políticas públicas de formação massiva em IA, conectividade de qualidade e apoio a iniciativas locais e independentes, a tecnologia se consolidará como mais um benefício de classe. A questão não é se a IA será usada. Ela já está sendo. A questão é quem acumulará produtividade, renda e poder – e quem ficará apenas com o discurso do risco. Até agora, o futuro continua sendo apropriado pelas mesmas pessoas do presente.

Aplausos trumpistas

Trump 2.0 é muito melhor que Trump 1.0, não é? Bem, Bolsonaro 2.0 também será muito melhor.

Flávio Bolsonaro, ovacionado de pé no Texas durante discurso na CPAC, a conferência anual do movimento conservador americano

Os irmãos Bolsonaro e a sabotagem do Brasil

Flávio Bolsonaro, aquele que muitos tentam vender como o “rosto moderado” da família, resolveu vestir uma nova fantasia. Esqueçam o figurino de centro ou centro-direita que tentam lhe impor.

Reportagem recente do The New York Times pôs luz sobre o que vinha sendo cozinhado nos bastidores: um lobby intenso de Flávio e seu irmão Eduardo junto à administração de Donald Trump.

O objetivo? Convencer os americanos a classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Segundo o jornal, Flávio chegou a entregar relatórios detalhados ao Departamento de Estado, atuando quase como um chanceler paralelo – ou, no bom português, um lobista de luxo.

A ideia parece saída diretamente do manual de “idiotices políticas” que a família domina com maestria.


Há uma diferença fundamental que os Bolsonaros fingem não entender: o crime organizado quer lucro. Organizações terroristas querem derrubar Estados e ideologias. Ao misturar as estações, Flávio não busca segurança pública para o brasileiro.

Ele busca um trunfo eleitoral para sua pré-candidatura em 2026 e, pior, abre as portas para uma intervenção externa que fere a nossa soberania.

Se Trump, cercado por uma equipe que só sabe dizer “sim senhor”, cair nessa conversa, entregará um presente de bandeja para Lula. O petista não perderia a chance de se enrolar na bandeira nacional para denunciar o óbvio: um atentado à autonomia do Brasil provocado por brasileiros.

Flávio Bolsonaro parece não perceber que, ao tentar criar esse fato internacional, pode estar cavando um buraco ainda mais fundo. A vida do senador tende a ficar muito mais complicada se Washington começar a ditar as regras no nosso quintal. O tiro, como de costume, tem tudo para sair pela culatra.

Depois das sanções, estimuladas pelo “chanceler do caos” Eduardo Bolsonaro, temos agora o patriota Flávio abrindo as portas para interferência em ano eleitoral.

É o amadorismo da família Bolsonaro atravessando o oceano (de novo) para passar vergonha.

Dondon

Chamava-se Dondon. Mais exatamente, o nome era Antônio Santana Castelo Branco, mas ele próprio acrescentava: — “vulgo Dondon”; e com o tempo, já morto, não se tornou de todo alheio a mim pela misteriosa rede dos afetos que o sangue confirma, pois era parente longe da menina moça que um dia me deu um lar e, mais perto, do meu professor de francês no Liceu Piauiense, que há quarenta anos quero e admiro, Cristino Castelo Branco, e de seu filho, Carlos, que amo como irmão. Pensando melhor, emendo a tempo. Esse clã dos Castelo Branco, no ramo piauiense, sempre foi muito da minha gente. Havia os amigos de meu pai, Fenelon, Heitor e houve os meus, Huguinho, que morreu em meus braços, de cabelos brancos e com quem se perderam os segredos mais típicos do vale do Parnaíba, exceto a altura exata de armador de rede, pois esse ainda teve ocasião de me confiar, e Sansão, menino de cachos vestido de veludo que vi adulto morrer dispersando o gênio, gênio mesmo de verdade, em noites boêmias, cujo amanhecer por vezes refluía para minha casa de Santa Teresa, onde iam parar suas compras de madrugada em mercado de peixe, siris vivos, ou algum pato que preparava ao tucupi com a mesma arte dos seus quadros.


Ora, isto posto, como ia dizendo, chamava-se Dondon e (com perdão da má palavra) era meio doido, senão doido inteiro. Ele próprio dizia que morava no Campo de Marte, no mesmo largo em que estavam a Santa Casa, o Asilo de Loucos, a Cadeia Pública e o Cemitério, que era para não dar trabalho em caso de necessidade…

Dizia, só? Não. Escrevia. Porque esse piauiense atarracado e falante, por cujo desvario nunca faltou caridade em casa de meus pais, era jornalista. Foi, mesmo, um dos primeiros jornalistas que conheci, e ainda hoje o vejo (ou revejo) com os olhos da infância, que viu outros, e no exemplo de outros se banhou, mas com Antônio Santana Castelo Branco, vulgo Dondon, aprendeu cedo como não se deve fazer jornal.

Desde logo, porém, direi uma coisa em seu louvor. Era tudo, em sua folha; e gabava-se disso. Diretor, redator, revisor, tipógrafo, distribuidor a domicílio, vendedor de número avulso no Bar Carvalho, não dependia de ninguém para fazer O Denunciante. Era esse o nome daquelas quatro páginas impressas; e nelas se derramava toda a maledicência da pequena cidade provinciana, a Teresina da era de Vinte. Do fundo da memória emerge o cabeçalho, e se o tempo não me trai nele se acrescentava aos apelidos e qualificações de Dondon no desempenho profissional de suas tarefas outra condição mais alta, a de “Defensor do Bem, da Humanidade, da Justiça, da Liberdade e da Paz”.

Não propriamente a paz entre as famílias, nem dentro delas; porque algumas das hipóteses que os filhos da Candinha e a imaginação alucinada de Dondon transformavam em verdades incontestáveis e matéria impressa eram de molde a separar marido e mulher, filhos e pais, irmãos e cunhados, e assim por diante, sem falar em patrões e caixeiros, governados e governantes. Um destes últimos, cujo nome ainda hoje no Piauí é coberto de bênçãos pela excelência do seu governo, cometeu com Dondon a única arbitrariedade consciente de que sua mocidade severa e ativa o acusa. Estava-se em plena Revolução de 1930, o Tenente Landri Sales era interventor, cansou-se daquela maluquice exaltada que fazia da calúnia e da injúria um sistema jornalístico; mandou jogar a tipografia de Dondon no Parnaíba. E Antônio Santana Castelo Branco passou a viver de carregar banana em lombo de burro.

Falei em sistema. Era um sistema. O Denunciante não tinha preço fixo para a venda. Cada família, suscetível de vir a ter o nome impresso em tinta de jornal, era taxada, segundo as suas posses, que não segundo seus pecados. Pois a lembrança da espórtula arrecadada, cinco, vinte ou cinquenta mil réis que fossem, mesmo cem — o preço de dois bois —, se apagava totalmente da memória de Antônio Santana Castelo Branco, o defensor do Bem, da Humanidade, da Justiça, da Liberdade e da Paz, quando se sentava para escrever. Não assumia compromissos com ninguém — a não ser com a maledicência pública e com seu próprio desvario denunciatório. Nem adiantava pagar-lhe para que se calasse, pois, ao contrário de tantos cosmopolitas, não escrevia que lhe pagassem — e se calasse. Faltava-lhe o siso, não a honestidade.

Cheguei ao Rio em março de 1930. A 6 de janeiro de 1931 Félix Pacheco iluminava de alegria os meus dezesseis anos com um emprego no Jornal do Comércio. Fui ser repórter no Ministério do Trabalho e conheci Lindolfo Collor, com quem a Revolução de 30 dizia ao que vinha, coisa que as Revoluções faziam depressa naquele tempo. Lá se vão mais de 33 anos que vivo em jornal. Nunca mais vi O Denunciante. Dondon já morreu há muito. Eis senão quando esta surpresa brutal: seu espírito ressuscita e invade a imprensa brasileira com uma fúria a que poucos restam imunes. Mistério insondável da natureza, os tipos do O Denunciante, que o então Tenente Landri Sales Gonçalves mandou jogar no Parnaíba, germinaram monstruosamente. Sua tinta pesteou as águas; e com elas desceu rio abaixo, salgou o mar oceano e onde houve terra brasileira banhada pelo Atlântico e mais chão adentro esse vírus maníaco foi contaminar jornais e jornalistas. E no caminho em que vão as coisas, será em breve necessário acrescentar ao currículo das escolas de jornalismo a cadeira em que se ensine a técnica da delação e a arte da denúncia.
Odylo Costa, filho (Jornal do Brasil, 26 de maio de 1964)

A barata americana

Donald Trump anuncia o completo esmagamento do Irã. Logo a seguir surpreende-se com a resistência. Admite ter proposto um cessar-fogo. Diz que foram os iranianos a iniciar as conversações. Reivindica a vitória total. Na frase seguinte proclama, com a ingenuidade de um anjo recém-saído das mãos de Deus, que ninguém poderia prever o encerramento do Estreito de Ormuz. Escreve que o Irã tem 48 horas para reabrir a passagem, caso contrário, aniquilará várias usinas de energia. Anuncia que suspende por cinco dias os ataques às infraestruturas energéticas. Diz-se disposto a abandonar o cenário de guerra. Os europeus que resolvam o problema. Irrita-se com o alheamento dos europeus. Implora ajuda aos europeus. Grita que não precisa dos europeus. Confessa que os israelenses o forçaram a iniciar o conflito. Volta, ainda na mesma frase, a proclamar vitória. Diz que não se importa que os aiatolás se mantenham no poder desde que lhe entreguem o petróleo. Noticia o levantamento do embargo petrolífero ao inimigo mortal. Acrescenta que nunca os americanos foram tão vitoriosos. É uma vitória a seguir à outra. Tantas vitórias já cansam.

Analistas conservadores se esforçam por dar um véu de coerência aos desencontrados discursos do presidente norte-americano. Suam. Balbuciam. É um esforço formidável, inglório, como tentar dar consistência a uma efêmera nuvem num esplendoroso céu de verão.

“O problema é que Trump partiu para a guerra sem um Plano B”, reconhece um deles.

“Talvez não tivesse nem sequer um Plano A”, arrisca outro, num fio de voz.


Um terceiro elogia a intuição de Donald Trump. O presidente americano, segundo este especialista, e outros da mesma escola, seria uma espécie de poeta da estratégia política e militar. Eu diria mais — um profeta! O próprio Donald confessou ter tomado a decisão de atacar o Irã após escutar os seus ossos. Não disse quais. Podemos imaginá-lo a dialogar, por exemplo, com a tíbia direita. É mais fácil imaginá-lo debruçado sobre a tíbia do que a falar com o estribo, desde logo porque Trump nem deve conhecer a palavra, quanto mais o osso.

Acredito na intuição. Tenho para mim que a intuição é uma manifestação sutil de inteligência. O pensamento se organizando, num súbito clarão, antes da linguagem. Qualquer pedra tem mais intuição do que Donald Trump.

O atual presidente americano pode ser um inimigo temível, sim, não por causa da sua intuição, mas por causa da sua estupidez. A estupidez é imprevisível.

Canalhas, tiranos, pessoas perversas, todos eles traçam estratégias. Obedecem a estratégias. Podemos combatê-los. É muito mais difícil enfrentar um homem tolo, sobretudo um homem tolo com grande poder, porque, como acontece com as baratas americanas, nunca sabemos que rumo irá tomar.

Donald Trump é uma barata americana com uma bomba nuclear atada às costas. Uma barata americana esvoaçando, a toda velocidade, numa sala fechada.

Eu estou encolhido, imóvel, num canto da sala.

Medo. Muito medo.