domingo, 15 de fevereiro de 2026

Pensamento do Dia

 


É a economia, estúpido!

Se o homem não for capaz de organizar a economia mundial de forma a satisfazer as necessidades de uma humanidade que está a morrer de fome e de tudo, que humanidade é esta? Nós, que enchemos a boca com a palavra humanidade, acho que ainda não chegamos a isso, não somos seres humanos. Talvez cheguemos um dia a sê-lo, mas não somos, falta-nos mesmo muito. Temos aí o espetáculo do mundo e é uma coisa arrepiante. Vivemos ao lado de tudo o que é negativo como se não tivesse qualquer importância, a banalização do horror, a banalização da violência, da morte, sobretudo se for a morte dos outros, claro. Tanto nos faz que esteja a morrer gente em Sarajevo, e também não devemos falar desta cidade, porque o mundo é um imenso Sarajevo. E enquanto a consciência das pessoas não despertar isto continuará igual. Porque muito do que se faz, faz-se para nos manter a todos na abulia, na carência de vontade, para diminuir a nossa capacidade de intervenção cívica.

José Saramago

O futuro do mercado passa pelo mercado do futuro

Não basta adotar novas tecnologias. O mercado do futuro vai se reinventar, para superar a virada geopolítica e climática galopante (ou sobreviver a ela). A coisa mudou tanto que exigirá noções de “aversão ao risco” e de “taxa de retorno” mais realistas. O futuro do mercado passa pela atual desconstrução dos mecanismos transnacionais de negócios que se estabeleceram a partir dos anos 1950. Afinal, a Ordem Mundial que emergiu do fim da II Guerra Mundial dependia de certo equilíbrio político e econômico em um novo capitalismo marcado pela bipolarização geopolítica, que parece se fragmentar.

A bem da verdade, as grandes guerras do século XX alcançaram uma escala industrial que exigiu o desenvolvimento acelerado de ferramentas e conhecimentos em logística, novos materiais, fontes de energia, medicina, alimentos, comunicações, processamento de dados e finanças, para citar apenas alguns vetores da redefinição radical do mundo dos negócios – um caso literal de “destruição criadora”. As cadeias de suprimentos, produção, comercialização e transportes assumiram escala mundial, com transações financeiras e comunicações em tempo real. Qualquer pessoa pode obter qualquer produto de qualquer lugar do mundo (desde que tenha dinheiro ou crédito, é claro). Uma globalização sustentada em dois pilares: O medo da ameaça nuclear e o multilateralismo. Tempos de guerra fria e mercado aquecido. E quando o muro de Berlim caiu soterrou as fronteiras mercantis restantes, que ainda mantinham uns 2 bilhões de consumidores da União Soviética e da China fora do jogo.


Agora esse angu desandou. Ucrânia e Gaza, somadas à volta teatral da águia americana, expõem fraturas na geopolítica envelhecida. Alianças como a OTAN, ONU, OCDE e G7 sofrem fadiga de material, carecendo repaginar os pactos originais, ou mesmo a rearrumação dos blocos. Acontece que na base do mundo moderno está o mercado. Há séculos as sociedades evoluem em função das suas necessidades crescentes e das soluções produtivas decorrentes. O aumento da população e da complexidade social levou a uma sedentarização da oferta (agricultura, pecuária, mineração, moradia, trocas etc.) e ao surgimento do Estado, como na Mesopotâmia há uns quatro mil anos.

A coisa se sofisticou na Grécia e Roma para, em seguida, tomar nova forma com o cristianismo e o islamismo costurando o ocidente e oriente. Contudo, os negócios ganharam escala planetária pra valer com as navegações e as colônias no Novo Mundo, apoiadas nas Monarquias Nacionais europeias. Democracia mesmo só veio com a revolução industrial (direitos trabalhistas, bancos, tecnologias e… o aquecimento global). Agora se fala em desglobalizar, no rastro das mudanças climáticas, nacionalismo, retrocessos políticos, descarbonização. Tudo que era sólido desmanchou no ar.

Ainda é difícil definir se quem puxa o trem da história é o povo, o Estado ou o mercado. Se for o mercado, quais setores darão o rumo daqui pra frente: o agro, as terras raras, os bancos, o comércio ou as big techs? E se for o Estado, a locomotiva será o governo, o parlamento ou o aparato de defesa e segurança? Se for a sociedade, quais serão suas novas formas de organização e influência? A resposta passa pela revisão dos parâmetros de risco e de retorno dos investimentos para o mercado do futuro, com efeito direto sobre o trabalho e o consumo, assim como sobre as políticas regulatórias, os instrumentos de fomento e a destinação do gasto público. Segundo os coreanos, “Tudo em todo lugar ao mesmo tempo”.

Uma agenda positiva para a democracia

Os defensores da democracia começaram 2026 com uma grande vitória: a eleição de Antonio Sérgio Seguro em Portugal, que bateu o candidato da extrema direita. Estabeleceu-se o que muitos chamam de cordão sanitário contra os antidemocratas, algo essencial quando há o risco da vitória de autoritários - no caso português, de um partido como o Chega, cujo racismo explícito atinge nossos compatriotas que moram por lá.

Depois do alívio e da comemoração, vem o aviso: ancorar-se numa estratégia apenas defensiva dos regimes democráticos é muito arriscado. Para sair desta quadra obscurantista da história, será preciso construir uma agenda positiva para a democracia, num processo que demandará mais tempo que o curto prazo de uma eleição. Isso vale para Portugal, para os Estados Unidos ou para o Brasil.

A necessidade de uma agenda positiva não significa que os instrumentos defensivos devam ser ignorados ou aposentados. A reação a governantes de extrema direita e a partidos de extrema direita aspirantes ao poder continuará exigindo métodos reativos dos democratas.


De um lado, porque a luta contra o ideário autoritário do século XXI dependerá, antes de mais nada, de resistência. Se os Estados Unidos tivessem punido os golpistas do dia 6 de janeiro de 2020, hoje estariam numa situação democrática melhor. Trata-se de um conflito político no qual não se pode acreditar que os políticos extremistas vão seguir plenamente as regras do jogo - ou ficar nas quatro linhas da Constituição. Isso seria ingenuidade, no mínimo.

O modelo reativo, por outro lado, também tem um potencial de buscar o que pode ir além da mera defesa, abrindo as portas para a valorização das instituições e ideais democráticos. Isso fica mais claro ao se analisar os três tipos de resistência às forças antidemocráticas que têm sido utilizados: a vitória eleitoral, o uso das instituições como proteção contra a extrema direita e a mobilização social, tomada como resistência e construção de novas formas de comunicação política.

No caso dos processos eleitorais, o discurso contra os partidos e políticos antidemocráticos tem de se transformar em votos, especialmente seguindo a lógica de convencer os independentes e os não engajados na disputada polarizada. Foi o que ocorreu em Portugal, é o que tem acontecido na França e também foi essa a linha do segundo turno presidencial no Brasil em 2022. Grandes coalizões contra a extrema direita autoritária têm se formado em muitos países, por enquanto com mais sucesso do que fracasso. Mas os eleitores descontentes com a democracia continuam lá, geralmente à espera de lideranças populistas antidemocráticas. Ou seja, o monstro não foi derrotado.

O uso de instituições políticas para evitar o autoritarismo de governantes, sejam formadas por representantes eleitos como o Legislativo, sejam compostas por membros não eleitos como o Judiciário, é o segundo tipo de resistência democrática. Nem sempre o mandatário tem maioria parlamentar e parte de seu limite será dado por outros políticos. Se os democratas ganharem a eleição congressual de meio de mandato nos Estados Unidos, Trump perderá parte de seu vigor autoritário.

Além disso, promotores e juízes, responsáveis por garantir direitos dos cidadãos que não podem ser restringidos por uma maioria eleitoral momentânea, têm sido muito ativos em alguns lugares como contrapesos a autocratas e/ou a projetos de autocracias golpistas. O caso brasileiro é paradigmático: sem a ação do STF, particularmente do ministro Alexandre de Moraes, teria sido muito difícil escapar do golpe bolsonarista.

A estratégia de usar o arcabouço institucional como mecanismo de resistência é parte integrante do pacote que compõe o regime democrático; porém, num contexto de contestação da democracia, tal ferramenta não será suficiente ao longo do tempo. Mais do que isso: tais instituições precisam de legitimidade social para que não se estabeleça o argumento de que alguém com grande clamor popular, ou eleito pelo povo, possa ser barrado por quem não tem o mesmo suporte.

A disputa entre o voto e as instituições contramajoritárias, vale ressaltar, é um dos grandes temas da reflexão democrática. Depois dos totalitarismos ocidentais, a ciência política do pós-guerra reforçou a necessidade de a democracia proteger-se de maiorias de ocasião para evitar quebras autoritárias do regime. Entretanto, também é fundamental construir a legitimidade institucional de quem arbitra a disputa política - em outras palavras, a crença de que as instituições não têm credibilidade suficiente, ou mesmo subvertem a vontade popular, é um grande risco à democracia contemporânea.

O último tipo de resistência às tendências antidemocráticas atuais diz respeito à mobilização da sociedade. Ela pode ser feita cotidianamente por organizações permanentes, como a universidade, a imprensa e várias formas de associativismo, ou então por manifestações de rua, geralmente organizadas contra algum evento que atinge os direitos da população. É o que está acontecendo em boa parte dos EUA como reação à ação troglodita e autoritária do ICE, agência federal americana que foi comparada à Gestapo nazista por um dos mais influentes apoiadores de Trump, o midiático Joe Rogan.

Resistências antidemocráticas que apenas mobilizem e sensibilizem os que já são claramente adversários dos extremistas têm força bem menor do que os movimentos que chegam a outros grupos, gerando apoio inclusive em parcela dos que apoiaram os governantes ou partidos autoritários. Isso significa que o caminho mais bem-sucedido da resistência civil vai além da metáfora do cordão de proteção. A esse papel deve ser acrescentado o de encontrar as questões que afetam a todos na vida cotidiana, no mundo que vai além da disputa política partidária, gerando novas formas de comunicação e convencimento.

Analisando o conjunto de resistências às forças antidemocráticas do mundo, constata-se que o vetor defensivo é fundamental e predominante, mas é preciso avançar para uma agenda positiva, capaz de revitalizar a democracia e conversar com os problemas de diversos grupos sociais que não se sentem representados pelas elites políticas tradicionais e suas instituições.

A construção da agenda positiva passa, primeiramente, pelo reforço de valores democráticos que, por vezes, os próprios democratas têm enfatizado menos ao entrarem no jogo de soma zero em que se transformou a política polarizadora comandada pela extrema direita. Um dos principais elementos aqui é a aposta no pluralismo e no diálogo com os diferentes. Critica-se corretamente o comportamento de manada das forças antidemocráticas, com suas lideranças tendo uma capacidade enorme de dominar autoritariamente seu eleitorado, mas também se deve lembrar que setores centristas liberais e de centro-esquerda ou esquerda agarraram-se demasiadamente em suas certezas e são incapazes de adaptar suas propostas e argumentos às angústias de parcelas crescentes do eleitorado.

Não seria possível defender a globalização ou o combate às desigualdades conversando com quem desconfia dessas agendas (ou pelo menos de seus defensores)? Muitos querem a riqueza e as transformações tecnológicas presentes no ideário mais liberal, mas creem que deveriam ter maior participação nesse bolo. Outra grande parcela não é necessariamente racista e tem preocupações sociais, contudo pensa que eles igualmente deveriam estar na lista dos que devem ser defendidos por não terem a ascensão social almejada.

A revitalização democrática presente no debate e mobilização social tem de chegar à política para aumentar sua potência contra os antidemocratas. Do ponto de vista institucional, três tarefas são inescapáveis. A primeira é ressaltar mais as políticas públicas que mudam a vida de muitas pessoas, inclusive de muitas que estão descontentes com a democracia. Aqui, há um problema comunicacional grave, uma disputa de narrativas na qual ações governamentais bem-sucedidas não aparecem enquanto tais para os corações e mentes de muita gente.

Parte da dificuldade de realçar as qualidades da democracia e da efetividade de muitas de suas políticas públicas reside em vícios dos políticos, da alta burocracia e das elites de maneira geral, que são vistos como distantes e privilegiados frente a boa parcela da população. Esse segundo ponto é fundamental porque, para lembrar o filósofo americano Michael Sandel, vai exigir sentimento comunitarista das lideranças e grupos que comandam a sociedade. Os descontentes não se sentem participantes do jogo democrático e vinculam os governantes e setores influentes a uma casta que sequestrou o bem comum. Sem dúvida, há mitos aqui, mas também muitas verdades sobre um fosso social enorme que foi ignorado pelos “donos do poder” nas últimas décadas.

A descoberta de pautas populares que não estão sendo atendidas pelas instituições democráticas atuais é a tarefa de fundo mais relevante aos que querem defender a democracia para além das vitórias eleitorais. Infelizmente, nesse campo a extrema direita está na frente, mesmo que seja com base em mentiras e demagogia. Para garantirmos a longevidade dos regimes democráticos, precisamos conversar e entender mais os descontentes, superando preconceitos para gerar uma nova agenda pública, que realce o quão positiva pode ser a democracia.

Quando a barbárie fala do alto do poder

Há imagens que não deveriam existir. E, quando existem, não deveriam circular. A postagem que associava o ex-presidente Barack Obama e Michelle Obama à figura de macacos – atribuída ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump – é uma dessas. Mesmo apagada, mesmo relativizada, mesmo empurrada para o colo de assessores anônimos, ela permanece. Porque há coisas que não se apagam. Há imagens que, uma vez lançadas no mundo, revelam mais do que pretendiam esconder.


Não se trata de um episódio menor das redes sociais, nem de uma provocação política mais agressiva. Trata-se de um gesto que convoca um dos códigos mais antigos e brutais da história humana: a desumanização. Comparar pessoas negras a animais é uma linguagem conhecida, recorrente, testada ao longo dos séculos. Foi com ela que se justificaram a escravidão, o colonialismo, a segregação, os linchamentos. Não há inocência possível nesse imaginário. Ele é estruturalmente violento.

O que torna o episódio ainda mais perturbador é o lugar de onde ele parte. Um presidente — ou ex-presidente — não comunica como um cidadão comum. Fala a partir de um ponto de poder simbólico, institucional, global. Quando esse poder mobiliza imagens primitivas, ele não apenas ofende: ele autoriza. Autoriza o ódio a circular sem vergonha, a violência a se sentir respaldada, o preconceito a se apresentar como opinião legítima.

Há algo de profundamente inquietante em perceber que, em pleno século XXI, com todos os avanços científicos, culturais e sociais acumulados, ainda precisamos reafirmar o óbvio: pessoas não são animais; diferenças não justificam humilhação; poder não concede licença para negar humanidade. Quando o óbvio precisa ser defendido, é sinal de que algo essencial se rompeu.

Mais do que um escândalo isolado, o episódio funciona como sintoma. Revela um tempo em que a brutalidade se disfarça de franqueza, o racismo de provocação, a regressão moral de autenticidade. Um tempo em que o inaceitável é testado aos poucos, normalizado em doses sucessivas, até que já não choque tanto.

É aí que mora o perigo. A barbárie raramente chega gritando; ela costuma entrar pela fresta da tolerância, pelo cansaço moral, pela relativização constante. E quando vem de cima, quando se instala no discurso do poder, ela contamina o chão.

Falar sobre isso é necessário. Não por indignação passageira, mas por responsabilidade histórica. O silêncio diante da desumanização nunca foi neutro — sempre foi cumplicidade. E toda vez que uma sociedade aceita calada esse tipo de imagem, ela abdica de um pouco daquilo que a fez avançar.

Talvez o que mais assuste não seja a postagem em si, mas a pergunta que ela nos devolve: até que ponto estamos dispostos a regredir sem reagir? A resposta a essa pergunta diz menos sobre um presidente e mais sobre nós.

Revelado: a suruba de Vorcaro

Vorcaro usou todas as moedas disponíveis para corromper as instituições brasileiras. Inclusive a mais antiga delas: mulheres bonitas e festas com muita bebida e pouca roupa, para sermos discretos. No relatório que a Polícia Federal entregou ao ministro Edson Fachin, o que emerge não é apenas um relato de libertinagem, mas a descrição de uma engrenagem de corrupção sofisticada. O que os mortais chamam abertamente de “suruba” era, na verdade, um ambiente de negócios escusos meticulosamente planejado, onde a ostentação servia como lubrificante para a criação de uma rede de influências sem precedentes junto a políticos do Centrão.

A logística por trás desses encontros revela o DNA de Vorcaro: a exuberância a serviço do silêncio. O relatório detalha a presença de quatro mulheres para cada político, todas estrangeiras — suíças, norueguesas, suecas e holandesas. A escolha não foi estética, mas estratégica. Ao importar acompanhantes que não falam português e não têm a menor noção de quem são as figuras poderosas que ali circulavam, Vorcaro garantia um isolamento informativo que nenhuma barreira nacional ofereceria. É a corrupção de alto custo, onde a distância cultural e linguística era comprada para blindar os envolvidos.


Entretanto, a suruba maior não é a dos “peladões” descrita pela PF, mas o estrago institucional que este caso pode causar. O movimento que vemos agora nos bastidores do poder sugere uma tentativa deliberada de anular a operação. O roteiro é um “déjà vu” perigoso da Lava Jato: ministros como Cristiano Zanin e Luiz Fux já sinalizam que inconsistências na condução das investigações pela PF podem tornar todo o processo nulo. Alega-se que o rito foi atropelado, e essa brecha jurídica é exatamente o que os envolvidos buscam para implodir o caso por dentro.

Essa conclusão de nulidade, contudo, não virá amanhã. O sistema joga com o tempo. Vale lembrar que o presidente Lula ficou quase dois anos preso antes que seu processo fosse anulado por erros de competência e forma. Para Vorcaro, esse vácuo temporal é o cenário ideal: ele aposta na fadiga da opinião pública e na “inconsistência jurídica” para que, no futuro, tudo vire precatórios. É a repetição exata do ciclo em que delatores premiados recebem o dinheiro de volta e o crime compensa através do erro técnico da acusação.

O que se desenha é um cenário onde a justiça parece ser um tabuleiro cujas peças são movidas para garantir que o desfecho seja sempre o mesmo. Quando a estratégia de defesa foca mais na anulação do processo do que na prova da inocência, e o Judiciário valida essa manobra, a mensagem para o país é devastadora. O perigo real não está na devassidão das festas de luxo, mas na erosão da segurança jurídica que essas anulações em série provocam.

No fim das contas, o que está em jogo é a confiança residual do brasileiro no Supremo Tribunal Federal. Quando a mais alta corte do país se permite ser o palco de um eterno retorno à impunidade por vícios de forma, o tecido democrático se esgarça. Esse jogo de anulações anunciadas é perigoso demais para a estabilidade do país e para a própria sobrevivência da esperança de que, um dia, as instituições brasileiras deixem de ser negociáveis em balcões de luxo.