sábado, 23 de maio de 2026
O grande Rio de Janeiro
Chico Buarque disse, com sua boa música e melhor poesia, que o Brasil poderia se transformar em imenso Portugal. A brincadeira poético-musical era elogiosa, porque a pátria mãe, que durante muitos anos foi vista como um país no norte da África, foi aceita pela União Europeia e se transformou. Passou a contar com bons hotéis, melhores restaurantes e grandes centros de compras. O país deixou de ser o local apenas para comer bacalhau e passou a oferecer múltiplas oportunidades. Os brasileiros fazem a festa por lá.
Essa imagem me veio à cabeça porque o candidato Flávio Bolsonaro, com suas trapalhadas e suas amizades escandalosas, sugere que o Brasil se transforme no grande Rio de Janeiro. Machuca muito escrever isso. Nasci perto do Rio de Janeiro e cresci na cidade. Desfrutei das praias, do bom futebol e dos restaurantes. Temporada feliz. Mas aquele Rio de Janeiro não existe mais. Depois do surgimento veloz e feroz da chamada Zona Oeste, a criminalidade tomou conta de boa parte da cidade. O tráfico de drogas assumiu grandes áreas, as grandes favelas se transformaram em territórios autônomos para proteger quadrilhas de assaltantes de vários tipos e categorias. Meu filho, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), foi obrigado a se proteger, algumas vezes, dentro da sala de aula, do tiroteio que corria solto lá fora. Foi assaltado, confrontado com arma na mão, dentro do campus.
Histórias de policiais envolvidos com a criminalidade são muitas. Às vezes são até folclóricas, como a do sujeito que teve a sua moto roubada e procurou a polícia. Na delegacia, recebeu o endereço dos três maiores ladrões de motos do Rio. Com a sugestão de que ele procurasse o ladrão e pagasse pela liberação da própria motocicleta. O delegado naturalmente receberia algum pela corretagem. Os apontadores do jogo do bicho fazem parte da paisagem carioca. Eles mandam nas ruas da cidade. Ninguém pode estacionar em local em que estão trabalhando. Eles chamam a polícia. É isso mesmo. Os bicheiros mandam os reboques do Detran, que levam seu carro. Depois, o proprietário deve pagar uma série de benefícios para liberar o veículo.
O poder público foi envolvido pela corrupção. E a cidade dominada pelas milícias, pelos comandos criminosos que se estruturaram nas favelas e passaram a lidar com quantias financeiras consideráveis. Começaram a importar armas pesadas capazes de fazer enfrentamentos, de igual para igual, com Polícia e Exército. Nada disso aconteceu por acaso. Os últimos cinco governadores do estado do Rio de Janeiro foram presos por corrupção e leniência com o crime organizado.
O último ainda não foi preso, apenas cassado, pretendia ser candidato a senador, mas a Justiça interrompeu sua carreira. A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro é um antro dominado pela criminalidade. Flávio Bolsonaro reinou ali, onde implantou o sistema da rachadinha. Vários deputados foram presos. Alguns, cassados. Por causa de sucessivos impedimentos, o atual governador do Rio de Janeiro é o desembargador Ricardo Couto. Ele, que não é ligado a nenhum grupo criminoso, promove uma limpa no governo do estado, o que ocorre pela primeira vez nas últimas décadas.
Esse é o mundo Bolsonaro. O universo de atuação da família, cuja residência em condomínio horizontal na Barra da Tijuca irradiou sua influência pela região. Por via da política, tentou controlar todo o país. Militares desinformados chegaram a apoiar a loucura do golpe de Estado no país, para evitar novas eleições. E entronizar as milícias no poder no Brasil. Jair, ex-presidente, já demonstrara seu profundo desprezo pelas massas quando abandonou o povo no momento da pandemia. Ele não se dignou a visitar um hospital, nem lamentou as 700 mil mortes. Exerceu o poder para colocar a mão no dinheiro. A avidez com que Flávio, o candidato, se lançou sobre as posses, furtadas, de Daniel Vorcaro é autoexplicativa. Eles gostam muito de dinheiro em qualquer circunstância.
O perfil de Flávio Bolsonaro é nítido. Ele é produto da família que se comporta como uma famiglia mafiosa italiana de filme norte-americano. O pai manda, os filhos obedecem e se espalham pelo país, para tentar eleições em diversos estados. Eles fazem o discurso contra as elites para destruir as elites. O Brasil já viu candidatos como esses, destinados a limpar, passar a vassoura e construir nova sociedade. Todos, desde Jânio Quadros, terminam demonstrando sua tendência autoritária. Flávio Bolsonaro é apenas um arrivista, rápido na ação de amealhar dinheiro com a mão grande, que pretende se passar por reformista, coisa que ele nem sabe o significado. É o desastre anunciado na tentativa de criar o grande Rio de Janeiro.
Essa imagem me veio à cabeça porque o candidato Flávio Bolsonaro, com suas trapalhadas e suas amizades escandalosas, sugere que o Brasil se transforme no grande Rio de Janeiro. Machuca muito escrever isso. Nasci perto do Rio de Janeiro e cresci na cidade. Desfrutei das praias, do bom futebol e dos restaurantes. Temporada feliz. Mas aquele Rio de Janeiro não existe mais. Depois do surgimento veloz e feroz da chamada Zona Oeste, a criminalidade tomou conta de boa parte da cidade. O tráfico de drogas assumiu grandes áreas, as grandes favelas se transformaram em territórios autônomos para proteger quadrilhas de assaltantes de vários tipos e categorias. Meu filho, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), foi obrigado a se proteger, algumas vezes, dentro da sala de aula, do tiroteio que corria solto lá fora. Foi assaltado, confrontado com arma na mão, dentro do campus.
Histórias de policiais envolvidos com a criminalidade são muitas. Às vezes são até folclóricas, como a do sujeito que teve a sua moto roubada e procurou a polícia. Na delegacia, recebeu o endereço dos três maiores ladrões de motos do Rio. Com a sugestão de que ele procurasse o ladrão e pagasse pela liberação da própria motocicleta. O delegado naturalmente receberia algum pela corretagem. Os apontadores do jogo do bicho fazem parte da paisagem carioca. Eles mandam nas ruas da cidade. Ninguém pode estacionar em local em que estão trabalhando. Eles chamam a polícia. É isso mesmo. Os bicheiros mandam os reboques do Detran, que levam seu carro. Depois, o proprietário deve pagar uma série de benefícios para liberar o veículo.
O poder público foi envolvido pela corrupção. E a cidade dominada pelas milícias, pelos comandos criminosos que se estruturaram nas favelas e passaram a lidar com quantias financeiras consideráveis. Começaram a importar armas pesadas capazes de fazer enfrentamentos, de igual para igual, com Polícia e Exército. Nada disso aconteceu por acaso. Os últimos cinco governadores do estado do Rio de Janeiro foram presos por corrupção e leniência com o crime organizado.
O último ainda não foi preso, apenas cassado, pretendia ser candidato a senador, mas a Justiça interrompeu sua carreira. A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro é um antro dominado pela criminalidade. Flávio Bolsonaro reinou ali, onde implantou o sistema da rachadinha. Vários deputados foram presos. Alguns, cassados. Por causa de sucessivos impedimentos, o atual governador do Rio de Janeiro é o desembargador Ricardo Couto. Ele, que não é ligado a nenhum grupo criminoso, promove uma limpa no governo do estado, o que ocorre pela primeira vez nas últimas décadas.
Esse é o mundo Bolsonaro. O universo de atuação da família, cuja residência em condomínio horizontal na Barra da Tijuca irradiou sua influência pela região. Por via da política, tentou controlar todo o país. Militares desinformados chegaram a apoiar a loucura do golpe de Estado no país, para evitar novas eleições. E entronizar as milícias no poder no Brasil. Jair, ex-presidente, já demonstrara seu profundo desprezo pelas massas quando abandonou o povo no momento da pandemia. Ele não se dignou a visitar um hospital, nem lamentou as 700 mil mortes. Exerceu o poder para colocar a mão no dinheiro. A avidez com que Flávio, o candidato, se lançou sobre as posses, furtadas, de Daniel Vorcaro é autoexplicativa. Eles gostam muito de dinheiro em qualquer circunstância.
O perfil de Flávio Bolsonaro é nítido. Ele é produto da família que se comporta como uma famiglia mafiosa italiana de filme norte-americano. O pai manda, os filhos obedecem e se espalham pelo país, para tentar eleições em diversos estados. Eles fazem o discurso contra as elites para destruir as elites. O Brasil já viu candidatos como esses, destinados a limpar, passar a vassoura e construir nova sociedade. Todos, desde Jânio Quadros, terminam demonstrando sua tendência autoritária. Flávio Bolsonaro é apenas um arrivista, rápido na ação de amealhar dinheiro com a mão grande, que pretende se passar por reformista, coisa que ele nem sabe o significado. É o desastre anunciado na tentativa de criar o grande Rio de Janeiro.
Do próprio veneno
Ninguém nasce odiando. O ódio é ensinado. A extrema-direita foi além e colocou o ódio como um instrumento político, como arma de mobilização.
Hoje, com as redes sociais, milícias digitais assassinam reputações, assediam e transformam a vida de jornalistas, acadêmicos, ativistas ou qualquer um que represente uma ameaça ao pensamento reacionário.
Nos últimos dias, foi justamente, porém, a extrema-direita que descobriu a dimensão do seu próprio veneno. Em postagens, personagens ultraconservadores e que por anos têm promovido ideias golpistas e ataques contra a democracia foram alvos de ofensas abomináveis. A operação não veio da oposição. Quem liderou a tentativa de intimidação foi justamente uma ala da extrema-direita brasileira inconformada com o posicionamento dos ex-aliados e vozes que se apresentavam como as grandes referências do movimento autoritário. O motivo: terem ousado dizer o óbvio sobre Flávio Bolsonaro e suas mentiras cinematográficas.
Uma dessas vozes do bolsonarismo contou, inclusive, como havia sofrido ataques por alguns que, antes, oravam por ele. E chegou a questionar a fé desses “patriotas”. Só agora? E quando o ódio era contra a oposição, a religiosidade deles estava intacta?
Depois de fazer listas de nomes a serem banidos, defender atos antidemocráticos, conspirar e disseminar mentiras de forma deliberada, executar reputações, destilar misoginia e intolerância, eles realmente acreditam que, então, existe uma linha vermelha que não pode ser cruzada?
Quando nações são consumidas pelo ódio, como a Alemanha na década de 1930 ou o Sul dos EUA durante a segregação racial, o resultado, invariavelmente, é a destruição da sociedade civil e sua substituição por sistemas políticos, sociais e jurídicos baseados na violência.
Nos Estados Unidos, Donald Trump usou o ódio como ferramenta de campanha e mobilização. Vi como comícios eram regidos pela construção do outro como uma ameaça. Os mexicanos eram “estupradores”, enquanto o discurso desumanizador era usado para descrever imigrantes, mulheres e oponentes políticos. Vi como aquela estratégia eletrizava a plateia. O ódio é intoxicante. Ele reduz questões complexas a simples dualidades baseadas na busca de bodes expiatórios entre os odiados. A decadência econômica passa a ser culpa dos imigrantes, não da falta de investimentos em educação ou inovação. A mudança cultural torna-se uma conspiração das elites e alas progressistas. Os fracassos pessoais tornam-se o resultado de um sistema supostamente manipulado.
O discurso do ódio é estrategicamente planejado. Opera em conjunto com a desinformação, a vigilância e os ataques técnicos para silenciar indivíduos específicos. É calculado, contínuo e transnacional. Para esses grupos, o ódio não serve para expressar um preconceito. Ele tem a missão de garantir o controle político sobre uma massa. Esse discurso instrumentalizado por forças políticas funciona como um mecanismo de governança. Normaliza a exclusão, asfixia a oposição pelo medo e cria uma “espiral do silêncio” que elimina completamente as vozes críticas. Um genocídio não começa no primeiro disparo, mas quando o ódio é autorizado, aplaudido e até recompensado.
Vi nos Estados Unidos e no Brasil como ele cresce quando as instituições democráticas são atacadas. Quando um presidente diz que a imprensa é “inimiga do povo” ou sugere que as Forças Armadas devem ser leais ao líder, não à Constituição.
Mas o ódio também é frágil. Sua utilidade política contém, nela mesma, as sementes de sua própria destruição. A história revela que movimentos construídos sob o ódio acabam se autodestruindo.
A Revolução Francesa devorou com suas guilhotinas seus próprios filhos à medida que o fervor revolucionário se transformava em expurgos internos. O macarthismo entrou em colapso sob o peso de seus próprios excessos. A Revolução Cultural na China destruiu os líderes históricos do movimento que, em 1949, chegou ao poder.
Como vemos entre os bolsonaristas, a paranoia que alimenta os movimentos de ódio cria fraturas internas à medida que antigos aliados se tornam novos alvos. E desmorona a coerência do grupo.
Talvez, nesse sentido, James Baldwin tenha razão quando alerta que “uma das razões pelas quais as pessoas se apegam aos seus ódios com tanta obstinação é porque pressentem que, uma vez que o ódio desapareça, serão forçadas a lidar com a dor”.
Hoje, com as redes sociais, milícias digitais assassinam reputações, assediam e transformam a vida de jornalistas, acadêmicos, ativistas ou qualquer um que represente uma ameaça ao pensamento reacionário.
Nos últimos dias, foi justamente, porém, a extrema-direita que descobriu a dimensão do seu próprio veneno. Em postagens, personagens ultraconservadores e que por anos têm promovido ideias golpistas e ataques contra a democracia foram alvos de ofensas abomináveis. A operação não veio da oposição. Quem liderou a tentativa de intimidação foi justamente uma ala da extrema-direita brasileira inconformada com o posicionamento dos ex-aliados e vozes que se apresentavam como as grandes referências do movimento autoritário. O motivo: terem ousado dizer o óbvio sobre Flávio Bolsonaro e suas mentiras cinematográficas.
Uma dessas vozes do bolsonarismo contou, inclusive, como havia sofrido ataques por alguns que, antes, oravam por ele. E chegou a questionar a fé desses “patriotas”. Só agora? E quando o ódio era contra a oposição, a religiosidade deles estava intacta?
Depois de fazer listas de nomes a serem banidos, defender atos antidemocráticos, conspirar e disseminar mentiras de forma deliberada, executar reputações, destilar misoginia e intolerância, eles realmente acreditam que, então, existe uma linha vermelha que não pode ser cruzada?
Quando nações são consumidas pelo ódio, como a Alemanha na década de 1930 ou o Sul dos EUA durante a segregação racial, o resultado, invariavelmente, é a destruição da sociedade civil e sua substituição por sistemas políticos, sociais e jurídicos baseados na violência.
Nos Estados Unidos, Donald Trump usou o ódio como ferramenta de campanha e mobilização. Vi como comícios eram regidos pela construção do outro como uma ameaça. Os mexicanos eram “estupradores”, enquanto o discurso desumanizador era usado para descrever imigrantes, mulheres e oponentes políticos. Vi como aquela estratégia eletrizava a plateia. O ódio é intoxicante. Ele reduz questões complexas a simples dualidades baseadas na busca de bodes expiatórios entre os odiados. A decadência econômica passa a ser culpa dos imigrantes, não da falta de investimentos em educação ou inovação. A mudança cultural torna-se uma conspiração das elites e alas progressistas. Os fracassos pessoais tornam-se o resultado de um sistema supostamente manipulado.
O discurso do ódio é estrategicamente planejado. Opera em conjunto com a desinformação, a vigilância e os ataques técnicos para silenciar indivíduos específicos. É calculado, contínuo e transnacional. Para esses grupos, o ódio não serve para expressar um preconceito. Ele tem a missão de garantir o controle político sobre uma massa. Esse discurso instrumentalizado por forças políticas funciona como um mecanismo de governança. Normaliza a exclusão, asfixia a oposição pelo medo e cria uma “espiral do silêncio” que elimina completamente as vozes críticas. Um genocídio não começa no primeiro disparo, mas quando o ódio é autorizado, aplaudido e até recompensado.
Vi nos Estados Unidos e no Brasil como ele cresce quando as instituições democráticas são atacadas. Quando um presidente diz que a imprensa é “inimiga do povo” ou sugere que as Forças Armadas devem ser leais ao líder, não à Constituição.
Mas o ódio também é frágil. Sua utilidade política contém, nela mesma, as sementes de sua própria destruição. A história revela que movimentos construídos sob o ódio acabam se autodestruindo.
A Revolução Francesa devorou com suas guilhotinas seus próprios filhos à medida que o fervor revolucionário se transformava em expurgos internos. O macarthismo entrou em colapso sob o peso de seus próprios excessos. A Revolução Cultural na China destruiu os líderes históricos do movimento que, em 1949, chegou ao poder.
Como vemos entre os bolsonaristas, a paranoia que alimenta os movimentos de ódio cria fraturas internas à medida que antigos aliados se tornam novos alvos. E desmorona a coerência do grupo.
Talvez, nesse sentido, James Baldwin tenha razão quando alerta que “uma das razões pelas quais as pessoas se apegam aos seus ódios com tanta obstinação é porque pressentem que, uma vez que o ódio desapareça, serão forçadas a lidar com a dor”.
Vai passar?
Acho que esta onda de extremismo se consumirá a si mesma, porque as promessas dos populistas serão confrontadas pela sua incapacidade de criar um mundo melhor e mais seguro
Mia Couto
Os ricos também choram
Elas encolhem-se nos vestidos de alta-costura, eles estugam o passo, empertigados nos fatos escuros, agarrados elas e eles pelo braço, tentando ignorar os que estão fartos de ser ignorados. As imagens das entradas na Met Gala, uma das mais decadentemente exclusivas festas de Nova Iorque, mostram gente comum e invisibilizada falando alto aos que acham que podem tudo. É curioso que se tenha começado a usar a palavra “decadente” como sinónimo de luxo indulgente, quando começa a ser evidente que os milhões de poucos são conseguidos à custa da exploração de muitos milhões. Os trabalhadores da Amazon deixaram isso muito claro, quando projetaram as suas imagens no Chrysler Building, agigantando-se até olharem para baixo e verem, muito pequeno, o patrão Jeff Bezos, para lhe gritarem em stereo que deve envergonhar-se de como os explora e que tudo o que tem lhes deve, a eles.
No lobby da festa apareceram pequenas garrafinhas, daquelas que costumam ser usadas para servir bebidas, cheias de urina, com a cabeça calva de Bezos no rótulo, numa alusão às regras da Amazon que tornam um inferno uma simples ida à casa de banho durante um turno. Junto à passadeira vermelha, os manifestantes gritaram uma frase que resume bem o momento em que as descidas de impostos aos mais ricos se traduzem diretamente na falta de cuidados a todos os outros. “We need healthcare, not a another billionaire.”
Os vestidos de caudas impossíveis, os corpetes ao estilo de armaduras, as maquilhagens exageradas e os cabelos meticulosamente penteados ficaram subitamente expostos ao seu ridículo vazio. Era possível vê-lo nas caras dos convidados, que tentavam fugir rapidamente ao protesto que se desenrolava à porta. “Devias ter vergonha, Jeff Bezos”, lançava, com uma dignidade atordoante, uma mulher negra de 72 anos, que continua a ter de trabalhar num armazém da Amazon para viver, apesar da idade avançada. “Nós merecemos essa festa, nós merecemos muito mais do que recebemos”, avisava Mary Hill, projetada no arranha-céus, sem medo de ameaçar um dos senhores do mundo. “Há força nos números e há muitos mais de nós do que de vocês, bilionários.” Na rua, as pessoas comuns passavam e olhavam com um sorriso de admiração para aquela mulher franzina que subitamente tinha alcançado o tamanho de um gigante e, com a sua força, reduzia o multimilionário à sua imensa fragilidade de homem sozinho, capaz de ser esmagado pelos mesmos que oprime e explora.
O protesto não mudou o mundo. Um protesto sozinho nunca muda nada. Mas alguma coisa tremeu. E a prova disso chegou, pouco depois, quando o milionário CEO da empresa americana Vornado, Steven Roth, mostrou o quão temida e poderosa é esta mensagem ao comparar o slogan “tax the rich” a – imagine-se – um “discurso de ódio”. Roth teve a infelicidade de denunciar este ódio de classe na mesma semana em que saiu nos Estados Unidos um estudo que mostra que cerca de metade dos americanos não ganha, trabalhando, o suficiente para viver. “Os ricos”, disse ele ao New York Times, “são o epíteto do sonho americano. Estão no topo da pirâmide económica americana por uma razão. Deviam ser louvados e alvo de gratidão”, defendeu o milionário, para quem a simples ideia de que a sua riqueza deve ser taxada é semelhante a uma “tirada racista”.
A desfaçatez com que se compara um pedido de justiça social a ataques racistas só é possível graças a uma construção ideológica que associa riqueza – mesmo a mais desmedida – a mérito, ao mesmo tempo que se cria a ilusão de que a fortuna é um estatuto acessível a quem se esforce. A última década foi a era da pornografia da riqueza. Os média e as redes sociais encheram-se de imagens a que chamaram “aspiracionais”, ao mesmo tempo que as marcas de luxo encontravam formas de vender produtos aos menos abonados para que de alguma maneira eles se sentissem parte de um clube no qual nunca iriam verdadeiramente entrar. Os restaurantes passaram a ser gourmet. Os hotéis transformaram-se em boutiques. E uma massa de gente da classe trabalhadora ganhou assim a ilusão de estar mais perto de ser rica.
Esse é o truque. Que penses que és rico porque compraste um Tesla ou um BMW, porque foste de férias para um resort qualquer, porque podes dar-te ao luxo de ir aos restaurantes da moda, porque tens um salário de diretor, seguro de saúde e regalias. Isso não é ser rico. Parece que é, sobretudo quando há tanta gente que mal chega ao final do mês, tanta gente a adiar consultas médicas porque não pode pagá-las, tanta gente sem ter como pagar uma casa. Mas este truque é tão bem feito que até esses, tantas vezes muito perto de serem pobres, se sentem quase ricos, porque esgotaram as poupanças num iPhone ou andaram a amealhar o ano inteiro para uma semana em regime de “tudo incluído”.
E esse truque é importante precisamente por aquilo que nos disse Mary Hill, a trabalhadora que arrasta a sua velhice num armazém da Amazon para viver. “Porque há força nos números.” Porque há milhões e milhões de trabalhadores e apenas 12 pessoas que concentram mais de metade da riqueza da Humanidade. Repitam comigo: 12 pessoas. E pensem sobre isso de cada vez que acharem que são ricos ou que um dia vão ser ricos. Porque essa ideia é o que vos tem empobrecido. É graças a essa ideia que todos os dias perdemos direitos no trabalho, na saúde, na educação, na habitação. É essa ideia que permite que mais de metade da riqueza do mundo esteja nas mãos de uma dúzia.
O algoritmo do Instagram começou a mostrar-me memes sobre como os níveis de desigualdade regressaram a um ponto só comparável com o período antes da Revolução Francesa. Lembram-se da Revolução Francesa da “igualdade, liberdade, fraternidade” e das guilhotinas? O tal CEO americano deve ter-se lembrado e, por isso, tremeu. E por isso acusou de racismo quem só pede um mundo um pouco mais justo, quem só pede que haja uma maior distribuição da riqueza que existe e é criada todos os dias por quem trabalha. Quando pela primeira vez em décadas alguém aparece e os desafia de frente, a primeira reação é gritar “crime de ódio”, sem se lembrarem das vezes que escarneceram os “wokes” que lutavam contra a discriminação de minorias. Afinal, não existe minoria mais minoritária do que a dos milionários.
Na TVI, passa agora uma telenovela com o título Os Ricos Também Choram. É uma versão de um drama mexicano que se estreou em 1979, precisamente quando começou no mundo a onda que há mais de 40 anos tenta desmantelar as políticas públicas de redistribuição da riqueza. O título é comovente. Mas talvez o “também” esteja a mais. Afinal, humanos são só aqueles que ascendem ao topo da pirâmide. Louvemos o seu mérito e estejamos gratos pela sua existência.
No lobby da festa apareceram pequenas garrafinhas, daquelas que costumam ser usadas para servir bebidas, cheias de urina, com a cabeça calva de Bezos no rótulo, numa alusão às regras da Amazon que tornam um inferno uma simples ida à casa de banho durante um turno. Junto à passadeira vermelha, os manifestantes gritaram uma frase que resume bem o momento em que as descidas de impostos aos mais ricos se traduzem diretamente na falta de cuidados a todos os outros. “We need healthcare, not a another billionaire.”
Os vestidos de caudas impossíveis, os corpetes ao estilo de armaduras, as maquilhagens exageradas e os cabelos meticulosamente penteados ficaram subitamente expostos ao seu ridículo vazio. Era possível vê-lo nas caras dos convidados, que tentavam fugir rapidamente ao protesto que se desenrolava à porta. “Devias ter vergonha, Jeff Bezos”, lançava, com uma dignidade atordoante, uma mulher negra de 72 anos, que continua a ter de trabalhar num armazém da Amazon para viver, apesar da idade avançada. “Nós merecemos essa festa, nós merecemos muito mais do que recebemos”, avisava Mary Hill, projetada no arranha-céus, sem medo de ameaçar um dos senhores do mundo. “Há força nos números e há muitos mais de nós do que de vocês, bilionários.” Na rua, as pessoas comuns passavam e olhavam com um sorriso de admiração para aquela mulher franzina que subitamente tinha alcançado o tamanho de um gigante e, com a sua força, reduzia o multimilionário à sua imensa fragilidade de homem sozinho, capaz de ser esmagado pelos mesmos que oprime e explora.
O protesto não mudou o mundo. Um protesto sozinho nunca muda nada. Mas alguma coisa tremeu. E a prova disso chegou, pouco depois, quando o milionário CEO da empresa americana Vornado, Steven Roth, mostrou o quão temida e poderosa é esta mensagem ao comparar o slogan “tax the rich” a – imagine-se – um “discurso de ódio”. Roth teve a infelicidade de denunciar este ódio de classe na mesma semana em que saiu nos Estados Unidos um estudo que mostra que cerca de metade dos americanos não ganha, trabalhando, o suficiente para viver. “Os ricos”, disse ele ao New York Times, “são o epíteto do sonho americano. Estão no topo da pirâmide económica americana por uma razão. Deviam ser louvados e alvo de gratidão”, defendeu o milionário, para quem a simples ideia de que a sua riqueza deve ser taxada é semelhante a uma “tirada racista”.
A desfaçatez com que se compara um pedido de justiça social a ataques racistas só é possível graças a uma construção ideológica que associa riqueza – mesmo a mais desmedida – a mérito, ao mesmo tempo que se cria a ilusão de que a fortuna é um estatuto acessível a quem se esforce. A última década foi a era da pornografia da riqueza. Os média e as redes sociais encheram-se de imagens a que chamaram “aspiracionais”, ao mesmo tempo que as marcas de luxo encontravam formas de vender produtos aos menos abonados para que de alguma maneira eles se sentissem parte de um clube no qual nunca iriam verdadeiramente entrar. Os restaurantes passaram a ser gourmet. Os hotéis transformaram-se em boutiques. E uma massa de gente da classe trabalhadora ganhou assim a ilusão de estar mais perto de ser rica.
Esse é o truque. Que penses que és rico porque compraste um Tesla ou um BMW, porque foste de férias para um resort qualquer, porque podes dar-te ao luxo de ir aos restaurantes da moda, porque tens um salário de diretor, seguro de saúde e regalias. Isso não é ser rico. Parece que é, sobretudo quando há tanta gente que mal chega ao final do mês, tanta gente a adiar consultas médicas porque não pode pagá-las, tanta gente sem ter como pagar uma casa. Mas este truque é tão bem feito que até esses, tantas vezes muito perto de serem pobres, se sentem quase ricos, porque esgotaram as poupanças num iPhone ou andaram a amealhar o ano inteiro para uma semana em regime de “tudo incluído”.
E esse truque é importante precisamente por aquilo que nos disse Mary Hill, a trabalhadora que arrasta a sua velhice num armazém da Amazon para viver. “Porque há força nos números.” Porque há milhões e milhões de trabalhadores e apenas 12 pessoas que concentram mais de metade da riqueza da Humanidade. Repitam comigo: 12 pessoas. E pensem sobre isso de cada vez que acharem que são ricos ou que um dia vão ser ricos. Porque essa ideia é o que vos tem empobrecido. É graças a essa ideia que todos os dias perdemos direitos no trabalho, na saúde, na educação, na habitação. É essa ideia que permite que mais de metade da riqueza do mundo esteja nas mãos de uma dúzia.
O algoritmo do Instagram começou a mostrar-me memes sobre como os níveis de desigualdade regressaram a um ponto só comparável com o período antes da Revolução Francesa. Lembram-se da Revolução Francesa da “igualdade, liberdade, fraternidade” e das guilhotinas? O tal CEO americano deve ter-se lembrado e, por isso, tremeu. E por isso acusou de racismo quem só pede um mundo um pouco mais justo, quem só pede que haja uma maior distribuição da riqueza que existe e é criada todos os dias por quem trabalha. Quando pela primeira vez em décadas alguém aparece e os desafia de frente, a primeira reação é gritar “crime de ódio”, sem se lembrarem das vezes que escarneceram os “wokes” que lutavam contra a discriminação de minorias. Afinal, não existe minoria mais minoritária do que a dos milionários.
Na TVI, passa agora uma telenovela com o título Os Ricos Também Choram. É uma versão de um drama mexicano que se estreou em 1979, precisamente quando começou no mundo a onda que há mais de 40 anos tenta desmantelar as políticas públicas de redistribuição da riqueza. O título é comovente. Mas talvez o “também” esteja a mais. Afinal, humanos são só aqueles que ascendem ao topo da pirâmide. Louvemos o seu mérito e estejamos gratos pela sua existência.
A equação para sanar rombo bilionário no banco de Edir Macedo se reflete na corrida ao Planalto
O Republicanos ainda não decidiu quem vai apoiar para presidente esse ano porque há um assunto mais importante para o partido controlado pela Igreja Universal do Reino de Deus resolver que nada tem a ver com palanques regionais ou posicionamentos religiosos de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). A cúpula da legenda está focada em salvar o Digimais — o banco controlado pelo bispo Edir Macedo com rombo estimado em R$ 8,5 bilhões — , e talvez a neutralidade seja o melhor caminho para que o objetivo seja alcançado.
Desde a Semana Santa, a histórica postura da Universal contra o PT mudou de tom. Embora tenha passado o mês de março anunciando que enviaria um recado crítico para a esquerda nos eventos da Sexta-feira da Paixão em estádios lotados pelo Brasil, nada disso aconteceu. Pelo contrário, de lá pra cá o presidente do Republicanos, o bispo licenciado Marcos Pereira, passou a dar entrevistas cogitando não apoiar Flávio na corrida presidencial — uma aliança, em tese, natural devido à maior aceitação de nomes da direita no segmento evangélico.
Dias depois da Páscoa, foi divulgada pela imprensa a negociação para o BTG Pactual de André Esteves comprar o Digimais, que previa um aporte de R$ 7 bilhões do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para que a operação avançasse. Simultaneamente, voltou a entrar no cálculo da Universal a necessidade de manter boa relação com o Palácio do Planalto. Embora privado, o FGC tem o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal como membros. Há casos em que a palavra do governo vale ainda mais para colocar de pé as operações do fundo. Desde o mês passado por exemplo, a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), está aguardando resposta do Tesouro Nacional a um pedido de aval para um empréstimo de R$ 6,6 bilhões do FGC para socorrer o Banco de Brasília (BRB) após a exposição a carteiras de créditos podres do Banco Master.
O escândalo envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro tornou complexa qualquer operação de resgate a bancos neste momento no Brasil — o que dificulta a vida do Digimais. Há duas semanas, em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, o ministro da Fazenda Dario Durigan indicou que seria difícil o governo federal ajudar o BRB e que a situação financeira da instituição era um problema do Distrito Federal. Nas suas falas aos jornalistas, Durigan estava mais disposto a passar a mensagem que o caso Master era grave do que em apontar saídas para instituições financeiras enroladas.
Nos últimos dois meses, o noticiário envolvendo o Digimais expondo suspeitas de operações fraudulentas atrapalhou ainda mais os planos de Macedo. Em março, a Revista piauí revelou um modus operandi fraudulento do Digimais semelhante ao do Master. Uma dessas irregularidades está sendo analisada na 13ª Vara de São Paulo em ação movida pelo fundo EXP1, que acusa o banco da Universal de vender R$ 650 milhões de reais em carteiras de crédito falsas. Essa semana, o Estado de S. Paulo mostrou que há repasses de carteiras do Digmais para outras instituições com cerca de 60% de inadimplência.
Diante da resistência do FGC de avançar no resgate do Digimais nos termos negociados com o BTG Pactual, Macedo está disposto a fazer ele próprio um aporte de R$ 1,5 bilhão no banco. Em dezembro do ano passado, o fundador da Universal já havia feito esse movimento ao injetar R$ 250 milhões para reforçar o capital da sua própria empresa.
A relação de Macedo com o mercado financeiro começou em 2009, quando adquiriu 40% de participação do então Banco Renner. Em 2020, comprou todo o banco, mudando seu nome para Digimais, e colocou o bispo João Urbanela para dirigi-lo. Após dois anos, uma instituição de finanças sólidas na era Renner passou a dar prejuízo — em 2022, o balanço do banco apontou um vermelho de R$ 740 milhões no caixa.
Enquanto não resolve a situação do Digimais e o que fará na eleição, o Republicanos segue deixando correr soltas as especulações sobre o seu futuro. Nos últimos dias, integrantes da sigla começaram a falar da possibilidade do senador Cleitinho Azevedo se lançar ao Planalto. Cleitinho é o líder nas pesquisas para o governo de Minas Gerais, mas ninguém no estado acredita que ele será candidato de fato. Para a Presidência da República, menos ainda.
Thiago Prado
Desde a Semana Santa, a histórica postura da Universal contra o PT mudou de tom. Embora tenha passado o mês de março anunciando que enviaria um recado crítico para a esquerda nos eventos da Sexta-feira da Paixão em estádios lotados pelo Brasil, nada disso aconteceu. Pelo contrário, de lá pra cá o presidente do Republicanos, o bispo licenciado Marcos Pereira, passou a dar entrevistas cogitando não apoiar Flávio na corrida presidencial — uma aliança, em tese, natural devido à maior aceitação de nomes da direita no segmento evangélico.
Dias depois da Páscoa, foi divulgada pela imprensa a negociação para o BTG Pactual de André Esteves comprar o Digimais, que previa um aporte de R$ 7 bilhões do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para que a operação avançasse. Simultaneamente, voltou a entrar no cálculo da Universal a necessidade de manter boa relação com o Palácio do Planalto. Embora privado, o FGC tem o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal como membros. Há casos em que a palavra do governo vale ainda mais para colocar de pé as operações do fundo. Desde o mês passado por exemplo, a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), está aguardando resposta do Tesouro Nacional a um pedido de aval para um empréstimo de R$ 6,6 bilhões do FGC para socorrer o Banco de Brasília (BRB) após a exposição a carteiras de créditos podres do Banco Master.
O escândalo envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro tornou complexa qualquer operação de resgate a bancos neste momento no Brasil — o que dificulta a vida do Digimais. Há duas semanas, em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, o ministro da Fazenda Dario Durigan indicou que seria difícil o governo federal ajudar o BRB e que a situação financeira da instituição era um problema do Distrito Federal. Nas suas falas aos jornalistas, Durigan estava mais disposto a passar a mensagem que o caso Master era grave do que em apontar saídas para instituições financeiras enroladas.
Nos últimos dois meses, o noticiário envolvendo o Digimais expondo suspeitas de operações fraudulentas atrapalhou ainda mais os planos de Macedo. Em março, a Revista piauí revelou um modus operandi fraudulento do Digimais semelhante ao do Master. Uma dessas irregularidades está sendo analisada na 13ª Vara de São Paulo em ação movida pelo fundo EXP1, que acusa o banco da Universal de vender R$ 650 milhões de reais em carteiras de crédito falsas. Essa semana, o Estado de S. Paulo mostrou que há repasses de carteiras do Digmais para outras instituições com cerca de 60% de inadimplência.
Diante da resistência do FGC de avançar no resgate do Digimais nos termos negociados com o BTG Pactual, Macedo está disposto a fazer ele próprio um aporte de R$ 1,5 bilhão no banco. Em dezembro do ano passado, o fundador da Universal já havia feito esse movimento ao injetar R$ 250 milhões para reforçar o capital da sua própria empresa.
A relação de Macedo com o mercado financeiro começou em 2009, quando adquiriu 40% de participação do então Banco Renner. Em 2020, comprou todo o banco, mudando seu nome para Digimais, e colocou o bispo João Urbanela para dirigi-lo. Após dois anos, uma instituição de finanças sólidas na era Renner passou a dar prejuízo — em 2022, o balanço do banco apontou um vermelho de R$ 740 milhões no caixa.
Enquanto não resolve a situação do Digimais e o que fará na eleição, o Republicanos segue deixando correr soltas as especulações sobre o seu futuro. Nos últimos dias, integrantes da sigla começaram a falar da possibilidade do senador Cleitinho Azevedo se lançar ao Planalto. Cleitinho é o líder nas pesquisas para o governo de Minas Gerais, mas ninguém no estado acredita que ele será candidato de fato. Para a Presidência da República, menos ainda.
Thiago Prado
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