domingo, 7 de junho de 2026
Tecnologia transformou as pessoas em matéria-prima econômica, e a humanidade virou negócio
Uma cena muito comum hoje é um casal com uma filha durante o almoço, num restaurante, quando o pai e mãe estão entretidos com os seus smartphones e a criança assistindo a um vídeo. A imagem pode num primeiro instante se mostrar lúdica, afinal a criança está distraída, não dando trabalho algum, e os pais, também, distraídos, envoltos consigo mesmos. Quadro que ilustra bem o argumento trazido por Eugênio Bucci no seu artigo O Papa e a técnica, quando ele diz que uma criança diante de uma tela não está apenas consumindo mídia; está participando de uma engrenagem econômica que transforma atenção em receita; dados, em valor; e comportamento, em lucro.
Assim, havendo a transformação da própria experiência humana em matéria-prima econômica. O texto trata da primeira encíclica do Papa Leão XIV, 135 anos depois da Rerum Novarum, publicada pelo Papa Leão XIII – considerada o marco inaugural da Doutrina Social da Igreja. Em 1891, a encíclica perguntava o que fazer diante da riqueza produzida pelas fábricas e concentrada nas mãos de poucos industriais. Em 2026, a Magnifica Humanitas parece formular uma pergunta semelhante: o que fazer quando a riqueza passa a ser produzida pela atenção, pelos dados e pelo comportamento de bilhões de pessoas conectadas? Hoje as Magnificent Seven – as sete maiores companhias de tecnologia do mundo – representam algo próximo a US$ 24 trilhões de valor de mercado, cerca de 45% do valor do índice S&P 500 e mais da metade do Nasdaq.
Nunca na história moderna um grupo tão pequeno de empresas concentrou tamanho peso econômico e financeiro. Em 2010, esse grupo de empresas valia em torno de US$ 1 trilhão. Em 2025, esse grupo devolveu aos acionistas cerca de US$ 277 bilhões em recompras de ações e dividendos. Ao mesmo tempo, pagaram aproximadamente US$ 122 bilhões em impostos sobre renda.
A economia da atenção não apenas financia inovação. A questão não é que as big techs enriqueceram criando tecnologia. A questão é que elas transformaram comportamento humano – inclusive infantil – em ativo econômico. Em que momento a tecnologia deixou de servir às pessoas e passou a transformar as pessoas em matéria-prima econômica? Talvez a pergunta não seja apenas o que as big techs farão com os trilhões de dólares acumulados a partir da economia da atenção. A pergunta é o que nós faremos com uma geração que aprende a deslizar telas antes de aprender a conversar.
Se a humanidade virou negócio, a responsabilidade não é apenas das plataformas. É também nossa. Afinal, nenhuma tecnologia consegue ocupar o lugar de um pai, de uma mãe ou de uma família – a menos que nós mesmos entreguemos esse espaço.
Assim, havendo a transformação da própria experiência humana em matéria-prima econômica. O texto trata da primeira encíclica do Papa Leão XIV, 135 anos depois da Rerum Novarum, publicada pelo Papa Leão XIII – considerada o marco inaugural da Doutrina Social da Igreja. Em 1891, a encíclica perguntava o que fazer diante da riqueza produzida pelas fábricas e concentrada nas mãos de poucos industriais. Em 2026, a Magnifica Humanitas parece formular uma pergunta semelhante: o que fazer quando a riqueza passa a ser produzida pela atenção, pelos dados e pelo comportamento de bilhões de pessoas conectadas? Hoje as Magnificent Seven – as sete maiores companhias de tecnologia do mundo – representam algo próximo a US$ 24 trilhões de valor de mercado, cerca de 45% do valor do índice S&P 500 e mais da metade do Nasdaq.
Nunca na história moderna um grupo tão pequeno de empresas concentrou tamanho peso econômico e financeiro. Em 2010, esse grupo de empresas valia em torno de US$ 1 trilhão. Em 2025, esse grupo devolveu aos acionistas cerca de US$ 277 bilhões em recompras de ações e dividendos. Ao mesmo tempo, pagaram aproximadamente US$ 122 bilhões em impostos sobre renda.
A economia da atenção não apenas financia inovação. A questão não é que as big techs enriqueceram criando tecnologia. A questão é que elas transformaram comportamento humano – inclusive infantil – em ativo econômico. Em que momento a tecnologia deixou de servir às pessoas e passou a transformar as pessoas em matéria-prima econômica? Talvez a pergunta não seja apenas o que as big techs farão com os trilhões de dólares acumulados a partir da economia da atenção. A pergunta é o que nós faremos com uma geração que aprende a deslizar telas antes de aprender a conversar.
Se a humanidade virou negócio, a responsabilidade não é apenas das plataformas. É também nossa. Afinal, nenhuma tecnologia consegue ocupar o lugar de um pai, de uma mãe ou de uma família – a menos que nós mesmos entreguemos esse espaço.
As veias abertas do Brasil: trabalho e pulsão de morte
“A pobreza não está escrita nas estrelas”
Eduardo Galeano
I
O século gira como um cachorro lento: demora cem anos para morder o próprio rabo e depois repete. Repete. Repete. 2026 é mais uma dolorosa mordida – somos o cão e os dentes do cão e o rabo mordido do cão e o sangue secular empapando os nossos nomes. Giramos juntos o turbilhão da morte. Parece ser este o trabalho imposto pelos donos do mundo: todos os dias, derrotar o pensamento; e, com ele, a inteligência.
Nos poemas de Trabalhar cansa (1936), Cesare Pavese retoma as vidas mordidas pelo grande cachorro do século XX: camponeses, prostitutas, ladrões, pobres, bêbados e outros desvalidos da sociedade. Nas palavras de Frantz Fanon (1961), são os condenados da terra: pessoas que precisam criar uma coincidência – dura e precária – entre o trabalho e a própria vida. Ainda não fui preso por regimes fascistas e, oficialmente, não me condenaram por comunista. Entretanto, como nos personagens daqueles poemas, sei que na minha carne também cravaram os dentes do trabalho. Comecei aos 14 anos, num sacolão da região metropolitana de Belo Horizonte. A minha lembrança mais nítida dessa época é a alegria paterna ao saber que enfim o filho seria produtivo, enfim deixaria de espetar as mandíbulas nas costas do pai. Nos anos seguintes, o trabalho me obrigou a estudar à noite, o mínimo possível para conseguir um diploma do Ensino Médio.
Alguma percepção de anormalidade surgiu desde o início da minha Carteira de Trabalho e Previdência Social, este livro de estreia que escrevi a muitas mãos. O que era apenas uma intuição consolidou-se muitos anos – e diplomas – depois. Entre 2015 e 2016, fui professor de Leitura e Escrita de Textos Acadêmicos no Instituto de Ciências Econômicas e Gerenciais da PUC Minas. Na época, o departamento incentivava que os semestres fossem organizados em torno de temas específicos, com o objetivo de evitar que a universidade se transformasse em mais um espaço de asfixia do pensamento. Era uma boa estratégia.
Em um desses semestres, escolhi o trabalho como tema central. Ao investigar a origem da palavra – porque professor aprende mais do que ensina – descobri que uma de suas possíveis raízes está no tripalium, instrumento de suplício utilizado na Antiguidade para punir condenados ou escravos fugitivos. Tratava-se de uma estrutura de madeira formada por três estacas: duas cruzadas em X e uma terceira fincada verticalmente no chão. Semelhante a um asterisco, ela servia para imobilizar a pessoa durante castigos que podiam variar de chicotadas à morte na fogueira.
Com o passar do tempo, a ideia associada ao tripalium teria sido vinculada ao esforço extremo, ao sofrimento e ao sacrifício, dando origem, segundo essa interpretação etimológica, ao conceito de trabalho. Talvez daí venha uma noção tão persistente e difundida: a do trabalho como forma de tortura.
II
Faz tempo que a história universal coincide com a história do trabalho. A ação de transformar recursos para sobreviver foi empurrando o mundo no tempo, estabelecendo os seus cimentos no espaço e instituindo ordens sociais que, com o surgimento da Modernidade, passaram a ser chamadas de civilização – um significante que não envelheceu e cujo significado Friedrich Nietzsche (1873) expandiu ao propor a categoria de edifício da civilização: camadas e camadas de regras, códigos e deveres que cimentam a vida social (os direitos, é claro, chegaram tarde).
Eduardo Galeano escreveu As veias abertas da América Latina (1971) não apenas para provar que a nossa história coletiva não pertence às narrativas europeias. O escritor uruguaio fez muito mais: com palavras, ergueu diante de nós essas veias destroçadas e o seu – o nosso – sangue ainda quente jorrando no horizonte. Cada leitura dessa obra é incômoda, tanto pela sua verdade odiosa quanto pelas consequências da rapinagem colonial, que segue roubando a nossa paz.
A biografia pindorama também coincide com a história do trabalho, mas com uma peculiaridade importante: “a história do subdesenvolvimento da América Latina integra, como já foi dito, a história do desenvolvimento do capitalismo mundial” (Galeano, 1971: 19). É neste quadro que a escravidão deve ser entendida como a primeira experiência massiva de trabalho e de capitalismo global. Foi pela espoliação dos povos negros e indígenas que se levantou a inominável acumulação de mão de obra (forçada) e de recursos pelos quais Espanha e Portugal não pagaram, bem como os lucros pornográficos obtidos por aquelas monarquias. Para melhor explicar a dimensão mercantil do projeto colonial, Eduardo Galeano chamou-a de acumulação originária – o conceito fala por si.
III
Como nada escapa à roda dentada do capitalismo, o trabalho, é muito transformado em produto, agora é vendido como pulsão criativa: você pode fazer o que gosta, a sua profissão pode dar prazer; seja livre e dono do seu negócio; se você realmente quer, você consegue. Por que não?
Por que não? Eu respondo: não, porque esse é um privilégio de pessoas ricas que, via de regra, não trabalham (nos sentidos etimológico e concreto da palavra); não, porque, embora possível, essa será sempre a exceção das exceções; não, porque o trabalho escravo é um projeto que atravessa as eras históricas, persiste da Antiguidade à Pós-Modernidade; não, porque trabalhar cansa e, enquanto viver for o equivalente a trabalhar para o enriquecimento alheio, a vida seguirá sendo cansativa. E, ao contrário do que a grande boca neoliberal anuncia, a suposta pulsão de vida gera pulsão de morte, essa força que “leva o sujeito a se colocar repetitivamente em situações dolorosas” (Roudinesco & Plon, 1998: 631). Os condenados da terra brasilis de ontem e de hoje trabalham para viver e, ao mesmo tempo, morrem de trabalhar. Esse ouroboros é o motor das forças pulsionais destrutivas que causam o mal-estar coletivo, sobretudo depois de jornadas extenuantes e mal remuneradas.
Posso elencar muitos outros motivos para demonstrar por que não podemos aceitar a romantização do trabalho: a reforma trabalhista aprovada por Javier Milei na Argentina, a assimetria salarial assentada em desigualdades de gênero, raça e classe, o custo de vida sempre por cima das possibilidades salariais, a vida estrangulada por todos os lados. Muitas pessoas perdem um pedaço do bolo para que poucas levem a maior parte – esta é a regra mais básica do capitalismo. No caso do Brasil e de outros países que foram colonizados, a exploração de recursos minerais e a escravização dos povos africanos e originários potencializaram essa regra mercantil e fizeram da Europa aquilo que ela é hoje: um conjunto de nações fundadas sobre a riqueza que não produziram, com um orgulho estratosférico e uma patética relevância política em 2026. Além disso, a Europa é também responsável por alimentar o cachorro do século XXI com visitinhas ao campo de golf dele na Escócia ou concessões frente ao assassinato de milhares de inocentes. Enquanto isso, o cachorrão ladra e morde a carne do mundo – é por isso que as veias seguem em franca abertura. Parece que o único trabalho possível, agora, é estancar tanto sangue.
O conto do vigário do terror
Não são terroristas as duas maiores organizações criminosas nacionais sancionadas pelo governo norte-americano. Não por lhes faltarem motivações ideológicas ou religiosas, como se vem apontando. O terrorismo internacional que derrubou as torres gêmeas nos EUA, explode bombas em lugares públicos e incita à autoimolação de fanáticos tem uma singularidade: não negocia. Ou seja, não é político-ideológico. Nem espiritual, pois seu apelo ao divino é mero rótulo para a vingança. Terrorismo é guerra civil permanente de desterrados.
Terror é um sentimento de pavor ou de ansiedade extrema, geralmente causado por violência ou ameaças. É uma forma radicalizada do medo, que excede a capacidade de controle e paralisa os mecanismos de defesa do indivíduo. Não se confunde com o simples temor, que não afeta a possibilidade de pensar e reagir. O terror emerge dos momentos de repressão desenfreada de um regime político ou das ações movidas pelo fanatismo, no passado e no presente. O Irgun (dissidência da Haganah, organização paramilitar sionista), que explodiu um hotel de ingleses em 1946, matando 91 pessoas, era terrorista. A Al-Qaeda é polo centralizador do terrorismo árabe. Os grupos de supremacia branca nos EUA, como os Proud Boys e a Ku Klux Klan, são estruturalmente terroristas.
Em princípio, o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) não têm nada a ver com essas descrições. São máfias voltadas para o contrabando de armas, tráfico de drogas, extorsão, lavagem de dinheiro, assaltos, torturas e execuções. Nelas, porém, inexiste a dinâmica de suicídio inerente às fantasias identitárias que sustentam a mitologia de uma divindade onipotente, de um regressivo califado ou mesmo de uma branquitude unitária. Nem a matriz vingativa que rege as necropolíticas da extrema direita.
Vingança, uma pulsão propriamente terrorista, responde em parte pelo que vem acontecendo nos EUA. Trump é pretexto para que as elites brancas e os rednecks empobrecidos concretizem o seu histórico ressentimento contra imigrantes, negros, mulheres, asiáticos e latinos. Nem sequer as Forças Armadas norte-americanas escapam ao escrutínio discriminatório: as promoções de oficiais de alta patente têm excluído negros e mulheres, de modo sistemático.
O neofascismo emergente nos EUA é a face terrorista do neoliberalismo. Compreende-se, assim, que essa dimensão velada pelo marketing da democracia de exportação tente projetar sobre outros, por interesses econômico-financeiros momentâneos, a pecha do terror. Essa oblíqua classificação é decisão política, e não técnica, de um sistema imperial. O que se quer mesmo é desmoralizar a soberania jurídica brasileira, torpedeando o Pix, à sombra de escusos desígnios eleitorais. Combate ao crime é ambígua tela de fundo para uma chantagem deslavada.
Colar seriamente o rótulo sancionado a tumores sociais como PCC e CV (que os governos nacionais, sim, irresponsavelmente, deixaram crescer) implicaria auscultar a urbanidade periférica, cujo cotidiano oscila entre o medo e o terror impostos por essas facções. Ou seja, escutar politicamente a voz das comunidades submetidas. Terrorismo, se há, é só para os desamparados: são vidas paralisadas pela ditadura do crime.
Terror é um sentimento de pavor ou de ansiedade extrema, geralmente causado por violência ou ameaças. É uma forma radicalizada do medo, que excede a capacidade de controle e paralisa os mecanismos de defesa do indivíduo. Não se confunde com o simples temor, que não afeta a possibilidade de pensar e reagir. O terror emerge dos momentos de repressão desenfreada de um regime político ou das ações movidas pelo fanatismo, no passado e no presente. O Irgun (dissidência da Haganah, organização paramilitar sionista), que explodiu um hotel de ingleses em 1946, matando 91 pessoas, era terrorista. A Al-Qaeda é polo centralizador do terrorismo árabe. Os grupos de supremacia branca nos EUA, como os Proud Boys e a Ku Klux Klan, são estruturalmente terroristas.
Em princípio, o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) não têm nada a ver com essas descrições. São máfias voltadas para o contrabando de armas, tráfico de drogas, extorsão, lavagem de dinheiro, assaltos, torturas e execuções. Nelas, porém, inexiste a dinâmica de suicídio inerente às fantasias identitárias que sustentam a mitologia de uma divindade onipotente, de um regressivo califado ou mesmo de uma branquitude unitária. Nem a matriz vingativa que rege as necropolíticas da extrema direita.
Vingança, uma pulsão propriamente terrorista, responde em parte pelo que vem acontecendo nos EUA. Trump é pretexto para que as elites brancas e os rednecks empobrecidos concretizem o seu histórico ressentimento contra imigrantes, negros, mulheres, asiáticos e latinos. Nem sequer as Forças Armadas norte-americanas escapam ao escrutínio discriminatório: as promoções de oficiais de alta patente têm excluído negros e mulheres, de modo sistemático.
O neofascismo emergente nos EUA é a face terrorista do neoliberalismo. Compreende-se, assim, que essa dimensão velada pelo marketing da democracia de exportação tente projetar sobre outros, por interesses econômico-financeiros momentâneos, a pecha do terror. Essa oblíqua classificação é decisão política, e não técnica, de um sistema imperial. O que se quer mesmo é desmoralizar a soberania jurídica brasileira, torpedeando o Pix, à sombra de escusos desígnios eleitorais. Combate ao crime é ambígua tela de fundo para uma chantagem deslavada.
Colar seriamente o rótulo sancionado a tumores sociais como PCC e CV (que os governos nacionais, sim, irresponsavelmente, deixaram crescer) implicaria auscultar a urbanidade periférica, cujo cotidiano oscila entre o medo e o terror impostos por essas facções. Ou seja, escutar politicamente a voz das comunidades submetidas. Terrorismo, se há, é só para os desamparados: são vidas paralisadas pela ditadura do crime.
Quase inverno
Quando esfria assim como agora, durmo cheia de culpa, pensando na população de rua, cada vez mais abundante por aqui. Para piorar, estou lendo “Menos que um”, de Patrícia Melo, uma abordagem honesta e sensível sobre o assunto, que me fez olhar para essas pessoas com mais atenção e menos julgamento, tentando enxergar por trás da aparência de cada um. O que será que a vida fez com elas, para torná-las esse amontoado de carne e trapos que impede a passagem nas calçadas, toma conta de alguns trechos de rua, circula pelas praças e entradas do metrô, de supermercados, de bancos? Como sobrevivem a tanto desamparo?
Ia a caminho da feira quando um deles me abordou, pedindo que lhe comprasse uma bolacha. Expliquei que não portava dinheiro, só cartão, mas ele insistiu: aqui eles aceitam, mostrando um pequeno mercado. Entramos e o deixei à vontade para escolher. Voltou rápido, com um pote de macarrão instantâneo, um refrigerante e a tal bolacha.
Tudo isso? – perguntou a moça do caixa, com irritação. Vai comer ou vai vender?
Falei que estava tudo bem, podia cobrar. Cheia de razão, ela avisou: vou abrir tudo, assim ele não vende. Fiquei tão chocada que não respondi, enquanto ela violava as embalagens e destampava a bebida. Ele pediu uma sacola de plástico para embalar tudo e partiu, agradecendo muito: era o almoço dele e da esposa que o aguardava mais adiante.
A atendente, ainda arrogante, dizia que fazia sempre assim, “cada vez que um desses aparece por aqui”. Respondi que não interessava o que ele ia fazer com as compras, pois minha parte estava feita. Ela pareceu não concordar, mas se calou.
Num degrau mais acima, estão os pobres. Moram mal, mas têm teto. Vivem mal, mas alimentam os filhos, batalham subempregos, recorrem a todo tipo de ajuda institucional. Vejo muitos deles no metrô, a maioria com os pés expostos em chinelos de borracha. Vejo pedreiros, com as roupas manchadas de tinta ou cimento, sem casacos e muito menos, meias. Vejo pais de família com sua prole, todos de chinelos. Vejo cegos pedindo esmola, enquanto os fiscais não chegam. Vejo músicos também desafiando a vigilância, entre uma estação e outra.
Há tantos brasis neste Brasil, mesmo na cidade mais rica do país. E o inverno ainda nem chegou…
Madô Martins
Ia a caminho da feira quando um deles me abordou, pedindo que lhe comprasse uma bolacha. Expliquei que não portava dinheiro, só cartão, mas ele insistiu: aqui eles aceitam, mostrando um pequeno mercado. Entramos e o deixei à vontade para escolher. Voltou rápido, com um pote de macarrão instantâneo, um refrigerante e a tal bolacha.
Tudo isso? – perguntou a moça do caixa, com irritação. Vai comer ou vai vender?
Falei que estava tudo bem, podia cobrar. Cheia de razão, ela avisou: vou abrir tudo, assim ele não vende. Fiquei tão chocada que não respondi, enquanto ela violava as embalagens e destampava a bebida. Ele pediu uma sacola de plástico para embalar tudo e partiu, agradecendo muito: era o almoço dele e da esposa que o aguardava mais adiante.
A atendente, ainda arrogante, dizia que fazia sempre assim, “cada vez que um desses aparece por aqui”. Respondi que não interessava o que ele ia fazer com as compras, pois minha parte estava feita. Ela pareceu não concordar, mas se calou.
Num degrau mais acima, estão os pobres. Moram mal, mas têm teto. Vivem mal, mas alimentam os filhos, batalham subempregos, recorrem a todo tipo de ajuda institucional. Vejo muitos deles no metrô, a maioria com os pés expostos em chinelos de borracha. Vejo pedreiros, com as roupas manchadas de tinta ou cimento, sem casacos e muito menos, meias. Vejo pais de família com sua prole, todos de chinelos. Vejo cegos pedindo esmola, enquanto os fiscais não chegam. Vejo músicos também desafiando a vigilância, entre uma estação e outra.
Há tantos brasis neste Brasil, mesmo na cidade mais rica do país. E o inverno ainda nem chegou…
Madô Martins
'Cuba está sangrando rumo ao colapso'
As quatro maiores cadeias hoteleiras estrangeiras em Cuba — as espanholas Meliá e Iberostar, a canadense Blue Diamond e a indonésia Archipelago International — reduziram ou encerraram suas operações na ilha esta semana, em meio à crescente pressão dos Estados Unidos de Donald Trump para forçar uma mudança de regime em Havana.
"O que é significativo aqui é que a pressão dos EUA finalmente forçou empresas estrangeiras com um longo histórico de envolvimento em Cuba a recuarem", disse Ricardo Torres, economista cubano da American University. No último mês, a empresa de navegação alemã Hapag-Lloyd e a francesa CMA CGM foram adicionadas a essa lista . Anteriormente, a companhia aérea espanhola Iberia e a mineradora canadense Sherritt, entre outras, também haviam anunciado sua retirada .
O embargo de petróleo imposto à ilha em janeiro de 2026 foi seguido por diversas rodadas de sanções contra organizações governamentais, políticas e empresariais, bem como altos funcionários e alguns de seus familiares — incluindo o presidente Miguel Díaz-Canel e membros da família Castro. O mais recente endurecimento das medidas também ameaça com sanções secundárias contra entidades que mantêm laços com os sancionados.
Consequentemente, o Banco Central de Cuba anunciou ontem a suspensão dos serviços financeiros internacionais da Visa e da Mastercard . O banco estrangeiro que processava os pagamentos — cujo nome não foi divulgado — rompeu sua relação com a FINCIMEX SA, braço financeiro da GAESA , grupo empresarial das Forças Armadas Revolucionárias (FAR) que está no centro das sanções de Washington.
As quatro maiores cadeias hoteleiras estrangeiras em Cuba reduziram ou encerraram suas operações, ameaçadas por sanções dos EUA.
O dia 5 de junho de 2026 marcou o prazo estabelecido pelos Estados Unidos para que empresas estrangeiras com negócios em Cuba liquidem as "operações envolvendo a GAESA", que controla grandes setores da economia cubana (entre 40 e 70 por cento, dependendo da fonte).
Ao sancionar a GAESA, os Estados Unidos "tornam muito difícil, senão impossível, para muitas empresas estrangeiras continuarem suas atividades econômicas em Cuba", especialmente no setor de turismo, explica o economista político Paolo Spadoni, especialista em turismo cubano da Universidade de Augusta e coautor de "A Indústria do Turismo Cubano: Evolução, Desafios e Perspectivas".
"É um golpe muito duro para uma economia já muito frágil", que tem o turismo, as remessas e as exportações de serviços como suas principais fontes de divisas, explica Spadoni. Ele também destaca que o governo Trump já havia criado obstáculos para as remessas de migrantes nos EUA e forçado brigadas médicas cubanas a deixarem diversos países.
À medida que os Estados Unidos demonstram sua disposição em exercer pressão máxima e o governo da ilha fica sem opções para contornar as sanções, a população cubana verá uma "intensificação da escassez e das dificuldades diárias", alerta Ricardo Torres, de Washington.
"Desta vez, as sanções visam estrangular o país, o que afeta a população, embora aparentemente sejam direcionadas apenas a funcionários sancionados", observa Mauricio de Miranda, economista cubano, professor da Universidade Javeriana em Cali, Colômbia, e codiretor do think tank CubaxCuba .
“Trump está tentando sufocar Cuba para que haja agitação social e ele tenha um pretexto para intervir”, disse o presidente cubano Miguel Díaz-Canel em entrevista ao elDiario.es . “A UE e a Espanha devem proteger suas empresas e seus cidadãos. Não podem permitir que leis extraterritoriais lhes sejam impostas por outro país”, afirmou.
Díaz-Canel também afirmou que seu governo está estudando "diferentes modelos de negócios, com cubanos que queiram investir e administrar hotéis" e pessoas de outros países ou entidades que não tenham contas ou dependência dos EUA. Mas "quem gostaria de administrar hotéis sem demanda e sem uma perspectiva clara de recuperação?", questiona Ricardo Pérez.
"Somente negociações em condições desfavoráveis, com concessões substanciais, podem mudar a situação", afirma o economista da Universidade de Washington. Cuba não pode se recuperar sem um acordo para aliviar ou suspender as sanções americanas. "E precisa ser um acordo definitivo e de longo prazo para restabelecer a segurança", diz ele. Entre outros motivos, porque o apoio de aliados importantes da ilha, como a China e a Rússia, permanecerá em grande parte simbólico.
"Desta vez, as sanções visam estrangular o país, o que afeta a população", observa o economista cubano Mauricio de Miranda.
Mas as negociações parecem ter chegado a um impasse. Os Estados Unidos priorizam a mudança de regime em detrimento de reformas econômicas de longo prazo que trariam mudanças políticas, como propuseram inicialmente. E o regime cubano, obviamente, resiste. A ideia de um acordo com compromissos mútuos agora parece "altamente improvável", avalia Paolo Spadoni, pessimista.
A situação mudou radicalmente em apenas alguns meses, observa o economista político da Universidade de Augusta. As tentativas de negociação deram lugar à ameaça de ação militar. E a "uma forma muito cruel" de promover a mudança política através da máxima pressão econômica, com o risco de colapso econômico e de uma grande crise humanitária. "É um país que está sangrando lentamente rumo ao colapso." E uma mudança de regime imposta dessa forma "leva à violência e à instabilidade", alerta Spadoni.
Segundo De Miranda, existem poucas soluções à vista, "além de uma transição pacífica para um sistema democrático, não porque o governo dos EUA o exija, mas porque o país precisa dele".
O governo cubano, no entanto, não só se recusa a ceder à pressão externa, apesar das ameaças de intervenção militar dos Estados Unidos e da acusação de assassinato contra o ex-líder Raúl Castro, como também se recusa a ceder à pressão interna: mantém centenas de presos políticos atrás das grades e continua a reprimir o descontentamento popular, que não deixou de se manifestar publicamente desde os protestos históricos e massivos de 2021.
"É a nação cubana que precisa fazer a transição para uma sociedade democrática", insiste De Miranda. "Não apoiarei nenhuma invasão, mas também não aceito a repressão do governo aos protestos. O governo perdeu muitas oportunidades. Não tem mais tempo para comprar. É hora de assumir suas responsabilidades para com a sociedade. Se não o fizer, a história não o absolverá, nem a justiça da humanidade."
"O que é significativo aqui é que a pressão dos EUA finalmente forçou empresas estrangeiras com um longo histórico de envolvimento em Cuba a recuarem", disse Ricardo Torres, economista cubano da American University. No último mês, a empresa de navegação alemã Hapag-Lloyd e a francesa CMA CGM foram adicionadas a essa lista . Anteriormente, a companhia aérea espanhola Iberia e a mineradora canadense Sherritt, entre outras, também haviam anunciado sua retirada .
O embargo de petróleo imposto à ilha em janeiro de 2026 foi seguido por diversas rodadas de sanções contra organizações governamentais, políticas e empresariais, bem como altos funcionários e alguns de seus familiares — incluindo o presidente Miguel Díaz-Canel e membros da família Castro. O mais recente endurecimento das medidas também ameaça com sanções secundárias contra entidades que mantêm laços com os sancionados.
Consequentemente, o Banco Central de Cuba anunciou ontem a suspensão dos serviços financeiros internacionais da Visa e da Mastercard . O banco estrangeiro que processava os pagamentos — cujo nome não foi divulgado — rompeu sua relação com a FINCIMEX SA, braço financeiro da GAESA , grupo empresarial das Forças Armadas Revolucionárias (FAR) que está no centro das sanções de Washington.
As quatro maiores cadeias hoteleiras estrangeiras em Cuba reduziram ou encerraram suas operações, ameaçadas por sanções dos EUA.
O dia 5 de junho de 2026 marcou o prazo estabelecido pelos Estados Unidos para que empresas estrangeiras com negócios em Cuba liquidem as "operações envolvendo a GAESA", que controla grandes setores da economia cubana (entre 40 e 70 por cento, dependendo da fonte).
Ao sancionar a GAESA, os Estados Unidos "tornam muito difícil, senão impossível, para muitas empresas estrangeiras continuarem suas atividades econômicas em Cuba", especialmente no setor de turismo, explica o economista político Paolo Spadoni, especialista em turismo cubano da Universidade de Augusta e coautor de "A Indústria do Turismo Cubano: Evolução, Desafios e Perspectivas".
"É um golpe muito duro para uma economia já muito frágil", que tem o turismo, as remessas e as exportações de serviços como suas principais fontes de divisas, explica Spadoni. Ele também destaca que o governo Trump já havia criado obstáculos para as remessas de migrantes nos EUA e forçado brigadas médicas cubanas a deixarem diversos países.
À medida que os Estados Unidos demonstram sua disposição em exercer pressão máxima e o governo da ilha fica sem opções para contornar as sanções, a população cubana verá uma "intensificação da escassez e das dificuldades diárias", alerta Ricardo Torres, de Washington.
"Desta vez, as sanções visam estrangular o país, o que afeta a população, embora aparentemente sejam direcionadas apenas a funcionários sancionados", observa Mauricio de Miranda, economista cubano, professor da Universidade Javeriana em Cali, Colômbia, e codiretor do think tank CubaxCuba .
“Trump está tentando sufocar Cuba para que haja agitação social e ele tenha um pretexto para intervir”, disse o presidente cubano Miguel Díaz-Canel em entrevista ao elDiario.es . “A UE e a Espanha devem proteger suas empresas e seus cidadãos. Não podem permitir que leis extraterritoriais lhes sejam impostas por outro país”, afirmou.
Díaz-Canel também afirmou que seu governo está estudando "diferentes modelos de negócios, com cubanos que queiram investir e administrar hotéis" e pessoas de outros países ou entidades que não tenham contas ou dependência dos EUA. Mas "quem gostaria de administrar hotéis sem demanda e sem uma perspectiva clara de recuperação?", questiona Ricardo Pérez.
"Somente negociações em condições desfavoráveis, com concessões substanciais, podem mudar a situação", afirma o economista da Universidade de Washington. Cuba não pode se recuperar sem um acordo para aliviar ou suspender as sanções americanas. "E precisa ser um acordo definitivo e de longo prazo para restabelecer a segurança", diz ele. Entre outros motivos, porque o apoio de aliados importantes da ilha, como a China e a Rússia, permanecerá em grande parte simbólico.
"Desta vez, as sanções visam estrangular o país, o que afeta a população", observa o economista cubano Mauricio de Miranda.
Mas as negociações parecem ter chegado a um impasse. Os Estados Unidos priorizam a mudança de regime em detrimento de reformas econômicas de longo prazo que trariam mudanças políticas, como propuseram inicialmente. E o regime cubano, obviamente, resiste. A ideia de um acordo com compromissos mútuos agora parece "altamente improvável", avalia Paolo Spadoni, pessimista.
A situação mudou radicalmente em apenas alguns meses, observa o economista político da Universidade de Augusta. As tentativas de negociação deram lugar à ameaça de ação militar. E a "uma forma muito cruel" de promover a mudança política através da máxima pressão econômica, com o risco de colapso econômico e de uma grande crise humanitária. "É um país que está sangrando lentamente rumo ao colapso." E uma mudança de regime imposta dessa forma "leva à violência e à instabilidade", alerta Spadoni.
Segundo De Miranda, existem poucas soluções à vista, "além de uma transição pacífica para um sistema democrático, não porque o governo dos EUA o exija, mas porque o país precisa dele".
O governo cubano, no entanto, não só se recusa a ceder à pressão externa, apesar das ameaças de intervenção militar dos Estados Unidos e da acusação de assassinato contra o ex-líder Raúl Castro, como também se recusa a ceder à pressão interna: mantém centenas de presos políticos atrás das grades e continua a reprimir o descontentamento popular, que não deixou de se manifestar publicamente desde os protestos históricos e massivos de 2021.
"É a nação cubana que precisa fazer a transição para uma sociedade democrática", insiste De Miranda. "Não apoiarei nenhuma invasão, mas também não aceito a repressão do governo aos protestos. O governo perdeu muitas oportunidades. Não tem mais tempo para comprar. É hora de assumir suas responsabilidades para com a sociedade. Se não o fizer, a história não o absolverá, nem a justiça da humanidade."
Os Bolsonaro e a crônica dos soluços oportunos
Há pouco mais de um mês, para ser exato no último dia 4 de maio, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro “agradeceu ao nosso amado Pai” o fato de o “Galego” estar sem soluços e “conseguindo fazer a fisioterapia”. “Galego” é como ela habitualmente se refere ao marido, Jair Bolsonaro, condenado e preso em casa por tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
Relatório médico entregue ao Supremo Tribunal Federal na sexta-feira diz que Bolsonaro voltou a sofrer de crises de soluço “acima da média” nos últimos sete dias. Algo extemporâneo? Não. Ele vive, há muito tempo, de crise de soluço em crise de soluço, fora outras anomalias. É um paciente crônico desde a facada que levou em Juiz de Fora, em 6 de setembro de 2018.
A coincidência está em que, no próximo dia 25, vence o prazo fixado pelo ministro Alexandre de Moraes para reavaliar sua decisão de transferir Bolsonaro da “Papudinha” — um espaço, digamos, VIP do Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal — para a prisão domiciliar. O ex-presidente Fernando Collor, condenado por corrupção, cumpre a pena em domicílio à beira-mar, em Maceió. Bolsonaro ainda não tem garantia alguma de que poderá cumprir a sua em definitivo.
É o que Michelle e sua família tanto suplicam. E não somente eles: os milhares de presos em todas as partes do país que padecem de condições precárias de saúde e que não dispõem de atendimento médico adequado também gostariam de obter tal benefício. Afinal, a lei deveria ser igual para todos, mas não é; ela distingue entre pobres e ricos.
Todo cuidado com os Bolsonaro é pouco, e Moraes está cansado de saber disso — e é bom jamais esquecer. Eles mentem despudoradamente em seu favor e em desfavor de seus adversários. Espalham notícias falsas e são capazes de fazer qualquer coisa, até mesmo conspirar no estrangeiro contra os interesses nacionais.
Outro membro da família deverá ser condenado este mês pelo crime de coação no curso do processo: o deputado cassado Eduardo. Já Flávio, em troca de apoio para se eleger presidente da República, ofereceu-se a Donald Trump para servir de biombo aos efeitos perversos da nova taxação a produtos brasileiros importados pelos Estados Unidos.
Eleitores de carteirinha de Bolsonaro pai justificam tudo o que a família propaga, inclusive que Lula é o verdadeiro culpado pela má vontade de Trump com o Brasil. Renovo meus votos de boa saúde e vida longa a Bolsonaro para que ele pague por tudo de ruim que fez ao país.
Relatório médico entregue ao Supremo Tribunal Federal na sexta-feira diz que Bolsonaro voltou a sofrer de crises de soluço “acima da média” nos últimos sete dias. Algo extemporâneo? Não. Ele vive, há muito tempo, de crise de soluço em crise de soluço, fora outras anomalias. É um paciente crônico desde a facada que levou em Juiz de Fora, em 6 de setembro de 2018.
A coincidência está em que, no próximo dia 25, vence o prazo fixado pelo ministro Alexandre de Moraes para reavaliar sua decisão de transferir Bolsonaro da “Papudinha” — um espaço, digamos, VIP do Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal — para a prisão domiciliar. O ex-presidente Fernando Collor, condenado por corrupção, cumpre a pena em domicílio à beira-mar, em Maceió. Bolsonaro ainda não tem garantia alguma de que poderá cumprir a sua em definitivo.
Todo cuidado com os Bolsonaro é pouco, e Moraes está cansado de saber disso — e é bom jamais esquecer. Eles mentem despudoradamente em seu favor e em desfavor de seus adversários. Espalham notícias falsas e são capazes de fazer qualquer coisa, até mesmo conspirar no estrangeiro contra os interesses nacionais.
Outro membro da família deverá ser condenado este mês pelo crime de coação no curso do processo: o deputado cassado Eduardo. Já Flávio, em troca de apoio para se eleger presidente da República, ofereceu-se a Donald Trump para servir de biombo aos efeitos perversos da nova taxação a produtos brasileiros importados pelos Estados Unidos.
Eleitores de carteirinha de Bolsonaro pai justificam tudo o que a família propaga, inclusive que Lula é o verdadeiro culpado pela má vontade de Trump com o Brasil. Renovo meus votos de boa saúde e vida longa a Bolsonaro para que ele pague por tudo de ruim que fez ao país.
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