terça-feira, 4 de agosto de 2026

Do petróleo ao lítio: a transição energética na Ásia

O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, tem viajado bastante ultimamente. Nas últimas semanas, visitou a Austrália e a Indonésia, entre outros destinos. O foco tem sido as discussões sobre minerais críticos e a expansão da cooperação no setor energético, matérias-primas e tecnologias que estão se tornando cada vez mais importantes para a transição energética e a política industrial da Índia.

Segundo o Financial Times , Modi busca atingir diversos objetivos com essa diplomacia . A Índia quer garantir seu fornecimento de urânio e minerais críticos, diversificar sua matriz energética e tornar as cadeias de suprimentos mais resilientes. Ao mesmo tempo, pretende promover a expansão da produção nacional de baterias, painéis solares e outras tecnologias verdes.

Por trás dessas jornadas, existe um contexto que se estende muito além da Índia. De acordo com um relatório da Agência Internacional de Energia (IEA) , a expansão das energias renováveis ​​também está mudando a forma como entendemos a segurança energética. Durante décadas, o foco esteve nas importações de petróleo e gás. Hoje, minerais críticos, baterias, redes elétricas e cadeias de suprimentos industriais estão ganhando importância estratégica. A política energética está se tornando cada vez mais uma política industrial, de segurança e externa.

Para a Índia, essa conexão está intimamente ligada ao objetivo de maior liberdade de ação na política externa. "A proteção climática é uma parte importante dessa política. No entanto, ao mesmo tempo, também se trata de geopolítica, relações de poder e autonomia estratégica", afirma a cientista política Soumya Chaturvedi, do Instituto GIGA em Hamburgo, em entrevista à DW. Narendra Modi reconheceu essa conexão desde o início. A ideia de interconectar melhor os países com alto potencial solar levou posteriormente à criação da Aliança Solar Internacional. Subjacente a isso está a ambição de ajudar a moldar a futura ordem energética global.

Projeto de energia solar no deserto de Gansu, China

A China também segue a mesma lógica estratégica, afirma Johann Fuhrmann, diretor do escritório da Fundação Konrad Adenauer em Pequim, em entrevista à DW. No entanto, a situação inicial é diferente. "A China não busca a autossuficiência completa, mas sim uma interdependência estrategicamente controlada." Pequim quer reduzir sua dependência das importações de combustíveis fósseis sem substituí-las por novas dependências unilaterais.

As recentes tensões no Oriente Médio trouxeram essas considerações de volta ao foco das atenções, afirma Fuhrmann. A vulnerabilidade das rotas marítimas e as crises geopolíticas demonstram os riscos inerentes à forte dependência das importações de combustíveis fósseis. Ao mesmo tempo, a China está deliberadamente evitando a dependência excessiva de um único fornecedor.

Mas será que consumir menos petróleo significa automaticamente maior independência? De acordo com a Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA), a resposta é apenas parcialmente. A energia renovável pode reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados. Ao mesmo tempo, novas vulnerabilidades estão surgindo ao longo das cadeias de suprimentos de minerais críticos, baterias e outras tecnologias-chave. A influência geopolítica está se deslocando cada vez mais dos campos de petróleo e gás para a tecnologia, a criação de valor industrial e o controle sobre cadeias de suprimentos estratégicas, segundo a análise da IRENA.

É precisamente aí que Chaturvedi vê o maior desafio para a Índia. "A transição energética cria novas dependências", afirma. Em particular, o processamento de minerais críticos está altamente concentrado hoje em dia. É por isso que a Índia está tentando reduzir gradualmente sua dependência de fornecedores individuais, especialmente da China, por meio da Missão Nacional de Minerais Críticos, parcerias internacionais de commodities e a iniciativa Atmanirbhar Bharat (Índia Autossuficiente). A independência total não é realista nem necessária. O ponto crucial é evitar dependências assimétricas.

Por outro lado, a China já estabeleceu uma posição inicial forte em muitas áreas, afirma Fuhrmann. O país possui uma capacidade de produção considerável de painéis solares, baterias e outras tecnologias energéticas. "A própria China quer se tornar mais independente do resto do mundo, enquanto, ao mesmo tempo, o mundo se torna mais dependente da China", diz ele. O objetivo é que essa vantagem tecnológica se traduza em influência geopolítica.

Que essa competição faz parte da política de poder internacional há muito tempo é demonstrado, segundo o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) , pelo conflito entre os Estados Unidos e a China. O foco está cada vez mais em tecnologias futuras, como baterias, veículos elétricos e painéis solares, bem como no controle das cadeias de suprimentos necessárias para elas.

A China lidera em energia limpa.


Para a Índia, isso representa um difícil equilíbrio. O país está expandindo sua cooperação com os Estados Unidos, a Europa, a Austrália e a Indonésia, mas continua a cooperar com a China em áreas específicas. Segundo Chaturvedi, o objetivo não é tanto romper completamente os laços econômicos, mas sim expandi-los e reduzir as vulnerabilidades políticas.

Portanto, os especialistas oferecem uma resposta cautelosa à questão de saber se a transição energética tornará os países geopoliticamente mais independentes. De acordo com a IRENA, embora a dependência do petróleo e do gás esteja diminuindo, novas vulnerabilidades estão surgindo em minerais, tecnologias e cadeias de suprimentos industriais. Chaturvedi alerta para dependências assimétricas, enquanto Fuhrmann observa que a China já está a caminho de converter sua força tecnológica em influência geopolítica. A AIE também conclui que a política energética está se tornando cada vez mais interligada com as políticas industrial, de segurança e externa. A transição energética não acaba com a competição geopolítica; ela simplesmente muda os cenários em que ela ocorre.

O Brasil não está pobre! Ficou caro!

Os lares brasileiros são invadidos, todos os dias, por uma sensação muito estranha, aquela da Beth Carvalho, que diz:

Sem haver uma solução
Do que me serve um saco cheio de dinheiro
Pra comprar um quilo de feijão

O brasileirinho está entrando no supermercado com 300 pilas no bolso e saindo com duas sacolas. Vai ao posto de gasolina e completa apenas a velha metade do tanque. Recebe o salário na sexta-feira e, na segunda, já está fazendo contas e falando, com muito amor, ao “agiota”, sentado na praça do shopping, porque sabe que não dá para chegar ao fim do mês. Enquanto isso, no Paraguai, os vizinhos enchem o tanque com a nossa gasolina. Há alguma coisa errada na nossa aritmética.

A sensação é a mesma, do Pico da Neblina ao Pico da Bandeira onde pegamos nossos boletos: como tudo ficou caro! Ainda aparece um gaiato para maquiar os preços das guloseimas.

O “engraçalhado” é que o nosso Brasil continua desfilando com a fama de uma das grandes economias da Terra. Produz de tudo para milhões de pessoas, enche navios de minério, petróleo, café, carne, soja, celulose, aviões, laranja, maconha, cocaína e muitas outras commodities (produtos que fazem outros). Não faltam capacidade de trabalho nem recursos naturais. O que pesa no bolso do brasileiro é o custo de orar, respirar e viver.

As patadas que o “Trúmpi” e o Xi Jinping estão dando, aumentando o preço de alguns dos nossos produtos em mais 12,5%, no caso americano e 55%, no caso da carne, aos chineses, vão ajudar na sobra de latas, saco e picanhas, nas nossas prateleiras, e os produtos tendem a promoções.

Ficou feio aqui dentro, pois o Lourão alegou que o Brasil falha no combate ao trabalho forçado. Cabe a nós, nos nossos rádios, jornais e televisões, nos explicarmos melhor. Ou não?


Pagamos muito caro pela comidinha. Pagamos caríssimo pela falta de energia ruim. Pagamos caro pelo caquético transporte. Pagamos caro pelos juros mais altos do mundo. Pagamos caro para produzir, para vender, para comprar e até para pagar as contas. Ficamos devendo até nas igrejas. Tudo isso com o Paraguai rindo e crescendo, com os nossos produtos saindo por menos da metade do preço.

É como se estivéssemos comprando passagem na LATAM, de primeira classe, e viajando com o bumbum amassado pelos bancos de aço do velho Maracanã.

O brasileirinho transformou-se em estrategista. A dona de casa, o sangrado aposentado, o estudante e o trabalhador fazem contas de cabeça que fariam inveja a muitos alemães, Pós-Doc em matemática. O consumidor compara marcas, espera promoções, pesquisa preços na internet, usa aplicativos, aproveita descontos e faz milagres com o PIX, especulando, primeiramente, entre jogar nas Bets ou na Mega.

O Ministério da Educação talvez devesse reconhecer oficialmente esse novo curso: “Especialização em Fazer o Salário Durar Até o Dia 30”. O problema é que o preço das coisas raramente depende das estratégias.

Quando compramos uma banana, não estamos pagando e levando somente a banana. Estamos pagando o péssimo transporte, o pior combustível, a ausente manutenção das estradas, a dançante energia, os impolutos impostos, os custos da distribuição, a farta burocracia e o delicado financiamento de quem a colocou na prateleira.

A banana chega ao mercado carregando uma mochila cheia de despesas. Na Amazônia isso ainda se torna mais difícil de calcular.

Uma caixa de Camu Camu, produzido no interior do Amazonas, percorre rios, estradas e canoas até alcançar a mesa do consumidor. Muitas vezes, o frete pesa mais que a própria mercadoria. O mesmo acontece com o pescado, a pimenta, o cheiro verde, a farinha, o açaí e tantos outros produtos amazônicos. A Vitamina C que vem no suco do Camu Camu é divina e salva!

E essa conta chega ao consumidor. O brasileiro também aprendeu uma nova pergunta. Antigamente dizia:

— Quanto custa?

Hoje pergunta:

— Em quantas vezes? E tome juros.

O PIX revolucionou a velocidade do pagamento, mas infelizmente ainda não aumentou a velocidade com que o salário cresce, muito mal acompanhado de uns jurinhos.

O Brasil nunca teve falta de talento. Nunca faltou criatividade ao seu povo. O brasileiro transforma dificuldade em oportunidade com uma habilidade admirável. O desafio agora é fazer com que todo esse esforço renda mais qualidade de vida.

Talvez seja por isso que, ao sair do supermercado, tanta gente ainda repita a mesma frase:

— O Brasil não está pobre! O Brasil ficou caro.

Já temos muitos espertos recebendo as Bolsas Brasileiras e morando no Paraguai.

A nossa Copa do Mundo é fazer com que voltemos a morar entre as delícias da Disney e as alegrias da Sapucaí.

Gritem bem alto o nome de Flávio Bolsonaro. É ele quem pede

Aos 8 minutos e 9 segundos de um discurso que durou 9 minutos e 28 segundos, Flávio Bolsonaro, incomodado, não resistiu à falta de entusiasmo com que era ouvido na convenção do Partido Liberal (PL), realizada no último domingo, em Brasília.

Parte da plateia o escutava sem prestar muita atenção ao que ele dizia. Outra parte se ocupava em gritar, bem alto, o nome do deputado distrital Joaquim Domingos Roriz Neto, candidato à reeleição e neto de Joaquim Roriz, que governou o Distrito Federal por quatro vezes.


Diante disso, Flávio dirigiu-se aos indiferentes à beira do palco, estimulando-os a quebrarem o silêncio: “Vão deixar cantar mais alto Roriz? Quem canta mais alto aí?”. Poucos se manifestaram. Em contrapartida, os rorizistas aceitaram o desafio e elevaram o tom de voz.

Convenhamos: é dura a vida de um candidato à Presidência da República que não dispõe de votos próprios — a não ser os que seu pai, condenado e preso, ainda detém — e dos que rejeitam Lula.. A apenas 12 dias do início oficial da campanha, Flávio só tem colhido decepções.

De volta de uma cansativa viagem à Paraíba, ele desembarcou em Brasília no domingo para finalmente encontrar Michelle, sua madrasta, que seria indicada, como foi, para uma vaga de senadora pelo Distrito Federal. Frustrou-se: ela faltou ao encontro por estar doente, internada em um hospital.

No dia seguinte, Flávio voou para São Paulo e por lá foi informado de que o Republicanos, partido do bispo Edir Macedo, dono da Igreja Universal e da Rede Record de Televisão, não o apoiará. A legenda prefere manter-se neutra na eleição presidencial que ocorrerá daqui a 61 dias.

De Minas Gerais, ele recebeu a péssima notícia de que o senador Cleitinho (Republicanos), líder das pesquisas de intenção de voto, desistira de candidatar-se ao governo estadual. Era com ele que Flávio contava para montar ali um palanque forte.

Antes que o dia terminasse, Flávio ficou sabendo que o deputado Márcio Canella (União Brasil) renunciara, no Rio de Janeiro, à sua candidatura ao Senado. No mês passado, Canella foi preso em flagrante pela Polícia Federal por posse ilegal de um fuzil. Embora já solto, sua candidatura sofreu um duro abalo.

Para aumentar a desdita de Flávio, ele continua à procura de uma mulher que aceite a vaga de vice em sua chapa. O prazo para o registro de candidaturas na Justiça Eleitoral acaba no próximo dia 15. Naturalmente, não basta ser mulher: é preciso ter votos para se tornar cobiçada. E é aí que o bicho pega.