A 72 horas do início da votação, quatro em cada dez eleitores não têm o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou o senador Flávio Bolsonaro na ponta da língua. São brasileiros que não apenas não sabem quem são Daniel Vorcaro ou Roberta Luchsinger, como tampouco têm qualquer interesse nos personagens. A decisão acontece na virada do mês que mal deram conta de fechar, uma grande parte deles, no prejuízo.
O eleitor típico desta escolha derradeira é mulher, católica, do Sudeste e da classe C (renda familiar de R$ 2 mil a R$ 8 mil). Este é um perfil que tem-se repetido ao longo das últimas disputas. Trata-se de um eleitor que é mais dificilmente captado pelas pesquisas, seja porque não para pra responder quando é abordado na rua e não abre sua casa para pesquisador, seja porque desliga quando recebe uma ligação. Dez anos atrás era preciso fazer 15 chamadas para que se conseguisse um questionário completo. Agora são, em média, 300.
Não bastasse as mulheres serem maioria no eleitorado e na parcela que bate martelo por último, são também mais decisivas na reta final porque, apesar de todo o alheamento, comparecem mais para votar que os homens. Em grande parte porque são mais afetadas pelos serviços públicos a serem prestados pelos eleitos. Quem está no poder, portanto, leva vantagem para conquistar este voto derradeiro.
Foi isso que aconteceu com o ex-presidente Jair Bolsonaro, que surpreendeu ao passar ao 2º turno de 2022 a despeito de estar mais de dez pontos atrás de Lula nas pesquisas que antecederam o primeiro. Tinha despejado dinheiro de baciada no ano eleitoral, do Bolsa Família ao vale-gás, da desoneração dos combustíveis à ampliação do crédito consignado. O fôlego por pouco não impediu a vitória de Lula na segunda rodada.
A vantagem de quem está no poder explica a arrancada dos governadores candidatos à reeleição nesta reta final. Lula diluiu as políticas públicas capazes de fidelizar este eleitor ao longo do mandato: Pé de Meia e linha de crédito para reforma de casa (2024), isenção do IR até R$ 5 mil, vale-gás e tarifa social para famílias de renda per capita até meio salário-mínimo (2025), reajuste do Bolsa Família e Desenrola 3, subvenção aos combustíveis e liberação excepcional de FGTS (2026). E, finalmente, anunciou a MP que proíbe apostas. Não é dinheiro extra, mas uma tampa no ralo.
É nisso que aposta para atrair este eleitor desconfiado e sair da condição de empate com seu principal adversário, apontada tanto no voto da ponta da língua quanto naquele que é estimulado. Não quer que este eleitor goste dele, mas que precise de seu governo. O objetivo é alcançar uma vitória ainda em 1º turno. Seria mais fácil se conseguisse ampliar a aprovação ao seu governo, o que não aconteceu ao longo do programa eleitoral.
A investida das últimas 72 horas é outra. Visa a minar a confiança em Flávio Bolsonaro, especialmente entre as mulheres, com o currículo do seu adversário. Trouxe um vídeo, a partir de versão mais longa produzida pela plataforma Revelando, de uma criança de cinco anos, morta por um policial militar em sua casa, que teve seu julgamento postergado quando Flávio Bolsonaro entrou de advogado no caso. “Quem defende um assassino de criança vai te defender?”.
Não é a única aposta. Novas reportagens e vazamentos não apenas evidenciaram ainda mais o envolvimento do senador do PL com o banqueiro do Master como mostraram a profusão de amigos que Flávio Bolsonaro fez em sucessivos rolos ao longo de sua vida. A capacidade de achaque demonstrada é uma pitada da ameaça à segurança jurídica sobre o país com a eventualidade de sua eleição. Há símbolos mais facilmente captados pelo eleitor do que a triangulação da lavagem de dinheiro do “Dark Horse”. Tem avião, mulheres, Rolex, mas é isso que vai mover o eleitor tardio? Pode fazê-lo, no limite, se afetar a confiança em sua capacidade de governar, que, por incrível que possa parecer, é o principal atributo do candidato do PL.
O que o senador tem de arsenal para se defender? Por enquanto, ainda parece ocupado com seu sistema antimísseis. Colaboradores de sua campanha têm passado o chapéu entre endinheirados para reforçar a ofensiva nas redes sociais. A entrada de Pablo Marçal na sua campanha parece ter sido o primeiro resultado do arrecadado. Por enquanto, com cortes que retratam Lula como um anticristão. Mas como Marçal falsificou um laudo médico para atestar o uso de cocaína pelo então candidato do PSol à Prefeitura de São Paulo, Guilherme Boulos, hoje ministro da Secretaria-geral da Presidência, é de se esperar que sua ofensiva não tenha limites.
A ofensiva mais poderosa de Flávio Bolsonaro, porém, se daria sobre a cadeira vazia no debate de hoje. Iria desgostar o eleitor e deixar o candidato à reeleição sem defesa para os ataques. Como a entrevista de Lula a um podcast de larga audiência aconteceria antes e não depois do debate, o presidente e sua campanha pareceram mais preocupados em atingir uma audiência grande do que se defender do que viria.
A única chance de equilibrar o ringue do debate seria uma decisão liminar do TSE para que a TV Globo, a exemplo do que fez com Romeu Zema (Novo), acolhece também Renan Santos (Missão), que pontua acima do ex-governador de Minas nas pesquisas e gira sua metralhadora a esmo. É em meio a este tiroteio que o eleitor tardio terá de se mover. Oxalá não seja vítima de uma bala perdida.
sexta-feira, 2 de outubro de 2026
Flávio Bolsonaro foge da raia para escapar aos ataques de Renan Santos
Entra eleição, sai eleição, e a TV Globo não aprende, nem renuncia à pretensão de tentar influir nos resultados. Às vezes se dá bem; às vezes, mal. Deu-se bem na primeira eleição presidencial da história após o fim da ditadura militar, em 1989, quando apoiou abertamente a candidatura de Fernando Collor para evitar uma vitória de Lula ou de Leonel Brizola. Collor elegeu-se, mas, dois anos mais tarde, o Congresso Nacional cassou seu mandato sob acusações de corrupção.
Nas duas eleições seguintes (1994 e 1998), a emissora apoiou Fernando Henrique Cardoso — o idealizador do Plano Real, que controlou a inflação — novamente com o intuito de derrotar Lula. Como não interessava ao seu candidato participar de debates no primeiro turno, a Globo simplesmente não os promoveu.
Em 2002, o candidato respaldado pela emissora foi José Serra. Os debates retornaram, mas Lula acabou eleito. O petista reelegeu-se em 2006 contra Geraldo Alckmin, o novo escolhido da Globo, mesmo sem comparecer aos debates do primeiro turno por opção própria. A emissora também saiu derrotada nas duas eleições seguintes (2010 e 2014), vencidas por Dilma Rousseff. Nessas ocasiões, o canal apoiou José Serra, mais uma vez, e Aécio Neves.
Com Lula preso em 2018, Fernando Haddad assumiu a candidatura do PT. Diante de Alckmin outra vez no páreo, restou à Globo apoiá-lo. O eleito, contudo, foi Jair Bolsonaro, após o episódio da facada em Juiz de Fora. Devido à forma hostil como o novo presidente tratou a emissora — e a imprensa em geral — ao longo de seu mandato, a Globo viu-se na posição de ter que engolir o retorno de Lula ao poder em 2022. Os dois não se toleram.
A esperança da Globo era a de que, neste ano, o candidato da direita à Presidência fosse Tarcísio de Freitas, atual governador de São Paulo. Como não foi, esperava-se que surgisse outro nome capaz de se impor como alternativa a Lula e a Flávio Bolsonaro. Não surgiu, como ficou demonstrado por todas as pesquisas de intenção de voto realizadas até aqui.
É nesse vácuo de alternativas que se desenha uma aparente contradição: a emissora historicamente atacada pelo bolsonarismo vê-se agora empurrada ao pragmatismo de mercado. Sem uma terceira via viável e diante de um PT refratário às suas pressões históricas, o canal calcula seus danos econômicos e editoriais. Face a isso, o mais fácil de lidar e o mais sensível aos interesses corporativos da empresa talvez seja, ironicamente, Flávio. Certamente não será Lula.
Uma indicação a respeito foi dada com o episódio do cancelamento do debate. Lula avisou que não iria. Para comparecer, Flávio exigiu que Renan Santos fosse excluído, e a Globo concordou. Tão logo Flávio soube que Renan estaria presente por decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, o candidato do pai — condenado e preso por tentativa de golpe de Estado — desistiu de ir. Dos demais concorrentes, Renan era o único que partiria para o confronto direto com ele.
A velocidade com que a engrenagem operou nos bastidores escancara o alinhamento de interesses. Enquanto Ronaldo Caiado aguardava pacientemente nos estúdios da emissora, Flávio Bolsonaro já havia sido alertado sobre a reviravolta jurídica, garantindo o tempo necessário para orquestrar sua saída estratégica. A Globo, por sua vez, demonstrou que o debate nunca foi sobre o debate, mas sim sobre o controle da narrativa e a audiência comercial: sem o principal nome da direita no púlpito para confrontar as decisões da Justiça, o encontro perdeu sua utilidade prática e foi sumariamente cancelado. Para completar o cenário de esvaziamento, àquela altura, Lula já reinava absoluto como entrevistado em um podcast concorrente.
A Globo usou a expressão “insegurança jurídica” na nota em que justificou o cancelamento do debate. Desde então, Flávio passou a falar em “insegurança jurídica” para justificar por que fugiu da raia. Fugiu com medo de ser atacado por Renan, uma vez que não seria pelos demais, todos eles inclinados a apoiá-lo em um possível segundo turno contra Lula.
Nas duas eleições seguintes (1994 e 1998), a emissora apoiou Fernando Henrique Cardoso — o idealizador do Plano Real, que controlou a inflação — novamente com o intuito de derrotar Lula. Como não interessava ao seu candidato participar de debates no primeiro turno, a Globo simplesmente não os promoveu.
Em 2002, o candidato respaldado pela emissora foi José Serra. Os debates retornaram, mas Lula acabou eleito. O petista reelegeu-se em 2006 contra Geraldo Alckmin, o novo escolhido da Globo, mesmo sem comparecer aos debates do primeiro turno por opção própria. A emissora também saiu derrotada nas duas eleições seguintes (2010 e 2014), vencidas por Dilma Rousseff. Nessas ocasiões, o canal apoiou José Serra, mais uma vez, e Aécio Neves.
Com Lula preso em 2018, Fernando Haddad assumiu a candidatura do PT. Diante de Alckmin outra vez no páreo, restou à Globo apoiá-lo. O eleito, contudo, foi Jair Bolsonaro, após o episódio da facada em Juiz de Fora. Devido à forma hostil como o novo presidente tratou a emissora — e a imprensa em geral — ao longo de seu mandato, a Globo viu-se na posição de ter que engolir o retorno de Lula ao poder em 2022. Os dois não se toleram.
A esperança da Globo era a de que, neste ano, o candidato da direita à Presidência fosse Tarcísio de Freitas, atual governador de São Paulo. Como não foi, esperava-se que surgisse outro nome capaz de se impor como alternativa a Lula e a Flávio Bolsonaro. Não surgiu, como ficou demonstrado por todas as pesquisas de intenção de voto realizadas até aqui.
É nesse vácuo de alternativas que se desenha uma aparente contradição: a emissora historicamente atacada pelo bolsonarismo vê-se agora empurrada ao pragmatismo de mercado. Sem uma terceira via viável e diante de um PT refratário às suas pressões históricas, o canal calcula seus danos econômicos e editoriais. Face a isso, o mais fácil de lidar e o mais sensível aos interesses corporativos da empresa talvez seja, ironicamente, Flávio. Certamente não será Lula.
Uma indicação a respeito foi dada com o episódio do cancelamento do debate. Lula avisou que não iria. Para comparecer, Flávio exigiu que Renan Santos fosse excluído, e a Globo concordou. Tão logo Flávio soube que Renan estaria presente por decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, o candidato do pai — condenado e preso por tentativa de golpe de Estado — desistiu de ir. Dos demais concorrentes, Renan era o único que partiria para o confronto direto com ele.
A velocidade com que a engrenagem operou nos bastidores escancara o alinhamento de interesses. Enquanto Ronaldo Caiado aguardava pacientemente nos estúdios da emissora, Flávio Bolsonaro já havia sido alertado sobre a reviravolta jurídica, garantindo o tempo necessário para orquestrar sua saída estratégica. A Globo, por sua vez, demonstrou que o debate nunca foi sobre o debate, mas sim sobre o controle da narrativa e a audiência comercial: sem o principal nome da direita no púlpito para confrontar as decisões da Justiça, o encontro perdeu sua utilidade prática e foi sumariamente cancelado. Para completar o cenário de esvaziamento, àquela altura, Lula já reinava absoluto como entrevistado em um podcast concorrente.
A Globo usou a expressão “insegurança jurídica” na nota em que justificou o cancelamento do debate. Desde então, Flávio passou a falar em “insegurança jurídica” para justificar por que fugiu da raia. Fugiu com medo de ser atacado por Renan, uma vez que não seria pelos demais, todos eles inclinados a apoiá-lo em um possível segundo turno contra Lula.
A santa e o crime organizado
Já cansou o noticiário de Nossa Senhora Aparecida. Ninguém aqui é trouxa. A santa preta está sendo manipulada à direita e à esquerda. A intolerância religiosa ultrapassa a fé e é assunto político, por vários motivos. Na origem, esses motivos não são imaginários. Não são fake.
O filho de Jair Bolsonaro prometeu que, se eleito, um de seus primeiros atos seria “decretar que o Brasil é do senhor Jesus Cristo”. Católicos enxergaram nisso e em pastores radicais um desejo de destronar a padroeira. Esse temor foi noticiado, sem má fé.
A partir daí tudo saiu de controle. Redes sociais. TSE. STF. Todos extrapolaram. Flávio Bolsonaro acusou o PT e a CNBB de espalhar fake news e ergueu um boneco de crochê da santa. Lula explorou o caso e bispos católicos reagiram a Flávio. Aparecida polarizou o Brasil.
O ministro terrivelmente evangélico André Mendonça censurou todas as postagens e depois recuou, vetando apenas as que citavam Flávio. O humor de Tabet sobre a família miliciana está salvo. Mas a intolerância persiste.
O ministro do STF Flávio Dino recebeu denúncias de vandalismo religioso e pediu investigação da PF. Oito episódios, entre março e setembro, em seis estados. Mato Grosso, Bahia, Rio Grande do Sul, Alagoas, Minas Gerais e Pará. Imagem de Nossa Senhora Aparecida decapitada. Outras santas, destruídas com machado, incendiadas ou depredadas. Imagens de anjos. Imagens de orixás.
Precisam ser investigados? Sim. Mas não é o risco de um governo evangélico extremista o que mais me amedronta.
Uma ameaça concreta, ao Brasil e ao Estado do Rio, é o voto que legitima e fortalece o crime organizado. Candidatos ligados a assassinos de aluguel. Candidatos milicianos.
Um vídeo de 20 minutos com Camila Pitanga, na série Revelando, do podcast Calma Urgente, viralizou. Mais de 5 milhões de visualizações. “O julgamento que nunca aconteceu” relembra Ana Clara, de 5 anos, morta por disparos de fuzil na porta de casa.
O cabo PM Bruno Delaroli, acusado do crime e preso em flagrante, nunca foi julgado. Seu defensor? O advogado e senador Flávio Bolsonaro, que salvou Delaroli do júri popular. O PM segue livre até hoje.
Mas o vídeo vai adiante. Relata ligações íntimas de Flávio Bolsonaro com assassinos de aluguel. Flávio condecorou, com a medalha Tiradentes, o então tenente do Bope Adriano da Nóbrega. Adriano não apareceu na homenagem, estava preso por matar um guardador de carros.
Esposa e mãe de Adriano foram contratadas no gabinete de um deputado. Quem? Flávio Bolsonaro. Adriano era suspeito de chefiar o Escritório do Crime, milícia na Zona Oeste.
O covarde assassinato de Marielle Franco, que ajudava Freixo na CPI das Milícias, acordou o Rio. Foram nove tiros nela e em seu motorista. A polícia pediu a prisão de um tenente: Adriano da Nóbrega. Expulso da PM, fugiu, e foi morto por policiais na Bahia.
Outro personagem sombrio surgiu agora, ligado a Flávio. Robson Calixto, o Peixe. Está preso, acusado de ser o elo entre os matadores de Marielle e os mandantes. Ex-PM, o Peixe tratava Flávio Bolsonaro como “nosso senador”. Uma emenda parlamentar liberou R$ 200 mil a pedido do Peixe. Emenda de quem? Flávio Bolsonaro. Dinheiro de quem? Nosso.
Faz quase 20 anos que Flávio subiu à tribuna da Alerj para legitimar as milícias como “novo tipo de policiamento”, para "expurgar do seio da comunidade o que há de pior".
No Estado do Rio, o candidato dos Bolsonaro se chama Douglas Ruas. Policial civil. Quase um laranja do inelegível Cláudio Castro e de Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Alerj, preso, acusado de ligação com o Comando Vermelho.
Temos o dever cívico, mais que nunca, de votar domingo com base em fatos. Esqueça minha opinião ou a do vizinho.
Eu preferia falar de flores nessa primavera de vento e chuva. Mas, o futuro me preocupa demais. Como cidadã e como mãe.
O filho de Jair Bolsonaro prometeu que, se eleito, um de seus primeiros atos seria “decretar que o Brasil é do senhor Jesus Cristo”. Católicos enxergaram nisso e em pastores radicais um desejo de destronar a padroeira. Esse temor foi noticiado, sem má fé.
A partir daí tudo saiu de controle. Redes sociais. TSE. STF. Todos extrapolaram. Flávio Bolsonaro acusou o PT e a CNBB de espalhar fake news e ergueu um boneco de crochê da santa. Lula explorou o caso e bispos católicos reagiram a Flávio. Aparecida polarizou o Brasil.
O ministro terrivelmente evangélico André Mendonça censurou todas as postagens e depois recuou, vetando apenas as que citavam Flávio. O humor de Tabet sobre a família miliciana está salvo. Mas a intolerância persiste.
O ministro do STF Flávio Dino recebeu denúncias de vandalismo religioso e pediu investigação da PF. Oito episódios, entre março e setembro, em seis estados. Mato Grosso, Bahia, Rio Grande do Sul, Alagoas, Minas Gerais e Pará. Imagem de Nossa Senhora Aparecida decapitada. Outras santas, destruídas com machado, incendiadas ou depredadas. Imagens de anjos. Imagens de orixás.
Precisam ser investigados? Sim. Mas não é o risco de um governo evangélico extremista o que mais me amedronta.
Uma ameaça concreta, ao Brasil e ao Estado do Rio, é o voto que legitima e fortalece o crime organizado. Candidatos ligados a assassinos de aluguel. Candidatos milicianos.
Um vídeo de 20 minutos com Camila Pitanga, na série Revelando, do podcast Calma Urgente, viralizou. Mais de 5 milhões de visualizações. “O julgamento que nunca aconteceu” relembra Ana Clara, de 5 anos, morta por disparos de fuzil na porta de casa.
O cabo PM Bruno Delaroli, acusado do crime e preso em flagrante, nunca foi julgado. Seu defensor? O advogado e senador Flávio Bolsonaro, que salvou Delaroli do júri popular. O PM segue livre até hoje.
Mas o vídeo vai adiante. Relata ligações íntimas de Flávio Bolsonaro com assassinos de aluguel. Flávio condecorou, com a medalha Tiradentes, o então tenente do Bope Adriano da Nóbrega. Adriano não apareceu na homenagem, estava preso por matar um guardador de carros.
Esposa e mãe de Adriano foram contratadas no gabinete de um deputado. Quem? Flávio Bolsonaro. Adriano era suspeito de chefiar o Escritório do Crime, milícia na Zona Oeste.
O covarde assassinato de Marielle Franco, que ajudava Freixo na CPI das Milícias, acordou o Rio. Foram nove tiros nela e em seu motorista. A polícia pediu a prisão de um tenente: Adriano da Nóbrega. Expulso da PM, fugiu, e foi morto por policiais na Bahia.
Outro personagem sombrio surgiu agora, ligado a Flávio. Robson Calixto, o Peixe. Está preso, acusado de ser o elo entre os matadores de Marielle e os mandantes. Ex-PM, o Peixe tratava Flávio Bolsonaro como “nosso senador”. Uma emenda parlamentar liberou R$ 200 mil a pedido do Peixe. Emenda de quem? Flávio Bolsonaro. Dinheiro de quem? Nosso.
Faz quase 20 anos que Flávio subiu à tribuna da Alerj para legitimar as milícias como “novo tipo de policiamento”, para "expurgar do seio da comunidade o que há de pior".
No Estado do Rio, o candidato dos Bolsonaro se chama Douglas Ruas. Policial civil. Quase um laranja do inelegível Cláudio Castro e de Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Alerj, preso, acusado de ligação com o Comando Vermelho.
Temos o dever cívico, mais que nunca, de votar domingo com base em fatos. Esqueça minha opinião ou a do vizinho.
Eu preferia falar de flores nessa primavera de vento e chuva. Mas, o futuro me preocupa demais. Como cidadã e como mãe.
EUA destinam US$ 1 milhão a projeto que contesta atuação do STF
O governo dos Estados Unidos destinou US$ 1 milhão (cerca de R$ 5,3 milhões) a um projeto voltado ao financiamento de organizações da sociedade civil que contestam a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF). A informação foi divulgada na quarta-feira pelo jornal britânico The Guardian, com base em documentos sobre a destinação dos recursos.
O projeto, chamado Combating Weaponized Litigation and Censorship in Brazil (“Combate à Litigância Instrumentalizada e à Censura no Brasil”, em tradução livre), prevê apoio a grupos que se opõem ao que classificam como abuso do poder judicial e censura no país.
A verba faz parte de uma redistribuição de recursos do Fundo de Direitos Humanos e Democracia (HRDF, na sigla em inglês), administrado pelo Departamento de Estado norte-americano. Segundo o Guardian, o pacote reúne 43 concessões que somam US$ 176,9 milhões e contempla projetos relacionados a pautas conservadoras e de direita em diferentes países.
De acordo com os documentos obtidos pelo jornal britânico, a iniciativa brasileira prevê financiar organizações que contestem decisões e medidas atribuídas ao Supremo Tribunal Federal.
O desenho do programa inclui apoio a grupos da sociedade civil envolvidos em disputas sobre decisões judiciais e liberdade de expressão. O financiamento ocorre em um momento de forte tensão entre os governos de Donald Trump e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e depois de uma série de medidas adotadas por Washington contra autoridades brasileiras.
O Departamento de Estado não comentou individualmente a concessão. Segundo o Guardian, a pasta afirmou que os programas permaneciam sob análise e que os beneficiários deveriam cumprir as regras federais para receber os recursos.
O financiamento agora destinado pelo governo Trump, ao que indica, foi citado em um edital publicado pelo Departamento de Estado em junho deste ano. Na ocasião, a pasta abriu uma chamada pública de até US$ 986.679 para um projeto denominado Countering Censorship and Judicial Overreach in Brazil (“Combate à Censura e ao Excesso Judicial no Brasil”, em tradução livre).
O edital previa um programa de 18 a 24 meses voltado a questões de liberdade de expressão, regulação de plataformas digitais e decisões judiciais no Brasil. O documento citava diretamente o Supremo Tribunal Federal e mencionava medidas relacionadas à remoção de conteúdos, ao bloqueio de plataformas e à responsabilização de empresas de tecnologia por publicações de usuários.
Entre as atividades previstas, estavam campanhas de conscientização, articulação com organizações internacionais, formação de coalizões e apoio jurídico a pessoas e grupos que se considerassem vítimas de decisões judiciais abusivas.
O valor previsto no edital era de até US$ 986.679, enquanto a concessão divulgada agora é de US$ 1 milhão. Os documentos disponíveis não deixam claro, até o momento, se a diferença corresponde a uma atualização do valor ou a uma nova concessão vinculada ao mesmo programa.
A trama da destinação de recursos ocorre em meio a alertas sobre a atuação dos Estados Unidos no processo eleitoral brasileiro de 2026.
Um relatório reservado da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) sobre ameaças às eleições elevou a possibilidade de influência ou interferência externa dos Estados Unidos a um “nível de criticidade”.
Na última semana, 31 congressistas norte-americanos — 30 deputados democratas e o senador independente Bernie Sanders — enviaram uma carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, na qual manifestaram preocupação com uma possível interferência do governo Trump na eleição brasileira.
O documento, obtido pelo Metrópoles, pediu que Washington se comprometesse a respeitar o processo eleitoral e o resultado das urnas.
Nessa quarta, informações sobre uma reunião entre autoridades brasileiras, francesas e alemãs acrescentaram outro elemento ao cenário. Representantes da Abin teriam relatado a autoridades europeias a existência de interferências atribuídas aos Estados Unidos e à Rússia no processo eleitoral brasileiro.
O projeto, chamado Combating Weaponized Litigation and Censorship in Brazil (“Combate à Litigância Instrumentalizada e à Censura no Brasil”, em tradução livre), prevê apoio a grupos que se opõem ao que classificam como abuso do poder judicial e censura no país.
A verba faz parte de uma redistribuição de recursos do Fundo de Direitos Humanos e Democracia (HRDF, na sigla em inglês), administrado pelo Departamento de Estado norte-americano. Segundo o Guardian, o pacote reúne 43 concessões que somam US$ 176,9 milhões e contempla projetos relacionados a pautas conservadoras e de direita em diferentes países.
De acordo com os documentos obtidos pelo jornal britânico, a iniciativa brasileira prevê financiar organizações que contestem decisões e medidas atribuídas ao Supremo Tribunal Federal.
O desenho do programa inclui apoio a grupos da sociedade civil envolvidos em disputas sobre decisões judiciais e liberdade de expressão. O financiamento ocorre em um momento de forte tensão entre os governos de Donald Trump e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e depois de uma série de medidas adotadas por Washington contra autoridades brasileiras.
O Departamento de Estado não comentou individualmente a concessão. Segundo o Guardian, a pasta afirmou que os programas permaneciam sob análise e que os beneficiários deveriam cumprir as regras federais para receber os recursos.
O financiamento agora destinado pelo governo Trump, ao que indica, foi citado em um edital publicado pelo Departamento de Estado em junho deste ano. Na ocasião, a pasta abriu uma chamada pública de até US$ 986.679 para um projeto denominado Countering Censorship and Judicial Overreach in Brazil (“Combate à Censura e ao Excesso Judicial no Brasil”, em tradução livre).
O edital previa um programa de 18 a 24 meses voltado a questões de liberdade de expressão, regulação de plataformas digitais e decisões judiciais no Brasil. O documento citava diretamente o Supremo Tribunal Federal e mencionava medidas relacionadas à remoção de conteúdos, ao bloqueio de plataformas e à responsabilização de empresas de tecnologia por publicações de usuários.
Entre as atividades previstas, estavam campanhas de conscientização, articulação com organizações internacionais, formação de coalizões e apoio jurídico a pessoas e grupos que se considerassem vítimas de decisões judiciais abusivas.
O valor previsto no edital era de até US$ 986.679, enquanto a concessão divulgada agora é de US$ 1 milhão. Os documentos disponíveis não deixam claro, até o momento, se a diferença corresponde a uma atualização do valor ou a uma nova concessão vinculada ao mesmo programa.
A trama da destinação de recursos ocorre em meio a alertas sobre a atuação dos Estados Unidos no processo eleitoral brasileiro de 2026.
Um relatório reservado da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) sobre ameaças às eleições elevou a possibilidade de influência ou interferência externa dos Estados Unidos a um “nível de criticidade”.
Na última semana, 31 congressistas norte-americanos — 30 deputados democratas e o senador independente Bernie Sanders — enviaram uma carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, na qual manifestaram preocupação com uma possível interferência do governo Trump na eleição brasileira.
O documento, obtido pelo Metrópoles, pediu que Washington se comprometesse a respeitar o processo eleitoral e o resultado das urnas.
Nessa quarta, informações sobre uma reunião entre autoridades brasileiras, francesas e alemãs acrescentaram outro elemento ao cenário. Representantes da Abin teriam relatado a autoridades europeias a existência de interferências atribuídas aos Estados Unidos e à Rússia no processo eleitoral brasileiro.
A mansão de Flávio Bolsonaro e a gentileza do tabelião de Brasília
A mansão de R$ 6 milhões que Flávio Bolsonaro, comprada em 29 de janeiro de 2021 por meio de um polêmico financiamento feito via BRB, é uma espécie de cadáver insepulto na vida do candidato do PL.
O presidente do banco àquela altura era o agora notório Paulo Henrique Costa, ora preso na Papudinha.
Começa a circular agora uma foto ainda inédita do fim de janeiro de 2021 que tem a ver com essa transação imobiliária.
Nela, aparecem sorridentes Allan Guerra, Costa, Flávio e Fernanda, sua mulher. A mansão ainda meio vazia emoldura a foto.
O tabelião Guerra comanda o 4º Ofício de Notas, Protesto, Registro Civil, Títulos e Documentos e Pessoas Jurídicas de Brazlândia (DF). Gentil e prestativo, foi levar pessoalmente o registro de compra e venda da mansão para ser assinado por Flávio.
A mansão, no Lago Sul, possui 1.100 m² de área construída em um terreno de 2.400 m² e tem quatro suítes e piscina. Flávio e Fernanda deram uma entrada de R$ 2,87 milhões e conseguiram um financiamento de 30 anos no valor de R$ 3,1 milhões com o BRB. Três anos depois, no entanto, foi tudo quitado.
O financiamento foi contratado com taxas nominais de 3,65% a 3,71% ao ano (+ IPCA), abaixo taxa padrão do BRB, que era de 4,85%.
O presidente do banco àquela altura era o agora notório Paulo Henrique Costa, ora preso na Papudinha.
Começa a circular agora uma foto ainda inédita do fim de janeiro de 2021 que tem a ver com essa transação imobiliária.
Nela, aparecem sorridentes Allan Guerra, Costa, Flávio e Fernanda, sua mulher. A mansão ainda meio vazia emoldura a foto.
O tabelião Guerra comanda o 4º Ofício de Notas, Protesto, Registro Civil, Títulos e Documentos e Pessoas Jurídicas de Brazlândia (DF). Gentil e prestativo, foi levar pessoalmente o registro de compra e venda da mansão para ser assinado por Flávio.
A mansão, no Lago Sul, possui 1.100 m² de área construída em um terreno de 2.400 m² e tem quatro suítes e piscina. Flávio e Fernanda deram uma entrada de R$ 2,87 milhões e conseguiram um financiamento de 30 anos no valor de R$ 3,1 milhões com o BRB. Três anos depois, no entanto, foi tudo quitado.
O financiamento foi contratado com taxas nominais de 3,65% a 3,71% ao ano (+ IPCA), abaixo taxa padrão do BRB, que era de 4,85%.
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