terça-feira, 13 de outubro de 2026
Nem luz própria
Hoje estamos vivendo em um Brasil feio. Não gosto do Brasil em que vivo hoje. Um Brasil que só fala de números. O Brasil vai bem porque a economia vai bem. Mas e nós, o povo? Nós estamos bem? Estamos seguros, respeitados? Estamos dignamente humanos? Temos uma escola boa, uma saúde boa? Temos uma segurança boa? O Brasil vai bem porque a economia vai bem. Mas e eu não conto? Sou apenas um número? Estudei na física que o planeta não tem nem luz própria. Olha que coisa terrível morar em um planeta que não tem nem luz própria. Estamos em uma periferia do cão. E para ter o dia e a noite você nem precisa de uma estrela de primeira grandeza. Uma estrela de quinta grandeza, como o Sol, serve. Resolve isso numa boa. E ainda temos alguma verdade para dizer? É só a dúvida que nos une, que nos aproxima. É só disso que precisamos. Precisamos de amparo com a nossa dúvida. E a literatura nos ampara. Tenho muito medo da verdade. Não acredito que haja nada verdadeiro.
Tive um professor de filosofia, o padre Henrique Vaz, para quem eu perguntei “o que era a fé”. Ele me respondeu que a fé é a dúvida. Tem dias que você tem muita, tem dias que tem pouca, tem dias que não tem nenhuma. Isso se chama fé, porque nos é possível somente a dúvida. Hoje, estamos com muita gente encontrando a verdade. Quando uma pessoa encontra a verdade, a única coisa que ela adquire é a impossibilidade de escutar o outro. Ela só fala, não escuta mais. Quem encontra a verdade só fala.
Bartolomeu Campos de Queirós
Bartolomeu Campos de Queirós
É corrupto, mas é o meu corrupto
Faz todo o sentido que o eleitorado rejeite a corrupção. Até algumas décadas atrás, ainda havia uma corrente de economistas que descrevia o fenômeno em termos mais benignos, como uma "graxa" que lubrificaria engrenagens travadas por instituições disfuncionais ou por excesso de regulação. Mas essas ideias, que já caíram em descrédito na academia, nunca fizeram muito sentido quando consideradas do ponto de vista do cidadão, que é a parte prejudicada pelos desvios, seja pela subtração direta de recursos públicos, seja pela perda de eficiência em sua alocação.
Não sou eu, portanto, quem vai condenar a revolta de segmentos da população com os escândalos do mensalão e do petrolão ocorridos sob a égide do PT. Algo parecido vale para Lula. Ainda que suas condenações criminais pelo caso do tríplex e pelo sítio tenham sido anuladas, o problema ético subsiste. Lula colocou-se num relacionamento com empresários que não passa nem no mais grosseiro teste de integridade republicana. No mínimo, ele recebeu tratamento especial e benesses que jamais poderia ter aceitado.
O que se esperaria de um eleitor racional e justo é que aplicasse a todos os partidos e políticos aquilo que exige do PT e de Lula. Não parece ser isso, porém, o que estamos presenciando. É verdade que Ciro Nogueira e ACM Neto, flagrados em relações incestuosas com o irmão Vorcaro, foram gongados pelo eleitor. Esse não deve ter sido o único fator, mas quero crer que foi um deles. Mas vários outros políticos metidos no escândalo ganharam novos mandatos. É o caso de Mario Frias, Hugo Motta e Antônio Rueda. Pela esquerda, Jaques Wagner cai nessa categoria.
A situação mais escandalosa, contudo, é a de Flávio Bolsonaro. Ele pediu ao ex-banqueiro R$ 134 milhões e recebeu mais ou menos a metade disso. Traz ainda em seu currículo suspeitas nunca explicadas envolvendo rachadinhas, lavagem de dinheiro e patrimônio maior que a renda.
Inconsistências desse calibre só se explicam por uma perversa combinação de hipocrisia com autoengano.
Não sou eu, portanto, quem vai condenar a revolta de segmentos da população com os escândalos do mensalão e do petrolão ocorridos sob a égide do PT. Algo parecido vale para Lula. Ainda que suas condenações criminais pelo caso do tríplex e pelo sítio tenham sido anuladas, o problema ético subsiste. Lula colocou-se num relacionamento com empresários que não passa nem no mais grosseiro teste de integridade republicana. No mínimo, ele recebeu tratamento especial e benesses que jamais poderia ter aceitado.
O que se esperaria de um eleitor racional e justo é que aplicasse a todos os partidos e políticos aquilo que exige do PT e de Lula. Não parece ser isso, porém, o que estamos presenciando. É verdade que Ciro Nogueira e ACM Neto, flagrados em relações incestuosas com o irmão Vorcaro, foram gongados pelo eleitor. Esse não deve ter sido o único fator, mas quero crer que foi um deles. Mas vários outros políticos metidos no escândalo ganharam novos mandatos. É o caso de Mario Frias, Hugo Motta e Antônio Rueda. Pela esquerda, Jaques Wagner cai nessa categoria.
A situação mais escandalosa, contudo, é a de Flávio Bolsonaro. Ele pediu ao ex-banqueiro R$ 134 milhões e recebeu mais ou menos a metade disso. Traz ainda em seu currículo suspeitas nunca explicadas envolvendo rachadinhas, lavagem de dinheiro e patrimônio maior que a renda.
Inconsistências desse calibre só se explicam por uma perversa combinação de hipocrisia com autoengano.
Escolhas políticas fazem a diferença no prato dos brasileiros
Muito se fala, atualmente, sobre os preços dos alimentos. De fato, o país enfrenta diversos desafios externos, muitas vezes alheios à ação do governo, como a crise climática, os conflitos geopolíticos, a elevada demanda internacional por determinados produtos, a força dos oligopólios supermercadistas e a transformação dos alimentos em commodities. Nesse processo, a busca pelo lucro se sobrepõe à soberania alimentar, fazendo com que os preços internos sejam influenciados pelos valores praticados no mercado internacional.
Esses desafios estão no horizonte do governo Lula, que vem adotando políticas específicas para conter a elevação dos preços, apesar dos interesses dos grandes grupos dos setores de abastecimento e varejo. Entre essas iniciativas estão a importação de alimentos para ampliar a concorrência com produtos nacionais encarecidos; a recomposição dos estoques reguladores, desmantelados durante os governos Temer e Bolsonaro; e o investimento contínuo na agricultura familiar e em programas de aquisição e distribuição de alimentos. Essas medidas contribuem para garantir uma alimentação diversificada e de qualidade à população, além de fortalecer os pequenos produtores.
O governo também atua na ampliação da renda, com reajustes do salário mínimo acima da inflação, ampliação do Bolsa Família e assegurando a paridade do piso previdenciário com o salário mínimo. Essas políticas garantem, por lei, um ganho real e ajudam a preservar o poder de compra das famílias mais afetadas pela alta dos preços dos alimentos, especialmente as de baixa renda.Ilustra: Vitor Flynn
Além disso, o governo Lula demonstra preocupação com os efeitos das mudanças climáticas, que elevam os custos de produção e, consequentemente, os preços dos alimentos. Nesse sentido, suas diretrizes incluem a implementação de um programa destinado a orientar a política climática nacional até 2035, a criação de políticas de proteção e fiscalização ambiental e a redução das emissões de gases de efeito estufa, entre outras ações.
A importância das políticas do atual governo pode ser observada no comportamento dos preços. Durante o governo Bolsonaro, o quilo da carne bovina de primeira passou de R$ 23,35, em dezembro de 2018, para R$ 41,23, em dezembro de 2022, o que representa uma alta de 77,4% nas dezessete capitais abrangidas pela Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos realizada pelo Departamento Intersindical Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e, desde 2024, em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). No governo Lula, por sua vez, o aumento foi de 21,9%. Isso demonstra que a percepção de preços elevados já existia antes do início do atual governo.
O preço do arroz aumentou 62,5% durante o governo Bolsonaro, que chegou a atribuir a alta ao consumo excessivo e à formação de estoques pela população. No governo Lula, mesmo diante das enchentes na Região Sul, principal área produtora de arroz do país, a ação do governo fez com que a alta acumulada fosse de apenas 1,2%.
Para quem assistiu a vídeos do candidato da direita criticando a alta do café em pó no governo Lula, é importante lembrar que, durante o governo Bolsonaro, o preço do produto passou de R$ 18,75 para R$ 34,51, uma elevação de 84%, considerando-se a média das dezessete capitais. No governo Lula, mesmo diante das incertezas provocadas pelo aumento de tarifas, pela grande especulação nas bolsas internacionais e pelas ameaças de Donald Trump, a alta foi de 61,3%, e o produto custava R$ 55,67 em setembro.
Também chama a atenção o comportamento do preço do feijão carioca. Durante o governo Bolsonaro, o aumento foi de 134,2%. No governo Lula, com a adoção de políticas específicas, como a realização de leilões e a importação de feijão-preto, a alta foi de 3,8%.
Fonte: Dieese/Conab. Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos.
Os preços aumentaram muito mais durante o governo Bolsonaro. Por quê? Porque as políticas adotadas não priorizavam o bem-estar social. O preço do petróleo foi atrelado às cotações internacionais, e os consumidores arcaram, nos governos Temer e Bolsonaro, com reajustes frequentes dos combustíveis. Consequentemente, a distribuição dos alimentos tornou-se mais cara por causa dos aumentos no preço do diesel. Além disso, houve o enfraquecimento da Companhia Nacional de Abastecimento e o desmonte dos silos que mantinham estoques de alimentos destinados à regulação dos preços de mercado. Privilegiou-se a exportação dos alimentos de melhor qualidade, enquanto parte da população brasileira enfrentava a fome e formava filas para ter acesso a ossos bovinos.
Também foram reduzidos drasticamente os investimentos na agricultura familiar e os incentivos à produção de alimentos de qualidade. Ao mesmo tempo, ampliou-se o uso de fertilizantes e agrotóxicos prejudiciais à saúde e incentivou-se a produção de soja e milho voltada à exportação. O resultado pode ser observado no patamar de preços apresentado na tabela acima e no retorno do Brasil ao Mapa da Fome.
Desde o início, o governo Lula demonstrou a intenção de governar em favor dos brasileiros e da soberania nacional, priorizando medidas destinadas a garantir à população uma alimentação de qualidade e nutricionalmente equilibrada. Instituiu um plano nacional de abastecimento que considera a preservação ambiental, prevê ações para enfrentar os efeitos dos eventos climáticos e amplia os investimentos na agricultura familiar.
O resultado, até o momento, é uma elevação de preços proporcionalmente menor do que a registrada no governo anterior, além de uma preocupação constante com o bem-estar da população brasileira.
Em pouco tempo de políticas e atividades para produção e abastecimento de alimentos, o Brasil saiu novamente do mapa da fome. A manutenção dessas políticas e seu reforço, em particular, o desenvolvimento de técnicas e tecnologias que mitiguem os efeitos da crise climática e medidas de soberania alimentar são fundamentais para que a fome não retorne nunca mais para o Brasil.
Esses desafios estão no horizonte do governo Lula, que vem adotando políticas específicas para conter a elevação dos preços, apesar dos interesses dos grandes grupos dos setores de abastecimento e varejo. Entre essas iniciativas estão a importação de alimentos para ampliar a concorrência com produtos nacionais encarecidos; a recomposição dos estoques reguladores, desmantelados durante os governos Temer e Bolsonaro; e o investimento contínuo na agricultura familiar e em programas de aquisição e distribuição de alimentos. Essas medidas contribuem para garantir uma alimentação diversificada e de qualidade à população, além de fortalecer os pequenos produtores.
O governo também atua na ampliação da renda, com reajustes do salário mínimo acima da inflação, ampliação do Bolsa Família e assegurando a paridade do piso previdenciário com o salário mínimo. Essas políticas garantem, por lei, um ganho real e ajudam a preservar o poder de compra das famílias mais afetadas pela alta dos preços dos alimentos, especialmente as de baixa renda.Ilustra: Vitor Flynn
Além disso, o governo Lula demonstra preocupação com os efeitos das mudanças climáticas, que elevam os custos de produção e, consequentemente, os preços dos alimentos. Nesse sentido, suas diretrizes incluem a implementação de um programa destinado a orientar a política climática nacional até 2035, a criação de políticas de proteção e fiscalização ambiental e a redução das emissões de gases de efeito estufa, entre outras ações.
A importância das políticas do atual governo pode ser observada no comportamento dos preços. Durante o governo Bolsonaro, o quilo da carne bovina de primeira passou de R$ 23,35, em dezembro de 2018, para R$ 41,23, em dezembro de 2022, o que representa uma alta de 77,4% nas dezessete capitais abrangidas pela Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos realizada pelo Departamento Intersindical Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e, desde 2024, em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). No governo Lula, por sua vez, o aumento foi de 21,9%. Isso demonstra que a percepção de preços elevados já existia antes do início do atual governo.
O preço do arroz aumentou 62,5% durante o governo Bolsonaro, que chegou a atribuir a alta ao consumo excessivo e à formação de estoques pela população. No governo Lula, mesmo diante das enchentes na Região Sul, principal área produtora de arroz do país, a ação do governo fez com que a alta acumulada fosse de apenas 1,2%.
Para quem assistiu a vídeos do candidato da direita criticando a alta do café em pó no governo Lula, é importante lembrar que, durante o governo Bolsonaro, o preço do produto passou de R$ 18,75 para R$ 34,51, uma elevação de 84%, considerando-se a média das dezessete capitais. No governo Lula, mesmo diante das incertezas provocadas pelo aumento de tarifas, pela grande especulação nas bolsas internacionais e pelas ameaças de Donald Trump, a alta foi de 61,3%, e o produto custava R$ 55,67 em setembro.
Também chama a atenção o comportamento do preço do feijão carioca. Durante o governo Bolsonaro, o aumento foi de 134,2%. No governo Lula, com a adoção de políticas específicas, como a realização de leilões e a importação de feijão-preto, a alta foi de 3,8%.
| Produtos | Bolsonaro | Lula | ||||
| Preço médio (R$) | Preço médio (R$) | Variação | Preço médio (R$) | Preço médio (R$) | Variação | |
| dez/18 | dez/22 | % | dez/22 | set/26 | % | |
| Batata | 2,87 | 6,28 | 118,7 | 6,28 | 7,13 | 13,6 |
| Café em pó | 18,75 | 34,51 | 84,0 | 34,51 | 55,67 | 61,3 |
| Carne 1a bovina | 23,25 | 41,23 | 77,4 | 41,23 | 50,24 | 21,9 |
| Tomate | 5,52 | 7,40 | 34,2 | 7,40 | 9,09 | 22,8 |
| Pão Francês | 10,92 | 15,33 | 40,4 | 15,33 | 17,87 | 16,5 |
| Banana | 4,37 | 8,54 | 95,5 | 8,54 | 9,08 | 6,3 |
| Manteiga | 39,68 | 60,29 | 52,0 | 60,29 | 61,53 | 2,1 |
| Óleo de soja | 3,55 | 8,98 | 153,2 | 8,98 | 8,10 | -9,8 |
| Arroz | 3,04 | 4,94 | 62,5 | 4,94 | 5,00 | 1,2 |
| Farinha de Trigo | 3,19 | 5,77 | 80,9 | 5,77 | 4,51 | -21,8 |
| Farinha de Mandioca | 4,51 | 7,16 | 58,8 | 7,16 | 6,79 | -5,1 |
| Açúcar Cristal | 2,01 | 4,09 | 103,6 | 4,09 | 3,34 | -18,4 |
| Açúcar Refinado | 2,41 | 4,40 | 82,2 | 4,40 | 3,84 | -12,7 |
| Feijão Preto | 4,63 | 7,36 | 59,2 | 7,36 | 6,98 | -5,3 |
| Feijão Carioca | 3,83 | 8,96 | 134,2 | 8,96 | 9,30 | 3,8 |
| Leite UHT | 3,76 | 6,26 | 66,5 | 6,26 | 7,01 | 12,0 |
Fonte: Dieese/Conab. Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos.
Os preços aumentaram muito mais durante o governo Bolsonaro. Por quê? Porque as políticas adotadas não priorizavam o bem-estar social. O preço do petróleo foi atrelado às cotações internacionais, e os consumidores arcaram, nos governos Temer e Bolsonaro, com reajustes frequentes dos combustíveis. Consequentemente, a distribuição dos alimentos tornou-se mais cara por causa dos aumentos no preço do diesel. Além disso, houve o enfraquecimento da Companhia Nacional de Abastecimento e o desmonte dos silos que mantinham estoques de alimentos destinados à regulação dos preços de mercado. Privilegiou-se a exportação dos alimentos de melhor qualidade, enquanto parte da população brasileira enfrentava a fome e formava filas para ter acesso a ossos bovinos.
Também foram reduzidos drasticamente os investimentos na agricultura familiar e os incentivos à produção de alimentos de qualidade. Ao mesmo tempo, ampliou-se o uso de fertilizantes e agrotóxicos prejudiciais à saúde e incentivou-se a produção de soja e milho voltada à exportação. O resultado pode ser observado no patamar de preços apresentado na tabela acima e no retorno do Brasil ao Mapa da Fome.
Desde o início, o governo Lula demonstrou a intenção de governar em favor dos brasileiros e da soberania nacional, priorizando medidas destinadas a garantir à população uma alimentação de qualidade e nutricionalmente equilibrada. Instituiu um plano nacional de abastecimento que considera a preservação ambiental, prevê ações para enfrentar os efeitos dos eventos climáticos e amplia os investimentos na agricultura familiar.
O resultado, até o momento, é uma elevação de preços proporcionalmente menor do que a registrada no governo anterior, além de uma preocupação constante com o bem-estar da população brasileira.
Em pouco tempo de políticas e atividades para produção e abastecimento de alimentos, o Brasil saiu novamente do mapa da fome. A manutenção dessas políticas e seu reforço, em particular, o desenvolvimento de técnicas e tecnologias que mitiguem os efeitos da crise climática e medidas de soberania alimentar são fundamentais para que a fome não retorne nunca mais para o Brasil.
A jogada master de Kassio Nunes Marque
Por suposto, Kassio Nunes Marques, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) nomeado por Jair Bolsonaro e, no momento, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), só enxerga um caminho para salvar a própria pele depois de descobertas suas ligações com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, o protagonista do maior escândalo financeiro da história do Brasil: ajudar Flávio Bolsonaro a derrotar Lula no dia 25.
Daí ter vetado, em junho, a divulgação de pesquisa que apontava queda nas intenções de voto em Flávio. Daí, no último domingo (11), a pedido da campanha de Flávio, ter determinado a suspensão do canal de WhatsApp “Exército de Lula”, administrado pelo deputado André Janones (Rede-MG), acusado de disseminar notícias falsas. O pedido, segundo a área técnica do tribunal, carecia de provas.
Caso alcance seu objetivo, o ministro não parará por aí. O passo seguinte será julgar a ação que pede a soltura de Bolsonaro pai por meio de uma decisão liminar. Se lhe faltar ousadia para tal, levará a ação para julgamento no plenário do TSE, onde espera contar com a maioria dos votos a seu favor. Com Flávio eleito e o pai dele em liberdade, a obra de Nunes Marques estará completa – ou quase.
De camarote, assistirá à abertura, pelo novo Senado, do processo de impeachment do seu colega Alexandre de Moraes, considerado o algoz da primeira família presidencial brasileira, devolvida ao poder pela segunda vez. Se a cabeça de Moraes rolar, levando-se em conta o que manda o regimento do STF, Nunes Marques assumirá a presidência do tribunal em setembro de 2027. Obra concluída.
O STF adota uma tradição histórica em que o plenário elege como presidente o ministro mais antigo que ainda não tenha exercido o cargo. Na atual linha de sucessão, o ministro Edson Fachin é o presidente (com mandato até setembro de 2027) e Alexandre de Moraes é o atual vice-presidente, sendo, portanto, o próximo natural da fila para assumir o comando da Corte.
Se o Senado aprovar o impeachment de Moraes, ocorre a vacância definitiva de sua vaga e a consequente perda de seus direitos políticos e de suas funções. Sem Moraes na composição da Corte, ele é removido da linha de sucessão. Como os ministros que entrou antes de Nunes Marques já presidiram o STF no passado, ele passa a ser o próximo magistrado mais antigo que ainda não ocupou a presidência.
As ligações entre Nunes Marques e Vorcaro, hoje preso no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, surgiram a partir de relatórios e mensagens obtidas pela Polícia Federal no celular do ex-banqueiro. A investigação aponta para uma rede de influência que envolveria decisões judiciais milionárias favoráveis a Vorcaro e vantagens pessoais obtidas em troca pelo ministro. Nesse aspecto, há de tudo.
Entre os episódios citados estão mensagens que mencionam pagamentos mensais de R$ 500 mil associados ao filho do ministro, Kevin de Carvalho Marques; uma hospedagem em uma mansão no Rio de Janeiro durante o Carnaval de 2025; e uma viagem de avião particular de Brasília a Maceió, em novembro daquele ano, custeada por uma advogada que atuava para o Banco Master.
Quem mexerá com Nunes Marques se Flávio suceder a Lula? É bom lembrar que foi Flávio quem apresentou Nunes Marques ao pai. Se as ligações com Vorcaro depõem contra o ministro, por que não depõem da mesma maneira contra um candidato a presidente investigado pelo STF pelos crimes de evasão de divisas, corrupção passiva e ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa?
“Ou restaure-se a moralidade ou locupletemo-nos todos”, como disse nos anos 1960 o jornalista, escritor e humorista carioca Sérgio Porto, sob o pseudônimo Stanislaw Ponte Preta.
Daí ter vetado, em junho, a divulgação de pesquisa que apontava queda nas intenções de voto em Flávio. Daí, no último domingo (11), a pedido da campanha de Flávio, ter determinado a suspensão do canal de WhatsApp “Exército de Lula”, administrado pelo deputado André Janones (Rede-MG), acusado de disseminar notícias falsas. O pedido, segundo a área técnica do tribunal, carecia de provas.
Caso alcance seu objetivo, o ministro não parará por aí. O passo seguinte será julgar a ação que pede a soltura de Bolsonaro pai por meio de uma decisão liminar. Se lhe faltar ousadia para tal, levará a ação para julgamento no plenário do TSE, onde espera contar com a maioria dos votos a seu favor. Com Flávio eleito e o pai dele em liberdade, a obra de Nunes Marques estará completa – ou quase.
De camarote, assistirá à abertura, pelo novo Senado, do processo de impeachment do seu colega Alexandre de Moraes, considerado o algoz da primeira família presidencial brasileira, devolvida ao poder pela segunda vez. Se a cabeça de Moraes rolar, levando-se em conta o que manda o regimento do STF, Nunes Marques assumirá a presidência do tribunal em setembro de 2027. Obra concluída.
O STF adota uma tradição histórica em que o plenário elege como presidente o ministro mais antigo que ainda não tenha exercido o cargo. Na atual linha de sucessão, o ministro Edson Fachin é o presidente (com mandato até setembro de 2027) e Alexandre de Moraes é o atual vice-presidente, sendo, portanto, o próximo natural da fila para assumir o comando da Corte.
Se o Senado aprovar o impeachment de Moraes, ocorre a vacância definitiva de sua vaga e a consequente perda de seus direitos políticos e de suas funções. Sem Moraes na composição da Corte, ele é removido da linha de sucessão. Como os ministros que entrou antes de Nunes Marques já presidiram o STF no passado, ele passa a ser o próximo magistrado mais antigo que ainda não ocupou a presidência.
As ligações entre Nunes Marques e Vorcaro, hoje preso no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, surgiram a partir de relatórios e mensagens obtidas pela Polícia Federal no celular do ex-banqueiro. A investigação aponta para uma rede de influência que envolveria decisões judiciais milionárias favoráveis a Vorcaro e vantagens pessoais obtidas em troca pelo ministro. Nesse aspecto, há de tudo.
Entre os episódios citados estão mensagens que mencionam pagamentos mensais de R$ 500 mil associados ao filho do ministro, Kevin de Carvalho Marques; uma hospedagem em uma mansão no Rio de Janeiro durante o Carnaval de 2025; e uma viagem de avião particular de Brasília a Maceió, em novembro daquele ano, custeada por uma advogada que atuava para o Banco Master.
Quem mexerá com Nunes Marques se Flávio suceder a Lula? É bom lembrar que foi Flávio quem apresentou Nunes Marques ao pai. Se as ligações com Vorcaro depõem contra o ministro, por que não depõem da mesma maneira contra um candidato a presidente investigado pelo STF pelos crimes de evasão de divisas, corrupção passiva e ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa?
“Ou restaure-se a moralidade ou locupletemo-nos todos”, como disse nos anos 1960 o jornalista, escritor e humorista carioca Sérgio Porto, sob o pseudônimo Stanislaw Ponte Preta.
Culpados de crimes contra a humanidade não faltam
Se nós, de um dia para o outro, nos descobríssemos bons, os problemas do mundo estariam resolvidos. Claro que isso nem é uma utopia, é um disparate. Mas a consciência de que isso não acontecerá, não nos deve impedir, cada um consigo mesmo, de fazer tudo o que pode para reger-se por princípios éticos. Pelo menos a sua passagem pelo este mundo não terá sido inútil e, mesmo que não seja extremamente útil, não terá sido perniciosa. Quando nós olhamos para o estado em que o mundo se encontra, damo-nos conta de que há milhares e milhares de seres humanos que fizeram da sua vida uma sistemática ação perniciosa contra o resto da humanidade. Nem é preciso dar-lhes nomes.
José Saramago
José Saramago
Bolsonarismo 'moderado'? O que mudou de Jair para Flávio
Flávio Bolsonaro (PL), ao lado do pai, Jair Bolsonaro, pilota um avião militar que sobrevoa o oceano, em um vídeo de inteligência artificial (IA) divulgado em junho nas redes sociais bolsonaristas. Nele, duas lanchas militares – uma do PCC e outra do Comando Vermelho – aparecem sobre as águas. Flávio sai do cockpit e, com uma metralhadora, explode ambas as embarcações. Mas há uma terceira, logo atrás: a do PT, que dá meia-volta e foge pelo mar, enquanto o candidato do PL observa, com um sorriso no rosto.
Para o herdeiro de um líder político que afirmou, na campanha de 2018, que iria "fuzilar a petralhada", a atitude de poupar, seis anos depois, o barco do principal adversário do bolsonarismo parece indicar uma modulação no discurso do primeiro colocado no primeiro turno das eleições presidenciais deste ano. E não a única: militares e o golpe de 1964, tão presentes nas falas de Jair, também estão ausentes nas falas de Flávio.
"Eu já vi gente começar a dizer: 'Ah, agora, o Flávio, com esse Congresso com ampla maioria, ele vai fazer o que o pai dele não fez'. Vamos parar de mentir, vamos aterrissar no mundo real", disse no dia 5 o filho do ex-presidente, que está em prisão domiciliar após ter sido condenado por tentativa de golpe de Estado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
A fala ocorreu numa coletiva junto a partidos aliados no dia seguinte ao resultado do primeiro turno e das eleições legislativas, que garantiram superioridade do PL tanto na Câmara quanto no Senado, além da vantagem de Flávio sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
No pronunciamento, o filho de Jair explicava o que queria dizer sobre "mudar a Constituição" – o que, segundo ele, ocorreria, entre outros, com alterações no STF, fim da reeleição e consequente extensão dos mandatos de quatro para cinco anos. Vice de Lula, Geraldo Alckmin (PSB) comparou a mudança na Carta Magna ao que a ditadura militar fez após o golpe, ao impor uma Constituição "totalmente autoritária".
"O Flávio sempre foi aquele representante da família com a fala mais mansa. Ele tem esse perfil de político mais conciliatório que dialoga, mas na essência compartilha das mesmas visões e das ideias dos pais e do restante da família", diz Caio Barbosa, doutor em Ciências Políticas pela Universidade de São Paulo (USP).
Segundo ele, o senador tem se afastado de discursos mais radicalizados do pai por estratégia de campanha: ao se apresentar mais como uma alternativa ao PT do que uma continuidade do governo do pai, ele apela ao antipetismo de parte eleitorado, diz Barbosa.
"Mas, na essência não dá para esperar um governo menos radical, menos extremista que o governo do pai", acrescenta o pesquisador. "Na verdade, o que nos vemos na ciência política é que esses populistas de direita tendem a se radicalizar a partir do segundo mandato. Uma vez referendados pelas urnas, colocam o projeto autoritário em vigor. Vimos isso com o Viktor Orbán na Hungria e estamos vendo com Donald Trump nos EUA, que no segundo mandato veio mais autoritário. É o que podemos esperar."
Uma mudança geracional parecida também ocorreu na França, na família Le Pen, principal bastião da ultradireita no país. Por lá, Marine Le Pen expulsou da Frente Nacional (hoje Reunião Nacional) o pai, Jean-Marie Le Pen, por causa de declarações antissemitas dele.
Logicamente, Flávio não vai tão longe, pois precisa de grande parte dos votos do pai, ao menos por enquanto. De acordo com Caio Barbosa, esse eleitor "bolsonarista raiz", que inclusive apoia as tentativas de golpe de 8 de janeiro, representa cerca de um terço do total. "Mas você não ganha a eleição com esse número. Tem que atrair aquele que é independente, sem adesão fiel a um dos campos políticos, embora mais à direita", diz o cientista político. A questão, acrescenta ele, é que os riscos antidemocráticos não estão no radar dessa parcela da população.
Mas, aí, também há outro mecanismo discursivo em ação, a "negação" ("disavowal", em inglês), aponta o cientista político Renato Duarte Caetano, pesquisador de pós-doutorado vinculado ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital (INCT.DD) com base na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Essa estratégia, diz ele, ocorre quando, por exemplo, Flávio não só nega flertes autoritários como transfere essa responsabilidade para o campo político oposto. "Ele vai falar que é contra a ditadura e jogá-la para o PT, falar que a ditadura é do PT. Isso funciona para inverter o discurso, projetando a violência e intolerância para o outro", complementa.
Ele atribui parte disso ao fato de que Jair Bolsonaro, assim como Trump, consegue jogar com a paródia, o que fazia com que, no seu discurso, "fuzilar a petralhada" prejudicasse menos a própria imagem. Flávio, por sua vez, é menos carismático; logo, precisa moderar mais, explica o pesquisador da UFMG.
"O [Jair] Bolsonaro era capaz de complementar essa violência dele com uma dimensão do ridículo. Assim, o eleitor conseguia acreditar no autoritarismo dele, mas, ao mesmo tempo, duvidar. Ele pensava: 'Ele tem essas coisas autoritárias, mas é o tio do pavê'", diz. "Como o Flávio não tem essa dimensão da paródia, qualquer alusão à violência feita por ele vai empurrar para longe o eleitor médio. Ele não é capaz de contrabalancear isso. O discurso do tio do pavê, que é brutal, é levado de uma forma diferente, porque ele é o tio do pavê."
Caetano afirma que essa estratégia vem sendo usada também pelo partido ultradireitista Alternativa para a Alemanha (AfD). Líder do partido, Alice Weidel fez um vídeo assinando a revista Der Spiegel cuja capa a colocava como "inimiga da Constituição" e chamando a edição de "melhor propaganda eleitoral possível".
Mas, em um eventual governo de Flávio Bolsonaro, Caetano e Barbosa concordam: não deverá haver moderação na tentativa de corroer as instituições democráticas. "Talvez seja pior. A diferença é que agora eles têm experiência de governo. Pode ser um governo muito mais brutal do ponto de vista institucional, do desmonte. Como tem sido o de Trump", conclui Caetano.
Para o herdeiro de um líder político que afirmou, na campanha de 2018, que iria "fuzilar a petralhada", a atitude de poupar, seis anos depois, o barco do principal adversário do bolsonarismo parece indicar uma modulação no discurso do primeiro colocado no primeiro turno das eleições presidenciais deste ano. E não a única: militares e o golpe de 1964, tão presentes nas falas de Jair, também estão ausentes nas falas de Flávio.
"Eu já vi gente começar a dizer: 'Ah, agora, o Flávio, com esse Congresso com ampla maioria, ele vai fazer o que o pai dele não fez'. Vamos parar de mentir, vamos aterrissar no mundo real", disse no dia 5 o filho do ex-presidente, que está em prisão domiciliar após ter sido condenado por tentativa de golpe de Estado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
A fala ocorreu numa coletiva junto a partidos aliados no dia seguinte ao resultado do primeiro turno e das eleições legislativas, que garantiram superioridade do PL tanto na Câmara quanto no Senado, além da vantagem de Flávio sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
No pronunciamento, o filho de Jair explicava o que queria dizer sobre "mudar a Constituição" – o que, segundo ele, ocorreria, entre outros, com alterações no STF, fim da reeleição e consequente extensão dos mandatos de quatro para cinco anos. Vice de Lula, Geraldo Alckmin (PSB) comparou a mudança na Carta Magna ao que a ditadura militar fez após o golpe, ao impor uma Constituição "totalmente autoritária".
"O Flávio sempre foi aquele representante da família com a fala mais mansa. Ele tem esse perfil de político mais conciliatório que dialoga, mas na essência compartilha das mesmas visões e das ideias dos pais e do restante da família", diz Caio Barbosa, doutor em Ciências Políticas pela Universidade de São Paulo (USP).
Segundo ele, o senador tem se afastado de discursos mais radicalizados do pai por estratégia de campanha: ao se apresentar mais como uma alternativa ao PT do que uma continuidade do governo do pai, ele apela ao antipetismo de parte eleitorado, diz Barbosa.
"Mas, na essência não dá para esperar um governo menos radical, menos extremista que o governo do pai", acrescenta o pesquisador. "Na verdade, o que nos vemos na ciência política é que esses populistas de direita tendem a se radicalizar a partir do segundo mandato. Uma vez referendados pelas urnas, colocam o projeto autoritário em vigor. Vimos isso com o Viktor Orbán na Hungria e estamos vendo com Donald Trump nos EUA, que no segundo mandato veio mais autoritário. É o que podemos esperar."
Uma mudança geracional parecida também ocorreu na França, na família Le Pen, principal bastião da ultradireita no país. Por lá, Marine Le Pen expulsou da Frente Nacional (hoje Reunião Nacional) o pai, Jean-Marie Le Pen, por causa de declarações antissemitas dele.
Logicamente, Flávio não vai tão longe, pois precisa de grande parte dos votos do pai, ao menos por enquanto. De acordo com Caio Barbosa, esse eleitor "bolsonarista raiz", que inclusive apoia as tentativas de golpe de 8 de janeiro, representa cerca de um terço do total. "Mas você não ganha a eleição com esse número. Tem que atrair aquele que é independente, sem adesão fiel a um dos campos políticos, embora mais à direita", diz o cientista político. A questão, acrescenta ele, é que os riscos antidemocráticos não estão no radar dessa parcela da população.
Mas, aí, também há outro mecanismo discursivo em ação, a "negação" ("disavowal", em inglês), aponta o cientista político Renato Duarte Caetano, pesquisador de pós-doutorado vinculado ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital (INCT.DD) com base na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Essa estratégia, diz ele, ocorre quando, por exemplo, Flávio não só nega flertes autoritários como transfere essa responsabilidade para o campo político oposto. "Ele vai falar que é contra a ditadura e jogá-la para o PT, falar que a ditadura é do PT. Isso funciona para inverter o discurso, projetando a violência e intolerância para o outro", complementa.
Ele atribui parte disso ao fato de que Jair Bolsonaro, assim como Trump, consegue jogar com a paródia, o que fazia com que, no seu discurso, "fuzilar a petralhada" prejudicasse menos a própria imagem. Flávio, por sua vez, é menos carismático; logo, precisa moderar mais, explica o pesquisador da UFMG.
"O [Jair] Bolsonaro era capaz de complementar essa violência dele com uma dimensão do ridículo. Assim, o eleitor conseguia acreditar no autoritarismo dele, mas, ao mesmo tempo, duvidar. Ele pensava: 'Ele tem essas coisas autoritárias, mas é o tio do pavê'", diz. "Como o Flávio não tem essa dimensão da paródia, qualquer alusão à violência feita por ele vai empurrar para longe o eleitor médio. Ele não é capaz de contrabalancear isso. O discurso do tio do pavê, que é brutal, é levado de uma forma diferente, porque ele é o tio do pavê."
Caetano afirma que essa estratégia vem sendo usada também pelo partido ultradireitista Alternativa para a Alemanha (AfD). Líder do partido, Alice Weidel fez um vídeo assinando a revista Der Spiegel cuja capa a colocava como "inimiga da Constituição" e chamando a edição de "melhor propaganda eleitoral possível".
Mas, em um eventual governo de Flávio Bolsonaro, Caetano e Barbosa concordam: não deverá haver moderação na tentativa de corroer as instituições democráticas. "Talvez seja pior. A diferença é que agora eles têm experiência de governo. Pode ser um governo muito mais brutal do ponto de vista institucional, do desmonte. Como tem sido o de Trump", conclui Caetano.
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