Esses desafios estão no horizonte do governo Lula, que vem adotando políticas específicas para conter a elevação dos preços, apesar dos interesses dos grandes grupos dos setores de abastecimento e varejo. Entre essas iniciativas estão a importação de alimentos para ampliar a concorrência com produtos nacionais encarecidos; a recomposição dos estoques reguladores, desmantelados durante os governos Temer e Bolsonaro; e o investimento contínuo na agricultura familiar e em programas de aquisição e distribuição de alimentos. Essas medidas contribuem para garantir uma alimentação diversificada e de qualidade à população, além de fortalecer os pequenos produtores.
O governo também atua na ampliação da renda, com reajustes do salário mínimo acima da inflação, ampliação do Bolsa Família e assegurando a paridade do piso previdenciário com o salário mínimo. Essas políticas garantem, por lei, um ganho real e ajudam a preservar o poder de compra das famílias mais afetadas pela alta dos preços dos alimentos, especialmente as de baixa renda.Ilustra: Vitor Flynn
Além disso, o governo Lula demonstra preocupação com os efeitos das mudanças climáticas, que elevam os custos de produção e, consequentemente, os preços dos alimentos. Nesse sentido, suas diretrizes incluem a implementação de um programa destinado a orientar a política climática nacional até 2035, a criação de políticas de proteção e fiscalização ambiental e a redução das emissões de gases de efeito estufa, entre outras ações.
A importância das políticas do atual governo pode ser observada no comportamento dos preços. Durante o governo Bolsonaro, o quilo da carne bovina de primeira passou de R$ 23,35, em dezembro de 2018, para R$ 41,23, em dezembro de 2022, o que representa uma alta de 77,4% nas dezessete capitais abrangidas pela Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos realizada pelo Departamento Intersindical Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e, desde 2024, em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). No governo Lula, por sua vez, o aumento foi de 21,9%. Isso demonstra que a percepção de preços elevados já existia antes do início do atual governo.
O preço do arroz aumentou 62,5% durante o governo Bolsonaro, que chegou a atribuir a alta ao consumo excessivo e à formação de estoques pela população. No governo Lula, mesmo diante das enchentes na Região Sul, principal área produtora de arroz do país, a ação do governo fez com que a alta acumulada fosse de apenas 1,2%.
Para quem assistiu a vídeos do candidato da direita criticando a alta do café em pó no governo Lula, é importante lembrar que, durante o governo Bolsonaro, o preço do produto passou de R$ 18,75 para R$ 34,51, uma elevação de 84%, considerando-se a média das dezessete capitais. No governo Lula, mesmo diante das incertezas provocadas pelo aumento de tarifas, pela grande especulação nas bolsas internacionais e pelas ameaças de Donald Trump, a alta foi de 61,3%, e o produto custava R$ 55,67 em setembro.
Também chama a atenção o comportamento do preço do feijão carioca. Durante o governo Bolsonaro, o aumento foi de 134,2%. No governo Lula, com a adoção de políticas específicas, como a realização de leilões e a importação de feijão-preto, a alta foi de 3,8%.
| Produtos | Bolsonaro | Lula | ||||
| Preço médio (R$) | Preço médio (R$) | Variação | Preço médio (R$) | Preço médio (R$) | Variação | |
| dez/18 | dez/22 | % | dez/22 | set/26 | % | |
| Batata | 2,87 | 6,28 | 118,7 | 6,28 | 7,13 | 13,6 |
| Café em pó | 18,75 | 34,51 | 84,0 | 34,51 | 55,67 | 61,3 |
| Carne 1a bovina | 23,25 | 41,23 | 77,4 | 41,23 | 50,24 | 21,9 |
| Tomate | 5,52 | 7,40 | 34,2 | 7,40 | 9,09 | 22,8 |
| Pão Francês | 10,92 | 15,33 | 40,4 | 15,33 | 17,87 | 16,5 |
| Banana | 4,37 | 8,54 | 95,5 | 8,54 | 9,08 | 6,3 |
| Manteiga | 39,68 | 60,29 | 52,0 | 60,29 | 61,53 | 2,1 |
| Óleo de soja | 3,55 | 8,98 | 153,2 | 8,98 | 8,10 | -9,8 |
| Arroz | 3,04 | 4,94 | 62,5 | 4,94 | 5,00 | 1,2 |
| Farinha de Trigo | 3,19 | 5,77 | 80,9 | 5,77 | 4,51 | -21,8 |
| Farinha de Mandioca | 4,51 | 7,16 | 58,8 | 7,16 | 6,79 | -5,1 |
| Açúcar Cristal | 2,01 | 4,09 | 103,6 | 4,09 | 3,34 | -18,4 |
| Açúcar Refinado | 2,41 | 4,40 | 82,2 | 4,40 | 3,84 | -12,7 |
| Feijão Preto | 4,63 | 7,36 | 59,2 | 7,36 | 6,98 | -5,3 |
| Feijão Carioca | 3,83 | 8,96 | 134,2 | 8,96 | 9,30 | 3,8 |
| Leite UHT | 3,76 | 6,26 | 66,5 | 6,26 | 7,01 | 12,0 |
Fonte: Dieese/Conab. Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos.
Os preços aumentaram muito mais durante o governo Bolsonaro. Por quê? Porque as políticas adotadas não priorizavam o bem-estar social. O preço do petróleo foi atrelado às cotações internacionais, e os consumidores arcaram, nos governos Temer e Bolsonaro, com reajustes frequentes dos combustíveis. Consequentemente, a distribuição dos alimentos tornou-se mais cara por causa dos aumentos no preço do diesel. Além disso, houve o enfraquecimento da Companhia Nacional de Abastecimento e o desmonte dos silos que mantinham estoques de alimentos destinados à regulação dos preços de mercado. Privilegiou-se a exportação dos alimentos de melhor qualidade, enquanto parte da população brasileira enfrentava a fome e formava filas para ter acesso a ossos bovinos.
Também foram reduzidos drasticamente os investimentos na agricultura familiar e os incentivos à produção de alimentos de qualidade. Ao mesmo tempo, ampliou-se o uso de fertilizantes e agrotóxicos prejudiciais à saúde e incentivou-se a produção de soja e milho voltada à exportação. O resultado pode ser observado no patamar de preços apresentado na tabela acima e no retorno do Brasil ao Mapa da Fome.
Desde o início, o governo Lula demonstrou a intenção de governar em favor dos brasileiros e da soberania nacional, priorizando medidas destinadas a garantir à população uma alimentação de qualidade e nutricionalmente equilibrada. Instituiu um plano nacional de abastecimento que considera a preservação ambiental, prevê ações para enfrentar os efeitos dos eventos climáticos e amplia os investimentos na agricultura familiar.
O resultado, até o momento, é uma elevação de preços proporcionalmente menor do que a registrada no governo anterior, além de uma preocupação constante com o bem-estar da população brasileira.
Em pouco tempo de políticas e atividades para produção e abastecimento de alimentos, o Brasil saiu novamente do mapa da fome. A manutenção dessas políticas e seu reforço, em particular, o desenvolvimento de técnicas e tecnologias que mitiguem os efeitos da crise climática e medidas de soberania alimentar são fundamentais para que a fome não retorne nunca mais para o Brasil.

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