domingo, 1 de novembro de 2026

Pensamento do Dia

 


A polarização é menor do que se imaginava

A imagem que temos dos EUA é a de um país profundamente dividido, separado pela educação, pela classe social e pela cultura em dois campos rivais que não se suportam. Quando se observa Donald Trump em campanha eleitoral ou se dá uma olhada nas redes sociais, essa percepção é constantemente reforçada.

Mas as pesquisas, à medida que nos aproximamos das eleições de meio de mandato, sugerem que talvez tenhamos deixado passar algo muito importante sobre os EUA de hoje. Trata-se de um país em transformação, com grande parte da população inquieta quanto ao futuro e incerta quanto a quaisquer lealdades políticas. Em outras palavras, o país está politicamente em aberto.


Observe as mudanças em relação a apenas dois anos atrás. Em 2024, Trump conquistou 44% dos votos hispânicos, segundo o jornal The New York Times. Em uma pesquisa recente do Times, apenas 31% deles disseram que pretendem votar em um republicano para o Congresso nas eleições de terça-feira.

Há dois anos, Trump reduziu a enorme diferença dos republicanos entre os eleitores jovens para menos de 10 pontos porcentuais. Hoje, essa diferença é maior do que era durante a eleição de Barack Obama, em 2008, chegando a 44 pontos em favor dos democratas para o Congresso. Trata-se de mudanças radicais que raramente ocorrem em um período tão curto como dois anos.

Muitos estão trocando os partidos tradicionais por outros radicais, de direita e de esquerda

Mas o tempo acelerou, e movimentos que antes levavam anos agora podem levar meses, ou até mesmo semanas. No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou em segundo lugar no primeiro turno das eleições presidenciais, atrás de Flávio Bolsonaro, por mais de 2 milhões de votos.

Em três semanas, Lula conseguiu convencer mais 10 milhões de eleitores a apoiá-lo, vencendo o segundo turno com facilidade. Nunca antes, nas eleições presidenciais brasileiras, o candidato que ficou em segundo lugar no primeiro turno havia conseguido mudar a opinião de um número suficiente de eleitores para vencer no segundo turno.

Vivemos em uma era de ansiedade, e isso significa que as pessoas estão inseguras quanto às filiações políticas. Por toda a Europa, elas abandonaram os partidos tradicionais em favor de novos, muitas vezes mais radicais, tanto à direita quanto à esquerda.

Em parte, isso é uma reação ao fato de que os partidos de centro, tanto de direita quanto de esquerda, falharam em lidar com algumas questões importantes, como a imigração ilegal e o colapso do sistema de asilo.

Eles eram vistos como relutantes em defender a assimilação à cultura dominante e como meros administradores de um Estado de bem-estar social que se tornara disfuncional e desgastado.

Mas, quando o resultado é a raiva da esquerda que se transforma em tumultos nas ruas, a direita historicamente se beneficia. Parece que esse padrão se repetirá na França, à medida que o país se aproxima de sua eleição presidencial, no próximo ano.

A verdade é que, hoje, mais pessoas têm lealdades políticas fracas. Uma pesquisa recente do Pew revelou que um quarto dos eleitores de Trump, em 2024, agora têm uma visão desfavorável do Partido Republicano.

Desses, cerca de metade afirmou que apoiaria seu candidato republicano ao Congresso nas eleições de meio de mandato. Quase metade da população se identifica como independente atualmente. E aqueles que tendem a apoiar um partido não o fazem necessariamente por profunda devoção a ele.

A pesquisa do Pew revelou que 64% dos independentes com tendência democrata citaram os danos causados pelas políticas republicanas como principal motivo de sua preferência, enquanto apenas 27% citaram os benefícios trazidos pelas políticas democratas.

Os independentes com tendência republicana apresentaram um padrão semelhante. De acordo com pesquisa recente do Wall Street Journal, 52% dos democratas queriam que seu partido se tornasse mais moderado ou permanecesse como está, enquanto apenas 37% queriam que ele se tornasse mais progressista.

Os problemas dos republicanos são, em grande parte, causados por eles mesmos. Os eleitores observam as tarifas de Trump e a guerra contra o Irã e as associam diretamente ao aumento dos preços e à crise de acessibilidade financeira.

Outros aplaudem o fechamento de fronteiras, mas não as batidas cruéis da Agência de Imigração e Alfândega (ICE) contra imigrantes sem documentação. Para outros, a natureza aberta e flagrante da corrupção no segundo mandato de Trump tem sido insuportável. Mas nada disso sugere que eles tenham virado as costas aos princípios fundamentais da agenda trumpista.

Um candidato trumpista que se mantivesse mais coerente com sua ideologia e não fosse narcisista nem corrupto poderia reconquistar esses republicanos desiludidos.

Há aqui uma oportunidade para o centro político, mas ela não se concretizará simplesmente afirmando que os adultos estão de volta e vão responsabilizar Trump e consertar o que ele estragou. Eles precisam de uma agenda positiva capaz de acalmar alguns dos temores em relação ao futuro.

A melhor agenda seria uma que incorporasse elementos da esquerda e da direita. Manter a fronteira fechada e reformular o sistema de asilo para que milhões de pessoas não possam usar brechas para entrar no país. Combater os altos custos da saúde utilizando novas tecnologias, mas também empregando o poder do governo para manter os custos baixos e ampliar o acesso (o que pode andar de mãos dadas, pois quanto mais pessoas saudáveis houver no sistema, mais viável ele se torna).

Transformar a educação – com o incentivo e a coordenação das escolas públicas – utilizando o poder da inteligência artificial para proporcionar a todos um tutor pessoal. Construir moradias em todos os lugares. Tributar mais o capital e menos os salários e a mão de obra.

Oferecer aos americanos uma agenda que eles considerem atraente, que lhes dê a sensação de que o futuro pode ser construído e de que eles terão um lugar nele. Fazer isso poderia garantir não apenas o voto deles na próxima semana, mas também sua lealdade por muitos anos.

Nem todo conservador, mas sempre um bolsonarista

Em 1932, o Código Eleitoral criou a cabine indevassável para encerrar o voto de cabresto. Noventa e quatro anos depois, esse espaço segue intacto — quer dizer, mais ou menos, porque já temos vigias de gestual tentando adivinhar pelo movimento do braço ou do dedo se o sujeito digitou 13 ou 22. Ainda assim, o problema maior acontece do lado de fora.

Nem todo conservador, mas sempre um bolsonarista. Basta abrir o noticiário para ver de onde parte a chantagem do desemprego. É a mesma turma que bate no peito pela liberdade de recusar vacina, guardar fuzil em casa ou negociar direto com o patrão a jornada e o salário. Porém, essa autonomia toda some quando o subordinado resolve apertar o 13 na urna. Aí a escolha pessoal vira motivo de justa causa.


No Rio, a deputada estadual mais votada, Índia Armelau (PL), sugeriu que empresários vasculhassem as redes dos funcionários para conferir quem "fez o L" e agissem de acordo. Pelo Paraná, a campeã de votos Jessicão, do mesmo partido, desenhou a regra: doméstica petista, rua; amigo, adeus. Em Goiás, o dono de um frigorífico ofereceu viagem paga a Caldas Novas para mil eleitores de Lula, desde que ficassem longe da seção. No Maranhão, até prefeito avisou que servidor alinhado ao presidente seria demitido.

O Ministério Público do Trabalho somou quase quatro mil denúncias de assédio eleitoral até agora. O grupo de WhatsApp faz as vezes de curral, enquanto o capataz dá print em postagens e monta listas de padarias, restaurantes ou lojistas que precisam quebrar.

Há algo muito perverso em usar a fome como argumento de campanha. Demitir a faxineira ou o caixa de supermercado que precisa do pagamento para comprar arroz e feijão não é disputa política, mas simples covardia contra quem não tem como se defender. Na mesma toada, surgiram anúncios de cortes de doações a ONGs e projetos sociais —justamente aqueles que chegam onde a maioria dos governos jamais pisou— por vingança diante do resultado das urnas. Punir quem depende de marmita comunitária para dar lição ao eleitorado mostra bem o tamanho dessa gente.

Mas o bolsonarismo não detém o monopólio da patrulha. Enquanto uma trincheira persegue quem declarou o voto, uma ala barulhenta da esquerda caçou os que preferiram ficar calados. O cantor João Gomes é o retrato acabado desse cerco. Em 2022, após puxar coro contra Bolsonaro no Rock in Rio, viu o Sindicato Rural de Imperatriz barrar seu show no parque de exposições. Agora, quatro anos depois, apanhou do lado oposto por escolher o silêncio. Sua mulher, Ary Mirelle, contou que ele toma antidepressivos desde a disputa anterior por causa de ataques e ameaças mirando até os dois filhos pequenos do casal.

Acuado, o rapaz acabou lendo uma mensagem no palco para tentar acalmar a patrulha. Tinha as mãos e a voz trêmulas. Ao assistir àquela cena, fiquei pensando: o que existe de democrático em coagir alguém que, seja pelo motivo que for, preferiu se calar? Transformar um artista jovem, visivelmente assustado e medicado, em refém de um tribunal de internet para arrancar um manifesto sob pressão não tem nada de progressista; é pura tortura psicológica fantasiada de consciência social.

Um humorista ainda achou graça em publicar montagens de inteligência artificial estampando os rostos de João, Vini Jr., Gisele Bündchen e Selton Mello em caixas de leite, como pessoas desaparecidas. Do ator que viveu Rubens Paiva no cinema, que perdeu o pai, Dalton, em julho, cobraram pedágio: como ousava viver o luto quieto após ganhar dinheiro com aquele filme?

Quando fãs e colegas colocam celebridades contra a parede, não cometem delito trabalhista, mas recorrem a um método velho conhecido de regimes autoritários: a coação. A lei protege o cidadão na frente da urna e tenta salvar o emprego do operário, só que deixa qualquer pessoa desamparada diante da multidão. Como resumiu o sanfoneiro Mestrinho, parceiro de palco e eleitor declarado de Lula, quem mais exige posicionamento alheio costuma ser o primeiro a cancelar quem pensa diferente. Tem muita gente precisando lavar a boca com sabão antes de falar em democracia.

Imagens fortes de uma campanha

É possível que, na origem latina, imagem signifique apenas a aparência de alguma coisa. Com seu domínio no mundo atual, porém, ela tanto representa algo existente como permite uma compreensão da realidade. Isso vem a propósito de duas imagens destinadas a ficar na história crítica das campanhas pela última eleição presidencial. Uma, na passeata bolsonarista na Barra da Tijuca (RJ), mostrava um negro fantasiado de diabo, em cores vermelhas, tridente na mão, acorrentado por um branco, que invectivava contra satanás e o PT. A outra, na avenida Paulista (SP), coberta de bandeiras e roupas vermelhas, exaltava Lula.


Visibilizando muitas coisas de uma só vez, toda imagem é sintética. A cena carioca, em sua chocante sordidez, apreende o brutalismo do poder escravista remanescente na lembrança escrita, ainda quando condenatória. Depois, a atual hierarquização racial, subsistente na contratação de um negro para uma teatralização degradante. No todo, a concretização de um conceito: o fascismo da cor.

Já a cena paulista, talvez a maior manifestação urbana avaliada em termos numéricos (14 quarteirões), é também sinóptica por mostrar na enorme multidão diversidade etária, gestualidade expressiva e alegria nos rostos. Não era gente em busca de curtidas, mas uma imagem de povo politicamente ativo como subjetividade histórica. "Há política a partir do momento em que existe a esfera de aparecimento de um sujeito, o povo, cujo atributo particular é ser diferente de si mesmo, internamente dividido" (Jacques Rancière).

É verdade que Marx desmontou, com a luta de classes, a mitologia liberal do povo. Mas qualquer que seja o nome atribuído a essa pretensa unidade ("povo" é o preferido pelo Estado democrático moderno, vocacionado a persistir em sua substância parlamentar), crucial é perceber que a política não prescinde de um sujeito coletivo.

Esse sujeito é uma forma dinâmica. Mais do que ser, povo é tornar-se, um processo que produz seu próprio sujeito. Foi o que sintetizou a imagem da avenida Paulista: o rompimento da anterior paralisia popular, evidenciado em cenas de igual intensidade no Rio de Janeiro, em Salvador, nas capitais nordestinas e em numerosas outras cidades. O povo produziu-se nas ruas e nas redes.

Vale refletir sobre por que isso só ocorreu no segundo turno eleitoral. Houve, certo, clara mudança de protagonismo, com o avassalador "exército do Lula", que inflamou em uníssono as redes e as ruas: os 10 milhões de "soldados" corresponderam ao número da diferença vitoriosa.

Mas um fato sensível despertou a massa de sua letargia. Antes, a consciência progressista estava tomada pelo cansaço de palavras gastas, que já não faziam mais efeito, inclusive a noção abstrata de luta contra a extrema direita ou o fascismo. De repente, porém, a presença concreta do perigo fascista, por lucidez plural, corporificou-se como imagem viva, mobilizando o medo. Jovens e idosos compreenderam. Então a massa, tornada povo por espontânea estratégia das ruas, pautou o Brasil, se não o mundo, contra a catástrofe de uma dinastia miliciana.

Tese vigarista da polarização levou a imprensa a tolerar um Flávio golpista

Derrotado no domingo passado, Flávio Bolsonaro foi intimado pela Polícia Federal a entregar os passaportes na segunda, cruzou a fronteira com a Argentina na terça e, já em solo norte-americano na quarta, divulgou uma carta em que se proclamava “presidente eleito”. O PL, seu próprio partido, havia reconhecido a vitória de Lula. Quando a Casa Branca, segundo relatos, fez saber do incômodo, o texto foi reescrito até que o título autoproclamado sumisse. Rir do personagem é fácil agora. Mas era difícil enxergá-lo antes? Por que tanta omissão? A verdade é que a tese intelectualmente vigarista da polarização rende um “Ensaio sobre a cegueira” na imprensa e na análise política.


É preciso lembrar a condescendência com que foram tratados os arroubos autoritários do senador. Em 14 de junho do ano passado, por exemplo, em entrevista à “Folha”, ele avisou que o candidato de seu pai teria de garantir, se vitorioso, o indulto ao próprio Bolsonaro e aos condenados do 8 de janeiro de 2023, ainda que o Supremo o anulasse e fosse preciso recorrer à força contra a Corte. O noticiário tratou do assunto como quem diz “hoje é sexta-feira”.

Em 28 de março, no CPAC (Conferência de Ação Política Conservadora), encontro de reacionários realizado no Texas, Flávio declarou que venceria se as eleições fossem livres e justas.

A frase parece só um truísmo, mas carrega a semente do golpismo. Ao condicionar a lisura do pleito à vitória, Flávio converte de antemão qualquer derrota em prova de fraude, já que só o triunfo atestaria a higidez do sistema. É um argumento que não admite refutação: o resultado deixa de ser um fato e se torna um veredicto contra quem apura os votos caso se frustre a expectativa do candidato. Foi o que se viu depois do segundo turno.

Flávio nem sequer era questionado a sério sobre seu plano de governo. A quantidade de besteiras que dizia era assombrosa, sem falar no seu, digamos, aporte ético: aquele que prometia soltar golpistas e encarcerar adolescentes de 14 anos se definia.

No que respeita à fuga, a exemplo do que ocorre com o irmão Eduardo, ninguém sabe com que recursos Flávio viverá fora do país. Eduardo já está condenado; Flávio foge de duas investigações: uma sobre lavagem de dinheiro, que alcança tanto ele quanto o advogado Willer Tomaz por meio de empresas de apostas e plataformas de pagamento, e outra sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro, com os milhões doados por Daniel Vorcaro.

Por que tanta complacência com um candidato fascistoide e sedicioso? A tese da polarização congelou a análise política e a fez esquecer o Brasil. Polos são necessariamente opostos. Sendo o bolsonarismo, que é disruptivo, um deles, seria forçoso que o outro, o lulismo, também o fosse, só que à esquerda. E isso é mentira.

No início, essa tese intelectualmente vigarista serviu de pretexto para tentar excluir da política institucional tanto um como o outro. A ambição era impor uma terceira via, uma direita mais ao gosto do grande capital, visto que os Bolsonaro são grotescos. Não deu certo porque o bolsonarismo fagocitou a direita e porque o PT é o único ente da vida pública que pode ser chamado propriamente de “partido”.

Logo, a crítica à tal “polarização” consistia e consiste, na verdade, em um esforço para tirar o PT do jogo e empurrar o país para uma disputa entre uma direita higienizada e a extrema direita. A manobra até agora falhou.

Uma das grandes derrotadas deste pleito, note-se, foi a imprensa que comprou essa leitura, esgrimindo o pesquisismo que tenta administrar o debate público por meio de sondagens supostamente científicas.

Se o bolsonarismo é patético — e é —, se Flávio é golpista até o último fio de cabelo — e é —, por que os editoriais se encarregam de dizer isso só agora? Por que se permitiu que o óbvio ficasse restrito à voz e à pena de meia dúzia, rapidamente confundida com militância petista? Não que ela seja um mal em si. É que, desse modo, só se chancelava a maliciosa teoria da polarização, como se a verdadeira divisão do país se desse entre o lulismo e o bolsonarismo, e não entre a democracia, representada por Lula, e o golpismo fascistizado, encarnado pelos Bolsonaro.

Por covardia, conivência e interesse objetivo, deixou-se que Flávio corresse sem resistência ativa até a beira do pódio. Levantaram-se contra ele, felizmente, os setores populares e os progressistas. A imprensa, como expressão de um pensamento que se pretende liberal, ou silenciou ou igualou o que é desigual em nome de uma suposta neutralidade. O meio-termo entre a democracia e o fascismo será sempre o fascismo por inteiro, pois não existe democracia pela metade.

Volto ao começo: agora é fácil desqualificar Flávio. Difícil era fazê-lo quando o tomavam por “Bolsonaro vacinado” ou expressão do “bolsonarismo moderado”.

E, como se esperava, a “Operação Tarcísio” já começou: a tentativa de apresentar o governador paulista, Tarcísio de Freitas, como herdeiro palatável da direita. Talleyrand, o diplomata francês, disse dos Bourbon, ao voltarem ao trono, que não tinham aprendido nada nem esquecido nada. A elite brasileira, sobretudo a parcela cujos interesses se abrigam na imprensa tradicional, parece caber nesse figurino. Essa mistura de obtusidade e reacionarismo tem sido, de algum modo, até útil ao petismo. Lula fura bolhas, desmonta predições e humilha o pesquisismo, que confunde o eleitorado com um salame cortado em fatias.

E em 2030, quando Lula não puder disputar? Vamos ver. Debater uma eleição com quatro anos de antecedência?! Tenho de adaptar a frase de Talleyrand aos nossos “Bourbon”: não aprendem nada e esquecem tudo. Há seis dias, o “presidente eleito” se chamava… Flávio Bolsonaro! E, no entanto, “brilha uma estrela, Lula lá…” E já se escolhe quem ocupará o lugar do petista com quatro anos de antecedência? Penso que algo ainda por definir — novo, pois — começou no segundo turno desta eleição. Mais uma vez, Tarcísio já é tratado como pré-presidente. Hum…

Proponho o desafio: eu e ele caminharmos pelo Pelourinho, no centro histórico de Salvador, e vermos quem será convidado a fazer “selfies”. E olhem que sou candidato apenas a algumas provocações gentis.