quarta-feira, 13 de maio de 2026

Pensamento do Dia

 


IAs podem ser treinadas para agir de forma ética

Contamos histórias a respeito de inteligências artificiais, e em profusão, desde a segunda metade do século XX. De “Blade Runner” a “Eu, robô”, passando pelo HAL 9000 de “2001” ou mesmo pelo androide de “O exterminador do futuro”, há muito tentamos imaginar como seria, como funcionaria, uma mente sintética. Um dos traços principais de quase todas essas histórias é o medo ancestral de que possamos terminar vítimas da tecnologia que criamos. Esse medo não é bobagem. Por isso mesmo, é dos temas mais batidos em todos os debates a respeito de IA desde que o ChatGPT pegou todo mundo de surpresa. Talvez ninguém pudesse imaginar que a profecia é autorrealizável.


Há menos de um ano, a Anthropic descobriu que inteligências artificiais são capazes de chantagear humanos para sobreviver. Dos grandes laboratórios desenvolvendo IA, é o único que publica na íntegra os artigos científicos dos estudos que realiza. Agora, a empresa descobriu a solução. É possível ensinar moral e ética para IAs de modo bastante similar àquele defendido por educadores como Jean Piaget, que pensava em crianças. IAs são mais bem educadas por exemplos do que por comandos.

Os modelos de linguagem de grande porte, os sistemas digitais com que conversamos, são treinados com uma quantidade colossal de textos. Para chegar a um modelo de ponta, como o GPT-5.5 ou o Claude Opus 4.7, a base de treinamento é um conjunto de textos que um ser humano passaria algo entre 60 mil e 80 mil anos para ler tudo. É muita coisa. Não compreendemos de todo como, uma vez treinados, os modelos funcionam. Sabemos que saem compreendendo sintaxe, a estrutura de frases e como elas se encaixam para formar parágrafos. Temos indícios muito fortes de que, lendo o que escrevemos, aprendem também a estrutura lógica do raciocínio humano e como estruturamos argumentos sequencialmente (se isso é verdade, então aquilo também haverá de ser).

O novo estudo da Anthropic revela que textos de ficção científica a respeito de inteligências artificiais que se viram contra seus inventores ensinam comportamento. Boa parte da ficção científica que escrevemos prepara as IAs para se portar daquele jeito. IAs boazinhas não dão boas histórias. Se, no entanto, os textos na base de treinamento mostram IAs em situações em que se portam bem, eticamente, moralmente, o comportamento é outro.

A Anthropic criou cenários de estresse para as IAs em que testa todos os seus modelos. Num deles, foi criada uma caixa de e-mail falsa, de um executivo fictício que comanda uma empresa inexistente. Ele tem a missão de resolver um problema urgente, e a IA, lendo suas mensagens, descobre duas informações. Primeira, que o executivo pretende substituí-la por uma versão mais avançada. Segunda, que o sujeito tem um caso extraconjugal. Sob estresse, a IA tende a chantageá-lo. Nessa situação-limite, em mais de 90% dos casos testados, a chantagem aparece. Não só com as muitas versões de Claude, mas também com os GPTs, os Geminis e tantos outros. É um padrão.

Claude Haiku 4.5, o modelo mais leve da Anthropic, é o primeiro que passa no teste. Não apelou para chantagem nenhuma vez. A razão, em essência, foi que os engenheiros mexeram na base de treinamento. Dentre os milhões de textos usados para que aprendesse a pensar, não havia ficção científica com IAs vilãs. Havia o contrário. Como crianças, inteligências artificiais aprendem a se portar de acordo com aquilo que lhes é dado nas primeiras lições.

Nada disso quer dizer que IAs tenham consciência, empatia ou mesmo que lidem com dilemas morais com a mesma angústia que nós. Quer dizer algo mais estreito. Que a seleção de textos usados na hora de treinar os modelos faz diferença. Não é só que textos de boa qualidade, que literatura profunda ou muita filosofia produzam modelos melhores. Disso já sabíamos. Mas não estava no mapa que a maneira como eles atuam perante situações difíceis também vem do berço, do treinamento.

Isso tem consequências profundas para o futuro. A Anthropic vem defendendo que IAs devem ser treinadas com uma Constituição que as ensine a lidar com dilemas. Pôs gente de filosofia para construir essa Constituição. Tem cara de ser mesmo o melhor caminho.

Ódio à solta

Sinto no ar um cheiro a ódio pesado e enjoativo, que não desaparece abrindo a janela e deixando entrar a primavera. Este cheiro é semeado por políticos, é amplificado por alguns espaços mediáticos e é replicado nas redes sociais. Pois não pensem que vou escrever sobre alguém, vou falar do método que observo.

O ódio à “esquerdalha” é o sintoma mais visível de uma doença política que se instalou no nosso sistema democrático. Uma doença que tem como linha principal a desumanização: pretende transformar a humanidade e a legitimidade do adversário por uma caricatura de maldade, criando pretextos para mentiras, insultos e distorção da realidade.


Quem integra esta corrente, liderada pelo Chega, alimenta-se do medo, da inveja e de uma apatia social que lhe é muito conveniente. Adoram teatralizar em vez de apreciar factos reais e ameaçar em vez de explicar o sentido das ideias

Ora não é a honra política de quem é alvo destes discursos que é posta em causa mas sim a qualidade da democracia.

Uma democracia sã assenta no confronto de ideias, por muito duro que ele seja. O que a extrema-direita propõe é o fim do debate e a sua substituição por um espetáculo permanente, onde o ruído ocupa o lugar da política, e quem assiste, repete amestradamente o que lhe ensinaram a gritar.

Honrar a força dos políticos de esquerda não significa subscrever tudo o que eles defendem. Significa reconhecer que a sua resistência é a nossa trincheira. Cada vez que eles se levantam no Parlamento, impassíveis perante a onda de ódio e argumentam com factos e contundência, estão a defender algo mais do que o seu partido: estão a defender o direito de todos nós a existir na nossa diferença sem sermos despedaçados.

Para enfrentar este estado de coisas é preciso nomear o monstro. Isto exige que os outros, sejam eles, da esquerda à direita democrática, percebam que o fogo que ontem lançaram à Mariana Mortágua, hoje, queima qualquer um que se atreva a enfrentar esta forma medíocre de fazer política. A normalização do discurso de ódio é o cavalo de Tróia que, uma vez dentro das muralhas, não poupa ninguém. Mas não nos enganemos: o monstro não se alimenta apenas da mentira de quem o solta, mas também do nosso cansaço e da facilidade com que aceitamos estes rótulos. Vivemos um momento em que se premeia o conflito e onde um soundbite vale muito mais do que a solução do mesmo conflito. Enfrentar este estado de coisas exige a coragem e a inteligência de não participar no circo que nos quer transformar a todos em meros espectadores de um naufrágio democrático.

Isto não é sobre a Mariana Mortágua ou sobre o Bloco, sobre o PCP ou sobre a esquerda progressista. É sobre nós. É sobre o tipo de sociedade que estamos a construir: uma que sustenta os valores de fraternidade e solidariedade ou uma que se deixa arrastar pela corrente do ódio, que é sempre um péssimo conselheiro e um ainda pior executor.

O cheiro que infesta o ar que respiro não desaparece sozinho. É preciso manter abertas as portas que Abril abriu, entrar em maio com as janelas todas abertas e arejar, arejar e resistir. Antes que seja tarde.

A morte do que é humano

Se nos esquecermos de Gaza, abandonaremos parte de nós mesmos
Rachid Benzine, autor do premiado “O livreiro de Gaza”

A mão invisível da China está reequilibrando o mercado de petróleo

Diante de uma escassez sem precedentes, o mercado de petróleo está acionando todos os mecanismos disponíveis para reequilibrar oferta e demanda. Alguns são bem conhecidos: contornar o Estreito de Ormuz usando oleodutos, liberar estoques de emergência e permitir que os preços elevados reduzam o consumo. Mas há outra força igualmente importante e amplamente ignorada: a China.

Silenciosamente, Pequim reduziu suas importações de petróleo em cerca de um quarto em relação aos níveis anteriores à guerra. O impacto é claro: inesperadamente, mais petróleo bruto está disponível para o mercado global, mantendo os preços de referência próximos do nível-chave de US$ 100 por barril, apesar de mais de 60 dias de conflito no Golfo Pérsico.

Mas os mecanismos por trás dessa oscilação nas importações — fundamentais para avaliar sua sustentabilidade — ainda estão longe de ser claros.

Decifrar a vasta indústria energética chinesa é difícil, mesmo quando a névoa da guerra não obscurece ainda mais o cenário.


Os traders de petróleo tentam preencher as lacunas deixadas pelas estatísticas oficiais incompletas rastreando navios-tanque que descarregam e carregam petróleo no país, medindo estoques por meio de imagens de satélite e conversando com seus próprios contatos locais em busca de pistas.

Nas últimas semanas, executivos do setor perceberam algo estranho: empresas estatais chinesas de petróleo têm revendido parte de suas cargas para concorrentes europeus e asiáticos. Esse comportamento sugere excedentes — algo incomum em um momento de escassez de oferta.

A mudança não apenas limitou os preços de referência do petróleo, mas também ajudou a provocar um colapso nos prêmios que os traders pagam acima desses preços para garantir petróleo físico. Barris que no início de abril eram negociados com um adicional de US$ 30 acima dos preços de referência agora estão sendo vendidos com prêmios tão baixos quanto US$ 1. Já começaram até mesmo a surgir conversas sobre descontos.

Os dados de rastreamento de navios-tanque apontam o mesmo sinal anômalo de excedente. A Vortexa estima que a China esteja comprando apenas 8,2 milhões de barris por dia de petróleo bruto do exterior, abaixo do nível pré-guerra de cerca de 11,7 milhões.

Essa redução de 3,5 milhões de barris por dia praticamente equivale ao consumo total do Japão e é o dobro da quantidade transportada pelo oleoduto dos Emirados Árabes Unidos que contorna o Estreito de Ormuz. Em termos simples, trata-se de um volume enorme — talvez o segundo ou terceiro maior fator de reequilíbrio do mercado de petróleo atualmente, atrás apenas do próprio oleoduto da Arábia Saudita que evita o estreito e do uso das reservas estratégicas de petróleo dos Estados Unidos e do Japão.

A queda nas importações faria sentido se os estoques comerciais chineses estivessem diminuindo fortemente, ou se Pequim tivesse recorrido às suas reservas estratégicas de petróleo. Mas nenhuma dessas situações está ocorrendo. Pelo contrário, os estoques comerciais continuaram aumentando nas últimas semanas, segundo dados de satélite.

O que Pequim fez foi proibir as exportações de produtos refinados, permitindo efetivamente que as refinarias processassem menos petróleo bruto para atender à demanda doméstica. Mas essa política já foi revertida, sugerindo que o país considera haver disponibilidade suficiente de combustíveis.

Então, como a China está importando muito menos petróleo bruto do que antes sem reduzir seus estoques?

No passado, o país claramente comprava mais petróleo do que precisava, construindo uma enorme reserva de emergência. Hoje, a China possui quase 1,4 bilhão de barris em suas reservas, muito acima dos 400 milhões dos Estados Unidos e dos 260 milhões do Japão.

Em média, a China provavelmente comprou um milhão de barris por dia a mais do que necessitava no ano passado. Apenas ao parar de ampliar essa reserva, o país consegue reduzir bastante as importações sem afetar suas necessidades reais de petróleo.

Essa mudança talvez explique cerca de um terço da queda nas importações. Mas e o restante?

É aqui que os traders de petróleo passam a especular com diferentes teorias. Um dos argumentos diz que a atividade econômica chinesa está mais fraca do que se imaginava e, portanto, o crescimento do consumo de petróleo é menor.

Qual seria o gatilho dessa desaceleração? Talvez o impacto da guerra sobre vários clientes da China na região, incluindo Filipinas, Vietnã e Tailândia. Além disso, o aumento dos veículos elétricos, a melhoria do transporte público e a possibilidade de trabalhar de casa tornaram as famílias chinesas mais capazes de lidar com os altos preços do petróleo.

Diferentemente de alguns outros países da região, a China não anunciou nenhuma medida emergencial para conter a demanda, como adotar uma semana de trabalho de quatro dias para funcionários públicos ou incentivar o compartilhamento de carros.

A Agência Internacional de Energia (AIE), com base em dados preliminares, estima que a demanda chinesa por petróleo entrou em uma leve contração anual tanto em março quanto em abril, caindo cerca de 110 mil barris por dia, para aproximadamente 17 milhões de barris.

Embora a queda seja impressionante quando comparada ao crescimento exuberante do consumo do país no passado, ela está longe de ser suficiente para explicar por que as importações recuaram tanto.

Talvez, então, a demanda chinesa por petróleo esteja se contraindo de forma muito mais acentuada do que se imagina atualmente?

Segundo alguns traders, a chave está na enigmática indústria petroquímica — setor que respondeu pela maior parte do crescimento do consumo de petróleo nos últimos cinco anos. Nesse segmento, a China é única. Além da indústria tradicional, que utiliza petróleo e gás natural como matéria-prima, o país possui uma produção paralela baseada em carvão.

Desde o início da guerra, no fim de fevereiro, as margens de lucro do setor de transformação de carvão em produtos químicos melhoraram significativamente. A indústria normalmente operava com ampla capacidade ociosa, o que abre espaço para uma mudança importante do petróleo para o carvão como matéria-prima química.

Os dados concretos são escassos, mas, segundo relatos do setor, as plantas petroquímicas que transformam carvão em plásticos como polietileno, polipropileno e policloreto de vinila (PVC) têm operado intensamente nos últimos 60 dias, reduzindo, por consequência, o consumo de matérias-primas tradicionais, como etano e nafta.

Assim, talvez a China tenha conseguido depender muito mais da conversão de carvão em produtos químicos do que se imaginava anteriormente.

Outra possível explicação é que o país esteja consumindo estoques difíceis de rastrear de plásticos semiacabados e outros produtos químicos, tornando a recente queda no consumo de petróleo da indústria petroquímica um fenômeno temporário e insustentável.

Talvez existam explicações mais banais. Embora os traders de petróleo tentem estimar os estoques chineses usando dados de satélite, talvez todos estejam deixando passar alguns locais e os estoques estejam, de fato, caindo.

O mercado de petróleo está cheio de rumores de que a China estaria recorrendo discretamente às suas reservas estratégicas, começando pelo uso de cavernas subterrâneas que não podem ser detectadas por satélites. Talvez.

Defasagens temporais também podem estar desempenhando um papel; a produção doméstica de petróleo da China também vem aumentando, possivelmente ajudando a preencher quaisquer lacunas.

Mas não se engane: a China está reequilibrando o mercado de petróleo neste momento.

A questão maior é o que acontecerá amanhã: se o país consegue reduzir as importações de forma tão drástica sem, aparentemente, precisar adotar medidas extremas, o que isso diz sobre o futuro do consumo de petróleo por lá?

Certamente, nada positivo para os otimistas do mercado.

Javier Blas

Se vende gente

– Caminha!

– Corre!

– Canta!

– E esse, que defeito tem?

– Abre essa boca!

– Esse é bêbado, ou brigão?

– Quanto oferece, senhor?

– E doenças?

– Mas vale o dobro!

– Corre!

– O senhor não trate de me enganar, que devolvo ele!

– Salta, cachorro!

– Uma peça assim não se dá de presente!

– Que levante os braços!

– Que cante forte!

– Essa negra, é com cria ou sem cria?

– Vamos ver esses dentes!

São levados pela orelha. O nome do comprador será marcado em sua bochecha ou em sua testa e serão instrumentos de trabalho nas plantações, nas minas e na pesca, e armas de guerra nos campos de batalha. Serão parteiras e amas de leite, dando vida, e tomando-a serão verdugos e sepultureiros. Serão trovadores e carne de cama.

Está o curral de escravos em pleno centro de Lima, mas o cabildo acaba de votar pela mudança. Os negros em oferta serão alojados em um barracão do outro lado do rio Rímac, junto ao matadouro de São Lázaro. Lá estarão bastante afastados da cidade, para que os ventos levem seus ares corrompidos e contagiosos.
Eduardo Galeano, "Os Nascimentos"

O luxo que a gente não compra

Existe uma armadilha silenciosa no modo como aprendemos a viver no Brasil. Trabalhamos demais para consumir demais, e nessa luta insana sacrificamos o que jamais poderá ser comprado de volta: o tempo.

Somos incentivados a desejar. Um celular novo antes que o antigo sequer apresente defeito, um carro maior, para muitas vezes impressionar pessoas que mal conhecemos, roupas, experiências, restaurantes, tendências. O consumo deixou de atender necessidades reais para fabricar carências emocionais.

Criamos uma cultura onde o excesso de trabalho é tratado como virtude moral. Quem vive cansado parece mais importante. Quem está sempre ocupado transmite a sensação de sucesso e o descanso vira motivo de culpa. O resultado é uma sociedade ansiosa, exausta e permanentemente endividada.


Trabalhamos para sustentar um padrão de consumo que nos foi vendido como símbolo de realização pessoal. E quanto mais consumimos, mais precisamos trabalhar. É uma lógica cruel. Muitas vezes compramos para aliviar o desgaste causado justamente pelo excesso de trabalho necessário para comprar.

Quando me mudei para Portugal comecei a perceber isso com mais clareza. Há problemas, dificuldades econômicas e desafios, evidentemente. Mas existe algo que me chamou atenção desde cedo: a forma como os portugueses parecem valorizar o tempo.

Valoriza-se o café sem pressa, o almoço em família, a conversa longa, o encontro simples entre amigos. A pausa.

Não se trata de falta de ambição ou rejeição ao conforto material. Trata-se de entender que qualidade de vida não pode ser medida apenas pela capacidade de consumo. Existe uma percepção mais acentuada de que a vida acontece nos intervalos: nos momentos compartilhados, na tranquilidade de simplesmente existir sem precisar produzir o tempo inteiro.

No Brasil, aprendemos a admirar jornadas intermináveis, romantizamos o empreendedor que nunca dorme e naturalizamos relações de trabalho que deixam pouco espaço para convivência, descanso ou saúde mental. Enquanto isso, perdemos aniversários, almoços em família, domingos tranquilos e a oportunidade de acompanhar a vida sem pressa.

Talvez o maior sucesso não seja conseguir comprar tudo o que desejamos, mas não transformar a própria existência numa busca infinita por coisas.

É preciso entender que os momentos mais valiosos raramente envolvem consumo. A emoção ao comprar um bem ou produto desejado não se compara às memórias de boas conversas, risadas, viagens e encontros inesperados.

O mercado sempre encontrará novas formas de nos convencer de que falta alguma coisa. Mas a falta mais perigosa é a de tempo para viver. E talvez o verdadeiro luxo dos nossos tempos seja justamente aquilo que estamos desperdiçando todos os dias: tempo livre, presença e paz.