segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Daqui a dias

Falta pouco para as eleições e o clima anda tenso. Há um medo generalizado de que o brasileiro vote errado e ponha tudo a perder, mergulhando o país num futuro incerto, desastroso para a maioria.

Somos esperançosos por natureza, mas o marketing do lado de lá é de boa qualidade e pode iludir os incautos. Como convencê-los de que o que foi conquistado a duras penas pode desaparecer, se o candidato da oposição vencer, seja ele quem for, pois todos rezam na mesma cartilha?

E mais: não adianta apenas elegermos o presidente ideal, se Câmara e Senado permanecerem nas mãos de oposicionistas nebulosos, dispostos a boicotar qualquer medida progressista que traga mais prestígio aos governantes e novos benefícios para o povo. Diminuir a distância entre as diversas camadas sociais é a meta da esquerda, mas manter cada uma em sua casta faz parte dos planos nada secretos da direita.


Há outros riscos, igualmente assustadores. O namoro com Trump pode se tornar casamento e o dote serão nossas terras raras, nosso modelo independente de economia, nossa soberania até agora preservada, sem falar na anistia geral e irrestrita aos lesa-pátria que tanto nos prejudicaram e ainda prejudicarão.

Na acirrada disputa, os idosos tornam-se a bola da vez: todos querem seus votos que podem ser decisivos. Os que estrearão como eleitores igualmente estão na mira dos candidatos. E há, ainda, os indecisos cuja quantidade diminui a cada pesquisa prévia, sem tornar mais nítido o cenário. Impossível prever quantos serão os votos nulos ou em branco…

Tenho assistido a vários depoimentos de eleitores sobre sua preferência partidária. Alguns se dizem desesperados com a concorrência mentirosa e desleal que desfila ante nossos olhos, prometendo maravilhas. Outros, aturam o horário gratuito eleitoral à procura de candidaturas aceitáveis, mas a velha fórmula deixada por Tiririca e afins fez escola e expõe seu show de horrores duas vezes ao dia.

Nossos ídolos ainda são os mesmos, mais idosos a cada eleição. Velhas raposas também sobrevivem à passagem do tempo, pregando credibilidade com seus cabelos brancos. Cínicos profissionais tentam passar jovialidade com promessas vazias e muitos fazem uso de jargões tradicionais que envolvem crianças, deficientes, minorias, sem apresentar medidas efetivas em sua defesa.

Vivemos um tempo de promessas que só poderemos cobrar após a definição dos escolhidos. Que frases de efeito não nos impressionem e nossa escolha seja consciente, consequente.

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