Os partidários de Lula têm feito atos Brasil afora que realmente impressionam. O de domingo, na Avenida Paulista e adjacências, disputa lugar entre os maiores da história do país. Nem de longe teve na grande imprensa a visibilidade que o fato exigiria em tempos normais. Em dias assim, certo equilibrismo em nome da isenção costuma privilegiar a administração dessa isenção em prejuízo da realidade. Talvez um dia isso seja revisto. E, pois, falemos mais de imprensa.
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| “Os Pilares da Sociedade” (1926), George Grosz |
Nesses quatro anos da gestão Lula, dois movimentos se deram. Num sentido, a cobertura passou a ser implacável com a dita irresponsabilidade fiscal do governo. É muito difícil haver juízos “apenas técnicos” que sejam neutros, reconhecendo virtudes e defeitos ao menos. Não. É pauleira pura. No outro sentido, o bolsonarismo, que jamais abandonou a agenda golpista e reacionária, começou a ser normalizado. Perguntas de caráter até supostamente existencial têm sido feitas pelo isentismo profissional: “Os direitistas não têm o direito de se manifestar?”
Mas quando é que houve um miserável impedimento? Nunca. Convém não confundir a pregação de golpe de Estado com exercício da divergência, não é mesmo? Há coisas que chegam a ser risíveis. No domingo, no dia do grande ato dos eleitores de Lula na Paulista, um grupo de jovens resolveu pichar uma estação do metrô. O ora ultrarreacionário Tarcísio de Freitas, com fama de “moderado” na mídia, gravou um vídeo em que se referiu — sei lá se sabia o que estava dizendo ou se foi pautado por algum assessor com ou sem o concurso da IA — ao “paradoxo da tolerância”, de Karl Popper, na obra em dois volumes “A Sociedade Aberta e Seus Inimigos”.
Em síntese: os democratas não podem tolerar os que tentam solapar o regime justamente em nome da tolerância porque fazê-lo significa aceitar a premissa da intolerância. E não é que o homem que defende anistia para os golpistas se mostra, então, severíssimo com pichadores — e não penso que devam ser adulados —, mas passa a mão na cabeça dos que tentaram pôr fim à democracia, um plano que contemplava até o assassinato de Lula, Alckmin e Alexandre de Moraes?
Já recomendei aqui um livro de 1980: “Friendly Fascism: The New Face of Power in America”. É o fascismo que volta com um “sorriso”, com cara “amigável”. Mas, sabemos todos, se precisar, fuzila, como se viu em São Paulo.
Ora, senhor Tarcísio, os golpistas é que não podiam ser tolerados, não é mesmo?, segundo os fundamentos expostos por Popper. Ah, claro: se não leu, não cite.
Não sei quem vai vencer no dia 25. Mas é fato que a própria imprensa só começou a cuidar de eleição propriamente depois do primeiro turno — e, ainda assim, antecipando o desastre de Lula. A mobilização da rua petista está obrigando-a a falar do pleito. Desde que André Mendonça quebrou o sigilo da investigação ilegal que mandou fazer contra Alexandre, Paulo Gonet e Andrei Rodrigues, o jornalismo político não cuidou de outra coisa. Melhor para Flávio, não?, que tem um programa oculto.
Até agora, ninguém sabe onde ele vai aplicar o seu “tesouraço” que tanto encanta os mercados. Mendonça e Kássio não querem que os adversários do senador sugiram que os cortes serão feitos na área social, embora isso tenha sido vazado para a imprensa por gente da própria campanha para testar reações. O Flávio que diz que vai pôr fim à era petista só prometeu aumento de gastos. Adolfo Sachsida, um de seus coordenadores econômicos, diz que a revolução dos gastos sairá do enxugamento dos ministérios e do corte de supersalários. É uma piada.
Em suma: bastou a cobertura política falar um pouco de política, e Flávio se complicou porque, ora vejam!, é adversário dos fatos. Daqui a pouco alguém ainda tem uma ideia: “Vamos retomar a agenda de polícia e a caça ao Supremo, ou nosso homem ainda perde a eleição. E lá ficaremos nós sem nosso projeto de fascismo que consideramos ‘amigável e sorridente’.”
O candidato do PL e seu coordenador político, senador Rogério Marinho (PL-RN), querem encarcerar crianças de 14 anos e choram quando pensam em golpistas presos… Lembro-me do poema “Anedota Búlgara”, de Drummond:
Mas quando é que houve um miserável impedimento? Nunca. Convém não confundir a pregação de golpe de Estado com exercício da divergência, não é mesmo? Há coisas que chegam a ser risíveis. No domingo, no dia do grande ato dos eleitores de Lula na Paulista, um grupo de jovens resolveu pichar uma estação do metrô. O ora ultrarreacionário Tarcísio de Freitas, com fama de “moderado” na mídia, gravou um vídeo em que se referiu — sei lá se sabia o que estava dizendo ou se foi pautado por algum assessor com ou sem o concurso da IA — ao “paradoxo da tolerância”, de Karl Popper, na obra em dois volumes “A Sociedade Aberta e Seus Inimigos”.
Em síntese: os democratas não podem tolerar os que tentam solapar o regime justamente em nome da tolerância porque fazê-lo significa aceitar a premissa da intolerância. E não é que o homem que defende anistia para os golpistas se mostra, então, severíssimo com pichadores — e não penso que devam ser adulados —, mas passa a mão na cabeça dos que tentaram pôr fim à democracia, um plano que contemplava até o assassinato de Lula, Alckmin e Alexandre de Moraes?
Já recomendei aqui um livro de 1980: “Friendly Fascism: The New Face of Power in America”. É o fascismo que volta com um “sorriso”, com cara “amigável”. Mas, sabemos todos, se precisar, fuzila, como se viu em São Paulo.
Ora, senhor Tarcísio, os golpistas é que não podiam ser tolerados, não é mesmo?, segundo os fundamentos expostos por Popper. Ah, claro: se não leu, não cite.
Não sei quem vai vencer no dia 25. Mas é fato que a própria imprensa só começou a cuidar de eleição propriamente depois do primeiro turno — e, ainda assim, antecipando o desastre de Lula. A mobilização da rua petista está obrigando-a a falar do pleito. Desde que André Mendonça quebrou o sigilo da investigação ilegal que mandou fazer contra Alexandre, Paulo Gonet e Andrei Rodrigues, o jornalismo político não cuidou de outra coisa. Melhor para Flávio, não?, que tem um programa oculto.
Até agora, ninguém sabe onde ele vai aplicar o seu “tesouraço” que tanto encanta os mercados. Mendonça e Kássio não querem que os adversários do senador sugiram que os cortes serão feitos na área social, embora isso tenha sido vazado para a imprensa por gente da própria campanha para testar reações. O Flávio que diz que vai pôr fim à era petista só prometeu aumento de gastos. Adolfo Sachsida, um de seus coordenadores econômicos, diz que a revolução dos gastos sairá do enxugamento dos ministérios e do corte de supersalários. É uma piada.
Em suma: bastou a cobertura política falar um pouco de política, e Flávio se complicou porque, ora vejam!, é adversário dos fatos. Daqui a pouco alguém ainda tem uma ideia: “Vamos retomar a agenda de polícia e a caça ao Supremo, ou nosso homem ainda perde a eleição. E lá ficaremos nós sem nosso projeto de fascismo que consideramos ‘amigável e sorridente’.”
O candidato do PL e seu coordenador político, senador Rogério Marinho (PL-RN), querem encarcerar crianças de 14 anos e choram quando pensam em golpistas presos… Lembro-me do poema “Anedota Búlgara”, de Drummond:
Era uma vez um czar naturalista
que caçava homens.
Quando lhe disseram que também se caçam borboletas e andorinhas,
ficou muito espantado
e achou uma barbaridade.
que caçava homens.
Quando lhe disseram que também se caçam borboletas e andorinhas,
ficou muito espantado
e achou uma barbaridade.

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