O que repercute nas plataformas digitais pauta o que a imprensa tradicional publica, e vice-versa. O leitor de ambos os espaços diz confiar mais no que lê nos veículos tradicionais, mas não larga o celular para saber, se possível minuto a minuto, o que está em discussão nas redes.
Não é de hoje que os grandes veículos de comunicação se opõem com ferocidade a Lula e ao PT, buscando varrê-los do poder. Trata-se de uma questão ideológica, mas não apenas isso. É também uma questão de alinhamento com as fontes que os remuneram e que enriquecem seus proprietários.
O surgimento da internet agravou a crise financeira em que a imprensa já vivia, e hoje ela tenta sobreviver a duras penas. Como não soube — e continua sem saber — se reinventar, ela acaba, na maioria das ocasiões, mandando às favas os princípios e valores que sempre disse cultivar.
Por ser uma meta impossível, o jornalismo nunca foi totalmente imparcial, por mais que apregoe o contrário ou que essa seja a meta ideal. Cobra-se dele, pelo menos, que seja honesto. No passado, nem tão distante assim, havia um esforço sincero para tentar separar a produção de notícias da produção de anúncios. Hoje, infelizmente, está tudo misturado. Quem perde com essa fusão são os leitores, cuja maioria permanece desconhecendo a realidade.
O paradoxo entre a melhora na vida real e o pessimismo na percepção pública é o sintoma claro de uma sociedade hiperinformada, mas profundamente desorientada. Enquanto o jornalismo não resgatar sua honestidade essencial, o brasileiro continuará refém de uma realidade que ele vive diariamente, mas na qual é ensinado a não acreditar.

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