sábado, 26 de setembro de 2015
Nenhuma presidência vale tanto
A submissão da presidente Dilma às exigências do PMDB rachado e dividido constitui apenas um capítulo nessa novela de horror, mas só pode ter uma explicação: Madame tem medo do impeachment. Para evitá-lo, fará qualquer coisa. Dispõe-se a humilhações, avanços e recuos. Aceita imposições e imobiliza seu governo, mais do que vinha acontecendo antes de optar pela reforma do ministério. Quer suprimir dez pastas, mas não sabe quais, definindo ora umas, ora outras, ao sabor do fisiologismo de seus aliados. Viajou para os Estados Unidos sem saber quantos ministros vão sair ou vão ficar. Nem quais os escolhidos. Quando retornar, o dia seguinte terá ficado pior do que a véspera, por conta de outras tantas trapalhadas e lambanças.
Nenhuma presidência vale tanto. Melhor faria Dilma se pedisse para sair, preservando o resto de honra que ainda possui. Com o país envolto em agudos índices de desemprego, o dólar alcançando patamares raras vezes registrados, o custo de vida aumentando em níveis sombrios, elevando-se o índice de impopularidades pela criação de mais impostos, sempre sacrificando a população – quais os dividendos que a presidente imagina tirar de performance tão negativa?
Dela, cada iniciativa redunda em fracasso. Seus aliados fogem, quando não a estão traindo. Seus ministros omitem-se. Seu partido evaporou. Pergunta-se porque ainda insiste. Se é para permanecer no palácio do Planalto às custas de tantos dissabores, melhor faria se reconhecesse a impossibilidade de seguir adiante. Não deu certo. Essas coisas acontecem, importa reconhecer a derrota e tirar dela efeitos ainda capazes de poupar sua biografia.
Do jeito que as coisas vão, o risco é da desagregação nacional. Haverá que recomeçar, sob outra direção. O governo dos trabalhadores demonstra não ser dos trabalhadores e nem ser governo. Tornou-se um aglomerado de fracassos, faltando-lhe programas, planos e estruturas. Lembra as ruínas de uma cidade assolada por formidável terremoto. Impossível reconstruí-la, preferível erigir outra, em outro terreno, sem o governo atual. Antes que as instituições afundem, reformá-las. Trabalhadores, empresários, classe média, intelectuais, funcionários públicos, religiosos, jornalistas, militares, estudantes, até políticos, estes com vastas exceções, ainda poderiam dedicar-se à reconstrução, se unidos. Mas sem a equipe responsável pela queda. A começar por ela.
Dela, cada iniciativa redunda em fracasso. Seus aliados fogem, quando não a estão traindo. Seus ministros omitem-se. Seu partido evaporou. Pergunta-se porque ainda insiste. Se é para permanecer no palácio do Planalto às custas de tantos dissabores, melhor faria se reconhecesse a impossibilidade de seguir adiante. Não deu certo. Essas coisas acontecem, importa reconhecer a derrota e tirar dela efeitos ainda capazes de poupar sua biografia.
Do jeito que as coisas vão, o risco é da desagregação nacional. Haverá que recomeçar, sob outra direção. O governo dos trabalhadores demonstra não ser dos trabalhadores e nem ser governo. Tornou-se um aglomerado de fracassos, faltando-lhe programas, planos e estruturas. Lembra as ruínas de uma cidade assolada por formidável terremoto. Impossível reconstruí-la, preferível erigir outra, em outro terreno, sem o governo atual. Antes que as instituições afundem, reformá-las. Trabalhadores, empresários, classe média, intelectuais, funcionários públicos, religiosos, jornalistas, militares, estudantes, até políticos, estes com vastas exceções, ainda poderiam dedicar-se à reconstrução, se unidos. Mas sem a equipe responsável pela queda. A começar por ela.
Crime de Estado
O Brasil é tão afortunado que não precisa dos outros para ser supliciado, amordaçado, sofrer o diabo, pagar na carne. Graças a Deus, o inimigo são os patriotas de carteirinha: as zelites de direita e a esquerda festiva.
Quem conta com tanta gente endiabrada para tornar o pais o inferno na Terra pode rezar à vontade que não há exorcismo para afastar tais demônios.
O descaramento dos poderes tomou conta do país como a marginalidade impera nas ruas. O cidadão é apenas o filé mignon para alimentar essa bandalha.
Está nos títulos do noticiário dia após dia. Os poderes, investidos nas alcunhadas autoridades, não são de servidores públicos mas de meliantes que se servem do público. Aquele antigo e tão elogiado espirito público não incorpora nessa gentalha.
O país hoje não pode se orgulhar de ser uma nação, e nem pensar em ser democracia. Ao gosto dos pelegos, se tornou um sindicato do crime com direito a uma hierarquia digna da máfia em seus melhores momentos.
A Chicago de Al Capone é pínto no lixo diante do que se deixou implantar no Brasil. A corrupção das décadas de 1920 e 1930, quando se comprava até juiz, era ínfima diante das cifras brasileiras. Envolvidos no Petrolão embolsaram bem mais do que os 100 milhões de dólares da fortuna de Scarface.
No entanto, a rapina sistemática na Petrobras e o aparelhamento governamental, em todos os níveis, são tratados como crimes de corrupção quando deveriam ser crimes de Estado não só pela magnitude financeira mas por seu imenso poder destruidor da nação.
Basta comparar o que ocorre atualmente na Alemanha quando o governo de Merckel pressiona a Volkswagen para que suas trapalhadas gerenciais não interfiram na estabilidade do país.
Aqui, infinitamente ao contrário, uma estatal foi depenada para satisfazer os poderes políticos de uns poucos partidos, claramente sob os olhares cúmplices de dois presidentes. Entretanto a presidente e seus comparsas insistem que foi um caso de corrupção, agora levado aos tribunais.
Foi e é crime contra o Estado, que os poderes ontem e hoje tentam acobertar como caso policial sob investigação. Mais uma pilantragem de pelegos mafiosos que se acobertaram de uma bandeira de defesa dos pobres para se locupletarem no repartimento de propinas, mas tudo fizeram e fazem para levar os mais necessitados para a sepultara. Não só favoreceram os bancos. Cavaram a sepultura de um país para enterrar a economia de quem sua e trabalha, enquanto bancam as carpideiras vagabundas de bolsos cheios.
Quem conta com tanta gente endiabrada para tornar o pais o inferno na Terra pode rezar à vontade que não há exorcismo para afastar tais demônios.
O descaramento dos poderes tomou conta do país como a marginalidade impera nas ruas. O cidadão é apenas o filé mignon para alimentar essa bandalha.
Está nos títulos do noticiário dia após dia. Os poderes, investidos nas alcunhadas autoridades, não são de servidores públicos mas de meliantes que se servem do público. Aquele antigo e tão elogiado espirito público não incorpora nessa gentalha.
O país hoje não pode se orgulhar de ser uma nação, e nem pensar em ser democracia. Ao gosto dos pelegos, se tornou um sindicato do crime com direito a uma hierarquia digna da máfia em seus melhores momentos.
A Chicago de Al Capone é pínto no lixo diante do que se deixou implantar no Brasil. A corrupção das décadas de 1920 e 1930, quando se comprava até juiz, era ínfima diante das cifras brasileiras. Envolvidos no Petrolão embolsaram bem mais do que os 100 milhões de dólares da fortuna de Scarface.
No entanto, a rapina sistemática na Petrobras e o aparelhamento governamental, em todos os níveis, são tratados como crimes de corrupção quando deveriam ser crimes de Estado não só pela magnitude financeira mas por seu imenso poder destruidor da nação.
Basta comparar o que ocorre atualmente na Alemanha quando o governo de Merckel pressiona a Volkswagen para que suas trapalhadas gerenciais não interfiram na estabilidade do país.
Aqui, infinitamente ao contrário, uma estatal foi depenada para satisfazer os poderes políticos de uns poucos partidos, claramente sob os olhares cúmplices de dois presidentes. Entretanto a presidente e seus comparsas insistem que foi um caso de corrupção, agora levado aos tribunais.
Foi e é crime contra o Estado, que os poderes ontem e hoje tentam acobertar como caso policial sob investigação. Mais uma pilantragem de pelegos mafiosos que se acobertaram de uma bandeira de defesa dos pobres para se locupletarem no repartimento de propinas, mas tudo fizeram e fazem para levar os mais necessitados para a sepultara. Não só favoreceram os bancos. Cavaram a sepultura de um país para enterrar a economia de quem sua e trabalha, enquanto bancam as carpideiras vagabundas de bolsos cheios.

Socialismo de porta de cadeia

O dólar e os termômetros andam apostando corrida para ver quem derrete o Brasil primeiro. Os dois vão perder, porque vilão aqui não tem vez. O país já está sendo desmilinguido pelos heróis do povo. Veja a cena: João Vaccari, o tesoureiro da revolução, é condenado a 15 anos de prisão na Operação Lava-Jato; ao mesmo tempo e no mesmo planeta, o PT vira líder da proibição de doações eleitorais por empresas — exatamente onde Vaccari fez a festa para abarrotar os cofres do partido. Enquanto você olhava para esta cena de moralização explícita, os companheiros no STF enfiavam a faca na Operação Lava-Jato — em mais uma ação heroica para salvar o Brasil da gangue de Sergio Moro.
O Supremo Tribunal companheiro só vai conseguir cozinhar a Lava-Jato se você continuar olhando para a cena errada. Caso contrário, a operação prosseguirá mais abrangente e infernal que um arrastão no Arpoador. Podem fatiar à vontade, podem mandar processo até para o quintal do Sarney, que a maior investigação da história da República haverá de varrer inexoravelmente tudo, como água morro abaixo e fogo morro acima. Mas se você zapear para o Discovery Channel, onde a reforma política do PT está salvando a democracia das garras do capitalismo selvagem, a Lava-Jato poderá virar um retrato na parede de um triplex no Guarujá.
Quem achava que tinha chegado ao fim a capacidade do brasileiro de ser ludibriado pela demagogia coitada, errou feio. Eis que surge o Partido dos Trabalhadores, todo melecado de pixulecos de variados calibres, no centro de uma orgia bilionária onde inventou a propina oficial com doações eleitorais de empresas, propondo o fim das... doações eleitorais de empresas. Você teve que ouvir: o PT quer purificar o processo eleitoral brasileiro, protegendo-o da influência do poder econômico. É o socialismo de porta de cadeia.
O Brasil cai em todas, e não deixaria de cair em mais essa. O companheiro monta em cima, rouba, estupra, enfia a mão na bolsa da vítima tentando arrancar mais uma CPMF, e ao ser pego em flagrante, grita: vamos discutir a relação! A vítima se senta, acende um cigarro, faz um ar inteligente e começa a debater o celibato das empresas no bordel eleitoral. Contando, ninguém acredita.
Boa parte das democracias no mundo permite a doação eleitoral de empresas. E também há várias que não permitem. Evidentemente, o problema não é esse. Os tesoureiros do PT ordenharam todo tipo de empresa no caixa dois do mensalão, no caixa um do petrolão, e saberão atualizar seu manual de extorsão de acordo com qualquer nova legislação vigente. Bandido é bandido — e não é para eles que se legisla. O problema é que o Brasil tem bandidos do bem, progressistas e humanitários. E quando eles gritam contra o poder econômico — mesmo já sendo podres de ricos — os brasileiros se comovem.
Com a missão cumprida, tendo colado o selo oficial de caloteiro na testa do Brasil após 12 anos de pilhagem, o governo popular voltou-se para seu hobby predileto — a “construção de narrativas”, como definiu o filósofo Gilberto Carvalho. Como a narrativa em curso é a de um governo prestes a ser posto na rua, fez-se necessário recorrer aos efeitos especiais. Os companheiros devem ter se perguntado se ainda havia algum otário capaz de embarcar nas suas fantasias de esquerda, e a resposta provavelmente foi: sempre há! Resposta certeira. Com um trabalho impecável da co-irmã OAB (apelidada injustamente de Ordem dos Aloprados do Brasil) e do companheiro Luis Roberto Barroso (o que decidiu que a quadrilha não era quadrilha) o disco voador da moralização eleitoral petista pousou no Supremo.
Como todo disco voador que se preze, ele trazia uma mensagem dos ETs — tornando sumariamente inconstitucionais as doações eleitorais de empresas. Perfeitamente sintonizado com o mundo da Lua (e da estrela), o STF do companheiro Lewandowski assinou embaixo. Spielberg talvez achasse um pouco forte, mas dane-se o Spielberg. Ele entende de ET, não de PT — ou seja: em termos de truques, é uma criança.
E foi assim que o Brasil inteiro se viu de repente coçando a cabeça, como num arrastão de piolhos, tentando entender o que vale e o que não vale nos mandatos vigentes e vindouros. Dá até para imaginar os heróis da luta contra o capitalismo fumando seus charutos diante da TV e fazendo o célebre top-top de Marco Aurélio Garcia: delícia de lambança. Do alto de sua narrativa surrealista, Dilma Rousseff, a presidenta mulher, confirma a manobra do STF e salva a democracia nacional do capitalismo selvagem.
Aí só fica faltando narrar um capítulo da história: os capitalistas selvagens foram assaltados pelos oprimidos e o produto do roubo elegeu Dilma Rousseff, conforme indica a Operação Lava-Jato. A não ser que queira se refundar como cleptocracia, o Brasil terá que mandar os oprimidos selvagens procurar seu final feliz na suíte do companheiro Vaccari.
As desventuras de Dilma na Terra do Nunca-Jamais
O Brasil é uma nação muito estranha, que pode ser comparada à Terra do Nunca-Jamais, das aventuras de Peter Pan. Aqui, também as coisas acontecem em ritmo de faz-de-conta, vive-se mais na fantasia do que na realidade. Agora, por exemplo, perde-se um tempo enorme discutindo se deve ser proibida a doação de empresas às campanhas eleitorais. A Câmara dos Deputados aprova uma coisa, o Senado aprova outra e antes que cheguem a uma conclusão, vem o Supremo e põe uma pedra em cima do assunto. E a presidente Dilma já vetou a decisão da Câmara, numa confusão jurídica de péssima qualidade.
Quem acompanha o noticiário fica impressionado e até pensa que a coisa é séria. Na realidade da vida, porém, opera-se de maneira bem diferente. Políticos e empresários estão pouco ligando para a lei. Se for permitida a doação, eles continuam enchendo de dinheiro as campanhas, depositando mais recursos nas contas dos favoritos, é claro. Se for proibida a doação, tudo bem, eles repassam o dinheiro para o Caixa 2 e estamos conversados.
Desculpem dizer o óbvio: para o Brasil ser mais limpo, é preciso apertar a fiscalização, em todos os sentidos. Acontece que os tribunais de contas são órgãos auxiliares do Legislativo, funcionam como uma espécie de confraria de políticos aposentados. Os corpos técnicos são de primeira categoria, escolhidos por concursos públicos, mas a convivência com a lama da política acaba por também os emporcalharem. Assim, os governantes fazem o que bem querem, os tribunais de contas os apóiam, celebra-se a impunidade, e la nave va.
O caso do provável parecer pela rejeição das contas de Dilma Rousseff é apenas uma exceção que confirma a regra. Será preciso erguer uma estátua em homenagem ao ministro-relator Augusto Nardes, formado em administração de empresas no Rio Grande do Sul, com pós-graduação e mestrado em Política do Desenvolvimento pelo Instituto Université d’Études de Genebra, na Suíça.
Vejam o que é o destino. Com a aposentadoria do ministro Humberto Souto em 2004, coube à Câmara dos Deputados indicar o substituto à vaga no TCU e Nardes obteve a indicação do PP. Houve quatro candidatos e, por votação secreta, Nardes venceu com 203 votos, contra 137 votos dados ao deputado José Pimentel (PT-CE), 75 a Osmar Serraglio (PMDB-PR) e 55 a Carlos Nader (PFL-RJ), com 5 votos em branco..
Ou seja, se Nardes não tivesse se candidatado, hoje o ministro-relator das contas de Dilma seria seu correligionário e amigo José Pimentel, que atualmente é líder do PT no Senado. Portanto, as contas do governo já teriam sido aprovadas, o TCU continuaria a mesma podridão e nem se falaria no assunto do impeachment.
Com dizem os árabes, “maktub”. Quer dizer, estava escrito, tinha mesmo de acontecer.
Direto em Dilma e comparsas
Os governantes devem fazer o máximo possível por que todos possam dispor da base mínima material e espiritual para tornar efetiva a sua dignidade e para formar e manter uma família, que é a célula primária de qualquer desenvolvimento social. A nível material, este mínimo absoluto tem três nomes: casa, trabalho e terra. E, a nível espiritual, um nome: liberdade do espírito, que inclui a liberdade religiosa, o direito à educação e os outros direitos civis.
Papa Francisco
O ranço fundo
Bem pra lá do fim do mundo, assisti hoje atentamente ao programa político do PMDB. E também acho que chegou a hora da verdade. Como profissional acostumado a este tipo de discurso político, convido os demais leitores a uma reflexão menos bairrista e acostumada apenas à leitura certinha, feita sempre pelos tucanos da nossa realidade turva: o que há de errado com o discurso peemedebista? Eu não vi absolutamente nada.
Pelo contrário. Vi um discurso coeso, coerente, tranquilo e conciliador. Não vi a oportunista Kátia, por exemplo, a outrora toda-poderosa do alface e da cenoura, metida com a batata até o talo na nau dos insensatos da mulher barbada. Vi o mordomo de turno no melhor papel de sua vida; o papel de sucessor natural dessa mondronga aboletada no poder.
Confesso que cansei de esperar o PSDB ser a oposição mentirosa a tudo isso que estamos assistindo. O Brasil não é a Venezuela e não pode ser uma sucursal da Bolívia, como querem todos estes golpistas do socialismo irmanadinhos na rapina. Se o PMDB se apressou hoje em fatiar o governo, tomando da petralharia alguns postos das casamatas ministeriais que a turba montou para se locupletar no poder, não era o caso de estarmos comemorando?
Que raio de visão turva da realidade é essa, que enaltece os feitos até de um petista convertido no final da vida — coisa que também louvo — e não vê que outros pelotões estão entrando em campo para tirar a mulher barbada da cena? Acho sim que é a hora da verdade. Que ela não nos falte, em troca de uma camisa de time de segunda divisão, um macacão forrado de estatais falidas ou um agasalho de penas de tucano falsas como o socialismo chinfrim que todos eles professam juntinhos.
A esquerda deve ser enterrada por aqui, e com ela suas bolsas-miséria, sua justiça achada no lixo, o aparelhamento pusilânime da coisona pública e o golpe picareta, cacarejado por dez entre dez destes calhordinhas banhados em tinas de sucrilhos. Quer as pessoas aceitem ou não, o PMDB veio muito mais talhado para a missão que seus amiguinhos de outrora, pais do Plano Real e da estabilidade econômica.
Já disse aqui mesmo: pergunte a um tucano e ele lhe dirá que o Plano Real colocou milhões na linha DE CONSUMO. Uma linha sequer gastaram para louvar aqueles que foram ludibriados pelo socialismo picareta e se colocaram na linha DE PRODUÇÃO. Estes foram feitos de otários lá atrás, pelo comecinho da rampa em que nos meteram. Pagaram suas dívidas com o dólar nos mesmos patamares de hoje.
Chega a ser hipócrita dizer que um plano levado a cabo num governo peemedebista é obra e graça tão somente das brilhantes mentes tucanas. Esquece o tucano e conta agora a do papagaio. O que estou dizendo é que os atores até podem não convencer, mas a novela é boa e está bem escrita. Se vão roubar o script mais tarde, acostumados que estão com o troca-troca que se desenrola em Brasília, isto já sou outros quinhentos. Estaremos aqui para bater o mesmo bumbo que serviu para apear petralhas. Bateremos o bumbo com toda força novamente.
No momento, comemoro sozinho o que me parece o cotovelo dessa história; o lugar onde o braço dobra. O discurso que eu queria ouvir já ouvi. Espero que se torne realidade. Para mim, eu desejo mesmo é a esquerda quentinha, ardendo no inferno. Nunca mais vão me enganar novamente. Nunca mais terão meu voto. Nunca mais me convencerão, pelo discurso que não assumiram, pela defesa que não fizeram de nossa combalida cidadania.
Cada vez que saio na rua, vejo a indústria das multas, das placas, das ciclofaixas, o falecido Controlar, o asfalto regurgitado, as tabuletas abatidas, as sacolinhas plásticas exterminadas, os extintores extintos, a tomada de três dedinhos e os reservatórios, secos como o traseiro de um genuíno. E me pergunto: esses caras merecem a minha simpatia? Não a terão novamente. Nunca mais. Escrevam daí que eu já escrevi daqui: pra mim, Esquerda, NUNCA MAIS !!!!
Confesso que cansei de esperar o PSDB ser a oposição mentirosa a tudo isso que estamos assistindo. O Brasil não é a Venezuela e não pode ser uma sucursal da Bolívia, como querem todos estes golpistas do socialismo irmanadinhos na rapina. Se o PMDB se apressou hoje em fatiar o governo, tomando da petralharia alguns postos das casamatas ministeriais que a turba montou para se locupletar no poder, não era o caso de estarmos comemorando?
Que raio de visão turva da realidade é essa, que enaltece os feitos até de um petista convertido no final da vida — coisa que também louvo — e não vê que outros pelotões estão entrando em campo para tirar a mulher barbada da cena? Acho sim que é a hora da verdade. Que ela não nos falte, em troca de uma camisa de time de segunda divisão, um macacão forrado de estatais falidas ou um agasalho de penas de tucano falsas como o socialismo chinfrim que todos eles professam juntinhos.
A esquerda deve ser enterrada por aqui, e com ela suas bolsas-miséria, sua justiça achada no lixo, o aparelhamento pusilânime da coisona pública e o golpe picareta, cacarejado por dez entre dez destes calhordinhas banhados em tinas de sucrilhos. Quer as pessoas aceitem ou não, o PMDB veio muito mais talhado para a missão que seus amiguinhos de outrora, pais do Plano Real e da estabilidade econômica.
Já disse aqui mesmo: pergunte a um tucano e ele lhe dirá que o Plano Real colocou milhões na linha DE CONSUMO. Uma linha sequer gastaram para louvar aqueles que foram ludibriados pelo socialismo picareta e se colocaram na linha DE PRODUÇÃO. Estes foram feitos de otários lá atrás, pelo comecinho da rampa em que nos meteram. Pagaram suas dívidas com o dólar nos mesmos patamares de hoje.
Chega a ser hipócrita dizer que um plano levado a cabo num governo peemedebista é obra e graça tão somente das brilhantes mentes tucanas. Esquece o tucano e conta agora a do papagaio. O que estou dizendo é que os atores até podem não convencer, mas a novela é boa e está bem escrita. Se vão roubar o script mais tarde, acostumados que estão com o troca-troca que se desenrola em Brasília, isto já sou outros quinhentos. Estaremos aqui para bater o mesmo bumbo que serviu para apear petralhas. Bateremos o bumbo com toda força novamente.
No momento, comemoro sozinho o que me parece o cotovelo dessa história; o lugar onde o braço dobra. O discurso que eu queria ouvir já ouvi. Espero que se torne realidade. Para mim, eu desejo mesmo é a esquerda quentinha, ardendo no inferno. Nunca mais vão me enganar novamente. Nunca mais terão meu voto. Nunca mais me convencerão, pelo discurso que não assumiram, pela defesa que não fizeram de nossa combalida cidadania.
Cada vez que saio na rua, vejo a indústria das multas, das placas, das ciclofaixas, o falecido Controlar, o asfalto regurgitado, as tabuletas abatidas, as sacolinhas plásticas exterminadas, os extintores extintos, a tomada de três dedinhos e os reservatórios, secos como o traseiro de um genuíno. E me pergunto: esses caras merecem a minha simpatia? Não a terão novamente. Nunca mais. Escrevam daí que eu já escrevi daqui: pra mim, Esquerda, NUNCA MAIS !!!!
Suprema vergonha!
“Nenhum órgão jurisdicional, portanto, pode se arvorar em juízo universal de todo e qualquer crime relacionado a desvio de verbas para fins político-partidários à revelia das regras de competência. (…) E há Ministério Público, há Polícia Federal, há juiz federal em todos os Estados do Brasil. (…) Só há um juízo no Brasil? Estão todos os outros juízos demitidos de sua competência?”. (Ministro Dias Toffoli votando a favor do fatiamento da Lava-Jato).

A leitura das linhas acima, à luz da trajetória política do referido ministro, é suficiente para perceber o grau de irritação que a operação Lava Jato e, particularmente, o juiz Sérgio Moro, causam às hostes petistas.
Votava-se, na sessão de terça-feira, a fórmula que faria a operação andar no ritmo que convém ao PT e ao governo. Ritmo que serve, também, especialmente, à impunidade , esse permanente privilégio de uns poucos e intolerável ônus para todos os demais. Num país moralmente degradado é assim que as coisas acontecem.
Imaginem, leitores, uma operação com o porte da Lava-Jato, no estágio em que ela se encontra, tendo que repartir processos, partilhar provas, multiplicar audiências em juízos singulares de diversos Estados do país! Tal irracionalidade só encontra respaldo no desconforto que a operação, as investigações e as condenações de primeiro grau vêm causando. Entre os incomodados contam-se quase todos os senhores ministros, em sua quase totalidade, apadrinhados por Lula e Dilma.
A sessão da última quarta-feira do STF serviu para esclarecer, também, episódios passados, relativos às condenações do mensalão. Naquela ação penal, em grau de recurso, por seis votos contra cinco, os ministros decidiram absolver José Dirceu e outros do crime de formação de quadrilha. Lembra-se disso, leitor? O STF puxou o ponto para “dentro da curva” e pôs um fim na questão: aquilo que atuava em tantas áreas do governo e da administração não era quadrilha. Ora, se aquilo não era quadrilha, então, senhores ministros, ela se formou depois do mensalão, depois do julgamento, depois do recurso, com os réus na cadeia, cumprindo suas breves penas. Não é mesmo, excelências? “Baita mico!”, como se diz no Rio Grande do Sul. Primeiro, amaciaram o julgamento final do mensalão. Agora, preventivamente, fatiam a Lava Jato.
O que está para acontecer com essa operação será a suprema vergonha nacional. Ela foi claramente verbalizada pelo ministro Gilmar Mendes: “O que se quer é que os processos saiam de Curitiba e não tenham a devida sequência em outros lugares. É bom que se diga em português bem claro”, sustentou o ministro.
Quando se chega a esses extremos no mais alto escalão do Poder Judiciário, chega também a hora de o povo voltar às ruas, desta vez para ficar.

Votava-se, na sessão de terça-feira, a fórmula que faria a operação andar no ritmo que convém ao PT e ao governo. Ritmo que serve, também, especialmente, à impunidade , esse permanente privilégio de uns poucos e intolerável ônus para todos os demais. Num país moralmente degradado é assim que as coisas acontecem.
Imaginem, leitores, uma operação com o porte da Lava-Jato, no estágio em que ela se encontra, tendo que repartir processos, partilhar provas, multiplicar audiências em juízos singulares de diversos Estados do país! Tal irracionalidade só encontra respaldo no desconforto que a operação, as investigações e as condenações de primeiro grau vêm causando. Entre os incomodados contam-se quase todos os senhores ministros, em sua quase totalidade, apadrinhados por Lula e Dilma.
A sessão da última quarta-feira do STF serviu para esclarecer, também, episódios passados, relativos às condenações do mensalão. Naquela ação penal, em grau de recurso, por seis votos contra cinco, os ministros decidiram absolver José Dirceu e outros do crime de formação de quadrilha. Lembra-se disso, leitor? O STF puxou o ponto para “dentro da curva” e pôs um fim na questão: aquilo que atuava em tantas áreas do governo e da administração não era quadrilha. Ora, se aquilo não era quadrilha, então, senhores ministros, ela se formou depois do mensalão, depois do julgamento, depois do recurso, com os réus na cadeia, cumprindo suas breves penas. Não é mesmo, excelências? “Baita mico!”, como se diz no Rio Grande do Sul. Primeiro, amaciaram o julgamento final do mensalão. Agora, preventivamente, fatiam a Lava Jato.
O que está para acontecer com essa operação será a suprema vergonha nacional. Ela foi claramente verbalizada pelo ministro Gilmar Mendes: “O que se quer é que os processos saiam de Curitiba e não tenham a devida sequência em outros lugares. É bom que se diga em português bem claro”, sustentou o ministro.
Quando se chega a esses extremos no mais alto escalão do Poder Judiciário, chega também a hora de o povo voltar às ruas, desta vez para ficar.
Primavera de fogo
A primavera brasileira chegou com um calor infernal, em perfeita sintonia com o clima político, econômico e judicial.
Um querido amigo comunista ficou indignado quando escrevi que a maior inimiga da corrupção é a privatização e vibrou com o escândalo das fraudes da Volkswagen.
“Rará ! Me diga agora: em matéria de executivos quem são os piores, os da Volkswagen ou da Petrobras?”
A diferença é que os safados da VW fraudaram normas ambientais, enganaram os consumidores e desmoralizaram a companhia, e os da Petrobras, além de encher os próprios bolsos, roubaram e degradaram a empresa para fraudar o processo eleitoral e a democracia, para eternizar no poder um partido político.
Outro amigo, lulista e não muito inteligente, está furioso com os jornalistas “orgânicos” e petistas históricos Ricardo Kotscho e André Singer, ex-porta-vozes de Lula, porque em vez de defenderem os desatinos e ladroeiras do governo Dilma, ousam reconhecer o tamanho da encrenca e do buraco a que nos levaram a “nova matriz econômica" e a gestão desastrosa da gerentona. São vistos como “traidores”. Mas Zé Dirceu, Vaccari, André Vargas e Delúbio são guerreiros do povo brasileiro.
Ele gosta é dos “blogueiros progressistas", pagos com verbas de estatais, que, no desespero pela iminente perda da boquinha, começam a fazer sucesso como humoristas involuntários. Um clássico do humor chapa branca foi a manchete da pesquisa com Dilma rejeitada por 93% da população: "7% apoiam Dilma"... Rsrs.
Minha geração sobreviveu aos desvarios autoritários de Jânio Quadros, aos delírios populistas jango-brizolistas, à brutalidade e intolerância da ditadura, à superinflação e à moratória de Sarney, ao criminoso plano econômico de Collor e ao seu impeachment, mas está puxado aguentar as trapalhadas de Dilma. São anos e anos de trabalho jogados fora e nossas economias virando pó.
Se contar ao meu neto de 19 anos como vivemos e superamos tudo isso, desconfio que ele vá pensar que o vô fumou alguma coisa forte, mas na verdade esses desastres históricos parecem mesmo inacreditáveis. Como Dilma presidenta.
Nelson Motta
sexta-feira, 25 de setembro de 2015
Crônicas macunaímicas
Severos cientistas sociais de óculos de lentes grossas poderiam dizer, em mesas redondas da TV, que estamos vivendo um estado de “anomia” - um país sem rumo, sem bússola, sem projeto.
Alguém que tivesse a alma mais leve de um artista, por exemplo, poderia citar o Manifesto Surrealista de André Breton, no trecho em que ele defende que qualquer controle exercido pela razão seja suspenso, de forma a dar vida à nova arte “alheia a qualquer preocupação estética ou moral”.
Como estamos na terra de Macunaíma, o herói sem nenhum caráter, seria mais apropriado mesmo dizer que isso aqui está “uma bagunça”. É mais fácil de digerir, mais fácil para fazer-se entender, mais adequado ao linguajar popular.
Já não sabemos mais se o governo existe para cumprir a tarefa básica de governar - ou seja, de dirigir os chamados destinos da Nação, através de decisões políticas e econômicas que imprimam um rumo à navegação comum - ou se existe apenas com a finalidade de evitar que deixe de existir de um momento para o outro.
Viver para simplesmente não parar de respirar não é um objetivo muito engrandecedor para nenhum governo, convenhamos. Sobreviver até o fim do mandato deixou de ser um meio para executar um programa e passou a ser um programa de governo em si mesmo.
Alguém que levanta e lê jornal (partindo do pressuposto de que já não soubesse tudo desde a noite anterior, pela TV ou pela internet) tem mais motivos para debater-se contra a escuridão do que encontrar, digamos, um sendeiro luminoso que ajude a entender o que está acontecendo.
O sujeito vai dormir pensando na hecatombe que será o Congresso derrubando todos os vetos presidenciais sob o comando da brigada ligeira do PMDB, inviabilizando as contas do pais pelos próximos séculos, e acorda com a presidente tramando a entrega de quatro ou cinco ministérios àquele mesmo partido que um dia antes não queria saber de ministério nenhum mas que garantiu a manutenção da pilha de vetos.
A Eduardo Cunha, o ferrabrás da pautas- bomba, que ameaça demolir o castelo das contas públicas deixando proliferar sobre a mesa a cornucópia de benesses de todos os deputados clientelistas do Oiapoque ao Chuí, coube a honra de uma conversa ao pé de ouvido. Protagonista: o presidente excelso, honorário e eterno, Luiz Inácio Lula da Silva.
Lula, informam os jornais virtuais e materiais, cochichou a Cunha um pedido para empurrar com a barriga qualquer pedido de impeachment contra Dilma, até que…bem, até qualquer dia que não esteja muito perto, para não atrapalhar, afinal, as articulações do ajuste fiscal e da tal reforma ministerial.
Lula é a favor mas é contra o ajuste fiscal, e enquanto tenta equilibrar essa bola no nariz, como uma foca, articula um novo ministério para sua criatura. O objetivo é transparente: ir ficando, enquanto der. Quanto mais perto de 2018 chegarmos, melhor. E com quanto menos escoriações, melhor também.
Ou seja: Cunha ë inimigo, mas pode ser parceiro também. Tanto que um compadre dele, um certo deputado da Paraíba, Manoel Junior, que já aconselhou Dilma a renunciar, aparece como favorito para o cargo de ministro da Saúde, aquela pasta que se não ajuda em nada a saúde física do brasileiro, oferece luminosas atrações aos vampiros que preferem o sangue à luz.
Bem, onde estávamos mesmo? Ah, ainda não temos ajuste, ainda não temos reforma ministerial, ainda não sabemos se o PMDB assumiu ou não o governo, um terço do governo, metade dele ou o governo inteiro, o dólar sai em louca disparada, e a presidente….
…a presidente? Bem, ela foi a Nova York pedir uma reforma na ONU.
As amargas vão para Dilma
Só os trouxas acreditaram que a reforma ministerial desta semana serviria para aprimorar e enxugar a administração federal, adaptando-a às necessidades do combate à crise econômica. Com a operação de compra, venda e troca de ministérios por votos no Congresso, a presidente Dilma deixa claro que nada mudou. Seu governo continua rezando a Oração de São Francisco e praticando a lambança de aceitar a indicação de ministros sem qualquer relação com as pastas que vão ocupar. Só que a relação dos prováveis escolhidos consegue ficar pior do que a equipe atual, já por si lamentável quando da reforma anterior. Com todo o respeito, diminui o número de ministérios, aumenta o número de incapazes.
Vale evitar o constrangimento de referências nominais, mas importa acentuar a total dissonância entre os novos ministros e as funções para as quais estão sendo nomeados. O grave, nessa histriônica operação, é registrar que Madame não dá a mínima para o critério eficiência. Influenciada pelo Lula, acomodou-se à importância de garantir os votos do PMDB no Congresso para evitar a surpresa do impeachment e garantir a aprovação do pacote de maldades há pouco divulgadas, com a volta da CPMF à frente.
Foi-se a derradeira oportunidade da escolha dos melhores de cada setor, com o ingresso das mesmas nulidades pinçadas num Congresso ávido de indicar ministros comprometidos com interesses partidários. Na sombra, continua dando as cartas o triunvirato composto por Michel Temer, Renan Calheiros e Eduardo Cunha.
Indaga-se o preço da ascensão do PMDB a mais um patamar de poder. Não será, com certeza, elaborar a tal agenda positiva de que tanto se fala. Muito menos assumir parcelas de responsabilidade na queda da performance do governo. As amargas permanecerão debitadas a Dilma. Também, nada mais justo, dadas as trapalhadas que continua produzindo em série.
Inexistem sinais de estar o governo elaborando qualquer programa de combate ao desemprego, que avança em massa. Os arrastões hoje assolando o Rio exprimem apenas uma das muitas faces do mal que assola as camadas menos favorecidas e começa a atingir a classe média. O problema é que as Olimpíadas estão chegando, calculando-se a presença na antiga capital federal de centenas de milhares de turistas. Eles serão presa fácil para as levas de meliantes dispostos a agir nas praias e bairros mais procurados.
Carlos Chagas
Governos apostam em errar
Entre nós tem-se visto governos que parecem absurdamente apostados em errar, errar de propósito, errar sempre, errar em tudo, errar por frio sistema. Há períodos em que um erro mais ou um erro menos realmente pouco conta. No momento histórico a que chegamos, porém, cada erro, por mais pequeno, é um novo golpe de camartelo friamente atirado ao edifício das instituições; mas ao mesmo tempo tal é a inquietação que todos temos do futuro e do desconhecido que cada acerto, cada bom acerto é uma estaca mais, sólida e duradoura, para esteiar as instituições.Eça de Queirós ( 1845 - 1900)
Porres de irresponsabilidade
Um dos mais experientes observadores do Congresso, o ministro Eliseu Padilha diz que, nestes tempos em que lideranças não sabem com quem contar em seus partidos, "nem vaca reconhece bezerro". Aliás, nem os eleitores, porque os parlamentos se transformaram em oceanos de irresponsabilidade assolados por vagalhões de contradições demagógicas. O bem comum foi para o brejo e deu lugar à disputa insana pelo poder. Desgastar os governos, mesmo às custas do suicídio coletivo de Estados e da União, passou a ser a palavra de ordem que move grande parte dos votos nos plenários.
Seja aumento de impostos ou contenção de despesas, linhas ideológicas que votam contra em Brasília votam a favor no Rio Grande do Sul, e vice-versa, porque identificam na presidente ou no governador um adversário a ser destruído, desmoralizado, arrasado sem piedade, mesmo que o desejo de sangue político leve a economia e o povo de roldão. Coerência zero. Com saudáveis exceções, os parlamentares desfilam para as arquibancadas neste Carnaval do populismo, distantes da maioria silenciosa que alimenta o rancor em casa e volta e meia o destampa em grandes manifestações.
Em democracias maduras, o parlamento fiscaliza e obstrui os gastos públicos. Cada proposta de despesa é esquadrinhada em comissões e espremida até ser derrubada ou finalmente seguir em frente. Os eleitores desses países valorizam quem defende seus impostos com ardor e rejeitam vendedores da ilusão de que dinheiro público jorra de uma fonte mágica. Em suma, em ambientes de responsabilidade fiscal, o Executivo tenta executar novos programas e gastar mais, enquanto os parlamentares se esforçam em travar desperdícios.
Por aqui, nem uma coisa, nem outra. Só agora, depois de exaurir as burras estatais em farras de reajustes, benesses e juros de dívidas contraídas para pagar os reajustes, as benesses e mais dívidas, os governos federal e estaduais estão começando a acordar para a realidade do aqui se faz, aqui se paga. O porre de hoje é a ressaca de amanhã, mas os parlamentos ainda vivem embriagados pela noção de que perderão eleitorado se disserem não aos excessos. O resultado é que a classe política toda, com levianos e responsáveis misturados, acaba como alvo do rancor generalizado. Mas é preciso abrir o olho antes que seja tarde: os que aplaudem agora o extermínio de governos pela via da bancarrota não se levantarão depois para defender os parlamentos irresponsáveis.
Seja aumento de impostos ou contenção de despesas, linhas ideológicas que votam contra em Brasília votam a favor no Rio Grande do Sul, e vice-versa, porque identificam na presidente ou no governador um adversário a ser destruído, desmoralizado, arrasado sem piedade, mesmo que o desejo de sangue político leve a economia e o povo de roldão. Coerência zero. Com saudáveis exceções, os parlamentares desfilam para as arquibancadas neste Carnaval do populismo, distantes da maioria silenciosa que alimenta o rancor em casa e volta e meia o destampa em grandes manifestações.
Em democracias maduras, o parlamento fiscaliza e obstrui os gastos públicos. Cada proposta de despesa é esquadrinhada em comissões e espremida até ser derrubada ou finalmente seguir em frente. Os eleitores desses países valorizam quem defende seus impostos com ardor e rejeitam vendedores da ilusão de que dinheiro público jorra de uma fonte mágica. Em suma, em ambientes de responsabilidade fiscal, o Executivo tenta executar novos programas e gastar mais, enquanto os parlamentares se esforçam em travar desperdícios.
Por aqui, nem uma coisa, nem outra. Só agora, depois de exaurir as burras estatais em farras de reajustes, benesses e juros de dívidas contraídas para pagar os reajustes, as benesses e mais dívidas, os governos federal e estaduais estão começando a acordar para a realidade do aqui se faz, aqui se paga. O porre de hoje é a ressaca de amanhã, mas os parlamentos ainda vivem embriagados pela noção de que perderão eleitorado se disserem não aos excessos. O resultado é que a classe política toda, com levianos e responsáveis misturados, acaba como alvo do rancor generalizado. Mas é preciso abrir o olho antes que seja tarde: os que aplaudem agora o extermínio de governos pela via da bancarrota não se levantarão depois para defender os parlamentos irresponsáveis.
Moro: 'O futuro da Lava Jato não está garantido'

Um dia após sofrer derrota no Supremo Tribunal Federal, que tirou de suas mãos parte dos inquéritos da Lava Jato, o juiz Sérgio Moro se reuniu com empresários em São Paulo. Sem comentar diretamente a decisão da corte, o magistrado afirmou que existe o risco de que a operação “caia no esquecimento”. A decisão do STF, criticada pela Procuradoria da República e pelo próprio Moro em um de seus despachos, transferiu para São Paulo um dos processos da operação, o que abriu precedente para que advogados tentem tirar outros inquéritos de Curitiba – e de Moro. Ele participou nesta quinta-feira de um almoço organizado pelo Lide, o grupo empresarial presidido por João Dória Júnior, um dos pré-candidatos do PSDB à Prefeitura de São Paulo. Foi ovacionado mais de uma vez pelos mais de 500 presentes. As grandes construtoras agora alvo da Lava Jato, que no passado já foram homenageadas por eventos do grupo, estavam ausentes.
Moro usou como analogia sua grande inspiração, a operação Mãos Limpas, desencadeada pela procuradoria de Milão nos anos de 1990 para combater a corrupção no Governo italiano, para afirmar que o futuro da Lava Jato corre perigo. “De 1992 a 1994, a Mãos Limpas teve uma importância tremenda, mais do que a Lava Jato tem hoje em dia”, afirmou, citando os mais de 4.500 investigados e 800 presos na ação italiana. No entanto, continuou o juiz, “depois de 1995 houve uma reação significativa do poder político, que eliminou ganhos da operação”. De acordo com ele, foram aprovadas leis que favoreceram os suspeitos: “O resultado foi que 40% dos 4.500 investigados foram beneficiados por leis de anistia ou com a prescrição do caso”, diz.
O exemplo, segundo ele, “é importante para mostrar que o futuro [da Lava Jato] não está garantido”. Moro disse ainda que muita gente o parabeniza nas ruas pelo trabalho feito no caso, e falam que a Lava Jato vai mudar o país. “Não acredito nisso, só mudará o país se houver mudanças reais no âmbito da iniciativa privada e das instituições públicas”, disse, defendendo em seguida o projeto de lei do Ministério Público Federal intitulado Dez Medidas Contra a Corrupção. Ainda em fase de coleta de assinaturas para ser enviado ao Congresso, o texto facilita repatriação de recursos de investigados por corrupção, além de dificultar a prescrição dos crimes. “O empresariado precisa apoiar essas medidas, até porque não acarretam aumento do gasto público”, afirmou.
'Não saio daqui: Não devo nada. Não fiz nada de errado'
O país tornou-se um espectro do que já foi. Há mais de duas décadas as expectativas em torno da economia nacional não andavam tão baixas. Foi tanta coisa errada ao longo dos últimos 13 anos, tanto abuso praticado com os recursos dos contribuintes, tanta corrupção, que cresce no país a ideia segundo a qual está em curso um plano maligno, ainda mais maligno do que o resultado obtido até aqui. Quem sustenta essa opinião está convencido (e tem bons motivos para estar) que tamanho desastre exige cuidadoso planejamento e primorosa execução.
A frase que dá título a este artigo sustenta a tese. Bem entendida, vale por uma confissão. Se a presidente nada fez de errado, então fez tudo certo e as ações de seu governo, de seus auxiliares diretos e de seu partido levaram o país deliberadamente ao caos (e ainda há quem afirme que “golpe” é propor seu impeachment!). Na outra hipótese, ela não tem ideia do que diz nem do que fez e supôs que o Brasil fosse uma lojinha de tudo por R$ 1,99. Nesse caso, quem a indicou para presidir a república tinha que estar enfiado em camisa-de-força. Dilma desmente a tese segundo a qual cada povo tem o governo que merece. Eu sei, o povo brasileiro elegeu quatro governos petistas, de corrida, um atrás do outro. Mas nem por isso merece tamanho castigo.
Malgrado o caos que se instalou no país, o completo desacerto do governo em relação ao modo de enfrentar a situação, a presidente agarra-se ao cargo como se sua permanência fosse mais importante do que o bem do país. O afastamento voluntário, pelo qual a nação anseia, torna-se impensável por exigir grandeza moral que não encontra medida na régua petista.
Diante de tudo que se sabe, parece inadmissível não haver previsão legal para fundamentar um processo político de impeachment contra quem deteve e detém poder de mando e função de controle sobre o corpo e o espírito do governo. Como pode não ser crime de responsabilidade comandar uma administração onde a probidade era a exceção? Como pode não ser crime de responsabilidade atentar contra a lei orçamentária? São perguntas que se faz todo cidadão medianamente informado. Então vale a informação: tudo isso é crime, sim, em todas as leis que tratam da matéria, como muito bem está salientado no pedido de impeachment formulado pelos juristas Hélio Bicudo e Miguel Reale Jr.
Volto, então, à frase do título. Ou a presidente tem responsabilidade, ou é irresponsável. Em nenhum dos dois casos deve permanecer no cargo por sobradas razões jurídicas e políticas. Isso para não mencionar a dignidade nacional nem as urgências sociais e econômicas.
Percival Puggina

Malgrado o caos que se instalou no país, o completo desacerto do governo em relação ao modo de enfrentar a situação, a presidente agarra-se ao cargo como se sua permanência fosse mais importante do que o bem do país. O afastamento voluntário, pelo qual a nação anseia, torna-se impensável por exigir grandeza moral que não encontra medida na régua petista.
Diante de tudo que se sabe, parece inadmissível não haver previsão legal para fundamentar um processo político de impeachment contra quem deteve e detém poder de mando e função de controle sobre o corpo e o espírito do governo. Como pode não ser crime de responsabilidade comandar uma administração onde a probidade era a exceção? Como pode não ser crime de responsabilidade atentar contra a lei orçamentária? São perguntas que se faz todo cidadão medianamente informado. Então vale a informação: tudo isso é crime, sim, em todas as leis que tratam da matéria, como muito bem está salientado no pedido de impeachment formulado pelos juristas Hélio Bicudo e Miguel Reale Jr.
Volto, então, à frase do título. Ou a presidente tem responsabilidade, ou é irresponsável. Em nenhum dos dois casos deve permanecer no cargo por sobradas razões jurídicas e políticas. Isso para não mencionar a dignidade nacional nem as urgências sociais e econômicas.
Percival Puggina
Não pergunto a quem vem, de alguma forma, me ajudar numa luta, a razão de ter demorado. Se preciso da ajuda, se o essencial é a luta que travo ─ e o essencial é exatamente isso ─, não me atenho com quando ou como. Talvez não seja como eu tenha desejado, talvez não tenha sido quando eu pedi, talvez nem seja suficiente, mas a coisa está aí e pronto. Claro, sempre saberemos quem são os combatentes de primeira hora e a partilha com eles é de outra qualidade; dos tardios, quero apenas o essencialValentina de Botas
Lava Jato: STF do PT entra no verbete 'Dividir para conquistar'

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quarta-feira desmembrar a investigação contra a senadora Gleisi Hoffmann, do PT do Paraná, hoje concentrada nas mãos do ministro Teori Zavascki. Com o entendimento de que o caso da petista não está diretamente conectado ao petrolão, outro ministro deverá analisar as denúncias - José Dias Toffoli foi o escolhido. Outra parte da apuração, que não envolve políticos com mandato, será remetida para a Justiça de primeira instância, em São Paulo.
O inquérito 4130, integra a operação “lava jato” e no qual são investigados a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), o ex-ministro das Comunicações Paulo Bernardo e outros acusados sem foro por prerrogativa de função.
Por 8 votos a 2, o Supremo decidiu tirar o processo que investiga a ex-ministra da Casa Civil do governo Dilma, Gleisi Hoffmann, da relatoria de Teori. Por 7 a 3, o caso foi tirado das mãos de Sergio Moro.
A maioria do Supremo entendeu que, apesar de os fatos envolvendo a senadora terem surgido no âmbito da operação Lava Jato e tenham sido delatados por um mesmo colaborador ou tenham conexão, não significa que precisam estar atrelados ao mesmo juiz.
Vencido, o ministro Gilmar Mendes, votou dizendo que não se tratava de questão técnica processual, “mas algo que pode beneficiar quem tiver esse beneplácito” do desmembramento. Ele afirmou que a “pura e simples” divisão pode estar comprometendo o processo penal.
Ou seja: a Lava Jato sofreu uma pernada de anão para ser encaminhada para a pizzaria do PT.
Demorou mas fizeram no STF o que o PT sabe fazer de melhor: dividir para conquistar.
Dividir para conquistar (ou dividir para reinar) (derivado grego: διαίρει καὶ βασίλευε), é ganhar o controle via fragmentação das maiores concentrações de poder, impedindo que se mantenham individualmente.
O conceito refere-se a uma estratégia que tenta romper as estruturas de poder existentes e não deixar que grupos menores se juntem.
Dividir para conquistar foi utilizado pelo governante romano César (divide et impera), Filpe 2 da Madedônia e por ninguém menos que Napoleão(divide ut regnes). Aulo Gabíneo também repartiu a nação judaica em cinco para poder dominar, relata Flavio Josefo em A Guerra dos Judeus.
Maquiavel cita uma estratégia militar parecida no livro IV de Dell'arte della guerra: para Maquiavel, “ um capitão deve se esforçar ao máximo para dividir as forças do inimigo, seja fazendo-o desconfiar dos homens que confiava antes ou dando-lhe motivos para separar suas forças, enfraquecendo-as”.
O STF do PT entra para a história das enciclopédias, contribuindo armagedonicamente para o verbete “Dividir para conquistar"
O inquérito 4130, integra a operação “lava jato” e no qual são investigados a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), o ex-ministro das Comunicações Paulo Bernardo e outros acusados sem foro por prerrogativa de função.
Por 8 votos a 2, o Supremo decidiu tirar o processo que investiga a ex-ministra da Casa Civil do governo Dilma, Gleisi Hoffmann, da relatoria de Teori. Por 7 a 3, o caso foi tirado das mãos de Sergio Moro.
A maioria do Supremo entendeu que, apesar de os fatos envolvendo a senadora terem surgido no âmbito da operação Lava Jato e tenham sido delatados por um mesmo colaborador ou tenham conexão, não significa que precisam estar atrelados ao mesmo juiz.
Vencido, o ministro Gilmar Mendes, votou dizendo que não se tratava de questão técnica processual, “mas algo que pode beneficiar quem tiver esse beneplácito” do desmembramento. Ele afirmou que a “pura e simples” divisão pode estar comprometendo o processo penal.
Ou seja: a Lava Jato sofreu uma pernada de anão para ser encaminhada para a pizzaria do PT.
Demorou mas fizeram no STF o que o PT sabe fazer de melhor: dividir para conquistar.
Dividir para conquistar (ou dividir para reinar) (derivado grego: διαίρει καὶ βασίλευε), é ganhar o controle via fragmentação das maiores concentrações de poder, impedindo que se mantenham individualmente.
O conceito refere-se a uma estratégia que tenta romper as estruturas de poder existentes e não deixar que grupos menores se juntem.
Dividir para conquistar foi utilizado pelo governante romano César (divide et impera), Filpe 2 da Madedônia e por ninguém menos que Napoleão(divide ut regnes). Aulo Gabíneo também repartiu a nação judaica em cinco para poder dominar, relata Flavio Josefo em A Guerra dos Judeus.
Maquiavel cita uma estratégia militar parecida no livro IV de Dell'arte della guerra: para Maquiavel, “ um capitão deve se esforçar ao máximo para dividir as forças do inimigo, seja fazendo-o desconfiar dos homens que confiava antes ou dando-lhe motivos para separar suas forças, enfraquecendo-as”.
O STF do PT entra para a história das enciclopédias, contribuindo armagedonicamente para o verbete “Dividir para conquistar"
Pagando a dívida alheia
De. repente estamos todos endividados e inadimplentes - ao menos a maioria de nós brasileiros comuns, sem mansões, nem iates, nem:casas em Miami. Estamos assim porque fomos conclamados, tempos atrás, a consumir. Lembram? Eu não esqueci, e não consumi porque estava mais alerta e menos confiante: "Comprem seu carro! Troquem a geladeira! Comprem TV plana! Não deixem de fazer nada disso; as elites brancas não querem que vocês tenham nada'.
E saíram os brasileiros confiantes e crédulos a consumir - como se consumo, e não investimento de parte do governo, fosse crescimento. Realmente tivemos por um breve período uma sensação nova de confiança e bem-estar. Disseram (e acreditamos) que a miséria tinha sido liquidada no pais; e éramos todos da classe média: quem ganhava mais do que 350 reais era da classe média. Nós nos sentíamos modernos e potentes. Crédito abundante. Generosos prazos. Juros generosos também, mas isso não importava. E, agora, a surpresa: as dívidas. Passamos a endividados e inadimplentes porque obedecemos a quem nos conclamava a gastar, e possivelmente seremos desempregados porque essa ameaça se torna cotidiana.
O Estado que gastou mais do que podia e devia, com gestão equivocada, gastos faraônicos em empreendimentos luxuosos logo abandonados por falta de planejamento, agora nos convoca a pagar também suas dívidas - que não são nossas.
Há poucos dias fomos avisados: a caixa está vazia, o dinheiro do governo acabou, entrou no ralo da imprudência.
Suspendem-se bolsas de estudo, investimentos em saúde e infraestrutura, e abre-se a dura realidade de projetos, comissões, estudos, palavrórios, mas não sabem o que fazer com o Brasil.
Para consertar o que parece inconsertável, corta-se na carne ... sobretudo na nossa. Cortamse benefícios como tempo de trabalho para ter seguro-desemprego, dificultam-se condições para obter aposentadoria, reduzem-se pensões, e aumenta a angústia do povo. Cresce a inflação, sobe o desemprego, combinação fatal. Operários, funcionários, empregados domésticos, gerentes de lojas e de empresas, de repente às voltas com falta de trabalho e excesso de dívidas.
O Estado então pede nossa paciência e compreensão. Mas os brasileiros, sem a mínima segurança, morrendo mais do que em guerras, por toda parte sem escola, nem posto de saúde, nem condições de higiene, esmagados em ônibus velhos e estragados ou descendo do metrô, com problemas para caminhar nos trilhos, não podem ter compreensão; a doença, a inanição, o abandono, a ignorância, não podem esperar; a falta de esperança não pode esperar. Mulheres parindo no chão dos hospitais, doentes terminais sem remédio para suas dores, médicos desesperados porque não há nem aspirina nem água limpa para oferecer, não podem ter paciência. Os estudantes que dependem do Fies, os bolsistas no exterior, por exemplo, não podem esperar.
A explicação fornecida para a crise é de romance: a Europa e os Estados Unidos são os responsáveis, e São Pedro, que faz chover demais numa região e pouco em outra.
Se não formos um povo escolarizado, um povo informado, que lê jornal, assiste a noticiosos, conversa com família, amigos e colegas para saber o que se passa, é assim que seremos tratados. Promessas retumbantes e discursos otimistas e confusos não deviam mais nos enganar. A gente precisa da verdade. Precisa de respeito. Precisa das oportunidades que nos foram tiradas quando nos colocaram entre os últimos do mundo em educação, economia, confiabilidade e outros.
Mas talvez se possa ajudar o Brasil usando as armas mais eficientes que temos, se bem usadas: manifestações ordeiras, não acreditar em promessas vazias, nem dar atenção à dança de políticos que trocam de partidos e convicções, na festa das gavetas que reina no Congresso. E usar o "voto" gesto mínimo e definitivo que pode derrubar g.o estruturas perversas e chamar de volta entre nós as duas irmãs indispensáveis para uma nação soberana: esperança e confiança..
E saíram os brasileiros confiantes e crédulos a consumir - como se consumo, e não investimento de parte do governo, fosse crescimento. Realmente tivemos por um breve período uma sensação nova de confiança e bem-estar. Disseram (e acreditamos) que a miséria tinha sido liquidada no pais; e éramos todos da classe média: quem ganhava mais do que 350 reais era da classe média. Nós nos sentíamos modernos e potentes. Crédito abundante. Generosos prazos. Juros generosos também, mas isso não importava. E, agora, a surpresa: as dívidas. Passamos a endividados e inadimplentes porque obedecemos a quem nos conclamava a gastar, e possivelmente seremos desempregados porque essa ameaça se torna cotidiana.
O Estado que gastou mais do que podia e devia, com gestão equivocada, gastos faraônicos em empreendimentos luxuosos logo abandonados por falta de planejamento, agora nos convoca a pagar também suas dívidas - que não são nossas.
Há poucos dias fomos avisados: a caixa está vazia, o dinheiro do governo acabou, entrou no ralo da imprudência.
Suspendem-se bolsas de estudo, investimentos em saúde e infraestrutura, e abre-se a dura realidade de projetos, comissões, estudos, palavrórios, mas não sabem o que fazer com o Brasil.
Para consertar o que parece inconsertável, corta-se na carne ... sobretudo na nossa. Cortamse benefícios como tempo de trabalho para ter seguro-desemprego, dificultam-se condições para obter aposentadoria, reduzem-se pensões, e aumenta a angústia do povo. Cresce a inflação, sobe o desemprego, combinação fatal. Operários, funcionários, empregados domésticos, gerentes de lojas e de empresas, de repente às voltas com falta de trabalho e excesso de dívidas.
O Estado então pede nossa paciência e compreensão. Mas os brasileiros, sem a mínima segurança, morrendo mais do que em guerras, por toda parte sem escola, nem posto de saúde, nem condições de higiene, esmagados em ônibus velhos e estragados ou descendo do metrô, com problemas para caminhar nos trilhos, não podem ter compreensão; a doença, a inanição, o abandono, a ignorância, não podem esperar; a falta de esperança não pode esperar. Mulheres parindo no chão dos hospitais, doentes terminais sem remédio para suas dores, médicos desesperados porque não há nem aspirina nem água limpa para oferecer, não podem ter paciência. Os estudantes que dependem do Fies, os bolsistas no exterior, por exemplo, não podem esperar.
A explicação fornecida para a crise é de romance: a Europa e os Estados Unidos são os responsáveis, e São Pedro, que faz chover demais numa região e pouco em outra.
Se não formos um povo escolarizado, um povo informado, que lê jornal, assiste a noticiosos, conversa com família, amigos e colegas para saber o que se passa, é assim que seremos tratados. Promessas retumbantes e discursos otimistas e confusos não deviam mais nos enganar. A gente precisa da verdade. Precisa de respeito. Precisa das oportunidades que nos foram tiradas quando nos colocaram entre os últimos do mundo em educação, economia, confiabilidade e outros.
Mas talvez se possa ajudar o Brasil usando as armas mais eficientes que temos, se bem usadas: manifestações ordeiras, não acreditar em promessas vazias, nem dar atenção à dança de políticos que trocam de partidos e convicções, na festa das gavetas que reina no Congresso. E usar o "voto" gesto mínimo e definitivo que pode derrubar g.o estruturas perversas e chamar de volta entre nós as duas irmãs indispensáveis para uma nação soberana: esperança e confiança..
Lya Luft
Como o aquecimento global pode mudar o mapa
No pior cenário, completo derretimento das camadas de gelo de Antártida e Groenlândia elevaria mar em 60 metros. Continentes mais afetados seriam Ásia e Europa. Holanda, Bangladesh e várias capitais brasileiras sumiriam.
![]() |
| Região Metropolitana do Rio e Região dos Lagos fluminense |
De acordo com um estudo recém-publicado pelo Instituto Potsdam para Pesquisa do Impacto Climático , a temperatura global pode subir em média 12 graus Celsius caso todos os recursos de combustíveis fósseis sejam esgotados na Terra. Isso resultaria no derretimento completo das camadas de gelo que cobrem a Antártida e a Groenlândia.
Embora o aumento de temperatura não deva acontecer repentinamente, a manutenção do atual comportamento da sociedade pode mudar a face da Terra, afirma Ricarda Winkelmann, principal autora do estudo alemão.
Segundo o estudo, caso todos os recursos disponíveis de combustíveis fósseis sejam queimados, a camada de gelo da Antártida entrará em colapso. Consequentemente, o nível do mar subiria três centímetros por ano. O ápice – depois de vários milhares de anos – seria de 58 metros, que corresponde à quantidade de todo o gelo derretido. Europa e Ásia seriam as regiões mais afetadas.
No norte da Europa, a Holanda seria completamente engolida pelo mar. As cidades alemãs de Hamburgo e Berlim estariam completamente submersas. E a costa alemã se moveria para aproximadamente 400 quilômetros ao sul. A Dinamarca ficaria reduzida a um minúsculo país insular. Veneza estaria submersa – apesar de todas as barragens para impedir inundações.
"Se quisermos que futuras gerações passeiem em cidades como Tóquio, Hong Kong, Xangai, Rio de Janeiro, Hamburgo ou Nova York, precisamos evitar o derretimento na Antártida Oriental", diz Andres Levermann, coautor do estudo do instituto de Potsdam, acrescentando que isso só poderia ser feito parando as emissões de gases do efeito estufa.
A Ásia seria o continente mais atingido. Todo o país de Bangladesh, que conta com uma população de 180 milhões de habitantes, ficaria submerso. Além disso, as cidades de Cingapura, Hong Kong, Xangai e Pequim não existiriam mais.
Se o aquecimento global pudesse ser contido em 2 graus Celsius, o nível do mar subiria cerca de um metro – o que ainda seria aceitável, segundo os autores do estudo. Mas mesmo assim, pequenos Estados insulares com as Ilhas Maldivas e Tuvalu desapareceriam da face da Terra.
No site geology.com é possível verificar os efeitos da subida do nível do mar em todas as regiões do globo terrestre. No Brasil, por exemplo, capitais como Porto Alegre, Florianópolis, Rio de Janeiro, Vitória, Salvador, Aracaju, Maceió, João Pessoa, Natal, Fortaleza, São Luís, Belém, Macapá e Manaus ficariam completamente ou parcialmente submersas. As maiores invasões de água aconteceriam na Bacia Amazônia e na Bacia Platina, incluindo o litoral gaúcho.
Assinar:
Postagens (Atom)




