(Foto: NLE)
quinta-feira, 27 de março de 2014
Projeto nota 10
(Foto: NLE)
Importa-me
Importa-me
este engraxate.
Porque
tem oito anos.
Porque
sua primeira carícia foi para um sapato.
Porque
ajoelha por uma moeda.
Porque
limpa o sapato até refletir a vida toda.
Porque
seus sonos cheiram a graxa.
Importa-me
porque este mundo é um sapato sujo
e é
preciso limpá-lo bem.
quarta-feira, 26 de março de 2014
O prejuízo da Copa
O jogo da bola - Cândido Portinari
A euforia econômica da Copa parece não ser
a mesma entre governos e empresas, em particular as do pequeno empresário. Os
idiotas de plantão garantem que tal evento esportivo pode dar uma arrancada no
progresso. Esquecem que nenhum governo completou a carta de intenções assinada
com a Fifa, nem vai cumprir no dia de São Nunca. Fizeram mal e porcamente, com
superfaturamento, estádios para populações esportivas imensuráveis. E se dão
por satisfeitos. Agora partem para embrulhar uma Copa das Copas num papel de
alavancadora da economia. Novamente só os salafrários aplaudem (também porque
muitos ganham só para isso).
Os efeitos da Copa vão atrapalhar a
economia dos pequenos negócios, não há dúvida. Feriados e pontos facultativos
são fatais para o comércio, em particular, sem receita com tais eventos que só
movimentam mesmos setores de serviços, hotelaria e alimentação. Falar, com a
boca cheia de farofa, em jorro de dinheiro dos turistas para os pequenos
empresários é empulhação. Turista esportivo sequer vai gastar em supermercado,
em cinema, em teatro, em papelaria ou mesmo no camelódromo, sequer pensa em
entrar na lojinha da esquina.
Pesquisa Datafolha, a pedido do Sindicato
da Pequena Indústria do Estado, mostra que pouco mais da metade 51% dos micro e
pequenos industriais paulistas apontam para prejuízos e 49% dizem que poderá
ser mais nocivo do que benéfico para os negócios. A situação não está nada boa
para o setor. A pesquisa ainda registra que 18% deixaram de pagar impostos em
fevereiro, 10% não acertaram dívidas financeiras e 8% não pagaram fornecedores.
E a situação tende a piorar caso se confirmem as expectativas de vendas nada
boas para a Copa. Em vez de goleada, a economia vai levar uma chinelada.
terça-feira, 25 de março de 2014
A boa ideia e o mau uso
Todo dia é dia de livro para a população.
Basta acompanhar o noticiário em notinhas ou matérias que sempre se fala de
entrega de livros às bibliotecas ou de realização de feiras populares. Estão
lá, quando doações, o custo e o número de obras distribuídas e os pontos. A
ação é feita nas esferas estadual e municipal de grandes e pequenas regiões,
independente de partido.
O que chama a atenção é o descaso das
prefeituras fluminenses com projetos como o Mais Leitura, que oferece livros
novos a preços populares, entre R$ 2 e R$ 4. O Mais Leitura itinerante teve
início em setembro de 2013 e já vendeu mais de 150 mil livros. O “lojão” é um
estande de 48
metros quadrados que vem percorrendo diferentes
municípios fluminenses. No local são comercializados mais de 700 títulos de
cerca de 40 editoras parceiras.
Criado em 2011, o projeto conta com quatro
agências fixas instaladas na Região Metropolitana que já vendeu mais de 1
milhão de livros a preços populares.
Apesar
do sucesso, ainda há prefeituras que preferem deixar de lado as parcerias com o
governo estadual e apostarem em subsidiar a custos exorbitantes uma feira
privada com vendas de livros a preços nada populares, favorecendo os
comerciantes de outras localidades ao invés de fortalecer o próprio comércio. No
ano passado, em outubro, uma vilazinha despejou R$ 1 milhão do dinheiro público
para financiar uma dessas feiras ainda com farta distribuição de cupons na rede
pública que iam de R$ 50 para alunos a R$ 200 para secretários se refestelarem
ou usarem como “doação” eleitoreira.
segunda-feira, 24 de março de 2014
A guerra da água
Vive-se
em plena guerra pela água, ao menos entre os governos de São Paulo e do Rio de
Janeiro. Segundo o governador Cabral, em fim de mandato, a "água que
abastece o povo" é intocável. Frase típica de governante farofeiro, que no
próprio estado pouco tratamento dá ao abastecimento. É mais um foguetório para o
“povo”, do qual sai em defesa, mas a quem a empresa estadual de águas vem
negando o abastecimento, ou fazendo as firulas de instalar canos que ainda
viverão anos secos. Ou então, montam a mágica de até construir elevatória em
cidade sem um pingo de água ou em eterna crise de desabastecimento no período Primavera/Verão.
Vila
dos Patos é uma dessas cidades. Com 4%, se chegar a isso, de esgoto – jogado in
natura na lagoa, ou privada pública - e uns 10% de rede de água, vive a
fantasia prometida do Estado. A magia se reforça com a mirabolante buraqueira municipal
que faz propaganda paga pelo erário de se levar água a todo município. Estado e
município continuam a brincar com coisa séria, bancando os bonzinhos com obras
fajutas apenas para garantir votos em eleições sejam elas quais forem. Afinal é
preciso se eleger mesmo que seja a burro-sem-rabo.
E
em meio às batalhas pela água, surge agora a mais nova estrepolia em Vila dos
Patos. O município, se considerando em plenos direitos sobre corpo e alma dos
cidadãos, também se torna “dono” da água no subsolo. Há em vigência um imposto
sobre quem perfurar a partir de agora poço artesiano ou fizer mesmo uma
cacimba. Talvez Vila dos Patos esteja se preparando para criar de vez,
concretamente, a tão propalada Companhia Municipal de Águas com que ameaçou
muito o governo estadual.
Foi ontem ou é hoje?
Há mais semelhanças, que não são meras coincidências, entre a ditadura e os 12 anos de lulismo do que se possa pensar. Não será apenas no setor econômico (leia "Os ecos da ditadura na economia brasileira"), mas também em todos os outros. "Quando o general Médici estava na Presidência, talvez a época mais dura da repressão, ele era popular. A Arena (partido que sustentava os governos militares no Congresso) vencia em toda parte. O povo não estava preocupado com política e queria saber do seu bem-estar" (Fernando Henrique Cardoso). Mera semelhança?Nova bizarrice
Quando político não tem o que falar, enrola. Ou, mais comumente, inventa sandice. Sem faltar, é claro, uma redefinição de termos. Foi o que aconteceu com a faxineira Didi. Para falar qualquer coisa criou uma definição nova para democracia, que de sistema de governo passou a ser quase tudo. "Com muito esforço, conquistamos a democracia. E democracia é saber que esse país é imenso, é diverso, tem diferenças de posições políticas, visões culturais diferentes, mas somos aqueles que convivem entre si de forma harmônica".Fessora falou, falou e não disse nada! (Na claque, aplausos basbaques)
sábado, 22 de março de 2014
O país obscuro
Detalhe Hieronymus Bosch, pseudônimo de Jeroen van Aeken (1450/1516)
O meu país foi uma pátria morta
Que só sabia fechar as portas.
O meu país não me deu conhecimento.
Na escola estudávamos silêncio.
O meu país não soube soletrar meu afeto,
Me matou que eu ainda era feto.
O meu país não foi um país,
Foi um estado de sítio.
E eu vivi em seu coração
Como quem morre no exílio
Miguel Sanches Neto, no livro “Venho de um país obscuro”
sexta-feira, 21 de março de 2014
Máquina de compra de votos
Já foi o tempo de se garantir a boquinha
nos governos e legislativos com dentadura, saco de cimento, caixão e outras
fórmulas bem mais bizarras. A Republiqueta Estrelada solucionou muito bem a
compra de votos descarada. Resolveu acionar a máquina pública para se fantasiar
de projeto social, principalmente a partir de ano pré-eleitoral. Nada daqueles
cabides de emprego e de doações particulares. Agora doam-se, ou melhor, são
entregues às prefeituras maquinários para se fazer obra que nunca sairá do
papel, mas garantem propaganda forte junto às massas. São agrados eleitoreiros
que passam na cara da Justiça, que como sempre fica de olhos vendados. Como
pode proibir uma “doação” tão impactante junto à população? Vai condenar o
beneficiado na ponta? Para não dar tiro no pé, prefere se restringir a ser mais
uma estátua.
Assim o kit Máquina está tratorando em
quatro de cada cinco prefeituras com a distribuição de 7.326 veículos. E antes
das eleições está prevista a entrega de mais 11 mil entre motoniveladora, retroescavadeira e caminhão-caçamba.
***
E falando de máquina, eis uma historinha de tempos bem mais
recentes do que se pensa. Ilustra o que os simpatizantes da Republiqueta
Estrelada são capazes de fazer com máquinas. São as mágicas orgias para
engambelar o povo. Governo de Vila dos Patos anunciou com toda pompa um
convênio (leiam-se cifrões pagos com dinheiro do povo) com uma organização,
sediada a léguas de distância, para desenvolver a piscicultura na região e até
conseguiu a doação de uma máquina para cavar os tanques. Poucos anos são
passados, nem se fala do convênio que custou um bom dinheiro e não deu em nada,
nem sequer sabe-se da tal máquina em que buraco se enfiou, ou foi enfiada. E de
peixe criado nem barrigudinho.
***
Ainda não se esqueça daquele “presente” recebido, por
coincidência, também por Vila dos Patos. O governo da época soltou foguetório,
anunciou por seca e meca o fim da falta de água na cidade. Enfim tinham uma
perfuratriz especialíssima para acabar com o sofrimento da população. A máquina
chegou e aí descobriram que não era para qualquer um operar. Saíram atrás de
contratar um operador. Como era especialista, ganhava mais do que o governo
podia pagar. E lá se foi a solução por água abaixo, pois tinha-se o veículo,
mas ninguém para fazê-lo funcionar. Nenhum poço foi perfurado e a máquina tomou
chá de sumiço. A seca também continuou.
quinta-feira, 20 de março de 2014
quarta-feira, 19 de março de 2014
Futuro escrito no passado
Há uma história perdida por esses cantões que fala de um
sábio pensador, pois pensar não é atributo de sabedoria. O futuro nunca tinha
mistérios para ele. Profetizava com categoria e acertava na mosca. Mais
incrível é não estar nas redes sociais, não ter computador, nem ler jornais ou
ver televisão. Bastava ser informado sobre o que acontecia e logo vinha a
resposta com comentários sobre as conseqüências. Sempre exatos. A pergunta que
não se calava era em que bola de cristal adivinhava o futuro. Era preciso descobrir
o segredo de seus acertos. Nem se imagina o poder dos políticos e dos governantes
com a fórmula mágica nas mãos. De tanto procurarem descobrir o segredo, por
qualquer meio, e certo de que chegariam a qualquer ação para saber como
desvendava o futuro, resolveu falar. – Não há o que esconder, pois tudo está
escrito há séculos nos livros. Basta a cada um ler com olhos de ver e pensar
sobre o que lê. E não mais falou para sempre.
Frase do Dia
"O que há no governo é mais do que má gerência, É uma fé infinita na empulhação, ofendendo a inteligência alheia"Elio Gaspari, "O comissariado destruidor"
segunda-feira, 17 de março de 2014
As plantas e os porcos
Planta viçosa nunca se viu. Imensa ramaria, folhas
aveludadas e coloridas, imensas flores perfumadas. Maciços delas tomavam os
campos. Era uma festa cada floração e uma alegria a cada manhã. Até os porcos
chegarem.
Focinhavam em
tudo. Se refestelavam sobre as moitas macias. As belas flores
eram pasto para uma fome incomensurável. Os dias perderam a beleza. E o que era
perfume pelo ar passou a ser impregnado fedor de bosta, de sujeira. Os campos
estavam sendo arrasados pelas patas insanas e bocas famintas de destruição.
Se era preciso fazer alguma coisa, foram as próprias plantas
que decidiram agir. Ninguém mais se manifestou contra a porcaria que se
implantou naquela terra. Das moitas coloridas, restaram toquinhos. E deles, com
esforço, as plantas passaram a lançar espinhos. Aos poucos cada uma foi se
recuperando.
Espinhentas, se tornaram um tormento para os porcos, que já
não faziam delas pasto e repasto. Puderam começar a crescer e a reflorir,
exalando pelos caules um cheiro ácido só sentido pelos porcos. Nenhum deles se
arriscava a enfrentar plantas tão fedidas e espinhentas.
Foi só quando voltou a Primavera que novamente surgiram os
campos renovados, esplendorosos. A voracidade dos animais foi para outros
prados, os porcos nunca mais voltaram para comer e espezinhar a felicidade, que
refloriu perfumada de flores.
domingo, 16 de março de 2014
Frase do dia
'O nosso povo conhece a pior forma de escravidão: ser cativo da própria pátria. Cativo da impotência e da injustiça. Escravo do desprezo dos que mandam. Pátria grande de dores. De todas, a mais terrível, que não para de crescer, é a das desigualdades'(Thiago de Mello, em "Cinco séculos de dores")
Lição de sobrevivente
Tokapi é um sobrevivente. A tribo milenar dos Mentawai, em Java, na Indonésia, está hoje restrita a quase mil pessoas, depois de quase exterminada por pressões religiosas, contrárias ao animismo e à prática da tatuagem, a qual foram os primeiros a fazerem. Esses aborígenes só não sumiram do mapa devido curiosamente ao turismo. Encantados com a cultura, os estrangeiros garantem a sobrevivência deles, e o governo logicamente não é bobo de pensar em acabar com a fonte de riqueza. Nem também burros são os Mentawai sobre sua sobrevivência: "Por dinheiro, o governo faz qualquer coisa", diz o xamã Tokapi. Sabem eles muito bem o que é governo. Entre eles, todas as decisões são colegiadas por cada integrante adulto da tribo. Assim não fazem nada por dinheiro, dando lição a muito governante por aí que faz tudo por uns trocados.sábado, 15 de março de 2014
Só idiota acredita
Mipin, maior feira imobiliária realizada em Cannes (França), teve como destaques, segundo revista inglesa, Barcelona,m Paris Milão e... Vila dos Patos. Esses seriam os melhores locais de investimento no momento. É de se admirar que uma insignificante cidadezinha sem água, sem esgoto, sem ruas asfaltadas, sem transporte público digno, sem recolhimento de lixo, sem policiamento, sem saúde, e sem muitos outros etcs, possa se igualar àquelas cidades. Acreditam em tamanha importância da rastaquera vila de beira de estrada só os imbecis mais bem pagos da região ou quem é semianalfabeto.
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