A confusão no Triângulo das Bermudas (Planalto, PT e Instituto Lula) é como a antiga anistia – ampla, geral e irrestrita. Em meio à derrocada do esquema de sustentação do poder via corrupção na Petrobras e em outras fontes como o mensalão, a presidente Dima Rousseff agora se omite e deixa o barco ir à matroca, como se dizia antigamente, enquanto um desgastado e repetitivo Lula volta à cena para retomar indiretamente o poder e mostrar quem está no comando.
Depois do desmoralizante discurso do procurador-geral Rodrigo Janot, Lula já mandou a ex-gerentona demitir a diretoria da Petrobras e ela vai obedecer, claro. Mas Dilma está na mesma situação que enfrentou no Ministério da Fazenda. Também no caso da Petrobras, ela procura um nome de respeito, que inspire confiança e seja inacatável, mas não encontra ninguém que aceite o sacrifício. Portanto, da mesma forma como Lula mandou que Dilma aceitasse Joaquim Levy, que estava no terceiro escalão do Bradesco, agora ele vai indicar o novo presidente da Petrobras.
Ao mesmo tempo, o ex-presidente quer preencher todos os espaços, mudar a direção do PT e criar no partido o que ele intitulou de “gabinete da crise”, embora nem mesmo ele saiba o que seja isso e como funcionaria, é apenas um “factóide”.
O fato que desponta sem a menor dúvida é que Dilma Rousseff naufragou. Quando se pensava que ela enfim iria se consolidar no poder, livrando-se da incômoda e persistente influência de Lula, ocorre justamente o contrário. A criatura se mostra fraca e omissa, o criador agradece e retoma o poder.
Mas a realidade é dura. Por mais que Lula tente consertar as coisas, a situação já fugiu inteiramente ao controle, o prestígio do governo junto à opinião pública independente, digamos assim, já é zero. A grande imprensa mostra um governo em ruínas, em meio a uma gravíssima crise econômica e moral. O governo só é defendido pelos sites e blogs sustentados pela máquina federal, via Petrobras (olha ela aí de novo!), Banco do Brasil e Caixa Econômica. E a tendência é piorar.
Leia mais o artigo de Carlos Newton
quinta-feira, 18 de dezembro de 2014
O cadáver global
A corrupção, com suas mais variadas e sofisticadas máscaras, é o cadáver global em fase de decomposição que mais aproxima os cidadãos de todo mundo.
J. Ernesto Ayala
Maior escândalo vai estourar no BNDES
É raro achar um político que goste do procurador Helio Telho Corrêa Filho. Além de já passado pelo Ministério Público Eleitoral em Goias, deixando estragos em várias candidaturas com gastos suspeitos nas eleições de 2004 e 2006, ele usa as redes sociais para dizer o que pensa — e geralmente o que ele pensa é o antônimo do que um questionável ocupante de cargo público consideraria um elogio.
Dessa forma, ele consegue a antipatia de partidários de todas as correntes. Ser tido por tanta gente diversa como “persona non grata” não parece lhe incomodar. Sobre a crise da Petrobras, Telho diz que o pior ainda está por vir, diz ele. “Nós ainda vamos ver o maior escândalo de corrupção. E será no BNDES. Se na Petrobrás havia o TCU [Tribunal de Contas da União] investigando e denunciando fraudes, do BNDES nós não temos nada, não sabemos nada”, alerta o procurador, que estabelece até um prazo máximo para os novos podres virem à tona: dois anos.
— O sr. diz que se surpreende que as coisas tenham crescido. A coisa não cresceu dentro da Petrobrás justamente porque o “status quo” de poder instalado na República hoje está profundamente implicado, e isso serve para financiar o partido do governo e seus aliados privilegiados?
Se o sistema favorece a prática da corrupção, ela vai florescer. E tenho repetido: este ainda não é o maior escândalo que vamos ver. Ainda vamos ter um escândalo maior do que esse. E digo até qual: será no BNDES. Por que sei disso? Estou fazendo investigações, ouvindo escutas telefônicas? Não. Mas é que as coisas são óbvias demais. A corrupção floresce em ambientes onde há muito dinheiro, nenhum controle, muito sigilo e impunidade total. O BNDES está alavancando com mais de R$ 500 bilhões do Tesouro Nacional, fazendo empréstimos a juros subsidiados. Mas não sabemos para quem, quanto foi para cada um e nem quais são as garantias. Por quê? Porque alegam sigilo bancário e, assim, nós não podemos ter acesso. Ou seja, a CGU [Controladoria-Geral da União] não fiscaliza, o TCU [Tribunal de Contas da União] não consegue fiscalizar, o Ministério Público Federal não tem acesso. Ninguém tem acesso. É claro que esse dinheiro está sendo desviado. É claro que isso é uma cultura para a corrupção. Tudo isso é muito óbvio. Quando conseguirmos abrir a caixa preta do BNDES, a “petropina” vai parecer troco de pinga. Se na “petropina” tinha obra em torno de R$ 70 bilhões em contratos, no BNDES há R$ 500 bilhões, sete vezes mais. Só que na Petrobrás havia o TCU investigando e denunciando fraudes e superfaturamentos, há muito tempo. Mas no BNDES nós não temos nada, não sabemos nada.
— E os financiamentos para obras no exterior?
O dinheiro para financiar obras em Cuba, por exemplo, chega lá depositado, por exemplo, em um banco do país. E quem está tocando essa obra é a Odebrecht, que foi considerada pela Transparência Internacional a empresa privada de menor transparência entre as grandes, sem qualquer estrutura interna de combate à corrupção. Esse dinheiro do BNDES, então, vai para o banco cubano e é movimentado sem controle nenhum. Como saberemos o que foi feito com esse dinheiro, como poderemos rastreá-lo? Então, o que vemos é como se tivessem arando o terreno fértil, colocando adubo e semeando corrupção. Será que ela vai nascer? É evidente que vai! Portanto, nós ainda vamos ver o maior escândalo de corrupção na República, desta vez no BNDES.
Leia mais a transcrição do Jornal Opção, de Goiás
Dessa forma, ele consegue a antipatia de partidários de todas as correntes. Ser tido por tanta gente diversa como “persona non grata” não parece lhe incomodar. Sobre a crise da Petrobras, Telho diz que o pior ainda está por vir, diz ele. “Nós ainda vamos ver o maior escândalo de corrupção. E será no BNDES. Se na Petrobrás havia o TCU [Tribunal de Contas da União] investigando e denunciando fraudes, do BNDES nós não temos nada, não sabemos nada”, alerta o procurador, que estabelece até um prazo máximo para os novos podres virem à tona: dois anos.
— O sr. diz que se surpreende que as coisas tenham crescido. A coisa não cresceu dentro da Petrobrás justamente porque o “status quo” de poder instalado na República hoje está profundamente implicado, e isso serve para financiar o partido do governo e seus aliados privilegiados?
Se o sistema favorece a prática da corrupção, ela vai florescer. E tenho repetido: este ainda não é o maior escândalo que vamos ver. Ainda vamos ter um escândalo maior do que esse. E digo até qual: será no BNDES. Por que sei disso? Estou fazendo investigações, ouvindo escutas telefônicas? Não. Mas é que as coisas são óbvias demais. A corrupção floresce em ambientes onde há muito dinheiro, nenhum controle, muito sigilo e impunidade total. O BNDES está alavancando com mais de R$ 500 bilhões do Tesouro Nacional, fazendo empréstimos a juros subsidiados. Mas não sabemos para quem, quanto foi para cada um e nem quais são as garantias. Por quê? Porque alegam sigilo bancário e, assim, nós não podemos ter acesso. Ou seja, a CGU [Controladoria-Geral da União] não fiscaliza, o TCU [Tribunal de Contas da União] não consegue fiscalizar, o Ministério Público Federal não tem acesso. Ninguém tem acesso. É claro que esse dinheiro está sendo desviado. É claro que isso é uma cultura para a corrupção. Tudo isso é muito óbvio. Quando conseguirmos abrir a caixa preta do BNDES, a “petropina” vai parecer troco de pinga. Se na “petropina” tinha obra em torno de R$ 70 bilhões em contratos, no BNDES há R$ 500 bilhões, sete vezes mais. Só que na Petrobrás havia o TCU investigando e denunciando fraudes e superfaturamentos, há muito tempo. Mas no BNDES nós não temos nada, não sabemos nada.
— E os financiamentos para obras no exterior?
O dinheiro para financiar obras em Cuba, por exemplo, chega lá depositado, por exemplo, em um banco do país. E quem está tocando essa obra é a Odebrecht, que foi considerada pela Transparência Internacional a empresa privada de menor transparência entre as grandes, sem qualquer estrutura interna de combate à corrupção. Esse dinheiro do BNDES, então, vai para o banco cubano e é movimentado sem controle nenhum. Como saberemos o que foi feito com esse dinheiro, como poderemos rastreá-lo? Então, o que vemos é como se tivessem arando o terreno fértil, colocando adubo e semeando corrupção. Será que ela vai nascer? É evidente que vai! Portanto, nós ainda vamos ver o maior escândalo de corrupção na República, desta vez no BNDES.
Leia mais a transcrição do Jornal Opção, de Goiás
Frases cretinas
O suicídio dos dinossauros
Jogando com um baralho viciado para assar a pizza, a Petrobras e as empreiteiras estão flertando com a ruína
Primeiro a má notícia: desde 2008, o valor de mercado da
Petrobras caiu de R$ 737 bilhões para R$ 114 bilhões. Virou pó uma quantia
equivalente a todos os investimentos previstos para a área de infraestrutura do
Brasil no segundo mandato da doutora Dilma. Agora, a péssima: a sangria vai
continuar. Investidores internacionais fogem do papel da empresa e o
contubérnio em que ela vivia com seus fornecedores abalou também as contas das
grandes empreiteiras nacionais. A Petrobras nunca mais será a mesma e pode-se
supor que alguns de seus grandes fornecedores nacionais deixarão de existir.
Desde o início do ano, quando apareceram as primeiras pontas
do escândalo, todos acreditavam que podiam assar a pizza jogando com um baralho
viciado. Essa crença foi resumida numa breve anotação de um diretor da Engevix.
Certo de que ninguém teria coragem de se meter com as empreiteiras, ele
escreveu: “Janot e Teori sabem que não podem tomar a decisão. Pode parar o
país.” Errou e seu vice-presidente está na cadeia. O procurador-geral Rodrigo
Janot e o ministro Teori Zavascki sabem quais decisões devem tomar. A
formulação da Engevix embute a ideia segundo a qual grandes empresas não correm
o risco de ter diretores na cadeia. É o too big to jail, uma variante do
conhecido too big to fail. Grandes corporações não podem quebrar (fail) nem
seus diretores acabar na cadeia (jail).
A fé na pizza teve sua razão de ser. A defesa das empresas
apanhadas no cartel ferroviário que agia em São Paulo conseguiu empurrar o caso
com a barriga por mais de dez anos. A Siemens, que denunciou a quadrilha da
qual fazia parte, chegou a ser ameaçada de processo pelo governo paulista. Bola
fora, pois a Siemens brasileira denunciou o cartel seguindo uma norma de
moralidade adotada por sua matriz alemã.
Até agora, a equipe do Ministério Público que cuida do caso
da Petrobras mostrou-se mais qualificada que as empresas. Se isso fosse pouco,
a investigação já tem três pontas no exterior. Uma na Holanda, outra na Suíça e
a terceira nos Estados Unidos. Essa foi a que pegou a Siemens, levando-a a se
tornar um padrão de nova conduta. O baralho viciado perdeu a eficácia. A
regulamentação da lei que trata da moralidade empresarial está na Casa Civil há
seis meses. Também não adianta.
quarta-feira, 17 de dezembro de 2014
Roubaram até a chuva
Espetaram na Petrobras uma fatura de pouco mais de US$ 130
milhões como indenização por chuvas no agreste pernambucano, mesmo quando o
tempo estava seco e sereno
Em 1992, o escritor Otto Lara Resende caminhava por uma rua
do Rio quando choveu dinheiro sobre sua cabeça. O caso foi contado com a
suavidade de um clássico da bossa nova por Ruy Castro, autor de “O poder de mau
humor” (1993), onde se aprende como o poder é cruel: “Antes de nos arruinar,
quer primeiro nos enlouquecer.”
Aconteceu durante a desordem político-econômica do governo
Fernando Collor. Apeado da Presidência no impeachment decantado por um coro
petista, Collor renasceu na década seguinte aliado a Lula e, desde então, tem
assento garantido na bancada governista, sob liderança do PT.
Otto recebeu um monte de moedas na cabeça. Não se machucou.
Viu que nem mendigos se davam ao trabalho de recolher aquele dinheiro sem valor
espalhado no chão, e escreveu: “Nem peso ou consistência material essa droga
tem.”
Mantendo-se na inércia, Dilma Rousseff corre o risco de
começar o segundo mandato presidencial sob uma simbólica chuva de títulos da
Petrobras, que perdeu quase 55% do valor de mercado nos últimos dois anos.
Por trás da corrosão das moedas sob Collor e das ações da
Petrobras sob Dilma, podem-se vislumbrar laivos da “fase 1”, para usar o jargão
da burocracia, da crueldade do poder de enlouquecer, antes de arruinar.
A balbúrdia na estatal petroleira possibilitou, entre
outras coisas, que fosse roubada a chuva no agreste nordestino. Aconteceu
durante a construção da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, negócio público
que começou custando US$ 2,5 bilhões e já ultrapassa US$ 20 bilhões — mais de
um terço acima de similares e contemporâneas da Índia (quatro), na China (três)
e na Arábia Saudita (duas).
Em geral, uma obra de construção civil para quando chove e o
custo dessa interrupção é normalmente absorvido pelo empreiteiro.
Em Abreu e Lima, a conta da paralisação por chuvas (raios,
também) ficou com a petroleira estatal. As empreiteiras do “cartel de
leniência” espetaram uma fatura de pouco mais de US$ 130 milhões como
indenização pelas chuvas no agreste. O cálculo do tribunal de contas é
preliminar.
O monólogo vermelho
“ Eu sou de
esquerda. E tenho muito orgulho disso. Eu sou bom, minha consciência é limpa.
Eu sou tão superior a esta população de idiotas, alienados, que inflo o peito
com alegria ao me ver pairando acima da massa de babacas tanto da pequena
burguesia quanto da elite branca, que deve ser arrasada para que impere a
verdadeira elite vermelha, que sou eu, somos nós. Como será maravilhoso o fim
da propriedade privada, mesmo que para isso seja necessário enquadrar, prender,
até matar reacionários como fizeram nossos chefes tão criticados pelos
socialdemocratas, os maiores inimigos da Revolução. Lembro sempre as palavras
de Trotsky: ‘quem foi que disse que a vida humana é sagrada?’
Claro que os
dirigentes terão direito a apartamentos duplex ou triplex, automóveis oficiais,
porque, afinal, ter o controle dos meios de produção, limitação da mídia, dá
muito trabalho – e não são privilégios, não; são direitos nossos de comandantes
na construção do futuro. Desde que entrei no Partido, sou parte de um olimpo do
pessoas extraordinárias. Nos olhamos com o doce sentimento de pairar acima das
multidões. Ai, que bom... participar de comitês revolucionários com discussões
ideológicas que se estendem até o cu da madrugada, sair ao amanhecer e ver a
multidão de operários indo para o trabalho, enquanto nós decidíamos seu futuro.
Mesmo as brigas internas me emocionavam, aquela luta pela fome de subir no Partido,
a vigilância do outro, o silêncio sobre os erros, as falsas autocríticas, até
mesmo a alegria de injustiças feitas em nome do bem.
Eu sou um elo
da cadeia que vai desde a revolução soviética, em 1917, até hoje na grande
reconstrução da Venezuela feita pelos nossos irmãos bolivarianos. Ainda bem que
o Putin está refazendo tudo que a URSS perdeu por obra dos agentes do
imperialismo ianque, pois todos sabemos que o canalha do Gorbatchov foi
treinado na CIA. Depois que eu virei um revolucionário do Partido, faço sucesso
com as companheiras e mesmo as reacionárias, o que me dá, ao comê-las, uma
mistura de prazer com vingança. Mas, o grande prazer é sentir-se na ‘linha
justa’, é saber que nada é culpa nossa, mas do imperialismo norte-americano,
esse dragão do mal que até instilou câncer no corpo do comandante Chavez, como
ele próprio denunciou, na forma de um passarinho no ouvido do comandante
Maduro.
Aí, ficam os
neoliberais nos acusando de roubo das companhias estatais, como a Petrobras.
Mas nós temos o direito de desapropriar instituições para financiar nosso
futuro. A Petrobras sempre foi nossa, sempre foi um tesouro dos amantes do
povo, sempre esteve ali como um motor para mover a revolução nacionalista.
Armar grandes fontes de propinas que caem em nosso partido é um gesto
revolucionário. Tudo bem que o valor da Petrobras tenha caído de 700 bilhões
para 150 bilhões por causa dos escândalos, dos roubos, mas nos consola saber
que esse dinheiro desviado foi para o bem do povo que professamos, pois não há
bem sem verba.
Aliás, nem só
a Petrobras, mas qualquer companhia pública do país nos favoreceu: aeroportos,
portos, fundos de pensão (oh...maravilha!) podem ser desapropriados (ou
predados, como dizem os neoliberais), pois estamos a criar num novo país. Ainda
não sabemos como será, mas certamente queremos que o Estado seja dono de tudo,
inclusive do desejo das pessoas, livres da sociedade alienada onde se acoitam
os inimigos do povo.
Esse papo de
democracia é muito sem ‘design’, muito falatório, muitas opiniões, muita
liberdade e uma insuportável multiplicidade de desejos. Bom é o ‘um’, em vez do
burburinho de opiniões diversas. Por isso eu amo a Coreia do Norte. Tudo bem
que eles sejam um pouco radicais, mas há que reconhecer que vibro com o
universo controlado que o Kim armou para organizar tudo. Os passos de ganso dos
desfiles patrióticos, toda a população chorando e fingindo teatralmente quando
morreu o pai do Kim. Como é belo tudo isso; parece haver só um homem, todos
iguais como o próprio presidente Kim, com seu cabelinho cortado que todos devem
copiar...
Ah.. que
saudades dos velhos tempos de 1963... Agora estamos voltando a essa época. Por
isso desenterramos o Jango para revigorar a boa ‘teoria da conspiração’
afirmando que ele foi envenenado pelo imperialismo. Minha fé no Partido me
deixa muito feliz, porque o comunista não morre nunca; somos seres sociais como
as formigas, e por isso, a morte individual pequeno-burguesa não me atingirá –
sinto-me eterno.
Agora estamos
sob ataque das forças da elite conservadora. Muitos supostos crimes foram
delatados, e nos chamam de organização criminosa. Nada disso. Não temos medo
das consequências jurídicas, porque sei que essas revelações são tantas que
cairão na vala comum do Poder Judiciário, que não tem como julgar tanta coisa.
Com chicanas e recursos e ministros petistas vai se criar um congestionamento
de processos que vão virar uma massa informe que tem como aliada o
esquecimento.
E mesmo que
isso tudo signifique o desprestígio total do Brasil no mundo, me consola a
certeza de que mudamos o Brasil, mesmo transformando-o num lixo porque, afinal,
não acreditamos no conceito de ‘país’ – somos um sistema.
E tem muita
gente que me pergunta como vejo o futuro do país.
Bem, eu
imagino Brasília tomada de uma vez por todas. As praças e prédios do poder
invadidos e aparelhados, com multidões na praça dos Três Poderes aclamando os
líderes do nosso futuro, protegidos pelas milícias do MST e pela guarda
pretoriana dos intelectuais orgânicos das universidades e pelos pelotões do
Bolsa Família.
Já vejo com
emoção a brancura dos monumentos e dos palácios cobertos de milhares de
bandeiras vermelhas ao vento e o grande pendão da esperança vermelha tremulando
no mastro central.
E mais: onde
era o monumento do JK estará o grande caixão de cristal onde jazerá o Lula,
embalsamado para toda a eternidade!”
Em dez anos, Brasil perde 217 bilhões em fuga de ilícito
Entre 2003 e 2012, expatriação de divisas oriundas de corrupção, fraude e outros crimes equivale a 10% do PIB nacional. Leis são rígidas, mas execução é dificultada pela morosidade da Justiça, dizem especialistas.O resultado coloca o Brasil na sétima posição se for considerado o total de capital ilegal expatriado entre 2003 e 2012. China (1,25 trilhões de dólares), Rússia (973 bilhões), México (514 bilhões) e Índia (439 bilhões) são os primeiros colocados no ranking elaborado pelo instituto sediado em Washington, nos EUA. Em 2012, o Brasil ficou na oitava posição, com cerca de 34 bilhões de dólares.
"Os fluxos ilícitos são, em parte, relacionados com o valor do PIB. Como o país é a sétima economia mundial, quanto maior for ela, maior será a capacidade de gerar fundos ilícitos", comenta Dev Kar, economista-chefe do GFI. "O tamanho da economia informal do país, estimada entre 2010 e 2012 em 21,79% do PIB, também influencia. Quanto maior a economia paralela, maior é a capacidade de financiar fluxos ilícitos."
Para Gilberto Braga, professor de finanças do Ibmec/RJ, a má posição do Brasil é explicada por uma combinação de dois fatores. O primeiro é a alta carga tributária interna, que faz com que muitos empresários busquem a evasão fiscal e a retirada de recursos do Brasil para países de menor tributação. O segundo é a corrupção e a consequente necessidade de esconder recursos em paraísos fiscais, que normalmente oferecerem anonimato e tributação mais baixa.Leia mais
Procura-se o refundador
![]() |
| 'Faxinaço' na sede da Petrobras nesta terça-feira, em São Paulo |
O nó da substituição de Graça só será desatado de vez quando Dilma encontrar um executivo de primeira linha que aceite o desafio de refundar a Petrobras.
Sim, porque a Petrobras precisa ser refundada.
Lula e o PT operaram o prodígio de desvalorizá-la em 80% nos últimos 10 anos. A empresa jamais voltará a ser forte e admirada no mundo como foi.
Ricardo Noblat, "Descanse em paz, Graça"
O Brasil ainda é o Brasil?
Por que as
instituições nada fazem contra a matriz de corrupção instalada no coração do
poder? Mistério. Por que Bolsonaro suscita maior comoção e interesse entre os
formadores de opinião do que as denúncias da geóloga Venina Velosa da Fonseca?
Mistério. Por que o relatório de uma Comissão Nacional da Verdade que sepulta
verdades e ressuscita mentiras ganha espaço como se credibilidade tivesse,
malgrado afronte a própria lei que a criou? Mistério. Por que, para tantas
pessoas, o mal está na mera existência da revista Veja e não nos crimes que ela
denuncia? Mistério. Por que é tão solenemente ignorada a existência do Foro de
São Paulo, como bem sinaliza Olavo de Carvalho? Mistério.
Por que não
causou estranheza em parte alguma que a pessoa escolhida para ocupar a função
de tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, seja, justamente, o ex-presidente de
uma cooperativa habitacional que lesou centenas de associados? Não está ele
sendo processado por estelionato, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e
falsidade ideológica? Comanda as finanças do PT e só a Veja acha estranho?
Mistério. Por que o partido que governa a República perdeu todo interesse em
desvendar os enigmas em torno da morte de Celso Daniel? Mistério, mistério,
mistério. Para onde quer que se olhe, lá está a densa bruma de onde quase se
espera o surgimento de dragões, unicórnios e manticoras.
Pois eis que,
de repente, fica-se sabendo que a presidente da República foi a Quito
participar de uma reunião da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) e que
nessa reunião foram tomadas diversas decisões envolvendo supostos interesses
comuns aos países do bloco. E com que parcerias!
Pois bem, as
relações internacionais do Brasil, de uns tempos para cá, seguem estratégias
incomuns e nos têm custado muito caro. Não seria preciso mais do que isso para
despertar o interesse da mídia nacional. Mas não despertou. Por quê? Mistério.
E não me consta que alguém tenha gasto meia hora, seja na mídia, seja no
Congresso Nacional, para investigar o que significará, na vida prática, algo
tão enigmático (mormente entre nações sob tais governos) quanto a Unidade
Técnica de Coordenação Eleitoral que passará a funcionar na Unasul. Por quê?
Mistério.
Tampouco
suscitou interesse a decisão de criar uma Escola Sul-Americana de Defesa, que
até sigla já tem: Esude. E para que servirá a Esude? Para constituir “un centro
de altos estudios del Consejo de Defensa Suramericano de articulación de las
iniciativas nacionales de los Estados Miembros, formación y capacitación de
civiles y militares en materia de defensa y seguridad regional del nivel
político-estratégico”. Será que só eu fiquei preocupado com isso? Será que só eu
fui buscar informações e me deparei com este vídeo? Terei sido o único a
descobrir que, conforme ali se explica, a tal Esude tem por objetivo formar
civis e militares afastados das “lições caducas com que se formavam nossos
militares”, as quais seriam “quase cópias dos manuais gringos,
norte-americanos”? O que dizem sobre tudo isso nossos comandantes militares?
Mistério.
Definitivamente,
de duas uma: ou estou ficando incapaz de compreender o Brasil, suas
instituições e seu povo, ou o Brasil está se tornando outra coisa qualquer.
terça-feira, 16 de dezembro de 2014
Os filhos da nova esperança
Uma das frases mais lidas por estes dias sobre o que está acontecendo no Brasil é que o país precisa “ser passado a limpo”
O velho Brasil da corrupção e da impunidade pode felizmente terminar sepultado pelos chamados “filhos da esperança de um novo Brasil”, compostos por uma geração de jovens juízes, promotores, advogados, jornalistas e oxalá também de novos políticos, que não aguentam ver o país com a imagem que se forma dele dentro e fora de suas fronteiras. Essa imagem forjada por uma corrupção de cunho mafioso que, segundo o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, “envergonha” a nação.
São os filhos de uma geração de pais e mães espantados com o atropelamento da legalidade, com o assalto sistemático e programado do dinheiro público com a conivência de políticos e empresários.
Esses pais, muitos dos quais viram nestes anos passar aos seus olhos bilhões subtraídos do suor de seu trabalho por corruptos sem escrúpulos, parecem hoje querer se vingar por meio de seus filhos.
É emblemática, por exemplo, a reação da mãe do promotor Deltan Dallagnol, que com seus 34 anos encabeça a equipe de trabalho do escândalo das empresas coniventes com a corrupção da Petrobras. No Facebook, feliz com o trabalho de seu filho, a mãe escreve: “Sua postura ética nos enche de orgulho”. No plural, como que para indicar que esse orgulho é de toda a família.
Em outros momentos, por vezes tomados pelo medo de represálias ou pela incapacidade, muitos pais aconselhavam seus filhos a “não se meterem em encrencas”.
Hoje, ao contrário, incentivam-nos a ser corajosos e a enfrentar a fera da ilegalidade, que começa a se tornar insuportável mesmo para os mais acostumados à atávica impunidade brasileira.
Uma das frases mais lidas por estes dias sobre o que está acontecendo no Brasil é que o país precisa “ser passado a limpo”.
Parece cada vez mais claro que nem os velhos conchavos políticos nem as velhas ideologias nem talvez muitos dos desgastados partidos de hoje são capazes de passar a limpo, por mais esforços que façam para criar uma nova cara, em que cada vez acreditam menos os cidadãos.
A esperança de regeneração deve vir desses jovens ainda não comprometidos com as velhas práticas de corrupção e até enojados com elas. Eles ainda podem levar levá-la a cabo antes que a onda do conformismo ou da cumplicidade os contamine e os arraste também ao abismo.
Muito se tem falado nos últimos anos sobre a mítica classe média saída da miséria, hoje ameaçada pela crise econômica, em especial pela inflação e pelo fantasma do desemprego, que começa a rondar.
Serão provavelmente os filhos dessa nova classe, metade dos quais já navegam pela Internet, que ao contrário de seus pais agora estudam, conhecem melhor a semântica da linguagem, são menos ideologizados, são mais pragmáticos e por enquanto mais limpos eticamente, a esperança desse Brasil, nascido dos escombros do passado.
O estranho caso de uma empresa que quebrou um país
O lulopetismo conseguiu outra proeza sem comparativos históricos: usar uma empresa estatal para quebrar um país. A Petrobras seria privatizada por tucanos irresponsáveis, diziam os companheiros. Foi privatizada pela quadrilha do PT. Antes da descoberta do pré-sal, tinha um valor de mercado superior ao atual. Chegou a valer 737 bilhões de reais. Agora, vale 127 bilhões.
A Petrobras hoje não tem crédito em nenhuma birosca financeira. E é a petrolífera mais endividada do mundo. Não terá com honrar encomendas e empréstimos. Os papéis da estatal na Bolsa de Nova York estão sendo “derretidos” por vendas de bilhões, às pressas, pelos investidores. Melhor do que ficar com o mico na gaveta.
Mais: prevê-se que, nos próximos dois anos, a cotação do barril no mercado internacional permaneça na faixa dos U$ 50. O patamar anterior era de U$ 120. (A causa principal é a guerra de preços entre o petróleo dos sheiks e o petróleo do xisto, mas isto é assunto para outro comentário). Só a extração do barril do pré-sal custa U$ 90.
A Petrobras também terá de pagar algumas centenas de milhões de dólares aos investidores americanos que foram enganados. Eles desconheciam o que o PT fez na empresa (e com a empresa).
E nós com isso? Simples. Quebramos juntos.
Qual empresa brasileira (privada ou estatal) terá acesso a financiamentos para a produção depois da descoberta dessa parte podre do país? Se a maior entre todas está falida, se deu garantias eque não cumpriu, se não consegue sequer apresentar um balanço (algo obrigatório no mundo inteiro), o que dizer das outras? Os recursos públicos (infindáveis, na lógica distorcida da seita petista) serão usados para salvar a Petrobras, como sempre aconteceu e continua acontecendo, via BB, CEF e BNDES?
Sinto informar: nossas reservas, que Dilma apresentava como uma prova de sucesso fenomenal, são menores que os buracos. Só conseguirão cobrir o rombo da Petrobras. Os bancos brasileiros estão expostos a riscos ,medidos em bilhões, decorrentes do Petrolão. Se a conta vai ficar no prejuízo do banco, ele tratará de transferir o espeto para quem? É óbvio que não haverá crédito para nenhuma empresa, seja qual for seu tamanho.
O mal dos tempos
A ignorância é a enfermidade de nosso tempo. Observo isso em
determinados políticos. É como se o poder lhes tirasse a faculdade de fazer e
dizer qualquer coisa, ainda sem ter a menor ideia do que estão dizendo. Creio
que a ignorância é uma desgraça como é a indecência. O problema é que o
indecente e o ignorante nos governam.
Há que ter claro que a política é fundamental. Como escreveu
Aristóteles, é a mais arquitetônica das ciências, pois organiza o público e o
coletivo, os estados e a justiça, e permite a luta pela igualdade
Emillio Lledó, que se considera um operário da filosofia aos
88 anos
Dilma confunde autoridade com autoritarismo
É isso o que ela tem em comum com seus antigos carrascosDilma detesta ser pressionada a fazer alguma coisa – qualquer coisa. Até mesmo aquelas que parecem necessárias. É do temperamento dela.
Dilma confunde autoridade com autoritarismo. E na maioria das ocasiões se comporta como a autoritária que é, e não como a autoridade que deveria ser.
Até os apontadores do jogo do bicho abancados na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, sabem que Graça Foster, presidente da Petrobras, já deveria ter sido demitida.
Acabará sendo, é no que apostam. Mas à custa de muito desgaste para ela mesma, a empresa que preside, e Dilma que a mantém no cargo.
Por duas vezes até aqui, Graça pôs o cargo à disposição de Dilma. E ela não o quis de volta.
A política ensina que a pessoa que põe o cargo à disposição do seu superior é porque não deseja pedir demissão. Nem ser demitido.
Quem quer sair - ou está convencido de que a saída é o melhor que lhe resta - simplesmente sai, ora.
O cargo de Graça pertence a Dilma. E se Graça não quer deixá-lo, cabe a Dilma fazer com o que o deixe.
Entra dia e sai dia, e a Petrobras continua sangrando em praça pública. O preço de suas ações se desvalorizou 40% de janeiro para cá. Seus acionistas estão em pânico.
A roubalheira na Petrobras está sendo investigada por três países – fora o Brasil. São eles: os Estados Unidos, a Holanda e a Suíça. É o maior escândalo de corrupção da nossa história. E um dos maiores do mundo.
Não é mais a imagem da Petrobras que está sendo enlameada no mercado internacional. É a do Brasil.
E ao invés de agir, Dilma defende sua própria paralisia com a desculpa de que não age sobre pressão.
Alguns dos presidentes da ditadura militar de 64 gostavam de dizer que não agiam sob pressão. Faltava quem tivesse peito para pressioná-los, isso sim.
Sob vários aspectos, Dilma e seus carrascos se parecem mais do que ela mesma desejaria.
Não é mais a imagem da Petrobras que está sendo enlameada no mercado internacional. É a do Brasil.
E ao invés de agir, Dilma defende sua própria paralisia com a desculpa de que não age sobre pressão.
Alguns dos presidentes da ditadura militar de 64 gostavam de dizer que não agiam sob pressão. Faltava quem tivesse peito para pressioná-los, isso sim.
Sob vários aspectos, Dilma e seus carrascos se parecem mais do que ela mesma desejaria.
Falta de recursos ameaça medição de terremotos
Poucos meses após lançamento de uma plataforma que reúne dados sobre abalos sísmicos no país, projeto que consumiu 25 milhões de reais em recursos públicos pode acabar sucateado por falta de verba para manutenção.
O recém
inaugurado site da Rede Sismográfica Brasileira corre o risco de ficar
desatualizado já no próximo ano, por falta de recursos. O financiamento do
projeto que monitora e mapeia terremotos no Brasil termina este ano. Para
manter o monitoramento, integrantes da iniciativa buscam novas parcerias.
O projeto
iniciado em 2008, do qual fazem parte o Observatório Nacional, a Universidade
de São Paulo, a Universidade de Brasília e a Universidade Federal do Rio Grande
do Norte, custou cerca de 25 milhões de reais, financiados pela Petrobras, e
contou com a integração e instalação de estações sismográficas em todo o
Brasil.
"A
sismologia no país era fragmentada. Agora a rede permite fazer um monitoramento
mais extensivo do Brasil, temos uma cobertura mais homogênea de estações que
possibilitam entender aonde ocorrem os sismos", conta o geofísico da USP
Marcelo Bianchi.
Os dados
recolhidos por cerca de 80 estações espalhadas pelo país são disponibilizados,
quase em tempo real, no site da rede, que foi inaugurado no final de novembro.
Mas todo esse esforço para monitorar tremores de terra em território brasileiro
pode acabar sucateado, caso o projeto não receba mais recursos.
"Os
equipamentos estão comprados, mas precisam de manutenção. Além disso, é
necessário dinheiro para pagar a transmissão de dados. À medida que não temos
mais financiamento, o projeto vai começar a parar. Os sismos não acontecem
sempre, mas de tempos em tempos. Por isso, precisamos ter um monitoramento
constante para entender melhor esses eventos", conta Bianchi.
Jogo da verdade
A verdade é um labirinto.
Se digo a verdade inteira,
se digo tudo o que penso,
se digo com todas as letras,
com todos os pingos nos is,
seria um deus-nos-acuda,
entraria um sudoeste
pela janela da sala.
Então eu digo
a verdade possível,
e o resto guardo
a sete chaves
no meu cofre de silêncios.
Roseana Murray
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