Se a campanha da presidente-candidata Dilma Rousseff gastar
tudo o que informou à Justiça Eleitoral, o Brasil registrará neste ano sua mais
cara campanha da história: R$ 298 milhões. O montante previsto para as
despesas, estabelecido como teto – portanto, não necessariamente precisa ser
gasto em sua totalidade –, não é uma exclusividade da campanha do PT, mas,
transcorrido o primeiro mês da corrida eleitoral, chama a atenção justamente
por se tratar de uma candidata que faz uso do aparato público em todas as suas
agendas políticas.
quinta-feira, 7 de agosto de 2014
O futuro com aumento de desigualdades
“Se as elites políticas não reagirem, as coisas ficarão muito feias”
Nancy Fraser é esse tipo de mulher que parece avançar na
idade sem mudar, acumulando sabedoria. Ao mesmo tempo entre a serenidade
reflexiva e a paixão intelectual, analisa a crise do presente, sua
complexidade, com um foco de grande alcance. Seus trabalhos no campo da
filosofia política se centraram nos problemas da justiça social. Em seu livro “Escalas
da Justiça” (Herder, 2008) ela aborda as três dimensões que considera
essenciais, todas elas definidas por palavras que começam pela letra 'r': os
problemas de redistribuição da riqueza no plano econômico; os de reconhecimento
no âmbito dos direitos individuais e coletivos; e os problemas de
representação, na esfera política.
A americana de 67 anos viveu e analisou o avanço do
capitalismo de Estado organizado, a partir do qual surgiu o modelo social
europeu que propiciou as maiores cotas de justiça social, e capitalismo
neoliberal, que minou o Estado de bem-estar e nos levou à grave crise de 2008..
Nancy Fraser alerta sobre as
consequências do aumento das desigualdades e sobre a obsolescência das formas
atuais de participação política. Ela considera urgente encontrar novos
mecanismos para a tomada democrática de decisões, também, em escala
transnacional.
Leia mais sobre alerta das consequências doaumento das desigualdades
Mentir ou enganar? Tanto faz
![]() |
| Governo reforma prédio escolar para ser a sede de reserva ecológica |
O príncipe europeu tinha uma só questão. Era ser ou não ser.
O consorte da nobreza petista, em Maricá, sempre está apenas com uma dúvida:
Mentir ou enganar? Qualquer que seja a opção, estará felicíssimo com seu ego.
Ambas são o único caminho para não mais voltar à miséria física, pois da
miserabilidade moral nunca saiu.
É dessa maneira que saem os projetos mirabolantes da ratatuia,
que sempre vêm embrulhados em grandeza social. Como da criação da área de
reserva ambiental, da qual excluiu um costão em Ponta Negra por interesse na
criação de um estaleiro. Um agrado comum para os poderosos endinheirados que
possam contribuir para campanhas eleitoreiras. As mesmas que entronizam e
eternizam o partidão aqui e em outras terras.
Em outra compensação de um condomínio fechado, em distrito
sem escola, se destrói parte da área nativa e paga-se o contributo de R$120 mil
para o educador transformar a escola antiga e abandonada pelos poderes numa
sede de parque mais prestigiosa e de maior visibilidade. Uma merreca em termos
de criminalidade ambiental, mas está em jogo a campanha da própria mulher ao
legislativo estadual e um reforço no imposto predial. É mais um dinheiro que
entra para a poupança eleitoreira do casal. E por um desses paradoxos, a candidata
aparece como defensora da educação, mas vê com alegria o sepultamento de uma
escola.
Assim vai para o espaço o atendimento escolar em detrimento
de ambições políticas e interesses econômicos privados. Em troca, o município
ganha mais um, o enésimo, factoide com que o governo municipal possa espalhar
nas redes e jornais associados ou comparsas bem pagos.
Essa mesma escola, a qual prometeu, em 2009, revitalizar e
inclusive doaria “uma estante velha”, que tinha em casa, para formação de
biblioteca, será reformada enfim para sede de uma reserva municipal. O que
deveria atender à educação será agora um prédio com quiosques, videoteca e
biblioteca com até 5 mil volumes (!!) bem mais do que a própria biblioteca
municipal entregue hoje às baratas e que sequer sonha com videoteca. É muita
cretinice esbanjada em uma só propaganda enganosa.
Troca-se assim área nativa e escola para a população próxima
por um projeto para encher páginas de jornais com publicidade de um governo que
sempre fará mais, muito mais do que se imagina, para si do que para o
contribuinte.
quarta-feira, 6 de agosto de 2014
Os invisíveis
Campanha ou champanha
Segundo a Advocacia Geral da União, os gastos da campanha
são arcados pelo Partido dos Trabalhadores ou pela coligação. No caso do uso do
avião presidencial, caberá à Secretaria de Controle Interno da Presidência da
República calcular o valor a ser ressarcido. (Que mal se pergunte: Alguém jura
de mãos postas que o PT, partido do governo, vai ressarcir a dinheirama
pública, quando acha que todo o cofre é dele e inclusive a presidente em
campanha? Nasceu morto o crédulo.)
Se a campanha da presidente-candidata Dilma gastar tudo o
que informou à Justiça Eleitoral, o Brasil registrará neste ano sua mais cara
campanha da história: R$ 298 milhões. Dá para fazer uma farra, e farra haverá,
porque dinheiro vai ter de sobra.
Olha quem fala
Quem aponta para uma próxima recessão é nada menos do que o
conselheiro de Lula e agora de Dilma, Luiz Gonzaga Belluzo. Acredita que os
próximos dois anos serão difíceis para quem for eleito, sendo difícil impedir
uma recessão. “A ideia de que vai colocar a inflação a todo o custo na meta, à
custa do desemprego, não vai encontrar acolhida, sobretudo entre aqueles que
ascenderam na escola social nos últimos anos”.
É preciso educar os políticos
Os políticos brasileiros, antes mesmo de se candidatarem,
deveriam ser cidadãos. E não são. O pecado capital que levam para as tribunas é
a mentira. Negam desavergonhadamente suas diatribes. Não têm sequer
conhecimento do que é cidadania. Para eles, é qualquer coisa como ter uma
carteira de identidade, e chega. Muito longe disso, é respeitar deveres e
direitos do outro. Algo para o que se lixam com escárnio.
Não são nem serão dignos de serem chamados cidadãos. Fazem
ainda mais para nunca merecerem tal título, pois suas ações mais parecem de
bandidos.
Podem fazer as campanhas que forem para incentivar o uso do
voto, ressaltar a sua importância na construção de uma democracia. Os próprios
políticos não ajudam nem assim querem. É uma falta de educação generalizada
entre eles. São os mais deseducados. Não só por falha domiciliar, mas porque
nunca se educaram para os cargos que almejam ou dizem merecer.
Acreditam que saber ler e escrever – coisa que muito sabem
bem mal – é o suficiente. Não é, nem será. É preciso educação que negam também
às futuras gerações, que acharão ser a política o caminho mais fácil para a
fama e o dinheiro. Uma perda lamentável de consciências jogadas ao lixo para
satisfação de meros meliantes.
terça-feira, 5 de agosto de 2014
Por que aqui é obrigatório?
Se o Brasil, sétima potência econômica do mundo, com uma democracia reconhecida por todos, onde existe a separação dos três poderes, continua entre os 24 países que ainda obrigam a votar, significa, no mínimo, uma clara anomalia democrática
Nos países mais desenvolvidos do mundo, nos mais modernos e
nas democracias mais sólidas, o voto político é facultativo.
Entre os 10 países mais ricos do planeta, em todos, menos no
Brasil, ir às urnas deixou de se obrigatório ou nunca foi.
Hoje o voto facultativo está vigente em 205 países do mundo
e só em 24 deles (13 na América Latina) continua sendo obrigatório.
Seria preciso deduzir disso que esses países, começando pelo
Brasil, não são nem modernos nem contam ainda com uma democracia consolidada? Talvez
não, mas segundo vários analistas políticos, se fosse realizada a tão anunciada
e nunca realizada reforma política, deveria começar por admitir o voto
facultativo, já que uma das características de uma democracia real e não apenas
virtual é a proteção dos maiores espaços de liberdade dos cidadãos.
É possível que um direito se converta em um dever? Que
alguém possa ser castigado com sanções em uma democracia por não querer exercer
um direito?
Leia mais o artigo de Juan Arias, "Por que no Brasil é obrigatório votar?"
Retrato de autoridade
O que tem a ver o caso da analista do banco Santander
demitida na semana passada por exercer direito o seu ofício, com o caso do
correspondente do The New York Times ameaçado de expulsão do Brasil em maio de
2004?
Os dois aconteceram no começo e no que poderá ser o fim do
período de 12 anos de governos do PT. Foram protagonizados por Lula. E são
casos exemplares da prepotência dele e de sua turma.
De volta ao futuro... Na época, pensei: o cara pirou. Só
pode ser. Ou está de porre. Compreensível que tenha se sentido ofendido pela
reportagem do The New York Times sobre seu gosto por bebidas alcoólicas.
Mas daí a determinar a expulsão do país de Larry Rother,
correspondente do jornal mais importante do mundo? Sinto muito, era um
flagrante exagero. Uma escandalosa arbitrariedade.
Foi isso o que Lula ouviu dos poucos assessores com coragem
para confrontá-lo.
Um deles, durante reunião no gabinete presidencial do
terceiro andar do Palácio do Planalto, sacara de um exemplar da Constituição e
apontara o artigo que garantia ao jornalista o direito de permanecer no Brasil.
Então Lula cometeu a frase que postei em meu blog às 15h16
do dia 12 de maio de 2004, poucas horas depois de ela ter sido pronunciada.
Ele disse: “Fod.... a Constituição”.
segunda-feira, 4 de agosto de 2014
Sai uma, entra outra
No Brasil, substituiu-se a ditadura militar por uma ditadura midiáticaBernardo Kucinski, ex-militante da Aliança Libertadora Nacional
A cada dia, os "passarinhos"
O presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, recentemente
revelou que o passarinho, em que se transformou o defunto Hugo Chavez, voltou a
falar com ele por ocasião dos 60 anos do ex-presidente. A avezinha teria dito
que "estava feliz e cheia de amor". Logicamente que brasileiro sabe
bem que essa história não passa de invencionice de tiranete. Aqui se ri a
bandeiras despregadas da canalhice do venezuelano, ridicularizado até mesmo em
seu próprio país, que vive uma situação lamentável por causa do destrambelhado
“bolivarianismo” algo similar ao lulopetismo brasileiro.
O brasileiro ri de Maduro, mas continua a acreditar em
“passarinhos” noticiados a cada manhã pelos jornais. Estamos rindo do sujo
quando somos mal lavados, e nossas aves nem estão cheias de amor, mas estão
mais para urubu do que aves do paraíso. Querem mais é se livrar de vez das
teias ou grades em que se envolveram.
Um desses “passarinhos” é a redução de pena em 34 dias para
Genoíno Mensalão. Se alguém debocha de Maduro como pode engolir o jaburu daqui?
Para alguém que estava em risco de morte se ficasse na cadeia, ainda encontrar
forças para trabalhar e fazer cursos na penitenciária não é um passarinho, mas
um enxame de gozação.
E quando daquela história de que se morresse o culpado seria
o presidente do Supremo e relator do caso? Pois é, não morreu, trabalhou (?)
até muito para um cardiopata, fez cursos com fôlego de um doente crônico, e agora está com redução da pena de 6 anos e 11 meses,
que parece ser apenas para privilegiados e não para os outros meros mortais
enfurnados nas condições medievais das cadeias brasileiras.
Conseguiu com esforço sobre-humano reduzir em mais de um mês
o tempo prisional, inimaginável para quem estava à beira da morte se ficasse
preso. Meta também incrível para quem passou apenas quatro meses no xilindró.
Se todos os presidiários assim pudessem ter a mesma disposição gigantesca,
estariam soltinhos há muito.
Falta sentimento democrático
Ainda é
cedo, mas há fortes indícios de que o PT perderá as próximas eleições. Em que
Estado com muitos eleitores seus candidatos a governador se mostram
competitivos? Talvez em um. No total os petistas aparecem bem situados apenas
em quatro Estados, se tanto, três deles com não muitos eleitores. Quanto aos
aliados, especialmente o principal, o PMDB, parece que andam em franca
debandada em vários Estados. Também, pudera, como pedir fidelidade no apoio à
reeleição quando, além do pouco embalo da chapa presidencial, os candidatos da
oposição e do próprio PMDB aos governos estaduais aparecem bem à frente dos
candidatos do PT?
As taxas de
rejeição da presidenta estão nas nuvens, não só em São Paulo, onde nem o céu é
o limite. Também crescem nos pequenos municípios do Norte e do Nordeste para
onde, nas asas das bolsas-família, migraram os apoios do partido que nasceu com
os trabalhadores urbanos. As raízes deste quadro se abeberam em vários
mananciais: o das dificuldades econômicas, da tragédia das políticas energéticas
(vale prêmio Nobel derrubar ao mesmo tempo o valor de bolsa da Petrobras e as
chances do etanol e ainda encalacrar as empresas de energia elétrica), da
confusão administrativa, do pântano das corrupções e assim por diante. Culpa da
presidenta? Não necessariamente.
A democracia entre nós, já disseram melhor outros personagens, é como uma planta tenra que tem que ser cuidada e regada com exemplos, pensamentos, palavras e ações todos os dias. Cuidemos dela, pois.
Leia mais o artigo de Fernando Henrique Cardoso
domingo, 3 de agosto de 2014
Censura à vista
Nada disso é gratuito. O que se quer é inibir o debate de ideias e rumos para o país, fora da agenda socialista. Mas não parece suficiente. Tanto assim que o PT persiste na ideia de “regulamentar” a mídia e tê-la sob “controle social”.
Em 1985, primeiro ano da redemocratização, o então ministro da Justiça do governo Sarney, Fernando Lyra, anunciava, em tom triunfal, a cerca de 700 artistas e intelectuais, reunidos no Teatro Casa Grande, no Rio de Janeiro, o fim da censura.
Ela vigorara oficialmente ao longo do regime militar, exercida de forma prévia, por meio de censores nas redações, e a posteriori, pelo recolhimento de publicações que escapavam à sagacidade (sempre escassa) daqueles.
A censura prévia fora derrubada ainda no governo Geisel, mas a censura a posteriori prosseguiu até o fim do regime. Sua abolição total se deu apenas com o anúncio de Fernando Lyra, na sequência da proibição e posterior liberação de um filme medíocre de Jean-Luc Godard, “Je Vos Salue Marie”, a que os censores deram visibilidade e cujo imbróglio marcou o fim oficial da censura.
A Constituição de 1988 foi enfática em condená-la, em nada menos que seis incisos ao artigo 5º (do nono ao décimo-quarto). Mesmo assim, seu fantasma jamais deixou de pairar sobre a vida jornalística e intelectual brasileira. Adquiriu outras formas, sofisticadas, sub-reptícias, tão ou mais eficazes, dando origem ao termo, ainda vigente, de “patrulhas ideológicas”.
Leia mais o artigo de Ruy Fabiano, Censura à vista
Tá feia a coisa
A campanha não está correndo às mil maravilhas para a candidata Dilma,
ao menos, em Maricá, reduto petista comandado pelo prefeito e presidente
regional da legenda. Nos cartazes fincados em casas de correligionários, e são
muitos esses companheiros solícito$, sequer o nome da presidente é citado.
Nenhum dos três - “Lindinho” para governador, a companheira do prefeito para a
Alerj, e o presidente da Câmara para o Legislativo estadual -, tá botando fé na
presidente como puxadora de votos ou merecedora dos mesmos. É que, nesses
cartazes, os três se apresentam como os “candidatos do Lula”. Que mal se
pergunte: Esse sujeito está concorrendo a quê?
Um clássico de todos os tempos
O filme “Sete homens e um destino” (“The Magnificent Seven”), de John Sturges, se tornou um clássico em seu lançamento em 1960 com música de Elmer Berstein. No elenco, as interpretações de Yul Brynner, Steve McQueen, Brad Dexter, Charles Bronson, Robert Vaughn, Horst Buchholz,James Coburn e Eli Wallach
sábado, 2 de agosto de 2014
Maricá ajuda campanha de 'Lindinho'
Doadora da campanha de Lindbergh venceu licitações de R$ 3 milhões em prefeitura do PT
O candidato ao governo do Rio pelo PT, senador Lindbergh
Farias, vai declarar à Justiça Eleitoral neste sábado que arrecadou até o
momento R$ 525 mil para a sua campanha eleitoral. Deste total, R$ 475 mil foram
repassados pelo diretório nacional do PT. Apenas duas empresas aparecem na
lista de doadores: a AVM Digital Comércio de Aparelhos Telegônicos Ltda e a E
Digital Comércio de Aparelhos Telefônicos Ltda, com doações de R$ 25 mil cada
uma. As duas têm sede em Niterói.
Pelo menos uma das empresas, a AVM Digital, já ganhou
licitações quase R$ 3 milhões para prestar serviços à prefeitura de Maricá,
cidade da Região Metropolitana. O município tem como prefeito Washington Quaquá
(PT), um dos coordenadores de campanha de Lindbergh.
Segundo o Diário Oficial, a AVM Digital venceu uma
licitação, em 2011, de R$ 1.194.619,61, para "fornecimento de equipamento
de telefonia com manutenção, afim de permitir a integração da rede de internet
à rede de telefonia da prefeitura de Maricá e suas secretarias". A outra concorrência
ganha pela empresa ocorreu em 2012, de R$ 1.495.540,50, para "locação de
plotters e scanners, incluindo assistência técnica, manutenção preventiva e
corretiva, para atender a prefeitura Municipal de Maricá e todas as suas
secretarias".
No dia 19 de junho de 2013, a prefeitura de Maricá também
publicou no Diário Oficial um extrato de contrato com a AVM Digital de R$ 450,5
mil para "aquisição e instalação de material para criação de
infraestrutura da rede lógica". À época, o prazo para prestar o serviço
era de um ano e 22 dias.
Silêncio dos bons
Que parece, parece
“O nazismo não é realmente uma filosofia política, mas uma
atitude mental - a expressão, na vida política, de um certo temperamento muito
desagradável – do homem que odeia a Democracia, os argumentos sensatos, a
tolerância, a paciência e a igualdade bem-humorada - o homem que ama a
fanfarronada e a insolência, uniformes e capangas e carros velozes, a
conspiração nas salas dos fundos, gritos e violência, que quer espoliar aqueles
que o fizeram sentir-se inferior”
J. B. Priestley
***
Descrição de um inglês adaptável a qualquer “ismo” por aí.
Para quem observar bem, não faltarão indicações de que é um pouco a cara de
alguns.
Governar
Os garotos da rua resolveram brincar de Governo, escolheram
o Presidente e pediram-lhe que governasse para o bem de todos.
- Pois não - aceitou Martim. - Daqui por diante vocês farão meus exercícios escolares e eu assino. Clóvis e mais dois de vocês formarão a minha segurança. Januário será meu Ministro da Fazenda e pagará o meu lanche.
- Com que dinheiro? - atalhou Januário.
- Cada um de vocês contribuirá com um cruzeiro por dia para a caixinha do Governo.
- E que é que nós lucramos com isso? - perguntaram em coro.
- Lucram a certeza de que têm um bom Presidente. Eu separo as brigas, distribuo tarefas, trato de igual para igual com os professores. Vocês obedecem, democraticamente.
- Pois não - aceitou Martim. - Daqui por diante vocês farão meus exercícios escolares e eu assino. Clóvis e mais dois de vocês formarão a minha segurança. Januário será meu Ministro da Fazenda e pagará o meu lanche.
- Com que dinheiro? - atalhou Januário.
- Cada um de vocês contribuirá com um cruzeiro por dia para a caixinha do Governo.
- E que é que nós lucramos com isso? - perguntaram em coro.
- Lucram a certeza de que têm um bom Presidente. Eu separo as brigas, distribuo tarefas, trato de igual para igual com os professores. Vocês obedecem, democraticamente.
- Assim não vale. O Presidente deve ser nosso servidor, ou
pelo menos saber que todos somos iguais a ele. Queremos vantagens.
- Eu sou o Presidente e não posso ser igual a vocês, que são presididos. Se exigirem coisas de mim, serão multados e perderão o direito de participar da minha comitiva nas festas. Pensam que ser Presidente é moleza? Já estou sentindo como este cargo é cheio de espinhos.
Foi deposto, e dissolvida a República.
- Eu sou o Presidente e não posso ser igual a vocês, que são presididos. Se exigirem coisas de mim, serão multados e perderão o direito de participar da minha comitiva nas festas. Pensam que ser Presidente é moleza? Já estou sentindo como este cargo é cheio de espinhos.
Foi deposto, e dissolvida a República.
Carlos Drummond de Andrade, em "Contos Plausíveis"
sexta-feira, 1 de agosto de 2014
A funda de Davi
Era uma vez um menino chamado Davi N., cuja pontaria e habilidade no manejo da
atiradeira despertavam tanta inveja e admiração entre seus amigos da vizinhança
e da escola, que viam nele — e assim comentavam entre si quando os pais não
podiam escutar — um novo Davi.
O tempo passou.
Cansado do tedioso tiro ao alvo que praticava disparando pedrouços contra latas vazias e pedaços de garrafa, Davi descobriu um dia que era muito mais divertido exercer contra os pássaros a habilidade com que Deus o tinha dotado, de modo que dali em diante a exercitou contra todos os que se punham ao seu alcance, em especial contra Pardais, Cotovias, Rouxinóis e Pintassilgos, cujos corpinhos sangrentos caíam suavemente sobre a grama, com o coração ainda agitado pelo susto e a violência da pedrada.
Davi corria alegre até eles e os enterrava cristãmente.
Quando os pais de Davi se aperceberam desse costume do seu bom filho se alarmaram muito, lhe perguntaram o que é que era aquilo, e denegriram a sua conduta com termos tão ásperos e convincentes que, com lágrimas nos olhos, ele reconheceu sua culpa, se arrependeu sincero, e durante muito tempo se aplicou em disparar apenas sobre os outros meninos.
Dedicado anos depois às Forças Armadas, na Segunda Guerra Mundial Davi foi promovido até general e condecorado com as cruzes mais altas por matar sozinho trinta e seis homens, e mais tarde degradado e fuzilado por deixar escapar com vida um Pombo mensageiro do inimigo.
quinta-feira, 31 de julho de 2014
Voto facultativo?
A população brasileira vem se convencendo ao longo do tempo
de que o voto facultativo é melhor que o obrigatório. Começamos a perceber o
que a grande maioria dos países do mundo já entendeu.
Segundo a Agência Central de Inteligência dos EUA, dos 236
lugares do mundo onde há eleições, em apenas 24 o voto é obrigatório. Desses
24, só quatro — Áustria, Bélgica, Chile e Cingapura — estão incluídos entre os
chamados países desenvolvidos, de acordo com o critério do Índice de
Desenvolvimento Humano.
Leia mais o artigo de Paulo Paim, Sim ao voto facultativo
Candidatos 'Pinóquio'
As eleições, tão bagunçadas, são uma vergonhosa corrida nada
democrática ao poder, em que se pode tudo e vale tudo. Qual seria a seriedade
de candidatos que se dizem isso ou aquilo sem a menor comprovação, em site da
seriedade que se admite deve ter um tribunal? Há que se explicar como a Receita
Federal exige comprovações até de um corte de calo e em outro site, também
federal, os candidatos esbanjam em ser o que não são. Mais uma vez aproveitam
para fazer com dinheiro público um caminho para a autopromoção, declaram gastos
de campanha exorbitantes e incompatíveis com a declaração de renda. Se fizessem
as mesmas declarações de gastos e renda, seriam apanhados rapidamente pelo leão
e nunca passariam nem de longe numa malha grossa.
O Estado, portanto, trabalha com dois pesos e duas medidas.
Quando é preciso arrecadar impostos, usa da melhor tecnologia e não deixa
escapar um centavo furado. Ainda mais que mentir para o leão é crime. No
entanto, quando está em jogo a eleição, a mentira é moeda circulante no meio
político, nem se faz uma checagem entre renda e gastos do candidato como se
isso não interferisse, como a mentira, na sua transparência antes e mais ainda
depois de eleito.
Uma rápida investigação nas fichas divulgadas pelo TRE basta
para comprovar que fede longe a transparência e ainda mais a honestidade de
candidatos que mentem com a maior desfaçatez. Como pode alguém se declarar de
nível superior, quando não tem esse diploma, inventar ter uma profissão e não
saber distinguir entre profissão e cargo? Pois isso fica claro para qualquer
vivente que tenha olhos para ver e cabeça para pensar.
Mas os mentirosos ainda continuam seu esbanjamento, nas
barbas do Tribunal. São capazes de anunciarem gastos de campanha assombrosos
até mesmo sem demonstrar nenhuma fonte de renda, se já não bastassem os rombos
no dinheiro público para alimentar por estes anos todos uma malta de asseclas.
Tanto dinheiro virá de onde? E como será restituído? Para tais questões, o
tribunal se restringe a lavar as mãos, pois isso é para se resolver depois em
outro tribunal. No entanto, na justiça eleitoral se poderia fazer uma triagem
dos futuros corruptos, que já indicam nas fichas que não estão ali para brincar
de democracia, mas se sujar com corrupção.
Exemplo dessa orgia eleitoreira pode ser vista na ficha da candidata a deputada federal por Maricá, a mulher do prefeito Quaquá. Em sua segunda corrida ao Legislativo – a anterior foi ao municipal -, mesmo sem ter fonte de renda, anuncia uma previsão de R$ 2,5 milhões de gastos com campanha e ainda mais se diz jornalista e redator (sic) num claro desconhecimento entre a profissão e cargo, dando os dois como uma coisa só, o que vem insistindo em ser quando não é nenhuma coisa nem outra.
Políticos
quarta-feira, 30 de julho de 2014
Perguntas de um operário letrado
Quem construiu Tebas, a das sete portas?
Nos livros vem o nome dos reis,
Mas foram os reis que transportaram as pedras?
Babilónia, tantas vezes destruída,
Quem outras tantas a reconstruiu? Em que casas
Da Lima Dourada moravam seus obreiros?
No dia em que ficou pronta a Muralha da China para onde
Foram os seus pedreiros? A grande Roma
Está cheia de arcos de triunfo. Quem os ergueu? Sobre quem
Triunfaram os Césares? A tão cantada Bizâncio
Só tinha palácios
Para os seus habitantes? Até a legendária Atlântida
Na noite em que o mar a engoliu
Viu afogados gritar por seus escravos.
O jovem Alexandre conquistou as Índias
Sozinho?
César venceu os gauleses.
Nem sequer tinha um cozinheiro ao seu serviço?
Quando a sua armada se afundou Filipe de Espanha
Chorou. E ninguém mais?
Frederico II ganhou a guerra dos sete anos
Quem mais a ganhou?
Em cada página uma vitória.
Quem cozinhava os festins?
Em cada década um grande homem.
Quem pagava as despesas?
Tantas histórias
Quantas perguntas
Nos livros vem o nome dos reis,
Mas foram os reis que transportaram as pedras?
Babilónia, tantas vezes destruída,
Quem outras tantas a reconstruiu? Em que casas
Da Lima Dourada moravam seus obreiros?
No dia em que ficou pronta a Muralha da China para onde
Foram os seus pedreiros? A grande Roma
Está cheia de arcos de triunfo. Quem os ergueu? Sobre quem
Triunfaram os Césares? A tão cantada Bizâncio
Só tinha palácios
Para os seus habitantes? Até a legendária Atlântida
Na noite em que o mar a engoliu
Viu afogados gritar por seus escravos.
O jovem Alexandre conquistou as Índias
Sozinho?
César venceu os gauleses.
Nem sequer tinha um cozinheiro ao seu serviço?
Quando a sua armada se afundou Filipe de Espanha
Chorou. E ninguém mais?
Frederico II ganhou a guerra dos sete anos
Quem mais a ganhou?
Em cada página uma vitória.
Quem cozinhava os festins?
Em cada década um grande homem.
Quem pagava as despesas?
Tantas histórias
Quantas perguntas
Bertold Brecht
A caminho do novo?
Apegar-se ao passado é começar a morrer. Abrir caminhos novos é se deixar dominar pela esperança
Os brasileiros estão perdendo o medo de ter medo? Esse temor
de mudar que os torturou durante tanto tempo por medo de enfrentar os poderosos
ou para não perder os privilégios fornecidos pelos caciques da vez, ao mesmo
tempo que impediu que abrissem as portas para a modernidade?
A derrota da seleção na Copa não produziu nenhum cataclismo
no país que acabou aplaudindo a técnica dos alemães que humilhou com aqueles 7
a 1. Estará amadurecendo este país que começa a entender que é mais que o país
do futebol?
Se hoje 73% dos cidadãos afirmam que desejam mudanças, é
porque se trata de uma sociedade viva, que não se resigna com o já conseguido e
que se revela cada mais exigente com as instituições governantes.
"Mastigamos, mas não engolimos mais as mentiras", é um refrão que
percorre as redes sociais do Brasil.
Se o país parece mais inconformista é porque enfrentou o
fantasma do medo e isso começa a liberá-los de atrasos ancestrais.
Nenhuma sociedade muda e evolui se estiver presa pelo medo.
Leia mais o artigo de Juan Arias, O Brasil está caminhando para o novo?
terça-feira, 29 de julho de 2014
O varredor
Intervencionista e parasita
O candidato à presidência pelo PV assume a fragilidade
política do movimento ambientalista e critica o racha entre o grupo de Marina
Silva e o PV. Defende, no entanto, uma reaproximação.
O médico sanitarista Eduardo Jorge, que concorre à
presidência da República pelo Partido Verde (PV), credencia-se para ocupar o
lugar de candidato incômodo desta eleição. Pretende discutir temas áridos, como
reforma política, implementação do parlamentarismo, e tabus, a exemplo da
legalização do aborto e da maconha.
Fundador do Partido dos Trabalhadores, em que ficou 20 anos,
e ex-secretário municipal do tucano José Serra, Jorge vê um modelo de
Estado desgastado. “O nosso Estado, além de intervencionista ao extremo, é
parasita, com uma estrutura de presidencialismo imperial”, diz ele, que defende
as consultas públicas e plebiscitos.
Autor da lei dos genéricos, o ex-deputado federal pelo PT
sabe que tem “zero ou alguma chance” de vencer o pleito deste ano. Também é
ciente que será difícil repetir o sucesso da ex-correligionária Marina
Silva. A ambientalista, vice de Eduardo Campos (PSB), obteve 20 milhões de
votos em 2010. A saída dela do PV para tentar criar a Rede foi nefasta, segundo
Jorge, para a causa ambiental. “A organização do movimento político ambiental é
frágil no país e aí ainda se dividiu. A gente devia ter se mantido unido e
ampliado o PV”, analisa o candidato, que deixa a porta aberta para a volta de
Marina.
Inchaço no Estado
Excesso de ministérios e cargos comissionados só servem para abrigar a base aliada e revelam a urgência de uma reforma administrativa, afirmam analistas. Brasil tem mais ministérios que Estados Unidos e Argentina juntos.
Mas especialistas ouvidos pela DW Brasil defendem que o
governo federal pode começar "cortando na própria carne", ou seja,
fazendo uma reforma administrativa que simplifique a estrutura do Executivo.
O número de ministérios e secretarias com status de
ministério no Brasil – ao todo são 39 – é muito maior do que em países como
Alemanha (14) e Estados Unidos (15), ou mesmo vizinhos como a Argentina (14) e
o Chile (22).
"Essa forma de gestão caminha na contramão da história
e de tudo aquilo que seria o ideal para a administração pública, não só no
Brasil, mas em qualquer país. A criação desses ministérios é uma forma de
abrigar a base aliada do governo e acelera ainda mais as distorções dentro da
máquina pública", afirma José Matias-Pereira, professor de administração
pública da Universidade de Brasília (UnB).
segunda-feira, 28 de julho de 2014
A Esquerda e a Direita
Os políticos que se dizem de esquerda, por ser o bom sítio
de se ser político, estão sempre a afirmar que são de esquerda, não vá a gente
esquecer-se ou julgar que mudaram de poiso. Mas dito isso, não é preciso ter de
explicar de que sítio são os atos que a necessidade política os vai obrigando a
praticar. Como os de direita, aliás, que é um lugar mais espinhoso. O que
importa é dizerem onde instalaram a sua reputação, na ideia de que o nome é que
dá a realidade às coisas. E se antes disso nos explicassem o que é isso de ser
de esquerda ou de direita? Nós trabalhamos com papéis que não sabemos se têm
cobertura, como no faz-de-conta infantil. Mas o que é curioso é que o comércio
político funciona à mesma com os cheques sem cobertura. E ninguém tira a limpo
esse abuso de confiança, para as cadeias existirem. Mas o homem é um ser
fictício em todo o seu ser. E é precisa a morte para ele enfim ser
verdadeiro.
Vergílio Ferreira (1916/1996)
Quando outubro chegar...
"Desinformados, raramente conseguimos destacar o raro do medíocre" Martha Medeiros
Foi-se o tempo da dentadura, do saco de cimento, do caixão doados
por políticos para a compra de votos. Não que deixaram de existir, estão aí
para qualquer tribunal disposto a punir se tiver vontade. Pode isso soar
antiquado, mas é que os políticos se requintaram e hoje maqueiam como
realizações aquilo que nunca vai sair do papel só para comprar votos com
promessas. Como os tribunais não podem punir promessas vãs, ficam os criminosos
soltos apontando para o cidadão a bazuca das promessas. Diante de pesado
armamento, subsidiado pelo erário, fica difícil não conseguir o almejado voto.
Garantido esse, gritam os políticos para o povão: “Perdeu!”
Em plena temporada eleitoreira, os discursos e promessas são
as mais bizarras se não as mais escrachadas, mas imbecis e mais infames. Tudo
despejado sobre a cabeça dos cidadãos como balde de estrume mesmo que nem todos
tenham em vez de cabeças privadas como acontece com os correligionários desses
cretinos.
Exemplo do maior escracho é Maricá. Com o tempo passando
para tentar pela segunda vez eleger a primeira dona do município, o prefeito
fogueteia por todo o canto as mais mirabolantes realizações, e até estipula
tempo recorde que nem um super heroi conseguiria cumprir. Segundo ele, cerca de
40 km de
ruas serão asfaltadas e as obras começam já daqui a 15 dias. Também incluiu no
discurso a construção de seis novas escolas e 40 pistas de skate como se
houvesse mais necessidade do skate do que da instrução. "Tudo ficará
pronto antes de outubro", garantiu, mas sem esquecer que para o futuro
virá um trem VLT, promessa antiga.
Como o tempo é curto para muita maravilha, há muito dinheiro
injetado para eleger a amásia para a Câmara estadual - uma garantira de foro
privilegiado. E não falta dinheiro com os royalties jorrando dia e noite nas
maquiagens eleitoreiras. Mesmo sem cumprir em seis anos um terço dos 30 itens
prometidos, agora o prefeitinho anuncia que os ônibus de uma empresa
governamental, MaricaTrans S/A, entocados no aeroporto fechado, sairão às ruas
em agosto para um período experimental com passagens gratuitas e chapa branca,
tudo pago pelo Erário, para dar “gratuidade” às passagens, sem garagem,
funcionários, ou qualquer estrutura. Qual será o intuito descarado senão o de
garantir votos para madame com tudo pago pelo incauto cidadão?
Mas promessas não faltarão. O governo petista de Maricá é
pródigo em criar factoides, mentir, enganar como também em surrupiar os cofres
públicos. Sem qualquer pingo de vergonha na cara, até já anunciaram a vinda de
um trem ligando Itaipuaçu a Ponta Negra, atravessando todo município e até para
orgulho dos cidadãos uma estátua de 10 metros do santo padre Anchieta,
canonizado recentemente para lembrar também o “trabalho e dedicação em prol da
educação e da inclusão assim como nosso governo de políticas públicas voltadas
para os menos favorecidos”.
domingo, 27 de julho de 2014
Queijo para dois
A Situação
comia o queijo sozinha, a Oposição tinha fome e também lhe apetecia comer do
queijo.
- Negativo –
respondeu a Situação. – O queijo não dá para todos. Mesmo que desse, o queijo
nunca é para todos.
- Então eu
vou aí e tiro o queijo todo para mim – ameaçou a Oposição.
E a Situação
continuava comendo queijo, comendo queijo. Até que ele acabou. Vendo que tinha
acabado, ela se queixou da Oposição:
- Viu o que
você me arrumou? De tanto reclamar uma fatia de queijo, ele foi minguando,
minguando, e me deixou com fome. Você botou olho-grande. Quando eu arranjar
outro queijo, vou comê-lo escondido.
(Contos
plausíveis Carlos Drummond de Andrade)
***
De uma atualidade
quase profética
Deixai os doidos governar
Deixai os doidos governar entre comparsas!
Deixai-os declamar dos seus balcões
Sobre as praças desertas!
Deixai as frases odiosas que eles disserem,
Como morcegos à luz do Sol,
Atónitas baterem de parede em parede,
Até morrerem no ar
Que as não ouviu
Nem percutiu
À distância da multidão que partiu!
Deixai-os gritar pelos salões vazios,
Eles, os portentosos mais que os mares,
Eles, os caudalosos mais que os rios,
O medo de estar sós
Entre os milhares
De esgares
Reflectidos nos colossais
Cristais
Hílares
Que a sua grandeza lhes sonhou!
Deixai-os declamar dos seus balcões
Sobre as praças desertas!
Deixai as frases odiosas que eles disserem,
Como morcegos à luz do Sol,
Atónitas baterem de parede em parede,
Até morrerem no ar
Que as não ouviu
Nem percutiu
À distância da multidão que partiu!
Deixai-os gritar pelos salões vazios,
Eles, os portentosos mais que os mares,
Eles, os caudalosos mais que os rios,
O medo de estar sós
Entre os milhares
De esgares
Reflectidos nos colossais
Cristais
Hílares
Que a sua grandeza lhes sonhou!
Reinaldo Edgar de
Azevedo e Silva Ferreira (1922-1959)
Desculpe David Luiz
Os EUA tiveram uma guerra civil que custou cerca de 600 mil
vidas. A Alemanha foi derrotada duas vezes no período de 27 anos e a França foi
ocupada pelos alemães. Outros países tiveram grandes traumas por terremotos e
maremotos.
Nossos traumas foram derrotas no futebol: para o Uruguai, em
16/7/1950, e Alemanha, em 8/7/2014. Sofremos por causa dos 7 a 1 no futebol,
mas esquecemos dos 103 a Zero para a Alemanha em Prêmios Nobel.
A realidade social não nos traumatiza porque nossos grandes
problemas foram banalizados. Consideramos tragédia ter o quarto melhor time de futebol do
mundo, mas não nos traumatiza quando, no dia 1/3/11, a UNESCO divulgou que
estamos em 88º lugar em educação; nem quando, em 15/3/13, o PNUD divulgou que
estamos em 85º lugar no Índice de Desenvolvimento Humano; ou quando o Banco
Mundial nos coloca como o 8º pior país em concentração de renda; ou ainda
quando soubemos que somos o 54º país em competitividade no mercado mundial; ou
quando o IBGE divulgou, em 27/9/13, o aumento no número de adultos analfabetos
entre 2011 e 2012.
sábado, 26 de julho de 2014
Melhora de vida esbarra na educação
Indicador foi o único que se manteve estável dentro do Índice de Desenvolvimento Humano
A educação ainda trava o avanço do país no ranking dos países com maior
nível de desenvolvimento. Nas três dimensões que compõem o Índice de
Desenvolvimento Humano (IDH), a educação está estagnada, enquanto avançam os
indicadores de renda e saúde.
A
expectativa de anos de estudo (que significa quanto tempo se espera que uma
criança ficará na escola) se manteve em 15,2 anos, e a média de anos de estudo,
em 7,2 anos. Já a Renda Nacional Bruta (RNB) per capita do país subiu de US$
14.081 em 2012 para US$ 14.275 em 2013, enquanto a expectativa de vida aumentou
de 73,7 anos para 73,9 anos no mesmo período.
— O que está
puxando o Brasil para baixo em desenvolvimento humano é a educação. Avançamos
em expectativa de vida e a renda é condizente com os demais países do grupo de
alto desenvolvimento humano, mas a média de anos de estudo é a terceira pior do
grupo e se aproxima dos grupos inferiores — explica a professora da UFPE
Tatiane de Menezes.
No grupo de
alto desenvolvimento humano, apenas Omã (6,8 anos) e Colômbia (7,1 anos) têm
média de anos de estudo inferior à brasileira. Vizinhos da América Latina, como
Argentina (9,8 anos), Chile (9,8 anos) e Cuba (10,2 anos), exibem números bem
maiores.
Saiu uma; entra outra
No último quartel de século, contudo, apesar das sucessivas eleições, a cultura democrática pouco avançou, principalmente nos últimos 12 anos. As presidências petistas reforçaram o autoritarismo. A transformação da luta armada em ícone nacional é um bom (e triste) exemplo. Em vez de recordar a luta democrática contra o arbítrio, o governo optou pela santificação daqueles que desejavam substituir a ditadura militar por outra, a do “proletariado".
Marco Antônio Villa
Política de investimentos S/A
Levantamento traz os dez parlamentares mais votados em 2010; montante representa 8,4% do valor total
Deputados federais não são só capital político: eles também representam a
garantia de engorda dos cofres das legendas, que, com grandes bancadas e
votações expressivas, acabam recebendo mais dinheiro na distribuição do fundo
partidário. Um levantamento feito pelo GLOBO com base em informações do
Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Departamento Intersindical de Assessoria
Parlamentar (Diap) revela que os 10 deputados federais mais votados em 2010
renderam R$ 111 milhões no último mandato, entre 2011 e 2014.
O montante
equivale a 8,4% do R$ 1,32 bilhão repartido entre todas as siglas registradas
no TSE no período. Tiririca, que tem mais votos entre eles, conseguiu sozinho
R$ 29,9 milhões para o PR na divisão do fundo. Já Garotinho, o segundo lugar,
foi responsável por R$ 15,3 milhões do dinheiro destinado ao PR. O repasse do
fundo partidário é constituído por recursos públicos e particulares. De seu
total, 5% é distribuído igualmente entre as siglas e 95% de forma proporcional
à votação dos deputados federais na última eleição.
A cara do Brasil
Este filme é a cara do Brasil, segundo Cacá Diegues, com Salomé, Lorde Cigano e Andorinha, os mambembes que cruzam o país na Caravana Rolidei.
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