O “partido que mudou o Brasil” espalha por Maricá os “zeidanetes” ou “fabianetes”, os miseráveis pagos com uma quentinha, vale-transporte e R$ 50 por dia para ficarem exibindo bandeiras dos figurões candidatos. No Brasil desses, ainda se continua a explorar os mais pobres sem que lhes dê trabalho, educação, saúde, mas as migalhas das campanhas. Tudo sob a égide do vale tudo do voto
sexta-feira, 25 de julho de 2014
'Emprego' para miseráveis
Ladrão dá voto!
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O crime virou de vez uma vaquinha eleitoreira. É mais uma
área de governo que se tornou máquina para eleger, ou mesmo reeleger, os
alcunhados bandidos diplomados em eleição, os políticos de conchavo e outros
mais meliantes. O país, e em particular cada cidadão, fica à sanha da
criminalidade - até mesmo as instituições policiais e seus integrantes - para
que os políticos possam demagogicamente fazer firula, aparecer na mídia
solicitando providências de segurança e outras mumunhas mais. Fazem pose de
que estão providenciando o que nunca providenciaram, nem lhes interessa
resolver, apenas para dar ibope na mídia e receberem a claque dos seus
"soldados" correligionários, meros perus emplumados.
Todos sabem de longe que as tais medidas propostas são pirotecnia da politicanalha que impera há anos no troninho. Fingem que batalham pela segurança quando são os primeiros a usar o dinheiro público para garantir sua própria segurança. Preferem armar um exército de proteção até para evitar qualquer confronto com adversários ou encontros indesejáveis. Essa vaquinha eleitoreira, uma das muitas implantadas nos últimos anos pelo país, foi incrementada com a falta de empenho que os desgovernos trataram e tratam o problema. Criam medidas, acenam com factóides pela mídia, falam da proteção do cidadão, mas o que mais fazem é não fazer nada. Quando muito se esforçam em casos de repercussão, e olhe lá. Mas blindam a si e aos amigos.
Esquecem esses mentores da vaquinha a falta de empenho em
aplicar o máximo de esforços em liquidar de vez com as drogas. Quando o país
é assolado por uma epidemia de crack - segundo país em consumo no mundo e
primeiro em crack - , o que se vê é o silêncio pré-eleitoral. O problema será
base da campanha para que possam render votos seguros dos incautos com os
anunciados projetos mirabolantes. E a droga continuará a rolar solta, os
drogados virando ladrões, quiçá assassinos, para na roda-viva manter em seus
cargos aqueles mesmos que bolaram as maravilhas de combate ao crime, e não
resolveram nada. Porque não é mesmo para resolver, mas só para render o
continuísmo de poder.
Maricá trilha há bom tempo essa carreira criminal. A
começar pela inauguração dos "atentados" eleitoreiros trombeteados
em 2008. Cresceu tanto a violência na região que na grande mídia Maricá só dá
as caras com destaques negativos. Ou são as matérias pagas do governo de
Quaquá para anunciar suas mentiras sem pé nem cabeça – verdadeiros atentados
à cidadania e à democracia -, ou os casos policiais de repercussão como a
morte de turista russo, sequestro de empresário ou prisão de fugitivos de
favelas cariocas. O próprio governo municipal chegou a providenciar um
abaixo-assinado junto à população para pedir mais policiamento militar ao
Estado, incapaz que é de gerir com os outros poderes medidas eficazes. Tudo
para se eximir e jogar a batata quente para terceiros.
É assim que o povo se vê rendido ao crime, a polícia
exposta ao criminoso. Tudo em bom nome da maracutaia política que assegura
uma e única coisa: o sacrifício do cidadão e mesmo dos policiais imolados nas
urnas.
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Prêmio para Viva Rio
"Violência urbana às vezes mata mais do que guerra"
Rubem Fernandes, diretor-executivo e um dos fundadores da ONG
Viva Rio, recebeu nesta quinta-feira em
Wiesbaden, na Alemanha, o Prêmio da Paz de 2014 pelo reconhecimento ao trabalho
da organização contra a violência e na área de desenvolvimento social.
Conclamação
“(...) Não repousemos, trabalhemos, velemos sobre nós e sobre os outros, entreguemo-nos por inteiro à probidade, prodigalizemo-nos para a justiça, arruinemo-nos pela verdade, sem contar o que perdemos, porquanto o que perdemos o ganhamos. Nada de frouxidão. Façamos segundo as nossas forças e além de nossa forças. Onde existe um dever? Onde existe uma luta? Onde há um exílio? Onde há uma dor? Corramos para aí”
Victor Hugo (1802-1885) em "Pós-escrito de
minha vida"
quinta-feira, 24 de julho de 2014
A violência campeia solta
Publicado em julho, o mais recente Mapa da Violência mostra
que mais da metade dos municípios brasileiros com mais de 10 mil habitantes tem
taxa de homicídios em nível epidêmico, segundo os critérios da Organização
Mundial da Saúde (OMS) — mais de 10 homicídios para cada 100 mil habitantes.
Dos 3058 municípios pesquisados, 1932 (63%) se enquadram nesse diagnóstico.
A cidade brasileira mais violenta é Caracaraí, em Roraima,
com a incrível taxa de 210,3, seguida por Mata de São João, na Bahia, com
149,3. A Bahia tem mais 4 cidades entre as 10 mais violentas do
Brasil: Simões Filho, Ibirapitanga, Itaparica e Porto
Seguro.
(...) No Brasil, são tantos os homicídios que é como se um avião da Malaysia Airlines fosse abatido em nosso território a cada 43 horas. Por um míssil chamado subdesenvolvimento, com a seguinte munição: impunidade, crueldade, omissão e abuso policial. E a crônica falta de educação.
Prisões ameaçam democracia
Especialistas veem ameaça à democracia e criticam fato de processo caminhar em segredo e o que seria um uso abusivo da prisão preventiva. Justiça do Rio afirma que há tentativa de "politizar uma questão de rotina".
As prisões de ativistas envolvidos nas manifestações
anti-Copa do Mundo em várias cidades do Brasil geraram críticas de entidades
civis, acadêmicos e organizações, gerando um debate jurídico no país.
Se de um lado seus defensores argumentam que as prisões são
necessárias porque a violência gerou uma onda de crimes e prejudicou as
próprias manifestações, os detratores dizem que elas não passaram de uma
estratégia para, em plena Copa, enfraquecer os protestos e reduzir riscos à
imagem do país.
As críticas se centram, sobretudo, no fato de o processo
caminhar em segredo de Justiça e no que seria um uso abusivo do recurso de
prisão preventiva.
“Temos a Constituição Federal que estabelece direitos
fundamentais e parâmetros da atuação da Justiça. O que estamos assistindo de
uma maneira estarrecedora é como isto vem sendo ignorado pelo poder público,
nesse caso especifico, sobretudo pelo Poder Judiciário e pelo Ministério Público
estadual”, argumenta a jurista Vanessa Batista, da Universidade Federal do Rio
de Janeiro (UFRJ).
O Poder Judiciário determina que o processo deve correr em segredo de Justiça quando ele envolve menores ou quando envolve algo que signifique risco para sociedade. Qual é esse risco que nós estamos correndo? O risco quem está correndo somos nós, a sociedade democrática
Vanessa Batista, professora da UFRJ
Legado de Suassuna
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| Kinho |
"... é muito difícil você vencer a injustiça secular, que dilacera o Brasil em dois países distintos: o país dos privilegiados e o país dos despossuídos"
Ariano
Suassuna (1927-2014)
quarta-feira, 23 de julho de 2014
A esbórnia tá nas ruas
“(...) e por toda a parte havia políticos e pistoleiros, debruçados nas janelas de suas prefeituras, cuspindo na pobreza lá embaixo”
Graham Greene
Quem se pergunta ainda para aonde vai o dinheiro do
brasileiro, depois de passar pelo superfaturamento de obras, pagamento do
inflado funcionalismo público e a corrupção - só para citar umas poucas
peneiras brasileiras -, é só olhar para as ruas com a abertura da temporada de
caça ao eleitor. As cidades se embandeiram em comemoração à festa cívica tão ao
gosto dos políticos e governinhos demagógicos, um espetáculo imperdível de
cinismo.
É um escárnio, avalizado por lei com propaganda “patriótica”,
que emporcalha e ainda, para cúmulo do gozação, implanta pobres coitados, a
salários miseráveis, sacudindo bandeiras dos candidatos. Em Marícá uma avenida
central se enfeita de gente com panos propagandísticos. São os zeidanetes ou
fabianetes, que recebem quentinha e nem dois salários mínimos por mês. Baita
salário para um país que se dispõe a acabar com a miséria mantendo um pibinho
de menos de 1%, muito bolsa família para engordar os não necessitados e pagando
aos conselheiros das contas públicas um salário moradia de até R$ 7 mil.
No show de cinismo, promovido pelos poderes como espetáculo
de cidadania, vale tudo. Os fichas-sujas se armam de advogados para driblar a
lei, os caras de pau de sempre retornam às telinhas, os correligionários se
travestem de querubins, ah, e os candidatos , depois de passarem por um
photoshop, mostram caras bem nutridas e risonhas, com dentadura de anúncio!, em
santinhos. O custo é o de menos. Tem gente para trabalhar e pagar.
As obras, superfaturadas até com adicionais quase no valor
total da construção, são completadas a toque de caixa. Não importa inaugurar a
porcaria, o que vale nestes dias é mostrar o que se fez, mesmo que isso seja um
monstrengo de inutilidade ou já com prazo de validade vencido. Como não deu
tempo, em Maricá, uma passarela sobre rodovia ficou inacabada sem uma das
calçadas de acesso. Agora está sem “dono” porque ninguém pode dizer que fez. Mas
quem liga pra isso? Coisas sem importância que não empanam a festa cínica que
vem aí.
Enfim, mal terminou a gastança da Copa, a gente volta às
ruas para fazer brilhar mais uma vez o poder político com direito a todos os
gastos sem qualquer lucro para a população. Fizeram a limpa para a festa e
precisam que fique algum para quando janeiro chegar. Ninguém é de ferro, e o
início do ano tem muita conta pra pagar, principalmente o custo de campanha,
que deve ser ressarcido pelo contribuinte.
Alfabetização no Brasil não alfabetiza
Doutor em desenvolvimento da cognição e psicolinguística, o português José Morais defende o envolvimento da neurociência na alfabetização para reformar os pensamentos pedagógicos. Em agosto ele virá ao Brasil para VII Seminário Internacional, promovido pelo Instituto Alfa e Beto (IAB), em Belo Horizonte.
Em recente entrevista Morais fala sobre avalia a
alfabetização brasileira. “Infelizmente, baseia-se na crença construtivista —
chamo de crença porque contraria o conhecimento científico atual. No Pisa
(programa internacional de avaliação de estudantes, na sigla em inglês), não
houve variação significativa entre a primeira versão, de 2000, e a última, de
2012. O Brasil está muito abaixo da média dos países e quase 80 pontos abaixo
de Portugal, que tem a mesma língua, o mesmo código ortográfico, e as
diferenças de dialeto deveriam até ser mais favoráveis à alfabetização no
Brasil. Só 1 em mil adolescentes brasileiros lê no nível mais alto de
desempenho estabelecido pelo Pisa. A taxa de analfabetismo continua demasiado
alta e, sobretudo, quase metade da população não lê de maneira competente. O
Ministério da Educação não pode continuar a manter uma proposta de alfabetização
que não alfabetiza”.
Ainda segundo o professor emérito da Universidade Livre de
Bruxelas, que estuda a psicologia cognitiva associada à educação, o Brasil
ainda não sabe que caminho escolher para a educação:
- É uma obrigação social e moral que o Estado fixe a idade
de início da alfabetização. Se as crianças da elite aprendem aos 5 ou 6 anos na
família ou em colégios particulares, não está certo que as do povo só sejam
alfabetizadas (capazes de ler com compreensão e de escrever) aos 8 anos. Está
se desviando a atenção daquilo que realmente é importante: a política certa,
política de reprodução de privilégios ou política pública realmente
democrática.
terça-feira, 22 de julho de 2014
Velhos filmes em pobres cenários
Lá pelos idos de 1940 e até 1950, Hollywood produziu filmes,
normalmente de classe B, em que o bandido quase sempre fugia para o Brasil.
Aqui era o reduto da bandidagem cinematográfica na mesma época em que Havana
era o refúgio da máfia norte-americana. O cinema convergia as cenas para o
paraíso tropical a fim de não comprometer as aberrações criminosas sob o regime
de Fulgêncio Batista. Colocar bandidos em Havana, na época, era contra os
interesses nacionais (deles). Então que viessem para o Rio – “Yes, nós temos
banana” também.
Os saudosistas podem ficar tranquilos. Os tempos estão
voltando. Mas os bandidos não são os de cinema, nem vivem em Hollywood, também
o paraíso da impunidade não fica no Rio dos cassinos, que já não existem. Agora
a bandidagem, que não é cinematográfica, nem estrangeira, nem estrela, prefere
uma pequena e desleixada cidade bem próxima ao Rio.
Depois de abrigar Marcelo Sereno e Maria Helena, prósperos
asseclas de Zé “Mensalão”, por um bom tempo, na primeira gestão de Washington
Quaquá, o grande nome das paradas já há algum tempo é Lurian Lula, dona de um
extenso prontuário de atuações em governos municipais petistas. Depois de
passear por São José, cidade vizinha de Florianópolis, onde abocanhou o cargo
de secretária de Desenvolvimento Social, quando trocou as cestas básicas pela
criação de um Cartão Cidadão, e ser figurinha na última campanha no Maranhão
ferrando 13 candidaturas petistas no estado, parece que se encantou pela
sujeira de Maricá, onde desde o ano passado vem participando da politicalha
local, nos bastidores, como confessou há tempos sobre sua preferência de ação.
E com tempo até para acompanhar o casal reinante em passeios internacionais e
na passarela do samba.
Lurian teria trocado São Paulo, o apartamento em
Florianópolis e as praias nordestinas pela suja e desleixada (pelo governo)
cidadezinha fluminense encantada. Por que deixaria o bem-estar lá de fora por
um muquifo em Maricá, sem ruas asfaltadas, saneamento básico, saúde, segurança?
Ou será, dizem as más línguas, que é uma cidadã virtual podendo
confortavelmente fazer seu trabalho através do mundo e receber tudo via internet?
Pois Lurian agora é a jornalista responsável (sic) pela revista Maricajá, de
propriedade do casal Quaquá, que tem como diretora nada menos do que a consorte
Zeidan, candidata à Câmara federal.
O caso Maricajá, agora nas mãos de Lurian, é o mais escandaloso
uso de verbas públicas para abastecer a empresa sem registro do prefeito, que
se tornou órgão oficioso e de propaganda da Prefeitura. E no comando agora
temos a sempre zelosa pelo bem do povo, Lurian, uma representante de sangue
azul dos pelegos. É ou não é a volta dos velhos filmes classe B, em que
pontuavam os mafiosos?
E no cordão dos puxa-sacos...
"Presidentes temperamentais dizem o que querem, e os áulicos aprendem a fingir que concordam"
Elio Gaspari
Altas contas dos TCEs
Benefícios como 14º e 15º salários são pagos como ‘aquisição de obras técnicas’
Os salários ultrapassam R$ 26 mil. A eles,
somam-se auxílio-alimentação que chega a R$ 1.000 por mês; auxílio-moradia que,
em alguns casos, ultrapassa R$ 7 mil por mês; R$ 2.924 por abono de
permanência, pago ao magistrado que, aposentado, continua trabalhando; e 14º e
15º salários camuflados sob a rubrica de “aquisição de obras técnicas”. É a
folha dos conselheiros dos Tribunais de Contas dos estados no país.
Em Mato
Grosso, por exemplo, o auxílio-moradia é de R$ 7.235 — mais que o dobro do que
têm direito os deputados federais, que podem receber até R$ 3 mil. Mesmo com as
regalias, há diversos casos de conselheiros acusados de desvios de verba
pública, como mostrou O GLOBO neste domingo. Além disso, os tribunais, que
cobram a prestação de contas de vários entes governamentais, não são
transparentes.
segunda-feira, 21 de julho de 2014
O maior bem
"A cultura assusta muito. É uma coisa apavorante para os ditadores. Um povo que lê nunca será um povo escravo"
António
Lobo Antunes
Parada pra poesia
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| Sophia de Mello Breyner Andresen (1919 – 2004) |
As pessoas sensíveis
As pessoas sensíveis não são capazes
De matar galinhas
Porém são capazes
De comer galinhas
O dinheiro cheira a pobre e cheira
À roupa do seu corpo
Aquela roupa
Que depois da chuva secou sobre o corpo
Porque não tinham outra
O dinheiro cheira a pobre e cheira
A roupa
Que depois do suor não foi lavada
Porque não tinham outra
“Ganharás o pão com o suor do teu rosto” Assim nos foi imposto
E não:
“Com o suor dos outros ganharás o pão”
Ó vendilhões do templo
Ó construtores
Das grandes estátuas balofas e pesadas
Ó cheios de devoção e de proveito
Perdoais–lhes Senhor
Porque eles sabem o que fazem
Porém são capazes
De comer galinhas
O dinheiro cheira a pobre e cheira
À roupa do seu corpo
Aquela roupa
Que depois da chuva secou sobre o corpo
Porque não tinham outra
O dinheiro cheira a pobre e cheira
A roupa
Que depois do suor não foi lavada
Porque não tinham outra
“Ganharás o pão com o suor do teu rosto” Assim nos foi imposto
E não:
“Com o suor dos outros ganharás o pão”
Ó vendilhões do templo
Ó construtores
Das grandes estátuas balofas e pesadas
Ó cheios de devoção e de proveito
Perdoais–lhes Senhor
Porque eles sabem o que fazem
Olho vivo com a morte lenta
As democracias, como registrou Guillermo O’Donnell, não só morrem de maneira súbita com golpes de Estado. Também perecem de maneira gradual quando se concentra o poder no Executivo, se restringem liberdades que permitem o pluralismo e o Estado coloniza a esfera pública e a sociedade civil. Os governos de Rafael Correa, no Equador, como de Hugo Chávez e Nicolás Maduro, na Venezuela, dificilmente podem ser considerados como democracias liberais. Apesar de legitimados ganhando eleições, essas se deram em condições de inequidade que sistematicamente favorecem aos candidatos do governo. Na Venezuela e Equador, o poder está concentrado no Executivo e as cortes de Justiça, como as instituições de controle e regulamentação, estão subordinadas ao presidente.
Quando Chávez e Correa chegaram ao poder, as instituições políticas estavam em crise. O sistema partidário da democracia cooptada venezuelana, que se constituiu excluindo a esquerda marxista, se transformou em um regime corporativista e corrupto. Entre 1996 e 2006 nenhum presidente equatoriano pôde terminar seu período e o Congresso destituiu com artimanhas legais três mandatários. Neste contexto de desencanto e desconfiança com os partidos, parlamentos e cortes de Justiça, estes políticos se apresentaram como forasteiros que prometeram a reforma de todas as instituições e o fim do neoliberalismo.
Apesar de que Chávez e Correa redistribuíram a riqueza e reduziram a desigualdade, criaram regimes autoritários que colonizaram a sociedade civil e a esfera política. Criaram leis para regular as Ongs e os movimentos sociais foram cooptados e reprimidos. Os ativistas que resistem em subordinação ao regime são criminalizados como terroristas. Estes governos criaram instituições que regulam os conteúdos da mídia e o Estado, que controla canais de televisão, emissoras de rádio e jornais públicos, se converteu em principal comunicador. Nos países em que não se diferencia o público do estatal, os meios públicos funcionam como porta-vozes do Governo. Estrangula economicamente a imprensa crítica e fomenta grupos econômicos afins ao governo para que comprem os meios críticos. Como resultado, a qualidade dos debates na esfera pública se empobreceu, os meios se autocensuram e quase não há espaços para que investiguem os abusos de poder.
domingo, 20 de julho de 2014
Nem sempre séria
"Uma democracia não precisa ser sempre séria, embora possa competir com as ditaduras quando quer"
Graham Greene (1904-1991)
D. manteve tradição
Como já se tornou uma tradição no governo Dilma, a
presidente enfim resolveu encontrar espaço na agenda eleitoreira para visitar
os desafortunados das enchentes no Sul, mas só viu a desgraça do ar num
sobrevoo de 12 minutos na área atingida pela cheia do rio Uruguai. E liberou,
segundo alguns jornais – outros dão cifras maiores -, R$ 40 milhões para
reconstrução de estradas.
A presidente teria aventado a hipótese de se utilizar o
Minha Casa Minha Vida para atender aos milhares de desabrigados, mas com o
prejuízo geral não há como se pagar as prestações do programa, que não é
gratuito como se propala, com prestações até de R$ 600, custo impensável para
quem já perdeu tudo, restando apenas a eles apenas a dignidade pessoal e a indignidade
dos políticos.
Tal lá como aqui
Repressão na Venezuela contra manifestantes continua e mantém presos em protestos. Mais de cem pessoas continuam presas na Venezuela por violência em protestos
A
procuradora-geral da Venezuela, Luísa Ortega Díaz, disse hoje (17) que 101
pessoas permanecem presas por suspeita de participação em atos de violência
registados em protestos contra o governo, desde fevereiro, no país. Segundo
ela, entre os detidos estão 14 funcionários públicos e seis estudantes.
"Isso
foi explicado durante uma reunião, entre funcionários do Ministério Público e
representantes da Anistia Internacional, que manifestaram o desejo de se
deslocarem à Venezuela para abordar o tema dos direitos humanos, especialmente
os acontecimentos violentos ocorridos entre 12 de fevereiro e junho",
disse.
De acordo
com a procuradora, foram também discutidas as causas da morte de 43 pessoas
durante os protestos. "Explicamos que nove [das vítimas] eram oficiais das
Forças Públicas, uma era procurador do Ministério Público e que seis
venezuelanos morreram tentando limpar barricadas colocadas por outro grupo que
protestava violentamente".
Há mais de
cinco meses que se registram protestos diários na Venezuela devido à crise
econômica, inflação, escassez de produtos e medicamentos, insegurança,
corrupção e repressão por parte de organismos de segurança do Estado.
Alguns
protestos acabaram em confrontos violentos durante os quais morreram pelo menos
43 pessoas. Mais de 900 pessoas ficaram feridas, e mais de 3,2 mil foram
detidas. No total, 14
policiais continuam presos e estão em curso 197 investigações sobre violações
de direitos fundamentais dos manifestantes.
sábado, 19 de julho de 2014
Você sabia?
Criada em 1965 pela ditadura militar, a propaganda política dita gratuita custou, nas eleições de 2010, R$ 850 milhões de desconto em Imposto de Renda para as emissoras, milhões que bem poderiam ser utilizados em benefício da população, mas que serve aos políticos para brigarem por minutos milionários .
Escolha seu ladrão vem aí
Congresso de R$ 1 milhão a hora
Mesmo em recesso branco, o Congresso Nacional custa aos
cofres da União cerca de R$ 1 milhão por hora. Dispensados das sessões
deliberativas até o dia 31 de julho pelo acordo, os parlamentares continuarão
recebendo integralmente os seus salários de R$ 26.723,13 mesmo sem apresentar
projetos ou participar de votações nas Casas.
Isto porque a ausência de sessões faz com que os dias não
trabalhados não sejam interpretados como falta. O cálculo feito pela ONG Contas
Abertas para obter o custo-hora dos deputados federais e senadores - dos demais
serviços prestados ao Legislativo -, estando eles em exercício parlamentar ou não,
levou em conta a soma do orçamento da Câmara e do Senado, chegando-se ao
montante aproximado de R$ 23,9 milhões por dia.
Chega de panfletários
O sistema
político brasileiro, desde há alguns anos, se transformou em uma arapuca. Pouco
há como escapar dele que não seja destruindo a armadilha do continuísmo. Em
nome de uma democracia, que muitos apelidaram de socialista, se aplicou um
golpe branco para instauração de uma desavergonhada política, muito parecida
com projetos semelhantes aos louvados e festejados na ditadura. Estão aí mesmo
para confirmar essa “ditadura democrática” do petismo e aliados em inúmeros
programas e obras.
A lista grande serve para pensar sobre o que se está criando
no país.
Mas não se
deve apenas criticar a situação dos últimos anos, que deu exemplos de
banditismo explícito. Teve espaço a oposição para se mostrar defensora de
políticas honestas, e não politicamente incorretas, mas deixou tudo pelo
caminho. Fez o jogo que jogava a situação. A mascarada foi geral sem que uma
voz dissonante surgisse para anunciar um novo caminho. O beco ficou sem saída e
restaram ao povo o direito de votar e o dever de ficar calado diante dos
desmazelos de uns e outros.
Há a defesa
do voto para se construir a democracia, mudar o país. No entanto, a mudança tem
quer ser feita nas pessoas, aquelas que votam. E mudar só através de refletir,
se informar, deixar de lado o panfleto partidário. Pensar como gente, como
cidadão responsável por si e por todos os outros, já que o egoísmo do levar
vantagem não leva ninguém, muito menos uma nação, à frente. E esse discurso
partidário do “nós contra eles” é um atraso de anos, deixa o sujeito vivendo no
século XXI com a cabeça retrógrada nos tempos do arranca-rabo do século
passado, quando se dividia o mundo em dois, como se a Terra não fosse de todos.
sexta-feira, 18 de julho de 2014
Você sabia?
Segundo a revista Veja,que o índice de inadimplência na
faixa de financiamento para o Minha Casa, Minha Vida, que inclui participantes com renda mensal mais baixa,
até 1 600 reais, está em 20%. É um número dez vezes maior que a média dos
financiamentos imobiliários no Brasil e 4 pontos mais alto que a porcentagem de
atrasos em pagamento de hipoteca nos Estados Unidos em 2007, quando se acentuou
a crise que serviu de gatilho para a pior recessão desde o fim da II Guerra
Mundial.
Vale tudo pelo troninho
Para reeleição de Dilma, PT incorpora parte da agenda de
adversários. Temas como meio ambiente, combate à inflação e reforma federativa,
ganha mais destaque no plano petista deste ano em relação há quatro anos.
Faz-se bandido antes do crime
“Há arbitrariedade. Tanto o juiz que expediu os mandados de
prisão como o promotor, quanto o Governo Federal e o Estadual, que articularam
a ação com a Justiça, estão sendo arbitrários. Eles estão fazendo com que o
criminoso exista antes do crime. Eles prenderam pessoas diante de suposições de
que elas realizariam atos ilícitos. Estão subvertendo a regra do direito penal”.
A declaração é do deputado federal Jean Wyllys
(PSOL-RJ) em entrevista para o jornal espanhol El Pais sobre a prisão de manifestantes. Com essa e outras
afirmativas – “O Brasil está fazendo a gestão da sua pobreza por meio do
extermínio e por meio do encarceramento" – Wyllys analisa o momento brasileiro
em particular com os casos jurídicos envolvendo os movimentos de rua.
quinta-feira, 17 de julho de 2014
Sonho, será?
Mas um dia talvez tenhamos um governo genuinamente democrático, um governo disposto a contar ao povo o que está acontecendo, o que deve ser feito em seguida, quais os sacrifícios necessários e por que fazê-los. Ele então precisará de mecanismos para fazer isso, dos quais o primeiro são as palavras certas, o tom certo de voz
George
Orwell, no livro "Como morrem os pobres e
outros ensaios"
Drummond e sua atualidade
“(...) Vi a decepção controlada do presidente, que se preparava, como torcedor número um do país, para viver o seu grande momento de euforia pessoal e nacional, depois de curtir tantas desilusões de governo; vi os candidatos do partido da situação aturdidos por um malogro que lhes roubava um trunfo poderoso para a campanha eleitoral; vi as oposições divididas, unificadas na mesma perplexidade diante da catástrofe que levará talvez o povo a se desencantar de tudo, inclusive das eleições.
(...)E agora, amigos torcedores, que tal a gente começar a trabalhar, que o ano já está na segunda metade?”
Carlos
Drummond de Andrade (1902-1987) escreveu a crônica “Perder, ganhar, viver” para
o Jornal do Brasil (21 de junho de 1982) logo após a eliminação da seleção
brasileira na Copa do Mundo da Espanha, em 1982. Quase uma profecia de cenas
vistas em 2014.
O texto naíntegra pode ser lido aquiA balela da sensação de cultura
Os brasileiros adotaram o jargão
dos meteorologistas de vez até mesmo para ser usado em medidas de grande
interesse público. E os petistas esbanjam em criatividade para tornar o país um
sensitivo. É sensação de segurança, de saúde, de educação e de cultura. Usam e
abusam dos projetos, por incapacidade de ir mais longe e, como gestores
governamentais instalar uma política correta de cada setor. É que o projeto
pode sofrer mudanças até sua instalação e até mesmo sumir de vez sem que seja
implementado como acontece com o tempo meteorológico. Mas o melhor do projeto,
como utilizam hoje, é criar a sensação de que algo está sendo feito, mesmo que nada
se realize. É ovo que já entra gorado na chocadeira, mas que os governos
descaradamente contabilizam como realizações.
É o que mais uma vez acontece em
Maricá com o lançamento de outro projeto, agora o Maricá que Lê, com objetivo
de “mostrar que o livro é livre”. A canalhice do governo está logo na
cara com o anúncio do enésimo programa no setor livreiro que os petistas
prometem para ocupar espaço na mídia. Tudo porque não têm nem nunca tiveram uma
política para o setor cultural, o que deve ser princípio de qualquer
administração com o mínimo de honestidade para cuidar de um município.
Lançar um projeto de leitura onde
poucas, e mínimas, são as bibliotecas escolares, a biblioteca municipal está
entregue às intempéries, a poesia e o livro já foram destaque na boca maldita,
serviram de show para as bebedeiras em frente aos bares, e outros mortos em
feto, é mais uma canalhice com a chancela governamental. Sem falar na feira de
livro, que esbanjou R$ 1 milhão a livreiros, para farta distribuição de vales-livro
de até R$ 200 para comissionados.
Quando não se tem política para
qualquer setor, os governos estão abertos para as safadezas que hoje são vistas
por todo o país com desperdício de dinheiro público, sem contar com a insana e
destruidora corrupção. Apenas governinhos de quinta categoria, ou com intenções
nada abençoadas, são capazes de obrar tantos projetos para apenas dar a
“sensação” de que há governança quando tudo não passa de gastança desbragada a
uns e outros, arrombando os cofres públicos.
Se houvesse intenção clara de
governar pelo povo, para o povo e com o povo, bastaria no mínimo que cumprissem
as leis, ou ao menos parte delas. Existem para constar as leis federal,
aplaudida de pé depois de anos de discussão, e estadual sem contar a lei de Lula,
sancionada em 2010, para criação de bibliotecas em todas as escolas públicas e
particulares do país. Mas nada disso preocupa governinhos que preferem apostar
na sensação de cultura para levar lançar projetinhos de qualidade suspeita e
estabelecer como meta cultural o bundalelê dos shows em praça, que há anos está
provado que são o canal preferido de nove entre dez administrações corruptas.
quarta-feira, 16 de julho de 2014
Vozes em silêncio
No tempo da ditadura, se fazia calar o indivíduo, taxado de subversivo. Na democracia popular do PT, o indivíduo pode falar, mas dele se tiram todos os microfones e passam a tocar o samba de uma nota só. A cada regime totalitário, seu modelo de trabalho.
‘Contas’ prestadas às pressas
A presidente Dilma ligeiramente reuniu 16 dos 39 ministros
para fazer o seu balanço da Copa das Copas. Em mais um espetaculoso encontro
para uso interno de campanha, com ampla cobertura, e os dizeres mais
desbaratados, a presidente e asseclas enfatizaram que tudo correu bem mesmo que
menos de um terço das obras tenham sido concluídas, com sete anos para serem
feitas, dentro do acertado com a Fifa, e o que restou vai mesmo ficar para o
futuro.
O evento se prestou para mais um rasga-seda dos puxa-sacos
bem aplicados. Todos escondendo o que não se realizou nem sequer se discutiu
como se pode manter o que deu certo. Foi mais um balanço para servir durante a
campanha no horário eleitoral. Mais um palanque eleitoreiro divulgado pelo
canal oficial do governo, com dinheiro público, nas barbas do TSE.
Famoso frasista desastrado do governo, o ministro Mercadante,
da Casa Civil até ensaiou um brado: “Perdemos a taça, mas o Brasil ganhou”. Bem
claro fica que a perda da taça é de somenos importância diante da vitória do
Brasil (deles). Afinal, assumiram que tudo foi construído, incorporaram mesmo a
hospitalidade do brasileiro como coisa vitória deles. Ou seja, saíram
anunciando que o país (deles) venceu o pessimismo, mas nunca a desorganização e
a falta de empenho nas obras. Em outras palavras, mais certas, o brasileiro
ganhou a taça do anfitrião, mas perdeu a Copa das conquistas na saúde,
educação, mobilidade urbana, que não foram contabilizadas nem sequer discutidas.
Confirma com a nova reunião que a Copa nada mais foi do que
um desejo de um partido para promover sua hegemonia no poder. Ou alguém ainda
acredita que Hitler promoveu os Jogos Olímpicos de 1936 só porque eram bons
para a Alemanha? Serviram, e muito bem, aos interesses do partido nazista de
garantir ampla maioria na população, satisfeita em grandes feitos. Lá como
aqui, apenas não deu para vibrar no esporte como queriam os governos. Hitler
viu a supremacia alemã ser derrotada pelo atleta negro James Cleveland
"Jesse" Owens (1913-1980), quando desejava que só festejasse
vitórias alemãs. A presidente também ficou frustrada por ter de entregar a taça
a outra seleção que não a brasileira, o que seria o coroamento majestoso para uma
largada retumbante à campanha eleitoral.
Acabou mesmo
Terminada a
Copa do Mundo, o setor de serviços pode dispensar até 37 mil trabalhadores
temporários que permaneciam empregados desde o último verão, à espera do
aumento na demanda durante o evento.
Esse é o
número de contratados em regime temporário que permaneciam trabalhando em junho
e julho nos hotéis, bares e restaurantes das cidades que receberam jogos do
Mundial, segundo estimativas da Federação Brasileira de Hospedagem e
Alimentação (FBHA).
terça-feira, 15 de julho de 2014
As lições da Alemanha
A hoje tetracampeã Alemanha deixou no Brasil, durante a
Copa, lições que os brasileiros,
cidadãos, devem meditar e solicitar logo sua aplicação dentro e fora dos
gramados. Nos campos de futebol, mostrou que é preciso mais do que falar,
fazer. O que não se faz, mas se promete
sempre que o Brasil perde uma Copa, ou
outra competição de futebol: criar a base. O regime ditatorial sempre
incensou essa mudança, mas nunca implementou. Nem a era petista foi capaz de
pensar no problema, mais envolvida em assegurar o próprio poder. Se lixou para
os campinhos de várzea, tão raros hoje, que precisariam de se transformar em
escolas de esporte, todos e não só o futebol, para construir cidadãos, e não
obrar craques de exportação.
Mas foi fora do gramado que a Alemanha deu suas maiores lições
ao país, onde pouco se liga verdadeiramente para a construção de uma cidadania,
que não se faz com oba-oba de palanque. Ao instalar um centro de treinamento,
construído com fundos privados, para a sua seleção, os alemães mostraram
claramente ao esbanjador de fundos públicos como a iniciativa privada pode
colaborar com o país sem um centavo do Erário. O mesmo centro agora vai gerar
os lucros dos empresários e não se tornará nenhum elefante branco em plena
Santa Cruz Cabrália. Isso além de ser um centro de turismo de alta qualidade,
gerando no futuro divisas para a população local, que só terá a lucrar com a
vinda dos alemães, o que nunca lucrou ou lucraria se dependesse dos governos
brasileiros.
Seria já uma grande lição alemã, se não fossem outras
iniciativas que a própria seleção, leia-se aí também os jogadores, proporcionou
aos habitantes locais, os índios Pataxós. Para marcar de vez sua estadia em
terras baianas, os alemães ainda doaram verbas para a compra de uma ambulância,
que os governos estadual e federal nunca se dignaram a dar ao povo, além de
dinheiro para construção de um campo de futebol e ampliação da escola. É que na Alemanha, como qualquer país
civilizado, que não sobrevive às custas de promessas politiqueiras, esporte,
educação e saúde são indispensáveis para o progresso, formação de novas
gerações melhores e mais bem preparadas.
Os alemães, aqui, nunca ficaram no discurso, obrando
material para encher páginas de jornais. Trabalharam para conquistar a Copa
como sempre trabalharam para fazer da Alemanha o país com que sonham, e até
melhor, se possível. Tudo com aplicação, organização. Em nenhum momento, por já
saberem da sua inutilidade, aplicaram o jeitinho brasileiro, que conta mais com
a sorte e o milagre do que com o trabalho, nem mesmo se socorreram de promessas
de governo.
Vieram, fizeram, conquistaram o tetra e por isso tudo
mereceram a torcida e a vibração da chanceler Angela Merkel. E, sem medo de ser
feliz, deu show de como se comporta com naturalidade um governante, bem ao lado
de quem sempre se mostra incomodada em estar onde está com aquele bico de
muxoxo.
O brado retumbante
O povo que
pôs fim à ditadura, que depôs um presidente na lei e na ordem e que venceu a
inflação, convivendo com duas moedas, merece uma Seleção melhor, um governo
melhor, uma oposição melhor, uma classe política melhor e um futuro melhor.
Já chegou a
hora de aposentar a tese de que “todo povo tem o governo que merece”. A
população brasileira já passou, e passa ainda, poucas e boas. Ainda assim,
acredita no futuro, recebe bem quem vem de fora, luta — a esmagadora maioria ao
menos — para ganhar a vida honestamente. Merece ser governado por uma classe
política mais decente.
Esse povo
está cansado, sim, de empulhação, de roubalheira, de um estado que não
funciona. Quando pede “escola e saúde padrão Fifa”, está despertando para o
fato de que é um dos maiores pagadores de impostos diretos e indiretos do
mundo, sem que o Poder Público lhe dê o devido retorno.
No escurinho dos bastidores
Para fugir de vaias, houve uma parte do cerimonial de encerramento da chamada Copa das Copas, que ocorreu nos bastidores e não foi transmitida ao vivo. Foi quando Dilma passou o evento a Vladimir Putin, presidente da Rússia, que vai sediar a Copa de 2018. Ainda ressabiada com as vaias, que podem se refletir nas eleições, a candidata à reeleição optou pela semiclandestinidade e, mesmo longe dos olhos da multidão, não conseguiu passar naturalidade, mas mostrou grande nervosismo, com pronúncias equivocadas, pausas atônitas e reticências.
segunda-feira, 14 de julho de 2014
Acabou mesmo?
![]() |
| A "santa" protetora dos pobres que dá ricos estádios para as elites |
A Copa acabou no campo. Mas será
quer acabou mesmo? Ao menos para os brasileiros, os anfitriões que tanto
empenharam o otimismo e imensamente os próprios bolsos, a Copa vai render muita
coisa para pagar e ainda mais para se discutir fora dos gramados, que dentro
deles quem deve cuidar são os que vivem do esporte.
O governo precisa agora prestar
as contas, na ponta do lápis, sobre os gastos exorbitantes, a propaganda
enganosa de vender o que seria um espetáculo e um lucro para o futebol
brasileiro. O desperdício foi muito maior, imensamente maior do que despejaram
na mídia como conquistas.
Se não presta aquelas, o governo
aproveita para despistar novamente para evitar que as derrotas em campo não
façam a bola cair no colo da presidente, que vem dando cabeçada para evitar
gols, até contras, em outubro. Há uma investida em se livrar da bola quente que
revelaria que o time em frangalhos dos campos também se repete na administração
pública.
Como uma perna de pau de time de
várzea, derrotado até pelo famoso Íbis, o pior time do mundo, Dilma tem dado
sinais de que tropeça a cada investida ao ataque. Escorregou, quando anunciou a
necessidade de ingerência governamental no esporte como se não bastassem as
bicas sempre abertas para verbas quando do interesse político. Pior ainda foi
catar cavaco quando, com sua autoridade técnica, defendeu maiores oportunidades
para assegurar a permanência dos craques no país. Lembrou, como sempre, falas
dos tempos ditatoriais, reformas do esporte que nunca levaram a nada ou nem
sequer passaram de blábláblá. E a presidenta ainda cometeu falta grave ao
defender o Estado como gestor do futebol privado.
A craque dos tropeções foi mais
longe ao denunciar que as vaias da abertura da Copa partiram de 90% da “elite
branca” que lá estavam. A furada de bola colocou em pauta o dualismo na
sociedade, algo bem ao gosto dos petistas, que defendem com unhas e dentes um
trabalho contra o racismo, mas se esquecem, às vezes, e estimulam o choque
racista.
Custo da bagunça
A democracia brasileira é uma
bagunça, tanto no funcionamento do aparelho do Estado (relações entre os Três
Poderes e pequenas repúblicas cartoriais envolvidas no exercício da atividade
administrativa no dia a dia), quanto no processo eleitoral propriamente dito. A
última semana desnudou a vergonhosa realidade desta bagunça: alianças feitas sem
respeito às identidades ideológicas ou éticas entre os candidatos de uma mesma
coligação. Como em toda bagunça, o eleitor fica desconsolado e o aparelho do
Estado caótico.
Esta bagunça de casamentos
imorais em grupos sem identidade, que foi chamada de “orgia” e “suruba”,
respectivamente, pelo prefeito Eduardo Paes e pelo deputado Alfredo Sirkis, tem
outro demonstrativo vergonhoso no custo das campanhas. Somente Dilma e Aécio
preveem gastar R$ 588 milhões. Somando os demais presidenciáveis, o custo será de
R$ 870 milhões.
Em 2010, as eleições a todos os
cargos custaram R$ 3,23 bilhões, cerca de 11vezes mais do que os gastos dos
presidenciáveis de então. Mantida a mesma proporção, em 2014 os gastos serão de
R$ 9,7 bilhões, equivalentes ao pagamento de piso salarial para 100 mil
professores ao longo de quatro anos. Nenhum regime pode ser considerado
democrático se cada voto custa tão caro, os professores tão pouco, e os
candidatos precisam ser ricos ou comprometidos com ricos financiadores de suas
campanhas ou as duas coisas.
O maior custo, porém, não é
financeiro, é o caos político e administrativo que está esgotando o atual
modelo de democracia brasileira, desmoralizando e emperrando o funcionamento do
setor público. Apesar disso, ainda não vimos qualquer dos candidatos à
presidência propondo reforma eleitoral que reduza este custo.
Você sabia?
Dilma terá não apenas quase o dobro de tempo que a soma dos dois principais candidatos de oposição, como, nas inserções de 30 segundos somadas, terá nada menos que 123 minutos espalhados pela programação de cada emissora de canal aberto do Brasil nos 45 dias da campanha eleitoral. O volume de publicidade é equivalente, segundo especialistas, ao lançamento de um modelo novo de carro para consumo popular.
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