Se a primeira década do século favoreceu o crescimento
econômico e promoveu as lideranças políticas da América Latina, o cenário de
curto prazo para a região não será dos mais fáceis. A queda dos preços
internacionais das commodities e a mudança da política monetária americana
empurram países latino-americanos a uma encruzilhada. Mesmo com a atividade
mais acelerada no México e nos Andes, a América Latina já não vive mais um
"superciclo" favorável. Nenhum de seus países vai dispor da mesma
margem de manobra macroeconômica que teve para enfrentar a crise financeira de
2008.
Leia na íntegra o artigo "Cenário econômico para a América Latina é de incertezas à frente"
sexta-feira, 9 de maio de 2014
Eco social
(Eco dum Fado roufenho na telefonia dum táxi)
Vede, vede
o triste sudário
desta gente que até suja as próprias dores!
Apenas musgo involuntário
numa parede
onde mijam os Senhores
José Gomes ferreira
quinta-feira, 8 de maio de 2014
Mais uma merreca de fantasia
O Centro de Artes e Esportes Unificados, obra do governo
federal, em Maricá, ainda não foi inaugurado - ao menos não houve qualquer
notícia sobre isso. São 3 mil m² de área que os governos pretendiam em janeiro
que fosse aberta o mais rapidamente possível. Mesmo sem inauguração, o CEU já
oferece cursos como o de capoeira, mas a biblioteca, que junto com o cineteatro
e a sala de auviovisual compõe a base da unidade, continua às moscas
literalmente com uma merrequinha de livros jogados em estantes. E a julgar
pelo espaço destinado à biblioteca, haverá pouca oferta de livros, uma vez que
o local possui apenas seis estantes modulares.
Nada consta
"Programa de partido ninguém lê e, se lê, perde tempo. Se lê e acredita, cretiniza-se"
Elio Gaspari
O Brasil está com ódio de si mesmo
O Brasil está irreconhecível. Nunca pensei que a
incompetência casada com o delírio ideológico promoveria este caos. Há uma
mutação histórica em
andamento. Não é uma fase transitória; nos últimos 12 anos,
os donos do poder estão a criar um sinistro “espírito do tempo” que talvez seja
irreversível. A velha “esquerda” sempre foi um sarapatel de populismo,
getulismo tardio, leninismo de galinheiro e agora um desenvolvimentismo fora de
época. A velha “direita”, o atraso feudal de nossos patrimonialistas, sempre
loteou o Estado pelos interesses oligárquicos.
Leia mais a íntegra do artigo de Arnaldo Jabor
quarta-feira, 7 de maio de 2014
PT saudações
“O passado petista - que imagina ser eterno presente - terá
de ser enfrentado democraticamente, mas com firmeza, para que seja respeitada a
vontade das urnas”.
Marco Antônio Villa, historiador, no artigo Adeus PT
Discurso em Se...
(para uma cidade em dó maior)
Se houvesse interesse do governo pela cultura
Se os projetos culturais
não se resumissem ao bumbum-baticubum
Se escolas tivessem bibliotecas
e mais dignidade para os professores
Se pais (ah! com salários mais dignos),
fossem incentivados a ler para os filhos
Se biblioteca municipal fosse ponto de encontro
para os de 2 aos 80 anos
Se cultura tivesse tratamento vip em local seis estrelas
e não se encampassem, como “popularização”,
os tais projetos de rua.
Se escolas, prédios limpos e abertos,
fossem verdadeiros pólos para ler, pensar e sonhar
Se não se cometessem tantos crimes
em nome da Cultura,
se os livros tivessem vez em todos os prédios municipais,
se governantes e políticos se orgulhassem
de possuir bibliotecas,
ou que ao menos gostassem de ler livros;
as leis teriam justiça e políticos, respeito,
as crianças não ficariam nas ruas ao Deus dará,
e com prazer iriam à escola.
Se ler não fosse obrigação e aprisionamento,
mas prazer e liberdade;
e se as livrarias tivessem vez e voto na cidade...
Os doentes teriam melhor tratamento nos hospitais
e os velhos mais respeito em toda cidade;
as obras públicas seriam mais transparentes e adequadas;
o meio ambiente seria saneado
até com ruas arborizadas.
Cultura seria fonte de renda como em cidades civilizadas,
o povo seria dignificado
para ocupar seu lugar de direito,
dono, patrão e senhor da vida pública
Eis a política
“...fingir ignorar o que se sabe e saber o que se ignora;
entender o que não se compreende e não escutar o que se ouve; sobretudo, poder
acima de suas forças; ter frequentemente como grande segredo o esconder que não
se tem segredos; fechar-se num quarto para talhar penas, e parecer profundo
quando se é apenas, como se diz, oco e vazio; desempenhar bem ou mal um papel;
espalhar espiões e pagar pensões a traidores; amolecer sinetes, interceptar
cartas e procurar enobrecer a pobreza dos meios pela importância dos objetivos:
eis toda a política, ou então morra eu!”
Pierre-Augustin Caron de Beaumarchais (1732/1799) foi autor teatral francês, mas também secretário, diplomata e agente secreto de
Luís XV
terça-feira, 6 de maio de 2014
Pra inglês ver
“Pobre Dilma Rousseff. A presidente do Brasil projeta a aura
tediosa de eficiência da (chanceler alemã) Angela Merkel, mas com a performance
dos Irmãos Marx. Os atrasos nos preparativos para a Copa do Mundo já
embaraçaram o país, enquanto a preparação para as Olimpíadas de 2016 é ‘a pior’
que o comitê internacional já viu. A economia também está numa depressão. O
Brasil, que já foi o queridinho do mercado, tem perdido o interesse do
investidor. O país precisa de um choque de credibilidade. Se Dilma não o fizer,
a eleição presidencial de outubro fará.”
Editorial de segunda-feira do jornal britânico Financial Times
A que ponto chegamos!
Eu, como boa parte dos leitores de jornal, nem aguento mais
ler as notícias que entremeiam política com corrupção. É um sem-fim de
escândalos. Algumas vezes, mesmo sem que haja indícios firmes, os nomes dos políticos
aparecem enlameados. Pior, de tantos casos com provas veementes de envolvimento
em "malfeitos", basta citar alguém para que o leitor se convença de
imediato de sua culpabilidade. A sociedade já não tem mais dúvidas: se há
fumaça, há fogo.
Não escrevo isso para negar responsabilidade de alguém
especificamente, nem muito menos para amenizar eventuais culpas dos que se
envolveram em escândalos, nem tampouco para desacreditar de antemão as
denúncias. Os escândalos jorram em abundância, não dá para tapar o sol com
peneira. O da Petrobrás é o mais simbólico, dado o apreço que todos temos pelo
que a companhia fez para o Brasil. Escrevo porque os escândalos que vêm
aparecendo numa onda crescente são sintomas de algo mais grave: é o próprio
sistema político atual que está em causa, notadamente suas práticas eleitorais
e partidárias. Nenhum governo pode funcionar na normalidade quando atado a um
sistema político que permitiu a criação de mais de 30 partidos, dos quais 20 e
poucos com assento no Congresso. A criação pelo governo atual de 39 ministérios
para atender às demandas dos partidos é prova disso e, ao mesmo tempo, é
garantia de insucesso administrativo e da conivência com práticas de corrupção,
apesar da resistência a essas práticas por alguns membros do governo.
segunda-feira, 5 de maio de 2014
É preciso mudar
"Você tem de sentir a dor e reformar ao mesmo tempo. Não dá
para passar por uma desaceleração econômica sem mudar o comportamento das
pessoas e do governo"
Stephen Jen, ex-economista do FMI, em entrevista aqui
Rede Pau nos Ratos
Merenda a preço de ouro
O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ)
condenou o ex-prefeito de Belford Roxo, Alcides de Moura Rolim, a devolver aos
cofres públicos o valor de R$ 47.938,56 (equivalente a 18.819,36 Ufir-RJ) pagos
a mais em contrato superfaturado com a empresa I.R. Gomes Villar. Em 2009, para
abastecer por 66 dias a merenda de escolas e creches municipais, o governo
gastou R$ 1.121.136,04. Entre os gastos estavam o quilo da bana prata extra
contratado por R$ 2,75, quando no mercado custava R$2,58. A prefeitura comprou
4.500 quilos da fruta, pagando um total de R$ 123.750,00 quando poderia ter
desembolsado R$ 116.100,00 uma diferença de R$ 7.650,00 pagos a mais. O quilo
da maçã extra, adquirido por R$ 3,95, custaria, segundo a pesquisa de
mercado, R$ 2,54. A compra de 6 mil quilos da fruta custou aos cofres
de Belford Roxo R$ 23.700,00 uma diferença de R$ 8.460,00 a mais se
comparado com os preços cotados no mercado.
Mais ex-prefeito punido
Outro multado pelo mesmo TCE-RJ foi o ex-prefeito de Cabo
Frio, Marcos da Rocha Mendes. A multa de R$ 12.736,50 se deveu por
irregularidades no repasse de R$ 125 mil à Associação Comercial, Industrial e
Turística de Cabo Frio para realização do evento Feira Forte 2007. O
ex-prefeito não apresentou documentos e esclarecimentos necessários à aprovação
da subvenção concedida pela prefeitura à associação comercial e também não soube explicar por que o dinheiro
repassado pelo município foi integralmente usado na montagem do evento Feira
Forte 2007. O art. 12 da Lei 4.320/64, só permite a transferência de
recursos – por meio de subvenção – para cobrir despesas de
custeio das entidades beneficiadas.
sábado, 3 de maio de 2014
Dois e Dois são Quatro
Como dois e dois são quatro
Sei que a vida vale a pena
Embora o pão seja caro
E a liberdade pequena
Como teus olhos são claros
E a tua pele, morena
como é azul o oceano
E a lagoa, serena
Como um tempo de alegria
Por trás do terror me acena
E a noite carrega o dia
No seu colo de açucena
- sei que dois e dois são quatro
sei que a vida vale a pena
mesmo que o pão seja caro
e a liberdade pequena.
Ferreira Gullar
Câmara dos expertos
Sonho de qualquer sociedade é ter, com orgulho, câmara de
especialistas, homens sóbrios, sábios, sabedores das necessidades do povo, de
como provê-las e principalmente com disposição política para ter iniciativa de
realizar o que for preciso. Sonho dos sonhos que muita cidadezinha por este
mundão de Deus quase chegou lá. Foram bem pertinho, todas sem um respingo de
corrupção ou uma escarrada de descaso na cara do eleitor.
Mas há aí outras que nem conseguem chegar ao calcanhar
dessas, reúnem apenas os espertos de 1001 utilidades. Como aquela câmara lá da
vila de fim de linha, terra dos Patos, onde os regabofes supimpas são custeados
pelo dinheiro do povo. Às vezes se faz de casa da luz vermelha, se vendendo por
patacas. Mas o mais das vezes arma o circo. Também pudera com os integrantes
que tem, é fácil armar barraca, ou melhor, tendinha. Vendem como banca de
camelô qualquer iniciativa. Tudo sob as vistas de uma arquibancada de palhaços.
Os espertos até se fazem expertos disso ou daquilo, mas não
têm como disfarçar a falta de educação e de formação. Uns até se pintam de edis
da saúde, mesmo que da saúde só saibam aquela que vendiam em seus quiosques.
Outros bancam a educação, que nunca tiveram nem terão. Uns também copiam de
cabo a rabo leis estaduais e federais, colocam debaixo a assinatura e as
transformam em municipais como criação única. São edis xerox. Ainda há quem se
arvore estrategista de segurança pública – aí aparecem os tais “xerifes” – com
o problema resolvido: vamos recorrer a quem sabe.
A Casa parece mesmo um antro de piadistas. E é. Só que muito
bem pagos pelo Erário, com presença em duas sessões semanais que muitas vezes
somadas não chegam a meia hora de trabalho suado. Para bancar a palhaçada,
estão na platéia os palhaços, pagando impostos e trabalhando para que a turba
de calhordas continue a usufruir a boa vida e muita grana.
sexta-feira, 2 de maio de 2014
E tá correndo o tempo!
“Temos uma corrupção desenfreada. O governo que deveria dar
exemplo está atolado na corrupção. É o governo que, se fizer o que a presidente
Dilma falou ontem, quem vai parar na Papuda é ela”.
Paulinho da Força, deputado federal, nas comemorações do 1º
de Maio, em São Paulo
quinta-feira, 1 de maio de 2014
Os corruptos sentem alguma coisa?
Os políticos são capazes de ter sentimentos? E os corruptos?
A política deveria ser uma das artes mais nobres, já que sua finalidade é a
busca da felicidade dos cidadãos que depositam sua confiança em seus
representantes. É assim? Existe nela sentimentos ou só é feita de negociações
frias, compromissos, intrigas e corrupções?
Em razão das últimas denúncias contra a empresa brasileira
Petrobras, que foi orgulho mundial, temos visto nos meios de comunicação uma
verdadeira dança de cifras de milhões de dólares que em boa parte poderiam ter
acabado no bolso de quem deveria ter protegido uma empresa criada com o esforço
de milhares de cidadãos.
É uma dança de zeros que se repete a cada vez nas já
rotineiras acusações de corrupção política. Uma dança que revela o pouco apreço
que existe pelo dinheiro público, fruto do esforço cotidiano de tantos
trabalhadores e de pequenos empresários que trabalham quatro meses de graça
para o Estado para pagar impostos. Para receber o quê em troca?
Rede Pau nos Ratos
As comemorações Dia do Trabalho, tão gratas aos políticos e
governos brasileiros que transformam o feriado num bundalelê, praticamente
apagam outra data que deveria ser lembrada: o Dia da Literatura Brasileira, que
homenageia o aniversário de José Martiniano de Alencar (1829/1877). O
romancista, jornalista, advogado, cronista, dramaturgo também foi político
aguerrido e sabia bem o que dizia: “Queremos acabar com a impunidade, por isso
devemos encorajar as instituições que combatem o crime dentro da lei.”
Trabalho!?
A grande mídia, em colunas, noticiou que Lurian
Lula da Silva, a filha de Lula, conseguiu trabalho na “Maricá Já”, empresa de
comunicação e eventos de Washington Quaquá, prefeito de Maricá (RJ), e sua
mulher, Rosângela Zeidan. É interessante esse “trabalho” numa empresa que não
tem sede, endereço, registro funcional ou CNPJ, igualzinho a camelô. Será que
Lurian estaria trabalhando na informalidade ? Quem diria, filha de
ex-presidente operária informal de prefeitinho, a mais de 800km de casa!
Pouso do urubu
Depois do badalado vídeo promocional, prefeito de Maricá aproveita para visitar os locais das “grandes realizações” anunciadas. Posou mesmo no alto de Ponta Negra, local para o teleférico. Segundo promessas, tudo estará pronto até o final do ano. Quem não pode (fazer), trapaceia, já dizia o ditado velho.quarta-feira, 30 de abril de 2014
Que falta faz!
“Parece que a tendência dos políticos é para desprezar as
verdadeiras necessidades do povo, desbaratando os dinheiros públicos em gastos
desnecessários e obras de injustificada realização. O bom senso parecer ser a
faculdade que mais falta faz ao país!”
Antonio da Silva Mello (1886/1973), médico e
ensaísta brasileiro
O êxodo por um governo
Dá mesmo o que pensar o êxodo haitiano do Acre. O governador
petista, aproveitando a desgraça da cheia, humanitariamente, resolveu oferecer
melhor destino aos refugiados. E escolheu logo São Paulo, maior capital do
país, com grande oferta de empregos. Pergunta-se porque a escolha daquela
cidade e não de enviar gente para outras também capacitadas a receber
refugiados?
O gesto pareceria despercebido se não fosse a estranha
coincidência de que com a enxurrada de refugiados se criaria um problemão para
o governo paulista, adversário, e daria chance para que o candidato petista,
envolvido em suspeita de transação mal resolvida, pudesse deslanchar e aparecer
como salvador dos haitianos. Seria assim um defensor intransigente dos direitos
humanos como é o governo federal, que vem empurrando o problema com a barriga.
Mais um caso de direitos humanos que passa longe de qualquer tratamento pelos
petistas, que criam um rosário de cargos e funções no setor, mas tudo de
fachada.
Como o governo acreano não recebeu qualquer apoio federal,
do próprio partido - a presidência levou mais de 40 dias para visitar o local
da calamidade -, parece ter decidido em causa própria ajudar o companheiro na
candidatura próxima. Nada melhor para um defensor dos direitos humanos do que
despachar gente como gado para criar um abacaxi de presente aos paulistas. Com
a bomba na mão, o candidato Alkmim se veria enredado em resolver o problema
para não ficar com a pecha de um governante mal qualificado ao dar soluções
humanitárias.
A solução acreana é digna de página maquiavélica como só é
capaz a mente petista do qualquer crime por um governo.
terça-feira, 29 de abril de 2014
Pensamentos (in)diferentes
A notícia é bem clara: 20% da população brasileira atual
nasceu antes de 1964. É um orgulho pertencer a uma elite, que pela idade deve
estar lá por volta dos 1o%. Somos os sobreviventes de um outro país que do alto
das suas dezenas de anos podem apreciar o antes, com o sonho, lembrar tristes o
durante do sofrimento, e o agora vivenciar uma sabedoria. Pequena e particular
mas de cada um de nós.
Claude
Louis Sangáde
Roda de samba
Carybé, pseudônimo do argentino Hector Julio Páride Bernabó
(1911/1997)
foi pintor, gravador, desenhista, ilustrador, ceramista, escultor,
muralista, pesquisador, historiador e jornalista brasileiro naturalizado
O boom do encalhe
Os sucessivos escândalos envolvendo a Petrobras não só
afetam a imagem e os negócios da empresa. Muita gente de fora se vê num dilema
com a série de notícias envolvendo a estatal. Um dos setores atingidos é o
imobiliário, principalmente em cidades próximas a projetos da Petrobras. Não
adianta nem mais a enxurrada de promessas de governinhos petistas sobre o
petróleo como alavanca do progresso de suas cidadezinhas dominadas. A compra e
venda de imóveis, por exemplo, em cidades como Itaboraí e Maricá, ambas no Rio
de Janeiro, praticamente estancou. Se teme um encalhe ainda maior no negócio se
persistir (e parece que ainda vai durar muito) a crise na Petrobras.
Depois do boom com a descoberta dos poços do pré-sal e com o
anúncio dos governos municipais de grandes investimentos imobiliários
estrangeiros, os corretores estão em polvorosa com o número de negociações no
setor que beiram a zero. Os preços dos imóveis até subiram além da conta, em
comparação a outros municípios bem mais saudáveis sócio-economicamente, mas não
mais se vende.
Os empresários alertam para o excesso de promessas
governamentais que estão indo pelo ralo como outro grande motivo para a queda.
Isso sem contar com as revelações das farsas municipais sobre investimentos, o
que tende a piorar o panorama imobiliário.
Maricá, por exemplo, que tem anunciado investimentos
estrangeiros no setor, em parte devido às viagens de negócios do prefeitinho, com
dinheiro público, bancando agente imobiliário de negócios privados, está com as
empresas do setor praticamente às moscas. E ainda há outros voos da dupla
governamental na agenda para “vender” mais negócios da China sem qualquer
contrapartida para o município.
Recado do poder
“(...) Estamos convictos de que são culpados*. Culpados de
serem governados, é claro. Mas é preciso que vocês mesmos se sintam culpados. E
não se culparão enquanto não se sentirem cansados. A gente está cansando vocês,
é tudo. Quando estiveram exaustos, o resto vai por si”
Alberto Camus, em “Estado de sítio”
* “Preciso de culpados”, dizia o imperador em "Calígula", do mesmo autor
segunda-feira, 28 de abril de 2014
Bertold Brecht
Quem me defende
Quem se defende porque lhe tiram o arao lhe apertar a garganta, para este há um parágrafo
que diz: ele agiu em legítima defesa. Mas
o mesmo parágrafo silencia
quando você se defende porque lhe tiram o pão.
E no entanto morre quem não come, e quem não come o suficiente
Morre lentamente. Durante os anos todos em que morre
não lhe é permitido se defender.
Arquitetura e o poder
Aquário municipal lembra o Congresso, outro símbolo do Poder
A recente divulgação de vídeo promocional de Maricá (RJ),
essa Vila dos Patos, é um pequeno exemplo de como, através da arquitetura, o
poder resolve se implantar de vez. A apresentação de obras como teleférico, com
vista panorâmica, e aquário municipal não passam de mais uma aplicação da
arquitetura que pode estar intimamente ligada ao poder para atender aos
interesses de governo, e só dele. Bem esclarecedora sobre essa relação é a
reportagem de El País, “A arquitetura e o poder”:
“Há anos, Rem
Koolhaas declarou estar convencido de que sua sede para a televisão chinesa em
Pequim, um enorme arranha céu espetacularmente fotogênico, contribuiria para
levar o progresso e a democracia à China. Não ocorreu a ele que se já se
tem o símbolo não há necessidade de mudança. Pela mesma época, Normal Foster
concluía em Astaná, a atual capital do Kazaquistão, sua primeira interferência
urbanística na cidade: a imensa pirâmide do Palácio da Paz e Reconciliação. Bem
mais do que Nursultan Nazarbaiev – o presidente do país que, em 1997, fez
coincidir a fundação da nova cidade com o dia de seu aniversário -, Foster é o
grande protagonista da operação urbanística que quer transformar o antigo país
da estepe na primeira capital do século XXI. O último exemplo de como a melhor
arquitetura está servindo a regimes totalitários para enviar uma mensagem de
progresso adquire as formas curvas do novo edifício assinado por Zaha Hadid: o
Centro Cultural Heydar Aliyev. Construído em Bak (Azerbaijão), quer contribuir
para a modernização e, portanto, democratização, da antiga república soviética.
(...) É difícil querer vender progresso em um país governado, há 40 anos, por
uma mesma dinastia”.
A habilidade (deles)
"A habilidade específica do político consiste em saber
que paixões pode com maior facilidade despertar e como evitar, quando
despertas, que sejam nocivas a ele próprio e aos seus aliados. Na política como
na moeda há uma lei de Gresham; o homem que visa a objetivos mais nobres será
expulso, exceto naqueles raros momentos (principalmente revoluções) em que o
idealismo se conjuga com um poderoso movimento de paixão interesseira. Além
disso, como os políticos estão divididos em grupos rivais, visam a dividir a
nação, a menos que tenham a sorte de a unir na guerra contra outra. Vivem à
custa do “ruído e da fúria, que nada significam”. Não podem prestar atenção a
nada que seja difícil de explicar, nem a nada que não acarrete divisão (seja
entre nações ou na frente nacional), nem a nada que reduza o poderio dos
políticos como classe".
Bertrand Russell (1872/1970)
domingo, 27 de abril de 2014
O alto risco Brasil, segundo a Alemanha
Quando faltam apenas seis semanas para o começo da grande
festa esportiva que representa o campeonato mundial de futebol no Brasil,
o ministério de Assuntos Exteriores alemão divulgou um novo relatório sobre um
tema muito sensível: a segurança que o país oferece aos milhares de turistas
que chegarão à nação para aproveitar a grande festa e, ao mesmo tempo, torcer
pelos seus times.
O relatório do ministério, em sua seção “serviços ao
cidadão”, que é lida com atenção por todas as grandes agências de turismo do
país e pelos turistas que compram pacotes de férias, oferece uma imagem
desoladora do Brasil: uma nação onde não as leis não são respeitadas e onde o
turista corre o risco de ser vítima de ladrões, sequestradores ou simplesmente
de se envolver em confrontos entre a polícia e grupos criminosos,
como aconteceu recentemente no Rio de Janeiro.
Leia na íntegra
Leia na íntegra
Dez anos em queda
O Brasil é um dos países cuja indústria mais perdeu
competitividade na última década, segundo um estudo da consultoria Boston
Consulting Group (BCG) divulgado na sexta-feira. O estudo analisa a
competitividade de 25 economias exportadoras e tem como base um novo indicador
criado pela BCG para medir os custos de produção da indústria em cada país.
Ele mostra que enquanto em 2004 os custos da indústria
brasileira eram 3% menores que os da indústria americana, hoje são 23% maiores.
Com isso, estariam hoje no mesmo patamar da indústria italiana e belga e só
seriam mais baixos que os de fabricantes australianos, suíços e franceses.
Leia na íntegra
sábado, 26 de abril de 2014
Mentirinhas em promoção
A prefeitura de Vila dos Patos armou mais uma arapuca – de
muito custo e bem feita profissionalmente – para enganar os trouxas de sempre e
servir para alarde na carteira dos comissionados. São 9 minutos de vídeo
divulgado no site do governo sobre uma maravilhosa cidade, riquíssima com o
dinheiro do pré-sal, a ponto de dedicar 1 minuto da peça ao desfile da Grande
Rio, no sambódromo, falando da cidade. Mas a beleza é um saco de mentiras das
mais cabeludas, quando não de engambelações politiqueiras das mais
escandalosas.
A fantasia de estilo Second Life está à solta no vídeo
promocional para dar a sensação de um futuro mais maravilhoso do que se pode
ter em grandes cidades pelo mundo, que respeitam o cidadão. Mais ainda, a
realidade da tela sugere que tudo aquilo será feito no tempo recorde, digno de
registro do Guiness, de dois anos e meio. O infeliz que diz sim ao que vê só
pode mesmo pastar em meio à lama e ao lodaçal, porque adora engolir mentiras.
Uma que está sendo propalada inclusive é da ligação de
monotrilho, com “trens japoneses que já estão aí”, - segundo uns mais afoitos
propalam para a grandeza do prefeito - com mais de 120 km como se tal obra
pudesse ser feita nas coxas, a toque de caixa de um dia para o outro. Mais
ainda, estariam os apressadinhos em vangloriar o “trabalho” do alcunhado
prefeito divulgando mesmo os trabalhos da obra que só está mesmo na
internet.
O vídeo encanta os boçais com um toque de que tudo está
sendo feito e em pouco tempo o município sairá da lama para o primeiro mundo.
São amostras de encher os olhos: teleférico, ligação aquaviária e a urbanização
de 46 km
de costa, inclusive com um campo de golfe aberto ao público e um aquário
municipal. Tudo aparece no melhor estilo virtual sem qualquer obra começada ou
sequer estar no papel. Um vídeo, que custou os olhos da cara, para continuar a
empulhação.
Como anuncia o vídeo, esse “futuro já começou”, pois não há
qualquer referência a construção de hospitais - ao menos um, digno – nem se
fala em melhoria do fornecimento de água, tratamento das lagoas efetivo, ou
instalação de usinas de tratamento de lixo e esgotos. Afinal, a maravilha de
cidade, segundo o vídeo, não produz lixo nem cocô.
A apresentação é um corolário de engana que eu gosto. Há
referência de investimentos de R$ 500 milhões para saneamento e distribuição de
água quando ambos inexistem na cidade. Para ser ver o engabelamento dos
números, a mesma quantia foi aplicada há mais de 25 anos, em recursos privados
e públicos, no saneamento das lagoas de Araruama, que ainda continuam poluídas.
No entanto, em Vila dos Patos, a quantia é considerada fabulosa e está
resolvendo o problema. Chegam a anunciar crescimento sustentável e planejado!
Quá-quá-rá-quá-quá.
São os investimentos virtuais que tapam os olhos. O tal
saneamento não passa de instalação de canos para recolher água pluvial e
esgotos que seguirão in natura para as lagoas, o que um bom cidadão sabe que é
crime recolher as duas espécies de água num mesmo cano. E o abastecimento de
água continuará por anos ainda muito precário. Talvez se torne ainda mais
crítico com a instalação da cidade maravilha proposta na internet, uma vez que
há propaganda de criação de inúmeros condomínios residenciais.
O que o vídeo não mostra são os asfaltos recém colocados,
finos e aguados, que se rompem a qualquer chuva; as drenagens solucionadoras de
enchentes que alagam tudo em segundos de chuvisco; o péssimo recolhimento de
lixo e a falta de um aterro sanitário prometido; as servidões espalhadas no
entorno das lagoas com tubulações secas por falta de ligações; dois grandes
rios da cidade sem dragagem; a falta de calçadas dignas. Isso sem contar com as
promessas que só serviram à campanha passada como o hospital, o centro cultural
– já vai para dois anos em construção, e a escola técnica entre um colar de
outras pérolas inventadas para continuar no poder.
sexta-feira, 25 de abril de 2014
Boa ideia: cinema sustentável
As cidades paulistas, a partir deste mês, estão contando com
um novo ingrediente em suas agendas culturais. O Cinesolar, baseado em projeto
holandês, é o primeiro cinema itinerante sustentável do Brasil. Patrocinado
pelas empresas Votorantim Cimentos e Votorantim Energia e pelo Instituto
Votorantim, o projeto realizará exibições de curtas e longas-metragens, além de
oficinas de sustentabilidade voltadas para crianças e adolescentes. Todas as
atividades são gratuitas e abertas ao público.
O Cinesolar é uma estação móvel equipada com placas solares
que possibilitam, através de um sistema conversor de energia solar para
elétrica, a exibição de filmes e apresentações artísticas – tudo isso
utilizando energia limpa e renovável. O diferencial desta iniciativa é que o
próprio veículo possui toda a estrutura para realizar esse tipo de ações, desde
cadeiras para o público até uma cabine de DJ.
O veículo percorrerá 20 cidades de São Paulo até junho.
quinta-feira, 24 de abril de 2014
Uma casa de tolerância
As relações espúrias, criminosas, são flagrantes no país.
Merecem maior destaque na imprensa, mas menor tratamento quando se trata de
punição. Chegam mesmo a desaparecer do noticiário com o tempo e ficam restritas
a gabinetes da Justiça, sempre ocultos, nunca transparentes como deviam numa
democracia.
As ligações entre corruptores e integrantes dos governos, em
todos os níveis, são conhecidas, divulgadas aos quatro ventos. Mesmo um imbecil
sabe quem corrompeu quem nos governos. Estão lá os nomes e os fatos, mas nunca
merecem a devida atenção. Passam de passagem pelas páginas da mídia e se
esfumam no ar empesteado do acobertamento.
Por onde andam os processos envolvendo empresários,
políticos, contraventores, doleiros, que formam uma rede quase de sustentação
aos cargos ministeriais e comissionados de grandes empresas estatais?
A rede de corrupção se tornou tão vasta dos pequenos aos
grandes poderes da res publica a ponto de colocar todo o país no mesmo balaio,
ou saco de gatos. Se antes se reclamava dos monopólios, das trustes, havia
condenações por sua criação, quem hoje critica os grande aglomerados, os
famigerados consórcios com os quais se consorciam de doleiros a contraventores?
Às custas da República, mamam todos nas tetas que deveriam ser apenas para os
cidadãos com vida mais digna, mas agora servem de canos jorrando para a
corrupção.
A delinqüência está à solta nos poderes com a mesma
conivência descrita por Gabriel García Márquez, em “Memórias de minhas putas tristes”.
Escrevia Gabo sobre a cafetina Rosa Cabarcas: “Nunca tinha pago uma única
multa, porque seu quintal era a arcádia da autoridade local, do governador até
o último bedel da prefeitura, e não era imaginável que à dona daquilo tudo
faltassem poderes para delinquir a seu bel-prazer”. A situação hoje é idêntica
nesta casa de tolerância em que se tornou o Brasil.
quarta-feira, 23 de abril de 2014
Apenas uma fábula (imoral)
O pobre quis conquistar a cidade para se tornar rei. Juntou um
grupo, mas nunca conseguiu abalar qualquer parte da muralha. Então se muniu de
uma matilha de cães e um monte de abutres a quem prometeu uma fartura de comida.
A promessa correu por todo o canto e mais cães famintos e muitas aves carnívoras
se juntaram ao grupo. Assim as muralhas caíram.
Posto no trono, com bolsos engordados, sob muita proteção, assistiu
cães e abutres disputarem a pouca comida que os cidadãos guardavam. Mas o pasto
prometido não dava para tantas bocas e cães e abutres começaram a brigar pela
carniça.
Os habitantes da cidade viram que se tornaram escravos de cães
e abutres, mas então já era tarde. E passaram todos a brigar por um naco de
comida, enquanto o rei, cada vez mais engordado por ver seu sonho realizado e
financiado, apesar de custar muito aos cães, aos abutres e ao povo.
Serenata cínica para o Bettencourt cantar
Menino que vais na rua,
não cantes nem chores: berra!
Cospe no céu e na lua
e aprende a pisar a terra.
Aprende a pisar o mundo.
Deixa a lua aos violinos
dos olhos dos vagabundos
e dos poetas caninos.
Aprende a pisar a vida.
Deixa a lua às costureiras
- pobre moeda caída
de quem não tem algibeiras.
Aprende a pisar no chão
o silêncio do luar
sem sentir no coração
outras pedras a gritar.
Pisa a lua sem remorsos,
estatelada no solo...
Não hesites! quebre os ossos
dessa criança de colo.
Pisa-a, frio, com coragem,
sem olhos de serenata;
que isso que vês na paisagem
não é ouro nem é prata.
Menino que vais na rua,
não chores, nem cantes: berra!
ou então, salta pra lua
e mija de lá na terra.
não cantes nem chores: berra!
Cospe no céu e na lua
e aprende a pisar a terra.
Aprende a pisar o mundo.
Deixa a lua aos violinos
dos olhos dos vagabundos
e dos poetas caninos.
Aprende a pisar a vida.
Deixa a lua às costureiras
- pobre moeda caída
de quem não tem algibeiras.
Aprende a pisar no chão
o silêncio do luar
sem sentir no coração
outras pedras a gritar.
Pisa a lua sem remorsos,
estatelada no solo...
Não hesites! quebre os ossos
dessa criança de colo.
Pisa-a, frio, com coragem,
sem olhos de serenata;
que isso que vês na paisagem
não é ouro nem é prata.
Menino que vais na rua,
não chores, nem cantes: berra!
ou então, salta pra lua
e mija de lá na terra.
José Gomes Ferreira (1900/1985), poeta e escritor português, publicou memórias, contos, ficção, estudos, diários e ensaios.
terça-feira, 22 de abril de 2014
O grande roubo
Afonso Henriques de Lima Barreto (1881/1922)
O segredo do poder
Um conto indiano fala do espanto do rei Asoka quando viu uma mulher, com gestos, fazer o rio Ganges subir contra a corrente. Soube então que a velha era uma prostituta muito conhecida em uma das suas cidades. Impressionado com o feito, mandou chamar a prostituta, que se apresentou diante dos sábios do reino para questionarem a façanha. Ficaram ainda mais impressionados, porque a velha confessou ter poder sobre as coisas como arrancar árvores e fazê-las rodopiar, ou virar montanhas de ponta cabeça. Podia mesmo tirar Asoka do trono e lançá-lo nos ares. Todos surpresos com as infinitas possibilidades da prostituta quiseram saber de onde provinha tanto poder.
- Conheci muitos homens mas não faço distinção entre eles. Não privilegiei, nem desprezei ninguém. A todos, apesar das diferenças, concedi os mesmos favores. Nunca demonstrei nem subserviência, nem desdém. O segredo do meu poder é só esse.
segunda-feira, 21 de abril de 2014
Voo de aloprados
Todos sabem que há governo na cabine de comando, mas não há
piloto. Há lá dentro pelo menos dois maus elementos, mesmo que a Física nos
informe que dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço. A não ser, como na
física nuclear, ambos sejam nêutrons, o que não é o caso. E a porta está
blindada impedindo que se saiba o que andam fazendo. Mas certo mesmo é que
colocaram o avião Republiqueta voando pelo piloto automático. Os passageiros
sofrem horrores, porque não há como tirar os aloprados da cabine.
E o Republiqueta voa numa montanha russa. Sobe e desce, faz
looping e o escambau, porque a turma da cabine fica apertando botão atrás de
botão tentando acertar o rumo.
Sabe-se lá quando vão conseguir ao menos estabilizar o
Republiqueta para continuar por pouco tempo um voo tranquilo.Também sequer
pode-se pensar que pretendam pousar alguma vez, deixar as alturas dos urubus.
Quem sabe queiram passear mais tempo como condores. Resta mesmo rezar para que
alguma vez acertem nos botões, porque não se agüenta mais looping de aloprado.
O partido oportunista
“Não sou adversário do PT, nem de Lula, nem de partido
nenhum. Sou um cidadão que pensa e analisa a situação do país. Falo do que está
diante de mim. Lula combateu toda a política de Fernando Henrique e depois
adotou tudo, mas nunca disse que fez isso. Ao contrário, disse que era herança
maldita. Ele não tinha projeto político, exceto aquela utopia comunista que
havia fracassado no mundo inteiro. Ele inventou um jogo de mão dupla constante:
Bolsa família para os pobres e empréstimos do BNDES para os ricos. Divulguei
recentemente o manifesto de fundação do PT, cujo teor é quase igual ao
Manifesto Comunista de Karl Marx, de 1848. Mas o que sobrou disso? Aliança com
Paulo Maluf e o bispo Edir Macedo? Esse é o comunismo do PT? Virou um partido
oportunista”
Ferreira Gullar, em entrevista para o jornal Cândido, do
Paraná
Rede Pau nos Ratos
“Limpeza” in natura
Site dito jornalístico, integrante do jornalixo de Vila dos
Patos, anuncia que estão sendo feitas a dragagem e a limpeza de um dos rios que
desembocam nas lagoas da região. A obra serve para solucionar as enchentes na
região. Também integram a primeira parte de um projeto de implantação do
sistema de esgotamento sanitário. Essa primeira etapa, ao custo de R$ 60
milhões, atendendo dois bairros, será bancada pela Petrobras. O que não informa
o jornalixo é que o trabalho não vai evitar as enchentes na região, que não têm
como causa os rios, mas seu entorno, que vem recebendo água de outros locais. E
a grande mentira é uma implantação de rede de esgotos, quando se sabe que a
mesma foi “implantada” precariamente pelo governo municipal com o vazamento dos
dejetos in natura e das águas pluviais numa mesma rede. Ao mesmo tempo, os
esgotos sanitários não terão estação de tratamento. Em conclusão, a bosta vai
continuar a poluir as lagoas e sujar a casa alheia nas chuvas.
Novo dicionário
Os petistas estão mudando o significado dos termos do
dicionário. Difamação pública virou mera liberdade de opinião quando aplicada
aos adversários. Se o difamado for do partido, então é caso mesmo de crime.
Assim também roubo, apropriação indébita, só se for referente aos outros. Ações
desse tipo feitas por eles não passam de contribuição social. O importante,
para eles, “é fazer a história mentir em proveito próprio”, segundo Jean-Claude
Carrière
Estrategistas de galinheiro
Com o surgimento das Unidades de Polícia Pacificadora,
criadas pelo governo Cabral, no Rio de Janeiro, ninguém desconhece que a
bandidagem resolveu emigrar para cidades pequenas sem qualquer aparato policial
para contê-la. O problema vem se agravando rapidamente por falta de solução dos
órgãos estaduais. Devido a isso os vereadores de uma dessas cidades resolveram
jogar para a galera. Num festival de purpurina, discutiram por duas sessões, como
se não tivessem mais o que fazer, as medidas que podem adotar para conter o
tsunami de bandidos. É de uma deslavada cara de pau a atitude dos edis, porque
muitos estão com fichas bem sujas de processos judiciais. Agora é descobrir
como políticos bandidos podem dar uma solução à marginalidade que assola a
vilazinha se não a mera fórmula de recorrer às autoridades policiais, o que
levaram duas sessões para aprovar, depois de até bancarem estrategistas de
ocasião.
Resposta engatilhada
Com a grita geral pelo aumento dos crimes em Vila dos Patos,
o governo municipal, depois de uma “atitude” dos vereadores, ressuscitou o
velho projeto de quatro anos atrás: um gabinete de gestão integrada com central
de monitoramento de ruas. O custo está orçado em R$ 1,5 milhão – segundo alguns
já sumiu - para um prédio de três andares e 20 câmeras de seguranças espalhadas
pelas ruas do Centro. A derrubada de um antigo posto da Guarda Municipal para a
construção do prédio do novo gabinete é uma “resposta” atrasada ao problema.
Mais uma vez o governo municipal zela por manter engatilhado sempre um projeto
miraculoso para resolver questões municipais que nunca serão resolvidas com
paliativos.
domingo, 20 de abril de 2014
sábado, 19 de abril de 2014
O melhor (e mais atual) discurso
Este é talvez o melhor e mais atual dos discursos. E não foi
feito por nenhum político, mas por Charlie Chaplin, em seu primeiro filme
sonoro, “O grande ditador” (1940), numa sátira aos regimes totalitários da época.
Mesmo tantas décadas depois, ainda defende e propala os ideais inerentes à Humanidade
com maiúscula, contra a mascarada destes tempos.
sexta-feira, 18 de abril de 2014
O ministro cabeçudo
O ministro Wang Anshi (1021/1086), na China imperial, apesar
de reformador, ganhou popularidade como o “Ministro Cabeçudo”, considerado que
era de incapaz de aceitar bons conselhos e se recusar a admitir erros. Se
implantou instituições de socorro popular, hospitais, dispensários, cemitérios públicos,
baseando-se num modelo de fundações caritativas criadas pelos mosteiros
budistas, ficou mesmo conhecido como o homem dos três não vale a pena: “Não
vale a pena temer a ira divina, não vale a pena respeitar a opinião pública e
não vale a pena conservar as tradições”.
Segundo Lin Yutang (1895/1976), escritor chinês muito
conhecido no Ocidente, em “O sábio jovial”, o ministro tinha muita semelhança
com certos administradores públicos de hoje. Wang Anshi não tolerava oposição de
nenhuma espécie, viesse de amigos ou de adversários. Com grande capacidade de
persuasão, sabia como fascinar o imperador com a ideia de um Estado forte e
estava decidido a lutar por suas teorias sociais mesmo com “o esmagamento de
toda oposição e em particular com a anulação da censura imperial, cujo primeiro
dever era fazer a crítica da orientação política e da maneira pela qual se
conduziam os negócios públicos”.
A grande curiosidade do relato de Yutang sobre o ancestral
ministro é a semelhança com que hoje qualquer um pode esbarrar virando uma
esquina brasileira. Wang Anshi se considerava um reformador e todo aquele de
quem não gostava era um “reacionário”. “Acusava todos que o criticavam de
pretenderem malevolamente dificultar as reformas”. O ministro até mesmo chegou
a ser apontado de tentar fechar a boca do povo, “amordaçar toda a liberdade de
crítica ao governo”. Parece longe a história do ministro cabeçudo chinês, mas há
nela muita coincidência com certos governantes de hoje no Brasil.
O mal do encantamento
“O homem deixa-se facilmente enlevar pelo encanto do maravilhoso,
e é explorando este segredo da fraqueza humana que o charlatanismo abusa da
simplicidade dos crédulos e à custa deles bate moeda na forja da impostura, ou
sacrifica à sua corrupção as inocentes vítimas que loucamente espontâneas se
precipitam nesse perigoso desvio da razão”
(Joaquim Manuel de Macedo , “As
víctimas-algozes”, 1869)
Soube que vocês nada querem aprender
Valeriano Bécquer, "Gustavo Adolfo Bécquer lendo" (1864),
Biblioteca Nacional, Madrid
Bertolt Brecht
Soube que vocês nada querem aprender
então devo concluir que são milionários.
Seu futuro está garantido – à sua frente
Iluminado. Seus pais
cuidaram para que seus pés
não topassem com nenhuma pedra. Neste caso
vocês nada precisam aprender. Assim como estão
podem ficar.
Havendo dificuldades, pois os tempos
como ouvi dizer, são incertos
Vocês têm seus líderes, que lhes dizem exatamente
o que têm a fazer para que fiquem bem.
Eles leram aqueles que sabem
as verdades válidas para todos os tempos
e as receitas que sempre funcionam.
Onde há tantos a seu favor
vocês não precisam levantar um dedo.
Sem dúvida, porém, se fosse diferente
vocês teriam muito o que aprender.
Eugen Berthold Friedrich Brech (1898/1956), além de poeta,
foi um dos mais influentes dramaturgos e encenadores do século XX contribuindo com
o teatro moderno criando principalmente o conhecido Berliner Ensemble.
quinta-feira, 17 de abril de 2014
A paixão (nossa) de García Márquez
"Porque o jornalismo é uma paixão insaciável que só se pode digerir e humanizar mediante a confrontação descarnada com a realidade. Quem não sofreu essa servidão que se alimenta dos imprevistos da vida, não pode imaginá-la. Quem não viveu a palpitação sobrenatural da notícia, o orgasmo do furo, a demolição moral do fracasso, não pode sequer conceber o que são. Ninguém que não tenha nascido para isso e esteja disposto a viver só para isso poderia persistir numa profissão tão incompreensível e voraz, cuja obra termina depois de cada notícia, como se fora para sempre, mas que não concede um instante de paz enquanto não torna a começar com mais ardor do que nunca no minuto seguinte."
Gabriel José García Márquez (1927/2014)
Ernesto Nazareth, um clássico
Ernesto Júlio de Nazareth (1863/1934) foi pianista e um dos
grandes compositores brasileiros, deixando 211 peças para piano.
Confissão de um imbecil
“Leve para longe de mim essa inteligência perigosa, porque
minha estupidez é sagrada!”
(De um conto indiano sobre a inteligência de um viajante e a
estupidez de um beduíno, bem pode ser a fala de muitos)
quarta-feira, 16 de abril de 2014
terça-feira, 15 de abril de 2014
Nunca ovelha
"O que não somos nunca é ovelha - fiel ovelha do Santo Padre,
de Sua Majestade o Rei, do Partido, da Convenção Social, dos Códigos da Moral
Absoluta, do Batalhão, de tudo que mata a personalidade das criaturas."
Monteiro Lobato (1882/1948) em carta ao amigo Godofredo Rangel em 7/6/1914
Monteiro Lobato (1882/1948) em carta ao amigo Godofredo Rangel em 7/6/1914
A mensagem do vento de março
(...)
Ouve, o vento no olmo! É de Londres que sopra
E fala de ouro, de esperança e mal-estar
De poder que não ajuda; de saber de sobra
Que do pior e melhor não é capaz de ensinar
Dos ricos ele fala, e estranha é a história
Dos que têm, cobiçam, e de mais se apossam;
E eles vivem e morrem; e a terra e sua glória
São apenas um fardo que mal suportam
William Morris (1834/1896) escritor inglês concentrou seu
interesse em poesia narrativa sempre transparecendo idéias socialistas
Patologia de um prefeito
Quaquá, prefeitinho de Vila dos Patos (daí o adequado
vulgo), não é apenas um modelo de político corrupto. Atestam isso as dezenas de
processos a que responde como ainda as duas condenações (não cumulativas) por
inelegibilidade numa aberrante decisão dos tribunais, que ainda deixa impune e
solto o condenado. Se por isso ainda não conseguiu vaga no xilindró, agora cada
vez mais esbanja como um caso patológico de psiquiatria. A megalomania tomou
conta do ex-menino pobre da Mumbuca, que caçava rã para comer. Com a ascensão à
presidência regional do PT, - só podia ser mesmo desse antro -, vestiu de vez a
capa presidencial e como um chefe de nação caiçara esbanja em viagens para
tratar de negócios para o feudo. Assim foi com os bondes de comissionados para
a Itália e França, onde vendeu empreendimentos imobiliários, a custos
milionários para os cofres públicos; a Cuba, para pedir benção e jogar pra
galera, e agora chega mesmo à China, com um secretário que saiu do subúrbio
carioca para tratar de portos em mandarim.
O Brasil tem 7.408 km de costas, do cabo Orange ao arroio
Chuí - 9.198 km se considerarmos as saliências e as reentrâncias do
litoral - mas o tal sujeitinho empombou com a construção de um porto justamente
numa área de proteção ambiental e cultural. Quer porque quer instalar um porto
que empresas já deram para trás desde o início para poder anunciar
eleitoralmente um grande feito, já que não fez nada em seis anos. Insiste em
criar mais um factóide como essa viagem à China para fazer a cabeça dos imbecis
caiçaras, que só estão com ele devido ao dindim mensal do Erário. Com isso pode
arrecadar os votos para eleger a digníssima madame Z, sua consorte amasiada, à
Câmara estadual.
Esse é o reflexo mais recente de sua megalomania de medíocre
depois que vestiu o manto de chefe do seu partido no Estado, que vem gerindo
com os coturnos de um ditador.
Assinar:
Postagens (Atom)











































