sexta-feira, 4 de março de 2016

Dilma já não gere os fatos, é governada por eles

O acordo de delação premiada firmado pelo senador Delcídio Amaral (PT-MS) com a Procuradoria-Geral da República deixou o governo tonto. Arrastada pela primeira vez para o epicentro do escândalo da Petrobras, Dilma Rousseff teve um primeiro impulso de desqualificar o delator. Um auxiliar recordou à presidente que, antes de ser preso, Delcídio era líder do governo dela no Senado. Como explicar a escolha de um desqualificado para exercer as atribuições de líder do governo? O Planalto se deu conta de que sua reação não poderia ser improvisada.


Dilma manteve a decisão de tentar desacreditar Delcídio, atacando-lhe a reputação. Não lhe restaram alternativas. Depois de passar a manhã remoendo os termos do acordo de delação do ex-líder, ainda pendente de homologação do STF, os auxiliares de Dilma começaram a se manifestar. Acertaram os ponteiros com a presidente. Referem-se a Delcídio como um falastrão. Afirmam que suas declarações não fazem nexo. O Ministério Público Federal pensa de outro modo, tanto que submeteu a delação ao crivo do ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no STF.

Em privado, Dilma repete um bordão que já recitou em público: Quem tem força moral, reputação ilibada e biografia limpa o bastante para atacar a minha honra?, ela pergunta. Delcídio, segundo Dilma, não teria condições de emparedá-la. O problema da presidente é que nenhum delator da Lava Jato saiu de um convento. E a qualidade das revelações cresce na proporção direta do encolhimento das biografias.

Dois detalhes diferenciam Delcídio de outros delatores: 1) Ele é o primeiro petista a suar o dedo na Lava Jato. 2) Sua proximidade com o Planalto fez dele um personagem com um arsenal de informações que permitem reescrever a fábula do “eu não sabia”, já bastante desmoralizada. Além de Dilma, o senador alvejou Lula. Mal comparando, Delcídio aciona um fósforo tão perigoso quanto o que foi riscado por Roberto Jefferson ao acender o pavio do mensalão, em 2005. Naquele escândalo, Delcídio estava do outro lado do balcão. Presidiu a CPI dos Correios, que ofereceu farta matéria-prima para a denúncia que levou a cúpula do PT para a penitenciária da Papuda.

A novidade sobre o destampatório de Delcídio chegou em péssima hora, um dia em que as manchetes escancaram o tamanho da ruína econômica produzida sob Dilma: o PIB de 2015 despencou 3,8%. Esse dado expõe, uma vez mais, a empulhação do enredo que embalou a campanha presidencial de Dilma em 2014. O mentor desse enredo, o marqueteiro João Santana, encontra-se na cadeia. A Procuradoria pediu ao juiz Sérgio Moro a renovação da cana de Santana e da mulher dele, Mônica Moura, agora por tempo indeterminado.

O maior receio do governo é o de que o encontro da estagnação da economia com a lama da Petrobras produza uma espécie de pororoca que leve o asfalto a roncar novamente nas manifestações programadas para 13 de março. Governistas e oposicionistas concordam num ponto: o impeachment só tem chances de avançar se as ruas empurrarem o pedido que se encontra na Câmara, pendente de votação.

De resto, a delação de Delcídio compromete o esforço que Dilma vinha fazendo para passar a impressão de que seu governo ainda tem capacidade para fazer e acontecer. Na verdade, a presidente tenta equilibrar-se em meio ao entrechoque de dois fenômenos: o desastre gerencial em que se converteu o seu governo e as investigações que expõem os porões da corrupção com uma voracidade histórica.

Para desassossego de Dilma, a impressão de que seu governo tornou-se uma estrutura pendurada no ar foi reforçada depois que o STF decidiu antecipar a execução das penas de prisão a partir das sentenças da segunda instância do Judiciário. Ao farejar o odor do calabouço, a oligarquia enrolada na Lava Jato passou a coçar a língua. Executivos das empreiteiras OAS, Andrade Gutierrez e até da Odebrecht, a maior delas, tornaram-se delatores esperando na fila para acontecer.

Dilma já não governa os fatos que condicionam o futuro do seu governo. É governada por eles. Até aqui, a presidente se limitava a perseguir dois objetivos estratégicos: não cair e passar a sensação de que comanda. O segundo objetivo já foi comprometido. Dilma segura-se na cadeira como pode. Revela uma enorme disposição de permanecer ao volante, ainda que lhe falte um itinerário.

Pequenos assassinatos

A que ponto chegamos.

Aposto que você já ouviu essa frase em algum lugar que frequenta, ou na conversa com um amigo, um parente, um vizinho. Ou até mesmo na TV, na voz de um ministro do Supremo.

O que nós estamos vivendo aqui neste momento guarda alguma semelhança com a “teoria da janela quebrada” (broken windows theory), que é o resultado de um estudo realizado por dois professores de Harvard - um cientista político e um psicólogo criminologista - mostrando que há relação de causalidade entre desordem e criminalidade.

Em resumo, a tese é a seguinte: se uma janela do apartamento de um prédio quebrar a não for consertada imediatamente, as pessoas são levadas a crer que aquele apartamento está abandonado, já que ninguém se importa com ele, e esse abandono incentiva depredações de outras janelas, mais atos de vandalismo e até invasão do prédio.

Ou seja: quem não se preocupa com pequenos atos de marginalidade acaba sendo cada vez mais tolerante com a criminalidade em todos os seus estágios. Até que ela se instale definitivamente.

A confusão entre pequenos e grandes crimes acaba provocando uma perda de referência por onde se infiltra e se instala esse vírus de amoralidade, essa anomia que destrói os nervos e que corrói a alma do país.

Achar graça numa estrela vermelha que a primeira dama instala no jardim do Palácio da Alvorada é o primeiro vidro da janela quebrada. Desconhecer o que significa a promiscuidade entre público e privado, entre governo e partido, entre governo e Estado, entre Estado e partido, pode parecer uma minúcia, uma ridicularia, mas não é. Pelo menos em países sérios não é.

Quebrado a primeira janela, passa-se a zombar dos pequenos delitos, como se eles não fossem a pura ressonância dos delitos maiores: ah, o pedalinho dos netos do ex-presidente, ah, a canoa baratinha da dona Marisa, ah, o elevador privativo do tríplex do Guarujá.

Quanta implicância desses coxinhas, como se fosse normal alguém receber benesses de empreiteiras que vivem de contratos públicos e como se fosse normal recusar-se a prestar depoimentos solicitados pela Justiça sobre eles.

Perdido o referencial daquilo que separa a bravata ideológica do crime puro e simples, acontece isto: um sindicalista de nome Armando Tripodi, que foi chefe de gabinete do presidente da Petrobras entre 2003 e 2012, nas gestões José Eduardo Dutra e José Sergio Gabrielli, publica no site oficial da Petrobras a confissão de um crime e nada acontece com ele. Talvez tenha até sido elogiado pelo companheiro-chefe.

Num depoimento ao site institucional “Memória Petrobras” ele conta que usou o dinheiro do imposto sindical para fazer campanha para o companheiro Lula, e narra, cheio de orgulho, todos os lances de seu heroico crime. É proibido por lei usar dinheiro do imposto sindical para campanhas políticas, mas quem se lixa?

Se a janela está quebrada, o prédio está abandonado e tudo é permitido.

Da janela quebrada ao pântano moral em que o País mergulhou, a distância é mínima. Princípios morais não têm peso, nem largura, nem altura, nem espessura. Ou existem ou não existem.

A delação premiada de Delcídio do Amaral mostra não apenas que a janela está quebrada. Mostra que o prédio já ruiu em cima do governo, e mesmo que ele sobreviva, está irremediavelmente ferido de morte.

Sandro Vaia

É isso um governo?

O sábado é uma ilusão, ensinamento de Nelson Rodrigues que talvez ajude a explicar por que Dilma Rousseff disse no sábado que não governa “só para o PT”, mas para 204 milhões de brasileiros, e na segunda-feira, esvanecidas as ilusões e governando só para o PT como tem sido quando o poste governa, demitiu o ministro da Justiça.

Não que José Eduardo Cardozo ou qualquer outra cabal nulidade dos trinta e tantos ministros façam alguma diferença para os milhões de brasileiros que pagam a conta de a presidente governar só para o PT com ministros situados entre a inépcia e a delinquência, mas a sujeição do Estado às patologias do partido operada mostra, na demissão de Cardozo, que o projeto do regime antes restrito à manutenção do poder passou a configurar-se em vigaríssima trindade: a irrenunciável manutenção do poder, a trama sórdida de inimputabilidade do jeca e as malandragens para salvar o governo ilegal.

Transferido para a Advocacia Geral da União, Cardozo, que sai para dentro, num reforço para defender Dilma que se mostrará ilusório no curso da Lava Jato, caiu não por não tentar melar as investigações – o ex-ministro teve encontros com os advogados dos investigados e com Janot à margem das agendas oficiais de ambos para os quais a decência, essa desconhecida dos petistas e aliados, cobra explicações –, Cardozo foi demitido por Lula pelo fracasso parcial das tentativas.

O jeca acordou invocado na ressaca daquele aniversário micado e decidiu resolver essa história de tríplex e sítio: trocar de ministro. O obscuro Wellington César, trazido por um certo compositor investigado pela Lava Jato, já chega chegando ao governo ilegal: ele próprio é uma ilegalidade já que não pode assumir o cargo por ser membro do Ministério Público. Se menos petista e mais ministro, Jaques Wagner conheceria a lei que barra o fantoche sob encomenda dos interesses espúrios da seita e do caudilho.

É isso um governo? Ou a encenação cruenta, pública, repugnante e ostensiva dos medíocres enlouquecidos na sordidez sem limites? Nessa indiferença implacável com o Brasil de agora e com o das gerações futuras, recursos públicos (humanos e financeiros) e toda a estrutura do Estado são drenados para a sobrevida dos cafajestes obcecados por uma perenidade gozosa. Saberão que já bastou, que não têm o direito de fazer isso com o país que enxergam apenas como uma ilusão que cabe num sábado de quatro mandatos (e mais, se puderem) nefastos.

O comodismo, a desesperança e o salvacionismo são ilusões sabotadoras do sonho dos indignados das quais se nutrem as ilusões de perenidade dessa escória. Dia 13 de março é domingo, é sonho que esvanecerá todas elas.

O que Delcídio me contou


O ex-presidente, desde os seus tempos de líder sindical, sempre soube de tudo o que acontecia ao seu redor. Tudo controlava. Mas se irritava quando ficava claro que ele sabia.
Distribuía tarefas entre os seus seguidores. Esperava que eles as cumprissem. Mas não queria saber do que pudesse comprometê-lo mais tarde. Queria apenas resultados.
Os resultados estão aí. A casa caiu!

Brasil com data de validade vencida

Como alertam as bulas dos bons laboratórios, não use medicamento com prazo de validade vencido. "Caso ainda esteja no prazo de validade, observe o aspecto do produto e se houver alguma mudança no aspecto, consulte o farmacêutico para saber se poderá utilizá-lo”.

Aqui no Rio 1 tonelada de medicamentos (incluindo larvicidas imprescindíveis no combate aos mosquitos assassinos) foi incinerada. Por quê? Porque estavam com a data de validade vencida!

Essa notícia é de indignar qualquer um. O governo do Estado do Rio nos deve uma explicação e o Ministério Público deveria punir exemplarmente os responsáveis por essa barbaridade.

Mas, como dizem os ingleses, “quando chove, é temporal” (when it rains, it pours). Infelizmente, essa não foi a única barbaridade que sofremos. Estamos sendo inundados por notícias horríveis, em todas as áreas.

Na Economia está tudo muito feio e muito apavorante.

Na Política, é um verdadeiro horror o que vemos suceder diariamente. A impressão que dá é que o Governo Federal e o Congresso estão há muito com a validade vencida.

Mas Deus lembrou-se que é brasileiro e nos deu a Operação Lava-Jato, que tem retirado de circulação alguns políticos, assim como marqueteiros e empresários que com eles se acertavam.

Claro que isso incomodou nossos representantes. ‘Onde já se viu querer desmontar nossa igrejinha?’, é o que parecem se perguntar.

Dona Dilma, sem prumo e sem rumo, só diz coisa sem coisa e só sabe piorar o que já está muito ruim. Diz ela que não governa só para o PT, mas sim para todos os brasileiros. Ela só não diz que governa mais para si mesma e pela manutenção do Poder.

Ontem, dia da publicação pela revista Isto É da delação premiada do senador Delcídio Amaral, dona Dilma esqueceu do PT. Nesse momento, ela e seus auxiliares mais diretos logo se preocuparam em desmentir o senador – ex-líder do Governo dela até ser preso no ano passado – naquilo que se refere a ela. Da defesa do ex-presidente Lula, fundador e guru do partido que a colocou no Planalto, ninguém tratou.

No entanto, há muito poucos dias ela se lembrou que é petista e trocou o ministro da Justiça, desafeto antigo do ex-presidente Lula, por um petista conectado ao Poder via Jaques Wagner, ex-governador da Bahia, hoje ministro chefe da Casa Civil da sapiente presidente. Nessa hora ela estava fazendo a vontade de Lula e do PT.

Quer dizer, a cada dia a sua agonia. Ora ela é petista, ora talvez nem se lembre mais a quem deve o Poder...

O aspecto do Brasil todo está muito esquisito. Assim, seguindo o conselho das bulas, apelo a nossos “farmacêuticos”: o Ministério Público, a Polícia Federal e o juiz Sergio Moro, para que verifiquem bem se nosso país ainda tem validade.

Caso contrário, pelo amor de Deus, livrem-nos dessa tormenta.

Menos ideologia, mais biblioteca

Em recente entrevista, o Ministro da defesa do Uruguai, Eleuterio Fernández Huidobro, pertencente ao partido de esquerda Frente Ampla, o mesmo de Mujica e do atual presidente, declarou que a posse de armas é um atributo para a liberdade e que os cidadãos devem possui-la para, se necessário, lutar contra governos de ditadores fascistas. Também citou governos de ditadores “disfarçados” de esquerda – aqui ele tentou dissociar a esquerda de gente como Hugo Chávez, Maduro, et caterva – em clara crítica aos proto-ditadores que infestam a América Latina. Para ele, é um enorme erro a esquerda apontar para o desarmamento como algo benéfico.

A entrevista caiu como uma bomba no atual governo de Tabaré Vázquez que tenta aprovar uma lei mais restritiva para posse e porte de armas no Uruguai, seguindo assim a agenda esquerdista que nós conhecemos muito bem. Encabeçado por Eduardo Bonomi, ministro do Interior, encarregado pela polícia e pela segurança pública, o projeto visa a criação de novas restrições no país. Como bons hipócritas, claro, ficará intacto o privilégio para os deputados e senadores uruguaios, que têm direito de portar armas sem nenhum tipo de restrição. Também foi de Bonomi o programa chamado “Armas para a Vida”, que trocava armas de fogo por computadores e bicicletas e que se mostrou um enorme fracasso com insignificante participação popular.

Ao ser duramente criticado pela imprensa, por membros do próprio governo e de seu partido, Huidobro defendeu-se afirmando: “Eu tenho uma biblioteca, não uma ideologia”. Com essa frase – que eu adoraria ser o autor! – o ministro escancarou algo que nós já sabemos faz muito tempo: defensores do desarmamento, quando não são simplesmente ignorantes sobre o assunto ou idiotas úteis, são pautados pela ideologia e não pelo conhecimento técnico e por estudos não ideológicos sobre o tema. Foi um tiro certeiro em toda a manipulação que envolve o tema. A realidade uruguaia mostra que ele está certo!

O país possui 32 armas de fogo por 100 habitantes, a maior taxa de posse de armas da América Latina e a nona mais alta do mundo, de acordo com a organização Small Arms Survey. Na questão dos homicídios o país vizinho pode se orgulhar em ter a segunda menor taxa de toda América do Sul, uma taxa que a despeito das deturpações feitas pelo próprio governo e pela imprensa canhota do Uruguai, se mantém bastante estável nos últimos 12 anos, com normais variações para mais e para menos, em uma faixa dos 7 homicídios por 100 mil habitantes. Basta uma rápida comparação com países que adotaram o desarmamento, como o Brasil e a Venezuela, para verificar que menos armas não significam menos crimes. Exemplos contrários também estão aqui no continente e os três países com menos homicídios, o Chile, o Paraguai e o próprio Uruguai, possuem legislações bastante liberais no que diz respeito à posse e ao porte de armas. Mais armas, menos crimes! E quem afirma o contrário precisa de mais biblioteca e menos ideologia.

Pra que discutir com madame?

De repente não mais que de repente, como dizia o poeta, o cerco vai se fechando contra a Dilma, mas a Bahia que é também de todos os santos, já comparece com dois – um procurador para Ministro da Justiça e um policial federal hoje no cargo de Secretário de Segurança para Diretor Geral do Departamento de Policia Federal.

O Eduardo não aguentava mais estar Ministro da Justiça. Nos primeiros meses no cargo consumiu maior parte do tempo como se repetisse o aperreio que desafiava a paciência dos seus antecessores. Todo dia era dia de índio.


Passa essa FUNAI adiante, Eduardo. Aconselhei. Tem outros Ministérios mais apropriados. Resgata a agenda do Márcio e faz do que ele não teve tempo para fazer o teu legado. Dá mais visibilidade politica ao Ministério. Como fez o Petrônio. A transição da ditadura para a democracia ainda não se completou. O Estado brasileiro segue autoritário como antes.

O Eduardo é um jurista, um professor de Direito, um politico comprometido com causas republicanas. É só ler os Anais da CPI dos Correios, aquela de onde saíram os primeiros sinais de que o mensalão existia mesmo, para se avaliar a seriedade com que ele se houve nas investigações. Ele, um Deputado do PT de São Paulo.

A Polícia Federal não é uma repartição do Governo, mas uma Policia de Estado.

A Polícia Federal tem a função exclusiva de Policia Judiciária da União, estando sujeita unicamente às requisições do Poder Judiciário ou do Ministério Público para apurar as infrações penais contra a ordem política e social ou em detrimento de bens, serviços e interesses da União ou de suas entidades autárquicas e empresas públicas, assim como outras infrações cuja prática tenha repercussão interestadual ou internacional e exija repressão uniforme.

Incumbe ainda a Policia Federal, independentemente de requisições, prevenir e reprimir o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o contrabando e o descaminho, sem prejuízo da ação fazendária e de outros órgãos públicos nas respectivas áreas de competência.

A devassa que o País conhece pela primeira vez nas entranhas do Poder Federal, contaminando inclusive a legitimidade do poder com a derrama de dinheiro ilícito nas campanhas eleitorais, resulta do profissionalismo da Policia Federal, do Ministério Público Federal e da Justiça Federal de primeiro grau, esta sob a batuta do jovem magistrado Sérgio Moro.

A jurisdição do Executivo, através do Ministério da Justiça, sobre a Policia Federal é apenas administrativa. Ou seja, cabe ao Ministro prover a instituição com os meios indispensáveis ao seu funcionamento. Nada mais.

Não pode o Ministro de Estado, nem o Presidente da República, mandar a Policia Federal suspender qualquer investigação. O arquivamento de Inquérito Policial é competência do Judiciário, ouvido o Ministério Público.

E o Eduardo não suportava mais tanta cobrança. Quem o encontra agora percebe o quanto está aliviado.

Colocar homens da confiança pessoal do Ministro da Casa Civil, que os baianos, jocosamente, cognominam de Feijó de Irecê e Marquês de Camaçari, plantado por Lula para ver se segura a Dilma, não vai desativar a Lava Jato. Sonho dourado do PT.

Entrementes, como nas histórias em quadrinhos, mistério. A tradutora da Dilma, chamada Leticia, foi readmitida menos de quarenta e oito horas depois de perder o emprego. A moça é quem traduz para o português as conversas da Dilma com estadistas como Nicolas Maduro, Raul Castro, Evo Morales, dentre outros.

Edson Vidigal

quinta-feira, 3 de março de 2016

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Só a rua salva o Brasil

Prender a polícia; a velha obsessão! Depois da proposta de “restabelecimento imediato” do programa econômico do PT para nos salvar … dos efeitos da persistência insana no programa econômico do PT, tirar Jose Eduardo Cardoso do Ministério da Justiça e entregar a pasta à “guarda baiana” do lulismo, sob um lugar-tenente de Jacques Wagner, o lugar-tenente de Lula, com a missão oficialmente definida de rachar o Ministério Público (o de SP já se acovardou) e “enquadrar a Polícia Federal” é a prestação da vez do golpe aos pedacinhos do PT, com epicentro sempre no Judiciário, diante do que não dá mais para negar, nem a respeito da multinacional baiana de empreitadas presidenciais bilionárias, nem do que esse esquema rendeu na forma de “dachas” e outros mimos para o seu criador e digníssima família.

O flagrante de contato de mucosas entre as offshores panamenhas das famílias Santana e Odebrecht intermediado por um notório operador de subornos do “petrolão” conforme instruções precisas escritas de próprio punho pela sorridente senhora Santana, com pagamentos da Odebrecht para o marqueteiro de Dilma durante a campanha de Dilma, pôs munição viva na roleta russa do “caixa-2-pau-pra-toda-obra” que vem sendo jogada pelo PT e desenhou com minúcias chocantes os contornos da “Internacional Bolivarianista” que instalou uma rede de ajuda mutua de presidentes eleitos de extensa ficha policial em países diversos da África e da América Latina com o concurso de campanhas roteirizadas pelo marqueteiro de Lula e “Conselheiro nº 1 de Dilma Presidenta” pagas com “obras” bilionárias para a Odebrecht, bancadas algumas pelo BNDES, tudo isso dando vida à receita que ele tantas vezes festejou no Foro de São Paulo.

Com o país atolado na sua assumida incapacidade de formular mais que o ataque ao poder e de construir o que quer que vá além dos meios de mantê-lo, a nova coleção de provas configura o universo real do petismo no governo à imagem e semelhança do sindicalismo pelego getulista onde finca raízes no qual, uma vez tomada uma corporação numa determinada praça tudo que ha a fazer é não perder mais as “reeleições” por aclamação de eleitores expostos às pressões, violências, chantagens e reformulações da regra que garantem a quem se dispuser a praticá-las sem nenhum limite manter para sempre o livre dispor do imposto sindical correspondente.

“Governar é locupletar-se dos meios de ganhar a próxima eleição” é a única lição que se aprende nessa escola. Faz todo o sentido, portanto, que os governos do PT desdenhem completamente os profissionais do fazer mas erijam em eminências pardas todo poderosas os assessores do dizer com notória especialização em revestir superfícies podres de purpurina dourada, não importa em que latitude, não importa em que idioma.

As provas acumuladas contra os Silva, os Santana e os Odebrecht às vésperas de um momento de catarse como o do 36º aniversário do partido parecem ter precipitado manifestações descoordenadas dos setores mais “soft” e mais “hardcore” do golpismo genético no PT, o que explica o anuncio em sequência do “divórcio de Dilma” (sem separação de corpos) e início oficial da construção da grande mentira de 2018 embutido na “reafirmação” preventiva como efeito de um “programa econômico” que é a causa da desgraça profunda que o Brasil vai viver nos próximos tres anos e mais, seguido da rasteira em Jose Eduardo Cardoso, uma vez refeito o partido do susto, para por em curso mais um dos “arranjos” judiciais no figurino do Foro de São Paulo para os quais o PT se vem articulando desde o primeiro dia dos seus quatro governos, e se faz necessário nesta emergência para manter Lula vivo até o momento de protagoniza-la.

Que ninguém se impressione com a falta de sentido real das “propostas” do partido; é isso mesmo que dá sentido prático a esse angu dialético. Ao reagir a todo e qualquer fato novo com bofetadas na cara da lógica e do senso comum, o PT tem conseguido fazer com que cada bofetada nova pareça menos chocante que a anterior, o que vai dessensibilizando o ouvinte até que agredir a lógica torna-se a regra, e portanto, a lógica, e não a excessão, que é aquilo que, por inusitado, aciona nossos alarmes cognitivos. É com esse expediente que ele se tem dedicado ultimamente à empreitada de transmutar o castigo em crime e fazer da adesão ao impeachment sem o qual não sobrevive o Brasil uma espécie de “confissão de culpa” da intenção oculta não de prender os criminosos, mas de deixar vagos os seus postos na organização criminosa.

A “DR” pública do 36º aniversário do partido confirmou o que já se sabe desde o início da prova de apnéia que já vai muito além do limite do dano irreversível imposta à economia brasileira a partir da subida de Joaquim Levy ao palco: Dilma Rousseff não tem o mesmo estômago de Lula para recomendar com ar piedoso aos miseráveis que estrebucham em seus braços que tomem mais uns bons goles de veneno para se curar, mas também não tem grandeza bastante para sair de cima e deixar o país vir respirar na superfície. Ego por ego, os dois se anulam mutuamente, o que vai otimamente bem para o Brasil dos “Sem Crise” onde “demissão” é palavra fora do dicionário e aumento de salário se dá por decurso de prazo, haja o que houver com o “país real”, em que se irmanam, no mínimo na absoluta falta de pressa, situação e oposição.

Uma leitura objetiva do rame-rame e do prende-e-solta destes dois anos de enfrentamento surdo entre a trincheira solitária de Curitiba e o grande território ocupado do Judiciário de modo nenhum autoriza que se deixe de levar a sério a ameaça prometida de castrar a Polícia Federal e assumir oficialmente que nesta terra de avessos, pau que não bate em delcídio também não bate em marcelo nem, muito menos, em luis, por mais ululantes que sejam os fatos.

Só a rua salva este país. Se no próximo dia 13 o Brasil não der prova indiscutivel de apoio maciço à sua última célula saudavel, a doença terá vencido e não haverá segunda chance.

Dilma viu riqueza. Era corrupção

Quando deixou a presidência do Conselho de Administração da Petrobras, em março de 2010, Dilma Rousseff disse que se sentia muito feliz, orgulhosa e grata pelo aprendizado. “Você tem uma nova visão de Brasil, vê a riqueza do Brasil”, afirmou.

Estava, pois, num posto privilegiado, onde ficou sete anos. E como não viu os desastres cometidos na gestão da empresa? Porque não foi apenas roubalheira. A Petrobras foi também destruída por uma administração no mínimo temerária, que deixou prejuízos bilionários para a companhia.


Eis dois exemplos bem atuais. Na última terça, a Petrobras foi condenada no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) a pagar impostos e multas no valor de R$ 7,3 bilhões. O Carf considerou irregulares duas operações feitas em 2007 e 2008, nas quais a companhia colocou como despesa operacional os aportes de R$ 6 bilhões que fizera para o Petros, fundo de pensão dos funcionários. A despesa operacional abate do resultado e, pois, reduz o imposto a pagar.

Dirão: mas é uma questão de contabilidade, não passa pelo Conselho de Administração.

Errado. Essa manobra — bilionária — aparece no balanço e tem de chamar a atenção do conselho, pelo menos de um conselho minimamente atento.

Outra: na mesma terça passada, o ValorPro, serviço de informação on-line do jornal “Valor Econômico”, informou que a Petrobras obteve um prejuízo de US$ 1,95 bilhão na compra da refinaria de Okinawa, no Japão, efetuada em 2008. O jornal teve acesso a um relatório da própria companhia. A refinaria foi fechada, por inútil, no ano passado. Está à venda, mas não apareceram compradores.

A compra se deu dois anos depois da aquisição da refinaria de Pasadena, nos EUA — isso mesmo, aquela que deu um prejuízo do mesmo tamanho, sem contar a roubalheira.

Para os dois negócios desastrosos, Dilma Rousseff, já como presidente da República, deu a mesma explicação. O conselho havia autorizado as compras com base em resumos executivos oferecidos pela diretoria.

Dois resuminhos e tudo bem?

A reportagem do ValorPro, assinada por Cláudia Schüffner, jornalista de reconhecida competência nessa área, conta que a compra de Okinawa foi intensamente debatida por quadros técnicos da estatal, muitos levantando dúvidas e restrições. Não devem ter aparecido nos resuminhos.

Quem começou o negócio de Okinawa foi Nestor Cerveró. Quem fechou foi Jorge Zelada, ambos apanhados pela Lava-Jato. Assim como os envolvidos com Pasadena, Paulo Roberto Costa e Renato Duque.

Foi também durante o período de Dilma no Conselho de Administração que a Petrobras decidiu construir quatro refinarias, as de Pernambuco (Abreu e Lima), do Rio (Comperj) e as duas “premium” do Maranhão e Ceará. Estas últimas foram canceladas no ano passado. Os projetos, considerados inviáveis técnica e economicamente, custaram cerca de R$ 3 bilhões.

As outras duas refinarias, em construção, tiveram orçamentos estourados em bilhões de reais, estão incompletas, projetos sendo revistos e com a estatal procurando sócios novos.

Quatro desastres, não é mesmo? De novo, sem contar a roubalheira já demonstrada pela Lava-Jato.

Como tudo isso pode ter passado batido pelo Conselho de Administração? Como Dilma, a gerente, não ficou em cima desses projetos?

A nossa hipótese: nem o conselho nem Dilma mandavam. O então presidente Lula decidia tudo. Mais de uma vez Lula se vangloriou disso, de ter determinado que a Petrobras tivesse mais “ousadia” e mais “patriotismo” nos seus investimentos.

Mas isso apenas explica, não elimina a responsabilidade de Dilma Rousseff como presidente do conselho. Digamos que não fosse possível ou fosse muito difícil apanhar as propinas que rolavam por baixo do pano. Mas certamente era possível, e até fácil, desconfiar dos projetos, dos negócios e dos valores envolvidos. Ou da estratégia: construir quatro grandes refinarias ao mesmo tempo? Ela tinha que saber.

O que leva a outra questão, a do momento: o que Dilma sabia ou devia saber sobre suas duas campanhas eleitorais? Ela foi designada candidata por Lula. A engrenagem de Lula montou as duas campanhas com João Santana. Sim, Dilma escolheu alguns colaboradores seus na campanha e no governo, mas a gestão de tudo foi sempre dividida com Lula e seu entorno.

Com a repetição de denúncias de caixa dois e dinheiro de propina nas campanhas, de duas, uma: ou Dilma sabia e deixou passar, ou não sabia e Lula é o responsável por tudo. Mesmo neste caso, porém, como na Petrobras, nada elimina a responsabilidade da presidente.

Na melhor das hipóteses para ela, Dilma cometeu um equívoco fatal para o país. Ali onde ela teria visto “a riqueza do Brasil” estava a maior corrupção da história do país e uma gestão destruidora.

Carlos Alberto Sardenberg 

Como se move uma seita

Se você quer conhecer um inimigo, tem que pensar com a cabeça dele. E a cabeça da seita não se importa em comprar pedalinhos em forma de patão para o sítio que já não é dele, conquanto que os vitimados pela corja não saibam do que se trata. Tentem ler desapaixonadamente a história da ascensão do comunismo em Cuba por exemplo. Não há.

Lula
O que há são histórias da carochinha contadas por um bando de vagabundos sem caráter, que amam endeusar figuras como aquelas duas múmias até hoje no poder. Tentem averiguar a veracidade do “Decálogo de Lênin”, por exemplo. De novo estamos na seara das implicações. Do mau jornalismo. Do achismo jornalístico. Da falta de verdade que nos permeia. Do falseamento dos fatos e das versões.

O que está em jogo hoje é se temos “polícia” ou não neste país; de que lado ela está e se uma quadrilha – pretextando uma legitimidade comprada com fartas doses de dinheiro público – pode continuar impune a delinquir, extorquir, ameaçar uma sociedade espoliada até o talo. O dia 13 é o dia que esperam as hostes petralhas – o bando; a sofisticada organização criminosa – para “sentir a temperatura da sociedade” e tentar um “calaboca” na Operação Lava-Jato.

Nunca é demais lembrar que falamos de “um juizeco de primeira instância da tribo dos Paranás” – na visão preconceituosa, ignorante e truculenta de um exército de Stédiles que acha que dominou o país com sua saliva . Isso já seria motivo suficiente para “colocar o gajo em seu devido lugar”, de preferência na cela ao lado dos opositores venezuelanos.

É o sonho de consumo dessa gente, meus caros. Implementar aqui um comunismo possível, com toda sorte de defeitos de fabricação que uma trapizomba parida na extinta URSS e trazida para cá num aperfeiçoamento rombudo, misto de monarquia absolutista com ditadura peruana, para finalmente amordaçar os “poucos” que insistem em defender a liberdade por aqui. Pois depende de nossa maciça presença no dia 13 nas ruas o aborto dessa ideia estúpida, dessa pretensão vagabunda, dessa nojeira que nos governa.

Penso que esta será – pelo menos para mim – a última das manifestações pacíficas a que temos direito. A próxima ou festejará a prisão do chefe da quadrilha (e dono dos pedalinhos em forma de patão) e o fim desse governo de vigaristas ou será a nossa Treblinka. Neste caso, a primavera árabe florescerá aqui mesmo. Minha panela de fritar frango já está a postos, reservada a um petralha. Qualquer um. O primeiro vigarista que me aparecer na frente. Questão de tempo para o linchamento. De mau tempo.

Um Estado que destrói a nação

O estado voltado para si próprio, despreparado para bem administrar o País, corporativo, preguiçoso, corrupto e distante da sociedade... Estado aqui entenda-se os poderes públicos em todas suas instancias, dos municípios até Brasília. Estado, segundo o Dicionário Houaiss (século XIII) é designado com simplicidade como "conjunto das instituições que controlam e administram uma nação".

A deterioração da situação fiscal brasileira e dos "nossos" políticos é gritante e, desde muito, é o fator que arrasta a nação para os porões da mal cheirosa moralidade pública... Um estado patrimonialista incapaz de observar seus limites e cumprir seus deveres para com a sociedade que sustenta sua preguiça e descompromisso com sua finalidade. O Brasil quer e precisa avançar. Mas, o estado é o maior obstáculo a ser vencido. Minado por corporações fétidas protegidas por uma legislação benevolente para com os "servidores públicos"...

Um estado autoritário e patrimonialista, demagogo e de aparência democrática, onde as contas públicas se deterioram cada vez com maior velocidade. Um estado onde ninguém é responsável por erros e roubos... Mas todos se inserem nos louros de conquistas. É preciso um estado competente, que custe o mínimo necessário e invista com parcimônia, propiciando uma vida digna para a população.

Nossos partidos e seus líderes pouco contribuem para que ocorram mudanças. Definem seus grupos e tratam primeiro de cuidar de si e de sua turma. Como já afirmara Frédéric Bastiat, economista francês falecido em 1850, "O estado é a grande ficção em que todos esperam viver às custas de alguém mais". O universo dos que produzem e geram riquezas cada vez mais é exaurido por aquele que abriga as ervas daninhas que sugam a seiva de uma árvore frondosa chamada Brasil. E nós, brasileiros, que com nosso trabalho e suor geramos emprego, renda, riquezas e impostos? O que será de nós?

Pergunte a eles

Gilberto Kassab, ministro das Cidades, Pezão, governador do RJ,
prefeito Quaquá, Rosangela Zeidan, mulher do prefeito e deputada,
 Míriam Belchior, presidente da Caixa Econômica Federal,
e Dilma Rousseff, há oito meses inaugurando  apartamentos sobre o brejo
Como o governo escolhe um brejo para construir as nossas casas?
Elizabeth Francisca, moradora de conjunto habitacional inundado em Maricá


Crise e transitoriedade

Não se deve lidar com problemas importantes como um ignorante, dizia Anton Chekhov. Vale lembrar dele neste instante (transitório, mas interminável) em que o Brasil não pode deixar de enxergar a sua mais profunda má-fé, a sua mais clara indisponibilidade para o bom senso e a sua mais abjeta vontade de poder.

A onipresença desses maus sentimentos confundem e fazem duvidar de nossa sabedoria, pois, sem nenhuma narrativa como guia, estamos confinados a uma santa ignorância. A ignorância de nós mesmos como uma nação de governantes sem caráter, a consciência trágica de um país que substituiu a fé pela mentira da propaganda política. Onde foram parar os políticos honestos e a nossa crença em nós mesmos?

De fato, a novidade desses tenebrosos tempos de crise, escândalos e roubalheiras em cascata é o desnudamento de nossa infinita crença de que “no final, tudo vai dar certo”. Que Deus é brasileiro e assim nos idealizamos como gente malandra, mas honesta; pobre, mas limpa; poderosa, mas repleta de generosa e doce alegria carnavalesca. Negra na pele, mas branca na alma – eis a suprema admissão de um povo preconceituoso e tão autocomplacente que jamais precisou de rotinas segregacionistas. Para nós, basta(va) o preconceito bem internalizado que, maternal e carinhosamente, engendra o roubo federalizado feito – como estampam os jornais – “dentro da lei!” e no âmbito de um conscientemente desonesto “eu não sabia...”.

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O instantâneo que captura décimos de segundo dessa dimensão infinita e insondável, a qual chamamos de “tempo”, revela algo que deveria ter um início, um meio e um fim, mas que a crise tende a perpetuar, recusando o tempo. E se o tempo feito de uma história que seria feita por nós não resolve, caímos no poço sem fundo de nós mesmos, donde o cheiro de podre que chega vem do contato imerecido, para a maioria sem riqueza e poder, com o denso cinismo dos poderosos.

Eis uma crise que, irmanada aos avanços do individualismo, da transparência e de uma enorme reação à igualdade como o valor central de uma democracia, tende a permanecer irresolvida. O que, como uma dor de cabeça, seria um evento excepcional tem raízes nas ambiguidades da lei, que protege os superiores, dos poderes que se suicidam digladiando-se e do caráter dos partidos e dos políticos, que estão no palco como confundindo verdade com mentira. E assim vamos ficando cada vez mais longe da redenção e a cada hora mais certos de pertencer a um país viciado em incestuosamente trair a si mesmo.

No Brasil de hoje, o transitório que, para Freud, era precioso justamente porque passava denunciando a finitude, o luto e a perda de algo que era nosso e do qual éramos obrigados a dizer adeus à força, banhados nas lágrimas da nossa melancolia, parece não ter fim.

O que motiva Freud, em 1915, em plena selvageria da Primeira Guerra Mundial a revelar o transitório como um fato sociopsicológico, foi a reação negativa de seus companheiros de passeio num belo dia de verão. O jovem poeta que o acompanhava (dizem que era Rilke) e o taciturno amigo que fazia parte da excursão (afirmam que era Andreas-Salomé) lamentaram esse instante de gozo de uma rara beleza, porque a paisagem iria dissipar-se como tudo o mais que é belo e desperta a consciência do inexcedível. Freud aponta o lado positivo do transitório e fala da sua efemeridade como algo que obriga a aceitar o fato de que nada é permanente. Não sendo deuses, vivemos num mundo de instantes e vislumbres, pois a desgraça que eventualmente nos atinge não estava prevista no passado dos “momentos mágicos” – como dizia um certo Lula –, os quais são hoje substituídos por vergonhas, escárnios e insultos à nossa inteligência.

Mas Freud não esqueceu o fato de que o transitório pode ser negativo e, mesmo na tragédia, permitir a quem sofre uma desgraça, ingratidão ou calúnia, esquecê-las e, em alguns casos, lembrar delas com indiferença ou por meio do que chamamos de “saudade”. A dor da perda parece infinita, mas, transformada em saudade, ela passa a ser um evento passível de ser lembrado porque encontrou um lugar no nosso coração.

Thomas Mann vai além e faz um “louvor à transitoriedade”. Para ele o transitório é a “alma do ser”, pois é quem engendra o tempo. Onde não há transitoriedade, princípio e fim, nascimento e morte, não há tempo; e a falta do tempo é o nada estagnado, tão bom e ruim como o desinteresse absoluto.

No caso desse nosso Brasil, barricado por uma crise sem o vislumbre da transitoriedade, como seria normal em todas as crises, pergunta-se: o que fazer quando o transitório não passa e suspende a passagem do tempo?

Sobre anéis e dedos


Uma das peças de resistência da presidente Dilma Rousseff tem sido a alegação de que seu governo se pauta de forma republicana, sem interferir no andamento de ações que investigam a ela própria ou seus aliados. De fato não havia, até agora, episódios significativos que contrariassem este argumento. Mas o sinal amarelo acendeu, com a substituição de José Eduardo Cardozo por um homem da confiança de Jacques Wagner, no Ministério da Justiça. Nitidamente a presidente cedeu às pressões do PT e de Lula, que viviam pedindo a cabeça de Cardozo, por considerá-lo um frouxo no monitoramento da Polícia Federal.

É mais um capítulo da “guerra-fria” entre Dilma e Lula. A relação entre a criatura e o criador lembra aquele casal pequeno burguês da Ópera do Malandro, obrigados a viver sob o mesmo teto “até que a casa caia, até explodir o ninho, até o fim dos dias”. Não se suportam, é verdade, mas um depende do outro para sobreviver.

A presidente sempre tem cedido, para prolongar o fim do casamento. Quer dizer, cede, sem ceder. Por pressão do seu criador, defenestrou o ministro Joaquim Levy. Manteve, porém, o essencial da política econômica e namora com medidas capazes de provocar infarto de miocárdio em muitos petistas: reforma previdenciária, teto para os gastos públicos, restrições a aumentos reais do salário mínimo.

A mesma dança pode ter acontecido, agora, na troca da guarda no Ministério da Justiça. Dilma pode ter entregado os anéis para preservar os dedos. Diante de um Lula às raias da loucura - capaz de tudo para limpar a sua folha corrida - concordou com a degola. Mas não nomeou como novo ministro quem seu criador e a cúpula petista desejavam: o deputado petista Wadih Damous, ex-presidente da OAB.

Damous era o homem escalado pelo lulopetismo para por um freio na PF, para “disciplinar” e “monitorar” suas ações, para submetê-la ao controle férreo do Palácio do Planalto, leia-se, dos interesses do caudilho de impedir os avanços das investigações.

Até certo ponto e grau, a opção de Dilma por um nome de perfil mais moderado, o procurador Wellington Lima, bem como sua decisão de manter, por ora, o chefe da PF, Leandro Daiello, não são coincidentes com os planos de um Lula impaciente e disposto a soltar seus cachorros para cima de sua criatura, se ela não o blindar suficientemente.

Dilma viverá, portanto, nova prova dos nove.

A Lava-Jato tem sua dinâmica própria. Suas investigações não são determinadas ou controladas pelo Planalto. A Polícia Federal tem sua autonomia funcional. Além disso, uma nova cultura vem se formando no país, graças à ação do Ministério Público, da Justiça e do próprio aparato policial. Nesta nova cultura, extremamente republicana, não há homem acima de qualquer suspeita.

Qualquer retrocesso terá impacto fortíssimo na sociedade, para não dizer na própria Polícia Federal. Já imaginaram uma greve da PF, contra ingerências nas investigações, na autonomia funcional da corporação? Seria um escândalo internacional.

Dilma sabe de tudo isto. O seu problema é que Lula só quer saber de salvar a sua própria pele. Exige demonstrações de “fidelidade” sob pena de autorizar o PT a tocar fogo no circo.

Vontade não falta, para muitos petistas. Segundo eles, Dilma traiu a causa. Ou, como disse o senador Lindemberg Farias, de forma pouco sutil: “a presidente escolheu uma pauta que vai contra os nossos”.

Diante do avanço da Lava-Jato, Lula não se contentará apenas com os anéis. Exigirá também os dedos: a transformação da PF e do Ministério da Justiça em correias de transmissão de seus interesses pessoais e partidários.

Ainda assim será pouco. Vai exigir também mudança de rota na política econômica. Nelson Barbosa que se cuide. E o novo ministro da Justiça também.

O sonho de consumo de Lula é ter no cargo um comissário mão de ferro, capaz de fazer tudo que o mestre mandar.

Só falta conferir se Dilma está disposta a se imolar para salvar Lula.

Não é a primeira vez que a tela do meu computador me desafia

Não é a primeira vez nem será a última que a tela do meu computador me desafia. Enfrentar de peito aberto esta nossa conversa semanal é, também, um ato de coragem. E, como qualquer cronista (ou, ao contrário, o que faço aqui está muito distante da verdadeira crônica?), sucumbo ao barulho ensurdecedor dos temas considerados hegemônicos. E a política, com certeza, é o maior deles.

E sempre (não aprendo a lição) aguardo ansioso que algo otimista surja em meio ao desânimo que abala aos poucos a confiança que ainda mantenho em nosso país. Procuro, então, a maneira menos traumática e, talvez, mais elegante para me dirigir a você, leitor. 

O desânimo a que me refiro tem como causa principal esta dolorosa realidade: a presidente Dilma Rousseff, depois, sobretudo, de fazer uso da mentira – por meio dela ou do seu guru da comunicação, enfim preso pela operação Lava Jato – para se reeleger presidente da República, está perdendo agora o apoio do PT, seu partido. E o PMDB, que seria seu maior aliado e detém as presidências do Senado e da Câmara, sonha, diariamente, em fazer oposição aos dois.

Para agravar ainda mais as crises política, moral e econômica, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), é investigado pelo STF em sete inquéritos. Seis deles têm relação com a operação Lava Jato e um se refere ao caso Mônica Veloso, mãe de um dos seus filhos. Se o presidente do TSE, ministro Dias Toffoli, concordar com a Procuradoria Geral da República, que autorizou mais uma investigação contra Renan, por movimentação financeira suspeita, no valor de R$ 5,7 milhões, incompatível com seus rendimentos anuais, o alagoano comemorará o oitavo inquérito contra ele. Uma proeza!

Por sua vez, o presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), desafia os Poderes Executivo e Judiciário. Não teme nada nem ninguém. Em outubro do ano passado, o STF autorizou inquérito contra ele, sua mulher, Cláudia Cruz, e sua filha Danielle, por se beneficiarem de recursos de quatro contas na Suíça. A PGR investiga a relação desse dinheiro com o esquema de propina da Petrobras, mas Cunha afirma que não tem contas no exterior. É, apenas, conforme disse, “usufrutuário em vida de ativos geridos por um truste”. E, anteontem, o procurador geral da República, Rodrigo Janot, requereu a abertura de novo inquérito contra ele baseado em delações premiadas.

Se o STF decidir (escrevo antes da sua decisão) que o deputado Eduardo Cunha deva ser processado por corrupção e lavagem de dinheiro subtraído da Petrobras, ele se tornará réu (de número 180) na operação Lava Jato. Se tal ocorrer, o STF também terá que decidir sobre seu afastamento definitivo, pois Cunha (pasme, leitor!) é o primeiro na linha de sucessão, depois do vice-presidente Temer, e isso implicará imediata eleição do seu substituto na presidência da Câmara Federal.

Finalmente, depois que a Lava Jato decidiu investigar se o ex-presidente Lula recebeu vantagens indevidas de empreiteiras, e um dia depois de demitir o ministro da Justiça José Eduardo Cardozo (em seu lugar, foi nomeado o promotor baiano Wellington César Lima e Silva, ligado ao ministro Jaques Wagner), a presidente Dilma se vê, pessoalmente, humilhada com a denúncia de que a Andrade Gutierrez pagou “por fora” despesas da sua campanha presidencial de 2010.

Atenção: se nós, brasileiros, de fato quisermos, poderá nascer desse lixo um novo país – ético, democrático e justo.

O futuro está em nossas mãos.

Superior à canalha

(Alberto) Fujimori (ex-presidente do Peru) utilizou a imprensa como arma para eliminar seus inimigos. Os poderes quiseram, sempre, ter o jornalismo do seu lado. Na democracia há uma diversidade que permite cotejar a informação e buscar a verdade. Essa é sua superioridade 
Mario Vargas Llosa

Lula, o corajoso covarde

Admirável a capacidade de líderes políticos do PT de manipularem fatos na tentativa de transformar uma coisa que lhes é desfavorável em outra que possa beneficiá-los – ou ao seu chefe. Não é de hoje.
Lula negou-se a comparecer para depor pessoalmente ao Ministério Público de S. Paulo que investiga o caso do tríplex do Guarujá, reformado de graça pela OAS para abrigá-lo e à sua família.

Preferiu depor por escrito, respondendo a perguntas que lhe seriam feitas. Lula não era obrigado a comparecer. O Ministério Público deu-se por satisfeito com as respostas que ele lhe enviou.

Naturalmente, isso não quer dizer que tenha acreditado nelas.
Que versão para o fato o PT se empenha em oferecer? Que Lula trombou com o Ministério Público. Que o desafiou. Que o afrontou na condição de líder político perseguido.

Foi o contrário. Com medo de depor, com medo de ser surpreendido por perguntas para as quais não teria respostas prontas, Lula preferiu não encarar o procurador que o havia intimado.

Não foi um gesto de coragem, mas de covardia.

O vício da corrupção

É uma história que acompanhei desde o começo através do entusiasmo de amigos como Hélio Pellegrino, Frei Betto e Henfil e de personalidades como Mario Pedrosa, Antonio Candido, Sérgio Buarque, Apolônio de Carvalho, que se orgulhavam de terem participado da reunião no Colégio Sion, em São Paulo, no dia 10 de fevereiro de 1980, quando foi aprovado por aclamação das cerca de duas mil pessoas presentes o manifesto de fundação do Partido dos Trabalhadores. O sonho era possível, pensava-se diante daquele movimento que reunia sindicalistas, intelectuais, professores, jovens, velhos, a geração de 68, todos os que tinham lutado contra o regime militar, mas também contra o autoritarismo do Partido Comunista e a herança populista de Vargas.


Vinte anos depois, Lula anunciava orgulhoso que o PT estava pronto para chegar ao poder com a bandeira da ética. Reconhecia que teria de desenvolver alianças, mas “sem jamais cair na promiscuidade política”. Bastaram mais dez anos para que ocorresse a perda da inocência. No dia 10 de fevereiro de 2010, quando os petistas festejavam o 30º aniversário, a repórter Soraya Aggege publicou uma corajosa entrevista do então chefe de gabinete da Presidência, Gilberto Carvalho, dizendo com todas as letras: “o vício da corrupção entrou em nosso partido”. E explicava que o PT, que nascera questionando as instituições tradicionais, acabara “se assemelhando aos outros partidos”.

Mais do que denúncia, era um alerta que, aliás, não adiantou muito. Esse vício é muito poderoso e, mais do que todos os outros, difícil de ser abandonado, porque não faz mal à saúde e é muito rentável. O cigarro e o álcool matam; já a corrupção dá dinheiro e só agora está dando cadeia no Brasil. Daí a dificuldade de combatê-la e até de reconhecê-la. Tanto que no evento comemorativo dos 36 anos do PT no último fim de semana, nenhum companheiro teve coragem de tocar no assunto, mesmo sabendo que ele continua atual e é responsável pelo desgaste do “partido da ética”. Hoje, de acordo com o Datafolha, 49% dos eleitores não votariam em Lula de jeito nenhum. Mas isso não o desanima, ao contrário. Ele aproveitou o encontro partidário para dizer que, “se for necessário”, aceita ser candidato em 2018: “estarei com 72 anos e tesão de 30 para ser presidente da República”. Como parte da campanha, mostrou sua força derrubando um suposto obstáculo, o ministro da Justiça, para com isso atingir também a PF. Ele sabe que, para alcançar seu intento, precisa provar aos investigadores da Lava-Jato que, apesar das aparências, não é dependente do maldito vício da corrupção. 

'Acordo com governo só defende patrimônio de mineradoras'

Para o Ministério Público Federal, o acordo anunciado nesta quarta-feira entre governos, Samarco, Vale e BHP Billiton "só se preocupa com o patrimônio das empresas e os reflexos financeiros sobre as mineradoras", e não com o meio ambiente ou as pessoas afetadas pelo desastre de Mariana (MG).

À BBC Brasil, o procurador Jorge Munhós de Souza, que atua na força-tarefa que investiga a tragédia causada pelo rompimento da barragem de Fundão, em novembro passado, classificou o anúncio feito no Palácio do Planalto como "injustificável" e "incompreensível".

Segundo ele, da maneira como foi apresentado, o texto "inviabiliza, na prática, o pagamento de multas pelas responsáveis pelo desastre".


De acordo com o anúncio, que teve a presença da presidente Dilma Rousseff, a Samarco deverá que desembolsar R$ 2 bilhões em 2016 e outros R$ 2,4 bilhões até 2018 na reparação dos impactos da tragédia ambiental, considerada a maior da história do Brasil. O acordo inclui as mineradoras e os governos federal, de Minas Gerais e do Espírito Santo.

"O Ministério Público Federal tentou até o último momento entender essa negociação. Mas ela foi feita entre governo e empresas, éramos convidados em cima da hora e nunca recebemos a documentação técnica que embasou as decisões", diz Souza. "Agora trabalharemos para que o acordo não seja homologado judicialmente."

Em nota, a mineradora Vale disse que o "acordo de longo prazo assegura recuperação do meio ambiente e retomada da atividade econômica na região impactada".

Ainda segundo a companhia, uma das proprietárias da Samarco, dona da barragem que se rompeu, o texto "garante voz para as comunidades e estabelece programas baseados em estudos científicos".

A Procuradoria, entretanto, discorda. "Os afetados não tiveram nem chance de participar. Está claro que este é um acordo do poder público. Aconteceu em Brasília, e este é um dos principais problemas", diz o procurador.