terça-feira, 8 de março de 2016

O poste destituído e o caudilho sujo que berra palavrões

Éramos 3% de brasileiros já indignados na aurora nefasta do lulopetismo. Pensei nisso ao ver o vídeo de Jandira Feghali que, desfazendo involuntariamente a farsa do líder calmo, flagra Lula excretando num telefonema para presidente, interlocutora à altura da linguagem e da moral de sarjeta, onde o pessoal da Lava Jato deveria enfiar “esse processo todo”. O insulto à nação, chocante por não surpreender, confirma a substância repulsiva de que é feito o homenzinho cujo projeto mafioso desgraçou o país e me fez lembrar que Dilma poderia dar outro destino ao retrato de Hugo Chávez que a ajuda a enfear o Palácio do Planalto.

Éramos uns gatos que pingavam aqui e ali dançando a música lúcida da indignação e fomos julgados insanos pelos 90 e tanto por cento que não a ouviam. Isso é Nietzsche? Não sei. É sonho, essa coisa que abre caminho para a realidade. Nossa lucidez acusada de tudo sempre soube que ganhos materiais obtidos no primeiro mandato lulopetista, por mais duradouros ou amplos que fossem sem nunca terem sido, não compensavam a lapidação do patrimônio moral da nação. Sobretudo, nossa lucidez não desistiu de sonhar em livrar o país da criatura que, degradando de modo insuportável o exercício do cargo, aprofunda a participação do governo na defesa de Lula e comparsas.


Assim, declarar “injusta a condução coercitiva” decidida por um juiz amparado na lei já seria um vergonhoso conflito institucional para qualquer governante com vergonha na cara e sem culpa no esbulho que a Lava Jato apura. Como lhe falta aquela e lhe sobra esta, o poste, sempre de costas para a nação, mantém o Estado à disposição das deformidades morais do PT, dos cúmplices e do dono de todos eles. Por exemplo, a medida provisória da leniência tramada entre o governo e a Procuradoria-Geral da República, impedindo criminosamente o TCU de acompanhar os processos respectivos, é a tentativa de subornar com a salvação os empreiteiros bandidos.

Contra a vigarice, o deputado Raul Jungmann (PPS-PE) entrou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade. O deputado Pauderney Avelino (DEM-AM) conseguiu a liminar suspendendo a posse do Ministro ilegal da Justiça. A oposição oficial se mobiliza pelo 13 de março. Ações que indicam que ela parece ter perdido o medinho de se unir à nação que presta depois de 14 anos acovardada diante de um caudilho sujo que berra palavrões. É que às vezes é preciso andar muito para alcançar o que está perto (José Saramago).

Isso não importa agora, pois na porção degradada em bolivarianismo da América Latina, o atraso começa a ceder na Venezuela; na Bolívia, a população desautorizou Evo Moralez a se candidatar pela – meu Deus! – quarta vez; na Argentina, Macri restaura a sanidade e, num ato de simbologia eloquente, devolve a beleza à linda Casa Rosada ao remover o retrato de Hugo Chávez. Dilma Rousseff, destituída de podre ou renunciando de podre, que leve consigo a tranqueira similar que ganhou porque o tempo dos facínoras chega ao fim. Se não souber onde colocar a prenda medonha, veja o vídeo e inspire-se: presenteie Feghali.

A língua da jararaca

O que eu insisto em registrar aqui são o “código”, os “mantras”, os “cacarejos” que essa gente usa sem cerimônia para nos intimidar. Parece que falam outra língua e administram outro país. E na verdade é isso mesmo. Eles falam é para a militância. Não querem nos explicar o que fizeram; querem nos intimidar por tê-lo feito. São chefes de quadrilha.


Enquanto o Brasil definha no niilismo político, a “república das bananas” não cabe nos contêineres onde foi escondida. São caixas e caixas de “produto do roubo”, meus caros. Pacotes e pacotes de grana traficada em cuecas com estrelinhas. Descobrir que lulão é uma espécie bem peculiar de Tio Patinhas – o original, pelo menos, era só um desenho – não deixa de ter um lado trágico e irônico nessa história toda.

É a lamentável história do Brasil, escrita debaixo das “começões da verdade” e dos “marcos civis da internet”. Jack Sparrow perde para essa horda de bucaneiros que se apoderou de Brasília, singrando os mares da indecência para chegar até lá. É impressionante o que a Polícia Federal está nos mostrando ao vivo e em todas as suas cores sórdidas. Creio que Jandirona, a Fegalinha, nos brindou com uma das mais cruas demonstrações do embuste que já vi na vida.

Insisto nessa parte do episódio de “house of the calhords” porque ela desnuda a farsa em que essa gente viceja. A comunistona em botão avisando à claque de famélicos que “sua santidade está bem, está calma” enquanto ele vocifera com uma “suposta” – eu adoro essa palavra – Dilma de chefe, mandando o juíz enfiar o processo no lugar onde ele perdeu o mindinho não tem preço.

Aliás, não teria preço se não fosse tão caro. Pagar por este circo para que as hienas – nem leão este circo tem – fiquem intimidando a sociedade que lhes paga os proventos realmente beira o patético. Esperar um gesto que seja de grandeza de um simulacro de presidente, uma cretina fundamental soldada numa ideologia que não para em pé é esperar demais de cérebros tão baldios.

Que os grandes empresários deste país percebam de uma vez por todas que, como está posto, a cadeira presidencial só serve para eleger com o fígado um bucaneiro qualquer que vai apelar para o proselitismo barato, o mutirão de catarata e as intermináveis políticas compensatórias para pesar no bolso dos pagantes, no lugar de presidir um país absolutamente comum, com demandas absolutamente comuns, de uma democracia que insiste em continuar nascendo.

Tudo o que eu quero de volta é a minha liberdade, sumariamente confiscada no episódio ainda não esclarecido de uma Smartmatic abolivarianada, que só teve espaço para agir porque a oposição só finge que existe. Fala sério. O canal de notícias da platinada nos mostrou estes dias que os maiores críticos de tudo isso que aí está, para eles, foram o Gabeira e o Roberto Freire.

Nada contra ambos, que até fizeram muito bem seus papéis diante das câmeras. Mas tudo contra a ideologia rampeira que se apoderou do canal sem a menor cerimônia, para tentar nos fazer acreditar que, no Brasil, o contrário de esquerda também é esquerda. Faltou entrevistar a Mercedez Sôfrega e a Bruxa de Bleargh, com comentários exclusivos da Glória de Pires. Um espanto.

Pureza pura

Eis o petismo na sua forma mais pura: ameaça, mas reivindica o estatuto de oprimido; intimida os que pensam de modo diferente, mas fala em nome da pluralidade; pede justiça, desde que esta atinja apenas seus adversários.
Reinaldo Azevedo

De Mao a Piau

Sábado reúne-se a direção do PMDB, em São Paulo, com o partido dividido. Metade defendendo o rompimento com o governo Dilma. A outra metade, apoiando. Domingo, nas principais capitais, inclusive as associações populares, organiza-se movimento popular contra o governo.

A presidente Dilma tem quatro dias para virar o jogo, de preferência rezando pela continuidade da chuva. Não que se a maioria da população, debaixo o sol, dedique-se a ampla manifestação contra o governo, aliás, o mais provável na dependência de São Pedro. O mundo não acabará, muito menos o Brasil. Mas será triste para o palácio do Planalto, especialmente agora que o ex-presidente Lula anda em queda livre.

A situação anda de mal a pior, para os detentores do poder. Como na China de algumas décadas atrás, quando ia de Mao a Piau.Ganhou o primeiro, até com o sacrifício do segundo. Aqui, duas figuras fundamentais embaralham a equação: o vice-presidente Michel Temer procura situar-se no meio da confusão que divide seu partido, ainda que se poupando. Caso o governo Dilma não resista ao retorno do impeachment, que ressurge de forma avassaladora, o vice espera salvar-se. Tem condições, aliás, como também poderá naufragar junto com a titular, se o Tribunal Superior Eleitoral assim entender.

O problema é que o governo passa apertado, sob o risco de desaparecer por haver outra figura capaz de salvá-lo ou levá-lo para as profundezas: o Lula. Jamais o primeiro companheiro andou tão mal. As acusações que explodem sobre ele, implicando-o com as tramoias do lava jato, desequilibram sua postura. Nem será preciso repeti-las, do triplex ao sítio, das palestras às ligações com as empreiteiras e à propinas postas em dúvida.

Haverá que aguardar até a próxima segunda-feira, sem que nenhum dos três personagens tenha certeza de nada.

A estrada que não vai

Um feliz brasileiro decidiu conhecer Portugal. Alugou um carro e foi conhecer aquele magnífico interior. Perdeu-se quando deveria estar naquela noite para a volta. Estacionou na beira de estrada e perguntou a um plácido camponês: “Esta estrada vai para Lisboa?” “Não vai não senhor!”
Nosso patrício sofredor seguiu adiante, mas poucos metros depois de uma curva deparou-se com uma placa: “Lisboa, vinte quilômetros.”
Irritado, deu marcha a ré e cobrou do camponês, que respondeu^
“Quem vai para Lisboa é o senhor. A estrada fica aqui...

Sair às ruas, entrar para a história


O PT nunca viveu momento tão desesperador. As explosivas revelações dadelação do senador Delcídio do Amaral (PT-MS) e a Polícia Federal batendo à porta de Lula foram os mais duros reveses que o partido sofreu em sua história. As manifestações pró-impeachment marcadas para o dia 13 de março, alimentadas pelo momento político e pela crise econômica, têm tudo para ser maiores do que os protestos do ano passado.

É a tempestade perfeita. A maior dificuldade que movimentos como o MBL, do qual faço parte, tinham para mobilizar a população desapareceu na última semana.

A insatisfação da maioria esmagadora da população com o governo Dilma já estava consolidada por causa do desastre econômico de 2015 e das revelações da Operação Lava Jato. O problema é que essa insatisfação estava se tornando desesperança.

A sociedade não tinha perspectivas de mudança no cenário político. Com os acontecimentos recentes, o impeachment voltou a ser o rito necessário, sem o qual o país não se reconcilia com o seu futuro. Além disso, é uma clara vitória para as instituições o fato de que Lula, finalmente, não está acima da lei.

A delação de Delcídio amarrou alguns fios que pareciam soltos no petrolão. Era o que faltava para que parlamentares, empresários e setores organizados da sociedade civil descessem do muro. O impeachment não é "a" solução. Mas não há solução sem impeachment.

Para Lula, as revelações, somadas à mais recente fase da Operação Lava Jato, foram ainda mais destrutivas. No caso do mais ilustre de todos os petistas, não há precedente que sirva de comparação. Nossa democracia já viu um presidente passar por um processo de impeachment, mas nunca viu um ex-líder de tal envergadura ser tão humilhado por suas próprias escolhas.

O fato é que agora temos a oportunidade de fazer ruir o império da quadrilha que transformou o Estado brasileiro numa máquina de financiamento de um projeto de poder. Apesar da militância inflamada, o PT nunca esteve tão fraco.

As ameaças seguem o padrão conhecido: "Vamos colocar o exército do Stedile nas ruas!"; "Pegaremos em armas para defender o governo se preciso for!"; "O enfrentamento vai ser nas ruas!"...

Essa linguagem de resistência, hoje em dia, não passa de um teatrinho encenado por grupelhos que se transformaram em repartições da burocracia petista, alimentados com dinheiro público. MST, UNE, CUT e MTST são apenas siglas que contam a história da impostura. Quem sabe, fora do poder, consigam encontrar um pouco de dignidade ao menos, já que não há milagre que possa lhes corrigir a pauta deformada.

Temos de resgatar aquilo que o petismo nos roubou. E não me refiro apenas aos bilhões de reais subtraídos do Estado. Falo das nossas instituições e da integridade da nossa democracia.

Há mais de uma década, vivemos sob a ditadura da propina. Os Três Poderes perderam sua independência. A República tornou-se propriedade de um partido político. Quando os petistas dizem que não inventaram a corrupção, falam uma verdade ao menos. O que não admitem é o fato de que o partido é o único que, além de saquear os cofres públicos, saqueia as instituições democráticas.

Dia 13 de março estarei nas ruas para tomar de volta aquilo que me foi roubado. Espero que você, caro leitor, esteja também. O lema escolhido para as manifestações, "Ou você vai, ou ela fica", não é uma mera frase de efeito. Tampouco é mera dramatização da realidade. Trata-se da constatação de um fato.

O governo Dilma é um dragão muito ferido, mas ainda é um dragão. Se não aproveitarmos o momento para aniquilá-lo, segundo os instrumentos que a democracia oferece, continuará a cuspir fogo nas instituições, mesmo agonizante. Quanto mais destruição causar, mais difícil será a reconstrução.

Governos não caem de podre mesmo quando podres. Dilma ainda está com a caneta na mão. Cabe a nós ir para a rua no dia 13 de março e escrever um futuro diferente com a tinta que resta.

Dilma grudou os problemas de Lula no Planalto

Dilma Rousseff tem um curioso senso de oportunidade. Afastava-se de Lula e do petismo sob o argumento de que precisava governar para todos os brasileiros. Absteve-se até de comparecer à festa de aniversário do PT. Ficou em cima do muro até a última hora. Quando não teve mais jeito, saltou para o lado errado. Grudou o drama político-judicial de Lula no casco do Palácio do Planalto, hoje reduzido à condição de sede de um governo à deriva.

Na última sexta-feira, em manifestação lida diante dos repórteres, Dilma disse ter ficado “indignada” com o fato de Lula ter prestado depoimento sob os rigores da condução coercitiva. Mas a menção a Lula soou protocolar num discurso 99% dedicado a rebater as acusações feitas pelo delator Delcídio Amaral contra a própria presidente.

Na sequência, Dilma voltou a criticar, num encontro com governadores, o tratamento “desrespeitoso” dedicado a Lula. Em pleno gabinete presidencial, ouviu o que não queria: “Entendo que não houve desrespeito, presidente. Ninguém está acima da lei”, disse o governador de Mato Grosso, Pedro Taques (PSDB).

No sábado, Dilma voou de Brasília até São Bernardo, para abraçar o problema. Ao lado de Lula e da ex-primeira-dama Marisa Letícia, a presidente da República acenou para um grupo de devotos que cultuava o ex-mito defronte do seu prédio. A oposição pedirá o ressarcimento das despesas dessa viagem, espetada num Tesouro Nacional em petição de miséria.

Nesta segunda-feira, Dilma agarrou-se novamente à figura de Lula numa cerimônia oficial de entrega de casas populares na cidade gaúcha de Caxias do Sul. Dessa vez, além de se queixar do método escolhido para interrogar seu criador —“sob vara”—, a presidente acusou a oposição de “dividir o país.” Apagou da memória o bordão criado por Lula: “Nós contra eles.” E desconsiderou as evidências de que a oposição, meio tonta, só conseguiu dividir a si mesma.

Dilma se apega à forma do depoimento de Lula sem atentar para o conteúdo. Sitiado por inquéritos, o personagem não consegue levar à balança da Justiça meio quilo de explicações. Ao enganchar o governo nas interrogações que rodeiam seu padrinho, a presidente empurra a encrenca para dentro do Planalto, autoconvertendo-se em parte do problema.

Errar é humano. Mas escolher o erro cuidadosamente, homenagear o erro em reuniões fechadas, meter-se em aviões e helicópteros para ir ao encontro do erro, posar para as câmeras ao lado do erro e render-se ao erro em discursos oficiais, só mesmo Dilma Rousseff, uma presidente fascinada pelo erro.

A falta que faz!


Eu me nego a acreditar que um político, mesmo o mais doce político, tenha senso moral
Nelson Rodrigues

De Dostoievski para Lula

A tarefa de fazer com que muitos creiam não é apenas missão religiosa. É, também, essência da política como arte de conquistar apoios para alcançar e manter o poder. Há sistemas políticos nos quais as pessoas creem em partidos e suas ideias, visões de mundo, perspectivas históricas, valores e em como isso se projeta nos anos por vir. E há sistemas, como o nosso presidencialismo, em que a crença dos eleitores recai sobre as pessoas dos candidatos. É fácil compreender que isso nos faz mais vulneráveis à mentira como forma de angariar apoios. Quanto mais ingênuo o eleitor, quanto mais carente do benefício pessoal que lhe possa advir do poder público, mais sensível ele se torna a mentiras e mistificações. Nas nossas disputas políticas, a verdade é mais inoportuna do que a mentira.

Em "Irmãos Karamazov", Dostoievski ensina: "O homem que mente para si mesmo e escuta as próprias mentiras chega a um ponto em que não pode distinguir a verdade e a mentira dentro de si ou ao redor de si, e assim perde todo o respeito por si mesmo e pelos outros".

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Após seu depoimento nas instalações da PF em Congonhas, durante a entrevista que virou discurso, o ex-presidente era imagem viva e falante do desastre exposto por Dostoievski. Lula apelou para todo o seu repertório de artimanhas. Quero destacar a que é mais repetida, ao longo dessa infinita série de escândalos. Segundo o governo, a promissora condução petista dos negócios nacionais seria antagonizada por uma elite que não tolera a prosperidade dos mais pobres.

Lula, Dilma, o governo e seus partidos prestariam enorme serviço à saúde pública se apontassem quais brasileiros desejam que os pobres continuem pobres e morram na miséria. Essas pessoas, certamente pouquíssimas caso existam, deveriam ser identificadas e tratadas porque portadoras de um desejo anormal, desumano e masoquista. Ninguém mentalmente sadio quer viver sitiado pela miséria e suas vexatórias consequências que o governo sequer minimamente conseguiu abrandar.

A esse respeito, o senso comum grita contra a algaravia de Lula: nada é tão honestamente benéfico ao bem de cada um do que o bem de todos! Nada é mais conveniente à prosperidade de cada um do que a prosperidade de todos! São dois axiomas que dispensam provas. Eis por que o desastre ético e técnico da gestão petista nos leva a sonhar com educação promovendo o desenvolvimento das potencialidades da juventude, população ativa ganhando a vida e gerando riqueza, produção, consumo, empregos, PIB crescendo, inflação caindo e as pessoas podendo cuidar bem de si mesmas. Quem não quiser isso é doido. E quem acusa 90% da população ser contra isso é o quê, Dostoievski?

Percival Puggina

'Presidanta' do caos

O desastre do Brasil tem nome, que é o mesmo do acirramento da polarização política: Dilma Rousseff.

Uma semana depois de proclamar-se presidente de 204 milhões de brasileiros, Dilma agora se torna defensora pública de Lula. Mentiu mais uma vez. Tomou para si o cargo por sua condição de eleita nos votos em detrimento daqueles milhões de quem se diz presidente.

“O presidente Lula, justiça seja feita, nunca se julgou melhor do que ninguém, sempre aceitou, convidado para prestar depoimento sempre foi. Então, não tem o menor sentido conduzi-lo sob vara para prestar depoimento se ele jamais se recusou a ir”, proclamou em discurso em Caxias do Sul.

Dilma se acha em condições de condenar as ações do Judiciário para angariar maior proteção na blindagem a seu cargo. A ex-guerrilheira, mulher de esquerda, que se diz tão politizada, deveria saber que não pode colocar a estabilização democrática em risco só para garantir sua manutenção, sob vara, no trono.


O discurso não é de uma presidente, que deveria pedir serenidade em meio a tantas crises. Nunca poderia sair em defesa indefensável de Lula, que é bem crescidinho para se defender e à família como bem defendeu todos esses anos junto aos corruptos.

Dilma está propondo um racha nacional como é costume do PT, mas no momento mais sério por que passa o país. Descaradamente aposta no quanto pior melhor para jogar sobre o país toda a força do poderio presidencial. Põe em risco a democracia tentando jogar a população contra o Judiciário, que ainda é o único dos poderes em funcionamento diante dos fracassos do Legislativo e ainda mais do Executivo.

A permanência de Dilma no trono, se não vale um tostão, não pode custar o sacrifício de se jogar na lama a democracia tão duramente conquistada, inclusive por ela mesma. Lula, ainda mais ele e seus comparsas, ou quem quer que seja não vale tal preço.

Dilma, cala a boca e vai trabalhar em vez de ficar defendendo malandro.

Dilma transformou o Brasil na casa de Noca

Em meio a decadência política e econômica, fruto dos desmandos que levam o país à maior crise moral da sua história, um fato, que seria irrelevante em outro momento, agora chama a atenção: o deslocamento da Dilma em avião presidencial em missão não oficial. Os partidos políticos abriram os olhos e decidiram entrar com ação na Procuradoria Geral da República para que ela devolva aos cofres públicos as despesas geradas pelo seu passeio de fim de semana a São Paulo para prestar solidariedade ao Lula, envolvido no escândalo de corrupção da Lava Jato.

Não é a primeira vez que a presidente corta os céus do Brasil usando o avião presidencial e toda estrutura que requer o seu deslocamento em viagens inúteis e desnecessárias. Antes de se deslocar para São Bernardo, onde foi encontrar o amigo Lula e se incorporar aos manifestantes petistas que gritavam palavras de ordem contra a Justiça, a Dilma inventou uma viagem para o Chile sob pretexto de discutir assuntos econômicos naquele país. Na verdade, ela quis se ausentar do Brasil, a um custo alto para as finanças combalidas do país, apenas para não ter que ir à festa de aniversário do PT em São Paulo, onde certamente seria hostilizada.

Enquanto a Dilma não for interditada por meios legais, o país ainda vai pagar uma conta muito cara por mantê-la na presidência da república. Ela afundou a economia, é rejeitada por mais de 90% da população, acusada de envolvimento na Lava Jato e governa o país como uma desmiolada, alienada, alheia aos sérios problemas que afetam os brasileiros. Amparada pelo staff do Lula, muitos deles também envolvidos em escândalos de corrupção, ela deixou de governar e assiste o circo pegar fogo de camarote.

Na sua concepção lunática dos problemas, ela não vê irresponsabilidade nem incompetência na condução do país. A Dilma, gente, é assim mesmo: psicótica, uma pessoa de comportamento e pensamento confusos. Vive em um mundo de delírio que ela própria criou. Brinca de fazer reuniões, tem mania de cortar os mares com o aviãozinho oficial como se fosse de sua propriedade, mente para si própria dizendo-se honesta e ignora tudo que se passa ao seu redor. Como os seus sinais de confusão mental são cada vez mais evidentes, não devemos culpá-la por essa insanidade isoladamente.

Os poderes da República também estão doentes. É disso que a presidente se aproveita para permanecer vagando como um zumbi. Na Câmara, o presidente Eduardo Cunha sofre da mesma patologia. Está envolvido até o pescoço com as maracutaias da Lava Jato, mas também vive no mundo da lua. A sua participação nos escândalos enfraquece o Parlamento e inibe uma posição política mais consequente em relação ao impeachment da Dilma. O Judiciário, coitado!, está vulnerável. Foi citado algumas vezes por políticos que apontaram ministros do STF e do STJ em conversas não tão nobres e muito menos republicanas com o Executivo. E o pouco que resta dessa Justiça está no Paraná. Em Curitiba, a equipe do Ministério Público tenta botar os larápios afortunados na cadeia, mas os militantes petistas, ressentidos com a convocação do Lula para depor, agora tentam atacar o juiz Sergio Moro, denegrindo a sua imagem pela rede social como se isso fosse inocentar o chefe deles.

Ora, como o país vive a sua pior crise moral, devemos, todos nós, preservar o que ainda existe de ética. E a ética fez moradia em Curitiba, para onde são levados os ladrões do dinheiro público. Os blogueiros chapas-brancas e a rede social petista começaram uma campanha de difamação contra os membros do MP e o juiz Moro magoados com a intimação do chefe para depor como se ele tivesse acima da lei.

Você, só você, é responsável por essa mudança. Se ficar em casa palitando os dentes, vai chegar o momento que até o palito vai faltar. Portanto, levante-se, vá à luta pelos seus direitos para banir de vez essa corja que se instalou no poder e destroçou a economia do país acabando com o seu emprego.

Matava a pau a corrupção

Operação Lava-Alma

Sexta-feira, meio-dia. Animado por aguerridos defensores, rapidamente arregimentados pelos “movimentos sociais”, o ex-presidente Lula termina o seu depoimento no anexo da Polícia Federal do aeroporto de Congonhas e, em vez de voltar para casa, segue para a sede do PT. Convoca a imprensa para, mais tarde, disparar um discurso inflamado contra a Justiça, personificada no juiz Sérgio Moro, a mídia e as forças conservadoras que querem acabar com tudo que ele – e só ele – fez para o Brasil.

Sexta-feira, quase seis da tarde. O bater de panelas espontâneo, surgido do nada, anuncia que a presidente Dilma Rousseff estava falando na televisão. E pouco importava o que ela dizia. Ninguém queria saber. Depois de tanto mentir, em especial na campanha pela reeleição, quando prometeu fazer o diabo – e cumpriu -, Dilma não vale um tostão furado. Sua credibilidade é inferior a uma nota de três reais.

Lula fungou, esbravejou e quase chorou por perto de meia hora. Tudo de acordo com o figurino. Nada explicou, até porque não era esse o objetivo dele. Esbanjou do direito de dizer asneiras, fez piada com coisas sérias. E não respondeu a uma só pergunta.

Dilma falou por mais de 10 minutos. Tal como Lula, cercou-se de apoiadores para aplaudir seu monólogo. E não respondeu a uma só pergunta.


Próximos e distantes, estranhamente diferentes e parecidos, Lula e Dilma passaram a encarnar, cada um à sua maneira, tudo aquilo que o país repudia.

Ambos traíram a confiança que reiteradamente lhes foi depositada. Mentiram, enganaram. Possuíram o Estado como se deles fosse. São responsáveis ou coniventes com a corrupção. E, se um ou outro não se locupletou, deixaram que o dinheiro público escorresse como mel em beiços de companheiros.

Aos fatos, nenhum dos dois dão ouvidos.

Dilma finge que preside o país. O mesmo que ela deixou ir à bancarrota por suas políticas erradas e erráticas, por arrogância, prepotência e birra. Lula continua arrotando que foi quem mais fez para os pobres, gerando crescimento e empregos, sem levar em conta que sua pregação está sendo ouvida não apenas por fãs, mas por quase 10 milhões de desempregados.

Dilma e Lula falam de respeito, de postura republicana e de Estado de Direito, mas os dois desdizem o que querem fazer os tolos acreditar. Dilma insiste em mentir e Lula, mais agudo, há tempos não se preocupa se a fala de hoje contradiz a de ontem.

Empreiteiros, hoje amigos do peito que prestam favores, eram vilões a serem combatidos. Políticos agora parceiros, do naipe de Fernando Collor de Mello, Paulo Maluf e Renan Calheiros, eram o mal em si. O poder econômico, materialização da ganância e da exploração dos pobres, tornou-se o principal aliado. É dele que emanam os milhões que sustentam o PT e o poder, o Instituto Lula, as palestras, os filhos e o que mais a Lava-Jato encontrar.

Ainda assim, Lula berra. Diz que foi sequestrado pela Polícia Federal, que se sentiu aprisionado. Elogia a educação dos agentes que o buscaram em sua casa, mas volta a espumar ao exigir respeito.

Teve e merece tê-lo, assim como qualquer um.

Mas Lula quer muito mais. Quer regalias.

Sua história seria “suficiente para não ser tratado como pessoa comum”, prerrogativa que Lula, quando presidente, ofereceu ao ex José Sarney, enrolado em diversas ilicitudes. Cabe lembrar que Lula acarinhou o então senador 22 anos depois de garantir à nação que Sarney era “impostor” e “ladrão”.

Nada de novo. Lula sempre foi, é e será assim mesmo. Age só de acordo com sua conveniência pessoal. Distribui perdão e culpa ao valete que o serve no momento. Usa, abusa e descarta.

Sexta-feira, oito e meia da noite. Sem a baixaria da guerra de torcidas organizadas que, estimuladas pela eterna pregação petista do “nós x eles”, durante o dia encenaram mais um espetáculo de intolerância de uns e burrice de muitos, aplausos e buzinas se fizeram ouvir em diversas capitais em apoio à Lava-Jato.

Prova inequívoca de que não adianta tergiversar. A Lava-Jato chegou à Lava-Lula, Lava-Dilma, Lava-PT, Lava-Aliados. E, ainda que as pessoas que insistem em não se enquadrar entre as comuns tentem, não há caminho de volta que impeça o país de lavar a sua alma.

'Fecharam todos os shoppings do Brasil'

Flavio Rocha, dono da Riachuelo, deu um numero de arrepiar em entrevista a uma das meninas da Globonews, semana passada.

“Em 2015 fecharam 100 mil lojas pelo Brasil afora. É como se tivessem fechado todos os shopping centers do Brasil. Somados, eles abrigam isso: 100 mil lojas“.

Sobra em pé só o grande comércio mais estruturado. Quer dizer, é uma obra monumental de concentração da renda, essa do PT. Os funcionários de 100 mil lojas ficaram simplesmente a zero, sem saber se vão ter o que por na mesa dos filhos amanhã; cem mil pequenos e médios empreendedores que, sabe-se lá a custa de que epopéias tinham conseguido emergir do brejo e montar seu negociozinho, foram expulsos do mercado. As lojas gigantes engoliram o que sobrou do massacre.

O resultado é o que se observa nas caóticas megalópoles brasileiras: nos bairros ricos os milionários que sobram, cada vez mais ricos, compram as casas dos vizinhos e aumentam os seus muros. Lá fora, a pátria do Aedes aegypti; perifavelas de bloco sem urbanização nem saneamento crescendo em metástese. Menos gente rica, cada vez mais rica, cercada de miséria por todos os lados. No meio, nada.

Se dermos mais tempo pra isso, acabamos como na Idade Média. Vão sobrar quatro ou cinco castelos cheios de salões dourados por traz de muralhas intransponíveis, cercados por um favelão gigante onde, saiu na rua, se ficar vivo volta pra casa nu, rapado e rapelado.

Fernão Lara Mesquita

Cassação e impeachment

O país está envolvido em intermináveis crises econômica, política e social

O governo acabou! Resta determinar como se dará o seu fim! A experiência petista está terminando na delegacia!

Lula foi conduzido coercitivamente à Policia Federal. Terminou a impunidade.

Não é possível governar com escândalos de corrupção produzidos em maior parte pelo PT, com seus dirigentes e líderes presos, condenados ou sob inquéritos e denúncias.

Não é possível governar com o ex-presidente Lula preocupado apenas com a sua própria sobrevivência.

Não é possível governar na mais profunda crise econômica, sem nenhuma ideia nem condições para dela sair.

Não é possível governar sem nenhum apoio partidário (nem do PT) e sem nenhuma popularidade.

Não é possível governar de costas para a sociedade, em meio a crises política, econômica e social, com o PIB despencando e o desemprego adquirindo grandes proporções.

Várias saídas são possíveis. O mais conveniente para o país seria a renúncia ou o afastamento da presidente para tratamento de saúde. Porém, tal posição esbarra em dois grandes problemas.

O primeiro deles consiste em que a própria presidente deveria tomar a iniciativa de tal ato. Porém, para isto, seria necessário um gesto de grandeza que não faz parte de suas qualidades. Nem seus erros consegue admitir. É dominada por uma espécie de autismo em relação à própria realidade por ela criada. Talvez, agora, possa ser pressionada a isto, considerando a nova situação política.

O segundo deles reside em que o ex-presidente Lula poderia tê-la convencido a tomar tal atitude, mas isto, aparentemente, não lhe interessava. Agora, perdeu qualquer condição de tal iniciativa. E a imagem que possui de si, desproporcional aos seus feitos, porém talvez equivalente aos seus malfeitos, não permitiria tal gesto.

Lula e o PT ficaram sem nenhuma narrativa. Logo, o impeachment ou a cassação poderiam lhes ser adequados, pois seriam incorporados ao discurso alicerçado em ideias do tipo “contra a direita”, “contra o golpe” e “contra a mídia golpista”. A nova: “preso político”. São, evidentemente, bobagens, mas é o que restou de um partido sem ideias.

Sobram duas alternativas: a cassação e o impeachment.

As provas de envolvimento da campanha da presidente Dilma em corrupção e em desvio de recursos públicos estão se avolumando. As novas delações, dentre as quais a do senador Delcídio Amaral, fazem crescer ainda mais a fervura. As chances de cassação aumentam em muito, pois o governo e o PT conseguem cada vez menos se defender. E a Lava-Jato não dá tréguas, passando o país a limpo.

Ocorre que um julgamento pelo TSE, por vias normais e sem protelações, demoraria em torno de um ano. Se houver impugnações, diligências e recursos dos mais diferentes tipos, pode se prolongar por dois anos. Estaríamos no final de 2017 ou no início de 2018.

Note-se, aqui, que há questões, pertinentes, quanto a se o TSE poderia cassar uma chapa presidencial sem passar pelo Congresso, pois não está prevista a cassação na Constituição, mas em lei complementar. Em todo caso, tal tipo de processo não deixaria de ensejar dúvidas.

O vice-presidente, por sua vez, teria fundadas justificativas para pleitear uma individualização da chapa, dentre outras razões por haver julgamentos distintos da presidente e do vice, prestações de contas apresentadas separadamente, com doadores diferentes, juramentos distintos, citações diferentes, estruturas jurídicas diferentes da Presidência e da Vice-Presidência, não transferência da culpa e assim por diante.

Considere-se, contudo, a título de hipótese, que haveria a cassação da chapa. Se ocorresse ainda neste ano, o deputado Eduardo Cunha assumiria a Presidência por um período de 90 dias, presidindo o processo eleitoral, com todos os seus problemas de legitimidade. Acrescente-se, ainda, o descrédito total da classe política, de tal maneira que poderíamos ter o seguinte cenário.

Nem Aécio nem Lula seriam provavelmente os vencedores. Um tertius qualquer poderia ganhar o pleito, mergulhando o país em uma nova incerteza e instabilidade. O país continuaria, sob outras roupagens, envolvido em intermináveis crises econômica, política e social.

Por esta razão, voltaria a ganhar força a tese do impeachment, abreviando o processo e assegurando uma tranquila transição do ponto de vista constitucional. O Brasil poderia resgatar-se a curto prazo, o que, hoje, parece impossível.

Nos meios políticos e na sociedade em geral, observa-se um clima muito mais favorável ao sucesso de um eventual impeachment da presidente da República. A percepção de que o barco está naufragando e de que o PMDB e outros partidos tudo podem perder acrescenta ainda mais força a esta alternativa.

Deputados, antes contrários ou indecisos, já se manifestam favoravelmente a esta opção. Estão sendo pressionados pela opinião pública, por suas bases eleitorais e estão cientes de que, com o atual governo, não há saída à vista. Temem cair com Dilma e o PT.

Os senadores, sobretudo do PMDB, já estão dando sinalizações de que poderão abandonar o barco de Dilma. O próprio senador Renan Calheiros já manifestou apoio ao vice-presidente à presidência do partido e o convidou a fazer campanha em Alagoas.

Note-se que o vice-presidente conseguiu reunificar e pacificar o PMDB em uma chapa consensual, algo em que poucos apostavam até algumas semanas atrás. E tal fato é da maior importância, porque é uma resposta política à desunião fomentada pela presidente Dilma e pelo próprio PT. Nesta perspectiva, poderia reunificar e pacificar o país.

Por último, devemos atentar ao fato de o impeachment ser uma solução prevista na própria Constituição, assegurando uma transição propriamente institucional. Ele é, neste sentido, menos traumático do que a cassação. As instituições republicanas seriam totalmente preservadas e um novo caminho poderia se vislumbrar para todo o país.

Em todo o caso, o país não aguenta mais três anos imerso em uma crise que parece não ter fundo!

Urge que o impeachment volte a ser prioritário. Para o bem do Brasil.

Denis Lerrer Rosenfield 

segunda-feira, 7 de março de 2016

Lula nunca mais!

Lula (Foto: Arte: Antônio Lucena)
Arte: Antonio Lucena
Pensei: o cara pirou. Só pode ser. Tudo bem que tenha se sentido ofendido pela reportagem do The New York Times sobre seu gosto por bebidas alcoólicas. Pega mal para um governante ser citado assim.

Mas o presidente russo Boris Ieltsin também o fora. E na rede de televisão CNN protagonizara cena memorável dançando em um palco no centro de Moscou depois de ter bebido todas as vodcas possíveis.

Daí a Lula determinar a expulsão do país do correspondente do jornal, Larry Rother? Sinto muito, era exagero. E também um abominável ato de arbítrio.

Foi isso o que ele ouviu dos poucos assessores com alguma gota de coragem para enfrentar seus costumeiros ataques de cólera - “exagero”. Em público, ele vestia a fantasia do “Lulinha paz e amor” com a qual se elegera pela primeira vez.

Um dos assessores, em reunião no gabinete presidencial do Palácio do Planalto, sacara de um exemplar da Constituição e apontara o artigo que garantia ao jornalista o direito de permanecer no Brasil.

Então Lula cometeu a célebre frase que postei no meu blog no dia 12 de maio de 2004, poucas horas depois de ela ter sido pronunciada: “Foda-se a Constituição!”.

Naquele dia, mais de um deputado e senador discursou no Congresso a propósito do que Lula dissera a respeito da Constituição, embora nenhum, por pudor ou receio de ferir o decoro, tenha reproduzido a frase ofensiva e grosseira.

Diretores de jornais e revistas me telefonaram perguntando se eu estava seguro do que publicara. Nenhum ousou escrever sobre o episódio. Eram outros os tempos.

Nos tempos das redes sociais, a imprensa não é mais reverente com os poderosos até porque perdeu o monopólio da informação. Algo que não se dê, a internet dá.

Palavras e frases consideradas chulas antigamente foram assimiladas pela linguagem corrente. De resto, como ignorá-las quando saem da boca de homens públicos e têm a ver com fatos públicos relevantes? Foi o que aconteceu outra vez com Lula.

Um vídeo postado na internet deu conta do que ele disse em conversa com a presidente Dilma poucos minutos depois do fim do seu depoimento forçado à Lava-Jato na última sexta-feira.



Lula disse: “Eles que enfiem no cu todo o processo". Referia-se, certamente, aos procuradores que o haviam interrogado. E ao processo que apura a roubalheira da Petrobras e a sua eventual culpa por ela.

A saída encontrada por Lula para sobreviver foi se declarar desde já candidato a presidente da República em 2018, correr assustado para o colo do PT, anunciar seu retorno às ruas e reconciliar-se com o discurso incendiário da época em que era inimigo das elites e a elas não se associara ainda, adotando apenas o que elas têm de pior.

Dará certo? Difícil que dê. Seria preciso combinar antes com os adversários.

Com a Lava-Jato. Com a crise econômica que se anunciou no seu segundo governo. Com a sucessora eleita e reeleita, sem talento para administrar, sequer, uma loja de produtos baratos, quanto mais um país.

Com o PT devastado pela corrupção e em queda acelerada no ranking dos partidos mais admirados. E com a maioria dos brasileiros que diz rejeitar a hipótese de votar nele, Lula, novamente.

Só há um responsável pela tragédia política e pessoal que Lula enfrenta: ele mesmo. Lula está quase nu. E o que já se vê não é recomendável para eleitores com 16 anos ou mais.

Jararaca irrelevante

A jararaca parece ser a novidade. Todos dizem que ela apanhou. Alguns dizem que a pancada pegou na cabeça. Outros juram que foi no rabo. Mas todos concordam. A jararaca parece não ter saído incólume.

Confesso que não lembrava exatamente o que era uma jararaca. Fui pesquisar. A original, segundo a Wikipédia, é uma serpente muito venenosa e responsável por grande parte das picadas de cobra em sua região de origem. Na natureza, tem jararaca de todo tipo e atendendo por muitos e diferentes nomes... Jararaca-do-campo, jararaca-do-cerrado, jararaca-dormideira, jararaca-preguiçosa e jararaca-verdadeira... E que todas gostam de ratos.

Já em sua forma humana, jararaca, na gíria, é Pessoa fofoqueira, traiçoeira. Qualidades adequadas para descrever a jararaca em questão. Esta, sem duvida alguma, foi atingida pela paulada metafórica. E virou noticia. Apesar do golpe, sobreviveu. Meio tonta, fez barulhos, esperneou, reclamou. Tem o direito.

Alguns podem achar que esta jararaca luta contra a extinção. É improvável. Ela provavelmente sobreviverá para ver o futuro, viver nele, testemunha-lo. Para esta jararaca, o futuro, especialmente o imediato, é importante. Para o futuro, é possível que a jararaca não tenha importância alguma.

Futuros são assim. Relegam a (no máximo) notas de rodapé personagens menores da trama. Lembram somente daquilo que vale a pena preservar. E, convenhamos, muita coisa e muita gente nos dias de hoje merecem ser esquecidos. Ou ignorados. A jararaca, inclusive.

Com sorte, em alguns anos, os ratos, as jararacas, o veneno, o bote, os ataques, enfim, estes tempo com muito calor e nenhuma luz talvez façam parte de passado distante que a gente possa ignorar. E dele levar somente o aprendizado para que nada disso se repita.

No meio tempo, a gente vai ter que ouvir e presenciar o estrebucho e barulho da jararaca. E entender que ela luta não pela sua sobrevivência. A jararaca (ou pelo menos esta jararaca) não está nem corre o risco de ser, extinta. Ela apenas perdeu a importância.

A gente já cansou dela. E prefere que ela continue sua caminhada relutante em direção ao ostracismo, enquanto, infelizmente, abusa da paciência, dos ouvidos e da boa educação. Continua viva. Mas cada vez mais esquecida. E irremediavelmente irrelevante.

Investigação sobre Lula faz Brasil flertar com crise institucional

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Uma república não prospera sem o funcionamento pleno de suas instituições, ensina a literatura política e econômica mais moderna. Na sexta-feira, quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi coagido a depor à Polícia Federal por conta da Operação Lava Jato houve sinais de que a convivência entre os Poderes no Brasil estava prestes a cruzar uma linha perigosa.

A presidenta Dilma Rousseff manifestou "integral inconformismo" após ver seu mentor, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ser coagido a depor à Polícia Federal por conta da Operação Lava Jato. Lula, por sua vez, reivindicando seu legado enquanto presidente, dirigiu as baterias contra os procuradores e juízes que investigam sua relação com os maiores empreiteiros do país. O problema, segundo o ex-presidente, não é a oposição ao Governo, mas “uma parcela do Judiciário brasileiro que está trabalhando com certos setores da imprensa”.

O mundo judiciário de fato não reagiu bem à condução coercitiva de Lula para o posto avançado da Polícia Federal no Aeroporto de Congonhas. Juristas ouvidos pelo EL PAÍS questionaram o procedimento, classificado como exagerado e até inconstitucional por alguns deles. O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse à Folha de S.Paulo que a coerção de Lula foi "um ato de força" e questionou as justificativas utilizadas pelo juiz Sergio Moro para embasar a decisão: "Será que ele [Lula] queria essa proteção? Eu acredito que na verdade esse argumento foi dado para justificar um ato de força. Isso implica em retrocesso, e não em avanço".

A Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) reagiu, dizendo em nota que a força-tarefa da Lava Jato atua "de acordo com a mais rígida e cuidadosa observância dos preceitos legais, sem violência ou desrespeito aos investigados". Os procuradores argumentam ainda que "a condução coercitiva é instrumento de investigação previsto no ordenamento e foi autorizada no caso do ex-presidente Lula de forma justificada e absolutamente proporcional, para ser aplicada apenas se o investigado eventualmente se recusasse a acompanhar a autoridade policial para depoimento penal".

Exagerada ou não, a condução coercitiva foi autorizada pela Justiça outras 117 vezes ao longo das 24 fases da Operação Lava Jato. A utilização do procedimento para ouvir Lula, portanto, mostra que, apesar do desconforto e dos tumultos que isso possa causar, não foi uma exceção entre os investigados. Em entrevista à BBC Brasil, o presidente da ONG Transparência Internacional, José Ugaz, disse que a investigação contra Lula "mostra que o combate à corrupção não deve levar em conta a importância política ou econômica de ninguém".

A Operação Lava Jato parece ter sentido o impacto das reações. Neste sábado e de maneira inusual, o juiz Sergio Moro divulgou nota para dizer que a condução coercitiva de Lula "não significa antecipação de culpa do ex-presidente" e para "lamentar que as diligências tenham levado a pontuais confrontos em manifestação políticas inflamadas, com agressões a inocentes, exatamente o que se pretendia evitar". O juiz ainda repudiou "atos de violência de qualquer natureza, origem e direcionamento, bem como a incitação à prática de violência, ofensas ou ameaças a quem quer que seja, a investigados, a partidos políticos, a instituições constituídas ou a qualquer pessoa". Mais tarde foi a vez do time de procuradores da Lava Jato se defender também em nota.

Comedido ao comentar a crise e ao mesmo tempo um personagem importante dela, o vice-presidente da República, Michel Temer, disse durante evento com juízes no Mato Grosso do Sul na sexta-feira que o país passa por um "refluxo institucional". "A cada 25, 30 anos, há um refluxo, quase um fatalismo histórico, um fluxo e refluxo institucional, começam a aparecer crises que demandam novas providências do povo brasileiro", registra O Estado de S.Paulo. Fazendo menção ao golpe militar de 1964, Temer disse que o poder Executivo tem uma "vocação centralizadora muito forte" e que, para evitar o rompimento de ciclos históricos, é preciso "mudar as instituições" periodicamente.

Os sintomas de uma crise institucional já vinham sendo sentidos desde que a Lava Jato começou a tocar os altos escalões da República — gerando troca de farpas entre membros do Judiciário, do Executivo e do Legislativo —, e se acirrou quando o Governo perdeu o controle da Câmara, com a eleição de Eduardo Cunha, em fevereiro de 2015. Sem base no Congresso Nacional, Dilma se vê forçada a optar entre fazer as reformas para equilibrar as contas públicas — com os ônus políticos que as acompanharão — e ser fiel à sua base social.

A presidenta talvez estivesse na melhor posição para liderar um processo de estabilização, mas, já abalada pelo turbilhão político, foi diretamente envolvida pela primeira vez nesta semana no enredo da Lava Jato, graças ao vazamento do princípio de um acordo de delação premiada do senador Delcício do Amaral (PT). Não bastasse, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), que já é tratado pelo STF como réu por conta da mesma operação, foi denunciado mais uma vez pelo Ministério Público por irregularidades cometidas no âmbito da Petrobras — a denúncia contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), ainda aguarda parecer dos ministros, após ter sido retirado da pauta de julgamentos.

Além disso, o ministro da Justiça deixou o cargo por conta de pressões do partido da presidenta, insatisfeito com os rumos da Lava Jato — no final do ano passado, Joaquim Levy já havia deixado o Ministério da Fazenda por atritos com o PT. Tudo isso ocorre em meio à maior recessão desde os anos 1990 e a perspectiva de um segundo ano seguido com encolhimento da economia. De todo esse caos, pode surgir boa notícia se o Brasil conseguir enfrentar e atravessar todos seus problemas políticos e os Poderes passarem por esse "teste de estresse" sem derrapagens. Se a Operação Lava Jato for um sucesso, o país dificilmente estará em pior condição do que quando ela começou, há dois anos — e isso não será pouco.

Reservada a bacanas

Foi-se o tempo em que ser corrupto no Brasil estava ao alcance de qualquer um.

Numa das fabulosas boates do Rio nos anos 50, um boêmio sentado ao lado da mesa de um assessor do ministro da Agricultura, por exemplo, ouvia-o dizer que o governo iria fazer uma importação de tratores. O sujeito puxava conversa e convencia o assessor de que, se essa importação incluísse discretamente 50 Cadillacs rabo-de-peixe, eles poderiam ganhar um bom dinheiro revendendo-os na praça e dividindo a féria. Era assim nos governos Dutra, Getúlio, Juscelino.

No tempo da ditadura, muitos generais trocaram a agrestia dos quartéis, com seu perfume de estrebaria, pela presidência de órgãos públicos, com salários que lhes permitiam pedir reforma do Exército e trocar a casinha no Maracanã pelo apartamento em Copacabana. As obras do "Brasil grande" também podiam não sair das pranchetas, mas, enquanto estavam em estudos, socorriam muitos coronéis desamparados.

Nos governos Sarney, Collor e FHC, foi preciso ser mais criativo para ser corrupto.

Políticos e empresários desenvolveram afinidades jamais sonhadas, donde surgiram as concorrências com cartas marcadas, o loteamento dos cargos públicos e as privatizações marotas. Ali a corrupção começou a encarecer.

Sob Lula e Dilma, explodiu. Nunca neste país foi preciso pagar tanta propina, superfaturar transações, investir em refinarias falidas, subornar políticos, nomear ministros, lubrificar tribunais, silenciar aliados, socorrer amigos, comprar medidas provisórias, pagar por palestras fantasmas e bancar a tomada do Estado por um partido. Para não falar nas boquinhas -é um filho aqui, outro ali, um instituto, um sítio, um tríplex, um pedalinho. E tudo em milhões, nada abaixo de sete dígitos.

Haja dinheiro. Hoje, só bacana pode ser corrupto.

Ruy Castro

Quem é Lula?


A Polícia Federal avança em busca da verdade disparando Aletheia, a mais nova e politicamente complexa fase da Operação Lava-Jato. Lubrificadas pela delação premiada de Delcídio Amaral, as investigações exigiam o depoimento do ex-presidente Lula, o que foi previamente assegurado por eventual condução coercitiva autorizada pelo juiz federal Sergio Moro. A delação de Delcídio embola os governos Lula e Dilma em uma engrenagem única em sinistra associação com piratas privados e criaturas do pântano político para a apropriação indébita de recursos públicos e para a permanência no poder. O mensalão e o petrolão seriam duas faces do mesmo fenômeno. E a autorização da condução coercitiva por Sergio Moro irritou o ex-presidente e inflamou a militância que o esperava na sede do PT após o depoimento.

Olívio Dutra, um dos fundadores do PT, diz que quem mudou foi o partido, e não seus adversários, atribuindo práticas degeneradas à política do pragmatismo, o “enorme guarda-chuva aberto por Lula”. O líder maior de seus adversários, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, parece concordar com essa avaliação: “É preciso abrir o jogo: não se trata só de Dilma ou do PT, mas da exaustão do atual arranjo político brasileiro.” Compreendem os leitores o profundo silêncio das oposições? Entendem por que a defesa da República depende agora da Polícia Federal, do Ministério Público e do Poder Judiciário?

Seremos testados nos próximos meses. Não apenas nossas instituições mas também o próprio Lula. Sua biografia não é a de Chávez, e o Brasil não é a Venezuela. Lula prestará um desserviço ao país, desmerecendo sua luta pela redemocratização, se incitar militantes à violência, em vez de enfrentar serenamente uma avaliação de suas responsabilidades perante a Justiça. Seria desesperada e temerária qualquer ameaça de convocar camisas negras, pardas ou vermelhas, “o exército de Stédile” e militantes de organizações sociais para brigar nas ruas. Seria uma provocação ao Exército de Caxias. Nossa democracia dispensa tanto a violência de milícias partidárias quanto as práticas transgressoras de bandos políticos, em que a cumplicidade e o silêncio solidário com os malfeitos colidem com a transparência e a integridade exigidas no trato da coisa pública.

Velho infrator

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Septuagenário, Lula, após ter sido convidado a prestar depoimento na Polícia Federal, foi levado ao aeroporto de Congonhas , e lá ficou por três horas. Ao sair, parecia um desses jovens infratores que, encaminhados às delegacias especializadas e, na certeza de que serão libertados , surgem nas televisões, com imagem distorcidas e vozes digitais, falando besteiras, afrontando policiais, xingando repórteres e proclamando que são "dimenor".

O líder dos enfurecidos companheiros, comportando-se como incentivador de badernas e violência, usando a sua emissora privada, prometeu colocar seus ilegais guerreiros nas ruas para exigir respeito e privilégios.

Sendo "dimaior", o ex-presidente, com a colaboração de vídeo postado nas redes sociais pela "aliada Jandira Feghali", fala ao telefone com a ameaçada sucessora, e diz que podem enfiar, no orifício anal - para não ser chulo como o ex-presidente - os processos contra ele. Lula, que já havia feito discurso midiático, debochando da Polícia Federal, do Ministério Público, da Justiça e da maioria do povo brasileiro, com a divulgação do vídeo de Jandira confirmou a sua fama de debochado e desbocado.

É inacreditável que tenhamos sido governado, por tantos anos, por uma pessoa que incita a violência, destrata interlocutores, desafia a mídia, além de preferir bebidas fortes a vinhos refinados, apesar de possuir adega climatizada em um sítio emprestado de um amigo.

A fama de apreciador contumaz de cachaça, Lula deve ter tomado uns tragos antes de proferir o seu discurso. Olhos empapuçados, cabelos ralos e desgrenhados, voz rouca vinda da garganta sofrida, o ex-presidente encontrou o palanque que ,a tempos, buscava e vociferou ameaças aos ventos.

Em um momento terrível para o Brasil, Lula deveria se espelhar no africano Nélson Mandela que, após vinte e sete anos de injusta prisão, pregou a paz e o perdão aos seus concidadãos. A preferência do assustado conduzido depoente pela África, governada por ditadores, aclara o interesse de investir fortunas naquelas paragens. Deve ser este o ideal do político decadente: governar o país sem oposição, sem democracia e sem justiça para todos.

Lula sabe que os seus dias de liberdade estão por um fio e, desesperadamente, retoma as rédeas do seu séquito e pretende sair às ruas do país, cobrando dos mais pobres a dívida por ter proporcionado a eles melhores condições de vida. Esses cidadãos não devem nada ao ex-presidente, ao contrário, todos governantes devem proteger os carentes, desde que não coloquem uma parte dos recursos em seus bolsos através de artifícios.

A derrocada da maioria dos nossos políticos é a verdadeira prova dos desmandos causados por corruptos e incompetentes. As investigações que desmancham as maravilhas do Brasil líder mundial já levaram à condenação e prisão homens de confiança de Lula e, agora, se aproximam, implacavelmente, ao governo da presidente Dilma.

Deve ser duro para uma menina que sonhava, erroneamente, implantar uma sociedade mais justa, estar atolada no lamaçal arrasador que destruiu não uma represa, mas, uma nação.

Dilma, que também é "dimaior", mas não tem os privilégios dos septuagenários, deveria se afastar das más companhias para não ser convidada, ao amanhecer, antes sair nas constantes pedaladas, a depor no processo da Lava-Jato perante ministros do Supremo Tribunal Federal.

A Igreja contra ofídios

A Igreja já não é mais aquela apoiando a luta dos petistas em favor dos pobres e oprimidos. Com a sutileza que lhe é conferida, inspirou a missa celebrada por Dom Darci José Nicioli, bispo auxiliar da Arquidiocese de Aparecida.

Lula consegue enterrar ainda mais a sua biografia

Em sua defesa na sexta-feira, o ex-presidente Lula cavou um pouco mais o buraco onde vai sendo enterrada sua biografia. O ex-presidente afirmou que os avanços sociais no país levaram as “elites” a persegui-lo, assim como à caça ao PT. O trabalho e o recolhimento de provas na Lava Jato e no Ministério Público seriam, em última análise, destinados a interromper o processo de melhora de vida dos mais pobres. Isso seria contrário ao desejo das elites.

Em 13 anos de poder, o PT promoveu a maior distribuição de renda da história brasileira. A renda dos 10% mais pobres aumentou, em termos reais (acima da inflação), cerca de 130% no período. A dos 10% mais ricos, 30%. Todos ganharam.

Ao final de seu governo, entregue com uma taxa de crescimento de 7,5%, a maior em 25 anos, Lula foi coroado como o presidente mais popular da história. Era apoiado pela grande maioria da população (83%), elogiado por empresários e reconhecido amplamente no exterior.

Além de distribuir renda, Lula conseguiu dobrar a taxa de crescimento do PIB em relação a FHC. Fez o Brasil acumular bilhões de dólares em reservas e ampliou como nunca o mercado consumidor, com mais acesso a bens e serviços.

No Nordeste, garantidor das últimas vitórias do PT, o ex-presidente virou rei. E a “mulher de Lula”, a “Vilma”, foi a escolha natural para a sua sucessão. Lula chegaria assim a presidente “tribom”, com disse nesta sexta. Eleito, reeleito e fazedor de sucessor.

Dilma depois arruinou a economia e pôs os pobres no caminho de volta. É jogo jogado. Ela foi eleita democraticamente e tinha o direito de governar como julgasse necessário. Se mentiu e o povo engoliu na conquista de um segundo mandato, problema do país. Donald Trump também está aí.

Ao mesmo tempo que tenta dividir o país entre “nós” e “eles”, Lula demonstra todo o seu isolamento ao voltar a se abraçar em Dilma. O naufrágio econômico também seria culpa das mesmas investigações contra ele, que teriam paralisado o governo.

Apesar dos prováveis imprevistos, a Lava Jato e a atual recessão parecem ter definido a sua dinâmica. O grau de degradação na ação e discurso de seus envolvidos passa agora à grande incógnita

Ou lava ou racha

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Agora, não há mais como escapar do julgamento da História, com letra maiúscula. A explosão de dois homens-bomba deixou o país perplexo e espalhou estilhaços no Congresso Nacional e no Palácio do Planalto. Os homens-bomba não são meros doleiros, ou diretores de estatal, ou empreiteiros, mas líderes de nossa República, investigados pela Lava Jato no exercício de seus mandatos. O ex-líder do governo Dilma Rousseff no Senado, Delcídio do Amaral, (ainda) do PT, e o (ainda) presidente da Câmara, Eduardo Cunha, do PMDB, se tornaram reféns e protagonistas explícitos do grande esquema de corrupção e guerra suja de poder que apequenou a política brasileira e desacreditou seus maiores representantes.

Primeiro, como aperitivo, caiu em desgraça Eduardo Cunha, depois de um ano de manobras irritantes. Cunha foi, enfim, para felicidade geral da nação, transformado em réu pelo Supremo Tribunal Federal e por unanimidade: 10 votos a 0. É acusado de receber ao menos US$ 5 milhões desviados da Petrobras. Pouco mais de uma hora após ser proclamado réu, cinco partidos pediam seu afastamento da presidência da Câmara: PT, PSDB, PSOL, PPS e Rede. Cunha parecia o único capaz de reunificar o país – contra ele.

Ele perde o mandato se pelo menos 257 de seus 512 colegas quiserem, em votação aberta. Não há mais clima para Cunha se manter presidente da Câmara e driblar a cassação, a não ser que faça comoRenan Calheiros, que renunciou para não perder o mandato – e voltou, como o afilhado favorito de José Sarney, à presidência do Senado. Sobre o correligionário Cunha, Renan já se pronunciou: “Me inclua fora dessa. Não me ponha nessa confusão”.

O maior homem-bomba explodiria logo depois, deixando a presidente Dilma Rousseff anestesiada, sem capacidade de reação imediata. A explosão veio em forma de palavras, trechos devastadores de um depoimento de 400 páginas que o senador petista Delcídio do Amaral teria dado ao procurador-geral da República, como parte do acordo para ser solto no dia 19 de fevereiro. Foram quase três meses de prisão, acusado de atrapalhar as investigações da Lava Jato e desmascarado em vídeo gravado num quarto de hotel pelo filho de Nestor Cerveró.

A revista IstoÉ antecipou sua edição para publicar com exclusividade o depoimento de Delcídio, ainda não formalizado pelo STF como delação. Collor e Nixon caíram por muito menos. Em vez de afirmar que as declarações publicadas são uma fraude e não passam de mentiras, Delcídio disse apenas “não reconhecer o teor, a origem e a autenticidade”, em nota assinada com seu advogado. Não confirmou o conteúdo, mas não o desmentiu.

O que veio à tona com o homem-bomba e ex-braço forte de Dilma e Lula no Congresso é um conjunto de crimes contra a democracia, que vão muito além da corrupção passiva ou compra de votos. Articulação para barrar a Lava Jato e sabotar a Justiça, nomear desembargadores simpáticos ao PT, influenciar o voto do Supremo Tribunal Federal, soltar presos como Marcelo Odebrecht. Complôs tendo Lula como mentor das mesadas para Cerveró calar a boca – mesadas que teriam saído do bolso do amigo pecuarista José Carlos Bumlai.

Se um terço desse depoimento ficar comprovado, o governo implodirá, por renúncia ou impeachment. Antes disso, cabeças rolarão – espero que essa expressão não passe de uma metáfora. Tem muita gente preocupada com a sobrevivência física e política. O filho de Cerveró deixou o país. O senador Delcídio tornou-se, para o PT, réu confesso, inimigo declarado do partido e do governo e forte candidato a ser cassado rapidamente.

Seja qual for o desfecho desse drama, Lula – que na sexta-feira começou a ser investigado oficialmente pela Lava Jato – e Dilma devem estar arrependidos ao menos de um detalhe: não ter escutado o conselho de Delcídio. “Presidente, é perigoso deixar os feridos pelo caminho.” O senador disse isso aos dois, Lula e Dilma, ao longo de anos, antes de ser preso e experimentar o veneno do PT. “Coisa de imbecil” e “burrada” – foi a reação de Lula ao vídeo que derrubou Delcídio. O PT ficou dividido entre a expulsão sumária e a suspensão do senador. Delcídio ficou desesperado com a traição e o isolamento.

O panorama, aliado a uma crise econômica quase sem precedentes, é sombrio, mas pode ser o início real de uma depuração nunca antes vista no país. Militantes apaixonados que sonham com “O Regresso” podem se tornar dissidentes, também passionais, caso a verdade seja assim tão suja. Agora, é lava ou racha.

'Guerra' à legalidade

AUTO_gilson
O ex-presidente trava, sim, uma batalha. Guerra, no entanto, perdida para a legalidade, a impessoalidade, a probidade e a transparência de um grupo de policiais argutos e de procuradores muito bem preparados para fazer frente a uma gente que só tem em mente as conveniências e o bem estar da própria gente

Cuidado com a jararaca

Passei a última sexta-feira avaliando as manifestações sobre a “prisão” do ex-presidente Lula em seu apê, aquele que ele reconhece como “compro e pago” por ele, lá em São Bernardo do Campo. Na verdade um lixo de apart, uma espelunca, se comparado àquele que ele estava ajudando o proprietário amigo a reformar, com sugestões de decoração de ambientes. Lula é um homem exemplar sob todos os aspectos de análise. Operário de importante indústria automecânica, na região do ABC, ele ascendeu à condição de maior líder popular da América Latina dos últimos 40 anos. Uma trajetória invejável, especialmente porque foi o centro da fundação de um partido, o PT, em cuja história se abrigou relevante participação nos atos mais representativos e marcantes da vida política e social brasileira.

Como líder sindical e depois como dirigente partidário, enfrentou a ditadura militar, lutou pela reconquista das liberdades, foi preso e torturado nos porões da repressão. Lutou pela construção de uma sociedade mais justa e igualitária, pela valorização dos salários, pelo acesso das classes mais pobres aos benefícios do desenvolvimento. No seu governo, negros se beneficiaram da política de cotas que, se reconhecidamente tem erros de concepção, que prejudicam seu caráter reformador, também é certo que fez abrigarem-se nas universidades públicas parcelas da população universitária antes excluídas. Na verdade, muito mais do que pela sua condição racial, pelo seu perfil socioeconômico.

genildo

Nos governos Lula também, segundo ele próprio, (o Lula), pobres passaram a andar de avião, a ter carro próprio, a fazer curso superior, a comer, a comprar cueca e lingerie de renda, a ir para a praia, ao baile funk, a não ter vergonha de torcer pro Curintiãs, pro Mengo e em Minas, porque sou cruzeirense, não falo.

Concordo com Lula em tudo, para não polemizar. Ele está correto. O que eu não entendo é porque um cara tão bom, tão criativo, tão sensibilizado com o drama vivido pela expressiva maioria dessa sociedade pobre, fu..., desassistida, desamparada, sofrida, faminta, consequência de uma histórica falta de políticas públicas concebidas com instrumentos claros e eficazes no seu objetivo; um cara reconhecido pelos eleitores que o levaram à Presidência da República e depois o reconduziram ao mesmo cargo; e que depois de oito anos de mandato, ele ainda elegeu “uma poste” como sucessora. Como que esse cara permite que um bando de corruptos, ratos profissionais, invada as licitações públicas, o erário e as reservas nacionais; assalte as empresas estatais e saque dessas, moeda-a-moeda, o seu patrimônio material e moral, como aconteceu com a Petrobrás e várias outras, menos expressivas e menos estratégicas? Não sabia? Alzaimou?

Querido: você perdeu o bonde. Junte o que ainda lhe sobra, se é que lhe sobra, e ajude a pensar um outro Brasil. Senão o Moro, (que realmente errou em mandar conduzi-lo coercitivamente, em invadir sua casa e a de seus filhos), vai pisar no rabo da jararaca e ela vai morder sua bunda.

Bombicídio e Aletheia

Duas bombas de forte impacto e alto grau de precisão acabam de explodir sobre as cadeiras onde se sentam a presidente Dilma, no Palácio do Planalto, e o ex-presidente Lula, no Instituto que leva seu nome.

O primeiro artefato foi a divulgação, pela revista Isto É, de trechos da delação premiada que o senador Delcídio Amaral negocia com a justiça, onde relata a participação de dois maiores protagonistas do PT nos casos da compra da refinaria Pasadena, pagamentos à família de Cerveró e compra do silêncio de Marcos Valério, operador do mensalão.

O segundo explosivo é esta 24ª. fase da Operação Lava Jato, de nome Aletheia ( Busca da Verdade), que tira Lula de sua casa para prestar depoimentos sobre os negócios envolvendo sua empresa, LILS Palestras, o Instituto Lula, o tríplex do Guarujá, o sítio em Atibaia e eventuais conexões com cinco empreiteiras.

O bombicídio, a bomba de Delcídio, terá um efeito devastador, eis que puxa Dilma e Lula para o centro da fogueira aberta pela Operação que apura desvios e propinas nas cercanias da Petrobras.

O senador pinça, ainda, a Ação Penal 470, para dizer que o ex-presidente manobrou para comprar o silêncio do ex-operador do mensalão, o publicitário Marcos Valério, que teria pedido de R$ 220 milhões para ficar de bico calado. (Diz-se que se conformou com menos no arranjo financeiro feito pelo ex-ministro da Fazenda, Antonio Palloci).

Como se pode aduzir, a delação do senador Delcídio, que aguarda homologação pelo ministro Teori Zavascki, do STF, mesmo sob a forma de roteiro, mostra potencial para ser o fato de maior impacto da Operação Lava Jato.

Afável e respeitado, o senador sul mato-grossense goza de prestígio junto aos pares, a ponto de ter sido escolhido pela presidente Dilma para ser líder do Governo no Senado. Nos últimos tempos, comandava a poderosa Comissão de Assuntos Econômicos (CAE).

Amigo de Lula, com quem conversava frequentemente, Delcídio é uma das maiores fontes de informações e segredos sobre as veredas do Planalto. Pois este “sabe tudo” decidiu entrar no jogo da delação premiada para aliviar o peso de eventual condenação pelo Supremo.

Não se trata de pessoa que perdeu a credibilidade, conforme a desconstrução de seu perfil que governistas tentam fazer. A nota em que o senador e seu advogado dizem não reconhecer trechos pinçados pela revista Isto É deve ser entendida como uma carta de seguro, na medida em que ainda não foi oficializada.

A Aletheia, abrigando 44 mandados judiciais, sendo 33 de busca e apreensão e outros 11 de condução coercitiva, incluindo Lula e seu filho Fábio Luis Lula da Silva, mesmo não tendo relação com a delação de Delcídio, se soma ao repertório de eventos negativos que se abatem sobre as principais figuras do governo e do PT, fornecendo munição para acirrar a luta política e o ânimo social. Analisemos alternativas que poderão advir a partir destas duas explosões.

O impeachment, como se sabe, iniciara uma descida no terreno das probabilidades. A delação de Delcídio puxa a ideia para o centro do debate político. Ele terá de comprovar o que disser, até para se apurar a extensão de eventuais sinais de vingança por se sentir abandonado pelos próceres petistas.

Mesmo considerando as idas e vindas que ocorrem num processo de impeachment (oitivas, recursos de apelação etc) trata-se de alternativa que ganha força. Mas o caminho da decisão passa pelo clamor das turbas. O dia 13 de março será um termômetro importante para aferirmos a temperatura social. Já a renúncia é hipótese descartada, tendo em vista a índole de auto-suficiência da presidente Dilma.

Já a busca de verdade no entorno do ex-presidente, com depoimentos e mandados de apreensão que ganharão ampla visibilidade, corroerá ainda mais os costados de Lula. Se houver prisão (dele ou de filhos), o incêndio chegará às alturas. Os eventos dessa fase da Lava Jato mancharão a imagem da presidente, contribuindo para desgastar a imagem da pupila.

O impedimento da presidente, decisão de cunho político, correria mais rápido que o percurso da análise de contas no âmbito do TSE. Nesse Tribunal, o affaire entraria no próximo ano, com a possibilidade de se ter a separação de contas entre as campanhas da titular e do vice.

A permanência de Dilma se apresenta também como hipótese viável, com o agravante de que seu governo seria um dândi na escuridão. Perdido e sem rumo. Jorrando sangue por todos os lados, perderia todas as forças. Cenário devastador na economia, paisagem caótica na seara social, guerra de guerrilhas na arena política, onde o lema seria: salve-se quem puder. Some-se a essas visões catastróficas a moldura da Câmara sem o comando de Eduardo Cunha, afastado da presidência pelo STF.

O pedido de afastamento, feito pelo Procurador Geral, Rodrigo Janot, deverá ser analisado pelo plenário da Corte. Mas o STF não tem tanta certeza de que este pode ser o rumo. Teme entrar no terreno do Legislativo. Enquanto isso, o Conselho de Ética dará encaminhamento ao pedido de cassação de Cunha. Se aprová-la, a decisão irá ao plenário, onde o deputado conserva grande parcela de aliados.

A equação do impeachment dependerá sempre do volume das ruas. Os números das multidões, por sua vez, inflarão ou murcharão nas ondas das marés alta e baixa, a primeira apontando para o bolso cheio, a segunda para o bolso vazio. Ora, a economia não melhorará nos próximos meses. Ou melhor, pode haver recuperação sob a égide de outro governante. Basta ver o movimento das bolsas nesses últimos dias.

Cresceu quase 10% com o perigo se aproximando de Dilma e Lula. Por último, resta acompanhar a estratégia traçada pelo PT para defender Luiz Inácio: mobilização da militância, enxurrada vermelha, slogans e palavras de ordem (“não vai haver golpe”), confrontos físicos, grupinhos de professores expressando “defesa da democracia” etc. Tudo sob o olhar aparvalhado do novo ministro da Justiça, Wellington César, que teria sido escolhido para “administrar a independência” da Polícia Federal.

Quem cala...

Um fato preocupa: o PT jamais julgou a conduta ética de seus militantes acusados pela Lava-Jato. Nem os absolveu, nem os condenou. Calou-se. E quem cala consente
Frei Betto

'Pato' bancou pavão e saiu depenado

'Pato' louco na porta da Globo quer aparecer
A solidariedade a Lula foi um grande sucesso pirotécnico apenas por dois dias. O ex ganhou a mídia, com aplausos espaço na televisão, não pela magnitude de gesto, mas por prestar esclarecimentos na Justiça.

A festa de confete acabou no domingo, mas os sempre prestativos militantes, com boquinha garantida, resolveram ampliar as manifestações. Sob a liderança do prefeito de Maricá e presidente regional do PT, Washington Quaquá, e a maricaense honorária Lurian Lula da Silva (filha de Lula), foram procurar os holofotes na porta da Rede Globo. Atacaram a empresa que nada tem a ver com a roubalheira petista no país com os velhos e surrados refrões partidários, que não incentivam nem defunto a sair da tumba.

Deram mais um espetáculo de cretinice como todos os demais liderados por Quaquá, há anos alcunhado de "Pato", que encontrou assim uma fórmula de apagar uma semana de derrotas consecutivas no próprio município .

O prefeito não foi sequer uma vez ao inundado conjunto do Minha Casa Minha Vida, em Maricá, durante as últimas chuvas. Os louros da luta em defesa dos desabrigados e desalojados ficou com o hoje arquiinimigo Marcelo Delaroli, secretário estadual, que se meteu até o joelho nas águas sujas e písou na lama, coordenando a ajuda que o governo petista negou, escondido atrás de câmeras e holofotes.

Defensor raivoso de Lula, de quem é fiel seguidor inclusive nas mentiras, Quaquá passou a semana desfilando na praia de Maricá defendendo uma abertura do canal da Barra, que seria, segundo ele, a salvação do povo sofredor com as enchentes. Mas por duas vezes foi obrigado a fechar rapidamente a abetura devido a entrada das águas do mar. Seria uma catástrofe pior e com assinatura do criminoso. O canal foi aberto apenas na taqrde de sábado quando todas as águas já haviam baixado.

Sem ter mais o que fazer para aparecer, o prefeito que não pisou na lama no conjunto habitacional dos pobres foi liderar marcha no Jardim Botânico para ganhar exposição na mídia. Ganhou a mandioca e saiu com o rabinho entre as pernas, ganindo para seus sustentados colaboradores a vitória popular. Fez vista apenas na imprensa companheira, na qual viceja sua insignificância.

Lula, Freud e o futuro da esquerda

Se um paciente inteligente rejeita uma sugestão de forma irracional, então a sua lógica imperfeita é evidência da existência de um forte motivo para a sua rejeição
Sigmund Freud

Não resta a menor dúvida, para qualquer pessoa minimamente razoável, de que o Partido dos Trabalhadores e seus principais dirigentes — entre eles José Dirceu, Antônio Palocci, João Vaccari e Luiz Inácio Lula da Silva — estruturaram uma organização criminosa com o apoio de outras facções da política brasileira (facção se aplica melhor à nossa realidade do que partido) com o objetivo precípuo de se perpetuar no poder. Para tal, desviaram recursos de empresas estatais, de bancos públicos e de fundos de pensão, se associaram a grupos de empreiteiros mafiosos, utilizaram laranjas, marqueteiros e doleiros em larga escala, fraudaram o processo eleitoral com recursos provenientes de corrupção e fizeram políticas públicas totalmente irresponsáveis, levando o Brasil à bancarrota. Não resta dúvida também, como disse o capitão Nascimento em Tropa de Elite, que “quem rouba para o sistema também rouba para família”. Isto está claro e transparente — como a luz que incide na cobertura 164 A do único edifício pronto no condomínio Solaris.

No entanto, ainda há quem tente negar a realidade revelada no processo do mensalão e nas provas e testemunhos das operações Lava-Jato e Zelotes. O que nos leva de volta a Sigmund Freud: por qual motivo há tanta relutância por parte da esquerda em encarar a realidade que lhes foi exposta ao longo dos últimos anos? A explicação é dupla. No caso da militância profissional, da UNE, da CUT e do MST, se aplica a máxima de Upton Sinclair, famoso escritor americano: “É difícil fazer com que alguém entenda algo quando o seu salário depende do não entendimento deste algo.”

Mas o que dizer dos intelectuais e artistas que não recebem salários por sua “militância”? No caso deles, não se trata de grana, mas de uma questão psicoanalítica. Investiram as suas vidas e reputações em posições pró Lula e pró PT. Agora, não suportam reconhecer o erro que cometeram por uma questão de autoimagem. Freud e sua filha Anna chamaram este fenômeno de negação. Trata-se de uma defesa contra realidades externas que ameaçam o ego. Saber lidar com a negação me parece ser a questão básica para a sobrevivência da esquerda brasileira hoje. Se os pensadores de esquerda não tiverem a grandeza de reconhecer o erro que cometeram com Lula e com o PT, se comprarem a tentativa de Lula e do PT de incendiar o país para criar um ambiente irracional posto na vigência da razão não há saída, a esquerda brasileira vai afundar com eles. Lula e o PT se tornarão os arautos da destruição do pensamento marxista no Brasil.