quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Quem empurrou Lula a chamar Aécio e o PSDB de nazistas?


Tudo que o Brasil não necessita neste momento de debilidade econômica, de desejos de mudança para melhorar a vida dos cidadãos, é uma campanha tingida de ódio
Para aqueles que ainda têm viva a memória da II Guerra Mundial e a tragédia do Holocausto, a maior barbárie da História, que assassinou seis milhões de judeus, entre eles mulheres e crianças, não podemos esquecer que não existe maior insulto do que qualificar uma pessoa ou um político de nazista.

Aqueles que, dentro e fora do Brasil, ainda mantêm viva hoje a lembrança dos dois governos do ex-presidente torneiro mecânico, Lula da Silva, que acabou com a pobreza neste país e desenhou, através de suas viagens pelo mundo, a imagem de um Brasil pacífico, em pleno desenvolvimento econômico e social, exemplo de pluralismo político, cultural e religioso, sem demônios de separatismo nem ódios regionais, todos orgulhosos de serem e se sentirem brasileiros, não puderam deixar de escutar, com assombro e até com dor, a Lula, gênio da política, qualificar de nazista o candidato da oposição, Aécio Neves e seu partido, o PSDB, nascido da acertada e democrática experiência da social-democracia europeia.

Lula se queixou de que no debate político destas eleições, Aécio e seu partido estavam atacando a candidata Dilma Rousseff, do PT, parido do governo, “como faziam os nazistas durante a II Guerra Mundial”. Mais ainda, tirando o pó da Bíblia, afirmou que os do PSDB são “mais intolerantes que Herodes que matou Jesus Cristo por medo de que chegasse a ser o que foi”.

 Eu me atreveria a dizer que os marqueteiros ou assessores que puderam arrastar Lula a qualificar de nazista um candidato do partido da social-democracia, deu um presente envenenado ao país.
(...)
Os brasileiros simples, letrados ou não, acabam sendo sempre mais sábios, mais pragmáticos e até mais iluminados que muitos políticos que acabam como Esaú, o personagem bíblico, cegando-se e vendendo sua primogenitura e sua dignidade a seu irmão Jacó por um prato de votos.

Em tempos de autoritarismo


Além de trabalhar para sobreviver, o brasileiro têm que pagar a taxa da corrupção para a milícia política 

Cretinice do ano


“Agora o filho do pobre também pode ir a Miami ver o Mickey”
Lula se embriagou de vez na batalha para reeleger Dilma que trocou as pernas. Chamou Marina Silva de "querida", depois de aplaudir a chinelada sobre a ex-candidata, e sapecou elogios a Leonel Brizola, que cunhou o apelido de Sapo Barbudo para Lula e não suportava o PT .

Pediu a vitória de seu poste presidencial como presente para o aniversário dele na segunda-feira. É querer um presente muito caro: dar o poder à bandidagem e entregar o país à canalha. Ainda mais que seu registro de nascimento tenha sido 6 de outubro, apesar de festejar o aniversário em 27 de outubro. Outra pegadinha do nosso maior mentiroso da história? 

A intervenção da Justiça Eleitoral beneficia Dilma


Presidente está a salvo de retaliações.

No primeiro turno da eleição, a campanha de Dilma a presidente teve todo o tempo do mundo para bater duro em Marina Silva, a candidata do PSB em substituição a Eduardo Campos, morto em um desastre aéreo.

Valeu qualquer coisa para impedir a vitória de Marina: ataques grosseiros, uso fraudulento de informações, mentiras deslavadas.

No segundo turno da eleição, a poucos dias de ser concluído, novamente a campanha de Dilma teve todo o tempo do mundo, dessa vez para bater duro em Aécio, candidato do PSDB a presidente.

A recíproca foi verdadeira? Em termos. Aécio bateu, digamos, com mais elegância. Ou com o receio de ser acusado de gostar de bater em mulher. Acabou sendo acusado, sim. Dilma, coitadinha, se fez de vítima.

Não mais que de repente, a Justiça Eleitoral decidiu intervir na troca de ofensas. Só o fez quando o desempenho de Dilma claramente melhorou. Aécio tenta se curar das feridas provocadas pelos ataques da adversária.

Dilma está a salvo de retaliações.

Quem ganhou com a intervenção da Justiça Eleitoral?


Pois é.
Ricardo Noblatt

Tutti buona gente, ma tutti ladri


Quem se lembra de que tudo começou com Paulo César Farias, tesoureiro de campanha de Fernando Collor, hoje amicíssimo de Lula e Dilma, em 1989? Foi quem causou o primeiro processo de impeachment da América Latina, em 1992.

Morto em 1996, num misterioso suicídio duplo junto com a namorada, foi apontado pelo irmão do já presidente como o testa de ferro em diversos esquemas de corrupção que arrecadaram em torno de meros R$ 15 milhões.
De lá pra cá, parece que os esquemas foram aperfeiçoados à exaustão e, quem diria, justamente por quem era adversário ferrenho do Homem Daquilo Roxo (a baixeza sempre foi deles). O sanguinário PT foi à forra das denúncias do então candidato vindo das Alagoas. Mas hoje, com o tempo, passou a trocar sempre elogiosos afagos com o antigo adversário.

Os homens de vermelho colocariam em ação em plano para deixar PC no chinelo. Surgia nas hostes petistas Delúbio, o tesoureiro do partido e do mensalão, que acabou condenado e ainda cumpre uma peninha de dar dó. Pela primeira vez um profissional da área era condenado depois de pintar e bordar a até então maior rede de corrupção brasileira.

O país acreditou piamente que era tudo mentira e que nunca existiu mensalão com o tesoureiro na prisão.

Ah, mas existia outra carta, quer dizer, outro clone na sede do PT, que acabaria por mostrar que que o mensalão foi apenas uma marolinha. O previsto pelo partido era criar um tsunami corruptivo para assegurar a dominância completa do país, aniquilando qualquer voz contrária, e precisava de dinheiro e outro nome capacitado.   

João Vaccari Neto, o reserva de Delúbio, iria formar um prontuário de fazer inveja a muito marginal, mas está sendo blindado e com proteção partidária para não aparecer sob as luzes das câmeras no Congresso.

Como secretário de Finanças do partido, em 2010, foi réu em processo de estelionato, formação de quadrilha, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro da Bancoop, cooperativa do sindicato dos bancários da qual era presidente. Um pequeno prejuízo para instituição de R$ 70 milhões.

Segundo a denúncia do Ministério Público, em vez de aplicar o dinheiro para erguer apartamentos, a Bancoop de Vaccari desviava recursos para contas bancárias de seus diretores e para abastecer o caixa 2 de campanhas do PT, incluindo a que levou Lula à Presidência. Se não bastasse também é suspeito de cobrar propina para financiar o mensalão no tempo em que exerceu a função de administrador informal da relação entre o PT e os fundos de pensão das empresas estatais, bancos e corretoras, embora tenha ficado de fora do processo que corre no Supremo Tribunal Federal.

Em fevereiro de 2013, depois de quase dois anos de sucessivas e inúteis tentativas de intimar o bancário, a Justiça de São Paulo decidiu citá-lo por edital, ou seja intimá-lo à revelia para responder como réu por formação de quadrilha, estelionato, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. Os oficiais de Justiça foram a vários endereços em São Paulo e em Brasília, inclusive no PT, mas não encontraram o bancário, que já estava no Conselho de Administração da Itaipu Binacional, desde 2003, lá colocado pela vovó anticorrupção, então ministra das Minas e Energia.

São os fatos esquecidos pela heroína da luta contra a corrupção. Dilma, que tudo vê e tudo sabe (quer dizer, só o que lhe interessa), continua imaculada pelo crime a que envia certificados de honra ao mérito.

O mesmo elemento, com mandato de quatro anos, desde então vem sendo reconduzido ao cargo com remuneração de quase R$ 21 mil por reunião, e tem o mandato garantido até 2016. Mas isso Dilma não sabia. O governo abrigava desde 2003 um réu quadrilheiro como prêmio de consolação preterido na disputa pela presidência Caixa Econômica Federal.

Ou seja, o PT distribui prêmios a seus integrantes que mais delinquiram.. Ou já esqueceram que Paulo Roberto Costa se demitiu da Petrobras e recebeu carta do ministro elogiando seus randes serviços à nação”?

A historinha que pipoca nos jornais ainda tem mais personagens, todos chegados à paladina da Justiça. Quando premiou Vaccari com a Itaipu Binacional também deu cargo de diretora financeira executiva, na mesma empresa, a ministra da Casa Civil, Gleise Hoffmann, mulher de ministro, e hoje ambos envolvidos na rede de doleiro.

É incrível a facilidade com que os petistas conseguem se enredar em crimes com o dinheiro público. Mais ainda surpreendente é como presidentes desse partido (ou seria organização criminosa?) de nada sabem vivendo lado a lado, parede a parede, com a bandidagem. 

E Dilma, o que realizou?

Enrique Flores
Embora a população deseje mudanças, a polarização política faz com que seja difícil a oposição vencer as eleições no Brasil. Mas o país está maduro para a alternância e precisa voltar a crescer
Em outubro de 2012 fui ao Recife ver Eduardo Campos. Depois de falar de sua atuação como governador de Pernambuco, perguntei sobre as eleições presidenciais no Brasil. Ele preferiu falar confidencialmente. “Fernando Henrique Cardoso ganhou um segundo mandato porque acabou com a inflação. Lula ganhou um segundo mandato porque tirou milhões de pessoas da pobreza”, disse.

“E Dilma, o que realizou?”. “Ela começou muitas coisas, mas não terminou nenhuma.” Dilma Rousseffera a favorita para ganhar as eleições, como continuou a ser durante a maior parte do tempo desde então. O faro político aguçado de Campos soube enxergar no ponto fraco de Dilma a oportunidade para ele, a quem a morte levou embora tragicamente em um acidente aéreo em agosto. 

Mas a pergunta – “o que Dilma realizou?” – paira sobre a campanha eleitoral. A presidente só conseguiu oferecer uma resposta pela metade. E, ao meu ver, é por isso que em 26 de outubro ela provavelmente vai perder para Aécio Neves no segundo turno da eleição.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Todo mundo sabe


Tá tudo de férias


O uso da máquina pública à exaustão para assegurar o continuísmo não só é criminoso em deixar o país à deriva. Faz ainda pior, concedendo “férias” para campanha. Mais três ministros tiveram as férias oficializadas por Dilma para se dedicarem à campanha eleitoral: Gilberto Carvalho, da Secretária-Geral da Presidência, Edison Lobão, de Minas e Energia, e Manoel Dias, do Trabalho. Dos 39 ministros, apenas 15 cumpriram agenda (concedendo pacotes de bondades eleitoreiras) em Brasília na última semana, o ministro de Relações Institucionais, Ricardo Berzoini, mesmo a trabalho, participou do ato de campanha “Caminhada com Dilma”.


A reeleição, essa cafajeste protetora dos canalhas, está produzindo enorme prejuízo moral e econômico. Desde 1º de agosto, Dilma compareceu ao seu local oficial de trabalho apenas cinco vezes e usa impunemente, com dinheiro público, o avião presidencial para se deslocar – embora o comitê de campanha pague o combustível da aeronave –, e, a cada lugar que visita, a estrutura de segurança da Presidência a acompanha. Tudo pago não pelo partido, coisa que só idiota pode acreditar, mas pelos impostos escorchantes aos mais pobres.

Na maior cara de pau, Dilma diz que graças à tecnologia consegue governar longe do palácio e que mantém contato frequente com seus ministros, inclusive os que estão de férias. É uma cafajestada que já mereceu a crítica do presidente do Tribunal Superior Eleitoral, José Dias Toffoli, que saiu das próprias hostes petistas: “O país não deveria ficar parado durante seis meses a cada quatro anos".

PT conseguiu ressuscitar a direita no Brasil



O petismo remanescente deixa um grande saldo de mistificação e rancor.  Tem sido recorrente nesta campanha eleitoral o apelo de partidários do PT à indulgência à corrupção no governo em nome de programas sociais e o repúdio às críticas à presidente Dilma em nome de seu passado na resistência à ditadura.

Talvez algumas pessoas se surpreendam ao saber que participei da luta contra a ditadura, fui preso e torturado no DOI-CODI. Procuro ser discreto em relação a isso, embora não me envergonhe nem me arrependa de minhas posições e ações políticas.

O fato de ter sido preso, torturado, vigiado e perseguido na ditadura não me torna melhor que ninguém nem me dá nenhuma autoridade.
Mas essa experiência me ensinou que não se deve tratar adversários políticos como inimigos nem usar técnicas goebbelslianas contra opositores, repetindo milhões de vezes mentiras com o propósito de transformá-las em verdades.

ASSALTO AO ESTADO

Pela mesma razão, considero vergonhoso o uso de slogans e discursos de justiça social para justificar o assalto ao estado e ao povo, das bilionárias transações na Petrobras aos desvios de dinheiro da merenda das crianças e do remédio dos hospitais.

Seja qual for o resultado desta eleição, a indigência argumentativa do petismo remanescente deixa um grande saldo de mistificação e rancor. É o resultado da divisão da sociedade em “nós e eles”, da desmoralização da política, da mercenarização da militância, da domesticação do movimento social, da transformação da corrupção em política de governo, da demonização dos adversários e desse projeto de “Reich de mil anos”, entre tantas outras perversões e contrafações.

Ainda vai ser feito um inventário do estrago que estes 12 anos de PT causou à democracia brasileira. Consertar isso vai ser uma tarefa para gerações. E ainda não conseguimos superar a herança da ditadura.

DEBANDADA

Muitos petistas se aborreceram com isso e deixaram o partido, a exemplo de Marina Silva, Fernando Gabeira, Hélio Bicudo, Cristovam Buarque e Vladimir Palmeira.

Os petistas remanescentes estão em companhia de Fernando Collor, José Sarney, Garotinho, Jader Barbalho, Paulo Maluf, Katia Abreu, Eike Batista e Fernando Cavendish.


Mesmo assim se consideram de esquerda e chamam os opositores de direitistas. Se refletissem um pouco, perceberiam que o PT perverteu a esquerda e ressuscitou a direita no Brasil.

'Espero que o PT seja tirado do governo'

Eleito pela Academia Brasileira de Letras e o maior candidato do país ao Nobel de Literatura, Ferreira Gullar já não se espanta com nada, mas quer mudança

 Eu espero que o Aécio ganhe. Que o PT seja tirado do Governo, porque é um desastre. É oportunismo, é a falsa esquerda, compreende? Com as devidas diferenças, é o Hugo Chávez, o bolivarianismo. O falso comunismo não é comunista, ajuda os capitalistas, negocia e finge que é de esquerda. Então começa a dar Bolsa Família pra nunca mais sair do poder. E leva a economia como a Dilma está levando. Em vez de investir no estudo, na formação profissional, na tecnologia, nas coisas que vão gerar riqueza e, consequentemente, emprego e trabalho, você investe em Bolsa Família, em casa para as pessoas... Ela diz: “Construímos 20.000 casas”. Só na favela da Rocinha, tem 90.000 pessoas morando em barracos. Isso não é solução, é demagogia. O que você tem que fazer é criar condições para essas pessoas comprarem suas casas, viverem com seu dinheiro, seu trabalho.
Leia a entrevista

O PT se perdeu



“No dia 26 vamos dar uma derrota em regra nos tucanos. Não vamos deixar nenhuma pena de tucano presa por aí. Vamos deixar elas espalhadas"
Dilma Rousseff

"De vez em quando, parece que estão agredindo a gente como os nazistas agrediam no tempo da Segunda Guerra Mundial"
Lula


Certo de que dar cacete é o melhor método para se conquistar votos, o PT errou a mão. Foi com tanta sede ao pote que se perdeu. Se enredou nas próprias pernas. Saiu disposto a só mostrar as mazelas dos outros. Esqueceu que está até o pescoço afundado em bosta.

A arregimentação de todos seus peões ministros aumentou a confusão. Com todos de “férias” para integrar o bonde da campanha – e o país desgovernado até com ministro demitido no cargo, o bate cabeça é geral. Cada uma “defesa” é um fogo amigo.

Um dos tiros da vez foi do eternizado Marco Aurélio Garcia, assessor presidencial há 12 anos. Em palestra, garantiu que Aécio Neves é igual a Hugo Chávez. Não caia na gargalhada, que o ministro falou sério e com convicção. Guarde o acesso de risada para o que nobre assessor desferiu depois: Ambos seriam controladores da mídia.

Garcia usou Chávez, o sempre amigo de Lula e Dilma, como um bicho papão? Com a campanha quente, apela-se para todos os santos. Ainda mais esse que virou passarinho, mas na Terra acertou com Lula a tramoia da refinaria Abreu e Lima, deixando a batata quente com a Petrobras. Belo exemplo de comparação. No mínimo, ridícula, coisa de gagá.

Deveria Garcia, com o fervor de puxa-saco, usar como exemplo algumas prefeituras petistas, exploradas pela pelegada, onde a mídia é controlada, comprada pelo governo do povo.

Mais estranho ainda na declaração é que quem vem falar de controle da mídia por Aécio e o PSDB é justamente o grande defensor lulista do marco regulatório da mídia, controle exercido pelos muy amigos governos Chavez-Maduro e Kirchner, que por sinal já revelaram seu medo de uma derrota de Dilma. Por que será?

Marco Aurélio entende muito do assunto defendido também por Franklin Martins e Ruy Falcão com unhas e dentes. Seria (ou será) o silenciamento da imprensa tão ao gosto do PT, que gestões municipais do partido já puseram em prática há seis anos, mesmo sem o projeto estar concluído no Congresso.

Municípios aplicam a lei do silêncio com retirada do ar de blogues “adversários”, financiamento de jornais digitais oficiosos, processos de calúnia contra jornalistas por expressarem opinião, criação de agremiações jornalísticas “oficiosas”, e até apelam para a pancadaria, como aconteceu recentemente quando um prefeito comandou pancadaria em jornalista que fazia a cobertura de evento petista.

O PT, por mais que critique os outros, aponte erros, não pode ficar incensado num altar, como uma vestal. É santo do pau oco. Se faz de bonzinho para poder aprontar. Político brasileiro tem que aprender que a única saída para o desenvolvimento será mais comprometimento com o país do que com os interesses partidários.

Há que se ficar atento, pois as pegadinhas que os governistas estão aprontando para cima da população não são mais do que balões de ensaio para que, se colarem, sejam eternizadas e eles entronizados de vez.   


terça-feira, 21 de outubro de 2014

É preciso cuidado


O Brasil de Dilma e o Brasil de Aécio


O país que está sendo desenhado para o futuro talvez não coincida com o resultado das eleições
A impressão é que estavam se dirigindo a dois países diferentes. E é verdade que nestas eleições, mais que em todas as anteriores desde a democratização, os brasileiros se apresentam divididos em duas metades praticamente iguais entre os que se dispõem a votar no Brasil de Dilma e os que preferem o Brasil de Aécio.

Como são esses dois Brasis apresentados pelos candidatos com vocação para governar o país? Ou se trata de uma divisão artificial criada pelos assessores de imagem dos candidatos já que, na realidade, existe um único Brasil? Quem e como foi dividido o país entre os que temem perder o que têm e os que desejam conseguir mais do que já foi conquistado, que é o que exigia o clamor da rua em 2013?

A candidata Rousseff em suas palavras finais no debate deixou claro que existe um projeto em curso que fez o país avançar com novas conquistas, como maior inclusão social, que não existia antes, e outro que seria o espelho de um passado que criou desemprego e salários baixos.

O candidato Neves, ao contrário, fez alusão a outros dois projetos diferentes: o que continua comparando o Brasil de hoje com o Brasil do passado, que seria o do PT, e o que desejaria mudar o país em tudo aquilo que hoje significa retrocesso para oferecer novas possibilidades, que seria o seu, o da mudança. Seria um choque entre o passado e o futuro. As duas posições têm força eleitoral quase igual.

É, no entanto, interessante analisar melhor quais brasileiros, por idade, estudos e posição social apoiam cada um desses projetos.

Pelo que revelaram até agora as pesquisas do Datafolha, fica bastante claro que o Brasil que poderíamos chamar de “do medo”, o que teme perder o já conquistado, se concentra principalmente entre os eleitores de idade mais avançada, de menor escolaridade e de menor posição econômica, localizado nas regiões menos ricas do país e nas menores cidades do interior.

Ao contrário, o chamado Brasil “da mudança”, se divide entre os mais jovens, os mais escolarizados e os de maior renda, que vivem nos Estados mais prósperos e nas grandes cidades.

Isso significa alguma coisa? Talvez signifique. Poderia indicar, segundo os sociólogos, que a tendência do Brasil para o futuro, independente de quem ganhar a eleição, será a de colocar mais foco no presente e no futuro do que no passado. São os jovens, que não conheceram o passado, que continuarão apoiando mais a política de mudança que a do medo, já que está mais próxima a seus pais. São os que mais estudaram e estão mais bem preparados para fazer uma análise completa da situação do Brasil que apresentarão, daqui para a frente, menos medo de mudar.
Leia mais o artigo de Juan Arias

Enigma que nos devora


A corrupção e a estagnação são filhas do dirigismo econômico e da concentração de poder político.
Os negócios de grandes grupos de interesse econômico com partidos políticos desidratados a serviço de um desenvolvimentismo estatizante são o nosso passado recente sob o regime militar. Ali foi moldado este aparelho de Estado dirigido por uma tecnoburocracia administrativa centralizada, este Leviatã alimentado por uma aliança entre autoritarismo político e oportunismo econômico.

A associação histórica entre enormes estruturas burocráticas de administração centralizada e a degeneração de regimes políticos é bem documentada. Tocqueville registrou a tradição dirigista francesa de centralização burocrática como um eixo de autoritarismo atravessando os tempos dos monarquistas, dos revolucionários e dos bonapartistas.

O despotismo absolutista, o Terror e as guerras napoleônicas resultaram dessa engrenagem dirigista. O mesmo dirigismo burocrático prussiano arquitetado por Bismarck, da máquina militarista imperial aos correios, às ferrovias e à previdência social, foi muito além do Antigo Regime.

Prosperou em meio à avalanche social-democrata da República de Weimar e atingiu seu clímax com o capitalismo de Estado sob o regime do Partido Nacional-Socialista na Alemanha de Hitler.

Das vítimas do stalinismo aos dissidentes na China contemporânea e aos não bolivarianos hoje perseguidos, a questão política não pode ser apenas como chegar ao poder, mas essencialmente em que grau se exerce tal poder. Como nunca se sabe quem será o próximo a controlar a máquina de moer adversários, é fundamental limitar seu grau de arbítrio.

O caminho para asfixiar a corrupção e recuperar a dinâmica de crescimento é acelerar as reformas de modernização. “A economia perdeu sua vitalidade. Acumulam-se os problemas. Instalaram-se a deterioração e a estagnação”, diagnosticava Mikhail Gorbachev em “Perestroika” (1987).

Haja voto do dinheiro


Ou você tem o voto ideológico ou você tem o voto do dinheiro. Se você gastar R$ 5 milhões, é difícil perder eleição
Deputado federal Stepan Nercessian (PPS) derrotado no Rio


Se com tantos milhões é difícil perder, então com R$ 10 milhões, por cabeça, dá para garantir duas cadeiras, na Alerj e na Câmara, em Brasília. Certo, Quaquá?

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Monólogo petista


Pegando fogo - literalmente


Flechas incendiárias são desferidas pelos candidatos sem qualquer escrúpulo e respeito à verdade. Campanha fica mais ‘venenosa’ com empate na reta final
Arde o circo eleitoral montado pelos televisores, flechas incendiárias são desferidas pelos candidatos sem qualquer escrúpulo e respeito à verdade, a civilidade foi para o brejo e o brejo secou.

A pior estiagem de todos os tempos provoca perigosas queimadas na Mata Atlântica (teoricamente húmida), no cerrado, nos canaviais recém-colhidos e pastagens ressecadas por um inverno rigoroso.

São Paulo, a maior metrópole da América Latina, está calcinada, acalorada, suada, reservatórios no limite, indignação, idem, o calor prestes a completar um ano e a lata d’agua na cabeça convertida em ícone do retrocesso.

Desidratados, sufocados pela poluição, abatidos pelas previsões meteorológicas e conjunturais, olhamos súplices para Brasília e Brasília está “fora de área”, encoberta pela poeira e cinzas. Tuitamos para a presidência da República, ninguém atende, estão todos na rua batalhando por votos. Nem o vice candidato a vice - sempre pronto para participar de eventos chatos - está disponível.

Algumas regiões estão em estado de calamidade, mas não há ninguém para garantir que as providências estão sendo tomadas, mesmo que se contentem em colocar São Pedro no banco dos réus. O governo parece prestes a desmaiar, aparentemente solidário com a crise hipoglicêmica que acometeu a presidente da República ao fim do debate no SBT. Pior: todos aqueles capazes de dar murros na mesa em defesa da população foram convocados para esmurrar a oposição.

Esta é a grande calamidade para a qual candidatos, seus parceiros e mentores não estão dedicando a necessária atenção: uma democracia prestes a completar trinta anos – idade que Balzac considerava ideal para a mulher – mostra-se incapaz de manter um mínimo de estabilidade e governabilidade enquanto se envolve com gosto e prazer numa campanha belicosa, vitriólica, em níveis jamais vistos.

Leia mais o artigo de Alberto Dines

Máximo da cretinice


“E o que a gente está vendo? É o mesmo comportamento. A imprensa brasileira, possivelmente na mão da elite, não admite nenhum governante que olhe para os mais pobres”
Lula, aos gritos, em discurso em Belo Horizonte, comparando Aécio Neves a Collor, logicamente sem mencionar que esse é fiel “cumpanheiro” da trupe de Dilma. E ainda tem desfaçatez de usar Covas, Brizola e Ulysses, como gente de bem, de quem em outras vezes já falou bem mal.

Uma tremenda molecagem


Uma das chaves do sucesso de Lula é a coragem de dizer o que lhe apetece – às favas a verdade.

Qual Lula é o verdadeiro?

O bem educado que aparece no programa de propaganda eleitoral de Dilma na televisão, defende os 12 anos de governos do PT e, ao cabo, sorridente, pede votos para reeleger sua sucessora?

Ou o moleque de rua que pontifica em comícios país a fora, sugerindo, sem ter coragem de afirmar diretamente, que Aécio é capaz, sim, de dirigir embriagado, agredir mulheres e se drogar?

O segundo é o mais próximo do verdadeiro Lula. Digo por que o conheço desde quando era líder sindical. Lula é uma metamorfose ambulante. Não foi ninguém quem o disse, foi ele quem se rotulou assim.

A esquerda tudo perdoaria a Lula desde que chegasse ao poder. Chegou, cavalgando-o. Uma vez lá, se corrompeu. Quanto a ele... Não sabia de nada. Nunca soube.

Justiça seja feita a Lula: por desconhecimento de causa e preguiça, ele jamais compartilhou as ideias da esquerda. Assim como ela se aproveitou dele, Lula se aproveitou dela. Um casamento não por amor, mas por interesse.

Na primeira reunião ministerial do seu governo em 2003, Lula se irritou com um ministro e desabafou: “Toda vez que me guiei pela esquerda me dei mal”.

Retifico: ele não disse que se deu mal. Usou um palavrão. Nada demais para o sujeito desbocado que nunca pesou o que diz. Grossura nada tem a ver com infância pobre.

Lula é um sucesso do jeito que é. Mudar, por quê? Todos admiram sua astúcia. Muitos se curvam à sua sabedoria. E outros tantos temem ser apontados como desafetos do retirante nordestino que se deu bem.
Leia mais artigo de Ricardo Noblat