segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Quase 2016

Chegou de mansinho. Como quem não quer nada. Assim, sorrateiro, silencioso, discreto. Não há mesmo nada como o tempo para passar. Mas Novembro chega sem novidades. Sem notícias. Apenas repetição de cantilenas e explicações que já deveriam ser apenas parte do passado.

Já com 2016 a nos olhar na cara, parece que nada mudou, nada muda, ou nunca mudará. Esta parece ser uma nação que vive do passado. Ou melhor, dos erros passados. Feita de gente muito competente em reclamar dos problemas. Em justificar sua existência. E em eximir-se da responsabilidade de corrigi-los.


Talvez porque nossas utopias sejam poucas, nossas ambições, pequenas. Faz tempo (se é que um dia isso aconteceu) que a gente não sonha grande. Refiro-me a sonhos, não delírios. Delírios são, por natureza, inatingíveis. Apenas pigmentos da imaginação sem nexo com realidade passada ou futura. Apegar-se a delírio é, na melhor das hipóteses, insano. Na pior, apenas arrogante.

Sonho é aquilo passível de ser atingido. É o objetivo pelo qual vale a pena dedicar a existência, total ou parcialmente. É inevitável perceber que faz tempo que este país não projeta. Não planeja. Não olha para o futuro. Não sonha. Não constrói.

Em pouco menos de 2 meses, o país vai virar mais um ano. Queimar um punhado de fogos. Receber com alegria falsa ou verdadeira, a mudança de ano. Neste momento, será possível olhar para trás e contemplar mais um ano desperdiçado.

2015 tem sido, de fato, tempo do nada. Onde gente capaz de tudo contribuiu com absolutamente nada. Uma nação inteira passou o ano imobilizada. Paralisada por dúvidas sobre suas certezas. Exaustivamente discutindo o inútil. Presenciando o incrível. Tolerando o inaceitável.

Não será um ano que não terminou. Será ano que sequer começou. E que talvez não tenha nem acontecido. Em janeiro último, 2015 poderia ter sido tudo. Em novembro, já dá para perceber que nada foi tudo o que o que 2015 deu.

Sonhos frustrados

Quando o ex-presidente Lula repetia à exaustão aquele discurso do "nunca antes na história deste país", seguido de bravatas e autoelogios à sua gestão, ele tinha um propósito bem arquitetado: marcar a diferença entre tudo o que se passou no Brasil, desde que Pedro Álvares Cabral por aqui aportou, e um novo tempo, uma nova era, do PT no governo, que viraria o País pelo avesso, uma espécie de revolução social sem armas, em que miseráveis virariam pobres, pobres seriam promovidos à classe média, ricos perderiam privilégios e a estrutura social e econômica do País mudaria gradativa e radicalmente. Sempre para melhor. Muitos brasileiros acreditaram nisso e expressaram sua confiança no voto, elegendo o PT por quatro mandatos e 16 anos de poder.


Mas Lula e sua seguidora Dilma Rousseff se esqueceram de um imprescindível detalhe: para dar certo, seria necessário recriar o Estado, tirá-lo das garras de privilegiados que avançam sobre seus cofres sem nenhuma cerimônia, de empresários que bajulam e corrompem o poder para obter vantagens, de grupos corporativos que ganham verbas e favores no grito, de uma classe política que está no governo mais para enriquecer e fazer caixa para a próxima eleição do que melhorar a vida da população. Enfim, preparar o Estado (e 36% da renda do País que vai parar nos seus cofres) para ampliar e qualificar serviços públicos, prover saúde e educação para quem não pode pagar, reforçar programas sociais eficazes do tipo Bolsa Família,investir e estimular investimentos privados em infraestrutura. Enfim, construir um Estado moderno e prepará-lo para servir ao cidadão, sem distinção de classe ou cor, em vez de usar a receita de impostos pagos por 200 milhões para distribuir privilégios para poucos.

Lula e Dilma até poderiam ter a intenção, no início, mas erraram muito nestes 13 anos, não souberam promover igualdade social nem distribuir a renda simplesmente porque usaram tal intenção não como um fim a ser perseguido, mas um meio, um instrumento para conseguir outro objetivo muito diferente: alongar a permanência do PT no poder (para que, nem eles mesmos sabem responder). Para isso tudo valeu: deixaram a corrupção se espalhar pelo aparelho do Estado (até a estimularam ao distribuir cargos a políticos), quase destruíram a Petrobras,a Eletrobrás e outras estatais, desmoralizaram a gestão pública e incharam o governo de companheiros apadrinhados.

Deu tudo errado. A estrutura do Estado continua intacta, os privilégios e mordomias permaneceram e alguns foram até ampliados. Sobrou incompetência e faltou planejamento na gestão do dinheiro público. E aí veio o previsível, que só os petistas, na ambição de vencer eleição, não enxergavam: o cofre do governo foi se esvaziando, a dívida pública cresceu, vieram as pedaladas fiscais e como ganhar eleição virou um fim em si mesmo. A mentira predominou na campanha de 2014, a população flagrou e sentiu-se manipulada, traída. Hoje, a popularidade de Dilma e de Lula desaba, refletindo a degradação econômica e social do País.

Ainda assim, Lula, Dilma e a propaganda televisiva do PT seguem estufando o peito e bradando que "nunca antes na história deste país" um governo fez tanto pelos pobres. É uma meia verdade. Antes, com o Plano Real, FHC acabou com a inflação, um imposto tirano para os pobres, e abriu caminhos para fomentar investimentos e crescimento econômico, além de plantar as raízes para o Bolsa Família. Depois, Lula e Dilma ampliaram os programas sociais, reduziram a pobreza e geraram uma nova classe média voltada para consumir o que a vida antes lhe negou.

Só que o custo financeiro da ambição de sempre ganhar eleição foi alto demais, acabou por devorar os ganhos sociais, que vêm desaparecendo e ameaçando até a Previdência e o Bolsa Família. A mais recente pá de cal, que não é a última, foi divulgada na quinta-feira pelo IBGE: a taxa de desemprego saltou para 8,7%, mais de 1 milhão de empregos com carteira assinada foram perdidos em apenas um ano e a recessão vai continuar piorando o desemprego e a vida do trabalhador.

Orgulho e teimosia

Nas primeiras cenas do filme Rocky I, chama a atenção a humildade do personagem interpretado por Silvester Stalone, ao confessar para a namorada porque um pugilista fracassado como ele aceitara competir com o campeão do mundo: para aguentar alguns rounds antes de ser fulminado, demonstrando ainda possuir amor próprio. Como se tratava de uma fantasia de Hollywood, o Rocky I quase ganha o primeiro embate e, depois, quando já encena o Rocky 34, não perdeu mais nenhum.

Indaga-se por que a presidente Dilma insiste em continuar no ringue, sendo permanentemente nocauteada pela economia. Por humildade não é, muito pelo contrário. Para demonstrar que poderá virar o jogo e tornar-se campeã pela força de seus punhos, também não, porque essas coisas só acontecem no cinema. Não há recuperação para a incapacidade de seu governo, isto é, a falta de um projeto nacional de vulto, coisa porque todos clamam. Sua renúncia poderia resolver a questão e melhorar o nível do campeonato, mas a humildade revela-se falsa, pois é o orgulho que mantém a presidente de pé. Pouco importa se a assistência protesta por haver pagado caro pelas entradas e estar presenciando um lamentável espetáculo.

Madame também não joga a toalha por teimosia. Por julgar nada dever às arquibancadas nem a seus desesperados treinadores. Parece sustentar que sua missão é de apanhar até o gongo final, importando menos as consequências de seu governo ser posto na lona, junto com ela.

Em suma, orgulho e teimosia geram o impasse atual. PMDB e PT não são os únicos a apresentar alternativas, por sinal conflitantes. Da mesma forma os tucanos e outros partidos sugerem mecanismos capazes de mudar a sorte da luta. Só que a lutadora prefere continuar apanhando, sem mudar de estratégia nem abandonar o tablado...

A semana começa sob a ameaça de mais demissões. Agora será na construção civil e nas obras de infraestrutura antes anunciadas pelos governos Lula e Dilma como a redenção nacional. Até o fim do ano a indústria prevê que mais 100 mil operários perderão o emprego. A primeira iniciativa das empresas em dificuldade é mandar os trabalhadores embora. Não importa quanto tenham faturado nos tempos felizes do lançamento do PAC. Depois das greves que se sucedem em cascata, acontecerá o quê, diante da inoperância do poder público? Sem dúvida, a crise social, porque o desemprego, na realidade, já atinge bem mais do que 10 milhões de assalariados.

Carlos Chagas

Na terra de Vlad

Os jovens romenos sabem que o socialismo é uma mentira, coisa que os nossos não sabem.

Vou embora para a Romênia. Que dá vontade, dá. O país é lindo, os bárbaros da indústria do turismo ainda não chegaram lá (é assim que o filósofo romeno Emil Cioran, radicado em Paris, referia-se ao turismo), a comida é maravilhosa e as mulheres, um encanto. Carregam aquele sorriso doce e generoso que a maioria esmagadora de nossas mulheres perdeu, porque o rosto foi tragado pelo "rancor biopolítico".


A terra de Vlad Tepes (pronuncia-se "tzepesh" e significa "empalador") tem o gosto de terras ainda não "civilizadas". Por exemplo: lá, nossa paranoia com tabaco é quase inexistente. Para um apreciador de charutos cubanos como eu, é um paraíso poder fumar em paz, tomando um aperitivo à mesa.

Aliás, um parêntese. Pousando no Brasil, tomo conhecimento da mais nova moda ridícula em saúde: bacon e salame causam câncer? Daqui a pouco algum prefeito autoritário vai nos proibir de comer bacon e salame, e vão espancar nas ruas pessoas com bacon e salame nas mãos.

O grande Chesterton, intelectual inglês do começo do século 20, bem tinha razão quando dizia que parar de crer em Deus podia deixar as pessoas meio idiotas, porque iriam passar a crer em qualquer bobagem como história, ciência, natureza e política. A capacidade contemporânea de "crendices científicas" ultrapassa de longe a crença muito mais saudável em "las brujas".

Minha avó, uma das primeiras "suffragettes" do Brasil (protocolou seu primeiro pedido de direito ao voto feminino em 1927), sábia e discreta como as avós "antigas" eram, dizia que boato causava câncer. Sei que as chatinhas de plantão devem estar chocadas com a ideia de que corre sangue nobre (o sangue de uma das primeiras suffragettes do Brasil) em minhas veias. Mas a vida é mesmo cheia de surpresas, não? Só espíritos grosseiros acham que "entendem" o mundo.

Vlad, que viveu no século 15, é um herói nacional romeno, por isso, apesar de os romenos ganharem dólares com o Conde Drácula, criado por Bram Stoker no final do século 19, eles odeiam o que fizeram com seu "empalador" de turcos e bandidos comuns. Na história da Romênia, Vlad é conhecido pela sua crueldade na resistência às invasões turcas otomanas. Para muitos, ele deveria ser visto como um defensor medieval da cristandade.

O título "Drácula", dado por Bram Stoker, tem raiz na sua história verdadeira: seu pai fora membro de uma ordem de místicos guerreiros cujo símbolo era um dragão ("drak" em romeno). Seu filho Vlad, então, recebeu o título de "filho do dragão", Drácula. Interessante observar que a palavra "drak" em romeno evoluiu ao longo dos anos e agora significa "satanás". Bram Stoker não estava de todo enganado...

Os romenos são mesmo um povo místico. A crença nos "strigoi" (o vampiro sendo um deles), uma espécie de alma penada, produz um sentimento de que o mundo é habitado por forças invisíveis, passionais e inteligentes, sempre meio incontroláveis. Cioran dizia que seu povo era fatalista, corajoso e cético para com as "invenções modernas".

O senso de humor romeno é marcante. Você pode, por exemplo, topar com fotos enormes de mulheres lindas em banheiros masculinos em meio aos Cárpatos. Detalhe delicado que lembra aos homens a beleza da vida mesmo em momentos improváveis.

Mas falemos de coisas mais "sérias" (não na minha opinião). Outra coisa que encanta nos romenos (em particular nos jovens) é sua saúde mental: sabem que o socialismo é coisa de mentiroso, corrupto e autoritário, coisa que nossos jovens, coitados, submetidos a tortura mental já no ensino médio e no Enem, ainda não descobriram.

Às vezes penso que teria sido melhor se os falsos guerrilheiros da democracia da "luta armada" durante a ditadura tivessem vencido (a "luta armada" nunca foi uma luta pela liberdade, mas sim uma luta por outra forma de ditadura, a soviética). Se nossos comunistas tivessem vencido, teríamos virado uma ditadura como Cuba, mas, hoje, talvez, estivéssemos curados, como os jovens romenos estão.

Você consegue imaginar uma aula de história em que se ensine história, e não alguma bobagem marxista?

Números não mentem: a situação do país é assustadora

Os mais recentes números divulgados por diversas instituições do governo podem ser vistos como um resumo do desastre da administração Dilma Rousseff. Qualquer que seja o indicador analisado, a constatação é assustadora. Vamos começar pelo desemprego.

Nos últimos anos, o que mais se ouviu do PT, o partido de Dilma, foi que a prioridade de qualquer governo deveria ser a proteção ao trabalhador. No período em que o país cresceu de forma contínua com a inflação sob controle, realmente o mercado de trabalho se expandiu de forma espetacular. Com taxas abaixo de 5%, o Brasil flertou com o pleno emprego.

Diante da decisão de Dilma de romper com a estabilidade e flertar com a inflação, o quadro começou a mudar — e para pior. Com a recessão batendo às portas do país, as empresas passaram a demitir. A cada mês que a economia afundava, o desemprego se mostrava mais presente.

No trimestre terminado em agosto, constatou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o índice de desocupação atingiu 8,7%, o nível mais elevado da série histórica da Pnad Contínua. Em 12 meses, 2 milhões de trabalhadores foram mandados embora. Somente entre junho e agosto, o mercado de trabalho se fechou para 647 mil pessoas. No total, 8,8 milhões de brasileiros estão sem qualquer fonte de renda.

O salário médio dos trabalhadores também não resistiu. Nos cálculos do IBGE, recuou 1,1% entre junho e agosto ante os três meses anteriores. Quem ainda está conseguindo uma vaga no mercado formal está sendo obrigado a aceitar rendimentos menores, mesmo que a qualificação seja elevada. Ou é isso, ou é o desemprego.

Boa parte desse quadro desapontador tem a ver com a situação das contas públicas. Na avaliação dos agentes econômicos, enquanto o governo não arrumar as finanças do país, não haverá perspectiva de melhora. Semana passada, o secretário do Tesouro Nacional, Marcelo Saintive, afirmou que, somente neste ano, o rombo do Tesouro Nacional será de R$ 110 bilhões.

Nem bem esse número foi divulgado, outras previsões surgiram, como a do deputado Hugo Leal, relator, no Congresso, do projeto de revisão da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) deste ano. Ele já fala em um buraco de R$ 117,9 bilhões. Essas divergências nos números só confirmam o quando as finanças do país então em frangalhos.

A falta de um ajuste fiscal consistente, que permita a volta da confiança no país, levou o Banco Central a engrossar a estatística do desastre de Dilma. A instituição admitiu, na ata do Comitê de Política Monetária (Copom), que não sabe quando a inflação voltará para o centro da meta, de 4,5%. Por isso, os brasileiros devem se preparar: os juros de 14,25% ao ano, que já são os maiores do mundo, podem subir mais.

Tal possibilidade foi reforçada pelo presidente do BC, Alexandre Tombini, em conversa com deputados da Comissão de Finanças e Tributação. Segundo ele, quanto mais o governo demorar para ajustar suas contas, mais caro o país pagará. A autoridade monetária deu outro recado importante: na média, a energia elétrica subirá 51% neste ano e a gasolina, 15%.

Não se pode esquecer que, para iludir os eleitores e garantir a reeleição, Dilma prometeu que as tarifas de energia do Brasil estariam entre as mais baratas do mundo. O que se vê, porém, é exatamente o inverso. No caso da gasolina, o governo represou o preço o quanto pôde para evitar que a inflação estourasse o teto da meta, de 6,5%. Bastaram os reajustes acontecerem para que a inflação disparasse para 10%
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A natureza humana contra a mãe natureza

A mãe natureza está mandando sinais. O ano de 2015 caminha para ser o mais quente da história. Há algumas semanas, o furacão Patrícia, o mais forte já registrado pelos meteorologistas, gerou ventos de 320 quilômetros por hora, um recorde.

Segundo a ONU, o número de tempestades, inundações e ondas de calor está cinco vezes maior que em 1970. Apesar de este aumento certamente se dar porque agora temos mais informações do que naquela época, todos os estudos evidenciam como os fenômenos climáticos extremos estão mais frequentes: temperaturas extraordinariamente altas ou baixas, chuvas torrenciais, secas, incêndios, etc. O número de pessoas desabrigadas por causa de desastres climáticos não tem precedentes e supera a quantidade de desabrigados por conflitos armados.

Um recente estudo concluiu que até o final do século alguns centros de população do golfo pérsico “experimentarão níveis de calor e umidade intoleráveis para os humanos”. O sudeste asiático também está exposto a esse tipo de ameaça. Nessas análises, “intolerável” não significa muito incômodo; significa que ficar ao ar livre por algumas horas implicará risco mortal.


Depois de décadas de debates, os cientistas concluíram que essas mudanças climáticas se devem ao aumento das emissões de gases produzidos pela atividade humana. Ainda existem céticos que duvidam disso, mas são cada vez menos. E em alguns casos, o ceticismo é nutrido por “estudos científicos” tendenciosos financiados por atores que seriam prejudicados caso o mundo decida mudar a maneira como produz e consome energia. E sabemos que, até agora, o mundo não se mostrou capaz de atuar com eficácia para modificar sua desastrosa trajetória em relação ao aquecimento global.

Mas essa inação diante de uma crise cada vez mais óbvia não se deve, em essência, às manipulações de empresas e países que querem proteger seus interesses às custas do bem de todos.

Deve-se à natureza humana.

É muito difícil alterar hábitos e costumes. Todas as investigações mostram que a grande maioria dos que começam uma dieta para baixar o peso a abandonam antes de alcançar seu objetivo. Quem já tentou deixar de fumar sabe o quanto isso é difícil, devido ao vício que é a nicotina. Também sabemos que não há nada mais eficiente para modificar hábitos, dietas e estilos de vida pouco saudáveis do que um infarto que não nos mata. Em muitos, esse susto produz mudanças positivas que pareciam impossíveis. Será que necessitamos de um grande susto coletivo para mudar a forma com a qual nos relacionamos com nosso planeta?

Os sinais que a natureza está nos enviando não são suficientes? Até agora, não. Mas tudo indica que chegará um infarto climático que obrigará a humanidade a fazer uma dieta para a qual não está preparada.

O vício que o mundo tem hoje em dia pelo consumo de carbono é tão difícil de romper quanto o vício com o tabaco, o açúcar ou o álcool que algumas pessoas têm. A maneira como iluminamos, aquecemos ou esfriamos nossas casas e escritórios, nossos meios de transporte ou os produtos que consumimos — de plásticos a hambúrgueres — implicam um alto consumo de carbono que, uma vez emitido à atmosfera como CO2, contribui para aquecer o planeta e enlouquecer o clima. E isso tem que mudar.

Se é difícil uma pessoa manter uma dieta, é ainda mais que muitos países façam isso coletivamente. É complicado para todos. Por isso, alguns países trapaceiam. Outros pedem que a dieta dos mais gordos seja mais severa que a dos mais magros. E outros exigem que os países que desde a revolução industrial estão contaminando o planeta e sua atmosfera sejam os responsáveis pela dieta, e não aqueles que ainda estão se industrializando.

A primeira conferência mundial sobre o meio ambiente aconteceu no Brasil, em 1992. A próxima terá lugar em Paris, daqui a algumas semanas. Entre elas, houve muitas outras reuniões e muito pouco progresso. A reunião de Paris promete ser a que mais conseguirá avanços e é provável que seja assim mesmo.

No entanto, mesmo que seja bem-sucedida, as metas planejadas para a redução de emissões estão abaixo das necessárias para evitar que a temperatura aumente a níveis perigosos. Dessa forma, a inércia da natureza humana continuará desafiando a mãe natureza. E não importa que saibamos que, no final, a mãe natureza sempre vence.

Lula, o milionário conferencista


Em quatro anos, apenas como conferencista, segundo a revista ÉPOCA, Lula declarou à Receita Federal que recebeu 27 milhões de reais.

Ao dólar no valor médio de 2,20 reais, que vigorou no mesmo período, ele ganhou o equivalente a 12 milhões e 272 mil dólares em números redondos.

Ou 3 milhões e 68 mil dólares por ano. Ou 255 mil, 681 dólares por mês.
Hoje, com o dólar a 3.85 reais, Lula teria recebido 984.374 reais por mês. Ou 32.812 reais por dia. 

Ou ainda 1.367 reais por hora, acordado e dormindo.

domingo, 1 de novembro de 2015

Halloween-no-brasil

Lula assume o comando geral

Lula cumpriu o que se propunha a fazer em sua viagem a Brasília na quinta-feira: assumiu de fato o comando do PT e do governo. Para botar tudo em pratos limpos, reuniu-se com o Diretório Nacional do partido e, à noite, no Palácio da Alvorada, com os ministros que colocou no Planalto, mais o seu preposto na presidência do PT. A presidente Dilma Rousseff também estava presente. Diante dos correligionários usou e abusou de seus melhores recursos retóricos para estabelecer as novas diretrizes para tempos de guerra. Fez pose de herói e de vítima, deu conselhos e aplicou reprimendas, divertiu-se com a ironia e o deboche, permitiu-se a modéstia e a humildade, explodiu em ímpetos de valentia, tudo junto e misturado. Nos aplausos que recolheu deve ter encontrado consolo para a decadência de seu prestígio no mundo real, no qual 54% dos brasileiros afirmam que “de jeito nenhum” votariam nele em 2018.


Ordenou Lula ao PT: chega dessa história de falar mal do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha. Levy, Lula sabe, é necessário para fazer o ajuste fiscal, botar as contas do governo em ordem e dar um jeito na lambança que “Dilminha” promoveu em seus primeiros quatro anos de desgoverno. Assim, conformem-se por enquanto os petistas e filopetistas remanescentes, porque “as coisas estão difíceis, mas vão melhorar”.

Quanto a Eduardo Cunha, Lula também sabe, é importante para evitar que progridam as tentativas das “elites” de promover o impeachment de Dilma. Até hoje a chefe do governo só fez e falou bobagens, mas agora ela está sob controle e é necessário que permaneça onde está para permitir que seu padrinho dê um jeito nas coisas para chegar a 2018 com alguma chance de se candidatar mais uma vez ao posto que nunca deveria ter deixado. Portanto, nada de ficar falando em contas na Suíça e irrelevâncias desse tipo, até porque não se deve “prejulgar” ninguém.

Para dramatizar a necessidade de apoio ao ajuste fiscal e enquadrar o PT, que se inclinava a formalizar um pedido de afastamento de Joaquim Levy e divulgar críticas à “política econômica” de Dilma, na reunião do Diretório Nacional Lula não teve o menor constrangimento de dar o dito por não dito. Ele afirmara, dias antes, que o ministro da Fazenda tinha “prazo de validade”. Também admitiu, pela primeira fez publicamente, o estelionato eleitoral praticado no ano passado: “Ganhamos as eleições com um discurso e, depois, tivemos que mudar o discurso e fazer o que dizíamos que não íamos fazer. E isso é um fato”. Essa confissão dá bem a medida dos extremos a que Lula está disposto a chegar para evitar o naufrágio do projeto de poder do PT, que faz água por todos os lados desde que, ao assumir o segundo mandato, Dilma meteu na cabeça que teria competência para assumir sozinha o comando político do governo.

Falando aos petistas como se já fosse candidato à Presidência, Lula preocupou-se também em minimizar a importância do cerco da Polícia e do Ministério Público Federais a si e a sua família, como consequência do inevitável surgimento de suspeitas a respeito da repentina prosperidade do clã Da Silva. Na falta de melhores argumentos, apelou para o deboche: “Disseram que uma nora minha recebeu R$ 2 milhões. Aí, vão perguntar quem é rico na família. Daqui a pouco uma nora entra com um processo contra a outra para ter o dinheiro repatriado”.

Dilma e Lula

Além da participação na reunião do diretório petista, Lula almoçou com a liderança do PCdoB, a sempre fiel linha auxiliar do PT, onde repetiu os principais pontos de seu pronunciamento aos petistas. À noite, jantou no Palácio da Alvorada com Dilma, os ministros Jaques Wagner, da Casa Civil, e Ricardo Berzoini, da Secretaria de Governo, além do presidente nacional do PT, Rui Falcão. Em todas essas ocasiões ressurgiu em grande estilo a prodigiosa metamorfose ambulante – expressão cunhada por ele próprio para demonstrar que se considera acima do Bem e do Mal. Era o líder populista que não tem o menor escrúpulo de falar apenas o que acredita que as pessoas querem ouvir ou o que as circunstâncias políticas exigem. Está aí o homem que governa de novo o País, agora e mais uma vez sem intermediários.Editorial - Estadão

É a educação, gente!


O debate político brasileiro está dominado por duas visões maniqueístas: uns não percebem os custos institucionais da derrubada de uma presidente eleita, mesmo dentro da Constituição, nem os riscos dos anos seguintes, mesmo com novo presidente; outros ignoram o esgotamento da credibilidade do atual governo e sua presidente, desmoralizada por falsas promessas, incompetência na gestão da economia e contaminação pela corrupção ao redor.

Ambas visões não percebem os riscos de o Brasil ingressar em um período de decadência, seja em função da continuidade de um governo que já nasceu condenado por seus erros, seja devido a um governo com um nome novo mas sem novidade para os rumos do Brasil.

Este debate imediatista está custando ao Brasil não enfrentar os grandes desafios de um país que, mais uma vez, perde a chance de usar seu maior recurso, sua população educada, para fazer-se uma nação eficiente, justa, democrática, com protagonismo no cenário mundial.

No lugar de avançar, entendendo a realidade do mundo global (economia baseada no conhecimento, limites ao crescimento, cooperação entre setores público e privado, fontes alternativas de energia, responsabilidade fiscal), continuamos no velho modelo — protecionismo fiscal à indústria, desprezo à inovação, consumo em vez de poupança e investimento, ocupação depredadora do território, antagonismo entre Estado e setor privado, governos quebrados. Em consequência, no lugar de enfrentarmos a crise, estamos caminhando para uma decadência histórica.

As indicações dessa decadência estão na violência generalizada que já começa a desagregar o tecido social brasileiro; está em uma política sem partidos, sem propósitos, sem ética, onde a juventude não vê políticos como líderes admirados, mas como aproveitadores de recursos públicos; está em uma economia que se desindustrializa, sem dar os passos para um PIB baseado na alta tecnologia, sem competitividade, produtividade e capacidade de inovação; está nas finanças públicas condenadas pela própria Constituição a gigantescos déficits provocados por gastos com o passado: os pobres que não emancipamos, um sistema de aposentadoria insustentável, uma dívida financeira impagável; um país sem recursos financeiros para construir seu futuro.

Cada um destes problemas exige reformas profundas, mas todos eles dependem de educação de qualidade para todos. Por isso, ao assistirmos ao debate atual entre impeachmistas e antiimpeachmistas, vale a pena lembrar o que disse James Carville, chefe da assessoria do então candidato Bill Clinton, ao interromper a discussão entre assessores sobre qual era o principal problema dos EUA: “É a economia, estúpido!”.

A continuação ou a interrupção do mandato da presidente Dilma não será suficiente para trazer saída à crise e evitar a decadência, se não entendermos que, para o Brasil: “É a educação, gente!”

O PMDB próximo da revogação da Lei Áurea


A semana que passou entrará na crônica política como aquela em que as máscaras caíram. No caso, do PMDB, ao apresentar um elenco de propostas ditas para tirar o país da crise, mas, na verdade, feitas para favorecer os já bem favorecidos, sem a menor intenção de debelar as agruras do trabalhador, a começar pelo desemprego em massa. Pelo contrário, a conta continuará indo para os assalariados, em especial os de baixa renda. Assim como para os sem-renda e sem-salário.

Significará o quê extinguir as indexações ao salário mínimo dos benefícios sociais, inclusive os previdenciários? Apenas, nivelar por baixo a maioria da população já exposta ao aumento de impostos, taxas e tarifas dos serviços públicos, sem falar no custo de vida.

Proibir as aposentadorias para mulheres com menos de 60 anos, e para os homens abaixo dos 65, exprime a imposição do trabalho forçado à legião que no campo e nas cidades começou a ganhar a vida aos doze anos ou menos. Trata-se da revogação da Consolidação das Leis do Trabalho, último refúgio do operário e do camponês.

Outra conquista social vai por água abaixo: a obrigação constitucional de gastos mínimos com Educação e Saúde. Os governos aplicarão o que quiserem nesses dois setores até agora beneficiados com recursos públicos. Quem sabe dessa vez circulará o trem-bala?

Presidentes da Republica, governadores e prefeitos ficarão proibidos de custear suas administrações com recursos superiores ao crescimento do PIB, ou seja, revoga-se o instituto do crédito. Menos, é claro para o sistema financeiro.

Transferir para a iniciativa privada ativos e concessões nas áreas de infraestrutura e logística significa afastar o poder público de suas atribuições, ampliando-se ao infinito as privatizações do patrimônio nacional. Melhor dizendo, naquilo que restou da rapinagem promovida por Fernando Henrique, Lula e mesmo Dilma.

Até os entendimentos que garantem a soberania e a independência dos países da América Latina serão extintos, com a imposição de acordos regionais de comércio com as nações ricas do Hemisfério Norte. Volta-se aos tempos do colonialismo.

Pior ficará a vida do trabalhador com a prevalência das convenções coletivas sobre as leis trabalhistas. Não fica difícil prever o resultado dessas convenções onde o peso empresarial sempre será maior do que o operário. Afasta-se conquista que vem dos tempos de Getúlio Vargas, em favor do diálogo entre a guilhotina e o pescoço.

E vão por aí as sugestões do partido que um dia representou a modernidade democrática e social. Estivesse entre nós o Dr. Ulysses e certamente estariam expulsos os autores dessa carta de rendição ao que de mais sórdido apareceu nas relações entre o povo e o partido. Ninguém se espante se a próxima proposta do PMDB vier a ser a revogação da Lei Áurea…

Tão diferentes, tão iguais

Eles são os maiores partidos do país, têm as maiores bancadas no Congresso Nacional, por duas vezes consecutivas emplacaram a mesma dobradinha na Presidência e na vice-presidência da República. Mas vivem às turras. Parceiros de eleição e reeleição, PT e PMDB se diferem e se igualam em quase tudo. São e estão no governo. E se opõem a ele.

Ambos abusam da mania de cobrir com vestes de interesse nacional o olhar fixo que têm em seus próprios umbigos. A “Resolução política sobre a conjuntura”, aprovada pelo Diretório Nacional do PT, dia 29, e o documento “Uma ponte para o futuro”, liberado pelo PMDB na mesma quinta-feira, mais uma vez provam isso.
São textos opostos, impossíveis de conviver sob o mesmo teto. Aplicar qualquer um deles obrigaria o expurgo do outro. Algo que até podem desejar, mas que não está na conta nem do PT – que precisa alucinadamente dos peemedebistas, mesmo que só possa contar com alguns deles -, nem do PMDB, que depois de galgar os melhores postos do primeiro escalão avança ávido sobre os segundo e terceiro.

Na prática, nem o PT pretende aplicar as teses do século XIX expostas em sua resolução, nem o PMDB tem como fazer valer as ideias impressas, a maior parte delas muito semelhantes às expressas por Armínio Fraga, economista que Aécio Neves chegou a anunciar como seu ministro da Fazenda caso vencesse Dilma Rousseff.

Com alarmismo quanto ao avanço das forças retrógradas de direita, que estariam interessadas em desestabilizar o país e, em especial, penalizar o ex Lula, o PT pretende, com a sua resolução, atrair o público que até pouco tempo era cativo e já não lhe é fiel.

Já o PMDB, partido que integrou todos os governos desde a redemocratização, sempre soube quando e a quem apoiar. Mais ainda, a hora precisa do desembarque.

Na campanha de 2014 se postou ao lado de Dilma e, portanto, contra as propostas tucanas que agora defende. Diante do fracasso da presidente, das crises econômica e política, quer sair bem na fita. Posa como salvador da pátria, como agremiação que se preocupa com os destinos do Brasil.

Em seu documento, defende o óbvio – responsabilidade fiscal, controle de gastos e privatização da infraestrutura -, mas fica caladinho quanto aos protagonistas na mais grave crise ética do país. Não dá um pio sobre Eduardo Cunha, atolado até muito acima do pescoço com múltiplas contas na Suíça, sobre Fernando Baiano e a Operação Lava-Jato.

O presidente da Câmara é um caso à parte. Cunha manipula não só a presidente Dilma, a quem pode impor o processo de impedimento do mandato, o PT e o PMDB, mas também a oposição – PSDB e DEM à frente. Hoje, a dinâmica da política está nas mãos dele.

Aqui, mais um traço em comum. Ao PT de Lula, que já deu a ordem para que não mexam com Cunha, e ao PMDB, que finge que não é com ele, nada melhor do que ter a oposição como cúmplice da imoralidade.

PT e PMDB agradecem.

O cerco à corrupção


Ponto um: o Brasil sairá mais limpo da crise. Ponto dois: a semente da ética na política, mesmo sob seca intermitente na roça congressual, vicejará. Ponto três: a tão ansiada renovação de quadros começa a se vislumbrar. Ponto quatro: a gestão pública vai encontrar, mais cedo ou mais tarde, o caminho da eficiência. Ponto cinco: o Brasil tem jeito.

Para começo de conversa, é oportuno lembrar que a maior herança maldita a que tanto governantes se referem quando iniciam suas administrações é coisa do passado. A diferença é que, hoje, ela é registrada por câmeras em ambientes federais, estaduais e municipais, exibida em documentários com roteiro e atores. De falas comprometedoras a dólares na cueca, já vimos quase tudo.

O fato é que o DNA das 15 capitanias hereditárias em que o Brasil foi dividido, em 1534, por D. João III, ainda se faz presente, hoje, nas 27 unidades federativas e nos mais de 30 entes que povoam a constelação partidária. Ao serem flagrados no mensalão e no petrolão, enfiando propina nas contas (aqui e no exterior) e articulando negócios de grupos, parceiros de alto coturno continuam a transformar o espaço público em extensões de suas cozinhas.

Interessante é observar que os desmandos na administração pública ocorrem sob estruturas e controles desde os tempos da Colônia. Em 1549, o velho Tomé de Souza, ao instalar o governo geral, deu forte demonstração de sua autoridade. Mandou amarrar um índio acusado de assassinar um colono em Salvador (BA) na boca de um canhão, que o fez em pedaços pelos ares. O ato ficou no espetáculo. A criminalidade, em vez de diminuir, se expandiu.

Ao tomar posse como regente do Império, em 1835, Diogo Feijó prometia um governo infatigável na meta de executar as leis penais. Brandia o refrão: "A impunidade deve cessar". Pretendia o regente pôr um fim à cultura do perdão que fincou raízes no País desde os tempos (1534/1536) em que o rei de Portugal, d. João III, para incentivar o povoamento do território, estabelecia que nenhuma pessoa poderia "ser presa, acusada, nem proibida, nem forçada, nem executada de maneira alguma", com exceção de crimes cometidos por heresia, traição, sodomia e moeda falsa.

O esforço de Feijó foi em vão. De lá para cá, o epíteto de "campeão da impunidade" tem sido recorrente para caracterizar os nossos Trópicos.

As tentativas de ajustar os ponteiros da justiça na área criminal se defrontam com obstáculos de difícil travessia, entre os quais se contabilizam mazelas que abrigam o ethos nacional: patriarcalismo, mandonismo, grupismo, familismo.

Dispomos, hoje, de um fato arsenal para combater a corrupção, a partir da Lei de Responsabilidade Fiscal, que proíbe gastos acima dos orçamentos dos entes federativos. Já o art. 37 reza sobre a administração pública direta e indireta nas esferas dos Poderes, pregando os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Há o Decreto Lei 201/67, que estabelece a responsabilidade de prefeitos e vereadores. A Lei 8.027/90 expõe normas de conduta de servidores públicos civis.

Há ainda a Lei 8.429/92, que regula as sanções aplicáveis aos agentes públicos em casos de enriquecimento ilícito no exercício de mandato, cargo e função na administração pública.

Por último, a Lei 8.730/93, tratando da obrigatoriedade de declaração de bens e ren­das para o exercício do cargo.

Bem, essa é uma parcela do cipoal legal.

Na outra banda, vemos os organismos de controle e investigação. O Ministério Público procura pegar desmandos gerais dos Poderes, fiscalizando o cumprimento das leis e defendendo os interesses da sociedade.

Temos Comissões Parlamentares de Inquérito, sob responsabilidade do Poder Legislativo, instrumento que geralmente acaba contaminado por vieses partidários, servindo de escudo a interesses personalistas. (Veja-se essa CPI da Petrobras, que acabou sem grandes resultados). Já a Polícia Federal, diligente e proativa, mostra disposição para investigar ilícitos, enquanto juízes atentos expendem mandados de busca e apreensão.

Dito isto, vale perguntar: se há leis, entidades respeitáveis para torná-las eficazes e até disposição política para se implantar o império da lei e da responsabilidade, por que a corrupção no País se alastra?
Qual a razão deste fenômeno se abrigar com tanta força nos domínios de um governo de quem se esperava ser o símbolo da ética e da moral? (Não era assim que o PT se apresentava há 30 anos?)

Tentemos responder: a cultura política brasileira acaba driblando a rigidez do estado legal. Há sempre uma saída, uma alternativa, uma composição capaz de abrir os vãos da flexibilidade na interpretação e na aplicação da lei, na punição dos condenados pela justiça e no próprio encaminhamento de processos e recursos. Ademais, só mais recentemente o Judiciário ganhou a admiração social. A justiça ainda é considerada lerda.

Outra resposta: os governos não têm podido conter a avalanche que inunda os currais do presidencialismo de coalizão. Soçobrariam caso continuassem fechados. Veja-se a situação atual. O governo abriu flancos e escancarou alianças. Os sôfregos partidos aliados, aproveitando-se da inapetência política da governante, passaram a reivindicar espaços maiores. O descontrole impera.

A res publica torna-se coisa repartida entre aliados. A corrupção avança. E, de tão flagrante, deixa-se mostrar. Descobre-se gigantesca rede de corrupção solapando as bases do Estado.

Impressiona a desfaçatez com que dirigentes querem se livrar dos malfeitos.

Para alguns, nunca o Brasil foi tão ético e moral. A dirigente exclama: “em meu governo não há corrupção”. Se ocorriam escândalos, não eram do conhecimento do governo.

Mas, e as licitações realizadas, a teia de negócios, as operações verticais mostrando o fluxo hierárquico da gatunagem, ocorreram ou não na esfera da administração? É crível supor que nada disso era do conhecimento do governo?

O sábio Millor

Malabaristas de esterco

Da oposição em Brasília aos líderes de protestos, nenhum adversário relevante do PT denuncia que o grande problema de Dilma não é gerencial ou administrativo, mas mental.

Em 2003, Jair Bolsonaro concedia entrevista à RedeTV!, no Salão Verde do Congresso. Defendia a redução da maioridade penal e a prisão dos menores Champinha e Pernambuco, que mataram um jovem e estupraram a namorada dele durante mais de três dias, antes de esfaquear e degolar a menina.

Em uma inversão psicótica, que só mesmo um esquerdista seria capaz de fazer, Maria do Rosário, que no plenário defendia um bom tratamento do Estado à dupla Champinha e Pernambuco, aproxima-se de Bolsonaro e da equipe da RedeTV! e começa a dizer que o deputado carioca promovia o estupro. Bolsonaro pede para o cinegrafista filmar a deputada e pergunta:

– Eu sou estuprador agora?

Ao que Maria do Rosário responde:

– É. É.

A réplica de Bolsonaro vem num sarcasmo hiperbólico:

– Eu não ia estuprar você porque você não merece.

A partir daí, Maria do Rosário, após apresentar-se como uma provocadora das mais ralés, dispara sua já conhecidíssima metralhadora de lamúrias e auto-vitimização.

Desde então, tem-se feito de tudo para colar em Bolsonaro a pecha de apologista do estupro, machista etc. Sabe-se que ele jamais chegou perto de estuprar alguém e que ele disse que não estupraria Maria do Rosário. Mas pouco importa o que dizem ou fazem os inimigos da esquerda. Dispondo dos mais potentes veículos de comunicação do país, os histéricos esquerdistas não se constrangem em proceder com malabarismos lingüísticos quando o negócio é detonar um adversário – ou proteger um aliado. Como exemplo desse outro extremo a que vão os malabaristas da esquerda, pensemos nos duplo-twist-carpados de articulistas de Zero Hora, Folha, Estadão, Globo, Globo News, enfim, de toda grande mídia, quando o assunto é amenizar as insanidades ditas por Dilma Rousseff.

* * *

Recentemente, a presidente sugeriu que se estocasse vento, a fim de obter energia elétrica. Imediatamente, o exército da relativização esquerdista tratou de atenuar a besteira dita por Dilma. A mesma trupe que viu todo tipo de intenções escusas e mal-disfarçadas no deboche grosseiro de Bolsonaro enxergou uma profunda compreensão científica e tecnológica na sugestão da ex-guerrilheira. E este é apenas um exemplo; a cada estupidez dílmica, os artistas circenses da insanidade disparam seu arsenal de relativizações.


A trupe tem sugerido que Dilma pode estar certa, pois é possível mesmo reservar energia eólica, ou mesmo gerar energia com ar comprimido estocado... Sim, tudo isso é possível, mas Dilma não faz a menor idéia disso; aliás, Dilma não faz idéia de como se começa e termina uma oração em seu próprio idioma. A fala da presidente deixa claro que ela sugere literalmente a captação de vento para uso posterior; a comparação que ela faz com a energia hidrelétrica acaba com qualquer dúvida. Todavia, assumamos a mesma bondade dos malabaristas lingüísticos (que, não por acaso, são também defensores das maquiagens contábeis, das pedaladas fiscais) e consideremos que Dilma tenha pensado em dizer o que eles explicam: o simples fato de ela articular a proposição com menos habilidade do que um papagaio o faria já é vexame suficiente.

Toda e qualquer argumentação em defesa de Dilma Rousseff esbarra no fato incontestável e aterrador de que ela não sabe falar. Não me refiro a erros gramaticais ou equívocos semânticos. Isso eu, você, o Lula – especialmente o Lula –, enfim, todos nós cometemos. Refiro-me à comunicação mais básica, simples e direta possível. Quando fala, Dilma parece uma mistura do E.T. do filme com um índio em recente contato com a civilização, após abusar do cachimbo da paz.

Se o indivíduo não apresenta nenhuma deficiência fonoaudiológica e, ainda assim, é incapaz de comunicar-se da forma mais elementar possível, resta claro que sua deficiência é mental. Os deficientes mentais devem ser tratados com amor e respeito, mas isso não significa que devemos ceder-lhes cargos por pura compaixão. “Oh, pobrezinha, não sabe comunicar-se... Vamos fazê-la presidente da República, para compensar seu sofrimento mental.” Não!

De burro, ingênuo, cúmplice, quadrilheiro em potencial e sociopata todo esquerdista tem um pouco. Já a deficiência mental meramente neurológica não é tão recorrente. Bem é verdade que a longa e continuada exposição às inversões psicóticas do esquerdismo podem, sim, prejudicar a saúde mental. Contudo, Dilma Rousseff, infelizmente, está em outra categoria. Ela não é apenas o resultado da psicopatia esquerdista, como o são os pretensos heróis José Dirceu e José Genoíno, por exemplo, ou como o é Lula, que se vangloria de ser analfabeto e se compara a Jesus Cristo. Como petista, Dilma abunda em defeitos éticos e morais, mas seu principal problema é cognitivo – e aí não há retórica que defenda.

Sinto até alguma pena de Rousseff. Só não me dôo em comiseração por que ela é descarada o suficiente para achar que pode liderar qualquer coisa. A estupidez pode ser inata, mas abusar dela é uma opção – e Dilma não respeita suas limitações. Mesmo após falir uma lojinha de R$ 1,99 (no auge desses empreendimentos), aceitou candidatar-se ao cargo máximo da nação; e, depois, à reeleição.

Da minha parte, rogo por urgentes medidas sanitárias. Que nossos impostos sirvam para amparar os hipossuficientes e incapazes, como Dilma Rousseff. Falo sério, de coração na mão. Que deficientes mentais sejam tratados devidamente, mas sem exageros, fora do gabinete da presidência da república.

Aliás, basta sabermos que uma pessoa com evidentes deficiências cognitivas acedeu ao cargo máximo da nação e é defendida por um exército tão ou mais insano para diagnosticarmos a insuficiência moral e intelectual do Brasil. Mas aí percebemos que, da oposição em Brasília aos líderes de protestos, nenhum adversário relevante do PT denuncia que o grande problema de Dilma não é gerencial ou administrativo, mas mental. Não denunciam nem por dever (em defesa da nação), nem por simples, óbvia e honesta estratégia político-eleitoral – uma atitude que alia irresponsabilidade, inépcia, estupidez, covardia e subserviência ao politicamente correto esquerdista.

Ainda tem pior




O pior (para o Brasil) é não acontecer nada
Fernando Henrique Cardozo, em entrevista na tevê

'Anoiteceu, o sino gemeu'

Estamos em outubro mas Papai Noel está sobrevoando com o trenó os céus do Brasil da crise. Não só se enfeitam as lojas. O espírito natalino faz bimbalhar os sinos em Brasília. E o cheiro desse espírito fede longe.

A pacificação entre Dilma e Cunha é a maior mostra de que Natal vai descendo sobre Brasilía. Quem sabe, talvez os dois troquem presentes de amigo oculto de tão imbuídos com os ares de confraternização que envolvem a capital.

Com a cabeça na guilhotina, conseguiram um adiamento da degola. O presidente da Câmara vai empurrando com a barriga e a legião evangélica uma possível queda por falta de decoro. Dilma foi mais longe, com poder maior, conseguindo que as pedaladas de 20124 só cheguem ao Congresso no príximo ano.

Lula, o chefe de quadrilha mais procurado nestes tempos, depois de meses enfim será ouvido pela Polícia Federal, mas como "informante" - de volta a velhos tempos ditatoriais, segundo as más línguas. Ou seja, nenhum risco de prisão quando revelar que não sabe, não viu nada, não ouviu nada.

Também muitos políticos, principalmente de PP e PT, suspiraram aliviados quando o relator da CPI, Luiz Sérgio, distribuiu antecipadamente uma gigantesca pizza da paz. Nenhum foi citado pelo deputado, que seguiu à risca o roteiro das histórias policiais de quinta categoria. O Sherlock Holmes de bigodes descobriu que o culpado pelo petrolão é o mordomo, ou seja, o ex-tesoureiro do partido, João Vaccari.

Lulinhazinho é outro que parece abençoado pelas graças natalinas. Agora ganhou definitivamente a blindagem governamental, a pedido desesperado do paizão Pìxuleco, que deve ser estendida também a Lulinha. Pixulequinho passou para o rol dos protegidos pelo governo como os filhos de ditaduras num flagrante e criminoso rasgar da Constituição. Passa a vigorar no país, o v elho lema: Quem tem progenitor na "famiglia" não morre pagão.
Com tão farta distribuição de benesesses natalinas para os alcunhados poderosos, há de se suspeitar seriamente do grande benemérito. Papai Noel, com aquela roupa vermelha, não engana mais ninguém e descaradamente presenteia seus cumpañeros.

Resta-nos cantar: 
"Já faz tempo que pedi
Mas o meu papai noel não vem
Com certeza já morreu
Ou então felicidade
É brinquedo que não tem...

Plantação de bananeiras

Há poucos dias, ao ler que a churrascaria Plataforma está fechando, me veio uma lembrança de Tom Jobim, que durante muito tempo ia lá quase todo dia, fazendo do local uma extensão de sua casa. Adorado pelos garçons (e por qualquer pessoa que o conhecesse de perto), o maestro gostava de ficar um tempão sentado à mesa, bebericando e conversando.

Nesses bate-papos, dizia coisas provocadoras e divertidíssimas. Fazia diagnósticos originais sobre o Brasil, que amava com toda a dor de seu coração. Dizia, por exemplo, que o Brasil não é para principiantes. Ou que é um país úmido demais, e nele tudo se estraga fácil, mais depressa que qualquer fruta: pode às vezes passar logo do promissor para o podre, sem chegar a amadurecer. Ou constatava que no Brasil fazer sucesso é ofensa pessoal.


Uma dessas frases vinha acompanhada do gesto de mostrar as colunas do salão, que ostentavam uma estranha pintura a subir e se ramificar pelo teto, como se fossem galhos se espalhando lá em cima, mas sem a correspondente folhagem que constituiria a copa da eventual árvore. Acabavam parecendo raízes que buscavam o alto, em vez de se aprofundarem no solo. Tom apontava e dizia:

— Igualzinho ao Brasil, olha só.

Para quem estranhasse, explicava melhor:

— O Brasil é um país de cabeça pra baixo. É só olhar no mapa pra ver. Aquela coisa enorme, tentando se equilibrar numa pontinha fina.

Enquanto a gente imaginava a base de um triângulo com a Amazônia imensa, ligada a todo o Nordeste, pesando sobre o pobre Arroio Chuí, na pontinha do Rio Grande do Sul, ele repetia:

— Um país de cabeça para baixo. Fica difícil...

Se fosse paulista, talvez falasse num país de ponta cabeça. De qualquer jeito, de pernas para o ar. Plantando bananeira. Algo como uma realidade invertida, um outro lado do espelho. Um negativo da foto. Uma sociedade pelo avesso.

A toda hora os fatos comprovam que o maestro tinha razão. Passemos por cima das críticas de Lula e do PT ao ajuste fiscal necessário, proposto pelo ministro da Fazenda de seu próprio governo. E da certeza de contarem com os votos da oposição, nesse afã destruidor. Tudo ao contrário do que deveria.

Ainda esta semana, a divulgação do depoimento de um colaborador da Lava-Jato confirma essa plantação de bananeiras: uma reunião com Eduardo Cunha para tratar da cobrança de propina teve de ser interrompida porque colidia com a agenda do deputado que, naquele momento, teria um compromisso religioso. Pasmos, aprendemos ainda que o presidente da Câmara não apenas é um homem com Jesus, mas também põe seus carros de luxo em nome da empresa Jesus.com. Que fim levou o mandamento de não usar Seu santo nome em vão?

E como é que a oposição o apoia, e não toma conhecimento dos documentos arrolados pelo Ministério Público, incluindo as contas não declaradas na Suíça? Como os tucanos não se envergonham de estar entre os aliados do presidente da Câmara? Como explicar que o projeto do mesmo Cunha restringindo o direito ao aborto em caso de estupro seja defendido pelo deputado Evandro Gussi, do PV, partido que se orgulhava de ter a cidadania feminina entre seus valores? E ainda negue que mãe solteira constitui família com seus filhos...

E como o relatório final da CPI da Petrobras, depois de desperdiçar um tempão e um dinheirão, desmoraliza o Congresso e recusa analisar a conduta de parlamentares? Como alega que não é Conselho de Ética, e ainda tem a desfaçatez de atacar o instituto jurídico da colaboração premiada, responsabilizar os investigadores e propor o indiciamento de pessoas que nem sequer foram nominadas? Isso tudo depois de contratar a Kroll por um milhão e mandar parlamentares a Londres pagos pelos nossos impostos.

São infindáveis os exemplos desse país de pernas pro ar. Como frisou o secretário José Mariano Beltrame, é impressionante constatar a indiferença geral diante de tortura e morte de policiais, banalizadas, sem provocar indignação na sociedade, como se devessem ser rotina. Espantoso. Igual ao roubo de armas da polícia dentro de sua própria casa, inclusive o quartel-general e o palácio do governo.

De tanto plantar bananeira, vamos acabar virando uma triste Banana Republic. Acreditando piamente que isso é solução. Afinal, aprendemos no carnaval: banana engorda e faz crescer.
* * *

Não chega a ser de pernas para o ar, mas é uma reviravolta. Quando a presidente Dilma assumiu, no primeiro mandato, a elogiei de público, pela coragem em romper o silêncio do governo Lula e se manifestar contra a sentença de morte por apedrejamento da iraniana Sakineh Ashtiani, condenada por adultério. Agora, quando quem ocupa a Presidência é Dilma, que mostra respeitar a liberdade de expressão no Brasil, ela bem que podia ter uma palavra em defesa do escritor angolano Luaty Beirão, em greve de fome, preso em Luanda com outros, por ativismo contra o regime de José Eduardo dos Santos — no poder desde 1979, propiciando que sua filha Isabel encabece a lista da “Forbes” de hipermilionários africanos.
Ana Maria Machado 

Cardozo acha que Lula tem direito de escolher hora para ser intimado

No último dia do governo Lula, o chanceler Celso Amorim presenteou com passaportes diplomáticos quatro filhos e três netos do chefe. Para justificar a sabujice ilegal, que atendeu a um pedido verbal do pai amantíssimo e avô extremoso, Amorim invocou uma norma que permite ao ministro das Relações Exteriores premiar com o documento “pessoas que devam portá-lo em função do interesse do país”.

Passados quase cinco anos, José Eduardo Cardozo reiterou nesta quinta-feira que também os ministros de Dilma acreditam que todos são iguais perante a lei, mas Lula e seus descendentes são mais iguais que os outros. Num país governado por gente séria, o Ministério da Justiça teria tanto a ver com enrascadas em que se metem parentes de um ex-presidente da República quanto a torcida do Flamengo com a seleção de hóquei sobre a grama do Paquistão.


No grotão desgovernado pelo lulopetismo, Cardozo mandou às favas a altivez, curvou-se à vontade do chefão e interpelou o diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello, por ter perturbado numa hora imprópria o sossego do caçula envolvido em histórias muito mal contadas. De joelhos, o campeão do servilismo quer saber por que Luís Cláudio Lula da Silva recebeu às 11 da noite a intimação para abrir o bico sobre o caso da compra de uma medida provisória.

O ministro acha que a PF agiu “fora do procedimento usual”. Poderia ter feito a gentileza de traduzir o besteirol em juridiquês: “fora do procedimento usual” quer dizer “fora do horário de expediente (e sem a autorização do intimado)”. Todos os cidadãos podem receber essa espécie de visita indesejada a qualquer momento. Menos os Lula da Silva: tal sobrenome exige que os tiras solicitem uma audiência (com pelo menos uma semana de antecedência) e torçam para que a agenda do intimado não esteja atulhada de reuniões suspeitas.

Essa gente precisa estudar Processo Penal urgentemente, sugere o comentarista Nobile, que oferece aos bacharéis de quinta categoria a seguinte lição: “No procedimento criminal, que envolve desde a fase de investigação e inquérito, as intimações podem ser feitas a qualquer hora do dia e da noite, inclusive aos domingos e feriados. É no processo civil que há restrições de horário (das seis às vinte horas), salvo autorização judicial expressa (artigo 172, parágrafo II, do Código de Processo Civil). Portanto, os agentes federais agiram rigorosamente dentro da lei”.

Se subserviência descarada algum dia virar crime, Cardozo não escapará de uma intimação. Tomara que a PF marque a entrega para o meio da madrugada. Ele receberá os agentes da lei com as mesuras de quem sabe que tem culpa no cartório.