domingo, 21 de junho de 2015

Estado, não se meta!

Está em curso, no Ocidente, um enorme projeto de reengenharia da sexualidade humana. É a Ideologia de Gênero, ou da ausência de sexo. O igualitarismo é seu objetivo, e a diferença, o inimigo a ser atacado mediante desconstrução. Para tanto pasme leitor! , sem nenhuma evidência científica, contra o que a observação da natureza revela, seus difusores sustentam que ninguém nasce homem ou mulher, macho ou fêmea.

Afirmam que a sexualidade é uma construção social, sujeita a mudanças, definida e redefinida de inúmeros meios e modos, desde quando o bebê é vestido de tal ou qual cor. Assim, o sexo deixa de ter significado para a definição do masculino e do feminino.

Livre pensar é só pensar, ensinava insistentemente Millôr Fernandes. É livre o direito de teorizar, de ideologizar, de expor teses. O problema é quando se transforma um disparate qualquer em objeto de ação do Estado. Foi o que aconteceu há alguns anos com a produção de material didático sobre sexualidade infantil para distribuição nas escolas. O conteúdo era tão abusivo e tão absurdo, que foi rejeitado pela própria presidente Dilma. Pois aquilo já era produto da Ideologia de Gênero, que pretendeu, posteriormente, se tornar conteúdo obrigatório no Plano Nacional de Educação, o PNE. Quando o projeto do governo foi submetido ao Congresso Nacional, as duas Casas suprimiram todos os dispositivos relativos a esse assunto, mantendo uma regra simples e correta: “erradicação de todas as formas de discriminação”. No entanto, como costumam fazer quando contrariados, os promotores da desconstrução das diferenças buscaram outros caminhos para chegar onde pretendiam. Optaram pelo mais comum. Reuniram-se consigo mesmos noutro fórum e decidiram segundo queriam. Foi o que aconteceu na Conferência Nacional de Educação, quando os mesmos conteúdos suprimidos da lei federal retornaram oficialmente como orientação para os programas estaduais e municipais.

Agora, deputados estaduais e vereadores em todo o país deliberam sobre o tema nos respectivos planos, desatentos à lei federal e em obediência à ideologia hegemônica da burocracia educacional.

O Estado, os governos, seus funcionários, jamais receberam da sociedade, e tampouco das famílias, poderes para orientar a sexualidade e o comportamento sexual das crianças e dos adolescentes. Esse é um papel da natureza e dos pais. O Estado não é nem pode ser educador sexual. Além de ensinar os conteúdos curriculares, nos quais falha clamorosamente, que ensine a não discriminação, o respeito mútuo e a responsabilidade. E, no mais, que não se meta!

Jabor: 'Venezuela é uma caricatura das velhas ditaduras latinas'

Foi preciso que nossos senadores fossem humilhados em Caracas, cercados por milícias, para que o Brasil emitisse uma tímida nota de preocupação. 

A democracia na América Latina está sendo usada como fachada para uma ditadura cínica. E aí pensamos: “até quando vão enganar os pobres ignorantes que ainda o apoiam o chavismo? E quais são as mentiras que proclamam?”

Ah, é tudo culpa do imperialismo norte americano! Chegaram a dizer que o Chávez morreu porque os Estados Unidos injetaram câncer nele.


Quando o petróleo estava alto, entrou muito dinheiro, mas foi desperdiçado por estupidez e quase tudo roubado pela nova e corrupta burguesia bolivariana. E está tudo ali, escrito na cara do Maduro. A cara dura de maldade, grossura e violência com aquele bigodão tentando exibir macheza.

A Venezuela é uma caricatura das velhas ditaduras latinas. É uma ditadura fora de hora, uma tardia vontade de imitar Cuba.

Como disse o próprio Marx: “na história, as tragédias se repetem como farsa". Não é apenas uma questão política. É um caso de polícia internacional. É coisa para a ONU.

Com a falta de comida e remédios, agora talvez digam que o verdadeiro chavista não precisa de muito consumo burguês, assim como... Papel higiênico.

Será que querem que o povo use jornal? Mas os jornais estão acabando...

E seus donos expulsos do país. 

Gozando com obra alheia


A situação está tão feia para Dilma que, na sexta-feira, teve que apelar para fazer “agenda positiva”. Foi inaugurar o complexo acrílico da Basf, em Camaçari, na Bahia. Sem ter mesmo o que fazer de espetáculo como obra governamental, o jeito é mesmo pedir um espacinho em inaugurações privadas.

Não é caso único ou inédito na carreira do petismo. Tem prefeito que “inaugura” até condomínio de luxo para compor uma “agenda”, viaja para como “corretor imobiliário” e chegou mesmo a convidar empresas ligadas a estaleiros para conhecer o município, aproveitando para anunciar um porto que já teve, no mínimo, uns cinco “donos”.

O comunismo e o PT

O ex-presidente Lula pode até dizer, como já disse, que seu PT e o Partido Comunista da China são os dois maiores partidos de esquerda hoje existentes no planeta. Em tom parecido, o atual presidente do PT também pôde encerrar o discurso no recente congresso partidário, em Salvador, citando Guevara, ícone de um caminho armado para o socialismo que logo se perdeu em algum momento do século passado, depois de ser a causa de sucessivas derrotas em países minimamente articulados, refratários à tática dos focos insurrecionais – entre eles, o Brasil da ditadura militar.

Nenhuma dessas alusões, ou qualquer outra desse tipo, tem o poder de anular a irrecuperável distância entre a experiência (encerrada) do comunismo histórico, com seus partidos “totais”, fundidos à máquina do Estado e propugnadores de uma ruptura integral com o capital, e a modesta experiência reformista de um partido como o PT e seus governos nos últimos 12 anos. Não há filiação possível, a não ser aquela produzida pela má retórica que diferentes esquerdas, a de antes e a de agora, muitas vezes insistiram, e insistem, em produzir, danificando paradoxalmente sua efetiva capacidade de incidir produtivamente no mundo real.

Em política conta muito a linguagem que os partidos utilizam, os termos e os modos de pensar que introduzem no uso comum. Para ficar estritamente nesse plano e estabelecer algum paralelo, partimos do ritual da “autocrítica” bolchevique, tantas vezes exercido hipocritamente na falta de mecanismos formalmente democráticos, como alguns “hereges” da própria esquerda a seu tempo apontaram.

Desse mal importantes dirigentes petistas também parecem não ter escapado, e os sinais estão em torno de nós. Em Salvador, a intervenção congressual de Lula não se preocupou em explicar, com um mínimo de argumentação racional, o desarranjo econômico que obrigou a uma guinada radical de orientação no segundo governo Dilma. Para o dirigente máximo do petismo, a única verificação possível de erros e acertos jamais virá do debate com os demais atores da vida institucional, mas de um movimento interno próprio do PT e de seus próprios seguidores supostamente cativos:

“Quem pode nos ensinar, quem sempre nos ensinou o caminho a seguir, são os trabalhadores e o povo mais pobre deste país”.

Na visão do ex-presidente, a imprensa oligopolizada, que demite jornalistas, não pode perturbar o círculo virtuoso entre partido e povo mais pobre. Muito menos podem fazê-lo os personagens da oposição, pintados, todos, em cores tenebrosas. Se pudessem, tais personagens reduziriam a maioridade penal, “mandando para a cadeia quem deveria estar na escola” – como se os governos petistas tivessem tido uma política de segurança corajosa, que pelo menos atenuasse a devastação causada pelos crimes contra a vida. Não só: os opositores do PT mandariam “pobres e negros” de volta ao lugar de origem, sem oportunidade de ascensão; sancionariam “o preconceito contra a população LGBT”; e, evidentemente, fariam o Brasil “voltar à idade média social” em que vegetava antes da redenção acontecida a partir de 2003. Sem falar que iriam querer até destruir a Petrobrás...

Esse mundo em branco e preto, avesso a distinções e a nuances, era também o mundo visto da perspectiva do stalinismo. A Revolução Russa, resposta ao desastre da Grande Guerra num país atrasado, muito cedo perdeu seu impulso transformador e sua energia criativa. Com Stalin viria a produzir uma singular espécie de fanatismo burocrático, que – salvo em ocasiões críticas, como por ocasião da frente antifascista na 2.ª Guerra – enxergava o mundo povoado de traidores e inimigos: os social-democratas foram por muito tempo “social-fascistas”, mais perigosos do que os fascistas. Na URSS, enquanto isso, nascia o “homem novo”, na marcha batida da coletivização forçada e da ditadura de partido único.

Certamente, aquele era um mundo radicalmente diverso do Brasil de agora. E, no entanto, apesar da distância incomensurável, há algo comum entre categorias do velho comunismo e setores da nossa esquerda. O homem novo do realismo socialista, por exemplo, empenhado como estava na construção do socialismo (de Estado), não podia ter defeitos graves. Decretava-se, na edulcorada versão oficial, que às vezes se irritaria com atrasos na realização do plano ou esqueceria uma tarefa. Pois existe algum traço desse personagem fantasioso na alma do presidente do PT quando declara – ainda por cima com terminologia militar – que o partido se vê submetido a campanha de “cerco e aniquilamento” não “por nossos erros”, mas por “nossas virtudes”. Para Rui Falcão, na pior hipótese o petista médio poderá enraivecer-se ou esquecer alguma missão, mas sempre será mais virtuoso do que qualquer adversário e, por isso, perseguido.

O velho comunismo, com seus feitos e malfeitos, foi também uma tentativa de conduzir a inevitável e potente irrupção das massas no século 20. Era portador de um desafio global, que, no entanto, já na virada dos anos 1930 se mostrava com capacidade de expansão política atrofiada, entre outras dificuldades, por operar com categorias acanhadas e jamais superar a mentalidade de “cidadela sitiada”.

O PT, nem é preciso dizer, atua em registro infinitamente mais modesto, o que, aliás, está longe de ser desvantagem. Seu grupo dirigente e os representantes mais expressivos de sua “sociedade civil” talvez ainda não tenham percebido a necessidade de assumir plenamente as responsabilidades decorrentes de viver e atuar em sociedade afortunadamente democrática e pluralista. O partido parece querer operar sob o paradigma da revolução, ainda que esta seja a rota segura para o gueto e a subalternidade. A democracia brasileira nada ganha com isso
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Maioridade aos 16

Após muito tumulto e debates acalorados, a comissão especial da Câmara dos Deputados aprovou por maioria ampla o projeto que reduz a maioridade penal para 16 anos em casos de crimes hediondos. Deixando as polêmicas um pouco de lado, não se pode negar que é a primeira vez que uma ação concreta é colocada em prática, desde a criação do Estatuto da Criança e do Adolescente.

O projeto faz o cidadão comum refletir melhor sobre os problemas de insegurança pública que o afligem, além de tirar autoridades e estudiosos da cômoda situação de “apenas” receber ou desferir críticas.


Particularmente, apesar de todos os argumentos de quem é contra a lei em gestação, considero que estão ocorrendo avanços. Ao contrário do que alegam os críticos, pelo menos nesse assunto, a sociedade brasileira está, sim, sendo atendida.

A grande maioria das pessoas é favorável à redução da maioridade penal, talvez porque, no mundo real, não há nada que impossibilite um jovem com dois anos de diferença fazer aquilo que bem entende e que lhe venha à cabeça. Portanto, mesmo com todas as consequências que a nova lei possa ocasionar, no cômpito geral, a população sai ganhando, mesmo que seja em seu anseio de ser ouvida.

Também não há de se considerar essa uma visão simplista. Talvez simples, por sua objetividade. Mas simplista, não. Tampouco pode ser considerado um argumento conservador. Muitos do que torcem para a maioridade aos 16 também são a favor da legalização da maconha e do aborto, por exemplo.

Assim, argumentos contrários são vários, como também padecem de vulnerabilidades.

As cadeias vão ficar ainda mais lotadas. Sim, obviamente. Mas aí já é outro problema. O Estado que se programe e planeje melhor sua infraestrutura carcerária. Jovens se transformarão em bandidos profissionais. E isso já não ocorre? Futuros serão destruídos. Para alguns desses adolescentes, a sensação de impunidade é que os coloca bem mais próximo da criminalidade.


Fora isso, a maioridade aos 16 anos pode exercer um papel pedagógico importante. Também pode melhorar a sensação de segurança, um aspecto importante na hora de se promover a segurança pública.

Por fim, a redução da maioridade não inviabiliza a proposta da presidente Dilma Rousseff de criar leis mais duras contra adultos que utilizem crianças e adolescentes na facilitação de crimes.
Tampouco a punição de jovens homicidas ou autores de crimes de grande perversidade impede políticas públicas que cuidem de nossas crianças, tirando delas um futuro incerto e melancólico.

Essa é a riqueza

O melhor do Brasil é o brasileiro que sabe ler
Marcelino Freire

Os cortes chegam à literatura

O Salão FNLIJ do Livro para Crianças e Jovens era para ser só festa, como tem sido há 17 anos, mas o que encontrei lá foram editores arrasados com notícias oriundas dos governos federal, capitaneado pelo PT, e do Estado de São Paulo, comandado pelo PSDB. Ambos estão suspendendo compras de livros que deveriam ser entregues a estudantes e professores. Os dois partidos rivais na última disputa presidencial aproximam-se no desprezo à leitura. 


O governo de Dilma Roussef deverá prorrogar para o próximo ano os programas de distribuição de livros literários a escolas públicas previstos para este ano. A informação foi repassada a editores do segmento infantojuvenil por técnicos vinculados ao Ministério da Educação (MEC). Os cortes orçamentários são responsabilizados pela suspensão das compras, não anunciada oficialmente. Mas que, na prática, já está acontecendo no âmbito do Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE) em função da morosidade no cronograma de atividades, o que equivale a um adiamento.

Os avisos dão conta ainda de que o presidente do Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação (FNDE), Antônio Idilvan Alencar, nomeado pelo ex-ministro Cid Gomes (PROS), argumentou contra os cortes, sendo voto vencido. A justificativa dada pelos técnicos da equipe do novo ministro, Renato Janine Ribeiro, é que cortes precisam ser feitos e as obras de literatura são consideradas menos prioritárias. Prorrogada a entrega dos livros do PNBE, aproximadamente 6,7 milhões de exemplares deixarão de chegar aos leitores de escolas públicas de todo o País este ano.

O outro corte foi assumido semana passada, sendo mais expressivo em números, mas localizado em um só estado. O governo de Geraldo Alckmin informou aos editores a suspensão da chamada pública relativa ao ano de 2013 do Programa Estadual do Livro, responsável por abastecer os Programas Sala de Leitura, Leitura do Professor e Apoio ao Saber nas escolas de ensino fundamental e médio, além daquelas inseridas na Educação de Jovens e Adultos. Cerca de 18 milhões de livros que deveriam estar nas mãos de alunos e professores paulistas desde o ano passado não serão entregues. Os cortes orçamentários também foram responsabilizados pela atitude drástica. 



O menosprezo à leitura dissemina-se em outras instâncias: a Prefeitura de São Paulo, há quatro anos, não compra livros de literatura para os programas Minha Biblioteca, Acervo Inicial, Acervo Complementar e Sala de Leitura. Portanto, nas gestões do PSD, de Gilberto Kassab, e de Fernando Haddad, do PT. No município do Rio de Janeiro, a situação é melhor, pois permanecem os projetos de compra para creches e aluno concluinte, embora tenha sido suspenso o programa Biblioteca do Professor, que entregava 16 obras literárias aos docentes. Algo próximo de 370 mil exemplares. E, observo, a Prefeitura, via Secretarias de Cultura e Educação, manteve o apoio ao Salão FNLIJ, viabilizando a presença de 17 mil alunos e a compra de livros pelos professores – os outros patrocinadores foram a Petrobras e o Instituto C&A.

Ainda no âmbito federal, ações do Programa de Alfabetização na Idade Certa (PNAIC) 2014, considerado prioritário na campanha da presidente Roussef, também estão bastante atrasadas. Consultadas sobre atrasos e suspensão dos programas, as Assessorias de Comunicação do MEC e do FNDE, responsável pela execução dessas ações, deram resposta semelhante, que, analisada, só confirma o quadro de descaso
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Primeiro roubo em 50 anos em ilha britânica


Canna é uma pequena ilha de apenas 7 km de extensão na Escócia onde vivem cerca de 20 pessoas. Um lugar bastante tranquilo, que foi abalado por um roubo na última semana.

O incidente aconteceu em uma loja gerenciada por voluntários que vendia comidas, produtos de higiene pessoal e outros utensílios. Doces, pilhas e chapéus de lã artesanais foram roubados, e a loja foi revirada pelos ladrões.

Parece pouco, mas o roubo chocou os moradores de Canna, que não viam nada parecido acontecer por ali havia 50 anos.

No Facebook, a Comunidade de Desenvolvimento da Ilha de Canna disse estar "extremamente decepcionada" com o incidente.

A loja ficava destrancada durante a noite para que pescadores pudessem utilizar o wi-fi local e comprar itens de primeira necessidade enquanto descansavam no píer até o dia seguinte. O pagamento era feito na "caixa da honestidade": eles deixavam o dinheiro junto com um bilhete descrevendo o que haviam comprado.

No entanto, após o roubo, os responsáveis pela loja já estão pensando em trancá-la durante as madrugadas.

A polícia escocesa afirmou que quer falar com todas as pessoas que atracaram no píer durante o final de semana.

Um porta-voz da polícia local disse que o incidente deve ter acontecido entre 20h da sexta-feira e 8h do sábado.

"Vários itens foram roubados, incluindo os chapéus artesanais de lã, confeitos e produtos de higiene pessoal. Um inquérito foi instaurado e vamos começar a ouvir moradores e outras pessoas que passaram pelo píer entre os dias do incidente."

A última vez que um roubo foi registrado em Canna foi na década de 1960, quando uma placa de madeira esculpida na igreja local foi levada. O caso nunca foi resolvido, e a placa nunca foi encontrada. A polícia escocesa não tem registros computadorizados para confirmar o caso. 

sábado, 20 de junho de 2015

Nova técnica é uma 'armação' ridícula para salvar Dilma


Muito estranho e oportuno o aparecimento da Nota Técnica 6, assinada pelo então secretário do Tesouro Nacional Arno Augustin em seu último dia de trabalho, a 30 de dezembro de 2014, com objetivo declarado de assumir a culpa pelas “pedaladas fiscais” e “maquiagens contábeis” utilizadas pela presidente Dilma Rousseff em seu primeiro mandato para melhorar artificialmente as contas públicas.

A principal estranheza é o fato de somente agora ter surgido esta supostamente salvadora Nota Técnica, depois de dois meses de intenso tiroteio, iniciados a partir da divulgação do parecer técnico dos auditores do Tribunal de Contas da União que atribui à presidente Dilma Rousseff a prática de crimes de responsabilidade. Por que ninguém se lembrou antes da existência dessa Nota Técnica 6, que pretensamente evitaria a cassação da chefe do governo? Realmente, muito estranho.

A segunda estranheza é o fato (estamos falando apenas de fatos, que não podem ser contestados) de o Secretário do Tesouro Nacional ser um funcionário de segundo escalão, que não tem status de ministro nem autonomia para esse tipo de procedimento, pois em nenhuma hipótese pode ser responsável direto pela prestação de contas do governo federal, como a divulgação da tal Nota Técnica 6 tenta fazer supor.

A terceira estranheza é o fato de nos últimos meses a imprensa ter divulgado um número enorme de reportagens e artigos atribuindo a autoria das “pedaladas fiscais” e das “maquiagens contábeis” a Arno Augustin e ao ministro da Fazenda Guido Mantega, destacando que eles cumpriam determinações expressas da presidente Dilma Rousseff, e nenhuma dessas matérias jamais foi contestada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência ou pelas assessorias do Ministério da Fazenda ou do Tesouro Nacional.

A quarta estranheza é o fato de o aparecimento dessa inusitada, oportuna e supostamente salvadora Nota Técnica 6 estar alterando inteiramente a justificativa do Planalto, que até agora se baseava na singela afirmação de que governos anteriores (FHC e Lula) também teriam procedido assim.

A quinta estranheza é o fato (notem que continuamos nos restringindo apenas a fatos, que simplesmente existem e, portanto, não podem ser contestados) de a Nota Técnica 6, supostamente assinada por Arno Augustin, não ter sido publicada no Diário Oficial da União do dia 31/12/2014, na forma da lei.

Estes cinco fatos – todos, incontestáveis, demonstram que a tal Nota Técnica nº 6 não passa de uma armação ridícula e patética de atribuir a um funcionário subalterno os crimes de responsabilidade verdadeiramente cometidos pelo então ministro Guido Mantega e pela ainda presidente Dilma Rousseff.

E com um detalhe revelante – crime de responsabilidade é tratado pelo chamado Direito Pessoal e Intransferível, não pode ser cometido por qualquer pessoa, mas exclusivamente por funcionário público. No caso em pauta, que é a prestação de contas da Presidência da República, o crime de responsabilidade seria exclusivo da presidente da República, que assina a documentação encaminhada ao Congresso e por ela é responsável.

Foi justamente por isso que o Tribunal de Contas da União solicitou que a presidente Dilma Rousseff respondesse aos 13 quesitos de irregularidades “pessoalmente ou por escrito”. É a assinatura dela que está valendo, o ex-secretário do Tesouro Nacional não passa de um fantoche, que não sabe a diferença entre prestar serviços e ser servil.

Como disse aqui na Tribuna da Internet o comentarista Antonio Fallavena, “os ratos menores estão tentando salvar a ratazana”. Simples assim.

Cai a máscara

O episódio da expulsão oficiosa – outra coisa não foi – da comitiva de oito senadores brasileiros de Caracas, há três dias, é mais um capítulo da luta pela construção da tal Pátria Grande, gestada no Foro de São Paulo.

Já não se pratica a diplomacia nos seus termos fundadores, de defesa da identidade, interesses e soberania das nações. A diplomacia brasileira, hoje, é ideológica e partidária.


O interesse nacional fica em segundo plano, quando estão em jogo planos estratégicos e ideológicos, como no caso da apropriação pelo governo boliviano de uma refinaria da Petrobras, em maio de 2006. O que foi um ato de afronta à soberania brasileira – o exército de um país vizinho ocupando um patrimônio do povo brasileiro – foi minimizado pelo então presidente Lula, que assim justificou a tolerância: “O povo da Bolívia é pobre”.

Claro, e o povo brasileiro é rico, livre de problemas em saúde, educação, moradia, transporte etc. Pode perder refinarias para o exército dos povos pobres, sem qualquer protesto.

No caso presente, o governo brasileiro viu-se numa encruzilhada: ou silenciar – o que equivaleria a avalizar a truculência diplomática do governo de Maduro – ou protestar. Encontrou um meio termo: a morna nota do Itamaraty, que jogou nas costas de “manifestantes” a responsabilidade pelas agressões.

Ora, sabe-se que a militância que lá estava não era espontânea. Mais que militantes, eram milicianos, armados de paus e pedras, agredindo o veículo que transportava a comitiva. A passividade dos policiais confirmava, se dúvidas houvesse, a conivência (ou cumplicidade) oficial. Mas houve mais.

A omissão do embaixador brasileiro, Rui Pereira, soma-se às demais evidências de conexão entre os governos brasileiro e venezuelano. O embaixador recebeu os senadores na pista do aeroporto e, em seguida, desapareceu.

Não prestou qualquer assistência, nem se manifestou posteriormente. Cumpriu ordens expressas do ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, segundo este relatou ao deputado Antonio Imbassahy (PSDB-BA):

"Eu fiz a pergunta ao ministro se o comportamento e se a atitude do embaixador brasileiro na Venezuela estavam de acordo com as orientações passadas pelo Itamaraty, pelo governo brasileiro. Ele respondeu: 'Sim, ele fez o que nós mandamos fazer'", disse Imbassahy. Ou seja, abandonou os senadores à hostilidade dos milicianos, a serviço do governo Maduro. Nada menos.

A presidente Dilma não se indignou com o ocorrido. Indignou-se, isto sim, com os senadores, que, segundo ela, a colocaram numa “armadilha”.

De fato: a situação a obriga a definir-se de que lado está. No caso do traficante brasileiro condenado à morte na Indonésia, a presidente chamou o embaixador brasileiro naquele país, em gesto de hostilidade ao governo local, que cumpria suas leis, ainda que com elas não venhamos a concordar.

Pelo visto, para a diplomacia brasileira, um traficante vale mais que o Senado.

Não é a primeira vez que os países do Foro de São Paulo – e o Brasil com destaque – intervêm na política interna uns dos outros. O Brasil cedeu, em 2009, sua embaixada em Honduras para que o presidente deposto daquele país – deposto constitucionalmente pelo Congresso -, Manuel Zelaya, conspirasse para reocupar o poder.

Empenhou-se para suspender a presença do Paraguai no Mercosul, invocando a cláusula democrática, quando da deposição constitucional do então presidente Fernando Lugo, em 2012.

Em seu lugar, entrou a Venezuela, que, segundo Lula, “tem democracia até demais”. Tanta democracia que mantém na cadeia oposicionistas pelo simples fato de serem oposicionistas – e impede que sejam visitados por colegas vizinhos. Não bastasse, censura a imprensa e mata manifestantes que protestam contra o governo.

Quando, numa de suas visitas a Cuba, o então presidente Lula foi indagado a respeito da morte de um prisioneiro político em greve de fome, comparou-o aos criminosos comuns de São Paulo. Dilma, por sua vez, alegou que não se intrometia em assuntos internos de outros países, argumento que jogou ao lixo ao condenar na ONU ações do governo norte-americano.

O episódio que envolveu os senadores brasileiros reclama providências que não virão – entre elas, o afastamento da Venezuela do Mercosul. No Congresso, a tropa de choque da base aliada inverte os fatos e considera infratores os próprios colegas. Maduro está certo – e é um democrata, acham aqueles aliados.

Reverberam o ponto de vista do governo petista, o único do mundo a dispor de dois chanceleres: o oficial, Mauro Vieira, e o real, Marco Aurélio Garcia, expoente do Foro de São Paulo - o mesmo que sustentou que as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), que vivem de sequestros e tráfico de drogas, não é uma organização terrorista, embora mantenha até campo de concentração na selva.

No início da semana, um notável do governo Maduro, caçado pela Interpol por tráfico de drogas, Diosdado Cabello, presidente da Assembleia Nacional venezuelana, esteve no Brasil. Foi recebido por Lula e por Dilma. Não foi molestado e, ao contrário, mereceu tapete vermelho. Dias depois, recepção inversa foi dada aos senadores brasileiros.

O episódio, lamentável, serve ao menos para que caia a máscara do governo brasileiro, que, de costas para os interesses nacionais – afrontados em tantos escândalos internos e trapaças diplomáticas -, trabalha pela Pátria Grande socialista.

Erga omnes et omnia...

A expressão, na verdade, é maior: In tota fine erga omnes et ominia, para todos os fins, a respeito de todos e tudo.

No país dos bacharéis e cartórios, uma sentença latina tem o mágico efeito de dirimir qualquer conflito, litígio e polarização. O Estado brasileiro está estraçalhado desde o início da temporada eleitoral do ano passado, portanto, há cerca de um ano. A cada dia que passa aumentam os fraccionamentos, e isso a tal ponto que hoje todos são adversários de todos: sumiram aliados, coligados, sócios e até possíveis cúmplices (assustados com a epidemia das delações premiadas).

O brasilianista James Green, com 40 anos de estudos e vivências em nosso país, disse na sexta a O Globo que nunca viu o país tão dividido e conflagrado. E tão perplexo. Em outras palavras: ninguém se entende e ninguém entende o que se passa.

Batizada de “Erga Omnes”, “contra todos”, a 14.ª fase da Operação Lava Jato, fiel ao significado de que a lei vale para todos, prendeu na sexta-feira a maior coleção do figurões do mundo empresarial com base em evidências de operações fraudulentas que começaram na Petrobras há mais de dez anos.
É possível que o inédito rigor da lei, seu belo enunciado em latim e nossa conhecida veneração pela retórica sejam capazes de minorar o clima de desavenças que minam progressivamente instituições, posturas e códigos. Mas também é possível que a sede de justiça, agregada à dinâmica da insensatez, intoxique ainda mais o ambiente.

Convém lembrar sempre que não estamos isolados numa confortável academia fruindo estimulante troca de percepções filosóficas. Estamos enfiados numa penosa trincheira e enfrentando o estresse de uma acabrunhante crise econômica, índices inesperados de desemprego e um aumento inaudito da violência cotidiana. Parece exaurida nossa apregoada capacidade de dissimular e disfarçar os maus instintos.

Novos costumes, novas tecnologias com novos mimetismos alimentam um até agora impensável estoque de agressividade. Modalidades alienígenas rapidamente assimiladas e disseminadas sugerem um recorte antropológico bem distinto daquele que se imaginava.

Evidentemente não foi efeito da notícia da chacina num templo batista negro em Charleston, na Carolina do Sul, mas quase simultaneamente fomos surpreendidos com uma inesperada cólera religiosa: no Rio, semana passada, uma menina de 11 anos, vestida para um ritual de candomblé em casa de sua avó, foi apedrejada na rua. E também no Rio, na sexta-feira, foi descoberto o assassinato do médium Gilberto Arruda, 73 anos, famoso pelos tratamentos espirituais e a caridade que oferecia no Lar Frei Luiz.

Já tivemos pastores pisoteando imagens de santas na tevê, mas estes incidentes contra crenças religiosas sincréticas e tão arraigadas na espiritualidade brasileira podem ser os primeiros sintomas de uma intolerância secularmente reprimida e agora liberada pelas pressões do momento.
A lei é para todos – esta verdade saiu num dos jorros do petrolão, e com ela teremos de conviver para sempre. Somos finalmente iguais.

O beija-mão de Dilma


Em 1946, o general Dwight David "Ike" Eisenhower, ex-comandante das forças aliadas na Europa veio ao Brasil. O futuro presidente americano foi recebido com festa no Rio de Janeiro e visitou o Congresso. Depois do discurso do deputado baiano Otávio Mangabeira, Eisenhower se levantou e estendeu a mão em cumprimento ao deputado, que inexplicavelmente a beijou. O gesto, registrado pelo jovem repórter fotográfico Ibrahim Sued, por anos simbolizou a suposta submissão do Brasil diante dos Estados Unidos.

Quase 60 anos passados, o Brasil se mostra de uma altivez, beirando a petulância, quanto aos norte-americanos, mas uma humilhante subserviência aos países “cumpanheiros”. O PT e suas governanças colocam literalmente o país de quatro em nome de causas falidas e demagógicas de populismo barato.


A companheirada daqui baba e escancara as portas do Brasil para a entrada de qualquer um do bloco da esquerda sul-americana. Os presidentes Lula e Dilma se fazem de capachos para as atitudes nada diplomáticas, para não dizer contrárias à soberania brasileira com uma desfaçatez sem medida. Em nome de uma amizade ou simpatia próprias, reverencia ditadores e comandantes de meia tigela. 


Lula e Amigos

Lula deixou que Evo Morales fizesse as refinarias da Petrobras, na Bolívia, de gato e sapato; avião da FAB foi flagrantemente invadido por paraguaios para uma revista; representantes venezuelanos do bolivarianismo entram e saem do Brasil como se aqui fosse a casa da Mãe Joana; os governos petistas distribuem fartamente o dinheiro público para obras nos países de los compañeros em nome de um suposto desenvolvimento brasileiro.
Agora Dilma, do alto de sua suprema desconsideração com o próprio Brasil e suas instituições, mesmo até ao próprio cargo, critica a ida de senadores da oposição à Venezuela em avião oficial. Mesmo que tenha sido uma jogada política interna, não se pode tirar o mérito de que FAB, senadores e Ministério do Exterior são governo do Brasil. No entanto, ainda assim a presidente se lixa para um embaixador que dá pouco caso à representação brasileira.

E se não bastasse, segundo se noticia, critica a "interferência" da oposição brasileira em se manifestar em favor de presos políticos. Para Dilma, que presa política, não recebeu esse apoio, isso seria uma afronta à soberania ... da Venezuela. Mais ainda, os venezuelanos não seriam políticos prisioneiros de uma ditatura mas simplesmente presos comuns.

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O Brasil assiste a outra bravata demagógica de um partido que dominou o país com a mais envelhecida demagogia de esquerda capaz de qualquer afronta como se aqui fosse território petista, nunca uma nação. Tratam o Brasil como se consideram: republiqueta de bananas.

As entrevistas de Dilma são exemplos do nosso atraso

Para quem lutou com a própria vida contra o regime militar e pela liberdade no ambiente político, a presidente Dilma Rousseff vem fazendo péssimo uso da democracia que sua geração conquistou. Sob sua responsabilidade, o Brasil se meteu em um impasse. Mas Dilma não presta contas de maneira transparente. Nem para defender posições e medidas que deve ter tomado com boas intenções, mas que deram errado.


Trabalhei pela Folha em Washington durante parte o governo George W. Bush (2001-2009). Mesmo na lama com a farsa das armas de destruição em massa para invadir o Iraque, a tortura de prisioneiros por soldados americanos em Abu Ghraib e a baixa popularidade, Bush concedia entrevistas coletivas periódicas na Casa Branca.

Era massacrado com perguntas duras, mas sempre respeitosas. E tentava tirar o melhor proveito. Muitas vezes se esquivava e era evasivo. Mas estava lá, de frente, no jogo democrático. Dando satisfações aos cidadãos do país que representava.


Como Dilma, Bush mentiu e se reelegeu. Mas, diferentemente da brasileira, prosseguiu com o ritual de coletivas a jornalistas. Já nossa presidente não fala, não se expõe e ignora prestar contas de um governo que faz tudo ao contrário do que prometeu na eleição. Do alto do maior cargo da República, é um mais um exemplo do nosso atraso.

Neste mês, a presidente resolveu falar duas vezes. Em entrevista ao “Estado” (“Dilma pedala, alonga e diz que não sente fome”), revelou que come banana esquentada no microondas e “whey protein”. Não deixou a repórter perguntar nada fora da rotina de seu passeio.

Na segunda oportunidade, falou ao “Programa do Jô”, na Globo. Começo pelo comentário do Gordo ao final da entrevista, que definiu como “momento histórico” de seus 54 anos de profissão: “Espero que tenha sido bom, porque hoje é dia dos namorados. Temos que sair daqui os dois satisfeitos”.

A culpa não é do Jô, que abordou o tema que considera “fundamental” do Petrolão em 40 segundos de uma entrevista de 69 minutos e que acha “impressionante como o preço do dólar influi na economia do mundo inteiro”.


É da presidente, que se esconde da mídia especializada há anos e não chega nem perto de coletivas regulares. As exceções foram os modorrentos debates na eleição, sem direito a réplica dos jornalistas quando os candidatos respondiam qualquer coisa.

Mas Jô nos faz refletir com duas colocações. Quando lembra a Dilma que ela não tem mais a preocupação de conquistar um segundo mandato e, depois, quando pergunta como a presidente gostaria de ficar conhecida nos livros de história.

Como em quase toda a entrevista, a opinião de Dilma aqui não tem a menor importância.

Presidente Dilma, constrangedor é o seu governo!


Como brasileiro, sinto-me constrangido. Cheguei da Inglaterra na semana passada. Sem exceção, todas as perguntas que me fizeram sobre o Brasil, em estações de trem, no metrô e no comércio, se referiam aos escândalos e à perda de credibilidade do governo. Algo assim é incompreensível no Reino Unido porque lá o regime proporciona condições para que maus governos caiam naturalmente, dentro da norma constitucional.

Após as manobras restritivas e antidemocráticas em que o governo de Nicolas Maduro envolveu o grupo de senadores brasileiros que visitavam o país, a presidente Dilma avaliou que a iniciativa da oposição colocou seu governo numa “armadilha”, criando “constrangimento” para o Brasil. O Planalto sustenta que a viagem foi uma intromissão em assuntos internos da Venezuela.

Ah! Então não é o governo venezuelano que deve ficar constrangido com o fato de manter oposicionistas presos, há mais de ano, sob a acusação de estimular manifestações contra o regime bolivariano? Não é o governo de Maduro que deve corar diante da percepção internacional de que implantou uma ditadura sobre seu povo, fechando jornais, impedindo a livre manifestação das ideias, executando manifestantes durante gigantescas manifestações de rua? Não é a senhora, presidente, que deve ficar constrangida por sua atitude ao sequer receber as esposas de Daniel Ceballos e Leopoldo Lopez? Não a constrange a distância entre o nada convincente discurso local pela democracia e pelos direitos humanos e a afetuosa relação que mantém com as duas mais perversas e desastrosas ditaduras da América Ibérica?

Lembre-se bem do que seu governo fez quando as instituições paraguaias – em procedimento lisa e transparentemente constitucional – destituíram o presidente Lugo. Seu governo enviou observadores. Esses observadores deram palpite sobre os acontecimentos. A intromissão de seu governo culminou com a expulsão do Paraguai do Mercosul. Essa manobra escusa visou, na verdade, a atender o pedido de ingresso, no bloco, da “democrática” Venezuela, que vinha sendo vetado pelo Senado paraguaio. Em 2009, fora a vez de Lula proporcionar um tremendo escarcéu quando da destituição do hondurenho Manuel Zelaya, após sucessivas afrontas à Constituição do país.

As prisões cubanas ainda mantêm presos alguns dos dissidentes que foram recolhidos na onda repressiva de 2003. Passaram-se 12 anos! Sucessivas visitas de dirigentes e governantes petistas enfrentaram com silêncio conivente e sem qualquer constrangimento, os apelos dos familiares dos presos por uma atitude solidária do Brasil. Nada! Agora, a presidente não se constrangeu com as manobras para bloquear o tráfego dos senadores em direção ao presídio, nem com a emboscada armada pelos camisas vermelhas de Maduro. Ela se considera vítima de uma armadilha e constrangida pela viagem de solidariedade que promoveram.

Raízes do Brasil

Ilusões perdidas

· O preço que a sociedade está pagando pela submersão do PT na areia movediça da degradação moral é incalculável

“Ubi sunt qui ante nos fueront?” é uma expressão latina, mote de vários poemas medievais, que, traduzida, pergunta: Onde estão agora aqueles que existiram antes de nós? É um questionamento sobre a transitoriedade da vida, mas pode também ser tomada como uma reflexão a respeito das pessoas e ideias nas quais um dia depositamos crédito e que, desafortunadamente, nos decepcionaram de maneira irrevogável. Quando isso ocorre nas relações privadas desenrola-se um drama. Se na vida comunitária, encena-se uma tragédia.

O financiamento público de campanhas eleitorais esteve desde o início entre as principais bandeiras do PT como arma no combate à corrupção. Em 2013, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a defender uma reforma política que caracterizasse o financiamento privado como crime inafiançável. No entanto, passados pouco mais de dois anos, Lula voltou atrás e afirmou não ver problema em, “de cabeça erguida”, o PT aceitar dinheiro de empresas para patrocinar candidaturas.

Por muito menos, em 1997 a ex-prefeita de São Paulo e deputada federal Luiza Erundina foi pressionada a deixar o partido após aceitar convite do ex-presidente Itamar Franco para assumir uma pasta em seu ministério. Na época, o PT havia se colocado em oposição incondicional ao governo, aliás, um enorme equívoco – Itamar revelou-se fiador da nossa frágil democracia e iniciou o processo de estabilização da economia. Ironicamente, para reeleger a presidente Dilma Rousseffe manter-se no poder, no ano passado o partido não titubeou em aceitar o apoio do ex-presidente e atual senador Fernando Collor, que renunciou ao mandato em 1992 para evitar o impeachment por corrupção.

O PT surgiu em fins dos anos 1970 como uma novidade histórica: uma agremiação de esquerda alicerçada em movimentos populares, sem o ranço do autoritarismo reacionário comunista. Assentado em um discurso reformista que pregava mudanças políticas e sociais respeitando as regras da democracia, o partido se consolidou ao longo dos anos 1980. No entanto, na medida em que ganhava eleições municipais e estaduais, os princípios éticos que norteavam os ideais petistas iam se esgarçando. Finalmente, quando alcançou o governo federal em 2003, pouco restava do pensamento original.

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É indiscutível que ainda assim houve importantes avanços, principalmente no campo social –aspecto que delimita a diferença radical entre as práticas políticas de esquerda e de direita. Mas o preço que a sociedade está pagando pela submersão do PT na areia movediça da degradação moral é incalculável. O cinismo com que quadros do partido justificam as atitudes de dirigentes envolvidos em crimes de corrupção, muitas vezes usando argumentos que quase chegam a repetir o lema “rouba, mas faz”, é estarrecedor. Exemplo recente é a moção de apoio ao ex-tesoureiro João Vaccari Neto, que encontra-se preso acusado de desviar recursos da Petrobras – antecipando-se à Justiça, o partido presume sua inocência.

Em 1982, durante campanha para eleição ao governo do Estado de São Paulo, na qual foi derrotado, Lula pronunciou uma famosa sentença: o PT mata a cobra e mostra a cobra morta. Hoje, o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamoto, vem a público declarar que o que houve no mensalão foram “erros” e não crimes. A ética relativa do PT exemplifica em que se converteram os ideais do início da formação do partido. Suas lideranças pouco a pouco assenhoraram-se da verdade, tornando-se comandantes messiânicos pairando acima do bem e do mal. O sectarismo advoga que os fins justificam os meios. Esquecem-se, no entanto, que, se a verdade é transitiva, a ética é um princípio basilar inegociável.


Esse delírio megalomaníaco do PT não afunda apenas o partido, mas configura-se como um perigoso revés para a nossa débil democracia, já que, equiparando-se aos outros partidos, esvazia a esperança dos que um dia sonharam com um Brasil mais justo. Por conta dos desmandos dos gestores do PT, o país encontra-se refém do PMDB, que tem como líderes os presidentes da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e do Senado, Renan Calheiros – este, aliás, para quem não se lembra, ministro da Justiça do governo de Fernando Henrique Cardoso.

Políticos, uma espécie em extinção

Em política, uma coisa é aproveitar o descontentamento, outra é saber construir políticas de Estado
Nenhum Governo do mundo anda à frente do seu povo. A disparidade entre governantes e governados é, a julgar pela Internet, evidente demais. Sempre achei que Cristina Fernández de Kirchner zombava da história e do povo argentino ao escolher o Twitter como seu Legislativo peculiar e principal meio de comunicação. Agora reconheço que, por consciência ou intuição – o que em política deve ser a mesma coisa –, ela tinha razão.

Sempre considerei que um general elevado a presidente da Guatemala, como Otto Pérez Molina, não precisava saber o que é o passarinho azul do Twitter, mas foram as redes sociais que derrubaram a sua vice-presidenta, Roxana Baldetti, e colocaram seu Governo em evidência. Sempre achei normal o medo coletivo em relação às emissoras de TV do México por causa de seu peso político, mas depois das eleições de 7 de junho reconheço que eu tampouco sabia coisa alguma. As redes, sobretudo a Televisa, dedicaram toda a sua munição a tentar liquidar o candidato independente a governador de Nuevo León, Jaime Rodríguez, conhecido como El Bronco. Em horário nobre, quando os mexicanos imitam o povo do norte-coreano Kim Jong-un e são doutrinados sobre o que vai bem e o que vai mal, as emissoras mostraram El Bronco como uma pessoa politicamente incorreta e incômoda. Mas, quando as urnas foram fechadas, El Bronco tinha o dobro dos votos dos outros candidatos.

O mundo mudou. Pobre daquele que não percebe. Hoje, os jovens, longe de acreditarem que a política é “um rolo dos seus pais”, compreenderam que o voto é a sua melhor arma. Atiram a queima-roupa contra uma classe política defasada e que se caracteriza – urbi et orbi – por sua comunhão com a “sacrossanta missa da corrupção”. Atiraram para mudar, não ficam em casa, nem se refugiam nas drogas ou no álcool. Atiram, querendo mandá-los embora.

Muitos acreditam no México que nada mudou depois das últimas eleições: o PRI continua sendo o principal partido, e o Governo e seus aliados têm maioria. Entretanto, tudo mudou. Não só porque um candidato independente abriu as portas a outros que poderiam chegar ao [palácio presidencial de] Los Pinos, mas também porque a “canção do futuro” já não está mais nas mãos dos partidos que passaram, na América Latina, de deter o poder a sofrer o estigma da corrupção. Basta observar o Partido dos Trabalhadores no Brasil, o Partido Revolucionário Institucional no México e o Partido Patriota da Guatemala.

Em política, uma coisa é aproveitar o descontentamento, outra é saber construir políticas de Estado. Os exemplos das forças emergentes na Espanha e os independentes no México só refletem a formalização de um Estado do desacordo, mas não garantem que isso sirva para fazer política.

Os políticos, saibam ou não, são uma espécie em extinção. Não contam com a fé coletiva nem com o respeito de seus filhos.


Este fenômeno está crescendo, mas não com a abstenção ou com o voto nulo. Qualquer geração e qualquer país têm o direito de sonhar. Isso significa usar – como já fez Lênin – os instrumentos do sistema para acabar com o próprio sistema. Agora as possibilidades são outras, e age mal quem acredita que tudo está prejulgado e que a condição humana afinal volta para o de sempre: tripas, sexo e abuso.

Por isso, a grande lição não é prestar atenção na composição dos parlamentos ou das maiorias, e sim saber reconhecer o que cheira a passado e a futuro. Não é um problema de 140 caracteres, mas sim de compreensão dos novos tempos, nos quais há outro fator: as pessoas decidiram usar o sistema para acabar com o sistema. Por isso decidem votar.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

O sonho liberticida

No happening do 5º Congresso do PT, em Salvador, o ex-presidente Lula festejou, com a agressiva insolência de sempre, a crise das empresas de comunicação.

Ele disse que o setor é o que mais desemprega no Brasil atualmente. Em seguida citou o número de demissões de jornalistas na Folha, no Estadão, e disse que a Abril teve que abrir mão da metade do prédio que ocupa. Acusou esta última de “editar a revista mais sórdida que se publica neste país”.

Lula disse que “pelo jeito as pessoas não querem mais ler as mentiras que eles publicam”.

Ao publicarem a notícia da fala do ex-presidente, os jornais estariam, sim, mentindo. Ou pelo menos, reproduzindo as mentiras contidas na fala de Lula.

Talvez as pessoas não queiram mais ouvir as mentiras que o ex-presidente e a sua sucessora contam.

O setor da comunicação não é o que mais desemprega no país atualmente. Graças à extraordinária habilidade com que o governo Dilma aplicou a sua “nova matriz macroeconômica” e as pedaladas fiscais que agora terá que explicar ao TCU, o desemprego bate forte na indústria automobilística, na construção civil, nas telecomunicações; só as empresas envolvidas na Operação Lava Jato tiveram que demitir 10 mil pessoas na construção naval.

O prazer sádico com que Lula anunciou aos delegados do Congresso - onde o PT fez de tudo menos lavar a sua própria roupa suja - as demissões de jornalistas, foi saudado pela plateia com os tradicionais gritos de “o povo não é bobo, abaixo a Rede Globo”.

Uma festa insana, onde delegados do Partido dos Trabalhadores festejaram aos gritos a demissão de trabalhadores.

Com a obediência devida à inspiração do supremo líder, o secretário de Transportes da Prefeitura de São Paulo, Jilmar Tatto, resolveu adaptar a palavra de ordem do chefe ao seu peculiar e delicado senso de humor. Ao receber repórteres da Folha de São Paulo e O Estado de São Paulo para uma entrevista coletiva, tripudiou: “vocês ainda não foram demitidos?” (o internauta e jornalista Renzo Mora sugeriu apropriadamente no Facebook que os repórteres deveriam ter respondido: “E o Sr. ainda não foi preso?”)

De resto, a performance do supremo líder diante da plateia do 5º Congresso, sublinhada pela tonitruante rouquidão que se acentua nos ataques às “elites" e à imprensa, e que sempre termina com o complemento “deste país”, nada mais fez do que reafirmar aquilo que todo mundo já sabe: o PT, a partir do seu andar de cima, até os militantes amestrados cujos cérebros baldios decoram e repetem palavras de ordem, não suporta a liberdade de imprensa.

Uma visceral incompatibilidade de gênios, muito embora a construção de toda a narrativa mitológica em torno da reencarnação do pai dos pobres tenha contado desde sempre com a prestimosa colaboração da mídia independente, que carregou nos ombros como se fosse uma imagem santa, o andor do metalúrgico rebelde de Vila Euclides.

Além do reflexo da crise da estagnação da economia, presenteada pelas heterodoxias econômicas do trio Dilma-Mantega-Arno Agustín, a indústria da comunicação passa pela crise da transição das plataformas de papel para as plataformas digitais, mas nem o PT nem Lula têm qualquer espécie de colaboração a oferecer na solução desse dilema, mesmo porque não o entendem.


Por eles, seria melhor que tudo desaparecesse, e que as mídias se transformassem em porta-vozes em defesa de seus desatinos e caprichos. Uma imprensa “yes man”, que não publique fatos, que não investigue, que não questione, que não indague, que não conteste, que se ajoelhe aos superiores interesses do partido que pretende ser nosso farol e guia.

Por trás do discurso raivoso do chefe do PT comemorando a demissão de jornalistas está o incontrolável instinto liberticida de quem não suporta ser contrariado e desmistificado em público.

Os governos, os partidos e os caudilhos passam. A democracia sobrevive, mas só com a imprensa livre.

A mão direita do PT

O PT quer elevar a carga tributária. Acalenta a restauração da velha e primitiva Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), extinta pelo Congresso em 2007. E defende que os detentores de “grandes fortunas” sejam submetidos a tratamento fiscal mais severo.

A volta da CPMF é uma fixação de Lula. O ex-presidente jamais se conformou com a derrota que sofreu no Senado, no seu segundo mandato, quando tentou prorrogar por mais alguns anos a cobrança da contribuição provisória. Sempre que pode, se queixa amargamente de ter sido privado de receita tão farta e fácil como a que provinha da CPMF.

Já o tratamento fiscal mais severo a “grandes fortunas” tem sido tratado no PT mais como uma bandeira, que ajuda a mobilizar a militância, do que como questão que já mereça proposta detalhada, respaldada pelo partido. A cúpula do PT parece nutrir certo desalento com a possibilidade de que a questão encontre a ressonância requerida no Congresso.

Por realista que seja, tal desalento não deveria impedir que o PT exerça pressão sobre o governo para assegurar, por outras vias, tratamento mais severo a detentores de “grandes fortunas”. Se quiser de fato levar a sério tal objetivo, o governo dispõe de amplo leque de iniciativas possíveis, fáceis de implementar. Duas delas merecem destaque.

O governo poderia começar por desmantelar a grotesca concessão de subsídios bilionários a detentores de “grandes fortunas” que, há anos, vem sendo alegremente patrocinada pelo BNDES, com recursos do Tesouro provenientes da emissão de dívida pública. Os desdobramentos desse despropósito vêm se tornando a cada dia mais nítidos. E o próprio governo já não consegue disfarçar o seu desconforto.


Outra lamentável política de farta transferência de renda a detentores de “grandes fortunas” é a que vem conferindo privilégios injustificáveis a produtores nacionais de bens de capital, ao exigir percentuais absurdamente altos de conteúdo local em equipamentos utilizados na exploração do pré-sal. Por encarecer de forma indefensável os custos dos investimentos requeridos no pré-sal, tal política implicará redução substancial da parcela do excedente da exploração que, afinal, estará disponível para financiamento da educação e da saúde no país.

Não bastasse tudo isso, a política de conteúdo local vem engrossando o caldo de cultura em que prolifera a corrupção. É só ler os jornais. Caso emblemático foi reportado pelo “Estadão”, em 5 de junho. O dono de uma grande empreiteira reconheceu ter pago US$ 120 milhões de propina para obtenção de um contrato de US$ 3,4 bilhões, para construção de cascos de plataformas em estaleiro gaúcho, adquirido pela empresa com oportuno financiamento de um fundo de pensão de funcionários de uma instituição financeira federal. Um circo de horrores.

Tanto no caso do BNDES como no da política de conteúdo local, os grandes agraciados tentam agora brandir os empregos que teriam sido criados graças às generosas benesses que receberam. É preciso lançar luz sobre as duas políticas e fazer as contas cabíveis, na linha do que alguns analistas já vêm fazendo. Tendo em vista a magnitude da geração de emprego associável a tais políticas, será difícil justificar custos sociais tão altos e redistribuição tão perversa de renda patrocinada pelo próprio governo. Há formas bem mais baratas e menos iníquas de gerar empregos.


Já é hora de o PT reconhecer um fato que salta aos olhos. Se, de um lado, os governos petistas levaram adiante programas inegavelmente exitosos de redistribuição de renda, como o Bolsa Família, de outro, se permitiram adotar, com apoio entusiástico do partido, políticas escancaradamente concentradoras, que implicaram transferências colossais de renda e riqueza a detentores de “grandes fortunas”. Enquanto tentavam minorar a concentração de renda com a mão esquerda, a agravavam com a direita.

É preciso, agora, sustar com urgência a concentração de renda e riqueza que vem sendo imposta pela mão direita do PT.

A árvore e a fé

Diante do horror das decapitações e das demolições de monumentos arqueológicos, contemplo as árvores da chácara.

As árvores são o contrário dos fanáticos, que pregam uma só crença para todos, sob pena de morte, e com regulamentos de todo tipo para a vida. Não vestir isto, não comer aquilo, rezar assim-assim.
Enquanto isso, as árvores são fontes de vida e generosidade. Não dão apenas sementes, para reprodução, mas sementeiam e frutificam para os pássaros, os bichos, os humanos, como também dão folhas para a terra, flores para o vale, galhos para o vento, perfumes para a noite, oxigênio para o planeta.

Porque existiriam tantos frutos da terra se não fosse para todos serem comidos ou de alguma forma transformados? Porque existiriam tantos frutos do mar se não fosse para todos terem o direito de lutar pela vida? A vida não pode ser, além de uma luta, também uma festa em vez de apenas arena de sacrifícios?

A árvore não escolhe onde nasce, nem nós.

A árvore estará condenada a viver com mais ou menos sol e vento, em terra boa ou ruim, conforme onde germinar a semente. Também gente será católica, evangélica ou islâmica conforme o país e a família onde nascer, como também poderá mudar de crença quando crescer, ao contrário da árvore que é transformada em móveis ou lenha.
Se temos essa liberdade de mudar, não será por criação divina? Querer que todos tenham a mesma crença não será o mesmo que querer que todas as árvores sejam iguais? Como haveria frutos se só houvesse pinheiros?

A variedade é o fermento da democracia, como a uniformidade é o cimento do fanatismo. O fermento faz a massa crescer, o cimento é massa morta, condenado à erosão.

O democrata abraça e confraterniza, o fanático rejeita e agride. Um culto ecumênico é tão mais bonito quanto mais religiões congrega, do católico ao umbandista, do evangélico ao espírita, do budista ao ateu. Sim, o ateu consciente não só respeita como participa do ritual ecumênico, como o cacto participa do jardim e também dá flores e frutos.

Sim, Putin é o novo Hitler e o Estado Islâmico é o novo nazismo. Mas Mandela não morreu. Ghandi continua tecendo sua roca. Tenhamos fé no jardim da vida. A árvore da democracia tem apenas dois mil anos, e continua a crescer e se transformar. Os martelos, as foices, as picaretas e as bombas não vencerão, porque o destino humano é melhorar , tenhamos fé.

Boto o ponto final nesta crônica, olho pela janela e – surpresa – a laranjeira começou a florir! Vou lá cheirar o perfume, eis que onde enterrei lixo orgânico a seu pé, está brotando uma aboboreira. E a palmeira-real abriu seu cacho de flores brancas que virarão coquinhos vermelhos. Como não ter fé na vida e na sua variedade?

Domingos Pellegrini