segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Golpe? Jamais! Impeachment? Depende


Dinheiro sujo financiou parte da campanha de Lula para presidente em 2002. Suspeita-se que dinheiro igualmente sujo financiou as duas campanhas de Dilma.

Ouvi do prefeito de uma das capitais brasileiras mais importantes: “Foi a ação dos Black blocs que nos salvou, os governantes, quando o povo saiu às ruas em junho de 2013 cobrando melhores condições de vida”.

A ação dos baderneiros mascarados esvaziou as manifestações por passagens de ônibus mais baratas, saúde e educação eficientes, reforma agrária, lazer, contra a corrupção e contra a impunidade.

Por enquanto, os Black blocs saíram de cena. No seu lugar entraram pessoas agenciadas não se sabe por quem ou simplesmente pessoas que acreditam que a volta dos militares ao poder fará bem ao país.

Muitas entre essas pessoas pedem o fim do comunismo como se ele ainda existisse. A propósito, não vale citar a China e a Rússia. São imitações grotescas, macaqueadas de regimes comunistas.

De repente, a presidente Dilma e a sua turma ganharam aliados onde menos esperavam. Os que pedem um golpe militar, quer queiram quer não, podem contribuir para esvaziar passeatas e comícios dos insatisfeitos “com tudo isso que está aí”.

Por “tudo isso” entenda-se o grosso das mesmas reivindicações de junho de 2013, com ênfase crescente no combate à corrupção e à impunidade.

Há 15 dias, 2.500 pessoas ocuparam a avenida Paulista em protesto contra o governo Dilma. Foram cinco mil no último sábado em ato apoiado pelo PSDB e partidos da oposição.

Minoritária, a porção dos golpistas tenta se misturar com a porção dos insatisfeitos. Essa, por sua vez, tenta se distinguir da outra. Mais políticos compareceram à primeira manifestação do que à segunda.

Os principais líderes da oposição, entre eles Aécio Neves (PSDB-MG), correm o risco de se meter numa saia justa.

Por mais que digam o contrário, são acusados pelos partidários do governo de defender o golpe militar. Se não defendem o golpe, se batem pelo impeachment da presidente da República, o que militantes espertos do PT apregoam como sendo outro tipo de golpe. Não é.

Aécio está ficando rouco de tanto repetir: "Olha, eu não sou golpista, sou filho da democracia. (…) Não acho que exista nenhum fato específico que leve a impeachment. Essas manifestações [golpistas] que se misturam com as manifestações democráticas têm meu repúdio veemente".

Talvez devesse ir à próxima passeata reafirmar de público seu compromisso com a legalidade.

Impeachment não é golpe. Fernando Collor, o primeiro presidente do Brasil eleito pelo voto direto depois de 21 anos de ditadura, foi derrubado pelo Congresso via um processo de impeachment.

domingo, 7 de dezembro de 2014

Fidelidade


Justiça é cega, mas sente cheiro

É tempo de por as barbas de molho. O Petrolão, o maior escândalo de corrupção num país dito democrático, está prestes a se tornar muito em breve, quando sair das portas da Polícia Federal, em Curitiba, em um anoréxico Mensalinho 2.

Poucas cabeças serão cortadas para “acalmar as massas” e muitos mais nomes serão blindados em definitivo, particularmente aqueles que mais próximos estiverem do PT, a fortaleza dos quadrilheiros.

Basta acompanhar o noticiário. O Congresso está de cócoras, o país refém e o tribunal recheado de petistas de toga, o que se repete em estados e municípios. O único poder imune e impune eternamente é o Legislativo, blindado por suas virtudes de democracia popular, metáfora de uma ditadura partidária.

No Petrolão, aos poucos vai-se minando as investigações com soltura dos meliantes, a mando superior. Duque, sob a alegação de que não é crime ter dinheiro no exterior – mesmo que provenha de corrupção, está livre, leve e solto. E assim deve ficar imune devido a ostentar o título nobiliárquico de representante do PT na Petrobras. Isso basta para inocentar qualquer crime de uns trocadinhos ilegais a milhões de dólares.

As provas de dinheiro da corrupção abastecendo o partido até são refutadas em nível de ministério. Um daqueles absurdos de um ministro de governo sair em defesa do seu partido, postura que deveria ser da administração partidária. Mas como o governo é o PT, e não a presidente como supõem os inocentes, está claro que seus ministros devem sair mais em defesa partidária do que defender o cidadão. 

Outro caso da ingerência petista é o de Vaccari, já incriminado por um prontuário criminal, também é outro a quem o chamado braço da Justiça nem se atreve a apontar em sua direção. A blindagem do tesoureiro é total. Sequer ainda foi encontrado para se apresentar à Justiça para responder por crimes passados, que dirá sobre a Petrobras.

O braço da justiça brasileira também está ficando curto para outros casos de aliados envolvidos em crimes. E assim vai se encurtando cada vez mais e crescendo para cima de quem se atrever a denunciar que os petistas são marginais.

Com uma Justiça dessas fica fácil cometer o crime que se quiser, desde que leve no peito a senha da Estrela Guia.

Leia!


Congestão cívica

O PT perdeu o monopólio das ruas e conta agora apenas com a possível eficácia do aparelhamento das instituições.
 Um mérito não se pode negar ao PT: ao exacerbar a níveis impensáveis vícios que estão na origem e formação política do país – corrupção, populismo, impunidade, patrimonialismo, fraude eleitoral -, provocou uma espécie de congestão cívica.

O organismo nacional habituara-se a conviver com tais mazelas em graus, digamos, homeopáticos. Não estava preparado para uma overdose. O resultado é a diarreia institucional a que se assiste. O PT funciona como um purgativo que, no processo de desenvolvimento político do país, será um dia reconhecido como necessário para a cura de infecções imemorialmente instaladas.

Se se mantivessem os padrões anteriores de assalto aos cofres públicos e privatização do Estado, o partido teria contribuído para preservá-los. Não teria, numa palavra, feito a diferença. Ao levá-los ao paroxismo, com o propósito de perpetuar-se no poder – ou, como diz o texto de sua reforma política, de “tornar hegemônica a sociedade” -, sacudiu o espírito de tolerância da população.

Fez com que o cidadão comum – que paga impostos e mantém o Estado – obedecesse o que lhe pediu (com outra intenção, óbvio) o próprio Lula: que tirasse “a bunda do sofá” e fosse às ruas reclamar. O que se tem, neste momento, não é exatamente, como se pensava em junho do ano passado, uma insatisfação difusa. Hoje, tem nome e CNPJ: o PT.

Há, sim, desarticulação e ausência de líderes, mas a insatisfação não é difusa: é infusa. Transbordou, depois de mais de uma década de expectativas contrariadas. Paulo Roberto Costa disse, na CPMI, que sempre houve nomeações políticas na Petrobras. Com certeza. E o propósito de colocar políticos – ou apadrinhados de políticos - em uma empresa de natureza técnica não tinha propósitos técnicos. Isso é também óbvio.

Mas jamais nenhum deles colocou em risco a própria sobrevivência da empresa, baixando-a do quinto lugar no ranking mundial para a 120º posição. Supor que a quantidade não faz diferença é como equiparar um homicídio ao genocídio, uma guerra entre policiais e bandidos à bomba de Hiroshima.


A sociedade brasileira acostumou-se a ter governantes desonestos. Uns roubavam, mas faziam; outros não roubavam, mas deixavam roubar. Nenhum, porém, ousou chegar à casa do bilhão; nenhum concebeu uma ação sinérgica, que envolvesse toda a máquina pública, sem exceção. O PT sabe disso.

Paisagens brasileiras

Chegada da noite, Vinícius Silva  

Vitória amarga

O que foi dito durante a campanha eleitoral não se compaginava com a realidade
Raras vezes houve vitória eleitoral tão pouco festejada. Nem mesmo o partido da vencedora, tonitruante e dado a autocelebrações, vibrou o suficiente para despertar o país da letargia. Os mais espertos talvez tenham percebido que seus quadros minguaram, com graves perdas de entusiasmo e adesão na juventude e certo rancor em setores do empresariado mais moderno.

A reeleita possivelmente saboreie o êxito com certo amargor. É indiscutível a legalidade da vitória, mais discutível sua legitimidade. O que foi dito durante a campanha eleitoral não se compaginava com a realidade. Só mesmo seu ministro da Fazenda, que coabita com o novo ministro designado, pôde dizer de cara lavada que a economia saíra da estagnação e que os males que a assolam vêm da crise mundial.

Recentemente, fazendo coro a esta euforia de encomenda, diante de dados que mostram um “crescimento” de 0,1% do PIB no trimestre passado, houve a repetição da bobagem: finalmente a economia teria saído da “recessão técnica”, de dois ou mais trimestres seguidos. Palavras, palavras, palavras, que não enganam sequer aos que as estão pronunciando.

Na formação do novo gabinete, a Presidenta começou a atuar (escrevo antes que a tarefa esteja completa) no sentido de desdizer o que pregara na campanha. Buscou um tripé “de direita” para o comando da economia. Na verdade, o adjetivo é despiciendo: a calamidade das contas públicas levou-a a escolher quem se imagina possa repô-las em ordem, pois sem isso não existe direita nem esquerda, mas o caos. Menos justificável, senão pela angústia dos apoios perdidos, é a composição anunciada do resto do ministério de cunho mais conservador/ clientelístico. Esperemos.


A Presidenta, com esta reviravolta, deve sentir certa constrangedora falta de legitimidade. Foi a partir da ação dela na Casa Civil, e daí por diante, que se implantou a “nova matriz econômica”: mais gastança governamental e mais crédito público, à custa do Tesouro. Foi isso que não deu certo, e serviu de alavanca para outros equívocos que levaram o governo do PT a perder a confiança de metade do país. Sem falar da quebra moral.

sábado, 6 de dezembro de 2014

Esperança


OAB fala da escravidão, e do Petrolão, nada

 A recente decisão tomada pelo Conselho Federal da OAB me fez ver como esses devaneios históricos transitam no Brasil. Devagar e sempre. Demoram mas vão para onde os querem levar. As motivações para que avancem são muitas e graves: é tudo questão de privilégio, poder e dinheiro.

A notícia me lembrou de um artigo que escrevi em 1999, para o Correio do Povo. Estávamos, no Rio Grande do Sul, sob o governo petista de Olívio Dutra, nosso conhecido Exterminador do Futuro. A Secretaria de Educação, totalmente dedicada à conquista gramsciana da hegemonia, lançara uma cartilha que tratava obviedades históricas como achados ideológicos do governo popular e democrático. O texto que escrevi a respeito dessa cartilha tinha por título “Aqui são outros quinhentos” e, lá pelas tantas, dizia assim:

“Doravante, de acordo com o livrinho vermelho dos pensamentos da SEC, passa-se a ensinar a grande novidade de que havia índios no local do desembarque ocorrido em 21 de abril de 1500, atribuindo-se a esse episódio, portanto, o nome de Invasão. Tal verdade histórica estabelece uma conveniente referência para homologar as práticas do MST. Nesse livreto é ensinado ao povo que o país chamado Brasil, constitui, há cinco séculos, um sinistro e gigantesco usucapião lançado contra os primitivos e legítimos proprietários.”

E prossegui, ironizando: “Também é denunciado, ali, que os ancestrais dos negros e mulatos foram trazidos para a América como escravos, nos infectos porões de navios negreiros. Quem ler a cartilha fica com a impressão de que antes do governo popular e democrático, a versão dominante é a de que os negros aportaram ao Brasil como turistas, a bordo de confortáveis transatlânticos. Só a democracia popular e participativa do governo petista teria permitido arrancar o véu da mentira e revelar para a História, que os escravos, inclusive, trabalhavam de graça e eram frequentemente maltratados.”

Passados 15 anos, chega a vez da OAB. Transitando ao largo de bibliotecas inteiras, toneladas de livros escritos sobre o tema em diversos idiomas, propõe ela que o governo crie uma Comissão da Verdade sobre a escravidão. A tarefa, é claro, tem que envolver o governo petista. Qualquer outro, mandaria a OAB cuidar da própria vida. Mas sabe bem a OAB que se o governo não participar não aparece dinheiro para a colheita.

Enfim, na perspectiva dos pais da ideia, tudo se passa como se a vinda dos escravos africanos fosse um mistério insondável, um autêntico naufrágio da verdade que agora, felizmente, sob um governo que sabe muito bem criar e se beneficiar de cisões e ressentimentos, será “resgatada” dos mais profundos abismos da história universal. Parolagem político-ideológica que a Secretaria de Educação do governo Olívio Dutra iniciou no Rio Grande do Sul há 15 anos e que, agora, poderá render um “fundo de reparação” cuja conta, como sempre, virá para a sociedade. Como será com a farra do “Petrolão”, a respeito do qual a OAB nada diz. 
Artigo de Percival Puggina transcrito de Tribuna da Internet

O PT perde o monopólio das ruas


Governo usa força contra povo

Ruth Gomes de Sá, 79 anos, na terça-feira (2), 
ao ser retirada das galerias (Imagem: André Dusek)

A verdade é que o PT está perdendo o monopólio das ruas e vai usar a sua “banda de música” organizada ou voluntária para tentar destruir a legitimidade de quem ousa manifestar-se fora da cartilha do partido. A máquina de moer reputações já está fazendo picadinho de quem tem a ousadia de cantar por outra partitura.

Como conviver com o comissariado


Privatizar Petrobras, pior opção


Entre as receitas para a crise que nos assola atualmente, a mais descrita nas entrevistas dos economistas que comandarão postos-chaves no futuro governo é a concessão de empresas públicas. É a receita da venda do patrimônio público, sem tirar nem por.

Discordo frontalmente da possibilidade de privatização da Petrobras, nossa maior empresa pública e motor do desenvolvimento nacional, desde a sua criação no governo Getúlio Vargas.

Por que discordar? Porque seria medida inócua, pois a corrupção no Brasil é endêmica. Portanto, sob o controle dos poderosos grupos privados, a corrupção seria ainda danosa para os brasileiros. Consórcios seriam formados e algum grupo internacional, associado às empreiteiras, venceria o leilão com financiamento do BNDES e o lucro iria para fora do país, talvez Europa ou Estados Unidos.

Privatizar, então, significaria vender aos algozes corruptores da Petrobras, ou seja, premiá-los por nos terem roubado por tantos anos, pois só agora, pelo aumento excessivo da tunga, o escândalo da quadrilha veio felizmente à tona.

O produto da riqueza petrolífera então deixaria de irrigar a economia já em decadência e passaria a compor a alavanca para países ricos driblarem a crise de 2008.

Falar em privatização soa como tirar o sofá da sala. Ao invés de vender nosso maior ativo, por que não se envereda pelo combate firme contra corruptos e corruptores? Empreiteiras e gestores públicos em sintonia da roubalheira devem amargar as fétidas prisões brasileiras sem pena nem dó, e também devolverem o produto do roubo depositado em paraísos fiscais.

É preciso estancar a rapina, substituindo os gestores aliados das empreiteiras nos negócios ilícitos e seguir em frente. No corpo técnico e administrativo da Petrobras há profissionais honestos e capazes, que podem assumir as funções de direção e gerência, e as indicações políticas não podem continuar, sob pena de eternização das mesmas maracutaias num futuro próximo.

Empresa pública não combina com indicações partidárias, isso foi constatado ao longo da história do Brasil. Apenas empregados orgânicos deveriam ocupar cargos tanto na Petrobras como em todas as empresas públicas, do mais simples até a Diretoria. Já está na hora de impedir que empregados honestos amarguem a geladeira, por não concordarem com a corrupção.

O nó da questão será saber quem colocará o guiso no gato. E só tenho uma certeza, a de que a privatização não é o remédio ideal, talvez seja o pior deles.
Artigo de Roberto Nascimento transcrito de Tribuna da Internet 

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Presidenta domadora


Como conviver com a lambança


Argumentos jurídicos podem ser despejados em cascata para justificar a liberdade do ex-diretor da Petrobras, Renato Duque, concedida em habeas-corpus pelo ministro Teori Savaski, do Supremo Tribunal Federal. Mas parece no mínimo vingança da natureza que no mesmo dia, quarta-feira, tenha sido conhecida a delação premiada do empresário Augusto Ribeiro de Mendonça, da Toyo Setal, braço brasileiro de uma multinacional japonesa. Porque o agora candidato à diminuição da pena a que será condenado revelou haver a empresa repassado 152 milhões de reais a título de suborno, por orientação de Renato Duque, para o clube das empreiteiras conseguir contratos com a Petrobras. Aliás, 4 milhões foram doados a campanhas eleitorais do PT.

Os outros 148 milhões foram distribuídos entre dirigentes da Petrobras e políticos de variados partidos, registrando-se que um subordinado de Renato Duque na estatal petrolífera, o ex-gerente Pedro Barusco, por enquanto preso, comprometeu-se a devolver 248 milhões depositados em bancos na Suiça. Ele também pretende uma condenação menor, aguardando-se com curiosidade sua delação premiada, certamente mais explosiva ainda.

Dá para entender que um ladravaz confesso se encontre fora das grades apenas porque o ministro Teori considerou que dinheiro depositado no exterior não justifica prisão preventiva? Mesmo tendo sua origem sido confessada?

Não se passa um dia sem que mais detalhes do escândalo da Petrobras ganhem as manchetes. Pelo jeito, não só da Petrobrás, mas conforme depoimento de outro bandido, por sinal cumprindo pena em casa, estão envolvidas várias empresas públicas encarregadas dos setores hidroelétricos, rodoviários, ferroviários e ligados a portos e aeroportos. Toda essa roubalheira aconteceu nos últimos anos, parecendo difícil ter sido ignorada pelo primeiro escalão do governo.

Só falta, agora, conhecer a lista de dezenas de políticos implicados nesse assalto aos cofres públicos na forma de contratos superfaturados, escolhas fajutas de empreiteiras, propinas entregues a partidos e centenas de milhões desviados para o exterior.

Pode um governo conviver com tamanha lambança? Agora que se aguarda a composição do novo ministério, que tal se candidatarem o Tigrão, o Melancia e o Eucalipto?

O papel do Estado


 O Governo Federal tem uma notícia boa e uma ruim.

A boa: não haverá nenhum tipo de racionamento de energia elétrica nesta Administração.

A ruim: a população precisa economizar papel higiênico.

Com o lobby ecológico, não se pode mais sair desmatando por aí como antigamente, usando motosserras em qualquer jacarandá. Um número enorme de entidades internacionais vêm nos boicotando. E nossa dependência a elas é considerável.

Como papel é feito de celulose e celulose vem de árvores, não temos mais condição de esbanjar folhas de nenhuma espécie. Pedimos assim a todos os brasileiros: diminuam em 50% a utilização de papel higiênico.
Temos consciência da enorme importância da assepsia nas áreas íntimas corpóreas. Uma nação nunca será altiva em meio ao caos e à catinga. Mas existem formas criativas de se manter asseado, sem consumir meio rolo a cada ida ao toalete.

Nunca dobre muitas vezes o papel antes de efetivar a operação em si. Dobrando-o apenas uma vez, já é possível evitar que ele se fragmente, causando danos a você e ao meio-ambiente.

Enrolar um pedaço pequeno de papel no dedo indicador e fazer todo o procedimento apenas, e tão-somente, com essa pequena faixa é a recomendação mais sensata, segundo respeitados institutos de pesquisas tecnológicas. Corre-se o risco de algum acidente, mas nada que uma ducha rápida (lembre-se de que a água continua sendo racionada) não resolva.

O uso de algodão pode ser uma alternativa à necessidade premente de não gastar papel. Desde que não se use álcool ou benzina no momento da limpeza.
Cortar os pedacinhos em cima do picote é igualmente recomendável, posto que um milímetro economizado multiplicado por milhões de habitantes evitaria o Privadão – retirada de todo papel higiênico do mercado pelo Governo Federal por tempo indeterminado.

O consumidor de mais de um rolo semanal receberá uma notificação informando-o de quanto será sua economia-mês. Quem consumir mais de três rolos semanais será inicialmente notificado e, repetindo a infração, pesadamente multado (valores e cálculos no sítio do Ministério da Fazenda). Se continuar infringindo, o banheiro da casa será lacrado pelo Ministério da Saúde.
Usuários de fraldas e consumidores de menos de um rolo semestral estão fora do novo racionamento.

Os pedidos de revisão de meta devem ser enviados por e-mail para o Ministério da Justiça acompanhados de provas materiais da necessidade de mais rolos (relatos juramentados de situações constrangedoras em público, perda de emprego, estados diarréicos crônicos).

São medidas duras e que não vão cheirar nada bem na Comunidade Internacional.

Mas sem elas, o país vai descarga abaixo.

Belo Monte: anatomia de um etnocídio


A procuradora da República Thais Santi conta como a terceira maior hidrelétrica do mundo vai se tornando fato consumado numa operação de suspensão da ordem jurídica, misturando o público e o privado e causando uma catástrofe indígena e ambiental de proporções amazônicas
Quando alguém passa num concurso do Ministério Público Federal, costuma estrear no que se considera os piores postos, aqueles para onde os procuradores em geral não levam a família e saem na primeira oportunidade. Um destes que são descritos como um “inferno na Terra” nos corredores da instituição é Altamira, no Pará, uma coleção de conflitos amazônicos à beira do monumental rio Xingu. Em 2012, Thais Santi – nascida em São Bernardo do Campo e criada em Curitiba, com breve passagem por Brasília nos primeiros anos de vida – foi despachada para Altamira. Ao ver o nome da cidade, ela sorriu. Estava tão encantada com a possibilidade de atuar na região que, no meio do curso de formação, pegou um avião e foi garantir apartamento, já que as obras da hidrelétrica de Belo Monte tinham inflacionado o mercado e sumido com as poucas opções existentes. Thais iniciava ali a sua inscrição na tradição dos grandes procuradores da República que atuaram na Amazônia e fizeram História.

Ela (Hannah Arendt) lia o mundo do genocídio judeu. E eu acho que é possível ler Belo Monte da mesma maneira

Ela já teve a oportunidade de deixar Altamira três vezes, a primeira antes mesmo de chegar lá. Recusou todas. Junto com outros procuradores do MPF, Thais Santi está escrevendo a narrativa de Belo Monte. Ou melhor: a narrativa de como a mais controversa obra do PAC, o Programa de Aceleração do Crescimento dos governos Lula-Dilma, um empreendimento com custo em torno de R$ 30 bilhões, poderá ser julgada pela História como uma operação em que a Lei foi suspensa. E também como o símbolo da mistura explosiva entre o público e o privado, dada pela confusão sobre o que é o Estado e o que é a Norte Energia S.A., a empresa que ganhou o polêmico leilão da hidrelétrica. Fascinante do ponto de vista teórico, uma catástrofe na concretude da vida humana e de um dos patrimônios estratégicos para o futuro do planeta, a floresta amazônica.
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A jovem procuradora, hoje com 36 anos, conta que levou quase um ano para ver e compreender o que viu – e outro ano para saber o que fazer diante da enormidade do que viu e compreendeu. Ela se prepara agora para entrar com uma ação denunciando que Belo Monte, antes mesmo de sua conclusão, já causou o pior: um etnocídio indígena.
Leia a entrevista
O mundo do tudo é possível é um mundo aterrorizante, em que o Direito não põe limite. O mundo do tudo possível é Belo Monte.

Medida de Mujica

Não estamos aqui pelo dinheiro e temos que botar para correr da política a todos aqueles que gostam muito de dinheiro. Essa é a primeira medida
José Mujica

O presidente do 'Clube'


O empresário Ricardo Pessoa, presidente da empreiteira UPC e do “Clube” do cartel das 13 empresas, que o professor Helio Duque chama de “Clube da Roubança”, ainda hoje preso na Policia Federal, confessou :

– “Só tenho um amigo no governo, o Lula”

É por isso que de repente Lula sumiu. Ele está sentindo a batata assando perto dele. As “delações premiadas” continuam, cada dia mais numerosas e mais reveladoras. O Ministério Publico já começou a encaminhar ao Supremo Tribunal Federal, que é o relator da ação, as confissões, denúncias e provas de crimes  de políticos ou onde os políticos são citadas ou denunciados. Um paiol de escândalos. Lula e Dilma já ardem.

O doleiro confessou que Lula e Dilma sabiam de tudo. E é evidente que sabiam. Com tantos milhões de dólares escorrendo por cima e por baixo das mesas e gavetas deles, seria impensável não saberem de nada.

Quando deixou o Governo, Lula saiu pelo mundo, em jatinhos dos empreiteiros, financiado pelos empreiteiros, fingindo que estava fazendo “conferências lá fora” (logo ele que mal e tropegamente fala o  português), mas na verdade fazendo lobby para os empreiteiros, patrões do “Clube”.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Jeitinho brasileiro de governar


Superávit inconstitucional, ilegítimo e imoral


Como se comportarão as ruas diante deste anunciado corte distributivista e do momento eleitoral que os municípios viverão em dois anos?

Qualquer que seja o tamanho do pedágio que Dilma e o governo do PMDB (com o PT o secundando) paguem aos rentistas para governar, urge lembrar o óbvio. Em um Brasil cheio de dívidas sociais históricas, é ilegítimo e imoral tirar dinheiro da saúde, educação, saneamento e outras áreas prioritárias para pagar uma dívida pública que não se sabe até onde atende mínimos preceitos republicanos – como preconiza o instrumento do superávit primário, vaca sagrada do credo neoliberal.

É, também, inconstitucional poupar naquilo que de redistributivo tem o Estado para atender à banca e seus associados no Congresso e nos conglomerados da comunicação, que sempre viveram de drenar volumes massivos e crescentes de recursos públicos.

Pra frente, Brasil!

 
Foto: José Castello
Abandonais milhões de crianças aos estragos de uma educação viciosa e imoral. A corrupção emurchece, à vossa vista, Essas jovens plantas que poderiam florescer para a virtude. E vós as matais, quando, tornadas homens, cometem os crimes que germinavam desde o berço, em suas almas. E, no entanto, que é que fabricais? Ladrões, para ter o prazer de enforcá-los
Thomas Morus 

Melhorar nem daqui a um ano



O tamanho do ajuste fiscal requerido para pôr a casa em ordem é sem precedentes. É inviável atingir tal melhora em apenas um ano. Trata-se de um programa de ajuste para ser realizado em três anos, contra o pano de fundo de uma administração que não só se mostrou incapaz de atingir suas metas mas também deliberadamente produziu a maior deterioração fiscal de que se tem notícia no país nos últimos 20 anos
Alexandre Schwartsman, Ex-diretor do Banco Central no governo Lula

Lula tenta esconder cartão corporativo de Rose


Em plena efervescência da nomeação do novo ministério, o ex-presidente Lula anda muito sumido e a gente fica até pensando se desta vez ele vai mesmo permitir que, pelo menos, a presidente Dilma faça a escolha dos seis ministros da chamada “cota” dela.

Lula submergiu, mas sabe-se que ele não abriu mão de nomear os ministros da Fazenda, da Educação e das Cidades. Quer dizer, Joaquim Levy é indicação dele. Falta preencher as outras duas pastas, e todos sabem que Dilma Rousseff não ousa contraditar seu antecessor, criador e preceptor.

Nos bastidores, no momento Lula tenta cuidar de um problema muito mais grave do que nomear ministros. Trata-se de evitar mais desgaste em sua imagem de homem público, que desde o episódio do mensalão vem sendo deteriorada progressivamente, e agora a situação se complicou muito com a corrupção na Petrobras e o desenrolar do caso Rosemary Noronha.

No momento, a preocupação maior de Lula e evitar a divulgação dos abusivos gastos feitos no cartão corporativo da Presidência por sua companheira de viagens internacionais, digamos assim. Como se sabe, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) já determinou que o Planalto divulgue ao jornal O Globo os gastos de Rosemary no cartão.

Com a morte de Marcio Thomaz Bastos, Lula ficou desprotegido em matéria de assessoria jurídica. Não há maiores informações, mas tudo indica que, no desespero, o governo impetrou um recurso extraordinário ao Supremo. Acontece, porém, que o próprio STJ pode indeferir a manobra protelatória, por não se tratar de questão constitucional, e dar a questão por encerrada. Portanto, em breve saberemos se houve recurso e se subiu ou não.

O que se sabe é o seguinte: se forem divulgados os gastos de Rosemary com o cartão corporativo da Presidência da República, a imagem de Lula estará seriamente comprometida junto à opinião pública, porque ele será ridicularizado no Brasil e no exterior.

E o mais interessante é que a presidente Dilma Rousseff está doida para liberar logo essas informações. Se depender do apoio dela, Lula estará liquidado. A verdade é que Dilma não quer mais aceitar as ordens do ex-presidente, mas ainda não tem como se livrar dele. Por isso, vai quebrar o sigilo do cartão corporativo de Rose com um sorriso enviesado nos lábios.

Há alguns meses, quando o movimento “Volta, Lula” estava ganhando força no PT, foi Dilma quem mandou “vazar” uma série de informações sobre Rosemary ao repórter Vinicius Sassine, de O Globo. Dilma e Lula se odeiam e fingem que se amam. Mas em sociedade tudo se sabe, como dizia Ibrahim Sued. 

O dragão da roubalheira

Hospital em Maricá vai reproduzir na
fachada silhueta de Che em ministério cubano
Os escândalos não bastam ao PT. Agora já antecipam os próximos crimes com naturalidade. Fazem do novo lance de criminalidade explícita um evento maravilhoso. 

No feudo petista de Maricá, o prefeitinho continua a copiar modelos federais para instituir a cidade modelo da estrela vermelha, mas que não passa de uma vilazinha recheada do neo-coronelismo.

Com a infestação do comissariado, como guarda-costas, e sem novidades para anunciar em sua agenda positiva, aposta num crime amnunciado. Antecipa a corrupção e o superfaturamento num só pacote. Estrondosa salva de patas.

Tudo bem embrulhado sob o nome e a imagem de Che Guevara, ícone de camiseta para muitos dos que se arvoram revolucionários no município. Sabem do médico argentino de ouvir falar, ainda mais que na maioria são analfabetos funcionais. O resto da muletada, nem isso.

É que prometido desde a campanha da reeleição, há dois anos, o novo hospital, apelidado de Che Guevara, que nem saiu do papel e só teve o terreno limpo do matagal, vai ter novo orçamento. Devido aos ajustes no projeto – sem falar nos aditivos que inevitavelmente virão como já são de praxe no petismo - o valor de construção, segundo o governo, pulou de R$ 16 milhões para R$ 60 milhões, um aumento de 275%.

O alto preço, segundo justificava municipal, se deve à necessidade de “se antecipar às recomendações que seriam encaminhadas pela Vigilância Sanitária estadual”. Leia-se assim que o projeto inicial foi propositadamente incompleto para justificar não só uma “reformulação”, mas um aumento exagerado a fim de atender ao superfaturamento de obras como já se tornou comum nos inúmeros roubos protagonizados por esse governo municipal.   

Essa não será a primeira roubalheira orquestrada pela quadrilha petista no município. Da mesma forma, inauguraram simbolicamente um centro cultural que deveria ser entregue em setembro de 2012 dentro da campanha de reeleição. Este ano, depois de mais um ano de paralisação, as obras recomeçaram ao custo de quase R$ 900 mil como complementação, quando o custo do centro era de R$ 1 milhão.

A obra do hospital será mais uma falcatrua governamental no rosário de apropriação indébita dos cofres públicos não só como roubo pra valer, mas como ajuda de custo às candidaturas da mulher do prefeito e de seu líder de governo respectivamente à Alerj e à Câmara federal. Serão dois postes para gerar as famigeradas verbas parlamentares que nunca chegam para a melhoria de vida do município, porque escoam pelo caminho. 

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Matar é limpo


Chantagem explícita


 Al Capone vendia proteção aos comerciantes de Chicago. Se não pagassem, mandava seus capangas incendiar e até jogar bombas nos estabelecimentos.

Exceção das explosões, qual a diferença entre a ação do rei dos bandidos americanos e a ameaça feita pela presidente Dilma aos líderes dos partidos da base oficial, na noite de segunda-feira? Ela comunicou que só liberaria 444,7 milhões para as emendas individuais ao orçamento, de deputados e senadores, caso eles aprovassem o projeto alterando as metas fiscais para o ano em curso. Condicionou a entrega de recursos para obras nos municípios à votação do projeto alterando a Lei de Diretrizes Orçamentárias, permitindo ao governo descumprir a meta fiscal deste ano e transformar deficit em superavit.

O nome dessa operação é chantagem. Importa menos se parte das emendas individuais cheira mal, tendo em vista ligações espúrias entre seus autores e empreiteiros de obras superfaturadas. De qualquer forma, serão escolas, postos de saúde, pontes, estradas vicinais e uma infinidade de outras iniciativas destinadas a beneficiar municípios e regiões do interior.

A gente pergunta como tamanha barganha pode acontecer senão à luz do dia, pelo menos já de noite, sob os holofotes da sala de reuniões da presidente Dilma com seus líderes. Pior é que os fotógrafos registraram todo mundo rindo, como numa festa de Natal antecipada. Houve um adendo, quando a anfitriã acrescentou que seria aprovar o projeto de mudança na LDO ou o governo cortar verbas para obras em estados e municípios.

Como tamanha indecência pode acontecer? Primeiro por não ser novidade, muito menos prerrogativa da administração do PT. Ainda que sem a desfaçatez de um ato público, faz tempo que essas coisas se repetem, calcadas na Oração de São Francisco: é dando que se recebe. Do Brasil Colônia à Monarquia e à República, das ditaduras à democracia, a regra tem sido a mesma.

DE HERODES AOS TEMPOS ATUAIS
Herodes cuidou das criancinhas, chacinando milhares. Agora chegou a vez dos velhinhos. O governo anuncia que por conta do aumento da idade média dos brasileiros, será reduzido em 0.65% o cálculo das aposentadorias. Quer dizer, os velhinhos receberão menos porque viverão mais.
Artigo de Carlos Chagas transcrito de Tribuna da Internet

Confirmado o que se desconfiava


Passei seis meses na carceragem de Curitiba, até que, por ter uma alma mais pura, resolvi fazer a delação de tudo o que acontecia na Petrobras. E não só lá: isso acontece no Brasil inteiro, nas rodovias, nas ferrovias, nos portos, nos aeroportos e nas hidrelétricas.
Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras 

Dilma manda às favas todos os escrúpulos




Quer saber o que é diálogo no entendimento da presidente Dilma Rousseff?

Em resumo, é o seguinte: eu mando e você obedece. Se obedecer será gratificado. Do contrário, prepare-se para sofrer represália.

Fui claro?

Ninguém foi mais claro do que a própria Dilma.

Na semana passada, os partidos aliados do governo fizeram corpo mole e faltou quórum para que o Congresso votasse o decreto assinado por Dilma que muda a meta fiscal de 2014.

Com esse objetivo, está marcada para esta noite uma nova sessão do Congresso.

O que fez Dilma para “convencer” senadores e deputados a aprovarem o decreto?

Editou outro decreto que condiciona uma nova liberação de R$ 444,7 milhões para pagamento das emendas individuas dos parlamentares ao Orçamento da União à aprovação do decreto que muda a meta fiscal deste ano.

É dando que se recebe, segundo São Francisco de Assis.

Os R$ 444,7 milhões garantem uma fatia de R$ 748 mil para cada um dos 513 deputados e 81 senadores – dinheiro a ser empregado em obras nos redutos eleitorais deles.

Se a meta fiscal não for mudada, adeus o dinheiro das emendas. É o que está dito no novo decreto assinado por Dilma.

Para que os parlamentares não sejam amanhã acusados de trocar o voto por dinheiro, Dilma se reuniu ontem à noite com 23 líderes de partidos (isso mesmo, 23 líderes de partidos) e pediu o empenho deles pela aprovação da nova meta fiscal.

Era a desculpa que queriam os líderes para justificar o voto dos seus liderados. Como recusar um pedido da presidente? E logo agora quando a caneta dela está cheia de tinta para assinar promoções e distribuir cargos?

Verdadeiramente espantosa a sem cerimônia com que Dilma 2, a pragmática, está se impondo à Dilma 1 - a ex-faxineira ética.

Sem cerimônia e sem vergonha.

Entre vaias e segredos


Metade da diretoria da Petrobras sob comando de José Gabrielli é alvo de investigações por corrupção e lavagem de dinheiro no Brasil, nos EUA, na Holanda e na Suíça

Ele se surpreendeu ao voltar de uma viagem a Portugal, dias atrás. Primeiro, com ocasionais zombarias dentro do avião, audíveis o suficiente para incomodá-lo durante toda a travessia do Atlântico. Na chegada, sob um coro de vaias a bordo, o baiano José Sérgio Gabrielli de Azevedo, 65 anos, achou melhor desembarcar e procurar outro voo rumo a Salvador.

Um dos personagens mais influentes da era Lula, Gabrielli trocou o circuito acadêmico dos economistas em 2003 pela cadeira de diretor financeiro da Petrobras. Embarcado na presidência em 2005, ali ficou por sete anos. Tornou-se o mais longevo entre os 34 que comandaram a estatal nas últimas seis décadas.

Saiu há dois anos e nove meses, com a fantasia da candidatura ao governo da Bahia pelo PT. O sonho se perdeu na poeira da confusão crescente nas últimas 132 semanas sobre a sua gestão na Petrobras: num breve passeio pela sede da empresa, na Avenida Chile, no Centro do Rio, percebe-se como a maior estatal brasileira virou um conglomerado de advocacia e contabilidade, que também produz petróleo e derivados.

Metade da diretoria comandada por Gabrielli, até fevereiro de 2012, é alvo de investigações por corrupção e lavagem de dinheiro no Brasil, nos EUA, na Holanda e na Suíça. Dos seis ex-diretores, dois estão presos. Balanços estão em revisão, e auditores ainda relutam em subscrever a contabilidade de novos ativos, entre eles os da refinaria Abreu e Lima (US$ 20 bilhões), do Comperj (US$ 15 bilhões), de plataformas e sondas (US$ 17 bilhões). Os gastos nessas três áreas equivalem à soma do Produto Interno Bruto do Uruguai, do Paraguai e da Bolívia.
Leia mais o artigo de José Casado 

Agora é lei


A falta de escrúpulos do governo Dilma protagonizou esta semana um ato comparável ao fechamento do Congresso pelos militares. Se um utilizou um ato de força, os petistas apelaram para a "lei" e oficializaram a compra dos parlamentares através das verbas partidárias, concretizando em lei a prática condenada do mensalão. Todo o Congresso assim se torna um Poder títere, movimentado a dinheiro das emendas parlamentares e não mais ao respeito ao voto do eleitor.

Para o governo, a compra vai sair mais barata e muito mais segura do que a artimanha dos mensaleiros de Lula. Cada político, em Brasília, vai sair pela bagatela de R$ 748mil.

Vote comigo ou não terá dinheiro, chantageia a presidente em decreto, com a supremacia dos ditadores. O gesto é um ato arbitrário que condiciona os políticos eleitos aos desmandos governamentais em troca de dinheiro.
Fica claro o aparelhamento descarado e hipócrita do Legislativo, que poderá ter reflexos ainda maiores quando esse poderio da caneta e do dinheiro condicionar as Câmaras estaduais e municipais.

Pode haver quem veja algo comum, mas é incomum um Poder ser comprado pelo outro em uma democracia. A compra e venda só determina que a democracia propalada pelo PT não é nada mais do que uma ditadura partidária com sérios e perigosos efeitos para o país, sua governabilidade e seu desenvolvimento, ainda mais quando desce ladeira abaixo nas contas.

Se oficializa e se estabelece o preço de um deputado ou de um senador, para legalizar um crime administrativo, Dilma esclarece com o decreto que a eleição no Brasil é apenas uma questão de dinheiro e poder. O voto, que se dane, tanto do eleitor quanto do político foi jogado na lata do lixo. É mera formalidade na democracia do PT.

O fim num imenso bocejo


Arrisca-se a morrer de um ataque de bocejos quem permanecer, no PT, confiando nas promessas da presidente Dilma. Como aconteceu na reunião do Diretório Nacional do partido, em Fortaleza, no final da semana que passou, a primeira-companheira inundou a plateia com chavões de mudanças sociais cada vez mais ousadas. Parecia sobrinha do Lenin, tanto ao referir-se aos últimos quatro anos quanto aos próximos. Em vez de arrancar aplausos generalizados, porém, inaugurou um festival de imensos bocejos.

Porque os petistas conformaram-se com as notícias de que Joaquim Levy seria ministro da Fazenda, Katia Abreu, da Agricultura, Armando Monteiro, do Desenvolvimento, e Henrique Alves, da Previdência, além da certeza de que PR, PP, PSD, PDT e PTB não ficariam fora do ministério.

Todo esse conjunto, além de outras nomeações previstas, indica de forma inexorável o recuo definitivo do governo até as trincheiras da extrema direita. Tudo ao contrário da pregação de campanha da então candidata e, até mesmo, de suas atuais definições retóricas. Numa palavra, embromação. Na verdade, o segundo mandato prenuncia submissão aos postulados neoliberais e aos seus agentes. Mais uma vitória dos mesmos de sempre, anunciando aumento de impostos sobre a classe média, jamais dos potentados. Além de predomínio do agronegócio diante das pequenas propriedades, dos benefícios aos usineiros e do predomínio cada vez maior da previdência privada sobre a previdência pública. A conclusão é de que o PT, coitado, acabou no Irajá. Termina num imenso bocejo…

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Manutenção


Por que esse medo de escolher os mais bem preparados?


Novo Governo do Brasil será um teste para saber se estamos diante de algo novo ou se tudo acabará na clássica contemporização
Uma vez perguntei ao dono de uma grande empresa a que se devia o sucesso da mesma, e me respondeu sem pensar: “Porque sempre escolhi os melhores para dirigi-la”. Voltei a lhe perguntar se não temia ficar rodeado de personalidades até mais valiosas do que ele, já que poderiam lhe fazer sombra. Sorriu e me disse enigmaticamente: “Quem teme a luz ao seu redor é porque só sabe trabalhar nas trevas”.

No sábado passado um dos participantes do programa de televisão Globo News Painel, dirigido pelo genial jornalista William Waack, me trouxe à memória aquela conversa. O participante destacou a dificuldade que os governantes brasileiros demonstram para escolher (por exemplo para o cargo de ministro) os mais bem preparados, personalidades indiscutíveis, para quem não deveria ser difícil – exatamente por seu grau de excelência – oferecer toda a liberdade em suas decisões sem medo de que lhe façam sombra.

Pelo contrário, é quase impossível ver à frente de um ministério alguém de absoluta competência e rigor ético. O preço maldito que os governantes têm de pagar aos partidos políticos para ganhar seu apoio faz com que não cheguem a um ministério pessoas preparadas e de reconhecido conhecimento na matéria da qual serão responsáveis, mas figuras cinzentas para quem é mais fácil manejar e trabalhar para atuar em favor próprio do que para a nação.

Por que para ministérios vitais como o da Educação, das Cidades, da Saúde ou da Energia é necessário escolher um político de certo partido apesar de existirem personalidades muito mais brilhantes e capazes ainda que sem militância política concreta? Os ministros devem servir ao Governo da nação e não a estreitos cálculos políticos.

Verdades


Mentira, hábito e método



De comportamento inaceitável, a mentira virou hábito. E foi depois promovida a método. Esqueceu-se que mentira não constrói. Apenas entrega ilusão travestida de realidade.
 A verdade parece cada vez mais incômoda, inconveniente, desagradável, indesejável, enfim. Destinada a ser sempre protegida por um muro de mentiras.
A verdade não mais é ditada pelos fatos. A verdade passou a ser simples consequência da narrativa. De quem narra. De quando narra. Do por que narra.
                       Deu no que deu.

Faz 100 dias que Lula afronta o Brasil


Faz 100 dias que os brasileiros decentes foram afrontados pela descoberta do  escândalo em que Lula se meteu ao lado de Rosemary Noronha. Faz 100 dias que o país que presta é afrontado pela mudez malandra do caçador de votos que promoveu uma gatuna de quinta categoria a chefe do escritório da Presidência da República em São Paulo. Faz 100 dias que o ex-presidente foge de perguntas sobre o caso de polícia que protagonizou em companhia da Primeiríssima Amiga e dos bebês quadrilheiros de Rosemary.

Surpreendido pela divulgação das maracutaias comprovadas por policiais federais engajados na Operação Porto Seguro, Lula fez o que sempre faz quando precisa costurar algum álibi menos cretino: perdeu a voz e sumiu. Passou a primeira semana enfurnado no Instituto Lula. Passou as duas seguintes longe do Brasil, driblando repórteres com escapadas pela porta dos fundos ou pela cozinha do restaurante.

Recuperou a voz no começo do ano, mas ainda garimpa no porão das desculpas esfarrapadas alguma que o anime a enfrentar jornalistas armados apenas de perguntas sem resposta. Para impedir que a aproximação do perigo, tem recorrido a cordões de isolamento, cercadinhos, muralhas humanas e outras mesquinharias improvisadas para livrá-lo de gente interessada no enredo da pornochanchada financiada por cofres públicos que apresentou ao Brasil, entre outros espantos, os talentos ocultos de Rosemary Noronha.

O silêncio que vai completando 2.500 horas, insista-se, só vale para o caso Rose. Entre 23 de novembro de 2012 e 3 de março de 2013, excluídos os poucos dias em que teve de desativar o serviço de som, o palanque ambulante continuou desempenhando simultaneamente os papeis de co-presidente da República, presidente honorário da base alugada, chefe supremo da seita, protetor dos pecadores companheiros, arquiteto do Brasil Maravilha e consultor-geral do mundo.

Abençoou catadores de lixo e metalúrgicos, leu mais de 300 livros, fingiu entender o que Sofia Loren disse em italiano, avisou que os EUA nunca mais elegerão um negro se Barack Obama fizer besteira, louvou bandidos de estimação, insultou a oposição, deliberou sobre a tragédia ocorrida no jogo do Corithians em Oruro, explicou aos governantes europeus como se transforma tsunami em marolinha, recomendou a FHC que pare de dizer o que pensa e descobriu que Abraham Lincoln reencarnou no Brasil com o nome de Luiz Inácio Lula da Silva. Fora o resto.