quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Temos 'primeiro-ministro'


Dilma ainda não anunciou um nome sequer para o ministério que será de um “governo novo”. Mas o brasileiro descobre que Lula já está atuando na surdina como “primeiro-ministro”, a sombra soturna de um governo. Esta semana, na escondida Granja do Torto, longe da bisbilhotice da imprensa e raramente utilizada, o ministro sem pasta se reuniu com a presidente, o chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, e o presidente do PT, Rui Falcão, numa verdadeira confabulação do submundo da política.


O encontro é a confirmação de que o primeiro-ministro estará por trás da presidente durante os próximos quatro anos. Será o conselheiro para garantir que não mais em 2018 se passe novamente pelo sufoco de perder a eleição, uma vez que naquele ano tentará a volta ao Planalto. E vai lutar estes anos todos, como tem feito, debaixo dos panos, para que o PT não perca o domínio do Brasil. E neste vale fazer o diabo, os destinos de um país são definidos inclusive por um presidente de partido, um aloprado, um ex-presidente, na mais clara ditadura partidária.      

PT terá que aprender a conviver com a nova oposição

A rua não tem dono nem ideologia. Todos têm direito de ocupá-la democraticamente
O Partido dos Trabalhadores (PT) que acaba de ganhar as eleições com sua candidata Dilma Rousseff deverá aprender desta vez a conviver com a oposição, algo que não estava acostumado. O Brasil viveu sem ela nos últimos 12 anos de Governo petista. O carisma de Lula e suas conquistas econômicas e sociais, principalmente em seu primeiro mandato, tinham emudecido a oposição.

Se a ausência de um partido opositor – como existe em todas as democracias maduras dos países desenvolvidos – trouxe vantagens aos três mandatos do PT, é possível que a história descubra que também pode ter tido seu lado negativo.

Nem as melhores democracias sobrevivem imunes à corrupção e às tentações autoritárias sem uma oposição democrática, real, concreta, capaz de exigir que o Governo exerça a função concedida pelos eleitores. Nem mais, nem menos.

Como em uma família cujos filhos acabariam perdendo a identidade sem uma ação vigilante dos pais, também os governos podem se esquecer de sua função se não possuem o ferrão de uma oposição que os faça lembrar do que prometeram ao se eleger e os estimule ao cumprimento. E que os façam prestar contas.

O Partido dos Trabalhadores foi mestre na arte da oposição antes que o sindicalista Luiz Inácio Lula da Silva o levasse ao poder. Sabiam como ninguém ocupar as ruas e exigir. Fizeram oposição até ao texto da Constituição. Ninguém melhor do que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que sabe por experiência o que foi ter o PT como oposição, que gritava nas ruas e praças “Fora FHC!”. Aquela que, embora às vezes dura ao extremo, serviu de antídoto aos governos e até derrubou um deles do pedestal.

Ao chegar ao poder, o PT, que tinha até então vocação de dissidente e não de Governo federal, teve sorte não apenas de poder governar sem oposição, mas também de contar com um líder com grande força de atração nacional e internacional.

Nem sequer no momento crucial do escândalo de corrupção do mensalão, que foi o único momento dramático para Lula, a oposição quis endurecer e nunca pediu sua saída do Governo.

Agora, pela primeira vez, o PT pode começar a experimentar na própria carne o que significa uma oposição de verdade, que o novo líder Aécio Neves, forte com seus mais de 50 milhões de votos, afirmou que fará “sem adjetivos”, mas também com “total espírito democrático”.
Leia mais o artigo de Juan Arias

Miseráveis aumentam no Brasil


Após 10 anos de queda, número de miseráveis volta a subir no Brasil. Aumento de 3,7% é o primeiro desde 2003, quando miséria começou a cair. Em 2013, país passou a ter 10,45 milhões na extrema pobreza, mostra Ipea.

Após uma década de queda na miséria, o número de brasileiros em condição de extrema pobreza voltou a subir em 2013. O país tinha 10,08 milhões de miseráveis em 2012, contra 10,45 milhões um ano depois, segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que escondeu os números, a pedido do TSE, que seriam liberados durante a campanha eleitoral. 


Dilma passou a campanha toda se aproveitando de ser a Redentora da Miséria, um posto de mérito para Nobel, mas que agora se revela ter sido mais uma das grandes mentiras petistas. Em seu governo, aumentou o número de miseráveis no país em que o petismo deu fim à miséria. Dá pena que uma presidente chegue ao cúmulo de se aproveitar dos miseráveis apenas por mero interesse em continuísmo governamental.  

PT convoca seus 'soldados'


O PT está convocando a militância virtual “às armas” para combater as crescentes manifestações nas redes sociais pedindo o impeachment da presidente reeleita Dilma e a intervenção militar. O partido pede que os militantes visitem as páginas oficiais do partido e “armem-se” com argumentos para rebater os ataques nas redes e nas ruas.

A mensagem postada com o título “Militância, às armas” no perfil oficial do Partidos dos Trabalhadores no Facebook afirma que a vitória da presidente Dilma Rousseff “revelou o desespero de setores que insistem em ignorar a vontade da população". E que os "representantes do atraso" estariam tentando manter o acirramento para desestabilizar o segundo mandato da presidente reeleita no último dia 26 de outubro com 51,64% dos votos.

"Representantes do atraso, verdadeiros fantasmas do passado, eles tentam criar um terceiro turno da disputa eleitoral ao suscitarem sandices como intervenção militar e até o impeachment da presidenta. Esqueceram que o povo não é bobo! Mantenha-se informado em nossos canais e arme-se com argumentos para rebater a ignorância nas redes e nas ruas."
Leia mais 

Um Frankenstein mulambento

Demorou muito pouco para o PT colocar nas redes a campanha “Medo, o Retorno” como resposta às manifestações de sábado, que foram um gatilho desejável pelo próprio partido. Agora se acham no direito de responder como a ressureição dos “fantasmas do passado”, como intervenção militar e outras bobagens mais, resultado do que apontam como ignorância.

A velha cantilena petista já ficou mais desgastada do que o paletó de Frankenstein. A ditadura e golpe de direita estão mais longe do Brasil de hoje do que Marte. A maioria dos eleitores sequer sabe o que foram os anos de chumbo, desconfia através de relatos. Mesmo grande parte dos petistas só conhece a história de ouvir falar. 

Os sobreviventes daqueles anos sabem que não estamos mais vivendo sob ameaças imbecis como essa, que só fazem gerar um medo sem sentido. Nem mesmo o mundo ou a América Latina são os daquela época.

A lenga-lenga petista só serve mesmo para esconder e blindar os próprios companheiros, a gangue corrupta que assola o país, enquanto os chefões petistas aproveitam para “governar”. É mais uma cortina de fumaça para esconder os desmandos, a desgovernança, e purificar os ideais de dominação do país, porque a falta de caráter dos petistas não tem medida. 

Como a reunião de quatro cavaleiros do apocalipse na calada, sob a cobertura da noite, para decidirem os destinos do país. O que não é nada democrático. 

Anestesiados pela violência


Vivemos hoje uma total indiferença em relação à violência: notícias já não nos sensibilizam
Estive algumas vezes no México, sendo a mais recente em setembro, quando percorri de carro os pouco mais de 300 quilômetros que separam a Cidade do México de Xalapa, uma rodovia ampla e segura que oferece-nos uma paisagem inacreditavelmente diversificada, incluindo os espetaculares vulcões Popocatépetl e Iztaccíhuatl, um ao lado do outro, a mais de 5.400 metros de altitude. Comentava com Paco, o motorista que me acompanhava, sobre as belezas naturais, a riqueza do passado e a simpatia do povo, quando veio à tona a notícia do desaparecimento de 43 estudantes no estado de Guerrero.

O que nos parecia, em princípio, um fato revoltante, com o passar dos dias revelou-se um entrecho de terror. Os normalistas voltavam para sua cidade, após participarem de um protesto contra a forma de distribuição de vagas na universidade local, quando foram surpreendidos pela polícia, que, atacando os ônibus em que viajavam, causou a morte de seis pessoas e o sumiço de outros 43 adolescentes. Entregues, pasmem!, a um cartel de narcotraficantes, eles ainda não foram encontrados, nem vivos, nem mortos... As investigações apontam para um obsceno conluio entre autoridades governamentais e bandidos...

Apesar do absurdo da situação, esse não é um acontecimento isolado na história contemporânea do México. O país tem hoje regiões inteiras dominadas por bandoleiros, estradas proibidas para o tráfego, cidades fantasmas e campos abandonados. E uma população amedrontada e impotente, acuada pela aliança entre delinquentes e policiais, dominada por políticos corruptos, cujos interesses se confundem com os dos chefões do narcotráfico.

Mas não é do México que quero falar. É do Brasil.

Os números relacionados à violência no Brasil são estarrecedores. Segundo dados reunidos pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais, ligada à Unesco, tivemos 56 mil homicídios em 2012, ou 154 assassinatos por dia, o que nos coloca no vergonhoso sétimo lugar entre os países mais violentos do mundo. A morte de jovens, entre 15 e 29 anos, representa mais da metade de todos os homicídios – embora essa faixa etária corresponda a 27% do total da população. Todas as capitais apresentam níveis de violência considerados epidêmicos (mais de 10 homicídios para cada 100 mil habitantes), e as estatísticas mostram que não é muito diferente a situação nas cidades do interior.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

O próximo!


Poema do Alegre Desespero


Compreende-se que lá para o ano três mil e tal
ninguém se lembre de certo Fernão barbudo
que plantava couves em Oliveira do Hospital,

ou da minha virtuosa tia-avó Maria das Dores
que tirou um retrato toda vestida de veludo
sentada num canapé junto de um vaso com flores.

Compreende-se.

E até mesmo que já ninguém se lembre que houve três
[impérios no Egipto
(o Alto Império, o Médio Império e o Baixo Império)
com muitos faraós, todos a caminharem de lado
[e a fazerem tudo de perfil,
e o Estrabão, o Artaxerpes, e o Xenofonte, e o Heraclito,
e o desfiladeiro das Termópilas, e a mulher do Péricles,
[e a retirada dos dez mil,
e os reis de barbas encaracoladas que eram senhores
[de muitas terras,
que conquistavam o Lácio e perdiam o Épiro, e conquistavam
[o Épiro e perdiam o Lácio,

e passavam a vida inteira a fazer guerras,
e quando batiam com o pé no chão faziam tremer todo o palácio,
e o resto tudo por aí fora,
e a Guerra dos Cem Anos,
e a Invencível Armada,
e as campanhas de Napoleão,
e a bomba de hidrogénio,
e os poemas de António Gedeão.

Compreende-se.

Mais império menos império,
mais faraó menos faraó,
será tudo um vastíssimo cemitério,
cacos, cinzas e pó.

Compreende-se.
Lá para o ano três mil e tal.

E o nosso sofrimento para que serviu afinal? 
António Gedeão (1906-1997)

Fraudes e coincidências na reeleição


Uma das maiores surpresas dos brasileiros foi ligar a televisão no final da tarde e perceber que só estava ocorrendo apuração dos votos para governador nos Estados em que havia segundo turno. Nada de apuração da eleição presidencial.

Ninguém estava acostumado com isso. Nunca antes, na História deste país, isso tinha acontecido. Todos estavam acostumados àquela saudável e patriótica emoção de votos virem pingando de todo o país, até ocorrer o desenlace final.

Desta vez, não. As emissoras de TV ficaram embromando, fazendo debates entre intelectuais, enchendo linguiça e aguardando. E aguardando… Até que, depois da 20 horas, chegaram os primeiros resultados oficiais, que já vinham indicando a vitória de Dilma Rousseff, pois faltava apurar apenas 5% dos votos.

Como aconteceu isso? Ora, o estranho fenômeno eleitoral só ocorreu mediante uma série de “coincidências”.

1) O horário de verão, por decreto presidencial, começou dia 19 de outubro, às vésperas do segundo turno. Como atrapalhava a apuração (segundo o Tribunal Superior Eleitoral), bastava baixar um novo decreto adiando-o ou adiantando a hora no Acre, que só tem 500 mil eleitores e praticamente não influi nas eleições presidenciais. Mas por “coincidência”, o governo não fez uma coisa nem outra.

2) Sob esse ridículo argumento do horário da eleição no Acre, por “coincidência” o TSE do ministro petista Antonio Dias Toffoli criou a apuração secreta, que transcorreu numa sala reservada, à qual nem mesmo os ministros do TSE tiveram acesso, e sem fiscalização pelos partidos e pela Polícia Federal.

3) Nas eleições anteriores, os Tribunais Regionais Eleitorais iam transmitindo paulatinamente a apuração, diante da imprensa e sob fiscalização dos partidos e da Polícia local. Foi assim que em 1982 se descobriu a fraude do Proconsult para derrotar Brizola. O delegado Manoel Vidal, chefe da segurança da apuração, percebeu o golpe, simultaneamente denunciado também por nosso colega Pedro do Coutto, que cobria a apuração pelo Jornal do Brasil.

4) Mas nesta eleição estilo 2014, por “coincidência” (ou melhor, pelo efeito Acre), os TREs só divulgavam os votos para governador e iam enviando a apuração presidencial diretamente para a sala secreta do TSE.

5) Também por “coincidência” (digo, ainda pelo efeito Acre), os Estados onde não havia segundo turno para governador não divulgavam nada e também mandavam seus totais para a sala secreta do TSE.

6) E a grande “coincidência” foi saber que a vitória de Dilma Rousseff foi garantida pelos votos de Estados sem eleição para governador em segundo turno, onde não houve fiscalização dos partidos, nada, nada.

7) Foi também curioso e intrigante saber que Dilma estava perdendo para Aécio até 80% da apuração (às 19h32m) e de repente, no finalzinho, também por “coincidência”, ganhou por pequena margem, com base na votação em Estados sem segundo turno, cujos totais foram passados em bloco, diretamente para a sala secreta do TSE: Minas Gerais, Bahia, Maranhão, Pernambuco e outros estados do Nordeste.

8) E por “coincidência”, foi instigante saber que Aécio perdeu até mesmo em Pernambuco, onde o mito Eduardo Campos conseguira fazer o governador no primeiro turno.

9) Ainda por “coincidência”, o dirigente petista Luiz Eduardo Greenhalg adiantou a “vitória”, alardeando-a em sua conta no Twitter e no Facebook às 19h26m,e não adianta dizer que foi erro por causa do horário de verão, porque ele escreveu “vamos aguardar o final da apuração”. Se estivesse escrevendo às 20h26m, jamais diria isso, pois Dima já estava “eleita”.

10) E na “coincidência”, o site do PT anunciou a vitória de Dilma às 19h35m, com precisão impressionante, dizendo que ela tivera (na verdade, teria) 51,57% dos votos. Um erro de apenas 0,7%, ou seja, precisão de fazer inveja a qualquer “instituto de pesquisa. E não dá para negar, está lá no site do PT.

'Sistema político brasileiro é convite à corrupção'

É um atraso a Câmara dos Deputados ser representada por cerca de 30 partidos, o que não acontece em democracias avançadas, onde predomina o bipartidarismo.
 O cientista político português João Pereira Coutinho define o sistema de coalizão brasileiro, que une partidos com ideologias tão diferentes, como um convite à corrupção.

É um atraso, segundo ele, a Câmara dos Deputados ser representada por cerca de 30 partidos, o que não acontece em democracias avançadas, onde predomina o bipartidarismo.

Nascido na cidade de Porto, Coutinho compara a elevada dívida pública brasileira com a portuguesa, que levou a economia dos patrícios à beira do colapso. “O verdadeiro sábio é aquele que aprende com os erros... dos outros”, diz.

A tradição “gelatinosa” do Brasil é uma originalidade – e um desastre.

Na opinião dele, o Brasil não compreendeu que a combinação entre descontrole dos gastos e baixo crescimento é a receita para o desastre.

Autor do livro “As ideias conservadoras”, Coutinho defende o combate à pobreza, mas alerta: o Estado não é babá dos cidadãos.

A urna segura e a totalização suspeita


O problema não é a urna, e sim a totalização dos votos, que supostamente pode ser adulterada por técnicos no TRE ou TSE no momento que em que recebe os discos.
O ano era de 2006. Eu era repórter político no Jornal do Brasil, no Rio, e fui procurado por um cidadão da Baixada Fluminense que tinha documentos nos quais mostrava boletins de urnas adulterados, e a cópia de um inquérito. Investiguei uma semana, acionei a assessoria da Polícia Federal, etc (ele mostrou, mas não deixou ficar com cópias). Havia indícios de fraude. No dia da eleição presidencial, o JB manchetou: 'PF investiga fraude na urna eletrônica'.

Por que digo que havia indícios de fraude?

Dois dias antes da manchete, fui chamado por três delegados à Superintendência da PF no Rio. Numa sala fechada, me disseram que a urna é segura. Mas confirmaram o inquérito e disseram que investigavam, sim, suspeita de fraude.

O problema não é a urna, e sim a totalização dos votos, que supostamente pode ser adulterada por técnicos no TRE ou TSE no momento que em que recebe os discos. Se souber trabalhar bem (evidente, isso significa não ultrapassar numa urna o nº de votantes, em caso de modificação).

Ou seja, eles concentravam as investigações nos técnicos do TRE Rio e do TSE. O disco com a totalização é o foco.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Nossa classe C


TCE-RJ faz auditoria em 91 Câmaras

O presidente do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), Jonas Lopes, determinou que, após a conclusão da auditoria destinada a examinar a legitimidade e a legalidade das despesas feitas pela Câmara dos Vereadores de São João de Meriti com passagens aéreas, hospedagem e traslados para a participação de 20 vereadores e dois suplentes no Curso de Capacitação para Agentes Públicos Municipais, entre 30 de outubro e 3 de novembro, em João Pessoa (PB), sejam realizadas inspeções especiais, com o mesmo objetivo, nas  demais 90 Câmaras de Vereadores do estado fiscalizadas pelo TCE-RJ.
Em todas as inspeções especiais que serão feitas nos 91 municípios, os auditores do TCE-RJ verificarão, além da legitimidade e legalidade das despesas, a pertinência dos cursos de capacitação para o exercício do mandato dos vereadores.

No primeiro levantamento relativo às investigações dos gastos pela Câmara de São João de Meriti, os técnicos do TCE-RJ descobriram que, nos últimos cinco anos, o órgão público gastou em torno de R$ 750 mil somente com inscrições de vereadores em cursos de capacitação.

A apuração dos gastos municipais com cursos de capacitação para vereadores, tanto na Câmara de São João de Meriti quanto nas outras 90, será retroativa a 2010. Em 2009, o TCE-RJ condenou o então presidente da Câmara de Mesquita, André Taffarel Inácio dos Santos, a pagar uma multa de 5 mil Ufir-RJ (correspondente à época a R$ 11.376,00) e a devolver 670 mil Ufir-RJ (equivalente a R$ 1,5 milhão) aos cofres públicos. A imputação do débito foi decidida pelo Tribunal de Contas após a constatação de irregularidades nas despesas com um curso para os vereadores daquele município.


Após a concessão do direito de defesa e a análise dos recursos apresentados por André Taffarel, o TCE-RJ manteve a condenação e encerrou o caso dia 5 de novembro de 2013, quando decidiu pela abertura de processo especial de cobrança da dívida e o encaminhou à Procuradoria-Geral do Estado (PGE), a quem cabe exigir do ex-presidente da Câmara de Mesquita a devolução do dinheiro ao erário.

O risco de uma "corte bolivariana"


O Supremo Tribunal Federal corre o risco de tornar-se uma "corte bolivariana" com a possibilidade de governos do PT terem nomeado 10 de seus 11 membros a partir de 2016.

A afirmação é do único personagem desta conta hipotética a não ter sido indicado pelos presidentes petistas Lula e Dilma Rousseff: o ministro Gilmar Mendes, 58.

Indicado por Fernando Henrique Cardoso (PSDB) em 2002, ele teme que, a exemplo do que ocorre na Venezuela, o STF perca o papel de contrapeso institucional e passe a "cumprir e chancelar" vontades do Executivo.

A expressão bolivarianismo serve para designar as políticas intervencionistas em todas as esferas públicas preconizadas por Hugo Chávez (1954-2013) na Venezuela e por aliados seus, como Cristina Kirchner, na Argentina.

"Não tenho bola de cristal, é importante que [o STF] não se converta numa corte bolivariana", disse. "Isto tem de ser avisado e denunciado."

Sobre a eleição, Mendes fez críticas a Lula ao comentar representação do PSDB contra o uso, na propaganda do PT, de um discurso do petista em Belo Horizonte com ataques ao tucano Aécio Neves.

Lula questionou o que o Aécio fazia quando Dilma lutava pela democracia e o associou ao consumo de álcool. Ao lembrar do caso, Mendes disse: "Diante de tal absurdo, será que o autor da frase também passaria no teste do bafômetro? Porque nós sabemos, toda Brasília sabe, eu convivi com o presidente Lula, de que não se trata de um abstêmio", afirmou.

Lembra o filminho dos banqueiros?


Quando Neca Setúbal defendeu a autonomia do BC, o PT crucificou Marina Silva e produziu um filme mostrando uma família de trabalhadores de cuja mesa sumia a comida.

Segundo a repórter Claudia Safatle, Nosso Guia fez três sugestões à doutora Dilma para o lugar de Guido Mantega: Henrique Meirelles, Luiz Carlos Trabuco e Nelson Barbosa, ex-secretário executivo do Ministério da Fazenda. Cada um é cada um, mas o simples fato de se colocar Meirelles na roda mostra como as campanhas eleitorais têm uma opção preferencial pela mistificação.

Quando a educadora Neca Setúbal defendeu a autonomia do Banco Central, o PT crucificou Marina Silva e produziu uma peça histórica: um filmezinho mostrava uma família de trabalhadores de cuja mesa sumia a comida, fazendo contraponto com uma reunião de banqueiros sorridentes.

Pudera. A família de Neca Setúbal é grande acionista do maior banco do país, o Itaú, e, nele, seu irmão Roberto é o principal executivo.

Lula deve ter seus motivos para sugerir o nome de Trabuco, presidente do Bradesco, que vem a ser o segundo maior banco. É na entrada de Meirelles na lista de Nosso Guia que a porca torce o rabo. Ex-presidente do Banco de Boston, ele dirigiu o Banco Central de 2003 a 2010, e sua administração foi vista como um dos fatores que mantiveram o barco petista à tona no mundo financeiro.

Neca defendeu a autonomia do Banco Central botando a cara na vitrine. Numa conversa protocolar com o embaixador americano Clifford Sobel, em agosto de 2006, Meirelles fez a mesma coisa, no escurinho do cinema.

Faça o que eu digo...


Sábado de gente nas ruas contra a reeleição, e até pedindo a saída de Dilma, deu mais ibope lá fora. Foi mais para inglês ver do que para uso interno. A imprensa dos jornalões, em particular, preferiu passar rapidamente sobre o assunto e, quando o fez, tratou a manifestação como “coisa da direita”, “bando de aloprados”.

Mas o caso não foi assim tratado pelo PT. Está atento ao que pode ser uma cópia de suas manifestações e se espalhar como epidemia. O ato pode ser um embrião do que aconteceu em 2013 e esse é o partido que não tolera ser contrariado. Vixe, nem pensar em copiar suas tramoias. É assim desde que nasceu. Está sempre com a verdade como Moisés com as Tábuas da Lei. Para os petistas, Lula também ouviu a Sarça ardente. Ai de quem diga o contrário. Herege!

Os petistas estão colhendo o que plantaram. Não há nenhum golpe à vista como já vislumbram do cesto da gávea instalado no Serpentário do Ipiranga. Sabem e vão fazer disso um escarcéu. Esperem e verão Lula e seus discípulos bradarem trovões e outros aumentativos contra o "golpismo", que entra desde já na lista de seus amaldiçoados para jogar como confete na galera.

Esquecem que foram os iniciadores dessa tática de tomar as ruas contra os adversários. Antes com a militância ideológica, hoje com a militância de aluguel. São velhos conhecidos os gritos de "Abaixo a Rede Globo", quem se lembra, que paradoxalmente foi até muito mais petista do que se imagina. Deu aquela mãozinha na primeira vitória e até aliviou a barra de Dilma na última campanha. E ainda agora silencia sobre qualquer manifestação.

Sempre se acostumaram a ser adeptos do faça o que eu digo, mas não façam o que eu faço. Quem se atrever estará cometendo crime. E aí vem o bato, prendo e arrebento, que sempre escondem por trás das bandeiras vermelhas.

Apenas os petistas têm direito autoral sobre os famosos golpismos que espalharam sempre contra os governos como donos da verdade indiscutíveis e mesmo as falsas, em que são especialistas. Vão bufar, espumar e soltar os cachorros, que dizer, fazer o que sempre fazem. Para depois sujarem a barra que não são de ferro, mas porcalhões.


Aquelas manifestações em São Paulo e Brasília ainda podem ter desdobramento, mas sem dúvida que terá troco de chumbo grosso do PT, que já se arma para a temporada.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Computa, computador


O poder do carro no país



Desde 2009, os incentivos ao carro somaram R$ 56,4 bilhões — mais de dois anos de Bolsa Família
O Brasil escolheu o carro. Governo após governo dedica parte de sua arrecadação para beneficiar essa indústria. A crise de 2008 provocou uma nova onda de incentivos. Somente no ano passado, a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis e o subsídio da gasolina, uma espécie de “bolsa carro”, somaram R$ 19,38 bilhões. O valor é quase o dobro do montante destinado a melhorar o transporte público nas cidades: R$ 10,2 bilhões em 2013. Enquanto isso, a população se espreme em metrôs, trens e ônibus superlotados. Em série de reportagens multimídia que começa a ser publicada hoje, O GLOBO percorre as maiores metrópoles do país para ver como anda a mobilidade urbana para milhões de brasileiros e mostra as consequências da opção por um Brasil motorizado e individualista.Leia mais
No BNDES, a indústria automotiva também foi privilegiada. De 2008 a 2013, os desembolsos para o setor foram de R$ 32 bilhões, enquanto os projetos de mobilidade urbana levaram R$ 9 bilhões.
 

Combate à corrupção? Dilma adia

Para quem insiste no chavão gasto de que combaterá a corrupção “doa a quem doer”, editar uma MP para adiar a vigência de uma lei moralizadora não é um bom remédio.
 Quatro dias depois de ser reeleita, a presidente Dilma Rousseff adiou por seis meses a entrada em vigor da lei das ONGs, que estabelece regras mais rígidas para a contratação de entidades sem fins lucrativos. Fora o absurdo de sustar a vigência de uma lei aprovada pelo Congresso com uma Medida Provisória, que constitucionalmente só poderia ser editada em casos de relevância e urgência, o ato é mais uma demonstração da distância abissal entre as palavras da presidente e suas ações. Incluso aí o combate à corrupção.

Estudo realizado pelo Ipea revela que, entre 2003 e 2011, a União repassou quase R$ 30 bilhões a 10 mil entidades sem fins lucrativos, 15% do total das transferências feitas no período. Atualmente, 3.500 contratos estão em execução, sendo que só neste ano o desembolso já bate em R$ 900 milhões.

O volume de recursos associado a leis frouxas estimula a corrupção e denigre a imagem das ONGs sérias.

A fartura é tanta que a ONG Articulação Semiárido Brasileiro custeou a ida de 99 ônibus para um comício de Dilma em Petrolina (PE).  Favor barato para quem recebeu repasses de R$ 587,3 milhões em quatro anos, R$ 172,8 milhões em 2014.

As relações entre o governo e as ONGs são uma caixa preta. Foram alvo de CPI inconclusa em 2009 e de dezenas de denúncias de corrupção. Também foram falcatruas envolvendo ONGs que deceparam as cabeças dos ministros Carlos Lupi (Trabalho), Pedro Novais (Turismo) e Orlando Silva (Esporte), no primeiro ano de Dilma, quando foi aconselhada a se travestir de faxineira.

Precisou denúncia para sair

João Vaccari Netto, tesoureiro do PT, que agora pediu demissão, ficou como conselheiro de Itaipu por 11 anos e 10 meses, desde janeiro de 2003. Seu "trabalho" tinha a remuneração de R$ 20.804,13 para pagar seis reuniões ordinárias por ano e, excepcionalmente, reuniões extraordinárias. Vaccari só saiu devido ao envolvimento com a gangue da Petrobras.

A democracia brasileira


Não há razão para temor em relação ao amanhã. A divisão das urnas é o mais eficaz antídoto contra o autoritarismo.
O Brasil que sai das urnas mostra ser um dos maiores laboratórios da democracia contemporânea. Os nossos 142 milhões de votantes posicionam o país no quarto degrau do ranking eleitoral, cujos três primeiros lugares são ocupados pela Índia, com 815 milhões de eleitores, os Estados Unidos, com cerca de 215 milhões,  e a Indonésia, com 187 milhões.

O termo laboratório aponta para um sistema democrático em fase de consolidação, não significando, portanto, uma democracia plena, nos termos do Índice Democrático, criado pela prestigiada revista The Economist por meio de pesquisa feita em 167 países.

Nessa planilha – que leva em consideração categorias como o processo eleitoral e o pluralismo, as liberdades civis, o funcionamento do governo, a participação popular e a cultura política – ocupamos a 45ª posição, ao lado de países de democracia imperfeita, dentre os quais,  pasmem, estão democracias de forte tradição como a francesa (29ª), a italiana (31ª) e a grega (32ª). A Índia, por exemplo, está na mesma faixa do Brasil, ocupando o 39º lugar. 

São visíveis os sinais de que temos dado vigorosos passos no caminho do aperfeiçoamento, bastando considerar que há 50 anos o país entrava na escuridão de um  golpe militar que durou  21 anos, tendo fixado as linhas mestras de sua democracia apenas a partir de 1988, com a chamada Constituição cidadã, que veio atender as demandas da sociedade organizada.

Sob uma pletora de liberdades, direitos e deveres, garantidos pela CF, realizou-se o pleito mais competitivo das últimas décadas. A animação da vida cívica que se viu constitui expressiva amostra da efervescência inerente às democracias incipientes. Não há motivo para assombro.

domingo, 2 de novembro de 2014

Foi dada a largada!


Diálogo ou novas imposturas?

A propaganda falaciosa, no caso, não está defendendo uma classe da exploração de outra, mas enganando uma parte do eleitorado em benefício dos seus autores. Isso não é política de esquerda nem de direita, é má-fé política para a manutenção do poder a qualquer custo.
Em uma democracia não cabe às oposições, como ao povo em geral, senão aceitar o resultado das urnas. Mas nem por isso devemos calar sobre o como se conseguiu vencer, nem sobre o por que se perdeu.

Os resultados eleitorais mostram que a aprovação ao atual governo apenas roçou um pouco acima da metade dos votos. Ainda que a vitória se desse por 80% ou 90% deles, embora o respeito à decisão devesse ser idêntico ao que se tem hoje com a escassa maioria obtida pelo lulopetismo, nem por isso os críticos deveriam calar-se.

É bom retomar logo a ofensiva na agenda e nos debates políticos. Para começar, não se pode aceitar passivamente que a “desconstrução” do adversário, a propaganda negativa à custa de calúnias e deturpações de fatos, seja instrumento da luta democrática.

Descanso dos 'coronés'



Dilma descansa da campanha ou batalha, como quiserem, na Bahia. Descanse em paz!

Chama a atenção da humildade dos presidentes brasileiros em comparação com a ralé política, que se diz revolucionária, “bolivariana” desde criancinha. Fernando Henrique e Lula, quando de férias, e mesmo a própria doutora nunca foram para o exterior se regalar com o mundo desenvolvido, as belezas lá de fora. Também nunca se ouviu falar que Barack Obama passe férias além do Havaí.

No entanto, os “coronés” petistas e de outros quilates adoram ir ao exterior. Alcaides desses baronatos até já aprontam as malas. Um desses, que já viajou meio mundo com o dinheiro público em poucos seis anos, deve antecipar o merecido descanso familiar com a mulher a tiracolo, já eleita, e logicamente levando novamente uma trupe de familiares, correligionários, amigos, quiçá vereadores, para mais um turnê de gastos. Eles se divertem, que o povo merece.

Inocente!


"Hoje, em cada quatro brasileiros, três estão na classe C e um nas classes B e A"
Dona Dilma confirma sua indicação para a canonização como Santa Rousseff pelo “milagre” de acabar com os pobres e miseráveis no país. Se depender da santa, há 150 milhões de pessoas na classe C e os demais nas outras classes.  

Mudou? Vai mudar?


Não tenho expectativas de que o governo agora vai ser um governo de esquerda. Acho que o PT já está absorvido por essa política de balcão de negócios. A tendência é que ceda aos interesses das figuras mais reacionárias. E só teremos avanços nessas questões por meio das mobilizações populares
 Luciana Genro, candidata pelo PSOL

Nem se completou uma semana do fim das eleições e o país andou no mesmo lugar. Ainda há foguetório pela vitória, mais arrefecimento dos ânimos aguerridos e continua o desânimo.

As manchetes de jornais só indicam que não será fácil, como o prometido, mudar, nem mesmo se houver disposição como se esbanjou na marquetagem. Os ares ainda são por demais poluídos, há uma seca quase geral de mãos estendidas.

Não há mais demonstração de que a quarta gestão petista será um salto de qualidade, ainda mais porque não estão com essa bola toda. Com o serenamento dos ânimos, em que pese da sempre arrogância de petistas desnaturados, volta o cotidiano para demonstrar que o continuísmo será completo com a mesma lenga-lenga.

Sem propaganda gratuita, não há mais demonstração de que a quarta gestão petista será um salto de qualidade, também porque não estão com essa bola toda. Em que pese a sempre arrogância de petistas desnaturados, volta o cotidiano para demonstrar que o continuísmo será completo com a mesma lenga-lenga.

Dilma ainda reina com o mesmo séquito de sempre, que não deve mudar. Para quê se ainda há tanto tempo para janeiro, fevereiro, março, abril etc ? Fiquemos no discurso de sempre.

Empurram-se com a barriga os mesmos casinhos pendentes. Cada dia se silencia um pouco mais sobre as promessas e assim a gente vai levando. O choque de mudança fica para 2015, quem sabe um presente natalino no Dia de Reis. Assim, vai mudar, só não se sabe quando e a que ponto num dois pra lá, dois pra cá.

sábado, 1 de novembro de 2014

A verdadeira face do Brasil


A vida curta da mentira eleitoral



Prometa uma coisa e faça o contrário.


Há mais mistérios entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia.
Bom esse Shakespeare. Sabia das coisas. Não votava nem no PT nem no PSDB mas era antenado na tal da alma humana.

Durante a campanha eleitoral, o PT, pai e protetor dos pobres, mostrou, sem nenhuma clemência, que Marina Silva, a seringueira fajuta, na verdade era instrumento dos banqueiros para instalar-se no poder e sugar os pobres. A Sra. Neca Setúbal, com esse sobrenome, era a prova viva da conspiração banqueiro-seringueira.

Os anúncios de João Bendengó Santana mostravam uma mesa onde crianças comiam a sua ração diária, que ia sendo apagada e reduzida à medida em que os banqueiros avançavam sobre a taxa de juros. Cada meio ponto a mais na taxa de juros, as proteínas e os carboidratos iam sendo apagados dos pratos das crianças pobres.

Um anúncio sórdido como esse chegou a ser classificado como muito talentoso por profissionais da publicidade. E por profissionais da militância.

Tudo isso para que 72 horas depois da apertadíssima reeleição de Dilma Rousseff, o Banco Central anunciasse uma elevação de 0,25% na taxa básica de juros. Por que os bancos centrais aumentam a taxa de juros? Para controlar a inflação. Mas a inflação, não repetiu exaustivamente a soberana nos debates eleitorais, já não estava sob controle?

A escolha do ministro da Fazenda que substituirá o zumbi Guido Mantega, é outro mistério. O primeiro nome que circulou foi o do presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco. Quer dizer: quem votou em Dilma para evitar que Marina ou Aécio entregassem o país para os banqueiros só trocaria a bandeira do banco: do Itaú de dona Neca para o Bradesco de Trabuco.

Seria uma maneira de tranquilizar o mercado. Embora Lula, em uma de suas inúmeras bravatas, tenha dito que ele (e o PT, por supuesto) nunca governaram para o mercado, até os paralelepípedos da rua sabem que a famosa Carta ao Povo Brasileiro de 2001, que Antônio Palocci submeteu à aprovação de Joao Roberto Marinho (“o povo não é bobo/abaixo a rede Globo”), era mais do que um aceno ao mercado. Era um juramento de que o programa do PT seria arquivado e que a política econômica (neoliberal?) de FHC seria seguida religiosamente.


Bandeira anticorrupção murcha

Às pressas, senador inclui em texto de Medida Provisória um artigo que alivia multas a quem desvia dinheiro público. Quem seria beneficiado? O próprio autor
Uma das bandeiras mais levantadas durante a campanha eleitoral nas eleições deste ano foi o combate à corrupção. Em discursos inflamados, candidatos ao Congresso, ao Senado e à presidência, criticaram veementemente os crimes de corrupção na Petrobras e no poder público, de modo geral, prometendo combatê-los. Mas dizem que santo de casa não faz milagres. Ou ao menos não tão facilmente. Prova disso foi a votação da Medida Provisória 651, primeiro pelo Congresso, a uma semana do segundo turno das eleições, e depois pelo Senado, três dias depois da vitória de Dilma Rousseff.

A MP 651 trata, essencialmente, da desoneração da folha de pagamento de diversos setores. Um dos seus mais de 100 artigos, porém, se tornou polêmico. O artigo 35, que abriria uma brecha para aliviar as dívidas de condenados por desvios de dinheiro público. O artigo define o parcelamento, desconto e a redução de juros e multas às dívidas de “qualquer natureza perante a Fazenda Nacional”, segundo o texto.

Ou seja, as cobranças a servidores públicos que tenham se apropriado indevidamente de recursos oriundos do contribuinte poderiam ter redução ou até a exclusão total dos juros e multas, além da possibilidade de ser parceladas em até 15 anos, de acordo com a lei. Passados os horários políticos e os debates eleitorais, parece que tudo voltaria ao normal em Brasília, onde o discurso de endurecer perante à corrupção, muitas vezes, não condiz com a realidade.
 Não foi à toa que o senador Gim Argello tentou incluir o artigo em cima da hora. Alvo de seis investigações no Supremo Tribunal Federal por suspeita de lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, falsidade ideológica, peculato e crime contra lei de licitações, Argello, se vier a ser condenado, poderia ser o próprio beneficiado dessa brecha. 

Três perguntas para Dilma



Dilma Rousseff obedeceu a uma lei de ferro da vida eleitoral: como candidata vitoriosa, pronunciou um discurso que parecia ter sido redigido por Aécio Neves, seu rival. Falou em mudar, não em conservar o que já foi conquistado. Anunciou um acordo com os adversários, que, de repente, deixaram de ser os inimigos do povo. Propôs uma aproximação com os setores produtivos. E comprometeu-se a reduzir a inflação e buscar a estabilidade fiscal. Esta correção do tom conceitual da campanha, em vez de esclarecer, aprofunda os três grandes enigmas que a vitória apertada do PT coloca no Brasil.

A primeira pergunta é como Dilma vai se movimentar no novo tabuleiro do poder. Com seu discurso, a campanha da presidenta estimulou uma contradição de pobres contra ricos, Norte contra Sul, povo contra elites brancas. Quem aspira construir hegemonias sempre apela para essa estratégia bipolar. O problema é que as urnas negaram ao PT os recursos para essa hegemonia. O PT perdeu 18 deputados em um Congresso pulverizado entre 28 partidos. E vai governar apenas um dos grandes Estados brasileiros: Minas Gerais.

O vínculo com a oposição foi prejudicado por uma agressividade de discurso que o Brasil desconhecia. Por isso, a presidenta vai depender mais de sua aliança com o PMDB, que tampouco lhe bastará para ter maioria em matéria de deputados. O PMDB perdeu 13 assentos e é um agrupamento anfíbio, que em mais de um terço dos Estados apoiou Aécio, do PSDB. A divisão dos 39 Ministérios do gabinete federal será uma tarefa para mágicos.

É hora da caça ao dinheiro

"Devo e não nego. Pagarei quando puder"
Governador reeleito da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB),
aliado de Dilma a quem pede agora dinheiro para pagar gastos
Foi dada a largada para a romaria. A partir da próxima semana candidatos do PT e de aliados, vitoriosos ou derrotados, seguem de pires na mão para Brasília, onde esperam ordenhar nas tetas republicanas, controladas por Dilma, o dinheirinho para saldar os débitos de campanha. O livro-caixa da maioria ficou no vermelho depois de aplicarem o que tinham e não tinham na corrida para assegurar a cadeira, com que poderiam pagar seus débitos.

Querem esse socorro de Dilma, entre muitos outros, Lindinho, do Rio de Janeiro, e Alexandre Padilha, de São Paulo, ambos petistas, que tiveram resultados pífios, mas ainda assim contribuíram com seus votinhos para a reeleição. Vão cobrar pela mãozinha!

A coordenação no Rio de Janeiro, feita por Quaquá, presidente regional do PT, que aplicou milhões e milhões – a maior parte dos cofres de Maricá – para eleger a mulher para a Alerj e o companheiro para a Câmara federal, está com um rombo de R$ 6 milhões para ser coberto. Padilha, outro que ficou na rabeira, deve a merreca de R$ 30 milhões.

É de uma cretinice sem tamanho esse esbanjamento de dinheiro dos governistas. Em nome de serem defensores, únicos e abençoados, dos pobres, campeões da luta contra a miséria, paladinos contra o desemprego, fizeram a esbórnia financeira, gastaram a rodo em tudo que podiam, e agora vão assaltar os cofres que devem abastecer o povo em saúde, educação, desenvolvimento.

São os mesmos que carregam bandeiras de Minha Casa Minha Vida, Bolsa Família, que seguem para o Planalto, pimpões, em aviões, bem instalados e alimentados. Querem a grana que é de todos, por se acharem merecedores, para pagar suas contas de salafrários, adjetivo mais suave, para quem se fantasia de Robin Hood, mas não passa de Al Capone.   

A quarta vitória de Lula


Lula mal conseguiu sua quarta vitória, já está a caminho da quinta. E disso parece não fazer segredo.

Numa campanha milionária e feia, indigna de um ex-presidente, dizendo tudo que lhe vinha à cabeça porque o importante era a vitória de dona Dilma, não por ela, nem pelo Brasil, mas por ele mesmo que, em 2018, quer de volta a faixa presidencial, Lula venceu mais uma vez.

Em um vídeo gravado anteontem no Instituto Lula, o ex-presidente além de queixar-se amargamente das agressões sofridas pelo angelical PT, fala em tom calmo e civilizado, com palavras bem escolhidas, num linguajar em tudo diferente do usado nos palanques. Devemos ser justos: que grande ator é o Lula! 

Veja bem, ilustre eleitor: Lula mal conseguiu sua quarta vitória, já está a caminho da quinta. E disso parece não fazer segredo. Desta vez, apesar de todos os truques mirabolantes, a vitória foi apertadíssima. Coisa pouca, mesmo. Como será daqui a quatro anos, é o que me pergunto.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Feliz sexta-feira na Bahia


'Continuemos assim' seria fatal para o Brasil


Depois de 12 anos de PT, a esquerda se tornou conservadora, e a direita pressiona por mudanças. Só que Dilma não pode ignorar as reformas reivindicadas
"Nada de experimentos! Manter o curso! Continuemos assim!" Quem diria que justamente os velhos slogans eleitorais dos conservadores alemães se aplicariam ao Partido dos Trabalhadores (PT) brasileiro? A legenda da presidente Dilma Rousseff se tornou conservadora. Ela quer preservar o status quo, prosseguir como fez até agora.

A maioria dos eleitores brasileiros tampouco queria experimentos: 51,64% deram seu voto a Dilma; o adversário Aécio Neves, do conservador PSDB, ficou com 48,36%. Em especial os eleitores das camadas mais pobres temeram que as reformas prometidas por Aécio também não fossem poupar os programas sociais.

É paradoxal, mas, depois de 12 anos de PT no poder, os conceitos políticos se deslocaram. A esquerda se tornou conservadora; a direita, por sua vez, pressiona por mudanças. Mas todo o Brasil não está ansiando por revolução e mudança? Os enormes protestos de junho de 2013, pelo menos, foram interpretados como indício inconfundível da insatisfação crescente com o governo da presidente Dilma.
Aécio não conseguiu usar em favor próprio essa insatisfação crescente. Sua campanha anti-Dilma teve sucesso sobretudo junto àqueles que já estavam céticos em relação ao PT. Os eleitores indecisos ou os simpatizantes do Partido dos Trabalhadores, esses ele não conseguiu convencer de seus méritos.

Dilma, por sua vez, reagiu com habilidade aos protestos de 2013 e "mandou ver". Ela trouxe médicos cubanos para o país e se empenhou para que o Congresso aprovasse duas leis que há anos estavam na gaveta: o emprego da receita adicional da exploração do petróleo nos setores de saúde e educação; assim como a definição da corrupção como crime hediondo.

Dilma não podia nem pretendeu acabar com a polarização da sociedade brasileira. Vencida a eleição, os petistas se encontram diante de um monte de destroços políticos. Escândalos de corrupção abalam o partido, investidas verbais abalaram relações pessoais, uma burocracia inflada fornece guarida a aproveitadores políticos.

É preciso conversar

Mesmo que as pessoas não concordem em algumas coisas, elas precisam conversar. Conversar, todos sabem, não arranca pedaço
Renan Calheiros, presidente do Senado 

Brasil, o mundo de amanhã


No novo mandato de Dilma Rousseff, o país enfrenta o desafio da modernização. Seria bom apostar nos talentos mais jovens e atender as expectativas de uma geração que exige um futuro melhor
Brasil e América Latina estão novamente numa encruzilhada. A região inteira está se despedindo de uma belle époque, um tempo de altas taxas de crescimento impulsionadas pelo empurrão das matérias primas. Com a irrupção da China no xadrez mundial, no início dos anos 2000, a América Latina viveu uma bonança sem precedentes. Esse motor está parando. O efeito do conto chinês ainda se mantém. Mas estamos vendo o fim de uma época. Como em “O Mundo que Eu Vi”, aquele canto de cisne escrito por Stefan Zweig no Brasil, toda a região deve despedir-se dos velhos tempos que passaram. E não voltarão.

As eleições brasileiras, que terminaram com a apertada reeleição de Dilma Rousseff, reforçam uma virada na região. Em todos os países – inclusive no sempre exemplar Chile – vê-se uma economia política da impaciência. Os jovens, que estão entrando no mercado de trabalho, pedem melhores condições e as classes médias, que se fortaleceram com a bonança, pedem melhores serviços públicos, mais e melhor educação, saúde, transporte. Os protestos de rua vistos nos últimos meses em Santiago, São Paulo e Lima têm uma mesma matriz, uma crescente demanda por melhor redistribuição das riquezas das nações. 

Nas estatísticas, Brasil é um dos menos corruptos


De duas, uma. Ou a corrupção que grassa no Brasil não ultrapassa nossas fronteiras ou ultrapassa, sim, mas os poderes encarregados de combatê-la estão pouco se lixando para isso.

Dilma Rousseff atravessou os dois turnos da recente eleição presidencial empenhada em convencer os brasileiros que seu governo, e os dois anteriores de Lula, sempre travaram o bom combate contra a corrupção.

Segundo o novo relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) sobre a Convenção de Combate ao Suborno de Funcionários Públicos Estrangeiros em Transações de Negócios Internacionais, na verdade falta ao Brasil vontade política para aplicar de forma eficaz os progressos de sua legislação contra a corrupção transnacional.

Leia mais o artigo de Ricardo Noblat


As pedras no caminho

Nas eleições presidenciais, o risco de derrota sempre existiu. Uma das causas foi a inapetência em simplesmente fazer política, lubrificada sobretudo pela conversa mole. Agora, passada a fantasia eleitoral, o caminho recomeça a ser trilhado com muitas dificuldades e uma grave herança maldita na política.  Para piorar, ronda, tal qual um dragão alado sobre o universo político, o avanço das investigações do Petrolão! 
Murillo de Aragão, "Caneladas de início"