terça-feira, 28 de outubro de 2014

Segundo mandato


O susto do PT


A eleição presidencial deu um susto no PT. Não esperava que Marina Silva se tornasse cabeça de chapa e obtivesse votação mais expressiva do que em 2010. E muito menos que ela, derrotada, apoiasse Aécio.

Não esperava que Aécio fosse um concorrente tão ameaçador. E muito menos que o PMDB entrasse rachado na campanha, com Hartung, do Espírito Santo, e Sartori, do Rio Grande do Sul, como cabos eleitorais do PSDB.

Assustou-o também a divulgação das denúncias de corrupção na Petrobras em plena disputa do segundo turno. Sorte que o adversário também tem telhado de vidro...

Lula conclamou, em São Paulo, a militância a ir de casa em casa. Que militância? Além de ver reduzida, pelas urnas, sua bancada de senadores e deputados federais, o PT já não conta com aquela aguerrida militância voluntária das décadas de 80 e 90.

Agora, tudo depende de marketing e de muito dinheiro investido por pessoas jurídicas que, a partir de hoje, começam a cobrar a fatura.

A presidente Dilma sabe que tem pela frente uma espinhosa tarefa: cumprir o que prometeu e costurar o tecido da governabilidade em um Congresso tão esgarçado em partidecos, e desprovido de lideranças ética e politicamente consistentes em sua base de apoio.

O PMDB, rachado quase ao meio, usará todo o seu poder de pressão para ditar a pauta do governo. O PSDB, com apoio do DEM e do que resta do PSB, tentará consolidar uma oposição ferrenha, acirrada pela frustração de ter sentido o aroma do banquete ao qual foi desconvidado pelo resultado das urnas.

O PT enfrenta, agora, o desafio de governar melhor do que já fez até aqui e tentar resgatar o que, no passado, lhe imprimiu tanta credibilidade: o capital ético, a organização política dos setores populares e o compromisso de promover reformas estruturais.

Faça as contas

A grande reportagem deste pós-eleição ainda não surgiu em nenhum jornal. Espera-se que alguém possa responder a mais importante pergunta: Quanto o povo pagou, e onde ainda vai pagar em nada suaves prestações, para manter Dilma no troninho? Não é nada pouco.

Para começar, em cinco meses de farras eleitoreiras, com viagens dela, em campanha, o que se gastou em combustível de avião anda na casa dos milhões. A balela, no início da campanha, era de que tudo estaria bancado pelo PT. Alguém acredita que, agora, reeleita, o partido vai pagar algum tostão?

E quanto pesaram na conta as viagens dos ministros, secretários e outros do comissariado para todo país, principalmente no segundo turno, quando estavam de “férias” para trabalhar na campanha? Ponha-se zero e mais zero no gasto. Quanto ainda se pagou a Ongs para fortalecer com militância de aluguel? Apenas a Articulação Semiárido Brasileiro, que custeou 99 ônibus com militantes para uma série de comícios, recebeu este ano repasses de R$ 172,8 milhões. Isso foi o contribuinte que pagou.

Se achou pouco, ainda tem mais a somar. Calcule o prejuízo desse tempo por estar o país praticamente parado sem nada por fazer ou para fazer nos ministérios e outros locais de governança.

Só como exemplo, num caso inédito e inimaginável em país sério, o país sustentou um ministro demitido, que já não tinha mais nada para fazer. Ficou no cargo apenas para preencher espaço e dar “entrevistas” como aquela em que anunciou que, numa segunda gestão, Dilma levaria a economia às últimas consequências. Ameaça ou realidade? 

O caixa do PT dá para pagar tudo? Nem se mexe. A conta fica mesmo com o cidadão, que pague se quiser ter e exibir pela história uma presidente reeleita.

Se não acredita, vai aí uma historinha sugestiva de como o lulismo opera as contas de governo que deveriam ser justificadas e justificáveis. Em certo município de curral petista, o prefeito circulou pela Europa, pelo Brasil, e foi até a China.

Um caso inédito de um executivo municipal circulando pelo mundo às custas do minguado erário (nem tanto, chovendo royalties) que nunca prestou nem vai prestar contas. Chegou a manter um bonde de agregados, inclusive a filha do guru petista, lá fora, tudo em nome de conquistar recursos estrangeiros, pagando com recurso público.

Até hoje o município não soube quanto custou, mas sabe que vai pagar caro em saúde, educação, saneamento. O dinheiro do cidadão é mesmo para isso. Os políticos jogam no ralo para satisfazer interesses próprios e depois choram que suam para o bem da nação. Afinal hipocrisia dá voto, não é PT?.   

Poder afasta


Um dos problemas mais graves da política contemporânea é que frequentemente quem está no poder se distancia demasiadamente da maneira de viver das grandes maiorias. E acaba vendo a realidade a partir de onde estão. É preciso se voltar à fonte do que é republicano. Os eleitos para um governo são funcionários em trânsito, não são reis, não são sangue azul.
José Mujica (79 anos), presidente do Uruguai

Um mandato inédito


'A doutora Dilma reelegeu-se num cenário de dificuldades econômicas e políticas igualmente inéditas'
Os eleitores deram ao PT um mandato inédito na história nacional. Um mesmo partido ficará no poder nacional por 16 anos sucessivos. A doutora Dilma reelegeu-se num cenário de dificuldades econômicas e políticas igualmente inéditas. Lula recebeu de Fernando Henrique Cardoso um país onde se restabelecera o valor da moeda. Ela recebe dela mesma uma economia travada. Tendo percebido o tamanho da encrenca, em setembro anunciou a substituição do ministro Guido Mantega. Por quem, não disse. Para quê, muito menos. A dificuldade política será maior. As petrorroubalheiras devolveram o PT ao pesadelo do mensalão. Em 2005, o comissariado se blindou e, desde então, fabrica teorias mistificadoras, como a do caixa dois, ou propostas diversionistas como a da necessidade de uma reforma política. Pode-se precisar de todas as reformas do mundo, mas o que resolve mesmo é a remessa dos ladrões para a cadeia.

O Supremo Tribunal Federal deu esse passo, formando a bancada da Papuda. Foi a presença de Marcos Valério na prisão que levou o ‘‘amigo Paulinho’’ a preferir a colaboração à omertà mafiosa.

Dilma teve uma atitude dissonante em relação às condenações do mensalão. Protegeu-se sob o manto do respeito constitucional às decisões do Judiciário. No debate da TV Globo, quando Aécio Neves perguntou-lhe se achou ‘‘adequada’’ a pena imposta ao comissário José Dirceu, tergiversou. Poderia ter seguido na mesma linha: decisão da Justiça não deve ser discutida. Emitiu um péssimo sinal para quem sabe que as petrorroubalheiras tomarão conta da agenda política por muito tempo.

Será muito difícil, e sobretudo arriscado, tentar jogar o que vem por aí para baixo do tapete. Ou a doutora parte para a faxina, cortando na carne, ou seu governo vai se transformar num amestrador de pulgas, de crise em crise, de vazamento em vazamento, até desembocar nas inevitáveis condenações.
Leia mais o artigo de Elio Gaspari

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Vida que segue


Na mão dos corruptos

Gabrieli, Graça Foster e, no cangote, 'Paulinho' são os fantasma de Dilma 
O Brasil vai viver um caso inédito de democracia com a vitória de Dilma. A reeleição fez com que a presidente passe a ter o cargo decidido nas mãos de corruptos. Caberá a Youssef e “Paulinho”, um grande companheiro na Petrobras, com suas revelações decidirem o destino de Dilma, encurralada num provável pedido de impeachment.

Os seguintes lances do Petrolão, caso de corrupção do PT e aliados na Petrobras, vão marcar mais o país nos próximos meses do que qualquer decisão na área econômica. O caso vai pairar como um urubu sobre a cabeça da presidente, que inegavelmente deve fazer o diabo para afastar da Presidência esse fantasma.

Com ou sem a capa da revista Veja, ainda se espera que Lula defina a data em que pretende prestar depoimento na Polícia Federal sobre o vetusto caso do mensalão, hoje um roubinho de merreca. Imagina quanto não vai durar essa luta de gato e rato. Já estamos indo para o oitavo mês em que o ex se entoca no Serpentário do Ipiranga, aos gritos de: “Daqui não saio, daqui ninguém me tira!”

Esses serão os lances policiais mais destacados da política. Isso se não houver mais denúncias que envolvam o Planalto. No entanto, falta chover o listão de corruptos do Congresso que beberam nas fontes da Petrobras. 

A mudança política terá de esperar


O medo dos mais pobres de perder o que foi conseguido prevaleceu sobre a incógnita
A maioria dos brasileiros decidiu depositar sua confiança no Partido dos Trabalhadores (PT) ao reeleger sua candidata, Dilma Rousseff, para outros quatro anos como presidenta da República.

O medo dos mais pobres de perder o que foi conseguido nos 12 anos de Governo petista prevaleceu sobre a incógnita de apostar na mudança. Isso, apesar de Rousseff ter acabado seus quatro anos de presidência com índices econômicos piores dos que os que tinha recebido em 2010 de seu antecessor, o ex-presidente Lula.

Os números das eleições apresentam, na verdade, um país profundamente dividido, o que representará um aumento da dificuldade para governar nos próximos anos. Com seus 50 milhões de votos —apenas três milhões a menos do que a vencedora Rousseff—, Aécio Neves tinha hasteado a bandeira da mudança apoiado pela ambientalista Marina Silva e se transforma agora em forte líder da oposição, algo que não existia desde que Lula chegou ao poder.

A reeleita Rousseff terá agora de acertar as contas com metade do país, a mais próspera e rica que, mesmo perdedora, dificilmente desistirá de continuar lutando por mudança. Sua estratégia deverá convencê-los de que ela vai ser a presidenta de todos os brasileiros e não só da metade vitoriosa. Precisará mudar a estratégia do medo usada nas eleições com os mais pobres, que se viram ameaçados de perder o bem-estar social conseguido nesses 12 anos de governo do PT e em hastear também a outra bandeira, a de uma mudança pedida por 70% dos cidadãos. 
Isso pressupõe convencer os que votaram nela de que as vantagens de uma mudança profunda de seu Governo e de seu modelo econômico em crise será benéfico não só para os mais prósperos, mas também para essa nova classe média que, saída da pobreza, é a primeira a desejar sentar-se também à mesa dos que (no calor da disputa eleitoral) foram batizados negativamente de elite social, inimiga dos pobres. Hoje, na verdade, ninguém mais se conforma em ser pobre no Brasil.

Aviso


Como a ignorância e a arrogância quase sempre andam juntas, não é por acaso que grupos de pessoas que se julgam detentoras do monopólio do bem, da justiça, do altruísmo e da bondade humana sejam mais perigosas para a convivência humana dos que os que simplesmente sabem que ninguém é infalível - e por isso não querem impor à força sua verdade a ninguém.
Sandro Vaia

Agora começa a democracia


O dia nasceu pela enésima vez desde que o mundo é mundo. Nada mudou nem foi o fim. Estamos vivos e, entre mortos e feridos, salvaram-se todos. E para maior contentamento, o Brasil continua no mesmo lugar. Não foi o caos. O que pode ter acontecido é ter surgido, espera-se, uma nova consciência das urnas.

A hora é de limpar a casa, varrer o pó, juntar os cacos que foram muitos sob o bombardeio da leviandade e da mentira, e até muito da canalhice, cenário composto pelos governista, o que obrigou a que se dividisse o país. Acendamos uma vela no altar da nossa consciência, pois precisamos muito dela para as lutas que virão.

Devemos ter aprendido mais sobre democracia sob o embate do tacape petista e o mais importante é saber que não se faz mais um país de quatro em quatro anos, com a vitória de um ou outro nas urnas, mas na constância das batalhas diárias contra qualquer palavra, gesto ou ato contra o cidadão.    

A mais sórdida campanha que um só partido protagonizou, inoculou e administrou, tem muitas lições a dar. Não se pode mais permitir que as campanhas sejam travadas como atos de desconstrução do adversário em detrimento do debate de propostas. Que não mais tenham vez e voz os marqueteiros com seus estratagemas para esconder mazelas e divulgar irrealidades, nem muito menos disputem a primazia os números de pesquisas. A propaganda e a pesquisa eleitoral disputaram voto a voto quem mais se aproximava da vitória. Saíram derrotados. Um por jogar todas as técnicas de camuflagem e ocultarem propostas; o outro por fazer do desejo do eleitor um jogo de sobe e desce, um jogo de azar.

A eleição de 2014 deixou claro que não mais se deve permitir a reeleição, quando o governo tem a seu dispor a massa da máquina pública, o Erário e até o batalhão de ministros, assessores e o comissariado a trabalhar na campanha em detrimento da governabilidade. Ficamos no mínimo dois meses à deriva sem que se movesse um palito de fósforo em prol do país, mas mexeram todos os pauzinhos para a reeleição, que se tornou mais importante que a governança do Brasil.

O dia é para se pensar e reunir forças para mudanças urgentes como o fim da reeleição e do voto obrigatório, as duas molas que propiciaram a cretinice exibida na mídia, espalhada pelas redes. O primeiro vai permitir que o governo encontre em seus quadros candidato coerente e capaz de o representar; sem a obrigatoriedade ditatorial de ir às urnas, o eleitor terá de ser conquistado com propostas mais convincentes do que promessas. Não valerão tanto os truques de marqueteiros, a performance em debates, mas a apresentação de propostas, o que foi determinantemente jogado no lixo nestas eleições.

Como em democracia, a luta não termina com o fechamento das urnas, mas é aí que começa, é preciso se preparar para todo o dia fazer exercício de cidadania. E exigir dos políticos, não só o basta na corrupção, mas impor que façam de vez as reformas política e tributária para que não mais os pobres sejam massa de manobra do populismo, mas cidadãos dignos a terem emprego, saúde e educação sem precisar integrar a demagogia das bolsas.     

domingo, 26 de outubro de 2014

Rezemos, pois


Não deixei-nos cair em tentação e livrai-nos de todo mal
Amém

Votar é fácil, difícil é limpar a sujeira depois


Partidos políticos são máquinas de fabricar paixões coletivas que exercem uma pressão coletiva sobre o pensamento individual e têm por meta final apenas seu próprio crescimento
Simone Weil, filósofa francesa

Bem e mal, Deus e o diabo, certo e errado, nós e eles, direita e esquerda. O dualismo dita a receita política para ser servida aos desacostumados a paladares mais refinados. Com apenas esses ingredientes, fazem baião de dois que é engolido pela multidão nessas republiquetas pré-democráticas.

Acreditam que o mundo só tem dois caminhos e que é preciso seguir um deles. Mas descobrir o seu depende do ponto de vista em que se está. E aí fica muito difícil dizer qual é que se deve tomar. Seja para continuar na mesma, ou mudar. Aí entra o marqueteiro, bancando o guarda de trânsito para “orientar” o caminho a seguir mesmo que esse seja para o precipício.

A confusão não ocorre apenas nos mais desinformados, mesmo alentados formadores de opinião se deixam levar pelo entusiasmo, sem ver a idiotice que disseram. Como aquele que declarou, do alto de sua sabedoria: “Sempre votei com a esquerda”. Apesar de respeitado pelo trabalho, em política, mostrou-se com antolhos. No extinto paraíso soviético, estaria na direita ou esquerda? Um dissidente daquela época seria um homem de direita, adorador de Tio Sam? Era apenas um cidadão que queria o fim da ditadura do proletariado para acabar com a supressão da liberdade, mas nunca um burguês.

Em meio ao neocoronelismo brasileiro, incrementado pelo comissariado, eleitor é posto na encruzilhada, se quiser. Basta pensar, fazer aquele exercício com os neurônios tão necessário à vida, para descobrir que o coração tem também dois lados, mas nem por isso se deve seguir um ou outro. Pulsa, porque esquerdo e direito trabalham harmonicamente para o bem comum do cidadão. Mas basta um deles pipocar para a engrenagem ir para o brejo. Acontece isso agora, quando o coração brasileiro foi dividido pela maracutaia. Nem por isso vamos querer extirpar o lado falho, mas responder com o remédio para curar o estrago político dos parasitas. 

Democracia também se faz com dois lados, ou até mais. Defender que só um lado serve, é outra coisa bem pior: o câncer do autoritarismo, de direita ou esquerda, que importa. Vai levar à falência dos órgãos as instituições e delinquir contra o cidadão. Só entra nessa da defesa intransigente de “seu” lado quem adora ser melhor do que o vizinho, mais justo, mais honesto, qualidades que não são produto de valor pessoal, mas de dever humano, de coletividade.  

É muito fácil eleger a ditadura, basta o voto ao fisiologismo, à demagogia, ao estelionato político; difícil e doloroso, por muitos anos, é lutar para sua derrubada. Resta saber se o Brasil quer mais uma vez ficar sob o jugo não mais dos tacões, mas dos bandidos que assaltam diariamente sob o manto de “governo”.

Cuidado

 Não se esqueça do aviso do velho e bom Platão: deixe tudo como está para ver como é que fica, e no final você verá que ficou bem pior para você e para todos os cidadãos que, como você, se recusaram a “sujar as mãos” na política. Sua omissão resulta que serão aqueles de mãos realmente sujas os que decidirão o destino de sua cidade, seu estado e seu país.

Direito


"Não vou usar o direito de ser idiota"
Sandra Starling, fundadora do PT e ex-deputada federal, anuncia voto em Aécio por não se "calar diante das mentiras que a Dilma vem assumindo"

Democracia, a palavra mágica


Quero ouvir a voz do meu país denunciando ditaduras, e não compactuando com elas.

Amigos petistas (sim, ainda tenho alguns) dizem que votam no PT por causa das suas políticas sociais. É um bom argumento: não há pessoa com um mínimo de sensibilidade e compaixão que possa ser contra políticas de inclusão social, especialmente num país tão desigual quanto o nosso.

A questão é que ele parte do princípio de que o PT detém o monopólio das boas intenções sociais, e aí entramos na área da desqualificação do adversário, da qual o partido tanto entende. Que eu me lembre, em momento algum Aécio ou o PSDB afirmaram que pretendem mudar o que, a duras penas, já se conquistou; mas a propaganda do PT insiste nisso e pronto, basta a palavra do marqueteiro João Santana para transformar o que jamais foi dito em verdade sacramentada.

Outro problema com esse argumento é que, por melhores que sejam as intenções sociais de quem quer que seja, elas não existem fora de um contexto mais amplo. Sem dinheiro não se faz nada, nem bom ensino, nem boa saúde, nem distribuição de renda. Simplesmente não há política social que consiga se manter, a médio ou longo prazo, diante de uma economia desastrosa como a do governo Dilma.

Eu até poderia dizer, parafraseando os meus amigos petistas, que não voto no PT justamente porque prezo as conquistas sociais do país, e não quero que elas desapareçam levadas por uma política econômica que vai de mal a pior.

Mas não é só isso.

Entre outros incontáveis motivos, não voto no PT porque tenho vergonha do papel que o meu país está fazendo no cenário internacional, abraçando ditaduras obsoletas, financiando tiranos e dando apoio a terroristas.

Ao contrário de tanta gente que prestigia o partido, eu não acho que democracia seja essencial para nós, brasileiros, mas desnecessária para iranianos, cubanos ou venezuelanos. Eu quero que todo mundo tenha as mesmas prerrogativas que eu tenho, quero que todas as pessoas do mundo possam viver e respirar em ambientes de liberdade, dizendo o que têm vontade de dizer sem risco de ir para a cadeia no dia seguinte.

Eu quero ouvir a voz do meu país denunciando ditaduras, e não compactuando com elas.

Passei vários anos da minha vida brigando por liberdade no Brasil e pedindo uma imprensa livre. Na minha cabeça, não faz o menor sentido votar, agora, num governo que apoia regimes que perseguem seus cidadãos por crimes de opinião — e que, vira e mexe, fala em “democratizar” a mídia.

Eu vi esse filme há muito, muito tempo, e não gostei.

sábado, 25 de outubro de 2014

Extra! Extra! Extra!


As redes sociais estão neste sábado entupidas com denúncias, inclusive com ameaças aos jornaleiros, de apreensão dos exemplares da revista Veja mesmo que o ato não tenha sido determinado por lei. A sede da revista foi pichada em São Paulo por um grupo ligado ao PCB, aliado do PT. O TSE determinou que não houve publicidade da edição desta semana com a matéria de capa “Dilma e Lula sabiam de tudo”.

Se isso não é coação à liberdade de imprensa, parece muito manifestação de um estado bolivariano, controlado pela máquina pública em proveito do governo.

A tática não é desconhecida. Pela primeira vez está acontecendo em vários locais do país, mas é comum em administrações municipais petistas, onde as publicações com matérias contrárias aos governos são arrancadas das bancas; há bloqueio de chapa fria nas estradas para impedir a chegada de caminhões com as revistas ou jornais contrários.

Bem diferente são as ações quando a imprensa publica notícias favoráveis. Não só os exemplares chegam em maior número às bancas como ainda são distribuídos pelos agentes municipais gratuitamente. E dias depois ainda há exemplares para distribuição, comprados com dinheiro público, como material de propaganda petista.

Se era para fazer o diabo para reeleger Dilma, o PT está mostrando que vai partir pro pau pra cima de qualquer lei. Afinal, o PT se diz a lei no Brasil. Ai de quem discordar que os “soldados” estão armados para fazer cumprir a determinação do Comando Vermelho da Capital.

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Ainda se estranha muito a atitude da Rede Globo. Quando, ontem, a grande manchete em todos os programas jornalísticos e na internet era a reportagem de Veja, o noticiário da emissora fez um silêncio de pedra.

Neste sábado, no entanto, a emissora está dando destaque não só às agressões à sede da Veja como à fala de Dilma condenando a reportagem. Mas não era a Rede Globo a amaldiçoada pelos petistas? Aquela emissora que não gostava do PT? No entanto, teve nestes dois dias um comportamento considerado no mínimo enigmático.        

Decisão é sua

“Existe uma medida para acabar com a corrupção: tirar o PT do governo!”
Aécio Neves 

Elementar, Watson



Por que em todo crime no Brasil envolvendo entidades, ongs, instituições, estatais e até secretarias governamentais há sempre uma digital do PT? Não seria o caso de trocar a Polícia Federal por Sherlock Holmes ressuscitado?

Quem são os donos do Brasil


Dos milhões de cidadãos, nenhum é mais poderoso. Um só voto, seja o do maior milionário ou do mais pobre ribeirinho da Amazônia, é capaz de decidir as eleições presidenciais
Nestas eleições, o nome do Brasil e de quem deverá governá-lo nos próximos quatro anos foi pronunciado mais do que nunca. De quem é, no entanto, este país de mais de 200 milhões de habitantes, coração do continente e que, até o domingo, boa parte do mundo estará acompanhando de perto?

É dos políticos que se arrogam às vezes seu direito de propriedade? É do Governo que administra e às vezes saqueia suas riquezas para proveito pessoal ou de um grupo? É dos bancos e empresas? Das forças da ordem? Dos juízes?

Não. O Brasil não tem dono. Não têm dono suas imensas riquezas materiais e culturais; não tem dono sua gente, que são cidadãos livres para pensar e votar e não aceitam nenhum tipo de escravidão.

Esse Brasil tão cobiçado nestes dias por todos não é de ninguém e é de todos. Donos do país são todos os que nele nasceram e trabalharam.
É das pessoas: são os homens e mulheres, crianças, jovens e aposentados que têm o direito de se sentirem donos do Brasil.

Desses milhões de cidadãos, nenhum é melhor nem mais poderoso que outro. Isso é mostrado pelo fato de que um só voto, seja o do maior milionário ou do mais pobre ribeirinho da Amazônia, seja capaz de decidir as eleições presidenciais.

É a grandeza da democracia, que concede a cada cidadão, sem distinção, um voto com o mesmo peso e a mesma força de decisão.
São as ditaduras que despojam os cidadãos do direito de votar e de decidir seu futuro. As ditaduras ou os governos chamados democráticos que compram votos ao preço da corrupção.

Nos governos tiranos são os políticos e não as pessoas que são os donos do país e se arrogam o direito de usá-lo a seu gosto e vontade.

Os fins justificam os crimes



“Sou uma defensora intransigente da liberdade de imprensa. Mas a consciência livre da Nação não pode aceitar que mais uma vez se divulguem falsas denúncias no meio de um processo eleitoral em que o que está em jogo é o futuro do Brasil”
Dilma Rousseff, que não mexeu um dedo para impedir a “imprensa do PT” de espalhar por todo o país jornais apócrifos agredindo os adversários, e só reclama quando a imprensa brasileira a critica e a seu criador Lula 

A grande lição destas eleições pode ficar marcada de vez na história brasileira. Foi momento em que todos os crimes da situação foram admitidos, e não condenados sequer, em nome de manter um partido no poder, a todo e qualquer custo. Até mesmo o árbitro das eleições só falou num basta quando já a companheira conseguiu assumir a ponta nas pesquisas. Uma vergonha para qualquer órgão que tenha como fim a Justiça.

Lula, a companheira Dilma e toda a camarilha petista produziram o que foi o maior escândalo de mentiras, calúnias, denúncias vazias, chantagens. Um vale-tudo para garantir a um partido a hegemonia do poder e a chave do Erário. Passaram como um rolo-compressor sobre ética e moral, criticaram mortos na maior desfaçatez, sem falar nos vivos a quem pisaram com os coturnos da falsa democracia.

Deram o maior exemplo de que a democracia e o respeito, as propostas de governo e o país não são nada mais do que meras formalidades diante de seu projeto de governança que pretendem impor sobre qualquer voz discordante. Mudar as leis, ou comprar apoio, negociar cargos governamentais ou achincalhar a Justiça, tudo vale quando estão a ponto de implantar o governo do partido único. Não ficam longe do Ame-o ou Deixe-o lema da ditadura, pois defendem intransigentemente a divisão de um país, ficando com todos os poderes para dar concessões como dádivas.

O PT, sob as bençãos de Lula, apoia com Dilma o mais nefasto regime governamental desde a ditadura com a apropriação indébita de todo o governo como caixa de partido. Independente do que joguem como migalhas aos pobres, do que ofereçam como desenvolvimento, usufruem do Erário descaradamente para seus interesses particulares, partidários e ideológicos.

O governo de 12 anos do PT não merece o país nem muito menos uma população que trabalha, sua por seus salários, pelo atendimento digno na saúde, da criança ao idoso, por uma educação de nível e ampla oferta de trabalho. O PT avacalhou o Brasil, fez refém dele os mais necessitados a quem não dá oportunidades de trabalho, mas as esmolas, enquanto abocanham o filé mignon seus políticos, correligionários, o comissariado.