Dilma terá não apenas quase o dobro de tempo que a soma dos dois principais candidatos de oposição, como, nas inserções de 30 segundos somadas, terá nada menos que 123 minutos espalhados pela programação de cada emissora de canal aberto do Brasil nos 45 dias da campanha eleitoral. O volume de publicidade é equivalente, segundo especialistas, ao lançamento de um modelo novo de carro para consumo popular.
segunda-feira, 14 de julho de 2014
Você sabia?
domingo, 13 de julho de 2014
A máscara do gigante
Não houve nenhum milagre nos anos de Lula, e sim uma miragem que agora começa a se dissipar
Fiquei
muito envergonhado com a cataclísmica derrota do Brasil frente à Alemanha na
semifinal da Copa do Mundo, mas confesso que não me surpreendeu tanto. De um
tempo para cá, a famosa seleção Canarinho se parecia cada vez menos com o que
havia sido a mítica esquadra brasileira que deslumbrou a minha juventude, e
essa impressão se confirmou para mim em suas primeiras apresentações neste
campeonato mundial, onde a equipe brasileira ofereceu uma pobre figura, com
esforços desesperados para não ser o que foi no passado, mas para jogar um
futebol de fria eficiência, à maneira europeia.
Nada
funcionava bem; havia algo forçado, artificial e antinatural nesse esforço, que
se traduzia em um rendimento sem graça de toda a equipe, incluído o de sua
estrela máxima, Neymar. Todos os jogadores pareciam sob rédeas. O velho estilo
– o de um Pelé, Sócrates, Garrincha, Tostão, Zico – seduzia porque estimulava o
brilho e a criatividade de cada um, e disso resultava que a equipe brasileira,
além de fazer gols, brindava um espetáculo soberbo, no qual o futebol
transcendia a si mesmo e se transformava em arte: coreografia, dança, circo,
balé.
Os
críticos esportivos despejaram impropérios contra Luiz Felipe Scolari, o
treinador brasileiro, a quem responsabilizaram pela humilhante derrota, por ter
imposto à seleção brasileira uma metodologia de jogo de conjunto que traía sua
rica tradição e a privava do brilhantismo e iniciativa que antes eram
inseparáveis de sua eficácia, transformando seus jogadores em meras peças de
uma estratégia, quase em autômatos.
(...) não só o povo brasileiro estará lavrando a própria ruína, e mais cedo do que tarde descobrirá que o mito sobre o qual está fundado o modelo brasileiro é uma ficção tão pouco séria como a da equipe de futebol que a Alemanha aniquilou. E descobrirá também que é muito mais difícil reconstruir um país do que destruí-lo. E que, em todos esses anos, primeiro com Lula e depois com Dilma, viveu uma mentira que seus filhos e seus netos irão pagar, quando tiverem de começar a reedificar a partir das raízes uma sociedade que aquelas políticas afundaram ainda mais no subdesenvolvimento.
'Elefantes brancos' só para show
O
planejamento de construções da Copa, principalmente os estádios, foi bastante
específico para o futebol. Cem por cento dos estádios foram única e
exclusivamente para uma única atividade esportiva, afirma Paulo Roberto
Masseran, especialista em arquitetura para espetáculos da Unesp em
Bauru. Masseran, em entrevista ao Minuto Unesp, dá como exemplo o Mané
Garrincha, ainda incompleto, que foi demolido, mas apresentava características
de porte olímpico, podendo abrigar outros esportes no espaço. Segundo o
especialista, restará às “arenas”, em particular nas cidades onde há pouca
atividade futebolística, receberem apenas futebol e shows.
Masseran
ainda comenta o caso do estádio do Pan-Americano, no Rio, outro elefante
branco, inadequado para as Olimpíadas, determinando outro gasto para a
construção de um outro estádio para essa competição de 2016.
sábado, 12 de julho de 2014
O des-milagre brasileiro
O 7-1 não será assumido como uma anomalia futebolística, mas como a confirmação de um estado de coisas, de um fim de ciclo
(...) A aposta política no futebol foi
de alto risco, mas ao final foi a única coisa que Rousseff podia se
comprometer. Os cerca de 25 bilhões de reais investidos na festa, tão duramente
criticados, teriam sido legitimados no ânimo popular com uma vitória da seleção.
Como em toda aposta de alto risco, os dividendos do triunfo eram tão
categóricos como as consequências que a derrota acarreta. O problema é que as
autoridades nunca imaginaram um desastre esportivo de tal magnitude. O futebol
é uma religião no Brasil; agora se transformará em política. Uma variável de
consequências imponderáveis que não se encontra nos manuais de teoria política.
Se o des-milagre econômico era mal recebido pelos brasileiros, o des-milagre
futebolístico pode ser letal para a presidenta Dilma. Veremos.
Quando pagaremos?
A festa acabou, E agora, Josés? Vocês já calcularam o prejuízo? Essa conta não se pagará em crediário.
Durante um mês os aeroportos
funcionaram mesmo inacabados, houve mobilidade urbana apesar de nem 10% das
obras estarem prontas. O país se esmerou e empenhou tudo dentro do governo . E
deu certo. Ou quase. Mas existe uma conta que não fecha.
Até vilarejos a léguas das sedes
fecharam portas, deram feriado e ponto facultativo a seus comissionados. A
farra foi tanta que esbanjaram em telões e shows para exibir jogos do Brasil ao
populacho nessas vilas. Tudo com o financiamento popular, dinheiro que serviria
para obras públicas fundamentais, educação e saúde. Quem vai pagar a esbórnia
que políticos promoveram de olho em outubro?
O governo de d.Dilma se aplicou
em divulgar lucros exorbitantes, empregos em penca e melhorias com o padrão
Fifa. O Centro Aberto de Mídia foi uma verdadeira máquina com produção diária
de releases divulgando os grandes sucessos da Copa. Foi o show dos milhões e
bilhões como anunciou até uma geração de R$ 30 bilhões à economia. No entanto,
não há livro-caixa para conferir o que o país lucrou.
Certeza é que a Copa foi um
milagre brasileiro, mais um. De ser o único país até hoje a lucrar com grandes
eventos esportivos, fato que não aconteceu, com o perdão da palavra, nem com a
Alemanha. O que acontece só mesmo no Brasil, aquele deitado em berço esplêndido,
de onde jorram os mananciais da dinheirama pública para regalo dos políticos,
ainda mais em véspera de reeleição.
Podem agora os especialistas até
afirmarem que não haverá um efeito Copa em outubro. Analisam outras Copas,
outras derrotas, mas se esquecem de quanto foi especialíssimo este evento para
o país, que gastou fortunas e durante um mês envolveu o governo de tal forma
que se esqueceu até de governar. No embalo, aproveitou para distribuir benesses
eleitoreiras. O país ficou inteiramente em recesso como os parlamentares, mas
precisou trabalhar para pagar as contas, o que não aconteceu com os meliantes
das casas legislativas.
A derrota na Copa em casa pode
pesar mais do que calculam, porque o país também perdeu dinheiro que será o
contribuinte a recolocar tudo em caixa. Algo que os marqueteiros governamentais
querem afastar da imagem santa da presidente. Afinal Copa e Olimpíadas, no
Brasil, foram ideia de alguém muito esperto e louco para usufruir de juros
eleitorais com sua tacada. Como surgiu uma Alemanha no meio do caminho, o jeito
é tirar da reta o governo e deixar a contar se pagar por si mesma. Ou seja, o
débito fica para aquelas crianças que choraram a derrota e, quando forem
cidadãos produtivos, começarão a pagar o choro de hoje.
'Vencedores e perdedores' na economia
Quando a última bola rolar em campo, neste domingo, a Copa do Mundo terá deixado vencedores e perdedores também na economia.
Apesar das promessas do governo de que o evento geraria milhares
de empregos e ajudaria a impulsionar a economia, ainda não está claro qual será
seu impacto geral nesta área. Consultorias sondadas pela BBC Brasil, como a
Tendência e a Capital Economics, preveem um efeito nulo ou insignificante sobre
o PIB.
Mas se o saldo total do torneio ainda é incerto, está cada vez mais evidente que alguns setores devem comemorar a "taça" das vendas, enquanto outros amargarão resultados mais fracos.
Entre os mais beneficiados, segundo o economista Juan Jensen, da Tendências, estão negócios ligados a segmentos de lazer e turismo, como bares e os hotéis das cidades-sede. Produtores de cerveja e fabricantes de televisores também saíram ganhando. E ainda na fase de preparação para os Jogos, grandes empreiteiras lucraram com as obras ligadas ao Mundial.
Do lado dos perdedores parecem estar a indústria em geral e o varejo não ligado ao torneio - que sofreram com os feriados e paralisações provocados pelos Jogos.
sexta-feira, 11 de julho de 2014
Ser ou não ser
"Ser contra a maioria. Ter uma opinião própria e aguentar. O conforto e a defesa do grupo, do bando, do correligionário. Estar só, privado do suporte para a nossa opinião e a nossa glória durante uma vida inteira. Porque uma reputação é feita pelos outros. E os outros fazem-na enquanto existe o motivo dela, ou seja o reputado"
Vergílio Ferreira
Querem também aparelhar o futebol
Os homens de governo, os que têm a
responsabilidade dos destinos
dos povos, devem abster-se de proteger os
clubes esportivos, sobretudo os nossos
Lima Barreto, Feiras e Mafuás
Numa
corrida em defesa da presidente, dentro do esquema tático de retranca em torno
da candidata, Aldo Rebelo (PCdoB), agora conclama que o governo “não pode ser excluído da
competência de zelar pelo interesse público dentro do esporte”. Grande
financiador da Copa com quase R$ 10 bilhões públicos investidos para uma
competição de financiamento inteiramente privado, como foi anunciado, o governo
agora tenta outra jogada nesta prorrogação da derrota para os alemães.
O ministro sugere o aparelhamento
do esporte que em boa parte, como admitiu, financia sem quase nenhuma
ingerência na regulamentação e na gestão dos clubes. Para Aldo, apenas agora "o futebol e o esporte são
matérias de interesse público", e o Estado deve "retomar algum tipo
de protagonismo" nessa questão.
Mesmo sabendo de tal situação, o
próprio governo, sob o comando de Aldo Rebelo literalmente abriu as pernas para
a Fifa, que lucrou bilhões livres de impostos, e para suas “exigências”. Foi o
porteiro comunista que escancarou as portas do país para a monopolista Fifa, em
nome do povo, para o povo, pelo povo, que paga muito bem porteiros dessa laia.
Com que caráter o mesmo vai
defender uma gerência maior sobre o futebol e outros esportes se escancara o
país em nome de grandes eventos esportivos só para ter a primazia de
capitalizar os juros eleitorais? É mais uma cortina de fumaça para esconder os
interesses escusos que fizeram o PT, aliados e seu guru supremo defenderem
essas competições como alavancadoras do progresso. Pílula dourada que os
brasileiros terão de pagar agora a peso de ouro.
A coletiva do ministro só
reforçou nas entrelinhas que a Copa foi um evento inteiramente dedicado a
reforçar a administração petista e de aliados, como o PC do B do ministro, para
assegurar com vantagens o continuísmo de poder. Ninguém é burro o suficiente
para ignorar que esses eventos esportivos, que tanto serviram a ditaduras no
passado, não seriam usados pela pseudo democracia do presente para louvar seus
governantes. Ou ainda acham que Lula só trouxe a Copa para dar um Itaquerão de
graça ao Coríntians, seu clube de coração que não tinha estádio?
A defesa do ministro de um
aparelhamento do esporte - contrário à liberalização e privatização dos clubes
como nos Estados Unidos, Alemanha e outras democracias – abre brecha para as
aberrações que já são criadas pelos governos petistas. Como a daquele prefeito,
torcedor do Vasco, que doou área pública na margem lagunar para seu clube do
coração instalar um centro de treinamento. A doação, aprovada pelos vereadores,
foi feita em nome de se oferecer uma escolinha à garotada local, quando se sabe
que CT é um espaço particular. Em suma, o aparelhamento proposto pelo ministro
bem pode ser mais um atalho para “iniciativas” dessa laia para privilegiar uns
e outros dos governos.
quinta-feira, 10 de julho de 2014
Pra um, tudo; pra milhares, migalhas
Dilma faz gesto de apoio a
Neymar, mas esqueceu de lembrar nas redes sociais o sofrimento de milhares de
desabrigados no Sul. Aliás, é uma característica da presidente que só vai a
desastre às vezes até com 40 dias de sofrimento. Mas nem pensar em pisar no
molhado.
(E lembrar da primeira-ministra
da Austrália que no dia seguinte de uma grande inundação já estava na área com
um exército de ajuda, mantimentos, socorro)
Quem se defende
Quem se
defende porque lhe tiram o ar
Ao lhe apertar a garganta, para este há um parágrafo
Que diz: ele agiu em legítima defesa. Mas
O mesmo parágrafo silencia
Quando você se defende porque lhe tiram o pão.
E no entanto morre quem não come, e quem não come o suficiente
Morre lentamente. Durante os anos todos em que morre
Não lhe é permitido se defender.
Ao lhe apertar a garganta, para este há um parágrafo
Que diz: ele agiu em legítima defesa. Mas
O mesmo parágrafo silencia
Quando você se defende porque lhe tiram o pão.
E no entanto morre quem não come, e quem não come o suficiente
Morre lentamente. Durante os anos todos em que morre
Não lhe é permitido se defender.
Bertold Brecht
Alemanha enfrenta a praga invisível do analfabetismo
Cerca de 7,5 milhões de adultos não sabem ler e escrever no país
A Alemanha é o país dos grandes filósofos, escritores e... analfabetos. Uma
pesquisa divulgada na semana passada revela que 7,5 milhões de alemães não
sabem ler e escrever. Segundo Urda Thiessen, professora de alfabetização para
adultos entre 18 e 64 anos de idade, o sistema alemão favorece os melhores e
oferece poucas chances aos mais fracos. Quem termina o primeiro ano escolar sem
saber ler ou escrever corre o risco de ficar analfabeto para sempre.
—
No sistema de educação regular, não há nenhuma chance de recuperação desse
déficit no início do período escolar, provocado muitas vezes por doenças ou
crises familiares, como a separação dos pais — diz Thiessen.
Frequentemente,
os analfabetos têm um QI normal ou até mais alto do que a média da população.
Quer dizer, eles não deixaram de aprender a ler por falta de inteligência, mas
sim por problemas que não foram observados pelo professor.
—
Na Alemanha, há escola gratuita para todos, mas os professores da escola
primária, em classes com 30 ou mais alunos, não têm tempo para se ocupar com
alunos problemáticos — explica.
Apenas começamos a atacar o problema de frente — diz, embora a associação onde trabalha exista há mais de 20 anos.
Urda Thiessen
Leia mais Alemanha enfrenta a praga invisível do analfabetismo
E naquele país lá embaixo...
Um
relatório divulgado este ano pela Organização das Nações Unidas para a
Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) aponta que o Brasil aparece em 8°
lugar entre os países com maior número de analfabetos adultos. Ao todo, o
estudo avaliou a situação de 150 países.
De
acordo com a mais recente Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad),
feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2012 e
divulgada em setembro de 2013, a taxa de analfabetismo de pessoas de 15 anos ou
mais foi estimada em 8,7%, o que corresponde a 13,2 milhões de analfabetos no
país.
Nos tempos de Cinelândia
Um dos grandes números dos musicais cinematográficos, refilmagem de “Gold Diggers of 1935” com Fred Astaire e Ginger Roger’s. Nessa nova produção Gene Nelson e, principalmente, Doris Day fazem o espetáculo em “Lullaby of Broadway”
quarta-feira, 9 de julho de 2014
Governo mexe pra ficar bem na foto
Ideia é explorar imagem da presidente vinculada somente à organização do evento
A humilhante derrota do Brasil na Copa do Mundo, fora de qualquer prognóstico, acendeu, no Palácio do Planalto, o alerta sobre o efeito político do 7 a 1 na campanha da presidente Dilma Rousseff à reeleição. Se até o momento Dilma estava explorando politicamente as vitórias da seleção brasileira, a estratégia agora é tentar colar sua imagem apenas à organização do evento, considerada um sucesso pelo governo.
Logo após a derrota, a presidente tentou se colocar como uma torcedora comum, afirmando por meio de sua conta no Twitter que estava “muito, muito triste” com a derrota da seleção brasileira, e tentou passar uma mensagem de motivação para a população.
O perfil
institucional do Palácio do Planalto no Facebook adotou imediatamente a linha
de defender a organização do evento: “Valeu Brasil! Vamos continuar mostrando
ao mundo que, mesmo sem nossa seleção na final, batemos um bolão fora de campo”.
O perfil da presidente
Dilma no Facebook, que é administrado pelo PT, foi ainda mais explícito:
“Perdemos a taça, mas a #copadascopas é nossa”, afirmou, repetindo o bordão
adotado pelo governo para referir ao Mundial.
O perfil
institucional do Palácio do Planalto no Facebook adotou imediatamente a linha
de defender a organização do evento: “Valeu Brasil! Vamos continuar mostrando
ao mundo que, mesmo sem nossa seleção na final, batemos um bolão fora de campo”.
O perfil da presidente
Dilma no Facebook, que é administrado pelo PT, foi ainda mais explícito:
“Perdemos a taça, mas a #copadascopas é nossa”, afirmou, repetindo o bordão
adotado pelo governo para referir ao Mundial.
A ovelha negra
Em um país distante existiu faz muitos anos uma Ovelha
negra.
Foi fuzilada. Um século depois, o rebanho arrependido lhe
levantou uma estátua equestre que ficou muito bem no parque. Assim,
sucessivamente, cada vez que apareciam ovelhas negras eram rapidamente passadas
pelas armas para quer as futuras gerações de ovelhas comuns e vulgares pudessem
se exercitar também na escultura.
Augusto Monterroso (1921-2003), escritor hondurenho
Os desiludidos da República
Há um notório sentimento popular de cansaço, de enfado, de identificação do voto como um ato inútil, que nada muda
A
proximidade das eleições permite uma breve reflexão sobre o processo de
formação de uma cultura política democrática no Brasil. A República nasceu de
um golpe militar. A participação popular nos acontecimentos de 15 de novembro
de 1889 foi nula. O novo regime nasceu velho. Acabou interrompendo a
possibilidade de um Terceiro Reinado reformista e modernizador, tendo à frente
Isabel como rainha e chefe de Estado e com os amplos poderes concedidos pela
Constituição de 1824.
A nova
ordem foi edificada para impedir o reformismo advogado por Joaquim Nabuco,
Visconde de Taunay e André Rebouças, que incluía, inclusive, uma alteração no
regime de propriedade da terra. Os republicanos da propaganda — aqueles que
entre 1870, data do Manifesto, e 1889, divulgaram a ideia republicana em atos
públicos, jornais, panfletos e livros — acabaram excluídos do novo regime.
Júlio Ribeiro, Silva Jardim e Lopes Trovão, só para recordar alguns nomes,
foram relegados a plano secundário, considerados meros agitadores.
O vazio
no poder foi imediatamente preenchido por uma elite política que durante
decênios excluiu a participação popular. As sucessões regulares dos presidentes
durante a Primeira República (1889-1930) foram marcadas por eleições
fraudulentas e pela violência contra aqueles que denunciavam a manipulação do
voto.
O processo eleitoral reforça este quadro de hostilidade à política. A mera realização das eleições — que é importante — não desperta grande interesse. Há um notório sentimento popular de cansaço, de enfado, de identificação do voto como um ato inútil, que nada muda. De que toda eleição é sempre igual, recheada de ataques pessoais e alianças absurdas. Da ausência de discussões programáticas. De promessas que são descumpridas nos primeiros dias de governo. De políticos sabidamente corruptos e que permanecem eternamente como candidatos — e muitos deles eleitos e reeleitos. Da transformação da eleição em comércio muito rendoso, onde não há política no sentido clássico.
Leia mais "Os desiludidos da República", de Marco Antonio Villa
E se o Brasil fosse mais do que uma Copa?
As vitórias das novas Copas sociais e políticas, que toda a sociedade deve disputar, serão as que colocarão este país nos trilhos da verdadeira modernidade.
O Brasil do futebol se apagou
entre milhões de lágrimas, mas este país é hoje mais do que a alegria de uma
bola marcando gols. O Brasil tempos atrás, em uma tarde nefasta como esta em
que escrevo, mais negra talvez do que a do maracanazo de 1950, teria sido um
país em total depressão. Hoje pode talvez estar indignado com Felipe Scolari ou
com raiva contra aquele que deixou Neymar de fora da Copa, mas esta noite os
brasileiros não se atirarão pela janela.
Haverá quem queira fazer de bode
expiatório da tremenda derrota o jogador colombiano que empurrou o herói
Neymar. Não é o caso, é que simplesmente o Brasil não conseguiu jogar, foi
dominado pelos alemães.
E se fosse verdade, o que não é,
que a derrota teve origem na ausência do ídolo Neymar, o Brasil tem de recordar
as palavras de Bernard Shaw: “Desgraçados os povos que necessitam de heróis”.
Referia-se aos que continuam depositando sua fé em seus caudilhos mais do que
na força e criatividade de seus povos, dos não heróis, ou melhor, dos heróis
anônimos, os que se forjam na luta dura do cotidiano, os que sustentam nas suas
costas, com seu trabalho, o peso da nação.
Os brasileiros deveriam agora ser capazes de ver nessa derrota a luz no final de um túnel para fazer deste maravilhoso país não só o salão do futebol mundial, mas uma oportunidade de bem-estar e justiça para todos, onde o futebol, como nos países já desenvolvidos, possa ser somente um jogo que às vezes nos faz tocar o céu e outras nos devolve tristes à vida real, que é a que conta.
Leia mais o artigo de Juan Arias "E se o Brasil fosse mais do queuma Copa?"
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