sábado, 28 de março de 2015

Os robôs abandonam o barco

O documento que vazou do Planalto falando dos robôs usados nas redes sociais me fez lembrar de 2010. Foi a última campanha que fiz no Rio de Janeiro. Na época detectamos a ação de robôs, localizamos sua origem, mas não tínhamos como denunciar. Ninguém se interessou.

Os robôs eram uma novidade e, além do mais, o adversário não precisou deles para vencer. Tinha a máquina e muito dinheiro: não seriam mensagens traduzidas, grosseiramente, do inglês - contrataram uma empresa americana - que fariam a diferença. Essa campanha de 2010 pertence ao passado e só interessa, hoje, aos investigadores da Operação Lava Jato.

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Os robôs abandonaram Dilma Rousseff depois das eleições. E o Palácio dá importância a isso. Blogueiros oficiais também fazem corpo mole em defendê-la, por divergências políticas. Isso confirma minha suposição de que nem todos os blogueiros oficiais são mercenários. Há os que acreditam no que defendem e acham razoável usar dinheiro público para combater o poderio da imprensa.

Vejo três problemas nesse argumento. O primeiro é uma prática que se choca com a democracia. O segundo, o governo já dispõe de verbas para fazer ampla e intensa propaganda. E, finalmente, Dilma tem todo o espaço de que precisa. Basta convocar uma coletiva e centenas de jornalistas vão ao seu encontro. Se Dilma quiser ocupar diariamente cinco minutos do noticiário nacional, pode fazê-lo. O chamado problema de comunicação do governo lembra-me O Castelo, de Kakfa. A porta sempre esteve aberta e o personagem não se dá conta de que a porta está aberta.

O problema central é que Dilma não sabe tocar esse instrumento. Todos os presidentes da era democrática sabiam. Lembro-me apenas do marechal Dutra, no pós-guerra, mas era muito criança. Falava mal, porém fez carreira militar, era um marechal, que comprou muita matéria plástica. Mas era um outro Brasil comparado com o avanço democrático e a onipresença do meios de comunicação.

Os robôs que abandonaram o barco não me preocupam. Esta semana parei um pouco para pensar na terra arrasada que o PT deixará para uma esquerda democrática no País. Não só pelo cinismo e pela corrupção, pelas teses furadas, mas também pela maneira equivocada de defender teses corretas. Ao excluir dissidentes cubanos, policiais brasileiros, opositores iranianos da rede de proteção, afirmam o contrário dos direitos humanos: a parcialidade contra a universalidade.

Algo semelhante acontece com a política sobre os direitos dos gays, que apoio desde que voltei do exílio, ainda no tempo do jornal Lampião.

Ao tentar transformar as teses do movimento numa política de Estado, chega-se muito rapidamente à desconfiança da maioria, que aceita defesa de direitos, mas não o proselitismo. Tudo isso terá de ser reconstruído em outra atmosfera. Será preciso uma reeducação da esquerda para não confundir seus projetos com o interesse nacional.

Isso se aprende até nas ruas, vendo o desfile de milhares de bandeiras verdes e amarelas. Na sexta-feira 13 houve um desfile de bandeiras vermelhas. Essa tensão entre o vermelho e o verde-amarelo é expressão pictórica da crise política.

Se analisamos a política externa do período, vemos que o Brasil atuou lá fora como se sua bandeira fosse vermelha. Ignora a repressão em Cuba e na Venezuela, numa fantasia bolivariana rejeitada pela maioria do País.

Discordo de uma afirmação no documento vazado do Planalto: o Brasil vive um caos político. Dois milhões pessoas protestam nas ruas sem um incidente digno de registro. Existe maturidade para superar a crise, sem violência.

Bem ou mal, o Congresso Nacional funciona. O caos não é político. É um estado de espírito num governo e num partido que ainda não compreenderam seu fim. Nada mais cândido que a sugestão do documento: intensificar a propaganda em São Paulo.

Com mais propaganda, mais negação da realidade, o governo contribui para aumentar o som do panelaço. E exige muita maturidade da maioria esmagadora que o rejeita.

Li nos jornais a história de um deputado no PT reclamando de ter sido hostilizado em alguns lugares públicos. Se projetasse o que virá no futuro, teria razões para se preocupar.

A crise econômica ainda vai apresentar seus efeitos mais duros. Um deles é o racionamento de energia. Sem isso, acreditam os técnicos, não há retomada do crescimento em 2016. Como crescer sem dispor de mais energia?

As investigações da Lava Jato concentram-se no PT. Muitos depoimentos convergem para inculpar o tesoureiro João Vaccari Neto. Li que uma das saídas do partido seria culpar o tesoureiro, uma versão petista de culpar o mordomo.

Um governo que recusa a realidade, crise econômica que caminha para um desconforto maior e o foco da investigação da Lava Jato no PT são algumas das três variáveis de peso que conduzem a uma nova fase.

Diante desse quadro, não me surpreende que os robôs estejam pulando do barco do governo. Apenas confirmam minha suspeita de que se tornam cada vez mais inteligentes.

Eles continuam à venda no mercado internacional. O secretário da Comunicação recomendou ao governo dar munição a seus soldados na internet, Lula ameaçar com o exército de Stédile. Um novo exército de robôs seria recebido com uma gargalhada nas redes sociais.

Juntamente com os robôs, Cid Gomes saltou do barco. Ao contrário dos robôs, seu cálculo é político. Superou em 100 a marca de Lula sobre os picaretas no Congresso. Preservou-se com os futuros eleitores.

Mas, e aquela história da educação como o carro-chefe do projeto de Dilma? Confusão entre os estudantes que não recebem ajuda e o ministro contando picaretas no Congresso.

É tudo muito grotesco. Os partidos querem ver Dilma sangrando. Além de ser muito sangue o que nos espera pela frente, é preciso levar em conta que, de certa maneira, o Brasil sangra com Dilma. Arrisca-se a morrer exangue.

Compra-se silêncio. Paga-se bem

O PT, leia-se Lula, vai abocanhar a gerência de uma conta de R$ 200 milhões por ano, dinheiro com que conta silenciar qualquer adversário. O ex-deputado Edinho Silva, coordenador de campanha de Dilma e apontado por réus do Petrolão como receptor de “doações”, vai assumir a milionária Secretaria de Comunicação do Planalto, no lugar de Thomas Traumann. Como Dilma não pretende cortar na carne, e se cortar não será na Secom, o PT viu continuar achacando a imprensa com a publicidade estatal e incrementando o financiamento de mercenários na internet. Mais uma vez o partido vai se utilizar do Estado como propriedade partidária para fazer o diabo no silenciamento da Lava Jato.

Fabricando a própria mentira


As experiências de Westen mostram que se a realidade não se adapta às verdades que seu cérebro rejeita, ele cria uma realidade paralela à qual seu cérebro se adapta

É possível que esteja acontecendo alguma coisa que a nossa vista não alcança.

Mas os fatos se avolumam diante de nossos olhos e ainda assim existe um exército disciplinado tentando nos convencer de que os fatos não são exatamente fatos. São apenas uma versão distorcida dos fatos, fabricada por nosso superego reacionário e elitista que não se conforma com a ascensão social das classes mais pobres.

Esse truque semântico é um truque pobre, mas pode ter lá a sua eficácia dentro do um universo onde o raciocínio raso se transforma em palavra de ordem e em farol e guia de alguém que anda à procura de um farol e de um guia para justificar a falta de substância e de propósito investidos na defesa do indefensável.

Temos hoje o que é talvez um dos piores governos da história da República, há evidências gritantes de um esquema de corrupção que parece construído para sustentar não os desvios de caráter da ganância individual mas os alicerces de um projeto de perpetuação do poder, e mesmo assim a desconversa institucionalizada tenta convencer-nos de que todos são iguais.

Tudo o que é malfeito hoje é versão copiada dos malfeitos de ontem.

Um fato extraordinariamente significativo para ilustrar a diferença entre o “todos são iguais” e o esquema organizado de controle do poder é o caso do Postalis, o fundo de pensão dos empregados dos Correios, onde detectou-se um déficit de 5,2 bilhões de dólares, que terá que ser coberto por aportes adicionais dos funcionários durante pelo menos 15 anos para equilibrar as contas e garantir o pagamento das aposentadorias adicionais de quem resolveu apostar uma velhice tranquila nele.

O que você pode dizer de um fundo de pensão estatal que é controlado pelos partidos que dividem o governo, o PT e o PMDB? Que o dinheiro foi desviado? Não se sabe, não há provas. O que o Tribunal de Contas da União diz é que no portfólio do Fundo havia títulos da dívida pública da Venezuela e da Argentina. E havia também ações da empresa do Eike Batista. Gestão temerária?

Quem é que no pleno domínio de suas faculdades mentais pega as economias de uma multidão de 71 mil trabalhadores e investe em títulos podres como esses? Só há duas explicações possíveis: má fé ou incompetência absurda.

Qualquer das duas hipóteses caracteriza dolo: ou alguém roubou ou alguém foi muito incompetente a ponto de jogar o dinheiro alheio no lixo. Seja qual for a explicação, ela não absolve ninguém.

Contra todas as evidências, os exércitos retardatários de Thomas Traumann, o secretário de Comunicação Social do governo de Dilma, devidamente defenestrado pelo vazamento de seu “documento secreto”, insistem em ignorar a realidade e tentam levar a sua contradança para o terreno da fantasia da luta do bem contra o mal.

A negação da realidade é um sintoma mais um menos agudo de uma patologia que, em seus casos mais graves, pode ser definida como uma espécie de esquizofrenia, uma doença sem cura que procura adaptar à realidade aos sonhos e delírios do paciente.

No livro “O Cérebro Político” do neurologista norte-americano Drew Westen, existe uma tentativa de explicação científica para essa espécie de negação da realidade, que foi medida em várias experiências feitas em laboratório através de ressonância magnética.

As experiências de Westen mostram que se a realidade não se adapta às verdades que seu cérebro rejeita, ele cria uma realidade paralela à qual seu cérebro se adapta. Ou seja: você cria sua própria realidade e passa a viver dentro dela.

Através desse mecanismo você passa a acreditar em suas próprias mentiras. Não é legal?

Sandro Vaia

Pilates de cada dia

O oposto da vida na ditadura não é a vida na perfeição, mas o exercício das liberdades, incluindo a liberdade de fazer o mal ou para fazer o mal, cometer erros e, por vezes, voltar a antigas ditaduras ou inventar outras novas
André Glucksmann

Crise transforma Planalto num inferno de Dante

Muitas pessoas acreditam na lei do retorno, na base do “aqui se faz, aqui se paga”. Há também quem entenda que o inferno seria a própria vida terrena, neste vale de lágrimas celebrizado pela oração cristã “Salve, Rainha”. Bem, são crenças religiosas que ganham força no Brasil quando se analisa a política brasileira atual, em que os governantes estão ilhados num verdadeiro purgatório, como nova versão da “Divina Comédia” de Dante, onde só recebem notícias ruins, que vão piorando com o passar do tempo e ainda estão longe do clímax.

Estas pessoas – nossos governantes – decididamente não têm paz. É como se estivessem submetidos a algum tipo de tortura chinesa, que não mata, mas vai tendo sua intensidade aumentada a cada dia, de modo a levar a vítima ao desespero total.

É possível imaginá-los no luxo dos palácios da Ilha da Fantasia chamada Brasília, onde vivem um mundo de ficção, em que quase tudo está à disposição, a tempo e a hora, mas falta o principal – a felicidade do dever cumprido, que vem acompanhada da consagração pública e da realização pessoal.

Podemos também vislumbrar o mau humor dos governantes a cada manhã, quando chegam os jornais repletos de notícias ruins e desonrosas. Depois, as reuniões estressantes em busca de soluções milagrosas que não existem mais, pois de repente nem mesmo o ardiloso marqueteiro consegue ter alguma idéia criativa. E à noite, enfim, o massacre em todos os telejornais, parece um nunca-acabar. É óbvio que, nesse clima sinistro, jamais conseguirão dormir o chamado sono dos justos, nem mesmo à base de tranquilizantes.

Os governantes são eleitos para trabalhar em nome do povo e em busca da satisfação dos interesses populares, e este era justamente o objetivo que o PT alardeava. Por isso, o sofrimento dessa gente é merecido, todos sabem. Jamais um país subiu ao poder no Brasil contando com tamanho apoio das massas.

Havia um impressionante clamor de esperança, que agora se desfez, quando enfim se percebeu que o mito do PT era tudo mentira, não se tratava de políticos de nova estirpe, mas de neopolíticos da pior espécie, cujo maior interesse se resumia ao enriquecimento pessoal, obtido ilicitamente. Sem dúvida, os sindicalistas mostraram que são ainda piores do que os políticos tradicionais, que na verdade sempre nos decepcionaram, porém jamais formaram esses tipos de quadrilhas.

Os petistas não conheciam Abraham Lincoln, julgaram que poderiam enganar a todos, o tempo todo, mas isso não existe na vida real. Conseguiram decepcionar aos brasileiros e agora estão sofrendo, envergonhados, mas têm de sair às ruas, brandindo as bandeiras vermelhas, por dever de ofício, digamos assim. Agora, estão sendo convocados pelo presidente do PT, Rui Falcão, para se contraporem às manifestações programadas para o dia 12, quando inevitavelmente surgirão cartazes ironizando o “governo de merda”, assim denominado pelo próprio dirigente petista.

É triste saber que este governo ainda vai sangrar por muito tempo, agonizando em praça pública até o desenlace final, que esperemos ver surgir com base nas normas constitucionais. Mas enquanto essa situação se prolongar, o pior é que o povo brasileiro também estará sofrendo, pois quando não há esperança, a retração é inevitável, o desânimo prevalece.

Poderia ter sido diferente, claro. Quem iria imaginar que os representantes do povo se comportariam dessa forma, como se fosse membros de uma gigantesca quadrilha? Era difícil pensar que chegariam a tanto.

Agora, a grande dúvida é sabe até quando os governantes vão continuar fingindo que ainda existe alguma possibilidade de permanecerem no poder. É uma situação verdadeiramente patética.

Diálogo com a sabedoria



- A coisa tá preta!

- Preta, não, isso é racismo, respondeu a bolacha de chope. Está é suja, fedendo, esmolambada. Deixaram a gente com as calças na mão e agora pensam no pior: o cerol
.

Algemas

Eu terminara de almoçar e lia na sala os jornais que haviam chegado. Eles me ligavam ao mundo e informavam sobre os acontecimentos tormentosos daqueles dias de repressão. Minha mulher também corria os olhos pelas notícias e nossos filhos, ainda pequenos, pulavam por ali.

O telefone tocou. Era um colega de cidade vizinha que pedia minha presença na telefônica, no centro da cidade, com a maior rapidez porque seu tempo era curto. Tinha sido preso e estava sendo conduzido não sabia para onde, queria falar-me, precisava de apoio, estava desesperado. Chamara também os demais colegas e contava que todos fossem até lá para darem, pelo menos, apoio moral. Sentia-se na sua voz uma grande angústia.

Não hesitei um momento. Expliquei tudo em duas palavras à minha mulher, peguei um agasalho e rumei para o lugar indicado. Nenhuma outra consideração entrou no meu espírito – nem medo, nem cálculo, nem conveniência de qualquer espécie. Tratava-se de um advogado como eu, colega e amigo, ainda que não fosse dos mais chegados, e meu dever era socorrê-lo no momento amargo, quaisquer que fossem as conseqüências.

Na minha juventude de então eu não sabia que estava vivendo um instante fugidio mas glorioso da existência. Enquanto dirigia pela colina abaixo quase explodia de indignação diante da arbitrariedade que me parecia monstruosa e ia pronto para tudo, inclusive para ser preso e seguir com o colega, se isso fosse necessário. Hoje, na maturidade, fico encabulado à lembrança de alguns arroubos daquela época, mas esse episódio me envaidece e meu coração afirma que sairia novamente, agora, em socorro do colega se ele estivesse me chamando.

Minha surpresa foi grande ao notar a ausência dos demais. Nenhum compareceu, nenhum se dispôs a amparar o seu igual, nem mesmo os que se diziam “correligionários” do preso, de quem eu era, por coincidência, adversário em política. Olhei incrédulo para a casa de um deles, distante pouco mais de cem passos, e tive ganas de gritar com a força máxima dos pulmões:

– Covardes! Covardes!

Creio, sinceramente, que hoje eu gritaria.

Mas o choque maior foi quando percebi as algemas, aquelas peças niqueladas nos punhos do bacharel, como se fosse um marginal perigoso e prestes a intentar a fuga. Moço culto e educado, incapaz de uma grosseria, quanto mais da menor violência, ele mal podia falar em meio aos oficiais condutores. E tudo aquilo por ter sido contrário aos mandões do momento!

Fiquei arrasado.

Ele, num esforço imenso, resumiu tudo numa pergunta:

– E os outros?

Não tive o que dizer e me limitei a encolher os ombros. Depois, meio sem jeito, tratei de abraçá-lo e confortá-lo. Prometi telefonar à família (ele fora preso no escritório e nem pudera se despedir), atendê-la no que pudesse e acompanhar o destino dele próprio, até então obscuro. Seus olhos marejavam e eu senti com intensidade a gratidão que se instalava na alma do colega mais velho pela atitude do mais jovem.

O carcereiro, impaciente, queria partir. Tinha ordens e horários a serem cumpridos. Relutante, atrapalhado com as algemas niqueladas, o advogado embarcou. Em instantes a viatura policial dobrava a esquina em direção à estrada poeirenta.

Fiquei ali um tempão, parado na frente da telefônica, com o olhar fixo na estradinha campeira. Todo o edifício jurídico construído dentro de mim, em anos de estudo e trabalho, estava abalado.

Mas a vida continuava e era preciso lutar. Voltei devagar para casa, a esposa, os filhos, a profissão. Naquele trajeto, sozinho e amargurado, assumi comigo mesmo o compromisso formal — até hoje cumprido a duras penas — de jamais transigir com os inimigos da democracia, mascarados ou não, e defendê-la pelos modos ao meu alcance. Acima de tudo, incutir nos filhos a consciência democrática como forma de ensinar que só a democracia protege a dignidade do homem e que ela poda ter mil defeitos mas ainda não se inventou nada melhor.

Você quer financiar campanhas do PT e aliados?

Na última terça-feira, dia 24, a CNBB cobrou do STF uma deliberação sobre a proposta, há um ano em mãos do ministro Gilmar Mendes, que acaba com o financiamento privado das campanhas eleitorais. Essa permanente dedicação da CNBB às pautas políticas sempre me impressiona. No caso, mais uma vez, a tese que a Conferência abraça é a tese do PT.

O partido reinante, há bom tempo, vem reafirmando seu desejo de que o financiamento das campanhas seja proporcionado pelo Orçamento da União. Orçamento "da União", você sabe, é aquele documento que autoriza o governo a usar nosso dinheiro. Embora a maioria dos brasileiros acredite que os recursos do erário são "do governo", o fato é que o governo não tem recursos próprios. Todo esse dinheiro procede do povo brasileiro, por ele é gerado, a ele pertence e para ele deve retornar em bons serviços e investimentos. Você concorda com incluir entre suas obrigações o financiamento das campanhas eleitorais?

O PT parece já haver convencido muita gente de que sim, de que essa conta tem que ser paga por nós. Entre os fieis adeptos da tese se inclui a CNBB, parceira nas boas e más horas petistas. No entanto, é bom sabermos que essa moeda tem dois lados e dois beneficiários. A decisão de acabar com o financiamento privado cria a obrigação de fazê-lo com recursos tomados do nosso bolso e define que o PT e o PMDB serão os principais beneficiados. Por serem a dupla hegemônica da política nacional, ambos abocanharão a parcela maior desses recursos.

Depois de tudo que se ficou sabendo através da operação Lava Jato e do petrolão, depois de conhecida a lavagem de dinheiro público em empresas privadas para financiamento dos partidos da base do governo, essa dedicação à tese do financiamento público é de uma hipocrisia estarrecedora. Ademais, não há como impedir com segurança absoluta o financiamento privado através de caixa 2.

Por fim, o financiamento público obrigatório comete contra os cidadãos uma violência que, no meu caso, se configura assim: o dinheiro dos impostos que eu pago será usado, contra a minha vontade, para financiar campanhas eleitorais de todos os partidos. Certo? Então, meu suado dinheirinho apropriado pelo Estado estará financiando as campanhas do PT, do PSOL, do PSTU, do PCdoB, do PCB, do PCO e assemelhados. Me digam se isso não é um completo disparate.

Percival Puggina

sexta-feira, 27 de março de 2015

O riso do povo contra o desmando do governo

Dia di circo Congresse Planalto dilma urna

Há quem tenha a idolatria crônica a qualquer governo. Para esses é Deus no céu e o executivo, o legislativo e o judiciário na terra. Não há outra vida nem daqui pode-se salvar. Dão carteirada, ameaçam com o “Eu sou”, alguns até rugem com o famoso e brasileiríssimo: “Sabe com quem está falando?” E ainda se dão ares de merecer respeito!

Mesmo em tempos de liberdade não faltarão tipinhos desses por aí, azucrinando os ouvidos alheios com a ladainha dos que adoram viver sob a chibata e ainda dizer amém. São masoquistas de carteirinha, cheios de não me toques, respeitosos com os de cima, a quem se ajoelham, e petulantes com os de baixo para quem dedicam os ataques que não têm coragem de fazer ao Poder.

Deles não se pode desejar mais do que existirem como marionetes. Não aprenderão nunca o poder do riso quando as pessoas estão sob o tacão da esbórnia administrativa ou até mesmo agrilhoadas pela tirania. A História está aí mesmo para contar. Na ditadura, foi o riso que derrubou muito paredão; arrasou batalhão inteiro de hipócritas; e principalmente fez todo um povo pensar melhor sobre o que acontecia.

Se não teve força legal para interferir nos poderes, o riso deu força a que muitos por lá se fortalecessem em favor da liberdade. Nada mais dorido que o riso da galhofa. É uma chibata, mas também uma verdade crua presenteada como uma brincadeira. O riso mostra a cicatriz gozando na cara do algoz; revela que o Poder não tem tanto poder; que Poder não se sente ridículo, impotente, diante do riso?

Por que não rir daqueles que se acham estar tão alto, imunes, ou tão santificados, que só merecem a adoração? Ninguém tem o direito de ser tão inatingível. O riso mostra que é tudo igual por isso criado por Deus, com patente registrada no Céu. Vai encarar, ô meu?

O Brasil não pode continuar como está

1. No “Livro Negro do Comunismo”, Jean-Louis Margolin define o Camboja de 1975 como “o país do crime desconcertante”. Quarenta anos depois, estamos vivendo no “país do roubo desconcertante”?
Com efeito, o petismo, e nele os petralhas, promoveram um formidável update na criminalidade nacional, em especial no avanço sobre os recursos públicos para fins privados. Mais do que da "privatização", trata-se, aqui, da apropriação privada desses meis financeiros.

2. Diante das notícias do petrolão e outros escândalos nacionais, a militância petista sempre aponta os casos supostamente semelhantes ocorridos em governos do PSDB. Qual é a diferença ontológica entre esses dois níveis de escândalos?


É a um tempo embaraçoso e esclarecedor, ver-se o petismo descer de seu velho pedestal, e apelar para essa linha de argumentação, que não diz coisa alguma sem mencionar o FHC e o PSDB. A corrupção começou com os R$ 3 mil de Maurício Marinho e dos R$ 50 mil de Luis Paulo Cunha, para os milhões do Mensalão e para os bilhões do Petrolão.

3. De que maneiras os empresários e entidades de classes podem se organizar e se manifestar contra o atual estado de coisas no Brasil? Quais seriam as estratégias para evitar que movimentos políticos sejam aparelhados pelo PT e por “agentes provocadores” como o black blocs?

A participação do empresariado brasileiro será essencial às mobilizações por vir. Os empresários devem estimular a presença de seus funcionários e estar, eles mesmo, presentes nas manifestações de rua. Pessoalmente eu estou longe de fazer o tipo militante de passeata, mas nas mobilizações de dezembro, até em caminhão de som subi para discursar. Pude perceber na reação das pessoas o quanto isso foi significativo para elas. Queiramos ou não, somos parte sadia da elite brasileira. E é sobre nós que recai a maior responsabilidade neste momento.

4. Todo movimento eficaz da sociedade civil pressupõe bandeiras de fácil compreensão e uma identidade simbólica simples. Por exemplo: Diretas Já e a cor amarela. Ao mesmo tempo, exemplos como a Revolução de Veludo na Tchecoslováquia notabilizaram-se por provocar imensas transformações sociais sem quebrar uma só janela. Quais são os motes e os símbolos que podemos utilizar em um movimento da sociedade no Brasil atual?

Eu pensaria numa arte com nascer do sol, significando "alvorada", ou uma versão pictórica do galo chanteclair, ou ainda um lenço verde e amarelo para pescoço.

5. Hoje estamos assistindo ao governo venezuelano invadir uma rede de supermercado em nome da “guerra econômica” contra as elites. O empresariado parece não ter dado conta da gravidade da situação. Como fazer eles acordem para a situação real do País?

Ao longo dos últimos 20 anos, tornei-me um especialista em questões cubanas. Meu interesse pelo país foi derivado da dedicação da esquerda brasileira em geral e do petismo em particular à tarefa de glamourizar a revolução cubana e cantar méritos que descobri serem absolutamente fajutos. Dezenas de debates mais tarde, surgiu o chavismo na Venezuela e recebeu as mesmas reverências. Tem sido muito fácil apontar a disinformation construída em torno dessas duas desastrosas experiências comunistas na América Latina. Será mais difícil fazer isso no Brasil acima de Brasília, onde o eleitorado foi capturado nas malhas da dependência do Estado mediante renúncia à própria consciência moral. Ademais, o petismo, no Brasil, atraiu pelo bolso, via BNDES a banda podre da economia brasileira. Julgo urgente que micros, pequenos e médios empresários se levantem contra essa orgia de recursos financeiros a juros privilegiados, canalizados para as maiores empresas do país, gerando, como consequência das facilidades e abusos, o caos econômico em que estamos ingressando.

6. O PT quer conduzir o Brasil para uma situação semelhante à da Argentina e da Venezuela ou pensa em adotar um autoritarismo inspirado nos modelos russo e chinês?

Eu estou convencido de que o PT coloca o poder como fim e não como meio. Portanto, o petismo, deixado livre, leve e solto, tanto poderá evoluir para um peronismo com Lula, quanto para alguma forma de organização do Estado com viés totalitário ou autoritário.

7. Muitos empresários e intelectuais, mesmo aqueles alinhados com a oposição, agem como se o PT e as legendas da linha auxiliar - PSOL e congêneres - fossem partidos semelhantes a todos os outros, e que portanto devem receber tratamento igual e ser medidos pela mesma régua da democracia. O que o sr. teria a dizer sobre essa opinião tão disseminada?

Isso é um equívoco. Todos esses partidos já cometeram crimes contra a ordem pública, apoiam movimentos e organizações terroristas, nada fazem contra o tráfico de drogas, unem-se à escória do planeta, aplaudem nações inimigas da democracia, querem desarmar a população, gostariam de controlar a mídia, odeiam o Ocidente, festejaram o ataque de 11 de setembro de 2001, unem-se a qualquer um que se apresente como adversário dos EUA, e por aí vai. São partidos que deveriam ser banidos. E o PT, se não o for, ao fim e ao cabo das investigações em curso, em alguns anos retornará para "reescrever a história", transformando bandidos em heróis e heróis em bandidos.Ou não?


A posse dos impostores

Não há sombra de fúria no Planalto Central
na fraqueza mortal do rebanho no redil
É a Odisséia do Insulto, a vitória ideal
Do fracasso, do débil, do inútil servil
Da Terra do Nunca, onde é proibido crescer
À Terra do Menos onde o esmero é encolher
Paraíso minúsculo do impostor
Da fraude sem escândalos, amnésia e calor
Esterilizando mamatas, silêncio e lorota
A mordaça é a grana e patrulha, a chacota
Gritar vou gritar: Até quando vão enganar
O rebanho no redil alegre a sambar?
Quem precisa correr, quem precisa lutar?
Quem precisa mentir, quem precisa sangrar?
Quantos já se calaram, quantos se foram em vão?
Resistir será fútil quando as ruas se inundarão
Há uma sombra de fúria na impostora eleita
Rodeada de castrados com a nossa receita
Com sua pompa vulgar de botijão de gás
Estamos fartos de um país frouxo, injusto e ineficaz

Lobão, publicado em O antagonista

Que graça mais sem graça!

A ex-presidente da Petrobras é mesmo uma gracinha. Em depoimento na CPI, Graça Foster, declarou que sente “vergonha” com a derrama do Petrolão. Vergonha dá e passa, senhora presidenta.

Quem pode sentir vergonha e ainda assim ter trabalhado tanto como se nada existisse quando assumiu o cargo? Vergonha deveria sentir há muito tempo, quando conviveu, nirvanamente, como se tudo estivesse num paraíso, com tanta gente envolvida no alto escalão, sem saber de nada. Nada viu e nada ouviu.
É difícil acreditar que uma diretora da Petrobras nem tivesse suspeita de que algo estava errado. Como silenciou diante das mudanças sucessivas no projeto na refinaria Abreu e Lima, só agora revelando que vê erro no processo? 

Graça continua a pairar sobre a lama petrolífera. Se continuar assim, repete o gesto de Jesus e caminhará santamente como uma divindade da pureza.

Os três poderes estão cada vez mais desmoralizados


Entendo que o atual movimento para tentar impor a moralização do país não tem como objetivo destruir a Petrobras. Ao contrário, penso que a operação Lava Jato visa, antes de tudo, punir corruptos e aderentes e salvar a empresa, vítima de uma corja de políticos salafrários que assola a Pátria Brasil, sob amparo dos poderes maiores da república, onde os expoentes de cada casa – Executivo, Legislativo e Judiciário – estão cada vez mais desmoralizados.

Simples assim. Acabe-se com a corrupção; reduza-se esse número abusivo de ministérios; diminua-se a número de cargos comissionados de livre nomeação; elimine-se o cartão corporativo; acabe-se com a sonegação de impostos (o próprio sindicato de auditores fiscais está sempre se manifestando a esse respeito); acabe-se com as abusivas mordomias dos parlamentares e ministros, que morem e custeiem suas despesas com o fruto de seus polpudos salários, nada de privilégios.

É um sonho de princesa, reconheço, mas poderia evitar esta maldita carga de tributos que sustenta a máquina asquerosa, corroída e inepta que se chama governo. Antes que meia dúzia de “cumpanheiros” possa indignar-se, esta manifestação se refere a governo em todos os sentidos, e do ponto de vista temporal – passado, atual e futuro. Só que no governo do PT a coisa desandou.

O povo merece respeito. Os políticos não mais convencem com suas mentiras confirmadas a cada legislatura. 

Receita de técnico


Só vamos evoluir quando tivermos uma educação de primeiro mundo. Eu não posso culpar o Ministério do Esporte se hoje a gente não tem condição adequada na educação, nem para desenvolver o esporte. Não vejo uma coisa sem a outra. Acho que começa na escola. Tem muita coisa pra ser feita. Investir na base, na escola, pra depois se tornar potência olímpica
José Roberto Guimarães, técnico da seleção brasileira feminina de vôlei 

Um grande país não merece 'um governo de merda'

A impressão que se tem, diante das estatísticas e das previsões, é de que o Brasil vai demorar a sair dessa situação a que foi conduzido pela irresponsabilidade dos governos da coudelaria Lula Rousseff. Esta semana, o próprio presidente do PT, Rui Falcão, em discurso perante cerca de 150 petistas, não teve dúvidas em afirmar que é “um governo de merda”, ratificando o que praticamente todos os brasileiros sentem.

Realmente, para conseguir desestabilizar um país com as condições do Brasil, é preciso ser um governo muito ordinário, no mau sentido. Quinto maior em território, sexto em população, sétimo em economia, possuindo riquíssimas reservas minerais, as mais extensas terras agricultáveis do planeta e condições ideais de luminosidade, a maior reserva de água potável, com amplas possibilidades de geração de energia limpa e irrigação, uma indústria muito diversificada e capaz de gerar tecnologia, realmente pode-se dizer que não há outra nação com o mesmo potencial.

O que faz a diferença, sem a menor dúvida, é que existem hoje muitos países com administrações bem mais eficientes, com governos interessados no bem comum, ou seja, o contrário do que ocorre no Brasil.

No século passado, havia um velho ditado que ridicularizava a incompetência dos governantes brasileiros: “O Brasil cresce à noite, quando os políticos estão dormindo e não conseguem atrapalhar”. Este é o ponto. O potencial do país é tamanho que o governo nem precisa administrar direito, basta não criar obstáculos. Mas nem mesmo isso conseguimos.

Os artigos do geólogo Pedro Jacobi sobre a crise da mineração, publicados nos últimos dias aqui na Tribuna da Internet, mostram a que ponto chegamos. O então ministro Edison Lobão, ao gerir o estratégico setor, atrapalhou tanto a iniciativa privada que praticamente inviabilizou todos os segmentos (pesquisa, sondagem, laboratório e lavra), sem os quais a mineração não prospera.

Os sucessivos desgovernos conseguiram também atrapalhar a indústria, com uma política suicida de valorização artificial do real, acompanhada de uma exagerada abertura às importações, provocando o fechamento de fábricas e a redução de postos de trabalho da mão de obra especializada. Uma estratégia verdadeiramente suicida.

A corrupção na Petrobras, nas outras estatais, nos Fundos de Pensão, no BNDES, no chamado Sistema S e nos ministérios, compondo o sinistro esquema criado para perpetuar no poder a grife Lula Rousseff, é um filme de terror que mais parece um nunca-acabar e arrasa o prestígio do país no exterior.

Em meio a esse quadro de queda dos investimentos, o governo do PT se esmera num setor em que se mostrou imbatível – a maquiagem dos números da economia e as consequentes pedaladas de final de ano, postergando o pagamento de despesas correntes, iniciativa que desmoraliza inteiramente a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Do alto de sua arrogância e prepotência, a inexperiente e patética Sra. Dilma Vana Rousseff conseguiu o que na História do Brasil nenhum outro governante (ou governanta, no caso) jamais alcançou, nem mesmo nos tempos da macroinflação. Ela simplesmente nos atrapalhou tanto que parou o país e enfraqueceu o bem mais precioso de uma nação – a esperança.

Em meio ao caos administrativo, dona Dilma continua lá na Ilha da Fantasia, sentada à mesa presidencial e se comportando como se estivesse num salão de cabeleireiros. Finge que governa, enquanto nós fingimos que somos governados. Deveria mudar de ramo. Seria uma grande atriz para novelas da TV, teatro e cinema. Afinal, ninguém consegue fazer caras e bocas como ela. Com toda certeza, ganharia pelo menos o Oscar de coadjuvante.

O papel da cultura

Num jantar, o escritor Cristovão Tezza afirma que no processo civilizatório o papel da cultura é tão ou mais relevante que o progresso econômico. Tezza alega que o grande problema do Brasil foi termos acreditado que a prosperidade econômica traria naturalmente uma expansão dos horizontes culturais. Nos limitamos à ampliação do acesso aos bens materiais – tirar uma parte da população da extrema pobreza não foi seguido de uma profunda reforma no sistema educacional. O resultado é que hoje temos uma das mais altas taxas de homicídios do mundo. Esse argumento me lembrou uma fala do poeta Sergio Vaz, pleiteando que a letra C da ascendente Classe C fosse sinônimo de Cultura e não de Consumo... Como nenhum governo se preocupou de verdade com esse salto qualitativo, continuamos afundados no pântano da barbárie...
Luiz Ruffato, Relâmpagos nos labirintos do Salão do Livro de Paris

quinta-feira, 26 de março de 2015

Os idos de Sarney


(...) no segundo mandato de Dilma, estamos caminhando para uma inflação de 8% que, somada à alta percepção de corrupção, provoca grande agitação popular. Não existe garantia de estabilidade política com inflação alta. Nos últimos dias do governo Sarney, ele não mandava nem no mordomo do Palácio.
Roberto Romano, professor de Ética Política da Unicamp

Lula nunca esteve apto para governar o país

Lula é genial, pois conseguiu iludir o Brasil e o mundo 

Lula perdeu a chance de se eternizar no poder e no coração do brasileiro, caso ele se preocupasse mais com o Brasil e o povo do que com as suas artimanhas políticas. A a partir de sua atuação como líder metalúrgico, nos movimentos e nas greves que comandava, Lula sempre adorou o jogo político, as alianças e as negociações.

Imaginou que, na condição de presidente da República, a maneira de proceder poderia ser a mesma, para conduzir o País por meio de conchavos. Na verdade, Lula nunca esteve preparado para comandar o Brasil. Precisava de assessores qualificados, mas se juntou a gente da pior espécie, cujo exemplo maior foi José Dirceu, que ainda segue em evidência depois de tantos escândalos e agora aparece envolvido também com o esquema da Petrobras.

No meio dos conchavos, foi assim que surgiu o mensalão. Como não era possível ter uma base aliada espontânea, então que fosse adquirida, para não haver problemas com a oposição. O resto já sabemos.

Lula e seu PT deveriam ser estudados sob holofotes da sociologia e da ciência política, diante das transformações verificadas depois que chegaram ao governo. Que o poder corrompe, sempre soubemos, mas tanto assim? Observe-se que não há instituição pública onde não haja corrupção e desonestidade. Agora, explodiu mais um escândalo com relação à segurança e monitoramento dos estádios da Copa do Mundo, com milhões de reais gastos a mais no contrato firmado com uma empresa alemã.

Lula traiu a nação brasileira. Certamente decepcionou também os governantes e as autoridades de muitos países, que sempre o receberam bem e o cobriram de honrarias, imaginando que o então presidente representava o lado bom do Brasil, honesto, interessado em resolver os impasses nacionais. Foram todos iludidos.

Decididamente, o PT não pode mais ser chamado de partido político, apenas um bando de criminosos reunidos para assaltar o País e explorar o povo brasileiro.

Politicamente, Lula foi esperto ao ampliar o Bolsa Família, pois trouxe para seu lado o pobre e o necessitado, ameaçando-os de interromper os benefícios caso votassem na oposição. Dessa forma, tem garantido milhões de votos que mantêm o PT no poder, e será uma epopeia conseguir tirá-los do Planalto, lamentavelmente.

Se o presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha, declara que ainda não encontrou razões para o impedimento de Dilma, é porque tem conhecimento de que haveria forte reação dos mais pobres, que inevitavelmente sairiam às ruas para protestar, somando-se aos “exércitos” de Stédile, dos sindicalistas e dos milhões de militantes petistas.

Enfim, o castigo que se abateu sobre o Brasil e seu povo é cruel, extremamente longo, e nos deixará com prejuízos incalculáveis no dia em que terminar, sabe-se lá quando.

A revolta da criatura

Dilma fontoche Lula da banana

Bota fé?

O líder do governo na Câmara dos Deputados, José Guimarães (PT-CE), irmão de José Genoíno, afirmou que o Palácio do Planalto vai “cortar na própria carne”, reduzindo o custeio da máquina pública. O parlamentar revelou que os cortes ainda estão em estudos e que os benefícios sociais serão preservados.

“Todo mundo fica falando para cortamos gastos, e vamos [cortar]. O governo vai cortar na própria carne”.

Resta apenas confiar na palavra do deputado conhecido nacionalmente quando a Polícia Federal prendeu um assessor seu no aeroporto de Congonhas, ao tentar embarcar num voo para Fortaleza com R$ 200 mil reais dentro de uma mala e 100 mil dólares escondidos na cueca.




Entre o 'general' Stédile e o capitão Bolsonaro, o falso dilema

Na tentativa de dar sobrevida a seu governo, o PT avança no esforço de confundir a sociedade e provocar a secessão no Brasil. Enquanto Dilma e seus ministros admitem que as manifestações contra o governo são democráticas, os robôs e o que resta da militância petista ecoam o bordão de que os manifestantes são golpistas. Repetem essa mentira milhões de vezes regidos por seu Goebbels reencarnado marqueteiro.

Ao mesmo tempo, petistas e aliados constroem a falsa expectativa de que as manifestações levarão a sociedade a ter de decidir entre o general Stédile, do exército convocado por Lula, e o capitão Bolsonaro, que quer a volta dos militares ao poder.

A sociedade brasileira não quer o general Stédile nem o capitão Bolsonaro. E deixou isso claro no dia 15 de março. A sociedade não quer a violência do Exército de Stédile. A sociedade quer paz e respeito à Constituição.

A sociedade não quer a intervenção militar do capitão Bolsonaro. A sociedade quer a intervenção popular com respeito ao seu voto. O brasileiro vai reafirmar em 12 de abril a opção pela paz, pela liberdade e pela democracia.

O brasileiro quer um estado que assegure o direito de trabalhar e produzir. Não aceita pagar a conta dos erros políticos, da incompetência e da corrupção do PT e seus aliados. Não aceita mais inflação, impostos e desemprego.

O brasileiro quer justiça célere para os que saqueiam o estado e as empresas públicas. Não aceita impunidade. O brasileiro quer saúde, educação, transporte e segurança. Não aceita um governo partilhado por políticos, empreiteiros e burocratas corruptos.

O brasileiro quer um sistema eleitoral que respeite o seu voto, campanhas limpas e partidos comprometidos com programas. Não aceita pacotes e projetos que prometem mudança e entregam continuísmo.

A sociedade vai ser capaz de vencer a organização criminosa que desgoverna o Brasil com o poder legítimo da Constituição.

12 de abril vai ser maior.

O hipócrita e o santo de Hipona

O hipócrita, este ser de elegância, onde anda? Este que até um poeta já louvou por seus escrúpulos? “À saúde do hipócrita”! À saúde deste que torna tudo tão mais tolerável. É fácil demais apontar os de cloaca exposta, o dedo apontando é um muito antigo tentáculo de polvo revoltado, excitado, sedento de justiça. Caguete seu próximo e tenha sua pe
na reduzida. O hipócrita? O hipócrita não se emporcalha. O hipócrita faz questão de manter as mãos bem limpas. Nada de pontas soltas, traço de baba, sobra de festinha amanhecida. A sujeira flagrante o escandaliza. Questão de etiqueta, de postura, de barras bem cosidas. O hipócrita sabe dar o passo sem rastro, tem o asseio e a honra de continuar uma linhagem de hipócritas avoengos, agradáveis e corretos até o mais fino cabelo das aparências. Questão de decoro, siso, brio. O mau gosto da verdade deformando o rosto ou do sangue escapando da veia não é com ele. O hipócrita não hesita em público, não tem nada de errado a olho nu, nada da paixão daquele santo que admitia ter se empanturrado, se esbaldado, se lambuzado em conveniências, mais falso na sua alegria que um mendigo bêbado num bairro de Milão no quarto século depois de Cristo. Ele hipócrita não peca em público, não peca absolutamente, nada nele o denuncia, nunca nada nele é torpeza. Até a expressão de um monge sequestrado, que chama seu assassino de amigo do último instante, na boca do hipócrita perde seu travo patético. Ele sabe ser sem dor o amigo do último instante, ironicamente. E o santo? Este santo que é santo sendo um pecador confesso, onde anda esse indecente?

Já dizia Millor


Emenda pior que soneto

O presidente do PT, Rui Falcão, citou a queda de Salvador Allende no Chile, em 1973, para pedir na noite de segunda-feira apoio do partido a Dilma Rousseff. “Como diziam os chilenos pré-queda do Allende: ‘É um governo de merda, mas é o meu governo”. Quando sentiu o fedor da porcaria que proferiu, tentou se corrigir: “Não é de merda, mas é o nosso governo”.

A cada dia o PT demonstra que, com a eloquência dos seus integrantes, é mesmo um partido de merda. Agora falta dar a descarga.

País da boquinha


Não é do meu tempo, mas aprendi a amar o cinema mudo. Às vezes, promovo para mim mesmo festivais domésticos de filmes de Greta Garbo, Douglas Fairbanks e Lon Chaney, todos pré-1927 e hoje disponíveis em DVD. São tão excepcionais que nem me lembro de que, quando os atores falam, não se ouve o diálogo. O único momento em que parece faltar alguma coisa é no começo, quando o leão da Metro abre a bocarra, ruge e não se escuta nada.

Lembrei-me disso outro dia ao ler no "New York Times" que a "voz do Brasil", tão altissonante no cenário internacional nas últimas décadas, tinha se transformado num "sussurro" no governo Dilma. Veio-me também à cabeça o assessor do governo israelense que, há meses, em resposta a um palpite de Dilma sobre um ataque de Israel aos palestinos, chamou o Brasil de "anão diplomático".

Pouco depois, Dilma voltou a pisar na banana ao dizer, na Assembleia Geral da ONU, que era preciso "dialogar com o Estado Islâmico" --aquele que degola e frita prisioneiros vivos e destrói tesouros arqueológicos na casa dos outros. Aliás, esta declaração de Dilma resolveu um problema. Com ela, lá se foi a última chance de o Brasil integrar o Conselho de Segurança da ONU.

Bem, podemos ser um anão que sussurra, mas o que hoje se vocifera lá fora sobre o país é de ensurdecer. A cada dia, investigadores independentes, nos EUA, Suíça e Alemanha, descobrem que, em qualquer negócio com o Brasil, seus cidadãos, instituições e empresas têm de pagar por fora. Nada mais rola por aqui sem a boquinha, o suborno institucionalizado.

Tudo em que nos metemos --contratos da Petrobras com fornecedores, contas secretas no exterior, acordos da Copa do Mundo e até a venda de Neymar para o Barcelona-- envolve uma mutreta. O Brasil ruge em silêncio e, no lugar da bocarra, o que se vê é a boquinha.

Charlatanismo político


O homem deixa-se facilmente enlevar pelo encanto do maravilhoso, e é explorando este segredo da fraqueza humana que o charlatanismo abusa da simplicidade dos crédulos e à custa deles bate moeda na forja da impostura, ou sacrifica à sua corrupção as inocentes vítimas que loucamente espontâneas se precipitam nesse perigoso desvio da razão
Joaquim Manuel de Macedo (“As víctimas-algozes”, 1869) 

Esquerda democrática não pode cair na esparrela do PT

Que o PSDB seja classificado como centro-esquerda, vá lá! Mas é preciso desmistificar esta glamorização do PT rotulando-o como esquerda. De esquerda, o PT não tem nem nunca teve nada. Sempre foi um partido sem ideologia. Os partidos de esquerda têm um compromisso com o socialismo, coisa que o PT nunca teve. Não nos deixemos enganar com o apoio do PT ao MST, por exemplo, que também não tem nada de esquerda. São anarquistas. E o apoio do PT ao regime de Cuba é mero jogo de cena.

genildo

O PT foi sempre um partido voluntarista, oportunista. Com os escândalos do mensalão e do petrolão, afinal estamos vendo que o PT não tem nada de socialista nem de ético. Este triste partido arroga para si um rótulo de esquerda para pura promoção e marketing político. Nem mesmo o PCdoB, carne e unha com o PT, apesar de se rotular como Partido Comunista do Brasil, nada tem de comunista e muito menos de Brasil. Também é uma cambada de oportunistas, tal e qual o PT.

A esquerda democrática, representada entre outros por partidos como o PPS, PSB e PV, comprometida com o Estado de Direito e com os valores republicanos, não deve cair na esparrela petista. Deve conduzir de forma cautelosa a discussão sobre o escândalo da Petrobras e o impeachment.

Sua orientação deve ser a de que as instituições democráticas funcionem livre e plenamente, sem qualquer pressão indevida, como aquela patrocinada pelos advogados de vários réus com o objetivo de que o Ministério da Justiça, ao qual está subordinada a Polícia Federal, ponha obstáculo às investigações.

Por ora, a esquerda democrática deve mobilizar a sociedade civil para pressionar um correto funcionamento da Comissão Parlamentar de Inquérito a ser instalada no Congresso Nacional e cumprir sua obrigação de investigar a fundo o grau de responsabilidade de todos os envolvidos, entre eles diretores da Petrobras, ministros e a própria presidente, além de parlamentares citados nos depoimentos dos delatores. Uma vez cumprido este passo, só então a esquerda democrática deve discutir a responsabilização a partir dos fatos apurados.

Concomitantemente, a esquerda democrática deve agir no sentido de que as investigações tenham o curso legal nas esferas do Ministério Público e do Poder Judiciário para a devida responsabilização criminal.

Com a discussão sobre o impeachment neste momento, os dirigentes do PT pretendem também pautar o debate na sociedade com objetivos diversionistas. Pretendem tirar o foco da grave crise econômica e social que afeta o povo brasileiro. O governismo tenta esconder que o atual ajuste fiscal joga a conta da crise sobre os ombros dos assalariados, com medidas restritivas de direitos trabalhistas e de arrocho, como a não correção pela inflação da tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física. Esta é a realidade.

Nem água no copo há

É mais séria do que se pensa a crise hídrica. Como sempre está sobrando para aqueles a quem o PT diz ajudar: os miseráveis. Em São Paulo, as torneiras já secaram até para as doações de água que os comerciantes faziam aos mendigos. O problema acontece nas barbas de Eduardo Suplicy, dos Direitos Humanos, que coordena o programa Braços Abertos, justamente para atender a esses necessitados.

Espetáculo de cretinice


'Nós temos um volume imenso
de obras no município'
Washington Quaquá, presidente 
do PT-RJ e prefeito de Maricá
Em seis anos no governo, Quaquá não conseguiu colocar um tijolo que fosse de uma obra digna de ser apontada como importante para Maricá, que hoje, “desenvolvida” para os olhos petistas, é apenas um canteiro de bostas purpurinadas. Em suma, a Patolândia.

Até a apelidada ponte da Barra, que leva o nome do irmão do prefeito, morto há pouco tempo e que nada foi no município, não passa de um viaduto superfaturado do governo estadual. Para dar dignidade à “ponte”, o prefeito até cavou um trecho de areia para ficar um pouco de água embaixo.

Somam-se a isso uma avenida que está em obras há três anos, já levou R$ 50 milhões, não está pronta e o malfeito já mostra sua cara. E o que falar dos R$ 8,5 milhões em instalação de calçadas “ecológicas” no Centro; do Centro Cultural Henfil, prometido para setembro de 2012 e que já lá foram enterrados R$ 2 milhões? A lista do “volume de obras” desse tipo é tão grande quanto o prontuário do prefeito.

Se não bastasse novo show de cafajestice, por e-mail, a assessoria de Quaquá diz ser “normal que os gestores públicos se submetam a controle judicial”.

quarta-feira, 25 de março de 2015

A boa notícia da tranca do cofre

A doutora Dilma decidiu cancelar a festa de uma lei que sancionou em novembro. Melhor assim
Além da decisão da Standard & Poor’s de manter a classificação do Brasil, há outra boa notícia na praça. Seu método é meio girafa, mas vá lá. A repórter Vera Magalhães revelou que o governo decidiu congelar a regulamentação da lei que mudou o indexador das dívidas dos estados e municípios com a União. É girafa porque não fica bem para a doutora Dilma valer-se de um artifício burocrático (a regulamentação) para adiar o cumprimento de uma lei que sancionou em novembro. Contudo, é melhor fazer assim do que avançar no orçamento do andar de baixo.
No final do século passado, os estados e municípios repactuaram suas dividas com a União. Hoje, essa conta está em R$ 500 bilhões, que deveriam ser quitados em 25 anos. Com o novo indexador, as prefeituras do Rio e de São Paulo, bem como os governos de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Alagoas livram-se de um espeto de R$ 176 bilhões. Noves fora Alagoas, estão entre as administrações mais ricas do país. Estima-se que esse refresco custe à União mais de R$ 3 bilhões a cada ano. Para um governo que pretende cortar benefícios de viúvas para economizar R$ 1 bilhão anuais nas despesas de Previdência, a ideia tem alguma lógica, pois num caso os cidadãos pagaram ao INSS, enquanto no outro os governadores e prefeitos não querem pagar o que devem.

Há aí uma aula de irresponsabilidade fiscal. Lá atrás os doutores endividaram suas administrações dentro da lógica do “eu faço e meus sucessores pagam”. Destruíram-se simultaneamente os orçamentos públicos e o valor da moeda. Veio o Plano Real e arrumou-se a casa repactuando-se as dívidas. Passou o tempo e os novos doutores, liderados pelo prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, quiseram mudar o indexador para pagar menos. Há lógica no pleito, pois todos estão com pouco dinheiro para investir.

Numa trapaça da história, Haddad, que está hoje no guichê de quem tem que pagar, em 2010 estava no balcão que produzia despesas. Como ministro da Educação, mudou o sistema de financiamento aos estudantes de faculdades privadas. Baixou os juros de 6,5% para 3,4% anuais, afrouxou o sistema de fianças e facilitou o acesso aos créditos. Os empresários das escolas viram na mudança a estatização do risco da inadimplência e estimularam a migração dos alunos para os empréstimos públicos. Segundo o ministro do Planejamento, em quatro anos, os contratos passaram de 80 mil para quase dois milhões. A carteira foi de R$ 1 bilhão para R$ 13,4 bilhões. Se a ideia era aumentar o percentual de estudantes no ensino superior privado, deu água. Os financiamentos cresceram 448%, mas as matrículas aumentaram 13%. O estudante tirava zero na prova de redação e conseguia o crédito. A própria doutora Dilma reconheceu o engano de ter entregue às escolas a porteira de acesso aos financiamentos: “O governo cometeu um erro.”

Quando a dívida dos estados e municípios foi repactuada, o professor Fernando Haddad não podia imaginar que o abacaxi acabaria na sua mesa. Quando o ministro Fernando Haddad afrouxou as regras do financiamento estudantil, sabia que o abacaxi só seria colhido 12 anos depois da formatura dos estudantes, quando começariam os resgates. Ele sustenta que uma eventual inadimplência dos alunos financiados sem fiadores será coberta por um fundo garantidor. Um problema para o caixa de 2026.

Elio Gaspari

Oportunistas de sempre

(...)Ao dar razão a Lula quando afirma que a Operação Mãos Limpas na Itália resultou em Berlusconi, observei que na terra arrasada costumam triunfar os piores oportunistas. Esqueci de registrar que no Brasil os piores oportunistas estão a postos desde sempre.

Alberto Dines

A arte de maldizer

Malditos sejais, ó mentirosos, negadores, defraudadores, vigaristas, intrujões, chupistas, tartufos e embusteiros! Que a peste negra vos cubra de feridas pútridas, que vossas línguas mentirosas sequem e que água alguma vos dessedente, que vossas mentiras, patranhas, fraudes, lérias e marandubas se transformem em cobras peçonhentas que se enrosquem em vossos pescoços, que entrem por vossos rabos, cus, rabiotes e fundilhos e lá depositem venenosos ovos que vos depauperem em diarreias torrenciais e devastadoras. Que vossas línguas se atrofiem em asquerosos sapos e bichos pustulentos que vos impedirão de beijar vossas amantes, barregãs e micheteiras que vos recebem nos lupanares de Brasília, nos prostíbulos mentais onde viveis, refocilando-se nas delícias da roubalheira.

Malditos sejais, ladrões, gatunos, ratoneiros, trabuqueiros dos dinheiros públicos, dos quais agadanhais, expropriais mais da metade de todos os orçamentos, deixando viadutos no ar, pontes no nada, esgotos a céu aberto e crianças mortas de fome, mortas de tudo.

Que a maldição de todas as pragas do Egito e do Deuteronômio vos impeça de comer os frutos de vossas fazendas escravistas, que não possais degustar o pão de vossos fornos, nem o milho de vossos campos, e que vossas amantes vos traiam e vos contaminem com escabrosas doenças e repugnantes furúnculos!

Malditos sejais, homúnculos dedicados a se infiltrarem nas brechas, nas breubas do Estado para malversar, rapinar, larapiar desde pequenas gorjetas embolsadas até essa doença nacional chamada petróleo, em que vos repastais no revezamento sinistro de “negociarrões” com empresas-fantasma em terrenos baldios, até a rapinagem dos mínimos picuás dos miseráveis.

Malditas sejam as caras de pau dos ladravazes, com seus ascorosos sorrisos, imunda honradez ostentada, gélido cinismo, baseado na crapulosa legislação que vos protege há quatro séculos, por compradiços juízes, repulsivos desembargadores, fariseus que vendilham sentenças por interesses políticos, ocultados por intrincados circunlóquios jurídicos, solenes lero-leros para compadrios e favores aos poderosos! Que vossas togas se virem em abutres famintos que vos devorem o fígado, acelerando vossas morte,s que virão pela ridícula sisudez esclerosada com que justificais liminares e chicanas que liberam criminosos ricos e apodrecem pobres pretos na boca do boi de nossas prisões!

Malditos sejais, burocratas, sicofantas, enfiados na máquina pública, emperrando-a e sugando migalhas do Estado com voracidade e gula! Tomara que sejais devorados pelos carunchos que rastejam nos processos empoeirados da burocracia que impede o país de andar! Que a poeira dos arquivos mortos vos sufoque e envenene como o trigo roxo dos ratos!

Malditas sejam também as “consciências virginais”, as mentes “puras”; malditos os alienados e covardes, malditos os limpos, os não culpados, os indiferentes, que se acham superiores aos que sofrem e pecam; malditos intelectuais silenciosos que ficam agarrados em seus dogmas, que se “escandalizam” com os horrores, mas nada fazem diante dos erros óbvios que clamam por condenações. Maldito aquele que culpou os “brancos de olhos azuis” pela crise econômica mundial. Malditos os que só pensam em dividir os brasileiros entre “nós” e “eles”. Maldita seja a técnica de vitimização que funciona bem para ditadores que se dizem sempre “defensores do povo” – suas vítimas. Malditos os que condenam o passado, se eles são o passado.

Malditos os radicais de cervejaria, os radicais de enfermaria e os radicais de estrebaria. Os frívolos, os loucos e os burros. Uns bebem e falam em revolução; outros alucinam, e os terceiros zurram.
Maldita seja também a indiferença narcisista do déspota sindicalista que renegou a herança bendita que recebeu e que se esconde nas crises para voltar um dia como pai da pátria. Que gordos carrapatos infectem sua barba de estadista deslumbrado.

Malditos também os que desejam trazer de volta a irresponsabilidade fiscal, malditos anjos da cara suja, malditos os que inventaram as gorjetas de milhões, malditos espertos fugitivos da cassação, anatematizados e desgraçados sejam os que levam dólares na cueca e, mais que eles, os que levam dólares às Bahamas, malditos os que usam o “amor ao povo” para justificar suas ambições fracassadas, malditos bolchevistas que agora são arroz de festa de intelectuais mal-informados; malditos sejam, pois neles há o desejo de fazer regredir o Brasil para o velho atraso pustulento, em nome de suas ideologias infantis!

Se eles prevalecerem, voltará o dragão da inflação, com sete cabeças e dez chifres e sete coroas em cada cabeça e a prostituta do atraso virá montada nele, berrando todas as blasfêmias, vestida de vermelho, segurando uma taça cheia de abominações. E ela, a besta do atraso, estará bêbada com o sangue dos pobres, e em sua testa estará escrito: “Mãe de todas as meretrizes e mãe de todos os ladrões que paralisam nosso país”.

Só nos resta isso: maldizer.

Portanto: que a peste negra vos devore a alma, políticos canalhas, que vossos cabelos com brilhantina vos cubram de uma gosma repulsiva, que vossas gravatas bregas vos enforquem, que os arcanjos vingadores vos exterminem para sempre!

Arnaldo Jabor
*Não pude escrever o artigo da semana por doença (nada grave, inimigos meus), mas me lembrei de outro texto da época do mensalão e achei por bem republicá-lo, pois cabe perfeitamente nestes tempos de petrolão. 

Sair da crise é o desafio para a presidente

O jornal britânico Financial Time, matéria transcrita pelo Globo na edição de 23, prevê que a situação econômica brasileira pode se agravar em 2015 e até estender-se por mais tempo. De fato, esse é o desafio que se coloca à frente da presidente Dilma Rousseff: sair da crise o mais rapidamente possível, pois ela se reflete diretamente nos níveis de emprego e consumo. E sem ambos os setores funcionando normalmente, não existe atmosfera política que resista. A estabilidade do país depende da superação dos obstáculos colocados na rota do Planalto.

O primeiro deles causado pela onda de corruptos e corruptores que atingiu e aprisionou a Petrobrás. A culpa é desses atores somados aos operadores de câmbio e de falsas doações. Não se trata de influência externa, como sustentou o deputado Sibá Machado do PT, em artigo na mesma edição de O Globo, culpando a CIA. Os fatores são internos, entre eles ex-diretores e ex-gerentes da própria estatal alçados aos cargos ao longo de mais de uma década.

Não adianta tampouco dizer-se que a corrupção vem do período FHC. Pode ser. Mas cresceu de forma gigantesca durante os mandatos do presidente Lula até que atingiu seu ponto de explosão no final do primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff. Esse bando de ladrões é o maior adversário real do governo atual, sobretudo em função do descrédito público a que foi conduzido o país. Os assaltantes são os maiores inimigos da administração federal e do próprio Brasil.

Pois ao conseguir abalar a Petrobrás, e a empresa é vital para o país, os assaltantes abalaram a nação. O que parecia impossível foi alcançado por um elenco de ladrões que tiveram força para comprometer o presente e ameaçar o futuro.

Não será com projetos do ministro Joaquim Levy que o Poder Executivo vencerá a etapa gigantesca que tem pela gente. Pois apertar as contas públicas conduz à redução do consumo e a diminuição deste projeta-se no mercado de trabalho, como já está acontecendo. Para livrar-se do espelho das contradições, em primeiro lugar Dilma tem que assumir uma posição bem mais firme e incisiva na órbita da estatal, de fato, onde estão os seus piores e verdadeiros inimigos.

De nada adiantará ouvir versões como a de Sibá Machado. São falsas. Imparciais. Ilusórias. Não enganam a pessoa alguma. Pelo contrário: só elevam o grau de desconfiança na ação do governo. Transformar inimigos totais em vítimas do acaso é entrar em colisão frontal com a essência da atuação do poder. Pois se ele não se mostra capaz de identificar a verdade à sua volta, como a opinião pública poderia reagir?

A sociedade não se sente representada através da omissão e do acobertamento dos verdadeiros traidores do Planalto. Só o processo da verdade e a transparência que descortina a realidade será capaz de impulsionar o governo, fazendo-o ultrapassar a etapa atual e dar início a um esforço de recuperação do tempo perdido. Mas está tentando recuperação com iniciativas que não mobilizam. Antes, ao contrário, desmobilizam o povo e o país.
 Pedro do Coutto

As maldades do Pato PT

A sujeira da ficha do ‘Pato’

Vá o cidadão tirar para conseguir emprego um levantamento sobre sua ficha e lá encontra estar respondendo por 18 inquéritos civis. Será que consegue o emprego?

Numa empresa privada talvez nem sequer com pistolão. Mas quando se é prefeito e presidente regional do PT, o cargo na empresa pública é garantido e pode até se dar ao luxo de considerar normal uma “variação” patrimonial de meros e inúteis R$ 3,5 mil mensais.

Para o presidente do PT fluminense, essa “variação” não é causada por nenhuma irregularidade como se fosse normal entre os mortais trabalhadores, que precisam suar para conseguir até um aumentinho legal.

Numa das mais cínicas declarações, Washington Quaquá, de codinome Pato, considerou sobre reportagem mostrando a asséptica ficha dos prefeitos fluminense que é um sujeito limpo, apesar de estar inelegível por oito anos.

O cúmulo da cretinice é destacar que as 18 ações cíveis, a maior soma entre os prefeitos no estado, são “denúncias encaminhadas por motivações políticas”.

Ah, PT até quando vais abusar de nossa paciência?


A Sassá Mutema de Maricá

Apenas com o currículo de ser filha de Lula, Lurian Silva está a caminho de ser a dona de Maricá como o pai se tornou “o dono do Brasil”. Os petistas colocaram o bloco da sucessão de Quaquá nas ruas de Maricá inclusive com enquete (adivinha quem paga) para escolher o candidato do partido em 2016 em uma lista tríplice.

A 'baixinha' quer voar para o executivo

Há tempos “diretora” da revista Maricajá, de propriedade de Quaquá e da mulher, deputada estadual recém eleita, que se não tiver receita abocanha na bica pública, Lurian tem investido no município. Está em todas inclusive no desfile de 2014 da Grande Rio ao lado do casal 171.

A lista da pesquisa, que deve dar Lurian na cabeça, é completada pelo vice-prefeito, conhecido zero à esquerda, e por um forte candidato. Chiquinho, dono de trailer, ex-coordenador de campanha de madame Z, mulher de Quaquá, em 2010, hoje presidente da Câmara.

Em resumo, o PT continuar a cagar e andar para o município. Quer fazer mais sujeira para garantir a continuação no poder e no bolso público.

Quem nos livrará?

Por motivos ideológicos, obviamente contrários ao regime democrático, embora sempre se considerem seus arautos, nem a presidente, nem seus principais auxiliares são capazes de reconhecer que estão errados na condução do país. Querem, na verdade, apartá-lo entre ricos e pobres e não conseguem mostrar nada senão isso, vítimas que são (ou serão autores?) de uma esquerda autoritária e retrógrada.
A mentira como tática e a defesa intransigente de uma esquerda autoritária poderão levar a maioria da sociedade brasileira à aceitação do impeachment (que é, repito, um instrumento legítimo e de autodefesa do regime democrático), mas sem, hoje, as condições jurídicas necessárias, advertiu o ex-ministro (do STF) Carlos Ayres Brito.
Presidente: não entregue (só) a Deus o nosso destino. Convoque não apenas o país, mas, sobretudo, auxiliares competentes e comprometidos com a liberdade, e antes que a despachem para casa... E, depois, reze, como, aliás, farão todos os que têm juízo.
O Brasil é muito maior do que todos nós!
Acílio Lara Resende